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25 de mar. de 2010

OS "IRMÃOS" DE JESUS: MARIA TEVE OUTROS FILHOS?

Por Cláudio Pinto
Fonte: A Barca de Jesus


O objetivo desta matéria é demonstrar que Maria que não teve outros filhos além de Jesus, tendo permanecido virgem, mesmo após o nascimento de Jesus. Para tanto, lancei mão de textos que colecionei de várias fontes, tais como os exuberantes sites do Agnus Dei e do Veritatis Splendor, além de escritos de Dom Estevão Bettencourt, debates na lista de discussão do Veritatis Splendor e algumas observações minhas.

Parte I: Textos que Comprovam que Jesus era Filho Único

1. A Bíblia só chama a Jesus de Filho de Maria

Em nenhuma passagem da Bíblia, ninguém é chamado de "filho de Maria", a não ser Jesus. E, ainda, de ninguém Maria é chamada "Mãe", a não ser de Jesus. Em Mc 6,3 é dito: "o filho de Maria" (com artigo, dando idéia de unicidade). A expressão grega implica que Ele era seu único filho. O Evangelho nunca diz "a mãe de Jesus com seus filhos", embora isso fosse natural, especialmente em Mc 3,31 e At 1,14, se ela tivesse outros filhos.

2. Maria fez Voto de Virgindade

Em Lc 1,34 Maria pergunta: "Como se fará isso, pois eu não conheço varão?".

A pergunta que Maria fez seria inadimissível em uma jovem desposada no momento em que lhe anunciavam o nascimento de um filho futuro. Esta pergunta só tem sentido se considerarmos que ela fizera voto de virgindade, uma vez que, embora estivesse desposada, ela afirma: "eu não conheço varão". O anjo, porém, não a libera do voto, mas diz que se tratará de uma conceição milagrosa.

O voto de virgindade feito por Maria é também insinuado num apócrifo: o Protoevangelho de Tiago (120 dC).

3. Jesus Entregou Maria ao Discípulo João

Era costume judeu que os filhos cuidassem da mãe. Ao morrer o irmão mais velho, caberia aos demais filhos o cuidado da mãe. Porém, Jesus pede que o discípulo João, membro de outra família, cuidasse de sua mãe (Jo 19,26-27). Não haveria necessidade de tal preocupação e tal atitude seria inadmissível se Jesus tivesse outros irmãos.

4. Aos 12 Anos, não há Indícios de Irmãos na Festa da Páscoa

Quando Jesus foi a festa da Páscoa em Jerusalém, com a idade de 12 anos (Lc 2,41-51), não se menciona a existência de outros filhos, embora toda a família tivesse peregrinado junto durante uns 15 dias. Ora, Maria e José não poderiam ter deixado em casa, por tanto tempo, filhos tão pequenos.

5. O Testemunho da Sagrada Tradição

A Sagrada Tradição da Igreja sempre ensinou a Virgindade perpétua da mãe de Nosso Senhor. Eis alguns testemunhos dos primórdios do cristianismo:

Santo Inácio de Antioquia ( Século I ): "E permaneceram ocultos ao príncipe desse mundo a virgindade de Maria e seu parto, bem como a morte do Senhor: três mistérios de clamor, realizados no silêncio de Deus" (Carta aos Efésios, PG. V, 644 ss.)

Santo Irineu (130 a 203 dC): "Era justo e necessário que Adão fosse restaurado em Cristo, e que Eva fosse restaurada em Maria, a fim de que uma virgem feita advogada de uma virgem, apagasse e abolisse por sua obediência virginal a desobediência de uma virgem". (Contra as Heresias)

Santo Atanásio (295 a 386 dC): "Jesus tomou carne da SEMPRE virgem Maria".

Dídimo (386 dC): "Nada fez Maria, que é honrada e louvada acima de todas as outras: não se relacionou com ninguém, nem jamais foi Mãe de qualquer outro filho; mas, mesmo após o nascimento do seu filho [único], ela permaneceu sempre e para sempre uma virgem imaculada". ("A Trindade 3,4")

São Jerônimo (340-420 dC): "Cristo virgem e Maria virgem consagraram os princípios da virgindade em ambos os sexos".

Santo Agostinho (354 a 430 dC): "Então, o Senhor tem irmãos? Será que Maria teve ainda outros filhos? Não! De modo algum! (...) Qual é, pois, a razão de ser da expressão "irmãos do Senhor"? Irmãos do Senhor eram os parentes de Maria". (Comentário do Evangelho de São João, X, 2)

Santo Agostinho: "Concebeu-O [a Cristo Jesus] sem concupiscência, uma Virgem; como Virgem deu-lhe à luz, Virgem permaneceu". (Sermão sobre a Ressurreição de Cristo, segundo São Marcos, PL XXXVIII, 1104-1107)

6. A Fé dos Reformadores Protestantes

Martinho Lutero:

Sobre Mt 1,25: "Destas palavras não se pode concluir que após o parto, Maria tenha tido consórcio conjugal. Não se deve crer nem dizer isso." (Obras de Lutero Ed. Weimar, Tomo 11, p.323)

No fim de sua Vida: "Virgem antes, no, e depois do parto, que está grávida e dá a luz. Este artigo da fé é milagre divino." (Sermão Natal 1540: WA 49,182)

João Calvino:

"Jesus é dito primogênito unicamente para que saibamos que Ele nasceu da Virgem" (CO 45,645)

"Certas pessoas têm desejado sugerir desta passagem [Mt 1,25] que a Virgem Maria teve outros filhos além do Filho de Deus, e que José teve relacionamento íntimo com ela depois. Mas que estupidez! O escritor do evangelho não desejava registrar o que poderia acontecer mais tarde; ele simplesmente queria deixar bem clara a obediência de José e também desejava mostrar que José tinha sido bom e verdadeiramente acreditava que Deus enviara seu anjo a Maria. Portanto, ele jamais teve relações com Maria, mas somente compartilhou de sua companhia... Além disso, N.Sr. Jesus Cristo é chamado o primogênito. Isto não é porque teria que haver um segundo ou terceiro [filho], mas porque o escritor do Evangelho está se referindo à precedência. Assim, a Escritura está falando sobre a titularidade do primogênito e não sobre a questão de ter havido qualquer segundo [filho]" (Sermão sobre Mateus, 1562).

Zvínglio:

"Creio firmemente que, segundo o Evangelho, Maria, como Virgem pura, gerou o Filho de Deus e no parto e após o parto permaneceu para sempre Virgem pura e íntegra." (Zvínglio Opera 1,424)

"Os irmãos do Senhor eram os amigos do Senhor" (ZO 1,401)

Parte II: Respondendo às Objeções Protestantes

7. Quem Seriam os "Irmãos" de Jesus?

Há vários textos no NT que mencionam os "irmãos de Jesus": Mt 12,46-50; 13,55; Mc 3,31-35; Lc 8,19-21; Jo 2,12; 7,2-10; At 1,14; Gl 1,19; 1Cor 9,5. Vejamos, por exemplo, Mc 6,3:

"Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós?"

O que dizer?

A expressão "irmãos de Jesus" foi concebida, não em ambiente grego, mas no mundo semita, onde a língua falada era o aramaico. Ora, em aramaico (e também em hebraico), a palavra "irmãos" (se escreve "ah"), designa não somente os filhos dos mesmos pais, mas também, os primos ou até parentes mais remotos. No AT há 20 passagens que atestam o amplo significado da palavra "irmão". Vejamos alguns exemplos:

Primeiro Exemplo:

Gn 11,27: "Taré gerou Abrão, Nacor e Arã. Arã gerou Ló."

Logo, Ló é sobrinho de Abrão, como confirma Gn 12,5: "Abrão tomou sua mulher Sarai, seu sobrinho Ló, ...". Vejamos agora o que diz Gn 13,8:

"Abrão disse a Ló: Que não haja discórdia entre mim e ti, ... , pois somos IRMÃOS."

Segundo Exemplo:

1Cr 23,21-23: "Os filhos de Merari foram Moholo e Musi. Os filhos de Moholi foram Eleázaro e Cis. Eleázaro morreu sem ter filhos, mas apenas filhas. Os filhos de Cis, SEUS IRMÃOS, as tomaram por mulheres."

Ora, como Eleázaro e Cis eram verdadeiros irmãos, então os filhos de Cis não eram irmãos das filhas de Eleázaro, mas sim primos. No entanto, a Bíblia utiliza o conceito amplo da palavra "ah" para chamá-los de irmãos, embora fossem primos.

Terceiro Exemplo:

Gn 29,15: "Então Labão disse a Jacó: Por seres meu IRMÃO, irás servir-me de graça?"

Seria Labão irmão de Jacó? Não! Era seu tio. Confira:

Gn 29,10: "Logo que Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, aproximou-se..."

Leia também: 1Cr 15,4-10.

Em conclusão, o uso dos termos "irmãos e irmãs" de Jesus, na verdade, designam simplesmente que se trata de parentes de Jesus, pois o termo hebraico "ah" (traduzido por "irmão") possui este sentido amplo. Portanto, não eram filhos de Maria, mas sim parentes de Jesus, provavelmente seus primos ou filhos do viúvo José.

8. Mas o NT foi Escrito em Grego e não em Aramaico. E aí?

Em grego existem palavras definidas para irmão (ADELPHOS) e primo (ANEPSIOS). Paulo conhecia muito bem o grego pois chegou a discursar com muita eloquência num aerópago grego. Certamente, os autores sagrados conheciam muito bem as palavras ADELPHOS e ANEPSIOS. Inclusive, Paulo chegou a usar o termo ANEPSIOS (primo) em Cl 4,10:

"Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, o PRIMO de Barnabé"

E ainda: "Saudai a Herodião, meu PARENTE" (Rm 16,11)

O mesmo se pode dizer do livro de Tobias, escrito em grego: "Como este jovem é parecido com meu PRIMO" (Tb 7,2)

Portanto, se os "irmão do Senhor" fossem primos de Jesus, ao escrever o NT em grego, os autores sagrados usariam a palavra ANEPSIOS (primo), e não ADELPHOS (irmão). Porém, o NT sempre se refere aos "irmãos do Senhor" usando o termo ADELPHOS (irmão) e nunca ANEPSIOS (primo).

