Exorcismo

Padres Exorcistas explicam

Consagração a Virgem Maria

Escravidão a Santissima Virgem, Orações, Devoção

Formação para Jovens

Espiritualidade, sexualidade, diverção, oração

6 de jul. de 2010

O Juizo particular (meditar)


Prezado ouvinte, a Sagrada Escritura, isto é, a Bíblia, na carta de São Paulo aos Hebreus, capítulo 9, versículo 27, diz: “… os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem um julgamento”, isto é, logo após a morte, a nossa alma será julgada por Deus; o juízo individual da alma, imediatamente após a morte chama-se juízo particular. Por isso, ouvinte, ouça atentamente essa pregação sobre o juízo particular, e com certeza você aproveitará melhor o seu tempo e viverá fervorosamente.
Faça bastante silêncio e fique atento, e assim, você entenderá melhor essa pregação sobre o juízo particular.
Caríssimo ouvinte, sabemos que a morte existe; a morte é a separação da alma e do corpo, e todos havemos de morrer, como está no livro do Eclesiástico, capítulo 14, versículo 12: “Lembra-te de que a morte não tarda”, está claro que ninguém ficará para semente.
Muitos não sabem o que acontece depois da morte; pensam que com a morte acaba tudo. E você, ouvinte; você sabe o que acontece após a morte? Não sabe? Então ficará sabendo agora. No exato momento, em que a alma abandona o corpo, ela é julgada por Deus, como escreve Santo Afonso Maria de Ligório: “O juízo particular se realiza no mesmo instante em que o homem morre”, escreve Santo Afonso Maria de Ligório; na carta de São Paulo aos Hebreus, capítulo 9, versículo 27, diz: “… os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem um julgamento”, e o Monge Edouard Clerc escreve também: “O juízo particular dá-se, para cada alma, imediatamente após a morte”.
Está bem claro, ouvinte, que a alma será julgada imediatamente após ter abandonado o corpo, é isto mesmo, quando os familiares que estão junto ao leito do defunto se ocupam ainda de fechar seus olhos e cruzar-lhe as mãos, a alma já foi julgado; já sabe qual vai ser o seu destino eterno. Às vezes, os familiares estão fechando os olhos de uma pessoa, cuja alma já está mergulhada nas chamas do inferno; o Papa Bento XII escreve: “… as almas que morrem em pecado mortal, imediatamente depois da morte, caem no inferno, onde são atormentados com suplícios infernais”. Repito
Ouvinte, é um momento terrível para todos, o momento para o qual fomos vivendo todos estes anos na terra, o momento para o qual toda a vida esteve orientada. É o dia da retribuição para todos, como está no Salmo 62, versículo 13: “… pois tu devolves a cada um conforme s suas obras”.
Sabemos que seremos julgados logo após a nossa morte; mas onde é que tem lugar esse Juízo Particular? Você sabe, ouvinte? O julgamento será no mesmo local em que morremos, como escreve Santo Afonso Maria de Ligório: “No próprio lugar onde a alma se separa do corpo é julgada por nosso Senhor Jesus Cristo”, escreve Santo Afonso Maria de Ligório.
Ouvinte, se você morrer no quarto de um hospital, você será julgado naquele quarto; se morrer na sala de sua casa, será julgado na mesma sala; se morrer atropelado em uma rodovia, no local onde você morreu, etc., por isso, ouvinte, não cochile na vida espiritual, porque, como está no Evangelho de São Lucas, capítulo 12, versículo 40:”Na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem”.
Então, ouvinte, havemos de ser julgados logo após a nossa morte; não adianta tentar fugir ou se amoitar; você pode até fugir da igreja, fugir da oração, fugir da verdade, etc., mas do juízo particular você não fugirá, você comparecerá nem que seja arrastado ou esperneando, gritando ou chorando, mais comparecerá; por isso, deixe de fazer gracinha e leve o negócio a sério, como escreve São Pedro Julião Eymard: “Salvar a minha alma é negócio pessoal. Não posso descansar em ninguém, nem com ninguém repartir o trabalho”, escreve São Pedro Julião Eymard.
Ouvinte; quem será o juízo? Você sabe? O juiz será Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, como escreve Santo Afonso Maria de Ligório: “… o qual não delega seu poder, mas vem ele mesmo julgar”. Ele conhece todos os nossos pecados, pois, diante de seus olhos os cometemos. Avalia-lhes a gravidade, pois a Ele ofenderam. Conhece-lhes toda a malícia, por isso, aplicar-lhes-á o castigo merecido,como escreve Santo Agostinho: “Virá com amor para os fiéis, e com terror para os pecadores, para os incrédulos”. Repito
Ouvinte, é um Deus onipotente, e não uma criatura que nos há de julgar! A sua misericórdia é infinita, porém, naquela hora ela se oculta para só dar lugar à justiça.
Na hora do juízo não se atende nem à pessoa, nem à dignidade da mesma, inclusive esses que se acham donos do mundo.
Todos os seus títulos e cargos cairão no pó da sepultura, e cada um há de ver-se naquela hora com as boas ou más obras nas mãos, para receber por elas o prêmio ou o castigo, como está na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, capítulo 5, versículo 10: “Porquanto todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o Tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal”. Esta sentença de prêmio ou castigo… depende dos merecimentos da alma durante a sua vida na terra, já que com a morte termina o tempo e a possibilidade de merecer.
Caríssimo ouvinte, infeliz do católico que passou a vida abusando da graça de Deus, que tinha tempo para pecar e ofender a Deus, mas não tinha tempo para rezar e para praticar o bem; esse encontrará um juiz indignado, como escreve Santo Afonso Maria de Ligório: “Qual não será o espanto daquele que, vendo pela primeira vez o seu Redentor, vir também á indignação divina!”, Repito, e no livro do Profeta Naum, capítulo 1, versículo 6 diz: “Quem poderá substituir ante a face de sua indignação?”, e São Bernardo de Claraval afirma: “A indignação do juiz fará sofrer mais as almas que as próprias penas do inferno”. Repito
Ouvinte, tem-se visto bandidos e criminosos banhados em suor frio na presença dos juízes da terra. Um homem chamado Pison, em traje de condenado , comparecendo no Senado, sentiu tamanha confusão e vergonha, que ali mesmo morreu. Que aflição profunda sente um filho quando vê seu pai gravemente indignado!… Amargura muito maior sentirá a alma quando ver indignado a Jesus Cristo, a quem desprezou. Santo Afonso Maria de Ligório escreve: “Irritado e implacável, então, se lhe apresentará esse Cordeiro Divino, que foi no mundo tão paciente e amoroso, e a alma, sem esperança, clamará aos montes que caiam sobre ela e a ocultem à indignação de Deus”, escreve Santo Afonso Maria de Ligório; e no livro de Apocalipse, capítulo 6, versículos 15 e 16 diz: “Os reis da terra, os magnatas, os capitães, os ricos e poderosos, todos, escravos e homens livres, esconderam-se nas cavernas e pelos rochedos das montanhas, dizendo aos montes e às pedras: “Desmorona, sobre nós e escondei-nos da face daquele que está sentado no trono, e da ira do cordeiro”.Ap 6, 15-16
Caríssimo ouvinte, no Evangelho de São Lucas, capítulo 21, versículo 27 diz: “Então verão o Filho do Homem”; aqui São Lucas está falando do juízo; e Santo Afonso Maria de Ligório diz: “Ver o seu juiz em forma humana aumentará a dor dos pecadores; por que a presença daquele homem, que morreu para salvá-los, lhes recordará vivamente a ingratidão com que o ofenderam”, escreve Santo Afonso Maria de Ligório.
E você, ouvinte, leva uma vida medíocre, que vive no comodismo e buscando sempre o mais fácil; você está tranqüilo e seguro para comparecer perante o tribunal de Deus?

