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22 de set. de 2011

A religião e o mundo moderno

" O homem de cada século é salvo por um grupo de homens que se opõem aos seus gostos"
G.K. Chesterton


Na atualidade, ser cristão é o mesmo que ser tolo. Levada pelas revolucionárias ideologias que culminaram  o século XX, a sociedade atual crê que crer em um Ser Divino é ser cafona. Mas só se é cafona se for cristão. Se o sujeito pertencer ou simpatizar-se com qualquer outro tipo de crença, então ele é aberto às tendências, um intelectual que preza por todas as culturas, menos a sua.

Sim, a sua cultura, pois este mesmo esquece que  foi a Igreja Católica quem trouxe ao mundo moderno todas as luzes do conhecimento humano para a sociedade ocidental. 

Equivocadamente, alguns professores de História, Sociologia e Filosofia, por má fé ou desconhecimento, ensinam que a Idade Média foi a época das trevas, e apenas com o advento do Iluminismo o mundo se abriu ao conhecimento. Nada mais tosco. Foi a Igreja quem iniciou os estudos científicos, tecnológicos, literários, poéticos, etc. Quer ver? Leia as citações a seguir:

- A Igreja Católica forneceu mais ajuda e apoio financeiro ao estudo da Astronomia por mais de seis séculos - da recuperação do saber antigo da Baixa Idade Média ao Iluminismo - , do que qualquer outra e, provavelmente, todas as outras instituições. (J.l. Heilbron - Universidade da Califórnia, em Berkeley);
- São Mesrob, sacerdote católico, foi o criador do alfabeto armênio;
- Os Jesuítas - da Companhia de Jesus - foram tão exímios nas ciências, que neste exato momento, 35 crateras lunares têm o nome de cientistas jesuítas;
- O católico franciscano Roger Bacon (século XIII), que lecionava na Universidade de Oxford, é considerado o precursor da revolução científica;
- O monge Luca Bartolomeo de Pacioli é considerado o pai da contabilidade moderna. Um dos seus alunos foi Leonardo da Vinci;
- O padre Franceso Grimaldi descobriu e nomeou o fenômeno de difração da luz. Ele também participou de uma descrição detalhada de um mapa da superfície da lua. Esse mapa chamado de Selenógrafo adorna até hoje a entrada do Museu Nacional do Ar e Espaço, em Washington D.C.;


Há ainda tantas outras citações que eu podia fazer. Veja mais neste link: http://caiafarsa.wordpress.com/igreja-catolica-mae-da-civilizacao-moderna/

Ora, se a Igreja Católica foi a primeira interessada em desenvolver o conhecimento, fica claro algumas coisas:

- Fé e Razão não se contrapõem;
- A Idade Média foi a época em que mais o conhecimento foi desenvolvido, e pela a Igreja;
- É uma falácia acusar a Igreja de impedir o desenvolvimento da intelectualidade.

No entanto, a nossa sociedade preferiu aplaudir o que é leviano apenas para dizer-se contrário àquela que tudo lhes deu: educação, conhecimento, fé, Deus.

O vídeo a seguir mostra como hoje o conhecimento está comercializado, sem pé nem cabeça, totalmente desenraizado, saqueado de valores e de lógica. Assista:




Ora, não é isso o que vemos? O professor está deslocado de seu papel; já não sabe mais o que fazer em sala de aula. Não sabe se está ali para ensinar ou aprender, não se sabe como deve dizer; teme em ser claríssimo em suas palavras, ficando absorto, à margem de sua vocação. Graças aos movimentos anarquistas, seu papel é do chato substituível pelo Google. Sim! Esta era moderna prejudicou o papel do professor, pois o fez o implicante que apenas sabe pintar as avaliações com sua caneta vermelha. Não é mais o mestre que forma discípulos; antes, o burro que governa os jegues. Por conseguinte, os alunos também se perdem, pois não sabem o que dizer. E é claro que não sabem! Estão ali justamente para aprender. E acreditem: eles QUEREM aprender. Por mais insuportável que um aluno seja, por mais bagunceiro, ele quer aprender. Digo isso por causa própria! Sou professora e os alunos que mais 'dão trabalho' são sempre os mais brilhantes.

Fantástica a tira do vídeo. Uma crítica perfeita à atualidade.

Cabe agora a nós sermos o pequeno grupo de homens que salvam o século...

8 de ago. de 2011

Nunca pare de defender o casamento hoje.