O que dizer?

Ocorre que os escritores sagrados quiseram preservar o sabor semítico da palavra aramaica "ah" ("irmão" para qualquer grau de parentesco próximo) ao fazer a tradução para o grego. A expressão semita "irmãos do Senhor" já era muito usual entre os cristãos (como demonstra as várias inserções no NT) e os apóstolos quiseram preservá-la, pois "ah" é diretamente traduzido para o grego por "ADELPHOS". Um contexto, portanto, bem diferente das passagens de Paulo e Tobias acima citadas, pois nestes casos Paulo e Tobias não estavam traduzindo um termo hebraico para o grego. Esta preservação do aramaico ou do sabor semita na tradução para o grego ocorre também em outras passagens do NT. Vejamos algumas:

- Pedro, em algumas passagens é chamado pelo nome CEFAS (pedra em aramaico), preservando assim o sabor semita com que os discípulos se acostumaram a chamar Pedro.

- Lc 14,26: "Se alguém vem a mim e não ODEIA seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs, sim, até a própria vida, não pode ser meu discípulos"

Teria Jesus pregado o odio? Óbvio que não! Ocorre que o aramaico não tem estruturas de comparação, tipo "amar mais" ou "amar menos". Jesus, portanto, usou o vocábulo aramaico que traz a idéia de "amar menos" (ou seja, o mesmo que é traduzido por "odiar"), e que foi traduzido para o grego mantendo o sabor semita. Lucas podia usar a estrutura grega correspondente a "amar menos", mas tal como no caso dos "irmãos do Senhor", optou por manter o sabor semita do ensinamento, embora houvesse no grego termos mais apropriados.

- São Paulo cita Ml 1,2-3: "Eu amei Jacó e ODIEI Esaú" (Rm 9,13).

Obviamente, a tradução correta seria: "Eu amei mais a Jacó do que a Esaú". Porém, Paulo mantêm o semitismo, embora o grego em que escreveu lhe proporcionasse termos mais adequados.

- Em várias passagens, São Paulo frequentemente faz uso do termo grego "dikaiosyne" não na forma estrita utilizada pelo sentido grego, mas na forma ampla do sentido hebraico de "sedaqah".

- Lucas utiliza com frequencia o aditivo "kai" ("e", em português), que reflete o aditivo hebraico "wau". Ex: Lc 5,1 "... E ele se encontrava de pé ...". A palavra "e" poderia existir no hebraico, mas não no grego, nem mesmo no aramaico. Lucas nos diz que tomou grande cuidado, conversou com testemunhas oculares e checou relatos escritos sobre Jesus. Estes relatos escritos poderiam estar em grego, hebraico ou aramaico. Estas estranhas estruturas usada por Lucas em alguns pontos parece demonstrar que ele usou, em certos momentos, documentos hebraicos e os traduziu com extremo cuidado, tão extremo a ponto de manter a estrutura hebraica no texto grego. Lucas sabia como escrever em grego culto, como demonstra certas passagens. Mas por que escreveu assim? Certamente por causa de seu extremo cuidado, para ser fiel aos textos originais que usava.

Há muitos outros lugares no NT onde devemos considerar o fundamento hebraico para obter o sentido correto do grego. Demos apenas alguns exemplos que são suficientes para mostrar como os escritores do NT escreveram em grego mantendo o sabor semita das expressões, embora o grego tivesse estruturas e vocábulos mais apropriados, tais como "primos" em lugar de "irmãos".

Em acréscimo, podemos observar que quando o AT foi traduzido para o grego (versão dos Setenta), alguns séculos antes de Cristo, o termo aramaico "ah" sempre foi traduzido para o grego ADELPHOS (irmão), mesmo quando era evidente que não se tratava de filhos da mesma mãe, mas sim de parentes próximos. Por exemplo, conforme visto acima, em Gn 13,8 "ah" deveria ser traduzido para o grego correspondente a "parentes" (tio e sobrinho), mas preservou-se o sabor semita "irmãos". Portanto, não se deve admirar o fato do hagiógrafo do NT manter o sabor semita do vocábulo "ah" referente aos parentes, pois este também foi o critério usado na tradução do AT, alguns séculos antes de Cristo nascer. O linguajar grego da Versão dos Setenta, que conservava seu fundo semita, influiu profundamente na linguagem dos escritores do NT, familiarizados que estavam com a tradução dos Setenta. E quando se traduz a Bíblia para as línguas modernas, português, inglês, etc., o termo correspondente a "irmão" também é mantido mesmo nos casos onde é evidente que não se tratam de filhos dos mesmos pais, mas sim de parentes.

9. Mas o Profético Salmo 68 Afirma: "os filhos de sua mãe"!

O Salmo 68 é um salmo profético, pois o versículo 10 é aplicado à Jesus pelos discípulos em Jo 2,17: "O zelo pela tua casa me consumiu". Dessa forma, se o versículo 10 foi aplicado a Jesus, muitos sugerem que o versículo 9 também deve ser aplicado, pois está adjacente ao versículo 10. Vejamos o que diz o versículo 9:

"Tornei-me um estranho para meus irmãos, um desconhecido para os filhos de minha mãe."

Observe: "para os filhos de minha mãe"! Daí muitos concluem que Maria teve outros filhos além de Jesus.

O que dizer?

Ocorre, porém, que dado um contexto que contenha um versículo profético, se é verdade que todos os versículos deste contexto sejam todos igualmente proféticos, então o versículo 6 deste Salmo também deveria ser profético e aplicado a Jesus, pois pertence ao mesmo contexto dos versículos 9 e 10. Mas o que diz o versículo 6 ?

"Vós conheceis, ó Deus, a minha insipiência, e minhas faltas não vos são ocultas." (Sl 68,6)

No salmo 68, o sujeito dos versículos 9 e 10 é o mesmo sujeito do versículo 6. Se o versículo 9 deve ser aplicado a Jesus porque o versículo 10 foi, então o versículo 6 também teria que ser, pois pertencem ao mesmo contexto. Mas o versículo 6 é a confissão de um sujeito insipiente e pecador. Porém, o NT nos garante que Jesus jamais cometeu um pecado (Jo 8,46; Hb 4,15; 1Pd 2,22; Is 53,9; 1Jo 3,5). Logo, concluímos que se um versículo do At for aplicável a Jesus (ou a alguém ou a algum fato do NT) não significa que todo os versículos adjacentes a ele (ou todo o contexto onde ele está inserido), também sejam obrigatoriamente proféticos e igualmente aplicáveis. No caso citado, o versículo 10 é aplicado a Jesus, mas os versículos 6 e 9, não.

Em acréscimo, observe o versículo 22 deste mesmo salmo. Ele também é profético e aplicado a Jesus (Mt 27,34; Jo 19,29). Igualmente os versículos 23, 24 e 26 são todos proféticos. Porém, enquanto o 23 e 24 são aplicado a Israel (Rm 11,9s), o versículo 26 é aplicado a Judas (At 1,20). Isto também comprova que os versículos são aplicados a sujeitos distintos sem qualquer vínculo com o contexto onde se encontra. E ainda, neste mesmo contexto, observe como os versículos 25, 28 e 29 destoam profundamente de Lc 23,34. Novamente observamos que não é porque alguns versículos são proféticos e aplicáveis ao NT que todos os versículos adjacentes o devem ser. Portanto, o versículo do Sl 68,9 não garante que Maria tenha tido outros filhos.

Parte III: Ainda Respondendo às Objeções Protestantes

10. A Bíblia diz: "Até que..." (Mt 1,25)

"José não conheceu Maria (= não teve relações com Maria) ATÉ QUE ela desse à luz um filho (Jesus)".

Significa isto que, depois de ter dado à luz a Jesus, Maria teve relações conjugais com José?

Não necessariamente. A expressão "até que" corresponde ao grego "heos hou" e ao hebraico "ad ki". Esta partícula designa apenas o que se deu (ou não se deu) no passado, sem indicação do que havia de acontecer no futuro. Ou seja, a passagem quer afirmar que Jesus nasceu sem que José e Maria tivessem relações. O termo grego "heos hou" ("até que") nada insinua se depois que Jesus nasceu houve ou não relação entre Maria e José, mas simplesmente relata algo que ocorreu no passado, no caso, Mateus quis relatar o fato extraordinário de que Jesus nasceu estando sua mãe virgem. Vejamos diversos casos semelhantes:

2Sm 6,23: "Micol, filha de Saul, não teve filhos ATÉ a morte." Não significa que, após morrer, tenha tido filhos.

Sl 109,1: Deus Pai convida o Messias a sentar-se à sua direita ATÉ QUE Ele faça dos seus inimigos o escabêlo dos seus pés. Isto não significa que, após vencidos os inimigos, o Messias deixará de se assentar à direita do Pai.

Gn 28,15: "Diz o Senhor a Jacó: Não te abandonarei ATÉ QUE eu tenha realizado o que te prometi." Certamente Deus não abandonou Jacó depois de cumprir as suas promessas.

Dt 34,6: Moisés foi enterrado "e ATÉ hoje ninguém sabe onde se encontra sua sepultura". Isto era verdade no dia em que o autor do Deuteronômio relatou o fato; e continua sendo verdade ainda hoje.

1Tm 4,13: O Apóstolo pede para que Timóteo se devote à leitura, exortação e ensinamento "ATÉ eu (Paulo) chegar". Isso não quer dizer que Timóteo deveria parar de fazer tais coisas após a chegada de Paulo.

Mt 13,33: "O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que [heos hou] tudo esteja levedado." Isso não quer dizer que depois que levedou ja não havia mais 3 medidas de farinha.

Mt 26,36: "Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto [heos hou] vou além orar." Observe que Jesus ordena para que os discípulos esperem sentados. Isto não significa que, ao retornar da oração, eles deveriam novamente se levantar. Não! Quando Jesus voltasse, eles poderiam permanecer sentados conversando, ou irem durmir ou se levantarem. Observe como o HEOS HOU nada nos informa sobre o estado futuro.

