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15 de mar. de 2012

A Maçonaria, que nega o inferno, constitui uma prova da sua existência.

- por padre Garrigou-Lagrange, OP

http://beinbetter.files.wordpress.com/2012/03/garrigou2.jpg?w=186Ao ler a Encíclica de Leão XIII Humanum genus, de Abril de 1884 sobre a maçonaria e as obras mais objetivas sobre esta questão não é difícil descortinar o objetivo real que têm em vista.

Depois de a malícia do demônio ter dividido o mundo em dois campos – diz em resumo Leão XIII -, a verdade tem os seus defensores, e também os seus adversários implacáveis. Aí temos as duas cidades opostas de que fala Santo Agostinho: a de Deus, representada pela Igreja de Cristo, com a sua doutrina de salvação eterna; e a de Satã, com a sua revolta contínua contra a doutrina revelada. A luta entre os dois exércitos é perpétua e, desde o fim do século XVII, data do começo da franco-maçonaria, que englobou todas as sociedades secretas, as seitas maçônicas organizaram uma guerra de extermínio contra Deus e contra a Igreja. Têm por fim descristianizar a vida individual, familiar, social, internacional e, para isso, todos os seus membros se tratam como irmãos em toda a superfície do globo. Constituem uma outra igreja: uma associação internacional e secreta.

Leão XIII, ao terminar a mesma encíclica, aponta a maneira como estas seitas clandestinas se insinuam na confiança dos príncipes, com o pretexto falacioso de proteger a sua autoridade contra a dominação da Igreja. Na realidade, é para minar todo o poder, como bem prova a experiência; pois, em seguida – diz o Papa -, estes homens pérfidos lisonjeiam as multidões, mostrando-lhes uma prosperidade de que a Igreja e os reis seriam os únicos inimigos. Afinal, acabam por precipitar as nações no abismo de todos os males, nas agitações revolucionárias e na ruína geral, que apenas aproveitam a alguns oportunistas.

Este objetivo real de descristianização da sociedade apareceu a princípio, mascarado por um fim aparente. A seita não passava, na aparência, de uma sociedade filantrópica e filosófica. Mas, após os primeiros triunfos, logo depôs a máscara. Gloria-se de todas as revoluções que sublevaram a Europa, em particular, da Revolução Francesa; de todas as leis contra o clero e ordens religiosas, da laicização das escolas; da ablação do crucifixo dos hospitais e tribunais; da lei do divórcio; de tudo o que descristianiza a família e diminui a autoridade do pai, para a substituir pela de um Estado ateu. Ela segue a divisa: dividir para reinar; separar da Igreja os reis e os Estados; enfraquecer os Estados, separando-os uns dos outros, a fim de os dominar por um poder oculto internacional; preparar conflitos de classes, separando os patrões dos operários; enfraquecer e arruinar o amor da pátria; na família, separar os esposos, proporcionando-lhes o divórcio legal e sempre cada vez mais fácil, separar, enfim, os filhos dos pais, para os tornar a presa da escola chamada neutra, mas ímpia, e do Estado ateu.

No seu entender, rejeitar toda a revelação divina, toda a autoridade religiosa, equivale a contribuir para o progresso da civilização. Quer os mistérios e os milagres devem banir-se de todo o programa científico. Põem-se de parte o pecado original, os sacramentos, a graça, as orações, os deveres para com Deus, a distinção entre o bem e o mal. Reduzem o bem ao útil, toda a obrigação moral desaparece, as sanções de além-túmulo não existem. A autoridade não vem de Deus, mas do povo soberano.

A maçonaria caracteriza-se especialmente pelo ódio a Jesus Cristo. Reservam as mais requintadas blasfêmias e imprecações para atingir o seu santo nome. Chegam a procurar hóstias consagradas para as profanarem da maneira mais ultrajante. A apostasia é condição imprescindível para preencher os cargos mais elevados. Os iniciados não têm rebuço em aceitar a condenação de Jesus de Nazaré pela autoridade judiciária e em concordar com a crucifixão, como outrora os judeus endurecidos. Combate-se a Igreja católica como inimiga. A noção de Deus, tolerada ao princípio, aparece irradiada do vocabulário maçônico.