Chuck Colson
(Breakpoint.org/Notícias Pró-Família) — É hora do “campo de batalha a favor do casamento” mudar para liberdade religiosa? Essa é a pergunta que um recente artigo da revista Christianity Today* está propondo depois que o Estado de Nova Iorque aprovou o “casamento” de mesmo sexo. De acordo com Douglas Laycock, professor de direito na Universidade de Virginia, a resposta é “Sim”. Ele diz: “Os conservadores religiosos que defendem o casamento tradicional precisam mudar seu foco para lutar em favor da liberdade religiosa”.
O motivo disso é que Laycock e, lamentavelmente, muitos outros acreditam, de forma errônea, na inevitabilidade do “casamento” de mesmo sexo. Eles acham que o melhor que os cristãos podem fazer é assegurar que as leis de “casamento” gay pelo menos forneçam um pouquinho de proteção para as liberdades daqueles de nós que acreditamos no casamento tradicional.
Sim, o tão chamado “casamento” de mesmo sexo representa uma grave ameaça à liberdade religiosa. Estão ocorrendo casos em que fotógrafos e outros foram processados por se recusarem a participar de cerimônias de “casamento” de mesmo sexo. Entidades católicas que cuidam de órfãos estão sendo fechadas porque só entregam crianças em adoção para uma mãe e pai que são casados. Não se engane: proteger a liberdade religiosa é uma prioridade importante.
Mas é exatamente por isso que abandonar a batalha pelo casamento tradicional é tolice e perigoso. Meu colega Robert George, que é professor na Universidade de Princeton, resume isso de modo perfeito: “Se você perguntar”, disse ele, “‘O que se pode fazer para avançar, na nação inteira, a proteção à liberdade religiosa?’ a resposta é esta: Ganhar a luta para preservar a definição legal do casamento como a união conjugal de marido e esposa. Ponto final”.
Lembre-se: O que o Estado dá, o Estado pode também arrancar. A proteção à liberdade religiosa no projeto de lei de Nova Iorque, por exemplo, tinha uma redação fraca e vaga. O que ela protegerá? Quem ela protegerá? Por quanto tempo? Não podemos dizer nessa altura, e logo que a questão chegar aos tribunais — e chegará aí — fica ainda mais difícil predizer.
Segundo, mudar o debate para a liberdade religiosa tira o centro das atenções da importância do casamento. Como Tom Messner da Fundação Heritage disse para o National Review: “O debate do casamento é em primeiro lugar um debate sobre o sentido e propósito público do casamento, não um debate sobre liberdade religiosa… Mesmo que o casamento de mesmo sexo não representasse nenhuma ameaça à liberdade religiosa, as razões fundamentais para se apoiar o casamento como um homem e uma mulher permanecem de igual modo imprescindíveis e precisam ser lidadas”. Exatamente.
Terceiro, conforme aponta Messner, o casamento de mesmo sexo não é inevitável. “Aproximadamente 30 estados”, diz ele, “têm protegido o casamento em suas constituições estaduais. Aproximadamente 40 estados têm protegido o casamento em seus estatutos”. E em Maine, depois que a Assembleia Legislativa aprovou o “casamento” de mesmo sexo, os eleitores derrubaram a lei. E embora a elite dos meios de comunicação não queira que você saiba, de acordo com uma recente pesquisa de opinião pública do Fundo de Defesa Aliança, a maioria dos americanos quer reservar o casamento para um homem e uma mulher.
Desistir da luta pelo casamento agora depois de alguns reveses é loucura. O debate sobre casamento nos Estados Unidos não terminou. Agora, mais do que nunca, os cristãos precisam se equipar para defender o casamento e viver na prática a verdade sobre casamento, sexo e família em nossas próprias vidas.
Essa não é tempo para derrotismo ou batida em retirada, mas para ação.
Publicado com a permissão de Breakpoint.org

29 de jul. de 2011

Religião ”faça você mesmo”: Pano de fundo da tragédia da Noruega.


Paolo Naso, politólogo e mestre em religião e mediação cultural pelaUniversidade La Sapienza de Roma. jornal L’Unità.

A loucura não pode explicar toda a tragédia de Oslo e da ilha de Utoya.

O delírio anti-islâmico de Andrs Breivik tem uma moldura que não podemos ignorar nem simplificar recorrendo ao rótulo fácil do “fundamentalismo cristão”, que pode até ter muitas responsabilidades – por exemplo no extremismo de certos setores da direita religiosa norte-americana –, mas, neste caso específico, não tem nada a ver.

O fundamentalismo cristão é um fenômeno muito articulado e complexo, não necessariamente violento ou politizado. Podemos até afirmar que a maioria dos crentes que se referem a essa corrente teológica são bastante desencantados com relação à cidade do homem e dirigem o seu olhar, o seu coração e as suas esperanças à cidade de Deus, à Jerusalém celeste que descerá do céu.

A radicalização e, às vezes, a violência dessa corrente que surgiu no interior do protestantismo do século passado é um fato recente, politicamente muito relevante, mas quantitativamente minoritário.

Ontem como hoje, os fundamentalistas são, sobretudo, crentes evangélicos que interpretam a Bíblia em sentido literal e rigorista, extraindo dela valores precisos, dogmas teológicos restritos e seletivos e normas de comportamento vinculantes individuais.

Do diário-manifesto de Anders Breivik, surge um quadro totalmente diferente e distante do quadro do fundamentalismo e do literalismo bíblico: o assassino em massa de Oslo tinha fé e intimidade com a maçonaria, alimentava-se da ideologia dos templários, frequentava textos esotéricos. Sua biografia diz que ele aceitou conscientemente a fé protestante e que, mais recentemente, no entanto, teria desejado um “retorno” das igrejas reformadas para a grande Igreja Católica. Salvo depois o fato de ter lançado dardos contra o papa e o Vaticano, a seu ver já inclinados ao Islã.

No blog de Breivik, mais do que a Bíblia, são citados textos militares e políticos. Mais do que de amor cristão, fala-se de ódio anti-islâmico. Mais do que a cruz, discutem-se armas e técnicas de assassinato em massa. A raiz de tudo isso não está no fundamentalismo religioso, embora extremado, mas sim em um confuso identitarismo cultural-religioso, alimentado pelo teorema do choque de civilizações.