Depois da gloriosa Ascensão do Senhor, os anjos disseram aos discípulos: “Este Jesus, que foi arrebatado dentre vós para o céu, assim virá, do mesmo modo como o vistes partir para o céu”, Atos dos Apóstolos, capítulo 1, versículo 11. Santo Afonso Maria de Ligório escreve: “Virá, pois, o Salvador a julgar-nos, ostentando aquelas mesmas Chagas Sagradas que tinha quando deixou a terra”, e Ruperto exclama: “Grande alegria para os que contemplam, grande temor para os que esperam”. Ouvinte, essas Benditas Chagas consolarão os justos e infundirão terror aos pecadores.
No livro do Gênesis , capítulo 45, versículo 3 diz que quando José disse a seus irmãos: “Eu sou José, a quem rendestes”, eles ficaram, diz a Bíblia, sem fala e imóveis de terror. Ouvinte, o que responderá o pecador a Jesus Cristo na hora do julgamento? Acaso, terá coragem de lhe pedir misericórdia, sendo que durante a vida, desprezou por inúmeras vezes a misericórdia do Senhor? Santo Agostinho escreve: “Que fará? Para onde fugirá quando vir o juiz indignado? Por baixo o inferno aberto, de um lado os pecadores que o acusam, do outro o demônio, disposto a executar a sentença, e dentro de si mesmo a consciência que recorde e castiga!”, que fará? Que fará? Escreve Santo Agostinho.
Prezado ouvinte, como já foi falado, é Deus que nos há de julgar! Ele é superior a todos os poderosos do mundo. É ele o Rei dos reis e Senhor dos senhores. O seu tribunal é, pois, sem apelação. Se a sentença for de condenação, não há esperanças de a renovar em tribunal de segunda instância, não haverá uma segunda audiência, o perdão, que ainda aqui na terra pode ser a derradeira esperança do condenado, não tem aceitação num tribunal em que o juiz é o mesmo rei. Não é àquela hora de perdão, mas sim de justiça.
Ouvinte, não é Deus a mesma retidão? Logo, a sentença saída dos seus lábios não pode ser senão traçada pela justiça mais imparcial e tal que traduza na íntegra o valor moral de todas as nossas ações. Está claro que Deus é justo, e n’Ele não há fingimento.
No livro de Daniel, capítulo 7, versículo 10 diz: “Começou o juízo e os livros foram abertos”. Ouvinte , haverá dois livros ; isso mesmo , Santo Afonso Maria de Ligório diz que serão: “O Evangelho e a consciência”. No Evangelho, ler-se-á o que o Réu devia fazer; na consciência, o que ele fez. Na balança da divina justiça não se pesarão as riquezas, nem as dignidades nem a nobreza das pessoas, mas somente as suas obras, como está no livro do Apocalipse, capítulo 14, versículo 13: “… pois suas obras os acompanham”; e no livro de Daniel, capítulo 5 ,versículo 27 diz: “Foste pesado na balança – diz Daniel ao réu Baltazar – e achado demasiadamente leve”. Quer dizer, segundo o comentário do Padre Álvares, que “não foram colocados na balança o ouro e as riquezas, mas unicamente a pessoa do rei”. Por isso, ouvinte, se você pensa que Jesus Cristo na hora do julgamento vai levar em conta a sua riqueza, os seus diplomas, a sua beleza física, a sua fama, etc., você está completamente enganado; somente as suas obras o acompanharão, como está no livro do Apocalipse, capítulo 14, versículo13.
Caríssimos ouvintes, surgirão também alguns acusadores, é isso mesmo, alguns acusadores.
Santo Agostinho assegura-nos que o primeiro a levantar-se contra nós será o demônio. Ele escreve: “O inimigo estará ante o tribunal de Cristo, e referirá as palavras de tua profissão. Recordar-nos-á tudo quanto temos feito, o dia e a hora em que pecamos”, escreve o grande Santo Agostinho.
Ouvinte, referir as palavras de nossa profissão significa que ele, o demônio, apresentará todos as promessas que fizemos, que esquecemos e, por conseguinte, deixamos de cumprir. E, o demônio, denunciará ás nossas faltas, designando os dias e as horas em que as cometemos. Depois ele dirá ao Juiz, que é Jesus Cristo: “Senhor, eu não sofri nada por este réu; mas ele vos abandonou, a vós que destes a vida para salvá-lo, e ele se fez meu escravo; (e o demônio dirá).Ainda é a mim que ele pertence…”, escreve Santo Agostinho.
O réu ousará dizer ao juiz Jesus Cristo: “Senhor Jesus, seguir o demônio era mais fácil, porque a lei de Deus é muito exigente”.
Mas o demônio gritará contra o réu dizendo: “Não é verdade, não é verdade. E o demônio dirá: Eu te fazia trabalhar mesmo no domingo, enquanto a lei de Deus te teria concedido descanso. E tu trabalharas para mim, sem te lamentares. Eu te fazia beber mesmo quando já não tinhas sede: e tu, por mim, bebias, até te sentires mal, até te bestializares na embriaguez, e eu sorria muito de você. Eu te mandava dançar: e tu, cansado dos seis dias de trabalho, dançavas no domingo para me fazeres dar gargalhadas. Eu te sugeria um encontro com prostitutas: e tu, para me escutares, deixavas a tua família e, embora fizesse frio, embora chovesse, te agüentavas esperar debaixo da água, por horas e horas, aquelas pessoas. Eu te impunha esbanjares no vício o suor da tua semana, aquele dinheiro que ganhastes com tanta dificuldade: e tu, que tinhas medo de dar um centavo de esmola, consumias nas reuniões e nos prazeres o sustento de tua família”. Tu que passastes a vida inteira me servindo, querer agora escapar-te das minhas mãos. Não permitirei! Você me pertence.
Ouvinte! Você está tranqüilo para comparecer perante o tribunal de Deus? Você é um católico autêntico; ou é um boneco nas mãos de satanás? Examine-se com sinceridade.
Prezado ouvinte, segundo Orígenes, os anjos da guarda também serão acusadores. Orígenes escreve: “Os anjos darão testemunho dos anos em que procuraram a salvação do pecador… do desprezo deste a todas as inspirações e avisos”. É isto mesmo, ouvinte, o anjo da guarda, a quem a piedade suprema nos confiara, também ele se tornará acusador.
O anjo da guarda dirá ao Juiz Jesus Cristo: Meu Senhor,o meu dever de iluminá-lo, guardá-lo, regê-lo, governá-lo, cumpri-o: mas em vão. Em vão, ó Senhor, dirá o anjo; iluminei-lhe a mente com bons pensamentos, a alma com as boas palavras de pessoas piedosas, o caminho com o bom exemplo de companheiros. Em vão eu o guardava, pois por sua teimosa vontade, ele ia ter com as pessoas más e aos lugares perigosos. Ás tempestades de remorsos que eu lhe suscitava no coração, ele não quis render-se; foi tudo em vão, tudo em vão.
Prezado ouvinte, terminada a acusação do demônio e do anjo da guarda, surgirão os homens como acusadores.
Os inocentes, escandalizados pelas palavras e pelo mau exemplo do réu, dirão ao juiz: “Justiça de Deus, vinga as nossas almas”.
Os cúmplices dos pecados do réu gritarão ao Juiz: “Senhor, em casa aprendi a rezar; aprendi sim; a blasfemar, a ofender-te, a usar roupas imorais, a ver novelas e outras coisas que não te agradam”.
Será talvez, ó pais, a voz débil dos filhos que não quisestes, ou que abandonastes antes de nascerem. Gemerão eles: “Senhor, nós também tínhamos direito à vida, e não a tivemos!
Ouvinte, muitos na hora do Juízo tentarão se desculparem; dizendo que tudo foi por fraqueza ou ignorância, etc., mas todos os santos saltarão e gritarão: “Também nós éramos de carne e sangue como vocês, e nos salvamos”.Realmente não haverá desculpas para os relaxados.
Santo Afonso Maria de Ligório diz: “Até as paredes, que viram o réu pecar, tornar-se-ão acusadoras”, como está no livro de Halacuc, capítulo 2, versículo 11: “Sim, da parede a pedra gritará, e do madeiramento as vigas responderão”.
Ouvinte, acusadora será a própria consciência do réu, como está na Carta aos Romanos, capítulo 2, versículo 15 e 16: “Eles mostram a obra da lei gravada em seus corações, dando disto testemunho sua consciência e seus pensamentos que alternadamente se acusam ou defendem… no dia em que Deus – segundo o meu evangelho – julgará, por Cristo Jesus, as ações ocultas dos homens”.
São Bernardo de Claraval diz que os pecados do réu dirão na hora do juízo: “Tu nos fizeste; somos tuas obras, e não te abandonaremos”.
Caríssimo ouvinte, as acusadoras, por fim segundo São João Crisóstomo, serão as chagas de Jesus Cristo. Ele escreve: “Os cravos se queixarão de ti; as cicatrizes contra ti falarão, a cruz clamará contra ti”.
Ouvinte, depois que cessar as acusações, então, passar-se-á ao exame, isso mesmo, ao exame.
No livro de Safonias, capítulo 1, versículo 12 diz: “E acontecerá, naquele tempo, que eu esquadrinharei Jerusalém com lanternas”. Mendoza escreva: “A luz da lâmpada penetra todos os recantos da casa. Está claro que Deus apresentará ao réu os exemplos dos santos, todas as luzes e inspirações com que o favoreceu, todos os anos de vida que lhe concedeu para que os empregasse na prática do bem” Repito .Santo Anselmo exclama: “Até de cada olhar tens que dar conta”. Assim como se purifica e aquilata o ouro, separando-o das escórias, assim se aquilatarão e examinarão as confissões, comunhões e outras boas obras, como está em Malaquias, capítulo 3, versículo 3: “E se assentará aquele que funde e que purifica; ele purificará os filhos de Levi e os acrisolará como ouro e prata, e eles se tornarão para Deus aqueles que apresentam uma oferenda conforme a justiça”. E na primeira Carta de São Pedro, capítulo 4, versículo 18 diz: “Se o justo com dificuldade consegue salvar-se, em que situação ficará o ímpio e pecador?”, 1 Pedro 4,18.
Ouvinte, se o réu deve dar conta de toda palavra ociosa, que contas se darão de tantos maus pensamentos voluntários, de tantas palavras impuras? O Senhor, falando dos escândalos, que lhe roubam inúmeras almas, diz: “Eu lhes sairei ao encontro como uma ursa a quem roubaram os seus filhotes”, conferir no livro do Profeta Oséias, capítulo 13, versículo 8; e referindo-se ainda às ações do réu, o juiz supremo lhe dera: “Dei-lhe o fruto de suas mãos”, Provérbios 13,13, quer dizer, paguei-lhe conforme suas obras.
Caríssimo ouvinte, para que a alma consiga a salvação eterna, o juízo há de mostrarque a vida dessa alma fora conforme a vida de Cristo.
Aquele que passou a sua vida aqui na terra perdendo tempo com o lixo do mundo; que pisou na graça de Deus, que cometeu pecados e mais pecados, etc ; o que responderá ele a Jesus Cristo, seu juiz? Fará como aquele homem do Evangelho, que se apresentou ao banquete sem a veste nupcial. Não soube o que responder e calou-se, conferir no Evangelho de São Mateus, capítulo 22, versículo 12. As próprias culpas lhe fechou a boca, conferir no Salmo 106, versículo 42. São Basílio Magno escreve: “A vergonha será então para o pecador maior tormento que as próprias chamas infernais”.
E o juiz pronunciará a sentença: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno!”. “Quão terrivelmente ressoará aquele trovão”, exclama Dionísio, o Cartucho… “Quem não treme à consideração dessa horrenda sentença”, observa Santo Anselmo. Santo Eusébio acrescenta que: “será tão grande o terror dos pecadores ao ouvir a sua condenação, que se não fossem já imortais morreriam de novo”, e Santo Tomás de Vilanova escreve: “Então já não será tempo de suplicar, já não haverá intercessores a quem recorrer. A quem, efetivamente, hão de recorrer?… Porventura, a seu Deus, a quem desprezaram?”, escreve Santo Tomás de Vilanova.
Santo Afonso Maria de Ligório escreve: “Talvez recorrerão aos santos e à virgem Maria?… Ah!Não!Porque então as estrelas (que são os santos advogados) cairão do céu, e a lua ( que é Maria Santíssima) não dará as sua luz ( Ch Mt 24,29)”. E santo Agostinho escreve também: “Maria retirar-se-á das portas da glória”.
Ouvinte, não brinque com a graça de Deus, é para esta hora decisiva e melindrosa que todos caminhamos. Dentro em breve se há de dar conosco esta cena. Hora tremenda a do julgamento. Aqui se hão de desvendar os olhos de tantos cegos pelo falso brilho das vaidades mundanas. Aqui se hão de ver os caminhos errados do vício, os laços do demônio, a falsidade de tantas máximas com que a impiedade pretende desviar do caminho da salvação as almas remidas com o sangue de Jesus Cristo.
Mas será tarde!Será tarde, muito tarde! Os caminhos mal andados já não se podem desandar; as blasfêmias , as heresias, as calúnias já se não podem retratar; as máximas errôneas já não se podem substituir pelas verdadeiras, nem os pecados mudar em virtudes! Passou o tempo do perdão; a hora presente é de justiça!
Caríssimo ouvinte; não haverá também porque ter pena dos que se perdem, pois receberam nesta vida — na medida adequada para eles — graça suficiente para se salvarem:foram eles próprios que rejeitaram a misericórdia de Deus, que não lhes faltou. Todos os homens podem salvar-se, porque Cristo morreu por todos, e Deus não pratica nenhum tipo de segregação. Os que forem condenados, sê-lo-ão de acordo com toda a justiça: Serão eles que o terão querido até o fim, porque não pode haver qualquer assomo de injustiça em Deus. Ouvinte, não haverá nenhuma “anistia final”, porque toda “anistia” já foi incansavelmente oferecida por Deus na vida terrena. Por isso não brinque e não faça gracinha, porque as conseqüências poderão ser desastrosas.
Caríssimo ouvinte, se queres que nesse tribunal, Jesus seja teu amigo, e não condenador implacável, vai ter com Ele, e pede-lhe que perdoe os teus pecados. Abranda a cólera de Nosso Senhor chorando os teus erros, e prometa-lhe fidelidade a partir de agora.
Se queres ver n’Ele mansidão, ama-o com amor sincero e não o ultrajes com esta tua rebeldia.
Se queres que o juízo de Deus te seja favorável, julga-te a ti mesmo. Imagina qual será o castigo que te pode acarretar a vida que levas. É o inferno! Isso mesmo.
Ouvinte, na primeira carta de São Paulo aos Coríntios, capítulo 11, versículo 31 diz: “Se nos julgássemos não seríamos julgados”, repito e São Bernardo de Claraval também escreve: “Julguei as minhas obras boas e as más — para que, quando vier o Senhor, que há de julgar Jerusalém, nenhuma coisa encontre, que não tenha sido julgada”.
Então, ouvinte, julga-te a ti mesmo, se não queres ser tão severamente julgado depois da tua morte. julga as tuas ações, as tuas palavras, os teus pensamentos, e faça penitência por tudo que achares digno de castigo.
Prezado ouvinte, muitos engraçadinhos brincam dizendo que não serão julgados, mas a hora deles também chegará. No livro de Ezequiel, capítulo 7, nos versículos 6, 7 e 8 diz: “Chegou o fim, chegou o fim; ele desperta contra ti, ei-lo que chega! Chegou a tua vez, sim, para ti, habitante da terra. O tempo está chegando, o dia está próximo. Será a ruína e não mais os júbilo nos montes. Agora mesmo, dentro de um instante derramarei a minha ira obre ti e satisfarei em ti a minha cólera. Com efeito, hei de julgar-te segundo o teu comportamento, e farei vir sobre ti todas as tuas abominações”, Ezequiel, capítulo 7, do versículo 6 ao versículo 8.
Ouvinte, Santo Agostinho escreve: “Antes do juízo, podemos ainda aplacar o juiz, mas durante o juízo, não”; por isso, ouvinte, repita continuamente essas palavras de Santo Afonso Maria de Ligório: “Desejo, ó juiz de minha alma, que me julgueis e castigueis nesta vida, porque ainda é tempo de misericórdia e de perdão. Depois da morte sé será tempo de justiça”.