A perversidade satânica da obra aparece oculta no segredo que envolve todos os seus planos. Os principais projetos, discutidos nos comícios misteriosos, são totalmente subtraídos ao conhecimento dos estranhos e até ao de muitos filiados de categoria mais baixa. Quanto aos iniciados, quando recebidos nos graus superiores, juram nunca revelar os segredos da sociedade e eles, que se colocam como defensores da liberdade, ligam-se completamente a um poder oculto que não conhecem e cujos projetos mais recônditos jamais conhecerão. O roubo, a supressão dos documentos mais importante, o sacrilégio, o assassinato, a violação de todas as leis divinas e humanas, tudo isto lhes poderá ser imposto; deverão executar estas ordens abomináveis, sob pena de morte.

A árvore avalia-se pelos seus frutos. A raiz desta árvore má é o ódio a Deus, a Cristo Redentor e à sua Igreja. Estamos perante uma obra satânica, que, à sua maneira, prova a existência do inferno, daquele inferno que a mesma seita pretende negar.

Não admira, pois, que a Igreja tenha condenado, em várias ocasiões a franco-maçonaria, designadamente nos pontificados de Clemente XII, Bento XIV, Leão XII, Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII. O Santo Ofício, na sua circular de Fevereiro de 1871 ao episcopado, impôs mesmo a obrigação de denunciar os corifeus e os chefes ocultos destas sociedades perigosas. Não se dispensa o filho de denunciar o pai e reciprocamente. O esposo deve agir do mesmo modo para com a esposa, o irmão, para com a irmã. É o bem geral da sociedade que o exige. O motivo desta decisão do Santo Ofício baseia-se nos embustes a que recorrem as lojas, apresentando ao público nomes falsos.

A maçonaria, que é a primeira a negar o inferno, constitui, pois, pela sua perversidade satânica, uma prova da existência dele. Isso revela-se, sobretudo, nas profanações da Eucaristia, manifestamente inspiradas pelo demônio e que pressupõem a sua fé na presença real. Esta fé do demônio, como explica São Tomás (II, II, q. 5, a. 2), não é a fé infusa e salutar com humilde submissão do espírito à autoridade de Deus revelador, mas sim uma fé adquirida, que se funda somente na evidência dos milagres, vê bem que se trata de verdadeiros milagres, inteiramente diferentes dos fatos maravilhosos que ele pratica. Esta terrível profanação de hóstias consagradas, constitui, pois, à sua maneira, uma prova sensível da malícia, e portanto, do inferno a que o demônio foi condenado. O próprio demônio confirma assim o testemunho da Escritura e da Tradição, testemunho que ele desejaria negar.

Além disso, em certas ocasiões, como durante a última guerra, revela-se por vezes um ódio horrível, dir-se-ia que o inferno se entreabre debaixo dos nossos pés. Tudo isto vem confirmar a revelação: os crimes de que não há arrependimento serão punidos com uma pena eterna.

[Padre Reginald Garrigou-Lagrange em O Homem e a Eternidade, 3ª parte – O Inferno, O Inferno segundo a Sagrada Escritura]


Fonte: http://beinbetter.wordpress.com/

5 de mai. de 2011

A Igreja e a Maçonaria

Desde o Papa Clemente XII, com a Constituição Apostólica "In eminenti", de 28 de abril de 1738 até nossos dias, a Igreja tem proibido aos fiéis a adesão à Maçonaria ou associações maçônicas. Após o Concílio Vaticano II, houve quem levantasse a possibilidade de o católico, conservando a sua identidade, ingressar na Maçonaria. Igualmente, se questionou a qual entidade se aplicava o interdito, pois há várias correntes: se à anglo-saxônica ou à franco-maçonaria, a atéia e a deísta, anti-clerical ou de tendência católica. Para superar essa interrogação, o Documento da Congregação para a Doutrina da Fé, com data de 26 de novembro de 1983, e que trata da atitude oficial da Igreja frente à Maçonaria, utiliza a expressão "associações maçônicas", sem distinguir uma das outras. É vedado a todos nós, eclesiásticos ou leigos, ingressar nessa organização e quem o fizer, está "em estado de pecado grave e não pode aproximar-se da Sagrada Comunhão". Entretanto, quem a elas se associar de boa fé e ignorando penalidades, não pecou gravemente. Permanecer após tomar conhecimento da posição da Igreja, seria formalizar o ato de desobediência em matéria grave.

A Congregação, no mesmo Documento de 26 de novembro de 1983, declara que "não compete às autoridades eclesiásticas locais (Conferência Episcopal, Bispos, párocos, sacerdotes, religiosos) pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçônicas, com um juízo que implique derrogação do quanto acima estabelecido". O texto faz referência à Declaração de 17 de fevereiro de 1981, que reservava à Sé Apostólica qualquer pronunciamento que implicasse em derrogação da lei canônica em vigor. Tratava-se do cânon 2335 do Código de Direito Canônico de 1917, que previa excomunhão "ipso facto" a quem ingressasse na Maçonaria.