No alvo de Breivik, estão, junto com as vítimas inocentes de um acampamento de jovens trabalhistas, o papa e as Igrejas, o amor cristão e a tolerância iluminista, o espírito de acolhida e o pluralismo religioso, a cultura do mundo moderno e a sua complexidade. No repleto panteão ideal do assassino em massa norueguês, a religião cristã convive com a maçonaria e com os templários, com o esoterismo e com o paranormal.

Esse quebra-cabeças desordenado faz de Breivik o filho confuso de uma secularização em estado terminal, em que a religião faz parte da vida privada e pública, mas trivializada e reduzida a pequenos fragmentos que convivem e se confundem com ideias e comportamentos que nada têm a ver com ela.

Nesse sentido, Breivik interpreta ao extremo aquela tendência, já conhecida há anos, àself-made religion, uma fé “faça-você-mesmo”, construída na própria garagem e veiculada pelo próprio computador: discutível, problemática, estranha, mas, em tempos normais, inócua. No entanto, se os tempos não são normais, se alguns setores políticos chamam para uma nova cruzada pós-moderna, e se muitos meios de comunicação competem em amplificar o apelo à guerra de civilizações, essa self-made religion, filha da secularização, pode se tornar excepcionalmente violenta e devastadora.

Fonte: http://www.comshalom.org

20 de jul. de 2011

“Encontro inter-religioso de Assis” NÃO quer sinalizar que todas as religiões são equivalentes.


Carta do cardeal William J. Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, publicada em 6 de julho em L’Osservatore Romano.Reflete sobre o encontro inter-religioso de Assis em 27 de outubro, e o diálogo com as outras religiões.

O anúncio da “Jornada de reflexão, diálogo e oração pela paz e pela justiça no mundo”, em Assis no próximo outubro, mostra que a experiência religiosa nas suas diversas formas é objeto da atenção da Igreja no terceiro milênio. Diante da atual difusão do ateísmo e do agnosticismo, é necessário ajudar o homem a salvaguardar ou reencontrar a consciência do seu vínculo elementar (re-ligio) com a própria origem. Esta consciência, que se faz naturalmente orante, é uma condição da paz e da justiça no mundo.

Em seu livro-entrevista de 1994, o beato João Paulo II relembra o encontro de Assis de 1986, que, junto com as visitas a países do Extremo Oriente, o convenceu, mais ainda, de que “o Espírito Santo trabalha eficazmente mesmo fora do organismo visível da Igreja”. Porém, consciente da delicadeza do argumento, ele ensinou na encíclica Redemptoris missio que o Espírito “se manifesta de modo particular na Igreja e nos seus membros; mas a sua presença e ação são universais, sem limite algum nem de espaço nem de tempo”.

Referindo-se ao Concílio Vaticano II, ele recordou “a ação do Espírito no coração do homem, mediante as ’sementes da Palavra’, inclusive nas iniciativas religiosas, nos esforços da atividade humana encaminhados à verdade, ao bem e a Deus”, que faz “amadurecer em Cristo” (nº28). Na mesma encíclica, depois, não só reafirmou a necessidade e a urgência do anúncio da Boa Nova de Jesus, mas a contrastou com uma “mentalidade indiferentista, amplamente difundida inclusive entre os cristãos, enraizada em concepções teológicas não corretas e marcada por um relativismo religioso que leva a pensar que ‘uma religião equivale a outra’” (nº36).

Em sintonia com esta preocupação está a reflexão teológica e pastoral de Joseph Ratzinger. Já em 1964, ele manifestou a tentativa de “definir com maior precisão a posição do cristianismo na história das religiões e dar sentido mais concreto às enunciações teológicas sobre a unicidade e o absoluto do cristianismo” (J. Ratzinger, Fé, Verdade, Tolerância. O Cristianismo e as religiões do mundo, 17).

A Congregação para a Doutrina da Fé, por ele dirigida, retomará este tema com a declaração Dominus Iesus sobre a unicidade e a universalidade de Jesus e da Igreja. O documento, publicado em 6 de agosto de 2000, não pretendia só refutar a idéia de uma coexistência inter-religiosa em que várias “crenças” seriam reconhecidas como vias complementares à fundamental que é Jesus Cristo (cfr. João 14, 6); pretendia, mais profundamente, estabelecer as bases doutrinais de uma reflexão sobre a relação entre o cristianismo e as religiões.

A pessoa do Verbo encarnado é absolutamente única; a obra salvífica de Jesus se prolonga no seu Corpo, a Igreja, e também esta é única no tocante à salvação de todos os homens. Para exercitar esta obra, tanto entre os cristãos como entre os não cristãos, temos sempre e somente o Espírito de Cristo que o Pai concede à Igreja como “sacramento de salvação”: não há vias complementares à única economia universal do Filho feito carne, embora fora da Igreja de Cristo se encontrem elementos de verdade e de bondade (Nostra aetate, 2; Ad gentes, 9).

O encontro de Assis teve uma segunda edição em 24 de janeiro de 2002. O cardeal Ratzinger sentiu ali a necessidade de esclarecer o significado, tornando-se intérprete dos que se interrogam seriamente a este propósito: “Podemos fazer isto? Não será que é dada à maioria das pessoas a ilusão de uma comunhão que não existe? Não se favorece o relativismo, a opinião de que no fundo só há diferenças penúltimas entre as religiões? Não se debilita assim a seriedade da fé e se afasta Deus de nós? Não se reforça o sentimento de termos sido abandonados?” (Fé, Verdade, Tolerância, 111). Aqui queremos perguntar: por quê, se estava tão atento às possíveis interpretações errôneas do seu beato predecessor, Bento XVI considerou oportuno peregrinar até Assis em novo encontro pela paz e pela justiça no mundo?