Pe. Divino Antônio Lopes FP

Diálogo do Papa Bento XVI com os sacerdotes


Praça de São Pedro
Quinta-feira, 10 de Junho de 2010
América:
P. – Beatíssimo Padre, sou Pe. José Eduardo Oliveira e Silva e venho da América, exactamente do Brasil. A maior parte de nós aqui presentes está comprometida na pastoral directa, na paróquia, e não só com uma comunidade, mas por vezes já somos párocos de várias paróquias, ou de comunidades particularmente vastas. Com toda a boa vontade procuramos enfrentar as necessidades de uma sociedade muito mudada, já não totalmente cristã, mas damo-nos conta de que o nosso “fazer” não é suficiente. Para onde ir, Santidade? Em que direcção?
R. – Queridos amigos, antes de tudo gostaria de expressar a minha grande alegria porque estão reunidos aqui sacerdotes de todas as partes do mundo, na alegria da nossa vocação e na disponibilidade para servir o Senhor com todas as nossas forças, neste nosso tempo. Em relação à pergunta: estou deveras consciente de que hoje é muito difícil ser pároco, também e sobretudo nos países de antiga cristandade; as paróquias tornam-se cada vez mais vastas, unidades pastorais… é impossível conhecer todos, é impossível fazer todos os trabalhos que se esperam de um pároco. E assim, realmente, perguntamo-nos para onde ir, como o senhor disse. Mas em primeiro lugar gostaria de dizer: sei que existem tantos párocos no mundo que dedicam realmente toda a sua força pela evangelização, pela presença do Senhor e dos seus Sacramentos, e a estes fiéis párocos, que trabalham com todas as forças da sua vida, do nosso ser apaixonados por Cristo, gostaria de dizer um grande “obrigado”, neste momento. Disse que não é possível fazer tudo o que se deseja, tudo o que talvez se deva fazer, porque as nossas forças são limitadas e as situações são difíceis numa sociedade cada vez mais diversificada, mais complicada. Penso que, sobretudo, é importante que os fiéis possam ver que este sacerdote não faz apenas um “job”, horas de trabalho, e depois está livre e vive só para si mesmo, mas é um homem apaixonado de Cristo, que traz em si o fogo do amor de Cristo. Se os fiéis vêem que ele está cheio da alegria do Senhor, compreendem também que não pode fazer tudo, aceitam os limites e ajudam o pároco. Este parece-me o aspecto mais importante: que se possa ver e sentir que o pároco realmente se considera chamado pelo Senhor; que está cheio de amor ao Senhor e aos seus. Se isto existe, compreende-se e pode-se ver também a impossibilidade de fazer tudo. Por conseguinte, estar cheios da alegria do Evangelho com todo o nosso ser é a primeira condição. Depois devem fazer-se opções, ter a prioridade, ver quanto é possível e quanto é impossível. Diria que conhecemos as três prioridades fundamentais: são as três colunas do nosso ser sacerdotes. Primeiro, a Eucaristia, os Sacramentos: tornar possível e presente a Eucaristia, sobretudo dominical, na medida do possível, para todos, e celebrá-la de modo que se torne realmente o visível acto de amor do Senhor por nós. Depois, o anúncio da Palavra em todas as dimensões: do diálogo pessoal à homilia. O terceiro aspecto é a “caritas”, o amor de Cristo: estar presentes para quem sofre, para os pequeninos, para as crianças, para as pessoas em dificuldade, para os marginalizados; tornar realmente presente o amor do Bom Pastor. E depois, uma prioridade muito importante é também a relação pessoal com Cristo. No breviário, a 4 de Novembro, lemos um bonito texto de São Carlos Borromeu, grande pastor, que se entregou verdadeiramente a si mesmo, e que nos diz a nós, a todos os sacerdotes: “não descuides a tua alma: se a tua própria alma for descuidada, também não podes dar aos outros quanto deverias. Por conseguinte, também deves ter tempo para ti mesmo, para a tua alma”, ou, por outras palavras, a relação com Cristo, o diálogo pessoal com Cristo é uma prioridade pastoral fundamental, é condição para o nosso trabalho para os outros! E a oração não é algo marginal: a “profissão” do sacerdote é precisamente rezar, também como representante do povo que não sabe rezar ou não encontra tempo para o fazer. A oração pessoal, sobretudo a Oração das Horas, é alimento fundamental para a nossa alma, para toda a nossa acção. E, por fim, reconhecer os nossos limites, abrir-nos também a esta humildade. Recordemos uma narração de Marcos, no capítulo6, onde os discípulos estão “stressados”, querem fazer tudo, e o Senhor diz: “Vamos embora, repousai um pouco” (cf. Mc6, 31). Também isto é trabalho – diria – pastoral: encontrar e ter a humildade, a coragem de repousar. Portanto, penso que a paixão pelo Senhor, o amor do Senhor, nos mostra as prioridades, as escolhas, nos ajuda a encontrar o caminho. O Senhor ajudar-nos-á. Obrigado a todos vós!
África
P. – Santidade, sou Mathias Agnero e venho da África, exactamente da Costa do Marfim. Vossa Santidade é um Papa-teólogo, enquanto nós, quando conseguimos, lemos apenas alguns livros de teologia para a formação. Contudo, parece-nos que se criou uma ruptura entre teologia e doutrina e, ainda mais, entre teologia e espiritualidade. Sente-se a necessidade de que o estudo não seja só académico mas alimente a nossa espiritualidade. Sentimos a necessidade disto no próprio ministério pastoral. Por vezes a teologia não parece ter Deus no centro e Jesus Cristo como primeiro “lugar teológico”, mas tem ao contrário os gostos e as tendências difundidas; e a consequência é o proliferar de opiniões subjectivas que permitem o introduzir-se, também na Igreja, de um pensamento não católico. Como podemos não nos desorientar na nossa vida e no nosso ministério, quando é o mundo que julga a fé e não o contrário? Sentimo-nos “descentrados”!
R. – Obrigado. O senhor focou um problema muito difícil e doloroso. Há realmente uma teologia que quer ser académica sobretudo, parecer científica e esquece a realidade vital, a presença de Deus, a sua presença entre nós, o seu falar hoje, não só no passado. Já São Boaventura, no seu tempo, distinguiu duas formas de teologia; disse: “há uma teologia que provém da arrogância da razão, que quer dominar tudo, que faz passar Deus de sujeito para objecto que nós estudamos, enquanto deveria ser sujeito que nos fala e nos guia”. Há realmente este abuso da teologia, que é arrogância da razão e não alimenta a fé, mas obscurece a presença de Deus no mundo. Depois, há uma teologia que quer conhecer mais por amor ao amado, é estimulada pelo amor e guiada pelo amor, quer conhecer mais o amado. Esta é a verdadeira teologia, que vem do amor de Deus, de Cristo e quer entrar mais profundamente em comunhão com Cristo. Na realidade, as tentações, hoje, são grandes; sobretudo, impõe-se a chamada “visão moderna do mundo” (Bultmann, “modernes Weltbild”), que se torna o critério de quanto seria possível ou impossível. E assim, precisamente com este critério que tudo é como sempre, que todos os acontecimentos históricos são do mesmo género, excluiu-se precisamente a novidade do Evangelho, excluiu-se a irrupção de Deus, a verdadeira novidade que é a alegria da nossa fé. O que fazer? Aos teólogos eu diria antes de mais: tende coragem. E gostaria de manifestar o meu grande obrigado também aos numerosos teólogos que fazem um bom trabalho. Existem os abusos, sabemo-lo, mas em todas as partes do mundo existem muitos teólogos que vivem verdadeiramente da Palavra de Deus, se alimentam da meditação, vivem a fé da Igreja e querem ajudar para que a fé esteja presente no nosso hoje. A estes teólogos gostaria de dizer um grande “obrigado”. E diria aos teólogos em geral: “não tenhais medo deste fantasma da cientificidade!”. Eu sigo a teologia desde 1946: comecei a estudá-la em Janeiro desse ano e portanto vi quase três gerações de teólogos, e posso dizer: as hipóteses que naquele tempo, e depois nos anos 60 e 80 eram as mais novas, absolutamente científicas, quase dogmáticas, entretanto envelheceram e já não são válidas! Muitas delas parecem quase ridículas. Portanto, ter a coragem de resistir à aparente cientificidade, de não se submeter a todas as hipóteses do momento, mas pensar realmente a partir da grande fé da Igreja, que está presente em todos os tempos e nos dá o acesso à verdade. Sobretudo, também, não pensar que a razão positivista, que exclui o transcendente – que não pode ser acessível – é a verdadeira razão! Esta razão frágil, que só apresenta as realidades experimentáveis, é realmente uma razão insuficiente. Nós teólogos devemos usar a razão grande, que está aberta à grandeza de Deus. Devemos ter a coragem de ir além do positivismo à questão das raízes do ser. Isto parece-me de grande importância. Portanto, é preciso ter a coragem da grande, ampla razão, ter a humildade de não se submeter a todas as hipóteses do momento, viver da grande fé da Igreja de todos os tempos. Não há uma maioria contra a maioria dos Santos: a verdadeira maioria são os Santos na Igreja e devemos orientar-nos por eles! Depois, digo o mesmo aos seminaristas e aos sacerdotes: Pensai que a Sagrada Escritura não é um livro isolado: é vivo na comunidade viva da Igreja, que é o mesmo sujeito em todos os séculos e garante a presença da Palavra de Deus. O Senhor deu-nos a Igreja como sujeito vivo, com a estrutura dos Bispos em comunhão com o Papa, e esta grande realidade dos Bispos do mundo em comunhão com o Papa garante-nos o testemunho da verdade permanente. Tenhamos confiança neste Magistério permanente da comunhão dos Bispos com o Papa, que nos representa a presença da Palavra. E depois, tenhamos confiança também na vida da Igreja e, sobretudo, devemos ser críticos. Certamente a formação teológica – gostaria de dizer isto aos seminaristas – é muito importante. No nosso tempo devemos conhecer bem a Sagrada Escritura, também precisamente contra os ataques das seitas; devemos ser realmente amigos da Palavra. Devemos conhecer também as correntes do nosso tempo para poder responder razoavelmente, para poder – como diz São Pedro – “explicar a razão faz nossa fé”. A formação é muito importante. Mas devemos ser também críticos: o critério da fé é o critério com o qual ver também os teólogos e as teologias. O Papa João Paulo II deixou-nos um critério absolutamente seguro no Catecismo da Igreja Católica: vemos nele a síntese da nossa fé, e este Catecismo é verdadeiramente o critério para ver para onde se orienta uma teologia aceitável ou inaceitável. Portanto, recomendo a leitura, o estudo deste texto, e assim podemos ir em frente com uma teologia crítica no sentido positivo, ou seja, contra as tendências da moda e aberta às verdadeiras novidades, à profundidade inexaurível da Palavra de Deus, que se revela nova em todos os tempos, também no nosso.
Europa
P. – Santo Padre, sou Pe. Karol Miklosko e venho da Europa, exactamente da Eslováquia, e sou missionário na Rússia. Quando celebro a Santa Missa encontro-me a mim mesmo e compreendo que ali encontro a minha identidade, a raiz e a energia do meu ministério. O sacrifício da Cruz revela-me o Bom Pastor que dá tudo pelo rebanho, por cada ovelha, e quando digo: “Isto é o meu corpo… isto é o meu sangue” oferecido e derramado em sacrifício por vós, então compreendo a beleza do celibato e da obediência, que livremente prometi no momento da ordenação. Mesmo com as dificuldades naturais, o celibato parece-me óbvio, olhando para Cristo, mas sinto-me transtornado ao ler tantas críticas mundanas a este dom. Peço-lhe humildemente, Padre Santo, que nos ilumine sobre a profundeza e o sentido autêntico do celibato eclesiástico.