Reconhecer uma incompatibilidade doutrinária não implica fomentar um clima de hostilidade. Preservar a própria identidade e defendê-la, não significa incentivar atritos. Aliás, somente o respeito à Verdade facilita a paz e a busca da concórdia entre os indivíduos.

O novo Código de Direito Canônico assim se expressa: "Quem se inscreve em alguma associação que conspira contra a Igreja, seja punido com justa pena; e quem promove ou dirige uma dessas associações, seja punido com interdito" (cânon 1374). No dia seguinte à entrada em vigor do novo Código, isto é, 26 de novembro, é publicada a citada Declaração com a aprovação do Santo Padre. Diz o Documento que a Maçonaria não vem expressamente citada por um critério redacional e acrescenta: "Permanece, portanto, inalterado o parecer negativo da Igreja, a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a Doutrina da Igreja e, por isso, permanece proibida a inscrição nelas".

Em 1997, a Livraria do Vaticano editou uma obra intitulada "A Maçonaria nas disposições do Código de Direito Canônico de 1917 e de 1983", de autoria de Zbigniew Suchecki. O sucesso levou à tradução para o italiano de outro livro do mesmo autor.

Eu fazia parte da Comissão do novo Código, na parte final da elaboração. Recordo-me bem. Houve uma emenda para fazer permanecer, de modo explícito, a condenação à Maçonaria, como foi obtido para o aborto, com excomunhão "latae sententiae". A votação, no caso do abortamento, alcançou os dois terços requeridos e foi incluído o termo. No que se refere à Maçonaria, houve maioria em favor da explicitação da mesma associação, mas não com o índice requerido. Nos debates prévios foi alegado não ser necessário, pois o texto já continha uma proibição implícita.

Dom Boaventura Kloppenburg, em sua obra "Igreja e Maçonaria: conciliação possível?" recentemente reeditado em 4ª edição pela "Vozes", trata profusamente deste assunto, no capítulo "Dos princípios do liberalismo religioso à maçonaria brasileira". E no capítulo XI, "O Maçom perante a Igreja católica", "As razões da condenação da Maçonaria", "Frontal oposição de doutrinas". Outra obra recém-publicada pela Editora "Santuário" é "Maçonaria e Igreja católica", de Dom João Evangelista Martins Terra.

Permanecendo a proibição no ensinamento da Igreja, houve nesse período pós-conciliar uma profunda modificação no relacionamento entre pessoas, entre católicos e maçons. Embora permanecendo separadas, existe um clima de respeito mútuo que permite um diálogo. O exemplo foi o aparecimento de reuniões entre católicos e maçons para estudo como o de uma Comissão das Grandes Lojas reunidas da Alemanha e a Conferência Episcopal Alemã, de 1974 a 1980. A Declaração final do Episcopado alemão evidencia a incompatibilidade, pois a maçonaria não mudou em sua essência. A pesquisa acurada sobre rituais e os fundamentos dessa instituição demonstra a existência de doutrinas que se excluem. Entre as causas dessa separação, enumera: a ideologia dos maçons, o conceito de Verdade, de Religião, de Deus, a Revelação, sobre a tolerância, os ritos, a perfeição do homem e a espiritualidade. De outro lado, a realidade alemã vê a possibilidade de colaboração pastoral na área da Justiça Social e Direitos Humanos.

O fato de existirem eclesiásticos na maçonaria prova que há falhas na disciplina. São dadas explicações, não justificativas, baseadas em situações históricas, como no caso da Independência do Brasil. Dom Boaventura Kloppenburg, em sua obra examina o assunto e o reduz a dimensões reais. O respeito mútuo e a fidelidade aos ensinamentos da Igreja nos possibilitam uma convivência pacífica com os maçons.

Fonte: veritatis

5 de abr. de 2011

CRIADO O INSTITUTO PAULISTA DOS ADVOGADOS MAÇONS


Cerca de mil membros fundadores oficializaram nessa quarta-feira (30/3) a criação do Instituto Paulista dos Advogados Maçons (IPAM), durante o I Encontro Estadual dos Advogados Maçons, realizado no Teatro Gazeta. “ O novo Instituto tem como missão representar os advogados maçons, sendo que as duas instituições, OAB e Maçonaria, têm como bases de sustentação a ética, a luta contra a discriminação, a defesa da liberdade e da fraternidade. Temos ainda a responsabilidade decorrente do fundamental apoio das três Potencias da Maçonaria no Estado”, afirmou o presidente em exercício da OAB SP, Marcos da Costa, primeiro presidente do IPAM.