Achamos uma primeira indicação na lembrança do cardeal Ratzinger do encontro de 2002. Ele evocava a figura do homem vestido de branco, já ancião, sentado junto aos outros no trem para Assis: “Homens e mulheres, que na vida cotidiana se enfrentam não raro com hostilidade e parecem divididos por barreiras infranqueáveis, saudavam o Papa, que, com a força da sua personalidade, a profundidade da sua fé, a paixão que destilava pela paz e pela reconciliação, conseguiu o impossível graças ao carisma do seu ofício: convocar, unidos em peregrinação pela paz, representantes da cristandade dividida e representantes de diversas religiões” (30 Giorni, 1/2002). A religião está longe de distrair da edificação da cidade terrena, mas empurra para o compromisso em prol dela. Para nós, cristãos, isto significa interceder a Deus, deixando que os outros, apesar da sua diversidade, se unam a nós na busca da paz e da justiça no mundo. E, acrescentava o então cardeal, “se nós, como cristãos, empreendemos o caminho para a paz a exemplo de São Francisco, não devemos temer perder a nossa identidade: é assim que a encontramos” (ibidem).

Não se trata, em resumo, de esconder a fé para encontrar a vantagem de uma unidade superficial, mas de confessar – como então fez João Paulo II e o Patriarca ecumênico – que nossa paz é Cristo e que por isso o caminho da paz é o caminho da Igreja. O rosto do “Deus da paz” (Rm 15, 33), disse o então Joseph Ratzinger, “se fez visível a nós cristãos pela fé em Cristo (ibidem). E esta paz é uma plenitude não só oferecida e transmitida (Cf. Jo 20, 19), mas desde sempre acolhida pela Ecclesia sancta et immaculata (Ef 5, 27), como dom e como dever a respeito do mundo, que “é teatro da história da humanidade” (Gaudium et spes, 2). Recorda-nos isso o Concílio Vaticano II: “obedecendo ao mandamento de Cristo e movida pela graça e pela caridade do Espírito Santo, ela se torna atual e plenamente presente a todos os homens ou povos para os conduzir à fé, liberdade e paz de Cristo” (Ad gentes, 5). Já que “todos os homens estão chamados à unidade com Cristo” (Lumen gentium, 3), a Igreja deve ser fermento desta unidade para a humanidade inteira: não só com o anúncio da Palavra de Deus, mas com o testemunho vivido da íntima união dos cristãos com Deus. E esta é a autêntica via da paz.

O slogan escolhido para a próxima Jornada de Assis – Peregrinos da verdade, peregrinos da paz – nos oferece uma segunda indicação: para que se possa ter esperança em realmente construir, unidos, a paz, é necessário colocar os critérios da verdade. “O ethos sem o logos não existe” (J. Ratzinger, Os he llamado amigos. La compañía en el camino de la fe, 71). Instruído pelas dolorosas experiências das ideologias totalitárias, o Papa faz uma advertência perante toda forma de subordinação da razão à praxis. Mas há mais. O vínculo original entre o ethos e o logos, entre religião e razão, tem sua raiz fundamental em Cristo, o Logos divino: exatamente por isso o cristianismo é capaz de restituir ao mundo este vínculo, participando como sinal veraz e eficaz de Jesus Cristo, em sua única missão de salvação (Cf. Lumen gentium, 9). E portanto há que rejeitar decididamente “este relativismo que afeta em maior ou menor grau a doutrina da fé e a profissão de fé” (Os he llamado amigos, 71). Mas isso, longe de construir um desprezo das diversas expressões religiosas ou da dimensão ética, é uma apreciação: “devemos tentar encontrar uma nova paciência – sem indiferença – uns com os outros e pelos outros; uma nova capacidade de deixar de ser o que é o outro e a outra pessoa; uma nova disponibilidade para diferenciar os planos da unidade e, portanto, realizar os elementos de unidade que neste momento são possíveis” (ibidem). Não é possível a paz sem a verdade, e vice-versa: a atitude para a paz constitui um autêntico “critério de verdade” (J.Ratzinger, Europa. Sus fundamentos hoy y mañana, 79).


Fonte: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/

3 de jul. de 2011

Artigo profético de Dom Hilário Moser: " Será que o Espírito Santo se contradiz ou é mentiroso, dizendo “sim” a um e “não” a outro?"


Dom Hilário Moser , SDB. Bispo emérito de Tubarão

Com todo respeito pela consciência de cada um em termos de seguimento desta ou daquela religião, é preciso também concordar que há uma grande confusão. Há religiões para todos os gostos, que vão desde Deus até ao diabo; sim, porque existem também adoradores do diabo.

Veja o que diz São João sobre as primeiras confusões dentro do cristianismo. Havia os que afirmavam que Jesus não era um ser humano verdadeiro, só tinha aparência de ser humano. As palavras de São João valem também para hoje: “Acontece que se espalharam pelo mundo muitos sedutores, que não professam Jesus Cristo vindo na carne. Está aí o Sedutor, o Anticristo. Tomai cuidado, se não quereis perder o fruto do vosso trabalho, mas sim, receber a plena recompensa. Todo aquele que se adianta e não permanece na doutrina de Cristo, não possui a Deus. Aquele que permanece na doutrina, esse possui o Pai e o Filho. Se alguém chega até vós trazendo outra doutrina que não esta, não o recebais em casa, nem o cumprimenteis. Pois quem o cumprimenta participa de suas obras más.” (2 João 7-10).