R. – Obrigado pelas duas partes da sua pergunta. A primeira, onde mostra o fundamento permanente e vital do nosso celibato; a segunda, que mostra todas as dificuldades nas quais nos encontramos no nosso tempo. A primeira é importante, isto é: o centro da nossa vida deve ser realmente a celebração quotidiana da Sagrada Eucaristia; e aqui são centrais as palavras da consagração: “Isto é o meu Corpo, isto é o meu Sangue”, ou seja: falamos “in persona Christi”. Cristo permite que usemos o seu “eu”, que falemos no “eu” de Cristo, Cristo “atrai-nos para si” e permite que nos unamos, une-nos com o seu “eu”. E assim, através desta acção, este facto que Ele nos “atrai” para si mesmo, de modo que o nosso “eu” se torna um só com o seu, realiza a permanência, a unicidade do seu Sacerdócio; assim Ele é sempre realmente o único Sacerdote, e contudo muito presente no mundo, porque nos “atrai” para si mesmo e deste modo torna presente a sua missão sacerdotal. Isto significa que somos “atraídos” para o Deus de Cristo: é esta união com o seu “eu” que se realiza nas palavras da consagração. Também no “estás perdoado” – porque nenhum de nós poderia perdoar os pecados – é o “eu” de Cristo, de Deus, o único que pode perdoar. Esta unificação do seu “eu” com o nosso implica que somos “atraídos” também para a sua realidade de Ressuscitado, que prosseguimos rumo à vida plena da ressurreição, da qual Jesus fala aos Saduceus em Mateus, capítulo 22: é uma vida “nova”, na qual já estamos além do matrimónio (cf. Mt 22, 23-32). É importante que nos deixemos sempre de novo embeber por esta identificação do “eu” de Cristo connosco, por este ser “lançados” para o mundo da ressurreição. Neste sentido, o celibato é uma antecipação. Transcendamos este tempo e caminhemos em frente, e assim “atrairemos” para nós próprios e o nosso tempo rumo ao mundo da ressurreição, à novidade de Cristo, à vida nova e verdadeira. Por conseguinte, o celibato é uma antecipação tornada possível pela graça do Senhor que nos “atrai” para si rumo ao mundo da ressurreição; convida-nos sempre de novo a transcender-nos a nós mesmos, este presente, rumo ao verdadeiro presente do futuro, que hoje se torna presente. E chegamos a um ponto muito importante. Um grande problema da cristandade do mundo de hoje é que já não se pensa no futuro de Deus: só o presente deste mundo parece suficiente. Queremos ter só este mundo, viver só neste mundo. Assim fechamos as portas à verdadeira grandeza da nossa existência. O sentido do celibato como antecipação do futuro é precisamente abrir estas portas, tornar o mundo maior, mostrar a realidade do futuro que deve ser vivido por nós como presente. Por conseguinte, viver assim num testemunho da fé: cremos realmente que Deus existe, que Deus tem a ver com a minha vida, que posso fundar a minha vida em Jesus, na vida futura. E conhecemos agora as críticas mundanas das quais o senhor falou. É verdade que para o mundo agnóstico, o mundo no qual Deus não tem lugar, o celibato é um grande escândalo, porque mostra precisamente que Deus é considerado e vivido como realidade. Com a vida escatológica do celibato, o mundo futuro de Deus entra nas realidades do nosso tempo. E isto deveria desaparecer! Num certo sentido, esta crítica permanente contra o celibato pode surpreender, num tempo em que está cada vez mais na moda não casar. Mas este não-casar é uma coisa total, fundamentalmente diversa do celibato, porque o não-casar se baseia na vontade de viver só para si mesmo, de não aceitar qualquer vínculo definitivo, de ter a vida em todos os momentos em plena autonomia, decidir em qualquer momento como fazer, o que tirar da vida; e portanto um “não” ao vínculo, um “não” à definitividade, um ter a vida só para si mesmos. Enquanto o celibato é precisamente o contrário: é um “sim” definitivo, é um deixar-se guiar pela mão de Deus, entregar-se nas mãos do Senhor, no seu “eu”, e portanto é um acto de fidelidade e de confiança, um acto que supõe também a fidelidade do matrimónio; é precisamente o contrário deste “não”, desta autonomia que não se quer comprometer, que não quer entrar num vínculo; é precisamente o “sim” definitivo que supõe, confirma o “sim” definitivo do matrimónio. E este matrimónio é a forma bíblica, a forma natural do ser homem e mulher, fundamento da grande cultura cristã, das grandes culturas do mundo. E se isto desaparecer, será destruída a raiz da nossa cultura. Por isso, o celibato confirma o “sim” do matrimónio com o seu “sim” ao mundo futuro, e assim queremos ir em frente e tornar presente este escândalo de uma fé que baseia toda a existência em Deus. Sabemos que ao lado deste grande escândalo, que o mundo não quer ver, existem também os escândalos secundários das nossas insuficiências, dos nossos pecados, que obscurecem o verdadeiro e grande escândalo, e fazem pensar: “Mas, não vivem realmente no fundamento de Deus!”. Mas há tanta fidelidade! O celibato, mostram-no precisamente as críticas, é um grande sinal de fé, da presença de Deus no mundo. Rezemos ao Senhor para que nos ajude a tornar-nos livres dos escândalos secundários, para que torne presente o grande escândalo da nossa fé: a confiança, a força da nossa vida, que se funda em Deus e em Jesus Cristo!
Ásia
P. – Santo Padre, sou Pe. Atsushi Yamashita e venho da Ásia, precisamente do Japão. O modelo sacerdotal que Vossa Santidade nos propôs neste Ano, o Cura d’Ars, vê no centro da existência e do ministério a Eucaristia, a Penitência sacramental e pessoal e o amor ao culto, dignamente celebrado. Tenho diante dos olhos os sinais da pobreza austera de São João Maria Vianney e ao mesmo tempo da sua paixão pelas coisas preciosas para o culto. Como viver estas dimensões fundamentais da nossa existência sacerdotal, sem cair no clericalismo ou numa estraneidade à realidade, que o mundo hoje não nos permite?
R. – Obrigado. Portanto, a pergunta é como viver a centralidade da Eucaristia sem se perder numa vida meramente cultual, alheios à vida de todos os dias das outras pessoas. Sabemos que o clericalismo é uma tentação dos sacerdotes em todos os séculos, também hoje. Muito mais importante é encontrar o modo verdadeiro de viver a Eucaristia, que não é um fechamento ao mundo, mas precisamente abertura às necessidades do mundo. Devemos ter presente que na Eucaristia se realiza este grande drama de Deus que sai de si mesmo, deixa – como diz a Carta aos Filipenses – a sua própria glória, sai e desce até ser um de nós e desce até à morte na Cruz (cf. Fl 2). A aventura do amor de Deus, que deixa, se abandona a si mesmo para estar connosco – e isto torna-se presente na Eucaristia; o grande acto, a grande aventura do amor de Deus é a humildade de Deus que se doa a nós. Neste sentido a Eucaristia deve ser considerada como o entrar neste caminho de Deus. Santo Agostinho diz, no De Civitate Dei, livro X: “Hoc est sacrificium Christianorum: multi unum corpus in Christo”, isto é: o sacrifício dos cristãos é estar congregados pelo amor de Cristo na unidade do único corpo de Cristo. O sacrifício consiste precisamente em sair de nós, em deixar-nos atrair pela comunhão do único pão, do único Corpo, e deste modo entrar na grande aventura do amor de Deus. Assim devemos celebrar, viver, meditar sempre a Eucaristia, como uma escola da libertação do meu “eu”: entrar no único pão, que é pão de todos, que nos une no único Corpo de Cristo. E por conseguinte, a Eucaristia é, em si, um acto de amor, obriga-nos a esta realidade do amor pelos outros: que o sacrifício de Cristo é a comunhão de todos no seu Corpo. E por conseguinte, deste modo devemos aprender a Eucaristia, que de resto é precisamente o contrário do clericalismo, do fechamento em si mesmo. Pensemos também em Madre Teresa, deveras o exemplo grande neste século, neste tempo, de um amor que se deixa a si mesmo, que deixa qualquer tipo de clericalismo, de estraneidade ao mundo, que vai ao encontro dos mais marginalizados, dos mais pobres, das pessoas que estão próximas da morte e se entrega totalmente ao amor pelos pobres, pelos marginalizados. Mas Madre Teresa, que nos ofereceu este exemplo, a comunidade que segue os seus passos supunha sempre como primeira condição de uma sua fundação a presença de um tabernáculo. Sem a presença do amor de Deus que se doa não teria sido possível realizar aquele apostolado, não teria sido possível viver naquele abandono de si mesmos; só inserindo-se neste abandono de si em Deus, nesta aventura de Deus, nesta humildade de Deus, podiam e podem realizar hoje este grande acto de amor, esta abertura a todos. Neste sentido, diria: viver a Eucaristia no seu sentido originário, na sua verdadeira profundidade, é uma escola de vida, é a protecção mais segura contra qualquer tentação de clericalismo.
Oceânia
P. – Beatíssimo Padre, sou Pe. Anthony Denton e venho da Oceânia, da Austrália. Esta noite, aqui, somos numerosíssimos sacerdotes. Mas sabemos que os nossos seminários não estão cheios e que, no futuro, em várias partes do mundo, esperamos uma diminuição, até brusca. O que fazer de verdadeiramente eficaz pelas vocações? Como propor a nossa vida, no que nela existe de grande e de belo, a um jovem do nosso tempo?
R. – Obrigado. Realmente o senhor refere-se de novo a um problema grande e doloroso do nosso tempo: a falta de vocações, devido à qual as Igrejas locais correm o risco de se tornar áridas, porque falta a Palavra de vida, falta a presença do sacramento da Eucaristia e dos outros Sacramentos. Que fazer? A tentação é grande: tomar nós próprios as rédeas do problema, transformar o sacerdócio o sacramento de Cristo, o ser eleito por Ele numa profissão normal, num “job” que ocupa as suas horas, e o resto do dia pertencer só a si mesmo; e deste modo tornando-o como qualquer outra vocação: torná-lo acessível e fácil. Mas esta é uma tentação que não resolve o problema. Faz-me pensar na história de Saul, rei de Israel, que antes da batalha contra os Filisteus espera Samuel para o necessário sacrifício a Deus. E quando Samuel, no momento esperado, não vem, ele mesmo realiza o sacrifício, mesmo não sendo sacerdote (cf. 1 Sm 13); pensa que assim resolve o problema, que naturalmente não resolve, porque assume ele mesmo aquilo que não pode fazer, torna-se ele mesmo Deus, ou quase, e não pode esperar que as coisas procedam realmente à maneira de Deus. Assim, também nós, se desempenhássemos só uma profissão como outros, renunciando à sacralidade, à novidade, à diversidade do sacramento que só Deus dá, que só pode vir da sua vocação e não do nosso “fazer”, nada resolveríamos. Por isso devemos como nos convida o Senhor rezar a Deus, bater à porta do coração de Deus, para que nos conceda as vocações; rezar com grande insistência, com grande determinação, com grande convicção, porque Deus não se fecha a uma oração insistente, permanente, confiante, mesmo se deixa fazer, esperar, como Saul, além dos tempos que nós previmos. Este parece-me o primeiro ponto: encorajar os fiéis a ter esta humildade, esta confiança, esta coragem de rezar com insistência pelas vocações, de bater à porta do coração de Deus para que nos conceda sacerdotes. Além disto, acrescentaria talvez três aspectos: o primeiro: cada um de nós deveria fazer o possível para viver o próprio sacerdócio de tal modo que seja convincente, de maneira que os jovens possam dizer: esta é uma verdadeira vocação, assim pode-se viver, assim faz-se uma coisa essencial para o mundo. Penso que nenhum de nós se teria tornado sacerdote, se não tivesse conhecido sacerdotes convincentes nos quais ardia o fogo do amor de Cristo. Portanto, este é o primeiro aspecto: procuremos ser nós mesmos sacerdotes convincentes. O segundo, é que devemos convidar, como já disse, para a iniciativa da oração, para ter esta humildade, esta confiança de falar com Deus, com força, com decisão. O terceiro aspecto: ter a coragem de falar com os jovens, se podem pensar que Deus os chame, porque muitas vezes é necessária uma palavra humana para predispor para a escuta à vocação divina; falar com os jovens e sobretudo ajudá-los a encontrar um contexto vital no qual possam viver. O mundo de hoje é tal que parece quase excluída a maturação de uma vocação sacerdotal; os jovens precisam de ambientes nos quais se viva a fé, nos quais sobressaia a beleza da fé, nos quais sobressaia que este é um modelo de vida, “o” modelo de vida, e portanto ajudá-los a encontrar movimentos, ou a paróquia – a comunidade na paróquia – ou outros contextos nos quais estejam realmente circundados pela fé, pelo amor de Deus, e possam portanto abrir-se para que a vocação de Deus os alcance e ajude. De resto, demos graças ao Senhor por todos os seminaristas do nosso tempo, pelos jovens sacerdotes, e rezemos. O Senhor ajudar-nos-á! Obrigado a todos vós!