O IPAM foi lançado dentro do I Encontro Estadual de Advogados Maçons


Costa lembrou ainda que São Paulo tem entre 12 e 15 mil advogados maçons . Por isso, o IPAM nasce com a força da qualidade e também quantidade, e que a idéia do Encontro - que deu origem à criação do instituto - partiu do presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, que trabalhou muito na articulação da nova entidade.


Três Obediências


O Grão Mestre do Grande Oriente de São Paulo, Benedito Marques Ballouk Filho, ressaltou a união das três Obediências em torno do evento e da criação do IPAM. “O Instituto irá mostrar que a Maçonaria é força viva da sociedade. Não é aquilo que pregavam no passado,de uma ordem secreta. Hoje, os maçons são construtores sociais, auxiliam nosso país, nosso Estado, nossa gente”, afirmou Ballouk Filho.


Para Francisco Gomes da Silva ,Grão Mestre das Grandes Lojas Maçônicas do Estado de São Paulo, a presença maciça dos advogados maçons demonstra o sucesso e a importância da criação deste Instituto. “ O IPAM irá procurar alternativas para um país melhor para uma sociedade mais justa e perfeita, sendo que a Maçonaria propugna pelo bem estar da comunidade, da sociedade, do país e o advogado também, procura preservar o direito das pessoas”, afirmou.


Jurandir Alves de Vasconcelos , Grão Mestre do Grande Oriente Paulista, ressalta que essa Grande Loja foi uma das incentivadoras da criação do Instituto Paulistas dos Advogados Maçônicos. “ Essa entidade já deveria ter sido fundada e estar funcionando há muitos anos. Mas por outros planos, simplesmente deixou-se para que isto fosse feito agora. Acredito que será um grande sucesso, o que já está ocorrendo pela presença dos advogados neste Encontro, que é na verdade memorável para a ordem maçônica. O Grande Oriente Paulista está comprometido com a OAB SP, no sentido de darmos todo o apoio, irrestrito e integral, ao IPAM, para que seja um grande sucesso”, garantiu.


União consolidada


Para o diretor-tesoureiro da OAB SP, José Maria Dias Neto, Grão Mestre de Honra do Grande Oriente Paulista e também Diretor Tesoureiro da Confederação Maçônica do Brasil,a união na base das três Potencias de São Paulo em torno do IPM é histórica: “ Trabalhei tanto para isto. Quando falávamos em união, dizíamos que isto já existia entre os irmãos, entre os maçons, mas as direções não estavam unidas. Hoje essa realidade alterou-se, uma vez que as Obediências estão unidas e a criação do Instituto acontece de cima para baixo, com os dirigentes a fazer isto, o que consolida esta união entre as potências”, afirmou.

O presidente D'Urso, que encontrava-se no exterior, em mensagem enviada manifestou sua alegria com a realização do Encontro e a fundação do IPAM, repletas de sucesso.

O I Encontro Estadual do Advogado Maçon foi aberto pela exposição do Grão Mestre Francisco Gomes da Silva, que discorreu sobre os conceitos de ética e liberdade . Esse discurso foi inserido na Ata de fundação do Instituto por sugestão de Marcos da Costa. Ballouk e Francisco também fizeram uso da palavra, assim como os palestrantes JB Oliveira, conselheiro e presidente da Comissão de Rellações Corporativas da OAB SP e o ex- conselheiro da OAB-SC, Renato Kadletz. O vice-presidente IPAM, Aguinaldo Biffi. fez a leitura dos principais pontos do estatuto da nova entidade.

Em discurso de encerramento, Marcos da Costa afirmou: “ Sabemos da responsabilidade que está em nossas mãos, mas com o apoio das três Obediências esperamos dar conta dessa nossa missão”. Ele explicou, ainda, que o IPAM não é um instituto maçom, mas sim para maçons, que permite servir de elo entre as três Potências de São Paulo. “Dessa forma, os advogados que participam de cada uma das três Obediências podem, num mesmo ambiente, se confraternizar e trocas informações e idéias, fazendo com que advocacia e maçonaria tenham neste espaço um ponto de união”, enfatizou.

O evento contou com a presença de conselheiros seccionais , representantes de várias Subsecções da OAB SP e de várias Lojas maçônicas.


Fonte: http://www.oabsp.org.br/noticias/2011/03/31/6859