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5 de jan. de 2012

S. Josemaria Escrivá (Videos de um grande santo da Igreja Católica)


 Quero compartilhar com todos a felicidade de ver em video palavras magníficas de um grande homem de Deus, São Josemaria Escrivá.


Dia de sua Beatificação .



O sacramento da Penitência




S. Josemaria Escriva explica como amar mais a Nossa

Senhora












Padre, sou judeu











Rezar o terço


1 de jul. de 2011

Meditação de Francisco Fernández Carvajal: SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


Por Francisco Fernández Carvajal

A devoção ao Coração de Jesus já existia na Idade Média. Como festa litúrgica, aparece em 1675, após as aparições do Senhor a Santa Margarida Maria Alacoque. Nestas revelações, a Santa ganhou uma consciência extremamente viva da necessidade de reparar pelos pecados pessoais e de todo o mundo, e de corresponder ao amor de Cristo. A festa celebrou-se pela primeira vez em 21 de junho de 1686. Pio IX estendeu-a a toda a Igreja. Pio XI, em 1928, deu-lhe o esplendor atual.

Sob o símbolo do Coração humano de Jesus, considera-se sobretudo o Amor infinito de Cristo por cada homem; por isso, o culto ao Sagrado Coração “nasce das próprias fontes do dogma católico”, como o Papa João Paulo II expôs na sua abundante catequese sobre este mistério tão consolador.

I. OS PROJETOS DO CORAÇÃO do Senhor permanecem ao longo das gerações, para libertar da morte todos os homens e conservar-lhes a vida em tempo de penúria1, lemos no começo da Missa.

O caráter desta Solenidade que hoje celebramos é duplo: de ação de graças pelas maravilhas do amor de Deus e de reparação, porque freqüentemente este amor é pouco ou mal correspondido2, mesmo por aqueles que têm tantos motivos para amar e agradecer. A consideração do amor de Jesus por todos os homens sempre foi o fundamento da piedade cristã; por isso, o culto ao Sagrado Coração de Jesus “nasce das próprias fontes do dogma católico”3. Por outro lado, recebeu um forte impulso da devoção e piedade de numerosos santos a quem o Senhor mostrou os segredos do seu Coração amabilíssimo, movendo-os a difundir esse culto e a fomentar o espírito de reparação.

Numa sexta-feira da oitava da festa do Corpus Christi, o Senhor pediu a Santa Margarida Maria de Alacoque que promovesse o amor à comunhão freqüente, sobretudo nas primeiras sextas-feiras de cada mês. Devia ser uma prática reparadora, e o Senhor prometeu-lhe fazê-la participar – nas noites dessa primeira quinta para sexta-feira de cada mês – do seu sofrimento no Horto das Oliveiras. Tornou a aparecer-lhe um ano mais tarde e, mostrando-lhe o seu Coração Sacratíssimo, dirigiu-lhe estas palavras, que têm alimentado a piedade de tantas almas: Olha este Coração que tanto amou os homens e que a nada se poupou até esgotar-se e consumir-se para lhes manifestar o seu amor; e em reconhecimento, Eu não recebo da maioria dos homens senão ingratidões pelas suas irreverências e sacrilégios e pela frieza e desprezo com que me tratam neste sacramento de amor. Mas o que mais me dói é ver-me tratado assim por almas que me estão consagradas. Por isso te peço que se dedique a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento a uma festa particular destinada a honrar o meu Coração, comungando nesse dia e desagravando-me com algum ato de reparação...

Em muitos lugares, existe o costume privado de desagravar o Sagrado Coração de Jesus com algum ato eucarístico ou com a recitação das ladainhas do Sagrado Coração, na primeira sexta-feira de cada mês. Além disso, “o mês de junho é especialmente dedicado à veneração do Coração divino.

Não apenas um dia – a festa litúrgica cai normalmente dentro do mês de junho –, mas todos os dias do mês”4.

O Coração de Jesus é fonte e expressão do seu infinito amor por cada homem, seja qual for a sua situação: Eu mesmo – diz um belíssimo texto do profeta Ezequiel – cuidarei das minhas ovelhas e velarei por elas. Assim como o pastor se preocupa com o seu rebanho, quando vê as ovelhas dispersarem-se, assim eu me preocuparei com o meu; eu o reconduzirei de todos os lugares por onde se tenha dispersado num dia de nuvens e de trevas5. Cada um de nós é uma criatura que o Pai confiou ao Filho para que não pereça, ainda que tenha ido para longe.

Jesus, Deus e Homem verdadeiro, ama o mundo com “coração de homem”6, um Coração que serve de vazão ao amor infinito de Deus. Ninguém nos amou mais do que Jesus, ninguém nos amará mais. Ele me amou e se entregou por mim7, diz São Paulo, e cada um de nós pode repeti-lo. O seu Coração está repleto do amor do Pai: repleto à maneira divina e ao mesmo tempo humana.

II. O CORAÇÃO DE JESUS amou como nenhum outro; experimentou alegria e tristeza, compaixão e pena. Os Evangelistas anotam com muita freqüência: Tinha compaixão da multidão8,tinha compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor9. O pequeno êxito dos Apóstolos na sua primeira missão evangelizadora fez com que Jesus se sentisse como nós quando recebemos uma boa notícia: Encheu-se de alegria, diz São Lucas10; e chora quando a morte lhe arrebata um amigo11.

Também não ocultou as suas desilusões: Jerusalém, que matas os profetas! [...] Quantas vezes eu quis reunir os teus filhos...12Jesus vê a história do Antigo Testamento e de toda a humanidade: uma parte do povo judeu e dos gentios de todos os tempos rejeitará o amor e a misericórdia divina. De alguma maneira podemos dizer que Deus chora com os seus olhos humanos por causa do sofrimento que aflige o seu coração de homem. E este é o significado real da devoção ao Sagrado Coração: traduzir-nos a natureza divina em termos humanos. Não foi indiferente para Jesus – não lhe é agora no nosso trato diário com Ele – ver que uns leprosos não voltavam para agradecer-lhe a cura, ou que um anfitrião omitia as mostras de delicadeza ou hospitalidade que se têm com um convidado, como dirá a Simão o fariseu. Em contrapartida, experimentou em muitas ocasiões a imensa alegria de ver que alguém se arrependia dos seus pecados e o seguia, ou a generosidade dos que deixavam tudo para segui-lo, e contagiou-se com a alegria dos cegos que começavam a enxergar, talvez pela primeira vez.

Antes de celebrar a Última Ceia, ao pensar que ficaria para sempre conosco mediante a instituição da Eucaristia, manifestou aos seus mais íntimos: Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco, antes de padecer13; emoção que deve ter sido muito mais profunda quando tomou o pão, deu graças, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: Isto é o meu Corpo...14 E quem poderá explicar os sentimentos do seu Coração amabilíssimo quando nos deu no Calvário a sua Mãe como Mãe nossa?

Mal expirou, um dos soldados atravessou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água15. Essa ferida recorda-nos hoje o imenso amor que Jesus tem por nós, pois derramou voluntariamente até a última gota do seu precioso Sangue por cada um de nós, por mim, como se não houvesse mais ninguém no mundo. Como não havemos de aproximar-nos dEle com confiança? Que misérias humildemente reconhecidas podem impedir o nosso amor?

III. DEPOIS DA ASCENSÃO AOS CÉUS com o seu Corpo glorioso, Jesus não cessa de amar-nos, de chamar-nos para que vivamos sempre muito perto do seu Coração amabilíssimo. “Mesmo na glória do Céu, ostenta nas feridas das suas mãos, dos seus pés e do seu lado os resplandecentes troféus da sua tríplice vitória: sobre o demônio, sobre o pecado e sobre a morte; traz, além disso, no seu Coração, como numa arca preciosíssima, os imensos tesouros dos seus méritos, fruto da sua tríplice vitória, que agora distribui generosamente pelo gênero humano já redimido”16.