Lc 24,49: "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que [heos hou] do alto sejais revestidos de poder." Quer dizer que, após Pentecostes, todos os apóstolos saíram de Jerusalém? De modo algum. Observe como HEOS HOU refere-se apenas ao passado, sem nada indicar sobre o futuro. A ordem de Jesus era para que antes de Pentecostes não saíssem de Jerusalém de modo algum. Depois, pouco lhe importa se permaneceriam ou se sairiam dali.

Alguns protestantes, porém, ainda contra-argumentam afirmando que no período entre 100 AC e 100 DC (época em que o NT foi escrito), a partícula "até que" (HEOS HOU, em grego) não era usada sem fazer referências ao futuro. Este argumento também é falso. Podemos citar, por exemplo, um escrito da época citada que diz:

"E Aseneth foi deixada com as sete virgens, e continuou a ser oprimida e a chorar ATÉ (HEOS HOU) o sol se pôr. E não comeu pão nem bebeu água. E a noite veio, e todos da casa dormiram, e somente ela estava acordada, continuando a se desesperar e a chorar."

Fonte: História "Joseph e Aneseth" de C. Burchard, que pode ser encontrada em Old Testament Pseudepigrapha. Vol. 2, Expansions of the Old Testament and Legends, Wisdom and Philosophical Literature, Prayers, Psalms, and Odes, Fragments of Lost Judeo-Hellenistic Works, ed. James H.Charlesworth, p. 215. New York: Doubleday, 1985.

Notamos pelo contexto que Aneseth chorou até o pôr do sol, mas que ela continuou a chorar pela noite. Eis um caso clássico, da época de Cristo, onde "heos hou" não implica em mudança de ação futura, pois o próprio contexto não dá margem a qualquer outra possibilidade. Portanto, ou "heos hou" termina o ato, ou o continua. Neste exemplo ele certamente não terminou o ato, senão é fato que Aneseth deveria ter parado de chorar, e não continuado, depois que o sol se pôs.

Todos esses exemplos são casos em que se faz referência ao passado, sem referências do futuro. Essa locução era frequente entre os semitas e foi usada em Mt 1,25. A tradução mais clara deste versículo seria "Sem que José tivesse tido relações com Maria, ela deu à luz um filho".

11. Se Jesus era o Primogênito, então foi o Primeiro de outros Filhos

Lc 2,7: "Maria deu à luz o seu filho primogênito"

Literalmente, "primogênito" é o primeiro filho, independente de haver ou não um segundo filho. Em hebrico "bekor" (primogênito) podia designar simplesmente "o bem-amado", pois o primogênito é certamente aquele dos filhos no qual durante certo tempo se concentra todo o amor dos pais. Além disto, os hebreus julgavam o primogênito como alvo de especial amor de Deus, pois devia ser consagrado ao Senhor (Lc 2,22; Ex 13,2; 34,19).

A palavra "primogênito" podia mesmo ser sinônima de "unigênito" (único filho), pois um e outro vocábulos na mentalidade semita designam "o bem-amado". Veja, por exemplo, Zc 12,10:

"Quanto àquele que transpassaram, irão chorá-lo como se chora um filho unigênito; irão chorá-lo amargamente como se chora um primogênito"

Da mesma forma, Maquir que é o único filho de Manassés é chamado de "primogênito" em Jos 17,1. A descendência de Manassés é descrita em Nm 26,29-34.

Observe como "primogênito" refere-se apenas a condição do primeiro filho, sem nada afirmar sobre outros filhos:

Ex 13,2: "Consagra-me todo primogênito, todo o que abre o útero materno entre os filhos de Israel. Homem ou animal será meu."

Ex 34,19: "Todo o que sair por primeiro do seio materno será meu: Todo macho, todo primogênito das tuas ovelhas e do teu gado."

Lc 2,23: "Todo macho que abre o útero será consagrado ao Senhor"

Numa inscrição sepulcral judaica datada de 5 AC e descoberta em Tell-el-Yedouhieh (Egito), em 1922, lê-se que uma jovem chamada Arsinoé MORREU "nas dores do parto do seu filho primogênito". Ora, se ela morreu, então não teve outros filhos além do filho dito "primogênito". E mais ainda: no apócrifo "Antiguidades Bíblicas", a filha de Jefté (Jz 11,29-39) ora é dita primogênita (primeira filha), ora é dita unigênita (única filha). Portanto, embora fosse a única filha, também era chamada de primogênita.

E para confirmar definitivamente que o primogênito não necessariamente têm outros irmãos, São Jerônimo apresenta Lc 2,22-24 que diz:

"Concluídos os dias da sua purificação, de acordo com a lei de Moisés, eles o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor [como está prescrito na lei do Senhor, todo macho que abre o útero deve ser consagrado ao Senhor] e para oferecer em sacrifício de acordo com o que é prescrito na lei do Senhor, um par de rolinhas ou duas pombas novas"

Como não havia tempo suficiente, até o dia da sua purificação, para Maria conceber novamente, é certo que Jesus foi consagrado ao Senhor (lei da primogenitura) antes de ter qualquer irmão. Ora, se o primogênito fosse restrito àqueles que possuem irmãos, ninguém estaria sujeito a lei da primogenitura, enquanto não nascesse seu irmão. Mas visto que, o primeiro filho (que ainda não tem irmãos mais novos), poucos dias depois de nascer já é sujeito à lei da primogênitura, deduzimos que é chamado primogênito aquele que abre o útero da mãe e que não foi precedido por ninguém, e não aquele cujo nascimento foi seguido por outro de irmão mais novo.

Vimos, portanto, que o primeiro filho homem será consagrado a Deus. Este é o primogênito. Mesmo que não seja o primeiro filho, mas se for o primeiro filho homem, ele é o primogênito. E, se for o único filho, ele também é o primogênito porque foi o primeiro e único. Enfim, o termo "primogênito" possui o mesmo modo de falar de Mt 1,25: "primogênito" vem a ser apenas o filho antes do qual não houve outro, não necessariamente aquele após o qual houve outros.

12. Se Maria fez voto de virgindade, como pode ter desposado José?

Santo Agostinho explica:

"O que tornou a virgindade de Maria tão santa e agradável a Deus não foi porque a concepção de Cristo a preservou, impedindo que sua virgindade fosse violada por um esposo, mas porque antes mesmo de conceber ela já a tinha dedicado a Deus e merecido, assim, ser escolhida, para trazer Cristo ao mundo.

É o que indicam as palavras de Maria em resposta ao anjo que lhe anunciava a maternidade: "Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?" (Lc 1,34). Por certo, ela não teria falado assim, se não houvesse consagrado anteriormente sua virgindade a Deus. Mas como esse voto ainda não tinha entrado nos costumes dos judeus, ela fora dada em casamento a um varão justo o qual, longe de lhe tirar o que ela já havia consagrado a Deus, seria ao contrário o seu fiel guardião. Ainda que ela apenas tivesse dito: "Como é que vai ser isso", sem acrescentar: "se eu não conheço homem algum", não ignorava que, como mulher, não precisaria perguntar como daria à luz esse filho prometido, no caso de estar casada para ter filhos.

Poderia também ter recebido uma ordem do céu de permanecer virgem, a fim de que o Filho de Deus tomasse nela a forma de escravo por algum grande milagre. Mas por estar destinada a servir de modelo às futuras virgens consagradas, era preciso não deixar parecer que unicamente ela deveria ser virgem, ela que merecera conceber fora do leito nupcial.

Assim, consagrou sua virgindade a Deus, enquanto ainda ignorava de quem havia sido chamada a ser mãe. Desse modo, ela ensinava, às outras, a possibilidade de imitação da vida do céu, em um corpo terrestre e mortal, em virtude de um voto e não de um preceito, e realizando-o por opção toda de amor, não por necessidade de obedecer. Cristo, assim, nascendo de uma virgem que, antes mesmo de saber de quem seria mãe, já tinha resolvido permanecer virgem, esse Cristo preferiu aprovar a santa virgindade a impô-la. Dessa maneira, mesmo na mulher da qual haveria de receber a forma de servo, ele quis que a virgindade fosse o efeito da vontade livre." (A Santa Virgindade - Santo Agostinho)

Vejamos, agora, o que nos diz o Papa João Paulo II:

"No momento da anunciação, Maria encontra-se então na situação de noiva. Podemos perguntar-nos porque ela tinha aceito o noivado, dado que havia feito o propósito de permanecer virgem para sempre. (...) Pode-se supor que entre José e Maria, no momento do noivado, houvesse um entendimento sobre o projeto de vida virginal.

De resto, o Espírito Santo, que tinha inspirado Maria à escolha da virgindade em vista do mistério da Encarnação, e queria que esta acontecesse num contexto familiar idôneo ao crescimento do Menino, pôde suscitar também em José o ideal da virgindade." (João Paulo II - Catequese - 17 a 24/08/1996)

Em acréscimo, lembro também que na cultura judaica uma mulher sem marido não era bem vista (veja, por exemplo, 1Cor 7,36). Desposando de José, homem justo, Maria não passaria por tal constrangimento e ainda cumpriria o voto de virgindade. Uma segunda observação, é que quando o Papa fala no ideal de virgindade de José, este ideal pode ter sido suscitado após sua viuvez, uma vez que existem relatos de que José teria tido filhos em seu primeiro casamento. 
PINTO, Cláudio. Apostolado Veritatis Splendor: OS "IRMÃOS" DE JESUS: MARIA TEVE OUTROS FILHOS?. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4852. Desde 07/03/2008.

Mariologia, o estudo da devoção a Nossa Senhora

Mariologia, o estudo da devoção a Nossa Senhora

Como o nome sugere, Mariologia, significa o estudo da Devoção a Nossa Senhora, essa parte do site é especialmente dedicada àquela que esmagou toda a heresia com um simples "sim". A presente seção objetiva expor a devoção a Nossa Senhora, o Santo Terço, Ladainhas, Novenas, e as referências a Nossa Senhora como Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhor de Aparecida, etc...
Seu ventre é o verdadeiro Santo dos Santos do Templo de Jerusalém, pois, durante nove meses, desenvolvia-se o Menino-Deus, o verbo encarnado.
Mas, pode-se perguntar porque, Deus quis exaltar tanto Nossa Senhora? Pois, se a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, corpo místico de Jesus Cristo, seu fundador e sua cabeça, incentiva a sua devoção, obviamente ela o faz movida pelo Espírito da Verdade que Cristo, Nosso Senhor prometeu aos apóstolos e que o mundo não pode receber (Jo 14, 16-17).
Para responder a essa e outras questões, leia a os textos que se seguem.
Que Nossa Senhora, Co-redentora e sede de todas as graças de Nosso Senhor Jesus Cristo, rogai por nós!
São Luís Maria Grignion de Montfort, rogai por nós!
"Inimicitias ponam inter te et mulierem, et semen tuun et semen illius; ipsa conteret caput tuun et tu insidiaberis calcaneo eius" (Gn 3,15 - Transcrito do Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem)

24 de mar. de 2010

COMUNHÃO NA BOCA, DE JOELHOS E DAS MÃOS DO SACERDOTE.