O que dizer? Que o mundo está cheio de falsos mestres que afirmam Cristo ser isto e aquilo, uns contradizendo aos outros. É o que dá quando cada um interpreta a Bíblia por própria conta, julgando-se inspirado diretamente pelo Espírito Santo. Será que o Espírito Santo se contradiz ou é mentiroso, dizendo “sim” a um e “não” a outro?

Nós, católicos, sabemos que o ofício de interpretar as Escrituras foi confiado ao Magistério vivo da Igreja, não a pessoas particulares. Por isso, cuide de sua fé. Defenda-se de falsos profetas porque existem muitos.

Entre as Cartas do Novo Testamento, há uma, brevíssima, atribuída a São Judas. Ela é particularmente uma chamada de atenção sobre os falsos mestres. Eram, naquele tempo, abundantes, como hoje…

Diz Judas: “Senti necessidade de mandar-vos uma exortação a fim de lutardes pela fé, que, uma vez para sempre, foi transmitida aos santos. É que se insinuaram certas pessoas, das quais desde há muito estava escrito o seguinte juízo: ímpios que abusam da graça do nosso Deus para a devassidão e negam o nosso único soberano e Senhor, Jesus Cristo. [...] São murmuradores descontentes, que vivem ao sabor de suas paixões. A sua boca fala insolência, mas ao mesmo tempo adulam os outros por interesse. Vós, porém, caríssimos, lembrai-vos das palavras preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos diziam: “Nos últimos tempos aparecerão zombadores, vivendo ao sabor de suas ímpias paixões”. São eles que provocam divisões. São vulgares e não têm o Espírito.” (Judas 3-4.16-17).

Palavras duras, mas verdadeiras! Fiquemos atentos para não sermos enganados em nossa fé pelos falsos mestres do nosso tempo.

Você pergunta: quem é falso profeta? Quem responde é São João: “Muitos falsos profetas vieram ao mundo. Este é o critério para ver se uma inspiração vem de Deus: de Deus é todo espírito que professa Jesus Cristo que veio na carne. E todo espírito que se recusa a professar Jesus não é de Deus: é do Anticristo. Ouvistes dizer que o Anticristo virá; pois bem, ele já está no mundo. Filhinhos, vós sois de Deus e vencestes aos que são do Anticristo… Eles são do mundo; por isso, agem conforme o mundo, e o mundo lhes presta ouvido. Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus escuta-nos; quem não é de Deus não nos escuta. Nisto distinguimos o espírito da verdade e o espírito do erro.” (1 João 4, 1-6).

São João se referia aos que, em seu tempo, como eu disse acima, negavam que o Filho de Deus se tinha feito homem. Essa gente contrária a Cristo, para João, são Anticristos. Anticristo é todo inimigo de Cristo: pode ser uma pessoa, um grupo, uma instituição, um sistema…

O que diz São João vale também para hoje. O mundo está cheio de Anticristos, de gente contrária a Cristo: estes são os falsos profetas de hoje. Quem rejeita Cristo não pode vir de Deus. Quem é do mundo escuta e segue o mundo. Quem é de Deus escuta a Deus e escuta a Igreja, que fala em nome de Deus. Quem recusa escutar a Igreja não é de Deus.

Aí está o critério para discernir quem é da Verdade e quem é da mentira e do erro.


30 de jun. de 2011

Manifeste-se contra a blasfêmia ocorrida na Parada Gay

A respeito do gravíssimo ato de vilipêndio religioso ocorrido na última “Parada do Orgulho Gay” de São Paulo, faço minhas estas considerações do Voto Católico. E uno-me a esta campanha: diante da blasfêmia pública, da provocação gratuita, do vilipêndio a céu aberto, manifeste-se! Pois, se ficarmos calados, coisas piores virão.
Se você sentiu-se ofendido e agredido na sua fé com os cartazes desrespeitosos à fé católica na “Parada LGBT”, convidamos a:



* * *
Leia também:
  1. Gaystapo: blasfêmias
  2. Cariocas contra a Ditadura Gay
  3. Padre Norman Weslin, preso por protestar contra o aborto
  4. “A Ditadura Gay” – por Carlos Apolinario
  5. Proteste contra a profanação de uma capela na Espanha!
Fonte: Blog Deus lo Vult

21 de jun. de 2011

A luta secreta de "católicos" da Teologia da Libertação e protestantes vermelhos durante o regime militar no Brasil.


Documentos do Conselho Mundial de Igrejas revelam como parte da Igreja Católica no Brasil e alguns protestantes criaram uma rede de apoio para a base política de Lula

Júlio Severo

No auge do regime militar no Brasil, parte da Igreja Católica e centenas de líderes católicos e protestantes de linha marxista passaram a ser alvo do governo. Documentos guardados há décadas em Genebra, na sede do Conselho Mundial de Igrejas, revelam como o cardeal dom Paulo Evaristo Arns liderou um lobby internacional, coletou fundos de forma sigilosa e manteve encontros com líderes no exterior.

A atuação de Arns mobilizou uma rede de informantes, financiadores e apoiadores secretos no mundo inteiro. Dentro do Brasil, os documentos mostram que ele e seus aliados organizaram manifestações, forneceram incentivos para Lula e outros líderes operários e pagaram despesas para a base política de Lula no ABC em 1980.