Outro “Rei do aborto” convertido em defensor da vida: A história de Stojan Adasevic


O jornal La Razón de Espanha deu a conhecer o caso de um novo “rei do aborto” convertido: Stojan Adasevic, quem chegou a realizar 48 mil abortos em total e até 35 em um só dia, é atualmente o principal líder pró-vida da Sérbia, mas durante 26 anos foi o ginecologista abortista mais prestigioso da Belgrado comunista.
O periódico espanhol assinala que “os livros de medicina do regime comunista diziam que abortar era, simplesmente, extirpar uma parte de tecido. Os ultra-sons que permitiam ver o feto chegaram nos anos 80, mas não mudaram sua opinião. Entretanto, começou a ter pesadelos”.
Ao relatar seu processo de conversão, explica o jornal, Adasevic “sonhava com um formoso campo, cheio de crianças e jovens que jogavam e riam, de 4 a 24 anos, mas que ao vê-lo correram dele temerosas, como que se lhe reconhecendo. Um homem vestido com um hábito branco e negro o olhava intensamente, em silêncio. O sonho se repetia a cada noite e acordava com suores frios. Uma noite perguntou ao homem de negro e branco por seu nome. ‘Meu nome é Tomás de Aquino’, respondeu o homem do sonho. Adasevic, formado na escola comunista, nunca tinha ouvido falar do genial santo dominicano, não reconheceu o nome”.
“‘por que não me pergunta quem são estas ciranças? São os que matou com seus abortos’, disse-lhe Tomas. Adasevic acordou, impressionado, e decidiu não praticar mais intervenções”, prossegue.
“Esse mesmo dia veio a seu hospital um primo seu com a noiva, grávida de quatro meses, para fazer-se o nono aborto, um fato bastante freqüente nos países do bloco soviético. Ele, ainda não afirmado socialmente de sua decisão, concordou. Em vez de tirar o feto membro a membro, decidiu amassá-lo e tirá-lo como uma massa. Entretanto, o coração do bebê saiu ainda pulsando. Adasevic se deu conta então de que tinha matado a um ser humano”.
Depois desse macabro episódio, Adasevic “informou ao hospital de que não faria mais abortos. Nunca na Yugoslávia comunista um médico se negou. O Governo reduziu seu salário pela metade, despediu sua filha do emprego em que trabalhava, e impediu seu filho de entrar na Universidade.