COMUNHÃO NA BOCA, DE JOELHOS
 E DAS MÃOS DO SACERDOTE.

CATECISMO ROMANO

"Devemos, pois, ensinar que só aos sacerdotes foi dado poder de consagrar a Sagrada Eucaristia, e de distribuí-la aos fiéis cristãos. Sempre foi praxe da Igreja que o povo fiel recebesse o Sacramento pelas mãos dos sacerdotes, e os sacerdotes comungassem por si próprios, ao celebrarem os Sagrados Mistérios. Assim o definiu o Santo Concílio de Trento; e determinou que esse costume devia ser religiosamente conservado, por causa de sua origem apostólica, e porque também Cristo Nosso Senhor nos deu o exemplo, quando consagrou Seu Corpo Santíssimo, e por Suas próprias mãos O distribuiu aos Apóstolos.

De mais a mais, com o intuito de salvaguardar, sob todos os aspectos, a dignidade de tão augusto Sacramento, não se deu unicamente aos sacerdotes o poder de administrá-lo: como também se proibiu, por uma lei da Igreja, que, salvo grave necessidade ninguém sem Ordens Sacras ousasse tomar nas mãos ou tocar vasos sagrados, panos de linho, e outros objetos necessários à confecção da Eucaristia.

Destas determinações podem todos, os próprios sacerdotes e os demais fiéis, inferir quão virtuosos e tementes a Deus devem ser aqueles que se dispõem a consagrar, a ministrar, ou a receber a Sagrada Eucaristia".


CATECISMO MAIOR DE SÃO PIO X

"No ato de receber a sagrada Comunhão, devemos estar de joelhos, com a cabeça medianamente levantada, com os olhos modestos e voltados para a sagrada Hóstia, com a boca suficientemente aberta e com a língua um pouco estendida sobre o lábio inferior. Senhoras e meninas devem estar com a cabeça coberta".
 
MISSAL ROMANO (Forma Extraordinária)

O Missal Romano determina que a partir do momento da consagração, o sacerdote deve manter juntos os dedos indicador e polegar, de tal forma que, ao elevar o cálice, ao virar as páginas do missal ou ao abrir o sacrário, aqueles dedos toquem somente a Hóstia consagrada. No final da missa, o sacerdote passa com a patena sobre o corporal e limpa-o para dentro do cálice, para que possa ser recolhida e consumida com reverência a menor Partícula que possa ter aí ficado. Após a comunhão, as mãos do sacerdote são lavadas sobre o cálice com água e vinho – consumidos reverentemente, impedindo que alguma Partícula seja profanada.
SANTO TOMÁS DE AQUINO

"Pertence ao sacerdote distribuir o Corpo de Cristo por três motivos.

Primeiro, porque é ele que consagra na pessoa de Cristo. Assim como Cristo consagrou o seu corpo na Ceia, assim também distribuiu-o aos discípulos. Por isso, assim como pertence ao sacerdote consagrar o Corpo de Cristo, assim também o de distribuí-lo.

Segundo, porque o sacerdote se constitui intermediário entre Deus e o povo. Portanto, como lhe pertence apresentar a Deus as oferendas do povo, assim também lhe pertence distribuir ao povo os dons divinamente santificados.

Terceiro, porque por respeito à Eucaristia, nada a deve tocar que não esteja consagrado. Por isso, consagram-se os corporais, os cálices, igualmente as mãos do sacerdote para tocarem este sacramento. Não é lícito, pois, a ninguém mais tocá-lo, a não ser em caso de necessidade, por exemplo se cair no chão ou em outro caso semelhante"

(Suma Teológica, III, q.82, a.III).

"Depois da consagração, o celebrante une os dedos, isto é o polegar com o indicador, que tocaram o Corpo consagrado de Cristo, para que, se alguma partícula aderira a eles, não desprenda. Manifesta o respeito devido ao sacramento" (Suma Teológica, III, q.83, a.VI, ad5).
SÃO FRANCISCO DE SALES

"Começa já na véspera do dia da comunhão a te preparar com repetidas aspirações do amor divino e deita-te mais cedo que de costume, para te levantares também mais cedo. Se acordas durante a noite, santifica esses momentos por algumas palavras devotas ou por um sentimento que impregne tua alma de felicidade de receber o divino esposo; enquanto dormes, ele está velando sobre o teu coração e preparando as graças que te quer dar em abundância, se te achar devidamente preparada. Levanta-te de manhã com este fervor e alegria que uma tal esperança te deve inspirar, e depois da confissão aproxima-te com uma grande confiança e profunda humildade da mesa sagrada, para receber este alimento celeste, que te comunicará a imortalidade. Depois de pronunciares as palavras: "Senhor, eu não sou digno ...", já não deves mover a cabeça ou os lábios para rezar ou suspirar; mas, abrindo um pouco a boca e elevando a cabeça de modo que o padre possa ver o que faz, estende um pouco a língua e recebe com fé, esperança e caridade aquele que é de tudo isso ao mesmo tempo o princípio, o objeto, o motivo e o fim".

23 de mar. de 2010

Infanticidio Indigena no Brasil.

* Você sabia que em várias tribos indígenas no Brasil, crianças recém-nascidas são enterradas vivas, estranguladas, ou simplesmente deixadas na mata para morrer?
* Você sabia que a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) está de acôrdo com essa prática nefanda, em nome do respeito à “cultura indígena”?
* Você sabia que o CIMI (Conselho Indigenista Missionário da Igreja Católica) concorda com a atitude da FUNAI e se recusa a ajudar os índios a abandonar tais práticas?
As denúncias são muitas, os fatos são facilmente verificáveis, a verdade está aí diante de todos. Só os que se cegaram voluntáriamente não a podem – ou querem – ver. Muitos dos próprios índios já se opõem ao morticínio. Entretanto, A FUNAI e o CIMI ignoram suas vozes e são contra um projeto de lei que visa acabar com o infanticídio.
Uma vez que o próprio governo, a quem a FUNAI serve, quer legalizar o aborto no Brasil, compreende-se que a FUNAI seja a favor do infanticídio em nome do “respeito à cultura indígena”, pois o aborto é simplesmente infanticídio pré-natal. 

22 de mar. de 2010

Pe. Pio e a volta do seu inimigo

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Padre Pio foi bastante amado, mas sabia bem que havia os inimigos terríveis que o odiavam à morte. Não eram os homens, que podem ter se enganado por informações recebidas, por preconceitos, por incompreensões. Os verdadeiros inimigos eram os demônios; inimigos do padre e inimigos de qualquer um de nós.
Creio que na vida de Padre Pio se pode deparar, de modo bastante evidente, a uma realidade na qual muitos não crêem, porque esses espíritos agem acultamente. É uma realidade terrível que São Paulo exprime assim: “Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos que lutar, mas contra os principados e potestades, contra os principes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares” (Ef 6,11-12). A indicação que São Paulo fala dos demônios é muito precisa, porque os chama com o nome de sua ordem de classificação. Creio que esta tenha sido uma das missões de Padre Pio: uma luta evidente, para ele visível, contra o verdadeiro e oculto inimigo; o terrível inimigo de todos.
Muitas vezes, principalmente nas transmissões televisivas, me perguntam se vi o diabo e como poderia descrevê-lo. O diabo, como todo o mundo angélico ao qual faz parte, é um espírito; não possui um corpo, não é visível e não é descritível. Se é visto de modo sensível, deve se servir de uma forma fictícia, que assume de acordo com o que vai provocar.
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É como os anjos. Quando o arcanjo Rafael se ofereceu de acompanhar o filho de Tobit, tinha a aparência de um jovem com trajes de viagem; Santa Francesca Romana via seu anjo da guarda na forma de um menino belíssimo, e é por isso que vem representada perto de um jovem; outras aparições angelicais assumiram a imagem de um ser luminoso. Adotam aparências diferentes para percebermos sua presença, mas não de acordo com a sua realidade, a realidade de um ser espiritual.
O demônio também segue esse critério. Para fazer notar sua presença, recorre a um aspecto que corresponde ao que vai provocar: medo, sedução, engano.
Notamos que Padre Pio, no final da primeira infância, havia tido visões celestiais, tanto que acreditava ser um fato comum a todos. Mas viu também os demônios, quase sempre com aspectos horríveis, que o amedrontavam profundamente. E por toda a sua vida continuou a ver esses seus inimigos cruéis, em aspectos diversos, quase sempre na sua pessoa maligna, ainda que a veste não fosse aquela real de sua natureza de puro espírito.
Em algumas vezes o padre havia visto os demônios como seres horríveis, que o atormentavam, o batiam com ruidos de corrente, deixando-o marcado e sangrando. Outras vezes apareciam como horríveis animais, rosnando e aterrorizando. É muito significativa a descrição dos assaltos demoníacos, que ele fez de onde os superiores o haviam mandado em 1911, para que completasse os estudos e aprendesse as eloquências sacras.
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Foi uma das tantas visitas breves e sofridas, que terminaram com o retorno à sua região de Pietrelcina. Foi em Venafro que pela primeira vez se manifestou claramente o mundo interior de Padre Pio, seja pelos assaltos dos demônios, seja pelo êxtase que sempre o seguiram, quando o padre falava livremente ao Senhor ou à Mãe, sem se dar conta se qualquer irmão estava presente e escutava.
O demônio aparecia algumas vezes em forma de um gato negro e selvagem, ou de animais repugnantes: era clara a intenção de incutir o terror. Outras vezes aparecia na forma de jovens moças nuas e provocativas, que dançavam de modo obsceno; era clara a intenção de tentar o jovem sacerdote na sua castidade.
Mas o maior perigo era quando o demônio tentava enganar Padre Pio aparecendo de forma sacra (o Senhor, a Virgem, São Francisco…), sobretudo na forma de pessoas as quais era submisso (o superior da casa, o superior provincial, seu diretor espiritual…).
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Para este último caso Padre Pio havia preparado um método de discernimento que depois segueriu a alguns de seus filhos espirituais e que encontramos já em Santa Teresa d’Ávila, mesmo que Padre Pio não tenha lido os escritos da santa carmelita. O que fazer para distinguir?
Quando aparecia verdadeiramente o Senhor, a Virgem, o anjo de guarda, o padre havia notado que uma rápida sensação de temor, de espanto; mas depois, terminada a aparição sentia grande paz.
Quando, ao contrário, era o maligno que se apresentava em uma aparência sacra, o padre sentia uma alegria imediata, atrativa; mas depois ele tinha a impressão amarga, uma grande sensação de tristeza.
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E as almas próximas, o que via Padre Pio? Talvez visse claramente o despojo de Satanás. Em todo caso, Padre Pio o disse à pessoa interessada e somente a ela. Penso que normalmente não visse o demônio, mas o combatia com força; sabia muito bem a sua ação principal, aquela a qual todos nos sujeitamos, da tentação. Ainda, durante as confissões, fazia gestos com as mãos como que para afastar qualquer coisa. Rezava ao Senhor para libertar o penitente das tentações ou dos hábitos cativos; Santo Afonso, que é mestre nesta matéria, sugeria que os confessores, em certos casos, fizessem mentalmente um pequeno exorcismo, antes de proceder a confissão.
Creio que se possa dizer com certeza que a maior luta de Padre pio com o demônio acontecia para salvar as almas, seja na confissão, seja quando rezava por todos os seus filhos.
Recordo que na luta contra a ação extraordinária do demônio, Padre Pio tinha um particular poder e um particular discernimento, como vemos em tantos santos e santas, por serem exorcistas e não como faziam o exorcismo. Muitas vezes encontrou pessoas possessas pelo demônio e o comportamento do padre variava de caso em caso.