Hoje, nesta Solenidade, adoramos o Coração Sacratíssimo de Jesus “como participação e símbolo natural – o mais expressivo – daquele amor inexaurível que o nosso Divino Redentor sente ainda hoje pelo gênero humano. Já não está submetido às perturbações desta vida mortal; no entanto, vive e palpita e está unido de modo indissolúvel à Pessoa do Verbo divino, e nela e por ela, à sua divina vontade. E porque o Coração de Cristo transborda de amor divino e humano, e porque está cheio dos tesouros de todas as graças que o nosso Redentor adquiriu pelos méritos da sua vida, padecimentos e morte, é, sem dúvida, a fonte perene daquele amor que o seu Espírito comunica a todos os membros do seu Corpo Místico”17.

Ao meditarmos hoje sobre o amor que Cristo tem por nós, sentir-nos-emos movidos a agradecer profundamente tanto dom, tanta misericórdia imerecida. E ao vermos como muitos vivem de costas para Deus, como nós mesmos não somos muitas vezes plenamente fiéis, que são muitas as nossas fraquezas, iremos ao seu Coração amabilíssimo e ali encontraremos a paz. Teremos que recorrer muitas vezes ao seu amor misericordioso em busca dessa paz, que é fruto do Espírito Santo: Cor Iesu sacratissimum et misericors, dona nobis pacem, Coração sacratíssimo e misericordioso de Jesus, dai-nos a paz.

E a certeza de que Jesus está tão perto das nossas preocupações e dos nossos problemas e ideais levar-nos-á a dizer-lhe: “Obrigado, meu Jesus!, porque quiseste fazer-te perfeito Homem, com um Coração amante e amabilíssimo, que ama até à morte e sofre; que se enche de gozo e de dor; que se entusiasma com os caminhos dos homens e nos mostra aquele que conduz ao Céu; que se submete heroicamente ao dever e se guia pela misericórdia; que vela pelos pobres e pelos ricos; que cuida dos pecadores e dos justos... – Obrigado, meu Jesus, e dá-nos um coração à medida do Teu!”18

Muito perto de Jesus, encontramos sempre a sua Mãe. Recorremos a Ela ao terminarmos a nossa oração e pedimos-lhe que torne firme e seguro o caminho que nos conduz ao seu Filho.

(1) Sl 32, 11.19; Antífona de entrada da Missa da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus; (2) cfr. A. G. Martimort, La Iglesia en oración, pág. 97; (3) Pio XII, Enc. Haurietis aquas, 15-V-1956, 27; (4) João Paulo II,Angelus, 27-VI-1982; (5) Ez 34, 11-16; Primeira leitura, ib., ciclo C; (6) Conc. Vat. II, Const. Gaudium et spes, 22; (7) Gal 2, 20; (8) Mc 8, 2; (9) Mc 6, 34; (10) Lc 10, 21; (11) cfr. Jo 11, 35; (12) Mt 23, 17; (13) Lc 22, 15; (14) cfr. Lc 22, 19-20; (15) Jo 19, 34; (16) Pio XII, op. cit., 22; (17) ib.; (18) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 813.

22 de jun. de 2011

SANTOS JOÃO FISHER E TOMÁS MORE


Hoje, dia 22 de Junho, a Igreja faz memória destes dois grandes mártires da Igreja.

De Francisco Fernández de Carvajal

João Fisher foi ordenado sacerdote em 1491. Exerceu diversos cargos na Universidade de Cambridge, ao mesmo tempo que assumia a direção espiritual da Rainha Margarida, mãe de Henrique VII, passando a ocupar mais tarde a cátedra de Teologia que a rainha fundara nessa Universidade. Em princípios de 1504, foi nomeado reitor de Cambridge, e no final do ano sagrado bispo de Rochester, a menor e mais pobre diocese da Inglaterra; dois dias mais tarde, tomou posse do seu posto como membro do Conselho do Rei.

Tomás More fez estudos de Literatura e Filosofia em Oxford e de Direito em New Inn. Em 1504, foi eleito membro do Parlamento e ocupou diversos cargos públicos, alcançando um grande prestígio pelo seu conhecimento das leis e pela sua honradez. Apesar da sua intensa vida profissional, sempre arranjou tempo para se dedicar à família, sua grande ocupação, e aos estudos literários ou históricos; publicou vários livros e ensaios. Em 1529, foi nomeado Lord-Chanceler da Inglaterra, apesar de já ter respondido claramente ao Rei que não podia estar de acordo com a dissolução do casamento real.

Ambos morreram decapitados em 1535 por se terem negado a reconhecer a supremacia de Henrique VIII sobre a Igreja da Inglaterra e a anulação do casamento do Rei.

I. EM 1534, NA INGLATERRA, exigiu-se de todos os cidadãos que jurassem a Ata de Sucessão, pela qual se reconhecia como verdadeiro casamento a união de Henrique VIII com Ana Bolena. O Rei era proclamado Chefe supremo da Igreja na Inglaterra, negando-se ao Papa qualquer autoridade. João Fisher, bispo de Rochester, e Tomás More, Chanceler do Reino, recusaram-se a jurar a Ata, e foram encarcerados em abril de 1534 e decapitados no ano seguinte.

Num momento em que muitos se dobraram à vontade real, incluídos os bispos, o juramento desses homens teria passado despercebido e eles teriam conservado a vida, os bens e os cargos, como tantos outros1. No entanto, ambos foram fiéis à fé até o martírio. Souberam dar a vida porque foram homens que viveram plenamente a sua vocação cristã, até as últimas conseqüências.

Tomás More é uma figura muito próxima de nós, pois foi um cristão corrente, que soube compaginar bem a sua vocação de pai de família com a profissão de advogado e mais tarde com a responsabilidade de Chanceler do Reino, logo abaixo do Rei, numa perfeita unidade de vida. Desenvolvia-se no mundo como se estivesse na sua própria casa; amava todas as realidades humanas que constituíam a trama da sua vida, onde Deus o quis. Ao mesmo tempo, viveu um desprendimento dos bens e um amor à Cruz tão grandes que se pode dizer que deles extraiu toda a sua fortaleza e coragem.

Tomás More tinha o costume de meditar todas as sextas-feiras nalguma passagem da Paixão de Nosso Senhor. Quando os filhos ou a esposa se queixavam das dificuldades e contrariedades do dia-a-dia, dizia-lhes que não podiam pretender “ir para o Céu num colchão de penas” e recordava-lhes os sofrimentos padecidos por Cristo, e que o servo não é maior do que o seu senhor. Além de aproveitar as contrariedades para identificar-se com a Cruz, More fazia outras penitências. Levava freqüentemente à flor da pele, escondida, uma camisa de pêlo áspero. Foi fiel a esta prática durante a prisão na Torre de Londres, apesar de não serem pequeno incômodo o frio, a umidade da cela e as privações de todo o tipo que passou naqueles longos meses2. Encontrou na Cruz a sua fortaleza.

Nós, que procuramos seguir Cristo de perto no meio do mundo e dar dEle um testemunho silencioso, encontramos forças e coragem no desprendimento, no sacrifício diário e na oração?

II. QUANDO TOMÁS MORE teve que pedir demissão do seu cargo de Lord-Chanceler, por não concordar em jurar a Ata, reuniu os familiares para expor-lhes o futuro que os aguardava e tomar medidas em relação à situação econômica. “Vivi – disse-lhes, resumindo a sua carreira – em Oxford, na hospedaria da Chancelaria..., e também na Corte do rei..., do mais baixo ao mais alto. Atualmente, disponho de pouco mais de cem libras por ano. Se temos de continuar juntos, todos devemos contribuir com a nossa parte; penso que o melhor para nós é não descermos de uma só vez ao nível mais baixo”. E sugere-lhes uma acomodação gradual, recordando-lhes que se podia viver feliz em cada nível. E se nem sequer pudessem sustentar-se no nível mais baixo, aquele que vivera em Oxford, “então – disse-lhes com paz e bom humor – resta-nos a esperança de irmos juntos pedir esmola, com sacolas e bolsas, e confiar em que alguma boa pessoa sinta compaixão de nós [...]; mas mesmo então haveremos de manter-nos juntos, unidos e felizes”3.