Depois de dois anos de pressões e a ponto de render-se, voltou a sonhar com Santo Tomas: “‘é meu bom amigo, persevera’, disse o homem de branco e negro. Adasevic se comprometeu com os grupos pró-vida. Duas vezes conseguiu que a televisão yugoslava emitisse o filme de ultra-sons ‘O grito silencioso’, de outro famoso ex-abortista, o doutor Bernard Nathanson”.
Atualmente o doutor Adasevic publicou seu testemunho em revistas e jornais da Europa do Leste, como a russa Liubitie Drug Druga. Voltou para cristianismo ortodoxo de sua infância e também aprendeu coisas sobre Santo Tomás de Aquino.
O jornal “La Razon” comentou em sua matéria que Adasevic estima que São Tomás de Aquino desejava que os erros por ele cometidos fossem compensados, reparados… Atualmente, continua sua luta em defesa dos não nascidos.
Esta história mostra-nos também que todos os envolvidos com a prática do aborto tem chances de reconciliarem-se com Deus. Se assim o desejarem por sua boa e santa vontade, por sua boa fé e pelo amor à vida em plenitude considerada. Se um Médico com 48.000 abortos, depois de sua conversão e das provações que comprovaram o seu caráter, foi contemplado com um distinto diálogo místico em que São Tomás de Aquino o declarou como “meu bom amigo”, certamente todas as outras pessoas envolvidas com o aborto também podem reencontrar as graças e o reconhecimento de Deus e de todos os Seus. O que vale para todas as outras formas de agressão à pessoa pelo pecado contra a sua dignidade ou integridade… Sempre lembremo-nos disto…
Abaixo, transcrevo a oração “ALMA DE CRISTO”, de autoria justamente de São Tomás de Aquino.
ALMA DE CRISTO
Alma de Cristo, santificai-me
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Dentro de Vossas chagas, escondei-me.
Não permitais que de Vós me separe.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora de minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
Para que com Vossos Santos Vos louve,
Por todos os séculos dos séculos.
Amém.
FONTES: ACI e Gente de fé

3 de jul. de 2010

A maturidade afetiva










 No nosso mundo altamente técnico e cheio de avanços científicos, pouco se tem progredido no conhecimento das profundezas do coração. “Vivemos hoje o drama de um desnível gritante entre o fabuloso progresso técnico e científico e a imaturidade quase infantil no que diz respeito aos sentimentos humanos” A afetividade não está por assim dizer encerrada no coração, nos sentimentos, mas permeia toda a personalidade.

Estamos continuamente sentindo aquilo que pensamos e fazemos. Por isso, qualquer distúrbio da vida afetiva acaba por impedir ou pelo menos entravar o amadurecimento da personalidade como um todo.

Observamos isto claramente no fenômeno de "fixação na adolescência" ou na "adolescência retardada". Como já anotamos, o adolescente caracteriza-se por uma afetividade egocêntrica e instável; essa característica, quando não superada na natural evolução da personalidade, pode sofrer uma "fixação", permanecendo no adulto: este é um dos sintomas da imaturidade afetiva.

É significativo verificar como essa imaturidade parece ser uma característica da atual geração. No nosso mundo altamente técnico e cheio de avanços científicos, pouco se tem progredido no conhecimento das profundezas do coração, e daí resulta aquilo que Alexis Carrel, prêmio Nobel de Medicina, apontava no seu célebre trabalho O homem, esse desconhecido: vivemos hoje o drama de um desnível gritante entre o fabuloso progresso técnico e científico e a imaturidade quase infantil no que diz respeito aos sentimentos humanos.

Mesmo em pessoas de alto nível intelectual, ocorre um autêntico analfabetismo afetivo: são indivíduos truncados, incompletos, mal-formados, imaturos; estão preparados para trabalhar de forma eficiente, mas são absolutamente incapazes de amar. Esta desproporção tem conseqüências devastadoras: basta reparar na facilidade com que as pessoas se casam e se "descasam", se "juntam" e se separam. Dão a impressão de reparar apenas na camada epidérmica do amor e de não aprofundar nos valores do coração humano e nas leis do verdadeiro amor.

Quais são, então, os valores do verdadeiro amor? Que significado tem essa palavra?

O amor, na realidade, tem um significado polivalente, tão dificil de definir que já houve quem dissesse que o amor é aquilo que se sente quando se ama, e, se perguntássemos o que se sente quando se ama, só seria possível responder simplesmente: "Amor". Este círculo vicioso deve-se ao que o insigne médico e pensador Gregório Marañon descrevia com precisão: "O amor é algo muito complexo e variado; chama-se amor a muitas coisas que são muito diferentes, mesmo que a sua raiz seja a mesma".


A MATURIDADE NO AMOR

Hoje, considera-se a satisfação sexual autocentrada como a expressão mais importante do amor. Não o entendia assim o pensamento clássico, que considerava o amor da mãe pelos filhos como o paradigma de todos os tipos de amor: o amor que prefere o bem da pessoa amada ao próprio. Este conceito, perpassando os séculos, permitiu que até um pensador como Hegel, que tem pouco de cristão, afirmasse que "a verdadeira essência do amor consiste em esquecer-se no outro".

Bem diferente é o conceito de amor que se cultua na nossa época. Parece que se retrocedeu a uma espécie de adolescência da humanidade, onde o que mais conta é o prazer. Este fenômeno tem inúmeras manifestações. Referir-nos-emos apenas a algumas delas:

- Edifica-se a vida sentimental sobre uma base pouco sólida
: confunde-se amor com namoricos, atração sexual com enamoramento profundo. Todos conhecemos algum "don Juan": um mestre na arte de conquistar e um fracassado à hora da abnegação que todo o amor exige. Incapazes de um amor maduro, essas pessoas nunca chegam a assimilar aquilo que afirmava Montesquieu: "É mais fácil conquistar do que manter a conquista".

- Diviniza-se o amor:
"A pessoa imatura - escreve Enrique Rojas - idealiza a vida afetiva e exalta o amor conjugal como algo extraordinário e maravilhoso. Isto constitui um erro, porque não aprofunda na análise. O amor é uma tarefa esforçada de melhora pessoal durante a qual se burilam os defeitos próprios e os que afetam o outro cônjuge <...>. A pessoa imatura converte o outro num absoluto. Isto costuma pagar-se caro. É natural que ao longo do namoro exista um deslumbramento que impede de reparar na realidade, fenômeno que Ortega y Gasset designou por "doença da atenção", mas também é verdade que o difícil convívio diário coloca cada qual no seu lugar; a verdade aflora sem máscaras, e, à medida que se desenvolve a vida ordinária, vai aparecendo a imagem real".(E. Rojas)

- No imaturo, o amor fica "cristalizado", como diz Stendhal, nessa fase de deslumbramento, e não aprofunda na "versão real" que o convívio conjugal vai desvendando. Quando o amor é profundo, as divergências que se descobrem acabam por superar-se; quando é superficial, por ser imaturo, provocam conflitos e freqüentemente rupturas.

- A pessoa afetivamente imatura desconhece que os sentimentos não são estáticos, mas dinâmicos. São suscetíveis de melhora e devem ser cultivados no viver quotidiano. São como plantas delicadas que precisam ser regadas diariamente. "O amor inteligente exige o cuidado dos detalhes pequenos e uma alta porcentagem de artesanato psicológico ".(E.Rojas)

A pessoa consciente, madura, sabe que o amor se constrói dia após dia, lutando por corrigir defeitos, contornar dificuldades, evitar atritos e manifestar sempre afeição e carinho.

- Os imaturos querem antes receber do que dar
. Quem é imaturo quer que todos sejam como uma peça integrante da máquina da sua felicidade. Ama somente para que os outros o realizem. Amar para ele é uma forma de satisfazer uma necessidade afetiva, sexual, ou uma forma de auto-afirmação. O amor acaba por tornar-se uma espécie de "grude" que prende os outros ao próprio "eu" para completá-lo ou engrandecê-lo.

Mas esse amor, que não deixa de ser uma forma transferida de egoísmo, desemboca na frustração. Procura cada vez mais atrair os outros para si e os outros vão progressivamente afastando-se dele. Acaba abandonado por todos, porque ninguém quer submeter-se ao seu pegajoso egocentrismo; ninguém quer ser apenas um instrumento da felicidade alheia.

Os sentimentos são caminho de ida e volta; deve haver reciprocidade. A pessoa imatura acaba sempre queixando-se da solidão que ela mesma provocou por falta de espírito de renúncia. A nossa sociedade esqueceu quase tudo sobre o que é o amor. Como diz Enrique Rojas: "Não há felicidade se não há amor e não há amor sem renúncia. Um segmento essencial da afetividade está tecido de sacrifício. Algo que não está na moda, que não é popular, mas que acaba por ser fundamental".