Direi que havia um particular discernimento de saber se a pessoa estava pronta ou não para a libertação. Uma vez um sacerdote acompanhou um jovem, carregado por dois robustos amigos, que no momento da comunhão gritou e contorceu-se com força; os olhos de Padre Pio somente tremeram, o padre olhou sisicamente para ele e disse somente uma palavra: “Vá-te”. Naquele momento o jovem foi libertado.
Mas as libertaçõies imediatas são raras. Lembro de uma moça que vinha companhada no momento da Comunhão porque era muito pertubada pelo Maligno: batia os dentes, virava e revirava a cabeça; Padre Pio estava com uma partícula na mão e se recusava a lhe dar a Comunhão.
Uma outra vez, o padre Faustino Negrini foi acompanhado de uma moça, Agnese Salomoni, saída de uma possessão tremenda, “porque era a melhor moça da paróquia”, e haviam feito um malefício contra ela. Agora aquele sacerdote, pároco de Torlone Casaglio (Brescia) não sabia que terminaria sua longa vida como exorcista diocesano. Padre Pio deu uma simples benção, que parecia sem fruto. Depois encarregou o páraco de terminar a libertação, que, precisou de três anos de orações” creio que Padre Pio havia entendido que não era a hora de libertá-la.
Outras vezes, o Padre aconselhou exorcistas, em quase todos os casos, recomendando-os. Foi assim com Pe. Cipriano, de S. Severo e com Pe. Cândido, de Roma; encorajou e acompanhou o confrade Pe. Tarcíssio de San Giovanni Rotondo, que escreveu um pequeno livro sobre este lado da vida de Padre Pio.
Padre Pio sempre obedeceu as autoridades eclesiásticas, também a custo de um heróico sofrimento, sempre com estima e amor. A luta de toda a sua vida foi ininterruptamente conduzida contra o inimigo de Deus e das almas, o demônio.
Ele os viu em multiplas formas e levou muitas pancadas, que penso terem sido permitidas para recordar o mundo incrédulo de hoje sobre essa presença. Os fatos externos, visíveis e dolorosos de Padre Pio dão uma pequena idéia dos acontecimentos ocultados, da gravidade do pecado, contra tudo aquilo o que devemos lutar.
(Padre Pio - Breve história de um santo, do Pe. Gabriele Amorth)
Fonte: www.odesertoefertil.com.br/

Leão XIII e a visão do diabo

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Muitos de nós recordamos que, antes da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, os celebrantes e os fiéis, no fim de cada Missa, ajoelhavam-se para rezar uma oração a Nossa Senhora e outra a S. Miguel Arcanjo. Reportamo-nos ao texto desta última porque é uma oração bonita que pode ser rezada por toda a gente para seu próprio benefício:
“São Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate, sede nosso auxílio contra a malícia e ciladas do demônio. Exerça Deus sobre ele império, como instantemente vos pedimos, e Vós, Príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no Inferno Satanás e os outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perder as almas.”
Como é que nasceu esta oração? Transcrevo um artigo que foi publicado na revista Ephemerides Liturgicae escrito pelo Pe. Domenico Pechenino em 1955 (pp. 58-59).
Não me lembro exatamente do ano. Uma manhã, o grande Pontíficie Leão XIII tinha celebrado a St.ª Missa e estava a assistir a uma outra de ação de graças, como de costume. De repente, viu-se ele virar energicamente a cabeça, depois de fixar qualquer coisa intensamente, sobre a cabeça do celebrante. Mantinha-se imóvel, sem pestanejar, mas com uma expressão de terror e de admiração, tendo o seu rosto mudado de cor. Adivinhava-se nele qualquer coisa de estranho, de grande.
Finalmente voltando a si, bate ligeira, mas energicamente, com a mão, levanta-se. Dirigi-se ao seu escritório particular. Os mais próximos seguem-no com preocupações e ansiedade. E perguntam-lhe em voz baixa: Santo Padre, não se sente bem? Precisa de alguma coisa? Responde: “Nada, nada.
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Daí uma meia hora manda chamar o Secretário da Congregação dos Ritos e, estendendo-lhe uma folha de papel, manda-a imprimir e envia-a a todos os Ordinários do mundo. Que assunto continha? O povo rezava no final da missa a oração de súplica a Nossa Senhora, Maria Santíssima, para que Satanás fosse ao inferno e não viesse nos atormentar.
Naquele escrito ordenava-se igualmente que as orações fossem rezadas de joelhos. Também foi publicado no jornal La Settimana del Clero, em 30 de Março de 1947, não sendo citada a fonte que deu origem a notícia. Será contudo notada a maneira insólita como esta oração, enviada aos ordinários em 1886, foi mandada rezar. Para confirmar aquilo que o Pe. Pechenino escreveu, dispomos do testemunho irrefutável do cardeal Natalli Rocca, que na sua carta pastoral para a Quaresma, emanada de Bolonha em 1946, diz: ” Foi mesmo Leão XIII quem redigiu esta oração.
A frase Satanás e os outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perder as almas tem uma explicação histórica que o seu secretário particular, Mons. Rinaldo Angeli, nos contou várias vezes; Leão XIII teve verdadeiramente a visão de espíritos infernais que se adensavam sobra a cidade eterna (Roma) e foi desta experiência que nasceu a oração que ele quis que toda a Igreja rezasse. Esta oração, rezava-a ele com voz viva e brilhante: ouvimo-la muitas vezes na Basílica do Vaticano. Mas isto não é tudo: ele escreveu também por suas próprias mãos um exorcismo especial que figura no Ritual Romano (ed. 1954, tit. XII, c.III, pp. 863 e ss.). Recomendava aos bispos e aos sacerdotes que rezassem muitas vezes estes exorcismos nas suas dioceses e paróquias. Ele próprio o fazia muitas vezes durante o dia.”
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Também é interessante ter em conta um outro acontecimento que reforça ainda mais o valor desta oração rezada no fim de cada Missa. Pio XI quis que, ao serem rezadas estas orações, se pusesse uma intenção particular pela Rússia (alocução de 30 de Junho de 1930). Nesta alocução, depois de ter lembrado as orações pela Rússia, que ele próprio tinha pedido a todos os fiéis aquando da festa do Patriarca S. José (19 de Março de 1930), e depois de ter lembrado a perseguição religiosa na Rússia, conclui com estas palavras:
“E para que todos sem fadiga e sem obstáculos continuar esta santa cruzada, decidimos que as orações que o nosso bem-amado predecessor Leão XIII ordenou aos sacerdotes e aos fiéis que rezassem depois da Missa sejam ditas por esta intenção particular, isto é, pela Rússia. Que os bispos e o clero secular e regular tomem ao seu cuidado informar os fiéis e aqueles que assistem ao Santo Sacrifício, e que não se esqueçam de lhes lembrar estas orações” (Civiltà Cattolica, 1930, vol. III).
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Conforme se pode constatar a presença aterrorizadora de Satanás foi claramente tida em conta pelo Pontífice; e a intenção que Pio XI tinha acrescentado visava mesmo o fundamento das falsas doutrinas difundidas no nosso século, que envenenaram não só a vida dos povos mas também dos próprios teólogos. Se a disposição tomada por Pio XI não foi respeitada, a falta deve-se àqueles a quem tinha sido confiada; inseria-se perfeitamente no âmbito dos avisos carismáticos que o Senhor havia dado à humanidade através das aparições de Fátima, embora mantendo-se independente desta: Fátima ainda era desconhecida no mundo.
(Livro: Um exorcista conta-nos, do Pe Gabriele Amorth)

As Sete Meditações sugeridas por Santo Afonso Maria de Ligório

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Bispo, Confessor Doutor Zelosíssimo da Igreja Fundador dos Missionários Redentoristas