Nunca permitiu que nada quebrasse a unidade e a paz familiar, nem mesmo quando se ausentava ou quando foi preso. Viveu desprendido dos bens enquanto os teve, e alegre quando deixou de contar com o indispensável. Sempre soube estar à altura das circunstâncias. Sabia como celebrar um acontecimento, mesmo na prisão. Um biógrafo, seu contemporâneo, diz que, estando preso na Torre, costumava vestir-se com mais elegância nos dias de festa importantes, na medida em que o seu escasso vestuário lho permitia. Sempre manteve a alegria e o bom humor, mesmo no momento em que subia ao cadafalso, porque se apoiou firmemente na oração.

“Dai-me, meu bom Senhor, a graça de esforçar-me por conseguir as coisas que te peço na oração”, rezava. Não esperava que Deus fizesse por ele o que, com um pouco de esforço, podia conseguir por si mesmo. Trabalhou com empenho ao longo de toda a vida até chegar a ser um advogado de prestígio antes de ser nomeado Chanceler, mas nunca esqueceu a necessidade da oração, ainda que muitas vezes não lhe fosse fácil, sobretudo nas circunstâncias tão dramáticas do processo e dos meses de absoluto isolamento na prisão, enquanto esperava o dia da execução. Nesses dias derradeiros, escreveu uma longa oração em que, entre muitas piedosas e comovedoras considerações de um homem ciente de que vai morrer, exclamava: “Dai-me, meu Senhor, um anelo grande de estar convosco, não para evitar as calamidades deste pobre mundo, nem as penas do purgatório ou tampouco as do inferno, nem para alcançar as alegrias do Céu, nem por consideração do meu proveito, mas simplesmente por autêntico amor a Ti”4.

São Tomás More apresenta-se sempre aos nossos olhos como um homem de oração; assim pôde ser fiel aos seus compromissos como cidadão e como fiel cristão em todas as circunstâncias, em perfeita unidade de vida. Assim devemos ser todos e cada um de nós. “Católico, sem oração?... É como um soldado sem armas”, diz Mons. Escrivá5.

III. GIVE ME THY GRACE, good Lord, to set the world at nought... “Dai-me a vossa graça, meu bom Senhor, para que tenha o mundo em nada, para que a minha mente esteja bem unida a Vós e não dependa das variáveis opiniões alheias [...]; para que pense em Deus com alegria e implore ternamente a sua ajuda; para que me apóie na fortaleza de Deus e me esforce ansiosamente por amá-lo...; para lhe dar graças sem cessar pelos seus benefícios; para redimir o tempo que perdi...”6 Assim escrevia o Santo nas margens doLivro das Horas que tinha na Torre de Londres. Eram os dias em que se consagrava a contemplar a Paixão, preparando assim a sua própria morte em união com Cristo na Cruz.

Mas São Tomás More não viveu de olhos postos em Deus somente naqueles momentos supremos. O seu amor a Deus manifestara-se diariamente no seu comportamento em casa, sempre simples e afável, no exercício da advocacia, e por fim no mais alto cargo público da Inglaterra, como Lord-Chanceler. Cumprindo à risca os seus deveres diários, umas vezes importantes, outras menos, santificou-se e ajudou os outros a encontrar a Deus.

Entre os muitos exemplos de um apostolado eficaz que nos deixou, destaca-se o que levou a cabo com o seu genro, que tinha caído na heresia luterana. “Tive paciência com o teu marido – dizia à sua filha Margaret – e argumentei e debati com ele sobre esses pontos da religião. Dei-lhe além disso o meu pobre conselho paterno, mas vejo que de nada serviu para que voltasse novamente ao redil. Por isso, Meg, não tornarei a discutir com ele, mas vou deixá-lo inteiramente nas mãos de Deus, e vou rezar por ele”7. As palavras e as orações de Tomás More foram eficazes, e o marido da sua filha voltou à plenitude da fé, foi um cristão exemplar e sofreu muito por ter sido conseqüente com a fé católica.

São Tomás More está diante de nós como modelo vivo da nossa conduta de cristãos. É “semente fecunda de paz e de alegria, como o foi a sua passagem pela terra entre a sua família e amigos, no foro, na cátedra, na Corte, nas embaixadas, no Parlamento e no Governo. É também o padroeiro silencioso da Inglaterra, que derramou o seu sangue em defesa da unidade da Igreja e do poder espiritual do Vigário de Cristo. E como o sangue dos cristãos é semente que germina, o de Tomás More vai lentamente penetrando e impregnando as almas dos que dele se aproximam, atraídos pelo seu prestígio, doçura e fortaleza. More será o apóstolo silencioso do retorno à fé de todo um povo”8.

Pedimos a João Fisher e a Tomás More que saibamos imitá-los na sua coerência cristã para sabermos viver em todas as circunstâncias da nossa vida como o Senhor espera que vivamos, nas coisas grandes e nas pequenas. Pedimos com palavras da liturgia da festa: Senhor, Vós que quisestes que o testemunho do martírio fosse expressão perfeita da fé, concedei-nos, Vos pedimos, que por intercessão de São João Fisher e de São Tomás More, ratifiquemos com uma vida santa a fé que professamos com os lábios9.

(1) cfr. A. Prévost, Tomás Moro y la crisis del pensamiento europeo, Palabra, Madrid, 1972, pág. 392; (2) cfr. T. J. McGovern, Tomás Moro, un hombre para la eternidad, Madrid, 1984, págs. 22-23; (3) Roper’s Life of More, cit. por T. J. Govern, op. cit., pág. 31; (4) T. More, Cartas da Torre; (5) Josemaría Escrivá,Sulco, n. 453; (6) T. More,op. cit.; (7) N. Haspsfield, Sir Thomas More, Londres, 1963, pág. 102; (8) A. Vázquez de Prada, Sir Tomás Moro, 3ª ed., Rialp, Madrid, 1975, págs. 15-16; (9) Oração coleta da Missa do dia 22 de junho.


7 de jun. de 2011

O DOM DE PIEDADE



Por Francisco Fernández Carvajal

I. O SENTIDO DA FILIAÇÃO divina, efeito do dom de piedade, move-nos a tratar a Deus com a ternura e o carinho de um bom filho para com seu pai, e a considerar e tratar os outros homens como irmãos que pertencem à mesma família.

O Antigo Testamento manifesta este dom de forma muito variada, especialmente nas preces que o Povo eleito dirige constantemente a Deus: louvores e súplicas, sentimentos de adoração perante a infinita grandeza divina, confidências íntimas em que expôe com toda a simplicidade ao Pai celestial as suas alegrias e angústias, a sua esperança... De modo especial, os Salmos são um compêndio de todos os sentimentos que embargam a alma no seu trato confiante com o Senhor.

Ao chegar a plenitude dos tempos, Jesus Cristo ensinou-nos qual havia de ser o tom adequado para nos dirigirmos a Deus. Quando orardes, haveis de dizer: Pai...1 Em todas as circunstâncias da vida, devemos dirigir-nos a Deus com esta confiança filial: Pai, Abba... É uma palavra – abba – que o Espírito Santo quis deixar-nos em arameu em diversos lugares do Novo Testamento, e que era a forma carinhosa com que as crianças hebréias se dirigiam a seu pai. Este sentimento define a nossa atitude e matiza a nossa oração. Deus “não é um ser longínquo, que contemple com indiferença a sorte dos homens, seus anseios, suas lutas, suas angústias. É um Pai que ama os seus filhos até o extremo de lhes enviar o Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, para que, pela sua encarnação, morra por eles e os redima; o mesmo Pai amoroso que agora nos atrai suavemente a Si, mediante a ação do Espírito Santo que habita em nossos corações”2.