Há pouco, um amigo, professor de uma Faculdade de Jornalismo, referiu-me um episódio relacionado com um seu primo - extremamente egoísta - que se tinha casado e separado três vezes. No cartão de Natal, após desejar-lhe boas festas, esse professor perguntava-lhe em que situação afetiva se encontrava. Recebeu uma resposta chocante: "Assino eu e a minha gata. Como ela não sabe assinar, o faz estampando a sua pata no cartão: são as suas marcas digitais. Este animalzinho é o único que quer permanecer ao meu lado. É o único que me ama".

O imaturo pretende introduzir o outro no seu projeto pessoal de vida, em vez de tentar contribuir com o outro num projeto construído em comum. A felicidade do cônjuge, da família e dos filhos: esse é o projeto comum do verdadeiro amor. As pessoas imaturas não compreendem que a dedicação aos filhos constitui um fator importante para a estabilidade afetiva dos pais. Também não assimilaram a idéia de que, para se realizarem a si mesmos, têm de se empenhar na realização do cônjuge. Quem não é solidário termina solitário. Ou juntando-se a uma "gatinha", seja de que espécie for.


EDUCAR A AFETIVIDADE

Mais do que nunca, é preciso prestar atenção hoje à educação da afetividade dos filhos e à reeducação da afetividade dos adultos. Uma educação e uma reeducação que devem ter como base esse conceito mais nobre do amor que acabamos de formular: aquele que vai superando o estágio do amor de apetência - que apetece e dá prazer - para passar ao amor de complacência - que compraz afetivamente - e abrir-se ao amor oblativo de benevolência - que sabe renunciar e entregar-se para conseguir o bem do outro.

O amor maduro exige domínio próprio: ir ascendendo do mundo elementar - imaturo - do mero prazer, até o mundo racional e espiritual em que o homem encontra a sua plena dignidade. Reclama que se canalizem as inclinações naturais sensitivas para pô-las ao serviço da totalidade da pessoa humana, com as suas exigências racionais e espirituais. Requer que se conceda à vontade o seu papel reitor, livre e responsável. Pede que, por cima dos gostos e sentimentos pessoais, se valorizem os compromissos sérios reciprocamente assumidos... Aaron Beek, no seu livro Só o amor não basta, insiste repetidamente em que é necessária a determinação da vontade para dar consistência aos movimentos intermitentes do coração: o mero sentimento não basta.

O "amor como dom de si comporta - diz o Catecismo da Igreja Católica - uma aprendizagem do domínio de si <...>. As alternativas são claras: ou o homem comanda e domina as suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz. Esse domínio de si mesmo é um trabalho a longo prazo. Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado em todas as idades da vida"".

Isto significa cultivar o amor. O maior de todos os amores desmoronar-se-á se não for aperfeiçoado diariamente. Empenho este que, na vida diária, se traduz no esforço por esmerar-se na realização das pequenas coisas, à semelhança do trabalho do ourives, feito com filigranas delicadamente entrelaçadas cada dia, na tarefa de aprimorar o trato mútuo, evitando os pormenores que prejudicam a convivência.

A convivência é uma arte preciosa. Exige uma série de diligências: prestar atenção habitual às necessidades do outro; corrigir os defeitos; superar os pequenos conflitos para que não gerem os grandes; aprender a escutar mais do que a falar; vencer o cansaço provocado pela rotina; retribuir com gratidão os esforços feitos pelo outro... e, especialmente, renovar, no pequeno e no grande, o compromisso de uma mútua fidelidade que exige perseverança nas menores exigências do amor..., uma perseverança que não goza dos favores de uma sociedade hedonista e permissivista, inclinada sempre ao mais gostoso e prazeroso.

O coração não foi feito para amoricos, dizíamos, mas para amores fortes. O sentimentalismo é para o amor o que a caricatura é para o rosto. Alguns parecem ter o coração de chiclete: apegam-se a tudo. Uns olhos bonitos, uma voz meiga, um caminhar charmoso, podem fazer-lhes tremer os fundamentos da fidelidade. Outros parecem inveterados novelistas: sentem sempre a necessidade de estar envolvidos em algum romance, real ou imaginário, sendo eles os eternos protagonistas: dão a impressão de que a televisão mental lhes absorve todos os pensamentos.

Precisamos educar o nosso coração para a fidelidade. Amores maduros são sempre amores fiéis. Não podemos ter um coração de bailarina. A guarda dos sentidos - especialmente da vista - e da imaginação há de proteger-nos da inconstância sentimental, do comportamento volátil de um "beija-flor"...

Tudo isto faz parte do que denominávamos a educação afetiva dos jovens e a reeducação afetiva dos adultos. João Paulo II a chama "a educação para o amor como dom de si: diante de uma cultura que «banaliza» em grande parte a sexualidade humana, porque a interpreta e vive de maneira limitada e empobrecida, ligando-a exclusivamente ao corpo e ao prazer egoístico, a tarefa educativa deve dirigir-se com firmeza para uma cultura sexual verdadeira e plenamente pessoal. A sexualidade, de fato, é uma riqueza da pessoa toda - corpo, sentimento e alma -, e manifesta o seu significado íntimo ao levar a pessoa ao dom de si no amor".


Rafael Llano Cifuentes
Licenciado em Direito Civil pela Universidade de Salamanca e Doutor em Direito Canônico pela Universidade Pontifícia de São Tomás de Roma. Professor de Direito Matrimonial no Instituto Superior de Direito Canônico do Rio de Janeiro, é Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro e Coordenador da Pastoral Familiar, da Pastoral da Juventude e da Pastoral Universitária. Publicou diversas obras sobre Direito Canônico e, nesta coleção, os cadernos A constância, Otimismo, Egoísmo e amor, Fortaleza, Vidas sinceras, A alegria de viver e Grandeza de coração, bem como o livro 270 perguntas e respostas sobre sexo e amor
Fonte: Livro A Maturidade, de Rafael Llano Cifuentes, Editora Quadrante, São Paulo 2003

2 de jul. de 2010

Os falsos profetas na Igreja da atualidade


O Senhor Jesus nos alertou de que no tempo do fim apareceriam muitos falsos profetas e falsos cristos (Mt 24, 4). Pois bem. De fato, estamos assistindo um festival cada vez maior de pessoas de grande mídia que se enquadram nessa categoria. Ultimamente, a Igreja tem sido atacada de todos os lados, por se posicionar contra o aborto- assassinato-, contra pesquisas com embriões- eugenia-, bem como contra o matrimonio entre homossexuais- o que é claramente contrário a Palavra de Deus (Rm 1, 27). Não obstante essa defesa apologética das verdades “racionais” da fé cristã, o fato é que muitos, de dentro da própria Igreja, insistem em defender tais postulados, querendo com isso conciliar o que acreditam ser a fé cristã e as modas da atualidade. Ledo engano, já que “não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios” ao mesmo tempo (1 Co 10, 21). É certo que muitos o fazem por ignorância. Não me refiro a esses. Refiro-me, sim, aos que, intencionalmente, o fazem para destruir a Igreja e o Evangelho do Reino de Cristo. Estou a falar dos falsos profetas.

São claramente os próprios falsos profetas que insistem em atacar a Igreja, embora muitos deles estejam dentro da própria Igreja como lobos disfarçados, cujo objetivo é enfraquecer a Igreja por dentro e destruí-la nas entranhas. Muitos deles são marxistas revolucionários, mas se dizem cristãos, embora não acreditem que Deus é realmente capaz de transfigurar a terra e o céu em nossa terra e novo céu (Ap 21, 1) e queiram eles mesmos transformar a realidade através de uma revolução política- ou seja, querem realizar um paraíso na terra por suas próprias mãos. Outros, embora não sejam marxistas, continuam sendo revolucionários, pois acreditam possuir uma inteligência superior para transformar esse mundo em uma paraíso desenhado pelas suas “brilhantes mentes”, o que eles mesmos chamam de nova ordem mundial. Ainda existem aqueles que, pertencendo a movimentos contrários a Palavra de Deus e a Cristandade de uma forma geral, infiltram-se na Igreja com o fim de destruí-la por dentro, tal como os marxistas também o fazem. É o caso do movimento gay.

No primeiro caso, temos como exemplo claro a Teologia da Libertação ou ainda padres e pastores que apóiam descaradamente a revolução gramsciniana em marcha no Brasil, dizendo tratar-se de uma “revolução pelo social”.
No segundo, temos os globalistas de um modo geral, tais como os bilderberg´s, o CFR e a Comissão Trilateral.
No terceiro, temos como exemplo o movimento gay, articulado para a destruição da Igreja. Querem legalizar não uma conduta sexual, mas sua verborragia criminosa contra os cristãos, de forma a penalizá-los por exercer o direito constitucional a serem cristãos e pregar a Palavra de Deus. Querem, na verdade, criminalizar opiniões contrárias as deles, em um legítimo ato de tirania pela opinião contrária. E o que é pior: chamam isso de “democracia”.
Os últimos ataques contra a pessoa do Papa Bento e contra a Igreja Católica como um todo, a qual eles acusam de parcimônia com a pedofilia, não tem outro objetivo senão entronizar na cultura a promoção de um ódio coletivo contra a Igreja, de forma a manchar a força cultural e moral que a Igreja de Roma possui na promoção do Evangelho. De fato, tais ataques não são aleatórios, mas propositais, partindo tanto da imprensa anticristã como também dos movimentos contrários a Igreja, dos quais, como já salientei, muitos se infiltraram na mesma. É o caso dos pedófilos que, dizendo-se padres, na verdade não o são. Decerto, ou são infiltrados desses movimentos ou são pedófilos que encontraram na Igreja um campo para suas práticas perversas, disfarçando-se de padres. Não são padres, mas falsos profetas que, interessados em qualquer coisa menos no Evangelho, entram nos seminários com objetivos pré-concebidos.
Tal estratégia já tinha sido utilizada pelos marxistas que, partindo disso, fundaram a teologia da libertação, que pode ser qualquer coisa menos um movimento “católico”.