Domingo

Do fim do homem

1. Considera, cristão, que a existência que tens, de Deus a recebeste, criando-te á Sua imagem e semelhança, sem mérito algum da tua parte. Adaptou-te por filho nas almas salutares do Batismo; amou-te mais do que se fosse teu pai, e criou-te com o fim de O amares e servires nesta vida para depois O gozares na glória.de maneira que não nasceste nem deves viver para gozar, para ser rico poderoso, para comer, beber e dormir, como os irracionais, mas somente para amar ao teu Deus e ser dito eternamente.As criaturas foram postas por Deus á tua disposição para que te auxiliem a conseguir tão glorioso fim.Oh! infeliz de mim! que em tudo tenho pensado, menos no fim para que Deus me criou!Meu Pai, pelo amor de Jesus permiti que eu comece vida nova, inteiramente santa e em tudo conforme á vossa divina vontade!
2.Considera que na hora da morte sentirás grande remorso, se não te houveres dedicado ao serviço de Deus.Que aflição a tua quando, ao termo de teus dias naquela hora suprema, chegares a conhecer que todas as grandezas e prazeres, todas as riquezas e glórias não eram mais um pouco de fumo! Ficarás estupefato ao ver que por umas bagatelas, por verdadeiras frivolidades perdeste a graça de Deus e a tua alma, sem poder remediar o mal que fizeste e sem ter tempo para trilhar o bom caminho. Ó desesperação! Ó tormento! Então compreenderás quanto vale o tempo, mas já será tarde; quererás comprá-lo a troco do teu sangue, mas já não te é possível. Ó dia calamitoso para quem não tenha servido e amado a Deus!
3.Considera quanto se descura este fim tão importante.Pensa-se em acumular riquezas, em assistir a banquetes e divertimentos, em passar alegremente os dias; e não se pensa em servir a Deus, nem em salvar a alma.O fim eterno é considerado como coisa insignificante.Por isso uma parte dos cristãos, divertindo-se banqueteando-se e cantando, caem no inferno.Oh! se soubessem o que quer dizer Inferno...Ó homem, fazes tanto para te condenares, e nada queres fazer para te salvares?!Infeliz de mim! (Exclamava ao morrer o Secretário do Rei da França, Francisco I) Infeliz de mim!Para escrever as cartas do meu príncipe, gastei tanto papel; e nem sequer aproveitei uma folha para escrever nela os pecados e fazer uma boa confissão!Oxalá (dizia no mesmo transe Felipe III, Rei da Espanha) que em vez de ser Rei eu tivesse servido a Deus na solidão do deserto! Mas para que servem naquela hora semelhantes suspiros e lamentações, se não para maior desesperação? Aprende na experiência alheia a viver solicito da tua salvação, se não queres experimentar a mesma sorte.Não te esqueças de que quanto fazes, dizes ou pensas, estranho ao que Deus quer de ti, tudo é perdido.Eia pois! Já é tempo de mudar de vida.Quererás por ventura esperar.Para te desenganares, o momento da morte, quando estejas ás portas da eternidade, prestes a cair no inferno, e quando não haja lugar para emenda?Meu Deus, perdoa-me!Amo-Vos sobre todas as coisas.Arrependo-me sumamente de Vos ter ofendido.Maria, esperança minha, roga a Jesus por mim.Amém.
Fruto I. Lembrar-me-ei freqüentemente de Deus e de seus imensos benefícios agradecendo-Lhe de todo o meu coração.
Fruto II. Regularei e empregarei bem o tempo, dirigindo todas as minhas ações em ordem á glória de Deus.

Segunda-Feira

Da importância do fim do homem

1. Considera, ó homem, quanto tens a lucrar na consecução do teu grande fim.Tens a lucrar tudo, porque, se o conseguires, salvar-te-ás, serás para sempre ditoso, gozarás em teu corpo e em tua alma toda a sorte de bens; mas se o malograres, perderás a alma e o corpo, perderás o Céu, perderás a Deus; serás eternamente desgraçado, porque condenar-te-ás para sempre. É por isso que a ocupação das ocupações, a única e importante, a única necessária, é servir a Deus e salvar a alma.Não digas pois, cristão: Agora quero satisfazes meus apetites: depois consagrar-me-ei a Deus, e espero salvar-me.Esta esperança vã tem precipitado no inferno muitos que diziam isto mesmo, e agora estão irremediavelmente condenados.
Qual dos réprobos quereria em vida condenar-se? Nenhum por certo; mas Deus amaldiçoa o que peca fiado em sua misericórdia.Maldito o homem que peca com esperança.Tu dizes: Quero cometer este pecado, e confessa-lo-ei depois.Mas tens a certeza de que não te faltará tempo para isso? Quem de assegura que não morreras repentinamente depois do pecado? É certo que pecando perdes a graça divina: E é igualmente certo que voltarás a recuperá-la? Deus usa de misericórdia com os que O temem, mas não com os que O desprezam.Também não digas: É me indiferente confessar dois pecados ou três.
Não, porque bem pode suceder que Deus esteja disposto a perdoar-te dois, e não a perdoar-te três.Deus sofre com paciência, mas não sofre sempre.Quando se enche a medida, não só não perdoa mas, castiga o pecador com a morte, ou abandona-o, de maneira que este multiplicando os seus pecados precipitar-se-á no inferno.Castigo muito pior que a própria morte.Meu irmão que isto lhes, procede com cuidado, deixa a vida desordenada que levas e consagra-te ao serviço de Deus; teme não seja este o último aviso que Deus te manda; já bastam as ofensas que Lhe tens feito, e que então grande número te tem sofrido; teme não obter perdão para mais algum outro pecado mortal que cometas.Adverte que se trata da tua alma e da tua eternidade. Oh! a quantos não tem feito abandonar o mundo, internando-os nos claustros, nas grutas e desertos, este grande pensamento da eternidade!Ah! Pobre de mim!que vantagens advieram de tantos pecados por mim cometidos? O coração angustiado, a alma presa de dor, e o ter perdido a Deus e merecido o inferno.Ó meu Deus e meu Pai, convertei-me e fazei-me cativo do Vosso Amor.
2.Considera que este negócio é por desgraça o mais descurado de todos os negócios.Em tudo se pensa, menos na salvação.Para tudo há tempo, menos para servir a Deus.Dizei a um homem mundano que freqüente os Sacramentos, que faça ao menos meia hora de oração mental cada dia; responderás: Tenho filhos, tenho família, tenho interesses, tenho outras ocupações.Mas, desgraçado, não tens também tua alma para salvar?Pensas que tuas riquezas, teus filhos, teus parentes te poderão prestar algum auxílio na hora da morte ou livrar-te do inferno, se tens a desgraça de te comandares? Não presumas de poder conciliar Deus com o mundo, O céu o com pecado.A Salvação não é um negócio que se deva tratar com indolência:É preciso que faças violência a ti mesmo, e trabalhes, se queres ganhar a coroa imortal.Quantos cristãos contavam com poder mais tarde servir a Deus e deste modo salvar-se; e não obstante estão agora no inferno! Loucura tão rematada, pensar sempre no que tão depressa acaba, e tão raras vezes no que não terá fim! Ah! Cristão! olha por ti; pensa que em breve as de abandonar este mundo e entrar na eternidade.Pobre de ti se te condenares, porque jamais poderás remediar a tua desgraça.
3.Medita, cristão, e dize contigo mesmo:Tenho uma alma só: se a perco, tenho perdido tudo.Tenho uma alma só: se consigo conquistar o mundo, condenando-a, de que me servirá tão grande conquista? Se chego a ser um homem distinto, mas perco a minha alma, de que me servirá a minha distinção? Se acumulo riquezas, se argumento, os meus haveres, se engrandeço minha família, e não obstante perco a minha alma, de que me servirá tudo isso? Que aproveitaram as riqueza, os prazeres, as vaidades a tantos os que viveram no mundo, quando seus corpos são agora cinza e pó na sepultura e suas almas estão condenadas no inferno?Se pois, minha alma só a mim pertence, se não tenho mais que uma, e se, perdendo-a uma vez, a perco para sempre, devo pensar seriamente em salvá-la. É este um ponto de suma importância, porque se trata de ser sempre feliz ou sempre desgraçado.
No meio da minha confusão, meu Deus, confesso-O: até aqui tenho vivido como cego; afastei-me muito de Vós; não tenho pensado em salvar esta minha única alma.Salvai-me, ó meu Pai, pelo amor de Jesus Cristo.Resigno me a perder tudo, contanto que não vos perca a Vós, ó meu Deus.Maria, esperança minha, salvai-me com a vossa intercessão.
Fruto I. Preparar-me-ei prontamente para a morte com uma confissão.
Fruto II. Aplicar-me-ei com o empenho e fervor aos exercícios de piedade.