Relatórios, testemunhos, cartas, informações de dissidentes e dezenas de acusações fazem parte de três caixas de documentos entregues ao Brasil na terça-feira. A ONU quer que esses documentos sirvam de base para processos contra autores de “crimes contra a humanidade”. Os documentos originais foram mantidos no Conselho Mundial de Igrejas, organização notória por suas ligações comunistas e hoje por suas conexões com ativistas gays, adeptos de religiões afros e ativistas políticas contra Israel.

O texto de introdução do documento deixa claro que o material havia sido encomendado por Arns, que já tentava organizar um dossiê que compilasse as “violações aos direitos humanos” para ser usado futuramente.

Segundo o relatório, entre 1968 e 1978, 122 religiosos foram presos pelo regime militar. Havia 36 estrangeiros, 9 bispos, 84 sacerdotes, 13 seminaristas e 6 freiras. Outras 273 pessoas “engajadas no trabalho pastoral” tinham sido detidas.

Entre os motivos mais frequentes de prisão estavam religiosas mensagens com conteúdo político, além de ajuda na organização de manifestações operárias de orientação igualmente política.

Na segunda metade dos anos 70, Arns e líderes religiosos do exterior avaliaram que era hora de reagir nos bastidores para reunir apoio internacional e demonstrar a insatisfação popular nas ruas. Em 27 de setembro de 1977, o então encarregado de Direitos Humanos na América Latina do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) enviou de São Paulo uma carta a Genebra alertando para a “crescente tensão entre a Igreja e as autoridades” — evidenciando uma tensão existente entre católicos e protestantes ligados ao CMI com o governo do Brasil, embora evangélicos e católicos sem envolvimento político esquerdista não tivessem tido nenhum tipo de problema durante o governo militar.

De forma inversa, não havia tensão entre o CMI e a União Soviética. Aliás, o CMI nunca demonstrou nenhum ativismo contra as violações em massa de direitos humanos na União Soviética e outros países comunistas. Mas o CMI não perdeu a chance de manifestar sua oposição oficial ao que chamou de “repressão” no Brasil aos indivíduos e organizações que queriam implantar um regime comunista no Brasil.

A relação entre o CMI e o cardeal vermelho, como Arns veio a ser conhecido, ganharia novas dimensões quando ele escreveu ao então secretário-geral do CMI, Philip Potter, sob o alerta de que o “conteúdo dessa carta deve ser confidencial, dada suas implicações”. Era o pedido por fundos internacionais clandestinos para a operação que culminaria na publicação, em 1985, de Brasil: Nunca Mais.

O projeto foi ideia do reverendo presbiteriano Jaime Wright, que optou por se aliar a Arns, e ambos, para prosseguir no seu projeto de denúncia, dependiam de dinheiro do CMI que entrava no Brasil de forma ilegal. Arns argumentou: “Pedimos, portanto, que o Conselho Mundial de Igrejas aceite a tarefa de levantar a grande maioria dos fundos necessários, de uma forma confidencial”.

O pedido de Arns foi atendido, inclusive com assistência financeira para a base do PT no ABC.

Apesar do intenso trabalho de Arns de colaboração com início do PT e religiosos de tendência marxista, a eleição de João Paulo II, em 1978, foi um duro golpe para a facção progressista da Igreja Católica. O novo papa estava preocupado com o avanço da ideologia marxista entre os católicos e, quando visitou o Brasil pela primeira vez, em 1980, advertiu o clero sobre o envolvimento com a política — um evidente puxão de orelha em Arns.

Durante a década de 1980, João Paulo II se aliou a Ronald Reagan, presidente dos EUA, na iniciativa de enfraquecer e derrotar o comunismo. Foi uma aliança poderosa entre o papa e um presidente evangélico, culminando no desmoronamento do maior império comunista da história: a União Soviética. Se o católico Arns podia se aliar ao presbiteriano Jaime Wright em suas ideias “progressistas”, por que o papa também não poderia se aliar a um evangélico conservador?

A onda conservadora trazida pelo papa provocou sérias repercussões, impondo medidas de contenção em religiosos católicos brasileiros como Leonardo Boff, o mais famoso promotor da Teologia da Libertação.

Apesar disso, o cardeal vermelho reinava de forma suprema na Arquidiocese de São Paulo. Para tentar contê-lo, em 1989 João Paulo II decidiu dividir a arquidiocese em cinco novas dioceses, reduzindo de forma considerável a influência religiosa e política de Arns. A razão principal dessa divisão, além do ativismo marxista, teria sido a falência da arquidiocese: o cardeal Arns vendia tudo o que podia para dar dinheiro para os comunistas.

Contudo, a ação do papa parece ter vindo tarde demais. Com o sustento financeiro e inspiração que Arns deu para o PT durante anos, a ideologia de Lula ganhou não só a boa parte da Igreja Católica no Brasil, mas também seduziu muitas igrejas evangélicas. Debaixo do peso dessa inspiração, o Brasil tem hoje um Estado quase que completamente parasitado pelo socialismo do PT.

Sob essa inspiração, disponível hoje através dos documentos do Conselho Mundial de Igrejas, o tabloide sensacionalista Genizah canonizou os protestantes vermelhos que recebem indenizações milionários porque tiveram de se exilar na Europa e EUA. E faz insinuações maldosas dos que, como o Pr. Enéas Tognini, convocaram o Brasil para a oração e jejum contra a ameaça comunista que pairava sobre o Brasil antes e durante o regime militar.