Deus quer que o tratemos com total confiança, como filhos pequenos e necessitados. Toda a nossa piedade alimenta-se desta realidade: somos filhos de Deus. E o Espírito Santo, mediante o dom de piedade, ensina-nos e facilita-nos esse trato confiante de um filho com seu Pai.

Considerai com que amor o Pai nos amou, querendo que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato3. “É como se depois das palavras que sejamos chamados filhos de Deus, São João tivesse feito uma longa pausa, enquanto o seu espírito penetrava profundamente na imensidade do amor que o Pai nos teve, não se limitando a chamar-nos simplesmente filhos de Deus, mas tornando-nos seus filhos no sentido mais autêntico. Isto é o que faz São João exclamar: E nós o somos de fato”4. O Apóstolo convida-nos a considerar o imenso bem da filiação divina que recebemos com a graça do Batismo, e anima-nos a secundar a ação do Espírito Santo que nos impele a tratar o nosso Pai-Deus com inefável confiança e ternura.

II. ESTA CONFIANÇA FILIAL manifesta-se sobretudo na oração que o próprio Espírito Santo suscita em nossos corações. O Espírito Santo ajuda a nossa fraqueza, porque, não sabendo o que devemos pedir nem como convém orar, o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis5. Graças a essas moções, podemos dirigir-nos a Deus no tom adequado, numa oração rica e de matizes tão variados como a vida. Umas vezes, falaremos ao nosso Pai-Deus numa queixa familiar: Por que escondes o teu rosto?6; outras, exporemos os nossos desejos de maior santidade: Procuro-Te com ardor. A minha alma está sedenta de Ti, e a minha carne anela por Ti como terra árida e sequiosa, sem água7; ou a nossa união com Ele: Fora de Ti, nada mais me atrai na terra8; ou a esperança incomovível na sua misericórdia: Tu és o meu Deus e Salvador, em Ti espero sempre9.

Este afeto filial do dom de piedade manifesta-se também nas súplicas que dirigimos ao Senhor, pedindo-lhe as coisas de que precisamos como filhos necessitados, até que no-las conceda. É uma atitude de confiança no poder da oração, que nos faz sentir seguros, firmes, audazes, que afasta a angústia e a inquietação daqueles que somente se apoiam nas suas forças.

O cristão que se deixa conduzir pelo espírito de piedade sabe que seu Pai-Deus quer o melhor para cada um dos seus filhos e que nos preparou todas as coisas para o nosso maior bem. Por isso sabe também que a felicidade consiste em ir conhecendo o que Deus quer de nós em cada momento e em realizá-lo sem dilações nem atrasos. Desta confiança na paternidade divina nasce a serenidade, mesmo no meio das coisas que parecem um mal irremediável, pois contribuem para o bem dos que amam a Deus10. O Senhor nos mostrará um dia por que foi conveniente aquela humilhação, aquele revés econômico, aquela doença...

Este dom do Espírito Santo permite ainda que se cumpram os deveres de justiça e os ditames da caridade com presteza e facilidade. Ajuda-nos a ver os demais homens como filhos de Deus, criaturas que têm um valor infinito porque Deus os ama com um amor sem limites e os redimiu com o Sangue do seu Filho derramado na Cruz. Anima-nos a tratar com imenso respeito os que estão ao nosso redor, a compadecer-nos das suas necessidades e a procurar remediá-las; a julgá-los sempre com benignidade, dispostos também a perdoar-lhes facilmente as ofensas que nos façam, pois o perdão generoso e incondicional é um bom distintivo dos filhos de Deus. Mais do que isso, o Espírito Santo faz-nos ver nos outros o próprio Cristo: Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequenos, foi a mim mesmo que o fizestes11.

III. O DOM DE PIEDADE move-nos ao amor filial à nossa Mãe do Céu, a quem procuramos tratar com o mais terno afeto; à devoção aos anjos e santos, especialmente aos que exercem um especial patrocínio sobre nós12; à oração pelas almas do purgatório, como almas queridas e necessitadas dos nossos sufrágios; ao amor ao Papa, como Pai comum de todos os cristãos...

A virtude da piedade, que é aperfeiçoada por este dom, move-nos também a prestar honra e reverência a todos os que estão constituídos legitimamente em autoridade, às pessoas mais velhas (como Deus premiará a nossa solicitude para com os idosos!), e em primeiro lugar aos pais. A paternidade humana é uma participação e um reflexo da de Deus, da qual, como diz o Apóstolo, procede toda a paternidade no céu e na terra13. “Eles nos deram a vida, e deles se serviu o Altíssimo para nos comunicar a alma e o entendimento. Eles nos instruíram na religião, no relacionamento humano e na vida civil, e nos ensinaram a manter uma conduta íntegra e santa”14.

O dom de piedade estende-se aos atos da virtude da religião e ultrapassa-os15. Mediante este dom, o Espírito Santo dá vigor e impulso a todas as virtudes que de um modo ou de outro se relacionam com a justiça. A sua ação abarca todas as nossas relações com Deus, com os anjos, com os homens e mesmo com as coisas criadas, “consideradas como bens familiares da Casa de Deus”16: o dom de piedade anima-nos a tratá-las com respeito pela sua relação com o Criador.

Movido pelo Espírito Santo, o cristão lê com amor e veneração a Sagrada Escritura, que é como uma carta que seu Pai lhe envia do Céu: “Nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos para conversar com eles”17. E trata com carinho as coisas santas, sobretudo as que se prendem com o culto divino.

Entre os frutos que o dom de piedade produz nas almas dóceis às graças do Paráclito, contam-se, enfim, a serenidade em todas as circunstâncias; o abandono cheio de confiança na Providência, porque, se Deus cuida de todas as coisas criadas, muito maior ternura manifestará para com os seus filhos18; a alegria, que é uma característica própria dos filhos de Deus: “Que ninguém leia tristeza nem dor na tua cara, quando difundes pelo ambiente do mundo o aroma do teu sacrifício: os filhos de Deus têm que ser sempre semeadores de paz e de alegria”19.

Se considerarmos muitas vezes ao dia que somos filhos de Deus, o Espírito Santo irá fomentando em nós, cada vez mais, este trato filial e confiante com o nosso Pai do Céu.

(1) Lc 11, 2; (2) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 84; (3) 1 Jo 3, 1; (4) B. Perquin, Abba, padre, Rialp, Madrid, 1986, pág. 9; (5) Rom 8, 26; (6) cfr. Sl 43, 25; (7) Sl 52, 2; (8) Sl 72, 25; (9) Sl 34, 5; (10) cfr. Rom 8, 28; (11) Mt 25, 40; (12) cfr. São Tomás, Suma Teológica, 2-2, q. 121; (13) Ef 3, 15; (14) Catecismo Romano, III, 5, 9; (15) cfr. M. M. Philipon, Los dones del Espíritu Santo, pág. 300; (16) ib.; (17) Conc. Vat. II, Const. Dei Verbum, 21; (18) cfr. Mt 6, 28; (19) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 59.

Fonte: hablarcondios.org

29 de mar. de 2011

São José Maria Escrivá: O Espirito Santo e a Igreja.


Por São José Maria Escrivá ***** «Não pode haver fé no Espírito Santo se não houver fé em Cristo, na doutrina de Cristo, nos sacramentos de Cristo, na Igreja de Cristo. Não é coerente com a fé cristã, não crê verdadeiramente no Espírito Santo quem não ama a Igreja, quem não tem confiança nEla, quem só se compraz em apontar as deficiências e as limitações dos que a representam, quem a julga de fora e é incapaz de se sentir seu filho [...].


Deus confiou os seus dons à frágil e débil liberdade humana e, embora sejamos sem dúvida assistidos pela força do Senhor, a nossa concupiscência, o nosso comodismo e o nosso orgulho repelem por vezes essa assistência e levam-nos a cair em pecado. Há mais de um quarto de século, ao recitar o Credo, e afirmar minha fé na divindade da Igreja, una, santa, católica e apostólica, em muitas ocasiões acrescento: apesar dos pesares. Quando uma vez por outra comento este costume e alguém me pergunta a que me quero referir, respondo: aos teus pecados e aos meus.