Na Igreja Evangélica a situação não está diferente. Os falsos profetas estão proliferando. Ainda que o foco do ataque não seja exatamente o mesmo, já que a Igreja Católica é forte pela cultura, o que demonstra que a guerra nesse campo é cultural, o fato objetivo é que na Igreja Evangélica os ataques dos lobos devoradores- avarentos disfarçados de pastores- estão cada vez mais produzindo resultados. Eles enganam a muitos, como disse o próprio Senhor. Prometem profecias que não são de Deus, exigem dízimos “superiores à décima parte” do Senhor, usam as Igrejas e os fiéis como mercados e palanques políticos, enfim, minam a Igreja por dentro, a fim de destruí-la. Para esses, o exemplo de Paulo aos Coríntios é salutar: “estou pronto para ir visitar-vos, uma terceira vez, e não vos serei pesado. Pois não busco os vossos bens, busco somente a vós” (2 Co 12, 14). Pergunte-se a si mesmo: o que esses falsos líderes estão buscando: a salvação de almas, como Paulo, ou as ofertas e os dízimos?

Esses ataques coordenados contra a cristandade derivam tanto da governança espiritual de Satanás sobre o mundo pecaminoso em que vivemos, bem como pela liderança de seus representantes no nível natural, quais sejam os movimentos indicados, liderados pelos falsos profetas. Os inimigos da Igreja estão ganhando cada vez mais força. E o Senhor Jesus nos disse para que nos guardássemos dos falsos profetas, pois nos tempo do fim apareceriam muitos deles. Você está se guardando dos falsos profetas?

Autor: Marcus Boeira, mestre e doutorando em Direito do Estado pela USP, é professor de Teoria do Estado e Direito Constitucional

1 de jul. de 2010

MARIA PORTA DO CÉU (Anderson Luiz dos Reis)


É de se perceber que no vocabulário católico a palavra céu tem sido pouco mencionada, e por muitas vezes esquecida e desacreditada. Porém, olhando os grandes autores e escritores de todos os tempos, que muitos enfatizaram a respeito de metas em nossa vida, eu pergunto: qual a maior meta de nós, católicos? E respondo: Sem dúvida alguma, possuir a gloria eterna. E vemos nas Sagradas Escrituras evidências desta verdade que acabamos de escrever nos lábios do próprio Jesus: ”Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, Eu não vos teria dito; pois Vou preparar-vos um lugar”. (Jo 14,2). E que lugar é este? Este é o lugar comprado na cruz, com todo o Seu Sangue, para que ,lavados e purificados de nossas faltas, possamos adentrar e morar eternamente com nosso Senhor e por toda eternidade render-Lhe glórias e louvores.
Creio que muitos que estão lendo este texto, sentiram manifestações interiores diferentes, mas duas predominantes. Primeiro: Eu quero ir para lá. E a segunda: É muito difícil ir para lá. Escrevi estas duas, pois a primeira faz parte de nossa vocação, que como dizia S. Paulo: “Nós, porém, somos cidadãos do céu...” (filp 3,20). E em outros trechos: “Se é só para esta vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástimas”. (I cor 15,19). E a segunda, sendo difícil e estreito o caminho, como dizia Nosso Senhor: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e numerosos são os que por aí entram” (Mt. 7, 13).
Muitos desistem, perdem a esperança e se entregam aos pecados mais horrendos, vendo as suas forças esgotadas e sem perspectiva de vitória. É particularmente para estes que escrevo, pois muitos santos no seu abismo de miséria humana, mas com um desejo convicto de ir para o céu, nos ensinaram um caminho mais curto e certo, sem erro algum de percurso. E começo a falar de uma resposta de S. Pio, a uma jovem desejosa do céu, que um dia perguntou-lhe: “Padre, tem algum atalho para ir ao céu? Ao que ele responde: “Sim, o atalho é a Virgem Maria”. E isto não é de difícil compreensão, já que S. Agostinho dizia: “A Virgem Maria é o caminho que Jesus serviu para vir até nós, e também é o caminho que devemos servir para ir até Ele”. Muitos não entendem esta afirmação, pois dizem que nas Sagradas Escrituras o próprio Jesus disse em João 14, 6: “Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai se não por mim”. Esta afirmação está correta, porém Jesus disse que é o caminho que leva ao Pai, e S. Boaventura disse que “Maria é o caminho que leva a Jesus”. E diante deste abismo de misericórdia divino, Deus nos presenteou a Virgem Maria como a porta do céu. Quem compreendeu bem isto foi S.Cura d’Ars, que escrevia : “para entrar em um prédio precisamos passar pelo porteiro; para entrar no céu precisamos passar por Maria”.
Não apenas S. Boaventura, mas inúmeros santos que colocaram a sua esperança na Santa Mãe de Deus, como S. Ambrósio, que dizia: “abre-nos, Senhora, as portas do céu, já que tu tens a chave:” E S. Boaventura confirma-nos: “A todos os que confiam na proteção de Maria, ser-lhes-ão abertas as portas do céu”. É claro que ao lermos isto não vamos ficar como católicos parasitas, sem esforço algum, pensando que a Virgem fará tudo. É claro que não, pois S. Felipe Neri dizia: “O paraíso não foi feito para os preguiçosos”; e também: “Quem não procura salvar-se é um louco”. E em cima disto, escreveu: “quem não procura Maria para salvar-se é um louco”. Neste momento que escrevo, vejo uma imagem de dois carros em uma pista, um fusca branco e uma Ferrari vermelha, para apostarem uma corrida a um determinado rumo. É claro que, se eu perguntar a você, querido leitor, se fosse você a ser escolhido para esta prova, e tivesse a oportunidade de escolher o carro, a sua resposta seria clara e objetiva: você pegaria a Ferrari e concluiria a vitória. E nesta vida, em que corremos neste vale de lagrimas, corremos juntos a Virgem para que nos dê a vitória e nos leve a possuir a coroa da Glória Eterna. E isto que acabo de escrever é algo parecido com a visão de Frei Leão, que certa vez, como de costume, foi levar flores ao túmulo de S.Francisco de Assis, e enquanto depositava as flores no túmulo, meditava sobre as verdades eternas. Porém acabou adormecendo e teve uma visão do Dia do Juízo. Viu que de uma janela do Céu aparecia Jesus acompanhado de S. Francisco. Fizeram descer uma escada vermelha, que tinha os degraus muito compridos, de tal maneira que era impossível subir por ela. Todos peregrinos tentavam e pouquíssimos conseguiam subir. Passado certo tempo, subiu um clamor da terra ao Céu e viu-se abrir outra janela, na qual apareciam novamente Jesus e S. Francisco, mas também a Virgem Maria ao lado do Senhor. Então lançaram outra escada, desta vez branca e com os degraus mais curtos. E os peregrinos, com imensa alegria, subiam. Quando alguém se sentia fraco, a Santíssima Virgem animava-o chamando pelo nome e enviando anjos para ajudá-lo. E assim foram subindo, um atrás do outro. E é para você, peregrino, que luta pela santidade, que anseia pelo céu. Este é o caminho mais curto e fácil que nos leva a sermos santos, pois o bem aventurado José Alamano nos ensinara: “Procurar a santidade sem Maria é como tentar voar sem asas”.
E é voando nestas asas da liberdade da vida santa, buscando as coisas do alto aonde a Virgem nos ensina olhar que lhe escrevo para que reavive a esperança. Exortando-lhe a saber que você não é órfão, mas tem uma Santa Mãe Medianeira de todas as graças, capaz de lhe acumular das graças da santidade e emenda de pecados, pois como dizia S. Agostinho: “Maria é a esperança dos pecadores”. É a você que escrevo, para que com determinação se consagre à Virgem Maria, sendo fiel ao Rosário, à ponte que te salva, e lutar com a esperança dos Santos, que no derradeiro momento o socorro materno da Virgem Maria virá ao teu encontro e te levará pelas mãos para ser recebido por Seu Filho, Jesus, pois para entrar no céu terás que passar por uma porta e esta porta é Maria, sua Mãe que te ama, e que disse em Fátima: “Muitas almas vão ao inferno. Para salvá-las, meu filho, terás que estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”. E você, que acaba de ler este texto, está sendo vocacionado a se consagrar a este Coração que tanto o ama e que ao seu lado, por toda eternidade, quer estar.  
Frases para meditar:
“Ser vosso devoto, ó Virgem Maria, é uma graça que o Senhor concede àqueles que Ele
quer salvar”. (S.João Damasceno).
“Todo aquele que é assinalado pela devoção à Virgem Maria, seu nome será assinalado no livro da vida (S. Boa Ventura)”
“Quem ama Nossa Senhora pode estar tão certo do paraíso, como se nele já estivesse”. (S.Afonso).

 “Oh, Maria: tendes o poder de restituir a salvação até aos mais desesperados”; (S.Pedro Damião).

Oração: Ó Virgem Imaculada, sendo eu pecador, pequeno e sem forças, recorro ao Vosso Auxílio, Arca da Salvação, para que consagrado a Ti, ó Mãe, seja alvo de Sua Misericórdia Materna, e por seus merecimentos, seja levado ao Paraíso Celeste, para estar face a face com a Trindade Santa, e adorá-la por toda eternidade. Amém.



Nossa Senhora do Rosário de Fátima .
Rogai por nos.


Autor: Anderson Luiz dos Reiz, (Fundador da equipe missionária Regina Apostolorum).

30 de jun. de 2010

Mais Almas vão para o Inferno por Pecados da Carne do que por qualquer outra razão (palestra)















"Mais Almas vão para o Inferno por Pecados da Carne do que por qualquer outra razão" já dizia Nossa Senhora em Fatima, ouça essa maravilhosa palestra que ira abrir seus olhos para o que Nossa Senhora em Fatima quer nos alertar sobre o fim dos tempos e sobre o mundo que estamos vivendo .
Clique para ouvir a palestra.
http://www.fatimaondemand.org/brazil_07/pt/audiofiles/pt-18.wma









Michael Matt
Editor do “The Remnant”. Autor das “Fábulas Cristãs, Lendas de Natal” e “Gods of Wasteland (50 anos de Rock 'n' Roll)”, proferindo conferencias a grupos Católicos por todos os Estados Unidos e Canadá.