Com informações do livro “O bispo de Volta Redonda: memórias de Dom Waldyr Calheiros” (FGV Editora, 2001) e com informações adaptadas e retificadas da matéria tendencioso “A luta secreta de D. Paulo Arns” publicada no jornal Estadão de 19 de junho de 2011.

Fonte: juliosevero.com

18 de mai. de 2011

O estoque de pornografia de bin Laden é um alerta


Obs: Os radicais islâmicos também acusam os cristãos de insanos e impuros, dentre tantas outras coisas.


WASHINGTON, EUA, 16 de maio de 2011 (Notícias Pró-Família) — A descoberta de um “estoque de pornografia” no complexo de Osama bin Laden feita por comandos americanos serve como “alerta” para todos os cristãos não incorrerem na hipocrisia de justificar prazeres do pecado, de acordo com um famoso teólogo e colunista.
“A hipocrisia não é nenhuma novidade, e estamos propensos a nos deleitar nela quando vista nos outros”, Dr. Albert Mohler, presidente do Seminário Teológico Batista do Sul, disse acerca da descoberta sobre bin Laden.
De acordo com as reportagens, os materiais pornográficos descobertos no complexo de bin Laden em Abbottabad, onde as tropas dos EUA o encontraram, incluíam “vídeos modernos gravados eletronicamente” e eram “razoavelmente amplos”, de acordo com reportagens exclusivas da Reuters.
Não se sabe se a pornografia pertencia a bin Laden ou era assistida por ele próprio.
Apesar disso, bin Laden, que frequentemente defendia uma moralidade religiosa islâmica estrita, havia sido amplamente acusado de hipocrisia. Como disse uma reportagem da Associated Press: “A divulgação de que os investigadores dos EUA encontraram pornografia… fomenta a narrativa dos EUA de que bin Laden não era a figura respeitável ou nobre que seus apoiadores adotaram”.
Mohler aponta para o fato de que Osama bin Laden “frequentemente acusava os Estados Unidos de imoralidade, com referência específica à pornografia e imagens sexualizadas”. Especificamente ele cita uma carta de 2002 que bin Laden escreveu intitulada “Carta para o Povo Americano”.
“Sua nação”, escreveu o líder da al Qaeda, “se aproveita das mulheres como produtos de consumo ou instrumentos de propaganda, instando os consumidores a comprá-los… Vocês rebocam suas filhas nuas em outdoors a fim de vender um produto sem vergonha alguma. Vocês fizeram lavagem cerebral em suas filhas, levando-as a acreditar que elas são liberadas quando se vestem com roupas explícitas, mas na realidade tudo o que elas liberaram é o desejo sexual de vocês”.
Mohler observa, porém, que apesar da verdade dessas declarações, o que é mais provável é que os americanos farão acusações contra bin Laden.
O líder batista observou que a possível hipocrisia de bin Laden pode advir de uma cilada teológica em que muitos cristãos poderiam também cair. “Antes de qualquer coisa, aqueles que se dedicam ao ascetismo e negação a fim de obter ou supostamente merecer a misericórdia e favor de Deus quase sempre se permitem alguns prazeres do pecado”, disse Mohler.
“Os cristãos são chamados para a santidade, não ao ascetismo por amor ao ascetismo. O Evangelho nos faz lembrar que não merecemos a nossa salvação e que não há nada que possamos fazer para merecê-la. Bin Laden e as pessoas ligadas a ele estavam convencidos de que Alá perdoaria os pecados sexuais deles por causa da fidelidade deles na execução de atos de terrorismo no nome do islamismo”, especulou ele. “Seria melhor os cristãos verem isso como alerta para que não aprovemos para nós mesmos o mesmo tipo de justificativa”.

Fonte: Júlio Severo

9 de fev. de 2011

A Cabana e minhas observações

Depois de partilhar algumas particularidades a uma amiga, esta me emprestou - sem eu pedir - o livro A Cabana, que está em auge nos dias atuais. Pediu que eu o lesse, sem fazer exigências. Apenas que eu lesse.

Confesso que peguei o livro meio que sem a mínima vontade de ler. É que não sou fã de best sellers. Acho-os sempre muito no nível do senso comum, não consigo aproveitar ao máximo. Mas como esta amiga é alguém especialíssima pra mim, não me senti no direito de recusar.

Li o livro em 04 dias. Como gosto de ler, não foi assim tão difícil. Faço agora as minhas observações.

Para mim, o livro traz uma mensagem (que é a mensagem central do texto) em que nós devemos ter um relacionamento de liberdade com Deus, e que isto so é possível se confiarmos nEle inteiramente, tal qual uma criança confia em sua mãe. E será esta confiança o ponto de partida para um relacionamento de amor abundante, curador e restaurador. Porém, o livro faz uma sopa de letrinhas a respeito de Deus. Explico.

O autor é amigo do personagem principal que vive uma experiência significativa com a Santíssima Trindade. Ele conta a história de seu amigo que perdeu sua filha num acampamento. Ela foi capturada por um homem e assassinada em uma cabana. A partir disto, o pai nunca mais foi mesmo. Sentia-se culpado, bem como uma de suas filhas, que estava presente no acampamento. Um belo dia ele encontra na caixinha de correspondências um bilhete em que constava um chamado de Deus para que ele fosse à cabana. Relutante, o homem foi. Lá ele se encontrou com a Santíssima Trindade, sendo curado e transformado.