Tudo isso é certo, mas não autoriza de modo algum a julgar a Igreja com critérios humanos, sem fé teologal, atendendo apenas à maior ou menor qualidade de certos eclesiásticos ou de certos cristãos. Proceder assim é permanecer na superfície. O mais importante na Igreja não é ver como nós, os homens, correspondemos, mas ver o que Deus realiza. A Igreja é nem mais nem menos Cristo presente entre nós, Deus que vem até à humanidade para salvá-la, chamando-nos com a sua Revelação, santificando-nos com a sua graça, sustentando-nos com a sua ajuda constante, nos pequenos e nos grandes combates da vida diária.


Podemos chegar a desconfiar dos homens, e cada um deve desconfiar pessoalmente de si mesmo e coroar seus dias com um mea culpa, com um ato de contrição profundo e sincero. Mas não temos o direito de duvidar de Deus. E duvidar da Igreja, da sua origem divina, da eficácia salvadora da sua pregação e dos seus sacramentos é duvidar do próprio Deus, é não crer plenamente na realidade da vinda do Espírito Santo.


Antes que Cristo fosse crucificado - escreve São João Crisóstomo -, não havia nenhuma reconciliação. E enquanto não houve reconciliação, não foi enviado o Espírito Santo… A ausência do Espírito Santo era sinal da ira divina. Agora que o vês enviado em plenitude, não duvides da reconciliação. Mas, se perguntarem: Onde está agora o Espírito Santo? Podia-se falar da sua presença quando havia milagres, quando eram ressuscitados os mortos e curados os leprosos. Porém, como saber agora que está verdadeiramente presente? Não vos preocupeis. Demonstrar-vos-ei que o Espírito Santo está também agora entre nós…


Se não existisse o Espírito Santo, não poderíamos dizer: Senhor Jesus, pois ninguém pode invocar Jesus como Senhor, a não ser no Espírito Santo (1 Cor 12, 3). Se não existisse o Espírito Santo, não poderíamos orar com confiança. Com efeito, ao rezar, dizemos: Pai nosso que estais nos céus (Mt 6, 9). Se não existisse o Espírito Santo, não poderíamos chamar Pai a Deus. E como sabemos isso? Porque o Apóstolo nos ensina: E por sermos filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai! (Gal 4, 6).


Portanto, quando invocares Deus Pai, lembra-te de que foi o Espírito Santo que, ao mover a tua alma, te deu essa oração. Se não existisse o Espírito Santo, não haveria na Igreja palavra alguma de sabedoria ou de ciência, porque está escrito: É dada pelo Espírito a palavra da sabedoria (1 Cor 12, 8)… Se o Espírito Santo não estivesse presente, a Igreja não existiria. Mas se a Igreja existe, não há dúvida de que o Espírito Santo não falta (São João Crisóstomo, Sermones panegyrici in Solemnitates D. N. Iesu Christi, hom. 1, De Sancta Pentecoste, n. 3-4 (PG 50, 457).


Acima das deficiências e limitações humanas, insisto, a Igreja é precisamente o sinal e, de certo modo, - não no sentido estrito em que se definiu dogmaticamente a essência dos sete sacramentos da Nova Aliança -, o sacramento universal da presença de Deus no mundo. Ser cristão é ter sido regenerado por Deus e enviado aos homens para lhes anunciar a salvação. Se tivéssemos uma fé firme e experimentada, e se déssemos a conhecer Cristo com audácia, veríamos como continuam a realizar-se diante dos nossos olhos milagres como os da era apostólica.


Porque também hoje se devolve a vista aos cegos, que haviam perdido a capacidade de olhar para o céu e contemplar as maravilhas de Deus; também hoje se dá liberdade aos coxos e entrevados, que se achavam tolhidos por suas paixões e já não tinham um coração que soubesse amar; também hoje se dá ouvido aos surdos, que não desejavam ter notícia de Deus; e se consegue que falem os mudos, que tinham amordaçada a língua por não quererem confessar suas derrotas; também hoje se ressuscitam mortos, em quem o pecado havia destruído a vida. Mais uma vez se verifica que a palavra de Deus é viva e eficaz, é mais penetrante que qualquer espada de dois gumes (Heb 4, 12). E, tal como os primeiros fiéis cristãos, também nós nos alegramos ao admirar a força do Espírito Santo e a sua ação sobre a inteligência e a vontade de suas criaturas”. São Josemaria Escrivá: Homilia “O Grande Desconhecido”

15 de jan. de 2011

O dia do trabalhador será lembrado pelo Grande Trabalhador: João Paulo II

Conforme as informações do vaticanista Andrea Tornielli, sabemos que, oficialmente, o Papa Bento XVI recebeu em audiência o Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, e assinou o decreto reconhecendo o milagre atribuído pelo Papa João Paulo II.
A Santa Sé anunciou que a beatificação ocorrerá no próximo 1 de maio [II Domingo da Páscoa - Domingo da Divina Misericórdia], e será celebrada - contrariando o atual costume, aliás assim também o feito na beatificação de Newman – pelo próprio Papa.

Há algumas coisas que devo dizer. Sabemos que este Papa venceu três grandes males do século XX: O Nazismo, o Comunismo e o Terrorismo. E venceu todas elas com amor. Não sei se você se recorda, mas eu me lembro muitíssimo bem quando, em março de 2003, ao anúncio de George W. Bush sobre a guerra no Iraque, ele (o Papa) que tanto tinha rogado para que esta não ocorresse, não pestenejou: fez as malinhas e voou para lá, na boca do lobo. Lembro-me que os comentários eram de toda a sorte: "meu Deus! Esse homem é louco! Doente e enfiado numa guerra?". Porém ele era o Construtor de pontes! Queria a paz e trabalhou por ela até o último suspiro. É verdade que sua ida até lá não mudou o destino da guerra; contudo, diferentemente daqueles que dizem pregar a paz, mas nada fazem por ela, ele fez a sua parte.

Outra coisa que devo dizer é que a data não poderia ser mais que perfeita. Não sei se você se recorda, mas este nobilíssimo escravo da Santíssima Virgem sempre dizia, que em suas orações, recorria à Divina Misericórdia, bem como à generosidade do Imaculado Coração da Santíssima Virgem (tanto que vários países europeus foram consagrados a este Imaculado Coração por este Magno Homem). Viveu verdadeiramente seu lema: O Totus Tuus (todo teu). Ele faleceu no dia 02 de abril de 2005. Este dia era o primeiro sábado do mês, que é costumeiramente dedicado à Virgem Santíssima. Porém, a hora em que o Papa faleceu, já se rezava as Vésperas de Domingo. E que dia era este Domingo? O segundo domingo da Páscoa, dedicado à Divina Misericórdia. Se você re-ler o início deste artigo, verá o dia em que foi escolhido para sua beatificação.

Agora eu lhe pergunto:  é possível que alguém tenha dúvida de que aquele que se dedica à Santa Escravidão por amor passará desapercebido?



Beate Joannes Paule, ora pro nobis!

13 de nov. de 2010

Você está preparado?