Terça-Feira

Do pecado Mortal

1. Considera como, tendo sido criado por Deus para amá-Lo, com infernal ingratidão te rebelaste contra Ele, tratando-O como inimigo, desprezando sua graça e amizade.Tu sabias que com aquele pecado Lhe causavas amaríssimo desgosto, e não obstante cometeste-O.Como procede quem peca? Volta a Deus as costas; deixa de O respeitar, levanta a mão para O ferir, e tortura seu divino coração.O homem, quando peca, diz a Deus com as suas obras: Afasta-Te de mim, não Te quero obedecer, nem servir, nem reconhecer por meu Senhor, nem ter por meu Deus.O meu Deus é o prazer, o interesse, a vingança.Tal foi a linguagem do teu coração, quando preferiste a Deus a criatura.Santa Maria Madalena de Pazzi não podia acreditar que um cristão foste capaz de cometer um pecado mortal com plena advertência.E tu, querido leitor, que dizes!Quantos pecados não tens cometidos já!Perdoa-me, meu Deus, e tende piedade de mim.Eu Vos ofendi, ó Bondade infinita.Detesto os meus pecados, amo-Vos, e arrependo-me de ter caído na torpeza de Vos injuriar, ó meu Deus, digno de infinito amor.
2. Considera como Deus te falava, quando pecavas: Meu filho, eu Sou o teu Deus, que te criei do nada, e remi com o meu sangue: Eu proíbo-te sob pena de incorreres no meu desagrado, que cometas este pecado.Mas tu, pecando, dizias a Deus: Senhor, eu não quero obedecer-Te, quero satisfazer meus apetites, e é me indiferente desagradar-Te, perder a Tua graça.Eis aqui, ó meu Deus, o que eu tenho feito tantas vezes.Como tendes podido sofrer-me?Oxalá eu tivesse morrido antes de Vos ter ofendido.De agora em diante não quero desgostar-Vos mais.Quero amar-Vos, ó Bondade infinita! Dai-me a perseverança, dai-me o Vosso santo Amor.
3. Considera que, quando os pecados chegam a um certo e determinado número, Deus abandona o pecador.Por isso, se te vires tentando a pecar de novo, ó meu irmão, não digas: Confessar-me-ei depois; porque, se Deus te fizer morrer então repentinamente, se Deus te abandonar, é fora de dúvida que não te confessaras; e em tal caso, que será de ti por toda a eternidade!Eis o motivo porque tantos homens se tem condenado.Estes também esperavam o perdão; mas a morte surpreendeu-os, e perderam-se.Teme que te sobrevenha a mesma calamidade, porque não merece misericórdia quem se serve da bondade de Deus para O ofender.Depois de tantos pecados que Deus te tem perdoado, deves com razão temer que não te perdoe mais, se reincidires no caminho do mal.Dai-Lhe graças por haver te esperado até agora, e faze neste momento o propósito firme de sofrer antes a morte que cometer outro pecado mortal, dizendo sinceramente: já bastam, Senhor, as ofensas que Vós tem feito; a vida que me resta não a quero eu empregar em ofender-Vos, a Vós que O não mereceis.Quero empregá-la só em amar-Vos e em chorar as ofensas que vos tenho feito.Arrependo-me, meu Jesus, de todo o meu coração; quero amar-Vos; dai-me forças para Vos amar.Maria, minha Mãe, auxiliai-me.
Fruto I. Farei freqüentemente atos de arrependimentos, dizendo: Misericórdia, ó meu Jesus; arrependo-me de Vos ter ofendido, peço-Vos perdão para os meus pecado.
Fruto II. Examinarei se há em mim algum afeto desordenado que possa afastar-me de Deus, e desterra-lo-ei do coração.

Quarta-Feira

A Morte

1.Considera que esta vida há de acabar.Já está pronunciada a sentença; tens de morrer.A morte é certa; a hora, porém, é incerta.O que será necessário para morrer? Um ataque apopléctico, a ruptura de uma veia no peito, um catarro sufocante, um vomito de sangue, a mordedura de um animal venenoso, uma febre, uma pneumonia, uma chaga, uma inundação, um terremoto, um raio basta para te tirar a vida.A morte te assaltará, quando menos pensares.Quantos se deitaram à noite com saúde, e pela manhã foram encontrados mortos!E não poderá acontecer-te o mesmo a ti?Dos que tem morrido repentinamente, nenhum esperava morrer deste modo; e não obstante assim morreram.Se estavam em pecado, onde estão agora, e onde estarão por toda a eternidade? Seja, porém, como for, é indubitável que chegará uma ocasião em que anoitecerá para ti, e não amanhecerá, ou antes, amanhecerá, e não anoitecerá."Virei como ladrão" diz Jesus Cristo; o que quer dizer: quando menos pensares e ás escondidas.Avisa-te com tempo este teu amante Senhor, porque deseja a tua salvação.Corresponde, pois ao teu Deus; aproveita o aviso; prepara-te para bem morrer, antes de chegar a morte.Então não é tempo de preparação, porque já deve estar feita.É fora de dúvida que hás de morrer.Há de terminar para ti a cena este mundo, e não sabes quando.Quem sabe se será dentro de um ano ou dentro de um mês? Quem sabe se amanhã mesmo ainda estarás vivo?Meu Jesus, ilumine-me, e perdoe-me.
2. considera que na hora da morte assistido de um sacerdote, que fará a encomendarão da tua alma, rodeado de parentes que por ti chorarão, com o Crucifixo á cabeceira e a vela benta aos pés, já prestes a passar á eternidade.Terás a cabeça dolorida, os olhos amortecidos, a língua abrasada, a garganta cerrada, o peito opresso, o sangue gelado, as carnes gastas e o coração transpassado de dor.Ao morrer deixarás tudo; pobre e indigente serás lançado a um sepulcro, e ali apodrecerás.Os vermes e outros animais imundos roerão tuas carnes, e de ti ficarão apenas alguns ossos descarnados, um pouco de pó hediondo e nada mais.Abre uma sepultura, e vê a que ficou reduzido aquele homem opulento, aquele avaro, aquela mulher vaidosa.Assim termina a vida! Na hora da morte ver-te-ás rodeado de demônios que te apresentarão o sudário dos teus pecados, cometidos desde a tua infância. Agora o demônio, para induzir-te a pecar, encobre e desculpa as tuas faltas.Diz que é pequeno mal aquela amizade, aquela vaidade, aquele prazer, aquele rancor que alimentas em teu peito; que não há intenções criminosas naquelas conversações.Mas no momento da morte patenteará a enormidade dos teus pecados; e á luz daquela eternidade em que brevemente terás de entrar, conhecerás a gravidade da pena em que incorreste ofendendo a um Deus infinito.Apressa-te, enquanto é tempo, a remediar o mal que tens feito.
3. Considera que a morte é um momento de que depende a eternidade.Encontra-se o homem já próximo a expirar, e por conseguinte prestes a entrar em uma das duas eternidades.Sua sorte depende daquele último suspiro, imediatamente ao qual a alma é salva ou condenada para sempre.ó momento! Ó último suspiro! ó momento de que depende uma eternidade de glória ou de pena! Uma eternidade sempre feliz ou sempre desditosa!Uma eternidade de toda a espécie de bens ou de males! Uma eternidade, enfim, de Paraíso ou de Inferno! O que quer dizer: que, se naquele momento te salvares, em vez da desventura estarão sempre ao teu lado o contentamento e a felicidade; mas, se errares o golpe, e te condenares, serão teus companheiros inseparáveis e cruéis a aflição e o desespero.Na morte compreenderás o que quer dizer glória, Inferno, Pecado, Deus ofendido, lei de Deus desprezada, pecados calados na confissão, roubo não restituído. "miserável de mim!dirá o moribundo, daqui a poucos momentos hei de comparecer diante de Deus.E quem sabe a sentença que me tocará!Para onde irei?Para o Céu, ou para o inferno? A gozar com os Anjos, ou a arder com os condenados? Serei ou filho de Deus, ou escravo do demônio?Ai de mim!Sabê-lo-ei dentro em pouco, e aonde entrar pela primeira vez ali permanecerei eternamente. Ah! Daqui a poucas horas, daqui a poucos momentos que será de mim? Que será de mim, se não reparar aquele escândalo, se não restituir aquele furto, aquela fama, se não perdoar de coração ao meu inimigo, se não me confessar bem?". Então detestarás mil vezes o dia em que pecaste, o prazer que desfrutaste, a vingança que tomaste! mas demasiado tarde e sem fruto, porque o farás simplesmente por temor do castigo, e não por amor de Deus. - Ah, Senhor! Desde este momento me converto a Vós: não quero esperar pelo momento em que a morte chegue; desde já Vos amo, abraço, e quero morrer abraçado Convosco. Maria, minha Mãe, fazei que eu morra sob o manto da vossa proteção; auxiliai-me naquele derradeiro transe.
Fruto I.Encararei com desprezo a vaidade do mundo e de meu corpo, origem de tantos pecados que tenho cometido.
Fruto II.quando o demônio me tentar para ofender a Deus, direi prontamente: "Considera que hás de morrer".

Quinta-Feira

Sobre o Juízo

1. Considera que, logo que a alma tenha saído do corpo, será conduzida ao tribunal de Deus para ser julgada.O Juiz é um Deus Onipotente, ultrajado por ti, e sumamente irado.Os acusadores são os demônios, teus inimigos; o processo teus próprios pecados; a sentença é inapelável; a pena é o inferno.Ali não há companheiros, nem parentes, nem amigos; a causa será resolvida entre Deus e a tua alma.Então compreenderás a hediondez de teus pecados, e não poderás ser tão indulgente com eles, como agora o és.Responderá por teus pecados de pensamentos, palavras, obras, omissão, escândalo, respeitos humanos: tudo se há de pesar naquela grande balança da justiça divina, e se fores encontrado réu de culpa grave, uma só que seja, estarás perdido.Meu Jesus e meu Juiz, perdoai-me antes de me fazer comparecer em vosso tribunal!
2. Considera que a justiça divina há de julgar a todos os homens no vale de Josaphat, quando no fim do mundo ressuscitar os corpos para receberem juntamente com as almas prêmio ou castigo, segundo os seus méritos. Reflete que, se te condenares, tornarás a unir-te a este mesmo corpo, que servirá de prisão eterna á tua alma desgraçada.Naquele encontro desagradável a alma amaldiçoará o corpo, e o corpo por sua vez amaldiçoará a alma; de maneira que a alma e o corpo, que agora correm de mãos dadas em busca de prazeres lícitos, unir-se-ão, em que lhes pese, depois da morte, para ser verdugos um do outro.Ao contrário, se te salvares, esse teu corpo ressuscitará formosíssimo, impassível e resplandecente; e assim irás, em corpo e alma, gozar d vida bem-aventurada.Tal será o fim da cena deste mundo!Afundar-se-ão no nada todas as grandezas, prazeres e pompas mundanas.Tudo acabará: só ficarão as duas eternidades, uma de glória e outra de pena, uma ditosa e outra infeliz, uma de gozos, e outra de tormentos: no céu os justos, no inferno os pecadores.Desgraçado então o que tenha feito do mundo o seu ídolo, e pelos prazeres miseráveis desta terra tenha perdido tudo, alma, corpo, bem-aventurança e Deus!.
3. Considera a sentença eterna.O Juiz eterno, Jesus Cristo, voltar-se-á primeiro contra os réprobos, a quem dirás: "Ingratos, tudo se acabou para vós!Chegou a minha hora, hora de verdade e justiça, hora de indignação e vingança!Criminosos, amastes a maldição; caia sobre vós: sede malditos na eternidade: ide para o fogo eterno, privados de todos os bens e sob o peso de todos os males". Em seguida voltar-se-á para os escolhidos e dirá: "Vinde vós, meus filhos queridos, vinde possuir o reino dos céus, que vos está preparado.Vinde não já para levar a cruz em pós de Mim, mas para partilhar da minha coroa.Vinde como herdeiros de minhas riquezas e companheiros de minha glória. Vinde cantar eternamente minhas misericórdias.Vinde da terra do exílio á pátria, da miséria ao gozo, das lágrimas á alegria, do sofrimento ao descanso eterno".Meu Jesus, eu espero ser também um destes filhos afortunados.Amo-Vos sobre todas as coisas, abençoai-me desde este momento, e abençoai-me também vós, ó Maria minha querida Mãe!
Fruto I.Farei todas as minhas ações como se devesse comparecer, na ocasião em que as executar, perante o tribunal divino a dar conta delas.
Fruto II.Exercitar-me-ei em obras de misericórdia espirituais e corporais, porque ao que as praticar prometeu Deus uma benção eterna no dia do juízo.