Até aí parece tudo bem, mas a forma como o autor os expõe é um tanto "diferente". Deus Pai se apresenta como uma mulher, bem como o Espírito Santo. Durante a conversa que tem com eles, a imagem de Jesus é um tanto desligada da imagem divina, como se Cristo fosse um homem que foi divinizado, e não um Deus que quis fazer-se homem. Também passa no livro uma impressão de que Deus não está nem aí para a religião e para as leis. Em suma, o livro quer que aquele que o ler acredite que podemos encontrar a Deus em qualquer lugar sem que para isso precisasse uma Igreja ou algo do tipo.

Fique intrigada com isso. Ora seja, se Deus, então, não quer que haja uma religião, então porque Cristo fundou Sua Igreja em Pedro? É verdade que hoje temos zilhões de crenças, mas Cristo fundou uma única Igreja, que após 1.500 anos Lutero rebelou-se e fundou a sua, como bem fez Calvino e até Edir Macedo, R.R. Soares e afins. O que todos os reformadores admitem? Que foram instigados pelo Espírito Santo a fundarem sua fé. Mas... seria este Espírito tão cofuso, que a um dissesse algo completamente diferente do outro, e ainda assim fazendo crer que tudo é a mesma verdade? Se assim for, então, o que é a verdade? A verdade em si? Sabemos bem que é Cristo, e nEle não pode haver confusão. Logo, tudo o que vem depois dEle não procede. Há sim as sementes do Verbo e Sua graça alcança a todos graças à Sua Misericórdia, mas o que Ele é, é e pronto. Portanto, a confusão do autor da obra procede da  "achologia" humana, aquele pensamento pré-concebido do que eu ACHO de Deus, e não do que Ele É.

É verdade que podemos encontrar a Deus em qualquer lugar? Sim, é verdade. Porém, não é verdade que Cristo não nos queira em Sua Casa. Quando Cristo funda Sua Igreja e institui Seus Sacramentos, elevando-os para nos santificar, Ele quer com isso nos dizer que é lá na Sua Casa que receberemos todo o gás necessário para prosseguirmos em nossa caminhada. Devemos ter em mente que é a partir dos Sacramentos que nos santificamos. Não basta apenas rezar em casa. Se Ele a instituiu é porque precisamos dela. É certo que se não tivermos orações constantes em casa, se não fizermos práticas de misericórdia, se formos hipócritas, de nada adiantará comungar todos os finais de semana. Entretanto, é nossa obrigação estarmos lá, e isso não é porque alguém exigiu, mas Cristo assim o quis e viu que era bom e necessário para nossa salvação.

Outro ponto que me intrigou foi a questão de desconstruir o pensamento hierárquico. Segundo o autor, Deus não quer hierarquia. Isto é uma falácia. Que não haja hierarquia dentro da Santíssima Trindade é uma coisa, mas que Deus a criou é outra completamente diferente. Se Deus não desejasse isso, não teria chamado Pedro a ser o cabeça dos apóstolos, nem contemporizado o valor dos pais e os anciãos. A hierarquia é uma bênção criada por Deus porque Ele sabe que dela precisamos para entender o valor que Ele tem na Criação. É óbvio que muitos, movidos pelos desejo de poder, usaram da autoridade para agirem de autoritarismo, mas aí reduzirmos a religião a apenas um jogo de interesse é desonestidade intelectual. Jamais, mesmo quando Deus tornou-se homem para nos salvar, estaremos no mesmo nível que Ele, mesmo tendo um relacionamento intimíssimo conforme o autor sugere no livro, pois somos criaturas e fomos submetidas ao amor do Criador. E Criador sempre estará acima da criatura, seja em que lugar for.

Por fim eu percebi que o autor põe na boca da Santíssima Trindade uma série de desconstruções: políticas, filosóficas e teológicas. A descontrução do pensamento é algo contemporâneo no meio ocidental. Isto é um fato olulante. Porém, o que deve ficar claro, é que os "intelequituaissss" dos nossos dias descontroem algo que não conseguem construir. E deveriam se lembrar que cada pensamento, fosse na esfera política, teológica ou filosófica, demorou anos para ser contruído. Não surgiu de um sonho ou de uma experiência num final de semana. São João Evangelista, por exemplo, só foi começar a escrever após 90 anos da ressusrreição do Senhor. Como então agora alguém se arvora em "desmistificar" todo este trabalho árduo, feito em oração, em estudo, discussões e pensamentos? A impressão que me deu foi a de que Deus não passa de um ser anárquico. Uma anarquia do bem, alá paz e amor, mas não deixa de ser anárquico.

Talvez não fosse esta análise que minha amiga esperava de mim, e peço-a aqui, neste blog, para que todos vejam, perdão se a ofendi ou magoei. Contudo, foi impossível passar estes detalhes desapercebidos.

Minha humilde opinião? O livro deve ser lido como uma obra ficcional. Há coisas que podem ser levadas a sério? Sim, muitas. A questão da confiança no relacionamento com Deus é a mais importante e séria na obra. Dar a Deus o que Lhe compete fica nítido. E o que mais me emocionou foi a forma em que o autor explicitou a necessidade de entregarmos a Deus tudo mesmo, inclusive a nossa independência, para que Ele trabalhe abundantemente em nós. Isto é algo que o Senhor SEMPRE nos falou, fosse em Suas Palavras na Bíblia, no testemunho dos Santos ou na História. A reforçada que é dada neste quesito é espetacular. Mas de resto é bom tomar cuidado. A quem não tem o devido alicerce teológico e filosófico NÃO recomendo a leitura.