A história da Igreja é tremenda, temos santos que incomodaram terrivelmente os infernos com seus exemplos, almas piedosas, constantes e corajosas, os doces olhos destes filhos prediletos fitavam a pátria celeste e nada mais. Pessoas que desprezaram o mundo, amaram deliberadamente suas almas, cidadãos que cumpriram o compromisso evangélico e por isso hoje são dignos de terem seus nomes escritos no livro da vida, da verdadeira vida, a vida eterna.
Falo de Cristãos como São Paulo que não só pregou, mas realmente sofreu as dores do Senhor até ter sua cabeça decepada por um perseguidor, falo de homens como o Diácono Santo Estevão, não tinha apenas títulos, mas em espírito e em verdade adorou o Senhor quando era apedrejado e jogado pelos precipícios. Como não falar de São João que foi lançado em um caldeirão de gordura quente e frente ao mistério saiu ileso de qualquer queimadura e logo depois foi morrer na torturadora e infernal ilha de Patímos. São Pedro morreu crucificado de cabeça para baixo, Santo André em forma de X, outros foram jogados aos Leões famintos como Santo Inácio de Antioquia e inúmeros foram colocados na fogueira como São Policarpio, estou citando nomes, porém existem muitos outros no anonimato, comunidades inteiras eram queimadas como a de Éfeso, Cristãos que eram alimentos dos grandes peixes nos mares e que por hora as vezes eram pendurados em postes e queimados para se tornarem luzeiros durante a noite para os imperadores. Meu Deus! Quanta fé! Quanta ousadia! Pessoas como estas já contemplam a essência de Deus na gloria eterna.
Os martírios dos primórdios do cristianismo nunca deixaram de existir, houve breves períodos de consolação, porém a Igreja sempre foi levada ao batismo de sangue, hora ou outra se ouvia falar de homens que deram suas vidas para não negarem o evangelho.
Com o crescimento do comunismo e do esquerdismo-radical Islâmico aumentou exageradamente os números de mártires no Século XX e também nestes quase dez primeiros anos de século XXI, recentemente contemplamos o chocante acontecimento de Bagdá, onde três sacerdotes e vários fiéis morreram nas mãos dos Islâmicos em pleno ato litúrgico.
Correndo de qualquer pessimismo e teorias de conspirações, refletindo com realismo que minha racionalidade permite, usando da lógica dos fatos e eliminando qualquer indicio de imaginações ilusórias, eu vejo o cerco fechando para os Cristãos do hoje. Tal como fechou um dia para Pedro e Paulo e dias atrás fechou para os nossos irmão do Iraque. O Avanço da Cristofobia é muito rápido, todos dias temos músicas, novelas, filmes, leis e livros sendo lançados preparando o terreno para a grande intolerância para com o Cristianismo. O Brasil escancarou as portas para que o processo seja mais rápido ainda no país, infelizmente entregaram a nação nas mãos de pessoas que encabeçam este desgraçado movimento. E frente a isto eis a questão que motivou este artigo:
Cristão, você está preparado? Preparado para esta onda avassaladora perseguição a sua fé?
O cenário é trágico, parece que a Igreja só escutou as profecias, porém não se preparou para a chegada delas, é necessário o soerguimento de um movimento entre os Cristãos de preparação para grandes tribulações que virá.
A Maioria dos Cristãos estão acovardados em uma tibieza dos infernos, não conseguem viver a castidade, não tem forças para uma vida de oração concreta, não estudam, correm de penitencias e são amigos do mundo. Boa parte da juventude católica vivem atrás de namoradinhos na Igreja e o que fazem de diferente é passar horas e horas em lanchonetes fofocando da vida dos outros e Visita ao Santissimo Sacramento, jejuns e recitação do Rosario, nada. A maioria dos bispos e padres não orientam o povo e pior do que isto, nada dão de exemplo. No Brasil as campanhas da fraternidade só ensinam o povo revolução, quero ver se na hora de ter que professar ou negar a fé, assuntos como violência, Amazônia, água e terra vão ajudar alguém. Pois é, há exceções, há quem dê exemplo, mas e a maioria do povo? Um povo que conheceu a verdade, mas não pagou o preço para deixar com que ela os libertassem? O que será destes? Esta pergunta me inquieta.
Amados irmãos, é hora de preparação, talvez não sejamos literalmente mortos biologicamente, mas com certeza as próximas gerações de Cristãos serão jogadas nas covas dos leões. Os nossos filhos e netos precisam contemplar virilidade, hombridade, lealdade evangélica e fidelidade a Cristo em nós. Não podemos deixar Jesus voltar e não ver fé sobre a terra, seria uma vergonha, uma tragédia e talvez até um eterno choro e ranger de dentes para nós. Por isso, nos preparemos. Como? Explico:
Primeiramente em contínuas meditações procuremos desprezar o mundo e desejar profundamente o céu, coloquemos nosso coração no tesouro da vida eterna e façamos um pacto de não deixar nenhuma paixão mundana ganhar o espaço do Senhor em nosso corações. Depois façamos penitencia, ofereçamos ao Senhor nosso sacrifício diário, seja ele de maior ou menor proporção, além de ser bom para a purificação da alma, também é um exercício de preparação física, emocional e espiritual para a possibilidade de suportar sufrágios pela causa do evangelho. E por fim em ultimo lugar, oremos, oremos muito, oremos na Santa Missa aprendendo na escola da Cruz a abraçar a nossa, oremos com Maria para adquirirmos as virtudes da Virgem das dores, e oremos para conquistar do Espírito Santo a coragem apostólica que os primitivos cristãos tiveram.
Que o mistério pascal nos inspire nesta dura empreitada contra Cristofobia do século XXI.


Salve Maria!


Bruno Cruz
bhc.vida@hotmail.com
Contato para missão: (031)88802212

1 de nov. de 2010

Comunismo e o Apocalipse no sonho de Don Bosco.


Confira este esclarecedor artigo produzido em cima dos proféticos sonhos do grande São João Bosco. Ele sonhou com o cavalo vermelho do Apocalipse(Ap 6 v.4), as caracteristicas dadas no sonho profético nos leva a crêr que o devastador da humanidade é o comunismo.

Don Bosco após o sonho fala do caminho para combater esta praga infernal que estaria por vir, o caminho seria a criação de uma boa imprensa que apontasse os venenos destes grande monstro e anunciasse os pensamentos provenientes da cátedra de Pedro.

Felizmente existe uma boa mídia católica na grande rede(Internet) que esta correspondendo aos conselhos de Don Bosco, porém é claro a covardia da imprensa católica televisiva no que diz respeito a denúncia do comunismo.

Temos que rezar e também cobrar, pois nós somos diretamente atingidos com esta covardia, um exemplo claro foi a eleição da comunista, quem dera se tivéssemos os grandes da mídia católica do nosso lado.


Veja o artigo na íntegra.


O Cavalo Vermelho; Símbolo do comunismo — 1862


As crônicas do mês de julho relatam novas maravilhas sobre (São) João Dom Bosco.

Dom Ruffino escreveu na sua crônica: 1 de julho. (São) João Dom Bosco disse a alguns que lhe rodeavam depois do almoço:

— Este mês teremos que assistir a um funeral.

Em distintas ocasiões repetiu o mesmo uma e outra vez, mas sempre ante um reduzido número de ouvintes.

Estas confidências despertavam nos clérigos uma grande curiosidade, de forma que, nas horas de recreio, quando as ocupações o permitiam, rodeavam ao (Santo) com a esperança de ouvir de seus lábios alguma novidade, e uma delas foi, como o compreenderam mais tarde, a intenção de (São) João Dom Bosco de fundar um instituto para atender às meninas. Em efeito, assim o consignaram por escrito Dom Bonetti e Dom César Chiala.

Em 6 de julho o bom pai narrou a alguns de seus filhos o seguinte sonho que teve na noite do 5 ao 6 do dito mês. Estavam pressentes Francesia, Savio, (Beato) Miguel Rúa, Cerrutti, Fusero, Bonetti o Cavalheiro Oreglia, Anfossi, Durando, Provera e algum outro.

Esta noite — começou (São) João Dom Bosco — tive um sonho singular. Sonhei que me encontrava com a marquesa Barolo e que passeávamos por uma praça situada diante de uma planície muito extensa. Via os jovens do Oratório correr, saltar, jogar alegremente. Eu queria dar a direita à marquesa, mas ela disse-me: — Não; fique onde está.

Depois começou a falar de meus jovens e dizia-me:

— É tão boa coisa que se ocupe dos jovens! Mas deixe-me a mim o cuidado das jovens; assim iremos de acordo. Eu repliquei-lhe:

— Mas, me diga: Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo para redimir somente aos jovenzinhos ou também às jovenzinhas?