Sexta-Feira

Sobre o Inferno

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1. Considera que o inferno é uma prisão hedionda, cheia de fogo.Neste fogo estão submersos os condenados.Neste abismo de fogo que os rodeia por todos os lados, têm chamas na boca, nos olhos, em todas as partes do corpo.Cada sentido tem seu sofrimento próprio: os olhos são atormentados pelo fumo e pelas trevas, e horrorizados pela vista dos outros condenados e dos demônios; os ouvidos ouvem dia e noite contínuos clamores, prantos e blasfêmias.O olfato é atormentado pelo cheiro nauseabundo daqueles inumeráveis corpos corrompidos, e o paladar por ardentíssima sede e fome insaciável sem poder obter uma gota de água nem uma migalha de pão.Por isso aqueles encarcerados infelizes, abrasados pela sede, devorados pelo fogo, torturados por toda a espécie de sofrimentos, choram, clamam, desesperam-se; mas não há nem haverá quem os alivie e console. Ó inferno, inferno! Quantos há que se recusam a crer em ti até o momento em que caem em teus abismos!E tu, querido leitor, que dizes? Se houvesses de morrer agora, para onde irias? Tu, que não podes suportar o ardor de uma centelha de fogo que te salta á mão, poderás estar em um abismo de fogo que te abrase, abandonado de todos por toda a eternidade e sem lenitivo algum?
2. Considera em seguida a pena que tocará ás potências da alma. A memória será sempre atormentada pelos remorsos da consciência. Tal é aquele verme que sem cessar roerá o condenado ao pensar que se perdeu voluntariamente e por um prazer envenenado.Ó Deus! Como avaliará então aqueles momentos de prazer, depois de cem, depois de mil milhões de anos no inferno?Este verme recordar-lhe-á o tempo que Deus lhe deu para expiar suas culpas, os meios que lhe proporcionou para salvar-se, os bons exemplos dos companheiros, os propósitos feitos mas ineficazes.Então verá que já não há remédio para a sua eterna ruína. Ó Deus! Ó Deus! E como estes pensamentos agravarão o seu penar! A vontade estará sempre contrariada: nunca alcançará coisa alguma do que deseja, e sempre terá o que aborrece, isto é, todos os tormentos.O entendimento conhecerá o bem enorme que perdeu: a bem-aventurança e Deus. Meu Deus!meu Deus! Perdoai-me pelo amor de Jesus Cristo, vosso Filho.
3. Pecador, a quem por agora é indiferente perder o céu e perder a Deus, quando vires os bem-aventurados triunfarem e gozarem no reino dos céus, então tu, qual animal hediondo, serás excluídos daquela pátria ditosa e privado da visão beatífica de Deus, da companhia de Maria Santíssima, dos Anjos e dos Santos; conhecerá, ai! Tua espantosa cegueira, e dirás desesperado:"Ó Paraíso de eternas delícias: Ó Deus! Ó bem infinito! Já não sois nem jamais sereis meus! Desgraçado de mim!..." Eia, meu irmão, faze penitência, muda de vida, não te guardes para quando o tempo te faltar.Entrega-te a Deus, principia a amá-lo deverás.
Roga a Jesus, roga a Maria Santíssima que tenham piedade de ti.
Fruto I.Descontarei com alguma mortificação as penas que no inferno tenho merecido.
Fruto II.Quando experimentar algum dissabor, incomodo ou dor, direi a mim mesmo: "Lembra-te que tens merecido cair, e devias ser precipitado no inferno", e tudo sofrerei com paciência.

Sábado

Da Eternidade da Penas

1. Considera que o inferno não tem fim: padecem-se nele todas as penas, e toda são eternas.De maneira que passarão cem anos daquelas penas, passarão mil, e o inferno estará como se então principiasse! Passarão cem mil anos, cem milhões, mil milhões de anos e de séculos, e o inferno continuará a ser o mesmo que no primeiro dia.Se um anjo levasse agora a um condenado a notícia de que Deus queria tirá-lo do inferno quando houvessem decorrido tantos milhões de séculos quantas são as folhas das árvores, as gotas de água do mar e os grãos de areia da terra; tu ao sabê-lo ficarias atônito e horrorizado diante desse prodigioso número de séculos passados nos tormentos.E não obstante é indubitável que aquele condenado acolheria tal notícia com mais satisfação do que tu, se te anunciassem que tinhas sido feito monarca de um grande reino.Sim; porque diria o condenado: "É verdade que hão de decorrer tantos séculos; chegará, porém, um dia em que hão de acabar".Mas ai! passarão todos esses séculos e o inferno estará em seu princípio; multiplicar-se-ão tantas vezes quantas são as gotas de água, os grãos de areia e as filhas das árvores, e o inferno não terá diminuído absolutamente nada.Qualquer condenado contentar-se-ia com que Deus lhe aumentasse suas penas e as prolongasse quanto Lhe aprouvesse, com tanto que afinal tivessem um termo: mas este termo não o terão jamais.Se pudesse ao menos o pobre condenado enganar-se a si mesmo, iludir-se e dizer: "Quem sabe? Talvez Deus um dia tenha piedade de mim, e me tire do inferno!" Mas não: o réprobo terá sempre diante de seus olhos gravada a sentença da sua condenação eterna e não poderá deixar de dizer: "Todas estas penas que sofro agora, este fogo, estas tribulações, estes clamores não acabarão jamais?Não.E quanto tempo durarão?Durarão sempre. Sempre!" Ó sempre! Ó jamais! Ó eternidade! Ó inferno! Como? Os homens crêem em ti e pecam? E continuam sempre vivendo no pecado?
2. Meu irmão, acautela-te; pensa que também para ti há inferno, se pecares.Já está acesa a teus pés aquela formidável fogueira, e agora mesmo, ai! quantas almas estão caindo nela!Reflete que, se tu também lá caíres, não poderás jamais sair.Se alguma vez mereceste o inferno, dá graças a Deus por não te haver precipitado nele, e prontamente remedeia o mal que fizeste, enquanto te é possível.Chora os teus pecados, põe em execução os meios apropriados á tua salvação, confessa-te freqüentemente, lê este ou outro livro espiritual todos os dias, como todos os dias em honra de Maria, por quem deves ter particular devoção, recitarás o Rosário, e jejuarás todos os sábados; resiste ás tentações invocando repetidas vezes os doces nomes de Jesus e Maria, foge das ocasiões de pecar, e se além disto Deus te dá vocação para abandonares o mundo, faze-o prontamente.Tudo quanto se faça para evitar uma eternidade de penas é pouco, é nada.Nunca serão exageradas as nossas precauções para nos assegurarmos uma eternidade feliz.Vê quantos anacoretas, para se livrarem do inferno, se têm internado nas grutas e nos desertos!E tu que fazes, depois de ter merecido tantas vezes o inferno? Que fazes? Não vês que a tua condenação está iminente? Volta-te para Deus e dize-lhe: "Eis-me aqui, Senhor: quero fazer tudo o que de mim quiserdes".Maria, auxiliai-me.
Fruto I.Lembrar-me-ei desta verdade freqüentemente: Tudo acaba e depressa, exceto a eternidade.
Fruto II.Se sentir alguma dificuldade em fazer o bem ou em resistir ao mal, direi a mim mesmo: tudo é pouco para adquirir a felicidade eterna.
OBS: "Retirado do livro Jardim de Devoção para os Bons Cristãos - por - Santo Afonso Maria de Ligório"

Sinal dos Tempos: Americano põe filho à venda na internet por US$ 5 mil



















21.03.2010 -
Cinco mil dólares é quanto vale um filho para um pai que está sendo investigado pela polícia nos Estados Unidos. Segundo o site The Huffington Post, o homem, que se identifica Rick Obelophy e seria da cidade de Spokane, Washington, pôs o filho de 4 anos à venda no site de classificados Craiglist.
"Gavin (o nome da criança) é um grande garoto, mas eu não posso mais tomar conta dele", diz o anúncio.
De acordo com a WBalTV, de Baltimore, a polícia começou a investigar a história pensando se tratar de uma piada, mas esta semana passou a acreditar que o anúncio é verdadeiro.
O pai também afirma que a criança "gosta de jogar bola, mas não de brincar com carros e se recusa a comer vegetais". "Ele não costuma fazer muito barlho, mas quando faz, costuma gritar por horas. Geralmente eu tranco ele no armário até que pare e isso costuma funcionar", diz ainda.
"A mãe dele foi embora e meus pais não falam mais comigo desde que tive Gavin. Não sei mais o que fazer para achar uma boa família com crianças ou um casal que queira um filho. Eu só não quero dar ele a qualquer um".
O anúncio entrou no ar em fevereiro e foi denunciado à polícia por Amy Rice, uma moradora de Spokane. Segundo o site do jornal The Daily Weekly, não foi localizado nenhum morador da cidade chamado Rick Obelophy, mas o vendedor poderia estar usando um nome falso.
O jornal, no entanto, chama atenção para o fato de que Obelophy mostra preocupação com a criança. Escreveu que pretende primeiro se encontrar com os pais para verificar se são "adequados" e insiste que o filho não seria entregue "a qualquer um".
Outro site, The Smoking Gun, afirma que o Craiglist colabora com as investigações. O Escritório do Xerife local informou que se o anúncio for verdadeiro, o pai poderá ser preso com base numa lei que proibe a venda de filhos.
No Craiglist, neste domingo, o anúncio não estava mais no ar.
Fonte: Redação Terra