— Sei — replicou — que nosso Senhor redimiu a todos: meninos e meninas.

— Pois bem; eu devo procurar que seu sangue não se derramou inutilmente, tanto para as jovens como para os jovens.

Enquanto estávamos ocupados nesta conversação, eis aqui que entre meus jovens que estavam na praça começou a reinar um estranho silêncio. Deixaram todos seus entretenimentos e deram-se à fuga, alguns para uma parte, alguns para outra, cheios de espanto.

A marquesa e eu detivemos o passo e ficamos durante uns momentos imóveis. Procurando a causa daquele terror demos uns passos para frente. Levanto um pouco a vista e eis aqui que ao fundo da planície vejo descender até a terra um cavalo grande... imensamente grande... O sangue gelou-se nas veias. — Seria como esta habitação? —, perguntou Francesia. — Oh, muito maior! — replicou (São) João Dom Bosco —. Seria de grande e de alto como três ou quatro vezes mais que este local, e mais que o palácio Madama (este palácio é um dos grandes palácios da cidade de Turim). Em resumidas contas, que era uma besta descomunal. Enquanto eu queria fugir temendo a iminência de uma catástrofe, a marquesa Barolo perdeu o sentido e caiu ao chão. Eu quase não podia ter-me de pé, tanto tremiam os meus joelhos. Corri a esconder-me detrás de uma casa que havia a muita distância, mas de lá jogaram-me dizendo:

— Saia, saia; aqui não tem que vir!

Enquanto isso eu me dizia mesmo:

— Quem sabe que diabo será este cavalo! Não fugirei, adiantarei-me para examiná-lo mais de perto. E embora tremesse de pés à cabeça, armei-me de valor, voltei atrás e aproximei-me.

— Ah! Que horror! Aquelas orelhas rígidas! Aquele focinho descomunal!

Às vezes parecia-me ver muita gente em cima dele; outras vezes, que tinha asas, de forma que exclamei:

— Mas isto é um demônio!

Enquanto o contemplava, como estava em companhia de alguns, perguntei a um dos pressentes:

— O que quer dizer este enorme cavalo?

O tal respondeu-me:

— Este é o cavalo vermelho: Equus rufus, do Apocalipse.

Depois despertei e encontrei-me na cama muito assustado e durante toda a manhã, enquanto dizia Missa; no confessionário tinha diante de mim a (memória) daquele animal.

Agora desejo que algum averigúe se este "equus rufus", nomeia-se verdadeiramente nas Sagradas Escrituras, e qual é seu significado.

E encarregou a Durando de que procurasse a maneira de resolver o problema. (Beato) Miguel Dom Rúa fez observar que, realmente no Apocalipse, capítulo VI, versículo IV, fala-se do cavalo vermelho, símbolo da perseguição sangrenta contra a Igreja, como explica nas notas da Sagrada Escritura, Mons. Martini. Eis aqui as palavras textuais do livro sagrado:

Et cum aperuisset sigillum secundum, audivi secundum animal, dicens: Veni et vede.
Et exivit alius equus rufus: et qui sedebat super illum datum est ei ut sumeret pacem de térra, et ut invicem se interficiant et datus est ei gladius Magnus.

Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo animal clamar: Vem!
Partiu então outro cavalo, vermelho. Ao que o montava foi dado tirar a paz da terra, de modo que os homens se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.

No sonho de (São) João Dom Bosco parece que o cavalo representasse o comunismo, que procedendo furiosamente contra a Igreja avançava conspirando contra a ordem social, sem deter-se nem um só passo; impunha-se aos governos, nas escolas, nos municípios, nos tribunais, desejando realizar a obra destruidora começada com o apoio e cumplicidade das autoridades constituídas, em prejuízo da sociedade religiosa e de todo piedoso instituto e do direito de propriedade.

(São) João Dom Bosco disse:

— Seria necessário que todos os bons e nós em nossa pequenez procurássemos com zelo e entusiasmo pôr um freio a esta besta que irrompe em qualquer parte aloucadamente.

De que maneira? Pondo em guarda aos povos mediante o exercício da caridade e com a boa imprensa que contrarie as falsas doutrinas de semelhante monstro, orientando o pensamento dos povos e os corações para a Cátedra de Pedro.

Nela está o fundamento indubitável de toda autoridade que procede de Deus, a chave mestra que conserva toda ordem social; o código imutável dos deveres e dos direitos dos homens; a luz divina que dissipa os enganos das mais inflamadas paixões; aqui o fiel guardião e o defensor poderoso da moral evangélica e da lei natural; aqui a confirmação da sanção imutável dos prêmios eternos reservados a quem observa a lei do Senhor e as penas igualmente eternas para os transgressores da mesma.

Mas a Igreja, a Cátedra de São Pedro e o Papa, são uma mesma coisa. Portanto, para que estas verdades fossem acatadas por todos, (São) João Dom Bosco queria que se fizessem toda sorte de esforços por desfazer as calúnias contra o Pontificado e que se dessem a conhecer os imensos benefícios que Roma reporta à vida social e se procurasse avivar em todos os corações, sentimentos de gratidão, fidelidade e amor para a Cátedra de Pedro.

(M. B. Volume VII, págs. 217-218)

Fonte:http://sonhos-de-sao-joao-bosco.blogspot.com/search/label/O%20cavalo%20vermelho%20s%C3%ADmbolo%20do%20comunismo

15 de out. de 2010

A Importância da Castidade, à exemplo dos santos.

A Pureza, virtude tão estimada pelos santos, mas hoje tão maltratada por nós homens! Se soubéssemos o quanto agrada a Deus a sua observância, assim como os santos, faríamos de tudo para não ofendê-lo com nossas impurezas.

Castidade perfeita é o mais belo florão da Igreja, dizia o papa Pio XII. Pela castidade, várias portas de entrada para os demais pecados são fechadas, pois aprendemos a viver como os santos, buscando essencialmente a Deus. Por ser uma virtude tão apreciada, o demônio usa de suas artimanhas para arrancar de nosso coração o desejo santo de observá-la.
Relatarei algumas práticas heróicas que os santos fizeram para não deixar que o demônio roubasse esse bem de seus corações.

Santo Antão dizia que “basta um olhar impuro para abrir as portas do inferno”, quando são Luís Gonzaga teve conhecimento desta frase começou a guardar os seus olhos com tanta radicalidade, chegando ao ponto de não olhar nunca para as demais partes dos corpos das mulheres, apenas para os seus olhos.
Devemos guardar os nossos olhos, porque, como dizia São Domingos Sávio: são duas janelas, onde pode passar anjos como demônios. Disse nosso Senhor Jesus Cristo:“A lâmpada do corpo é o olho. Portanto, se o teu olho estiver são, todo o teu corpo ficará iluminado; mas se o teu olho estiver doente, todo o teu corpo ficará escuro. Pois se a luz que há em ti são trevas, quão grande serão as trevas”!(Mateus 6, 22-23)
São Luís Gonzaga, em todo tempo de sua vida, nunca sentiu o menor estimulo ou movimento carnal no corpo, nem pensamento ou representação desonesta no espírito, que fossem contrários ao propósito que fizera de ter uma castidade perfeita. Este privilégio transcende de tal modo toda força industrial humana, que bem mostra ter sido dom particular de Deus por intercessão de sua Mãe Santíssima. Quanto se deva apreciar esta isenção, conhecerá que são Paulo (ou falasse de si, ou de outro) três vezes implorou a Deus a graça de livrá-lo do aguilhão da carne (Romanos 13, 14; II Coríntios 7, 1; Gálatas 5, 17).

Uma vez perguntaram a são Jerônimo o motivo por qual ele foi ser eremita, ele deu uma resposta muito simples, “eu temo o inferno”; talvez as pessoas podem pensar que pelo fato de ele estar no deserto, que ele esteja livre de tentações, porque o deserto é um lugar “de encontro pessoal com Deus”, mas não, infelizmente até no deserto satanás o encontrou, o demônio não o deixou em paz um dia sequer, mas o Senhor Jesus tinha impresso em seu coração um ardente desejo de céu, de perfeição que todos os dias o Espírito Santo inspirava-lhe algo diferente, “temos que ficar atentos as moções do Espírito Santo de Deus”, são Jerônimo fazia de tudo, mas um certo dia a tentação veio com tanta força que ele teve que pegar uma grande pedra e começar a bater no peito, enquanto a tentação não fosse extinta ele não parou de se bater. É claro, como dizia São Francisco de Sales: que os atos dos santos nos sirva de lição, porque diz a palavra do Senhor:“Vós ainda não resistes até o sangue em vosso combate contra o pecado”! (Hebreus 12, 4)

São Francisco de Assis, um dia estando indo pregar o evangelho, no meio do caminho lhe sobreveio uma forte tentação, movido pelo “amor a Cristo Jesus” ele tirou a roupa por completo e começou a rolar na neve, rolou até a tentação ir embora. “Vigia atentamente para que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus”. (Hebreus 12, 15)
Certa vez, algumas pessoas prenderam são Tomás de Aquino em um castelo junto com uma mulher, eles o prenderam para que perdesse sua pureza (virgindade), mas “o amor de Deus é infinito, principalmente para seus filhos prediletos, os castos”;São Tomás pegou um tição de fogo e com ele começou a correr atrás da mulher e ela foi embora, logo depois, São Tomás caiu de joelhos, e com os olhos cheios de lágrimas pediu a Jesus Cristo que nunca mais permitisse tal coisa, logo em seguida lhe apareceu seu Anjo da Guarda e lhe cingiu com um cinto divino, um certo cinto de castidade, nunca mais lhe sobreveio tentação parecida. “Orai sem cessar. Guardai-vos de toda espécie de mal”. (Tessalonicenses 5, 17. 22)

Santa Maria do Egito, quando sentia esses impulsos carnais, ajoelhava-se e caía com o rosto em terra e ficava até serem extintas as tentações, as vezes ela ficava dias nesta posição. Poucos são os santos que, por favor de extraordinária graça do céu, chegaram a uma perfeita e total insensibilidade, e se alguns lá chegaram, só a custo de muitas“orações e lágrimas” alcançaram esse dom de Deus.
Assim conta são Gregório nos Diálogos, que santo Equício, sentindo-se em sua juventude molestado por estas tentações, com longas e contínuas orações alcançou que Deus lhe mandasse um Anjo, que o tornou tão livre de toda tentação, como se não tivera corpo.
Do abade Sereno narra Cassiano, que tendo com muitas orações, lágrimas, vigílias e jejuns, obtido primeiramente a pureza de coração e de espírito, com iguais trabalhos, que se entregava noite e dia, recebeu por ministério de um Anjo, tão perfeito dom de castidade corporal, que, nem velando, nem dormindo, nem sonhando, sentiu jamais movimento algum no corpo.

São Luís Gonzaga tinha esse dom de Deus, mas por tanto amor que tinha por esta virtude vivia em tanta comunhão e radicalidade com Deus, ele andava sempre com os olhos baixos, nas ruas e em sua casa.
Nós devemos CRUCIFICAR a nossa própria carne, nisso está o imenso potencial ascético, de esforço, de luta, de morte, da castidade pelo Reino. Crucificar sua própria carne com suas paixões e seus desejos, principalmente o desejo sexual, que está entre os mais imperiosos, isso não é brincadeira. Pois a carne tem aspirações contrárias ao espírito e o espírito contrárias à carne (Gálatas 5, 17). Esse é um inimigo que está dentro de nós, que nos ataca sem trégua, de noite e de dia, quando sós ou acompanhados. Tem um aliado extraordinariamente forte, o mundo, que põe à sua disposição todos os recursos, pronto sempre a lhe dar razão e a defender seus “direitos”, e em nome da natureza, do bom senso, da bondade fundamental de todas as coisas… Esse é o campo “onde mais cotidiana é a batalha e mais rara a vitória” (São Cesário de Arles).
Essa foi a triste experiência daqueles ascetas de alma de fogo, os monges do deserto, levados pela tentação da carne até quase o desespero.

Prestem muita atenção neste relato! “Por doze anos, depois de meus cinqüenta anos, o demônio não me concedeu nem uma noite nem um dia de trégua em seus assaltos. Pensando que Deus me tivesse abandonado, e que exatamente por isso estivesse sendo dominado pelo inimigo, decidi antes morrer de forma irracional do que sofrer a vergonha de cair por causa da paixão carnal. Saí e, depois de ter vagado pelo deserto, encontrei a toca de uma hiena; ali meti-me nu, durante o dia, para que as feras me devorassem quando saíssem. Depois de diversas tentativas semelhantes, ouviu dentro de si uma voz que lhe dizia no pensamento: Vá embora, Pacômio, e lute; fiz que você fosse dominado pelo inimigo para que não se ensoberbecesse, pensando que era forte, mas que, reconhecendo sua fraqueza e não confiando demais no seu regime de vida, procurasse a ajuda de Deus.” (Paládio, História Lausaíca)
Todos os santos tiveram tentações, e como vimos, fortíssimas, mas, sempre movidos pelo amor pela virtude e por Deus, sempre saíram vitoriosos!!!

Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram muito espantados e disseram: “Quem poderá então salvar-se?” Jesus, fitando-os, disse: “Ao homem isso é impossível, mas a Deus tudo é possível”. (Mateus 19, 25-26)
Quando vierem estas tentações, lutemos com todas as forças, vamos “dar o sangue na luta contra o pecado” (Hebreus 12,4), e “trabalharmos na nossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2,12), mas devemos, principalmente, buscar as nossas forças e graças em Deus, pois “tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4,13).

Só Deus para te livrar e fazer de ti vitorioso, e nós encontramos Deus pela ORAÇÃO!
“Ficai acordados, portanto, orando em todo momento, para terdes a força de escapar de tudo o que deve acontecer e de ficar de pé diante do Filho do Homem”.(Lucas 21, 36)
“Em matéria de castidade, não à fortes e nem fracos e sim, prudentes e imprudentes!” Jesus nosso Amado nos disse: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação: pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26, 41).

“Que Maria Santíssima, São José e a Santíssima Trindade possam nos dar todo auxílio e fortaleza, para perseverarmos no caminho do amor!”
Fonte: Portal da Arquidiocese de Campo Grande.

20 de set. de 2010

São João Maria Vianey (1786-1859) - A semente que caiu em boa terra deu fruto centuplicado

Presbítero, cura de Ars        Sermão
Se me perguntais o que quer Jesus Cristo dizer com este semeador que saiu manhã alta para ir lançar a semente no seu campo, meus irmãos, [digo-vos que] o semeador é o bom Deus que começou a trabalhar na nossa salvação logo no princípio do mundo, enviando-nos os profetas antes da vinda do Messias para nos ensinar o que é necessário para sermos salvos. E não Se contentou em enviar os Seus servos mas veio Ele mesmo, indicou-nos o caminho que devíamos seguir e veio anunciar-nos a palavra sagrada.
Sabeis como é uma pessoa que não se alimenta desta palavra sagrada? [...] É semelhante a um doente sem médico, a um viajante perdido e sem guia, a um pobre sem recursos. É completamente impossível, meus irmãos, amar a Deus e agradar-Lhe sem nos alimentarmos desta divina palavra. O que nos poderá levar a agarrarmo-nos a Ele, se não for o conhecimento que temos Dele? E quem no-Lo dá a conhecer, com todas as Suas perfeições, a Sua beleza e o Seu amor por nós, se não a palavra de Deus que nos ensina tudo o que Ele fez por nós e todos os benefícios que nos preparou na outra vida?
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=commentary&localdate=20100918
Enviado por Alex Borges