Exorcismo

Padres Exorcistas explicam

Consagração a Virgem Maria

Escravidão a Santissima Virgem, Orações, Devoção

Formação para Jovens

Espiritualidade, sexualidade, diverção, oração

10 de jun. de 2010

Filme que fala bem dos sacerdotes já é êxito de bilheteria na Espanha

.- O filme “O último cume” sobre a vidado sacerdote Pablo Dominguez, no fim de semana de sua estréia e com tão somente quatro cópias converteu-se no filme número 1 em espectadores de cinema na Espanha. A demanda popular permitirá que agora se projete em 50 salas de todo o país.

Conforme informou a produtora Infinito Más Uno, “o único filme em cinemas que fala bem dos padres vendeu (nas salas onde foi exibido) o dobro de entradas vendidas para o filme Sexo em Nova Iorque 2 e o triplo das entradas vendidas para O Príncipe da Pérsia ou Robin Hood” .

“Perto de 6000 mil pessoas já viram este filme de Juan Manuel Cotelo apesar de estar em tão somente em quatro cinemas de toda a Espanha e de competir diretamente com as grandes”, acrescentou a produtora em uma nota de imprensa.

Os produtores agradeceram pela maciça resposta do público. “O último cume passará por petição popular e em apenas uma semana sendo projetada em quatro cinemas a nada menos que mais de 50 salas de toda a geografia espanhola, e é apesar da estréia no meio do feriado longo do Corpus, situou-se como o primeiro filme do país em arrecadamento por cópia em cinema. Um tanto surpreendente se tivermos em conta que é um documentário cujo protagonista é nada mais e nada menos que um sacerdote”, indicaram.
Do mesmo modo, informaram que “são dezenas os cinemas que decidiram tirar de seus anúncios dos exitosos filmes em 3D para fazer um espaço para O último cume”.

“No próximo dia 11 de junho, O último topo será estreado em mais de 50 cidades espanholas graças ao apoio massivo que está recebendo há semanas através da rede. Um êxito que se deve à enorme acolhida obtida por este filme dos começos de sua caminhada, tanto pela figura do (padre) Pablo Domínguez como pelo apoio a todos os sacerdotes”, acrescentaram.

Para mais informação sobre as salas de cinema que apresentam o filme na Espanha, visite www.laultimacima.com (em espanhol) 

6 de jun. de 2010

Maria é modelo de esperança em Deus que nunca nos abandona, recorda Bento XVI

O Papa na Missa de hoje em Nicósia, Chipre (foto radiovaticana.org)

- Ao finalizar a Missa na que entregou o Instrumentum Laboris para o Sínodo dos Bispos do Oriente Médio, o Papa Bento XVI recitou o Ângelus com os fiéis do Chipre. Em suas palavras prévias à oração mariana o Santo Padre ressaltou que a Virgem é modelo de esperança confiada em Deus que nunca abandona e que dá as forças para testemunhá-lo ante o mundo.

O Ângelus, disse o Papa, é uma oração que recorda a aceitação da Virgem Maria "do convite para converter-se na mãe de Deus". "Através de seu ‘sim’ a esperança dos tempos se converteu em realidade, Aquele que Israel tinha esperado por muito tempo veio ao mundo, à nossa história. Sobre ele o anjo prometeu que seu reino não teria fim", assinalou.

"Aproximadamente trinta anos mais tarde, quando Maria estava de pé ante a cruz, deve ter sido difícil manter viva a esperança. As forças da escuridão pareciam ter ganhado vantagem. Entretanto, no profundo, Ela deveu ter recordado as palavras do anjo. Inclusive em meio da desolação do Sábado Santo, a certeza da esperança a levou por volta da alegria da manhã de Páscoa".

E do mesmo modo, prosseguiu o Papa, "nós, seus filhos, vivemos na mesma confiada esperança de que o Verbo feito carne no ventre da Maria nunca nos abandonará. Ele, o Filho de Deus e Filho de Maria, fortalece a comunhão que nos une, para que sejamos testemunhas dele e de seu amor que sana e reconcilia".

"Imploremos a Maria nossa Mãe que interceda por todos nós, pelo povo do Chipre e pela Igreja em todo o Oriente Médio ante Cristo, seu Filho, o Príncipe da Paz", concluiu.

Logo depois da oração Mariana, o Santo Padre dirigiu umas palavras em polonês por ocasião da beatificação do sacerdote mártir desse país, Pe. Jerzy Popieluszko: "saúdo cordialmente a Igreja na Polônia que hoje goza com a elevação aos altares do Padre Jerzy Popieluszko. Seu zeloso serviço e seu martírio são um signo especial da vitória do bem sobre o mal. Que seu exemplo e sua intercessão nutram o zelo dos sacerdotes e que acenda nos fiéis o amor".

Carta de sacerdote ignorada pelo NYT








Carta de um missionário de Angola
Por Nieves San Martín
LUANDA, segunda-feira, 31 de maio de 2010 (ZENIT.org).- “Sou um simples sacerdote católico. Sinto-me feliz e orgulhoso pela minha vocação. Vivo em Angola como missionário há vinte anos.” Assim começa a carta que o missionário salesiano uruguaio Martín Lasarte enviou ao New York Times sem obter resposta. Na carta, explica o trabalho silencioso a favor dos mais desfavorecidos da maioria dos sacerdotes da Igreja Católica que, contudo, “não é notícia”.
Na carta remetida a ZENIT pelo Pe. Martín Lasarte, ele explica que a enviou dia 6 de abril ao jornal nova-iorquino e desde então não obteve resposta. Nela, expressa seus sentimentos diante da onda midiática despertada pelos abusos de alguns sacerdotes, enquanto pouco surpreende o interesse que desperta nos meios o trabalho cotidiano de milhares e milhares de sacerdotes.
“É doloroso muito saber que as pessoas que deveriam ser sinais de amor de Deus tenham sido um punhal na vida de inocentes. Não há palavra que justifique tais atos. Não há dúvida de que a Igreja está do lado dos fracos, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que forem tomadas para a proteção e prevenção da dignidade das crianças serão sempre uma prioridade absoluta”, afirma em sua carta.
Contudo, destaca, “é curiosa a pouca noticiabilidade e desinteresse por milhares e milhares de sacerdotes que trabalham em prol dos milhões de crianças, adolescentes e demais desfavorecidos nos quatros cantos do mundo”.
“Penso que para seu meio de informação não interessa as muitas crianças desnutridas que tive de carregar por caminhos minados em 2002 desde Cangumbe a Luena (Angola), pois nem o governo se dispunha a fazer isso, e as ONGs não estavam autorizadas; tive de enterrar dezenas de pequenos, falecidos entre os deslocados  pela guerra e os que retornaram; que salvamos a vida de milhares de pessoas no México mediante o único posto médico a 90 mil km de distância, assim como a distribuição de alimentos e sementes; que demos a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas a mais de 110 mil pequenos…”, afirma.
“Não é de interesse – destaca – que ,como outros sacerdotes, tivemos de socorrer a crise humanitária de cerca de 15 mil pessoas nos quartéis da guerrilha, depois de sua rendição, porque não chegavam os alimentos do governo e da ONU.”
E, em seguida, enumera uma série de ações, muitas vezes em situação de risco ou perda de vida, por seus companheiros que são ignoradas pela mídia.
“Não é notícia um sacerdote de 75 anos, Pe. Roberto, que vai até as cidades de Luanda curando os meninos da rua, levando-os a uma casa de recuperação, para que se desintoxiquem; que alfabetiza centenas de presos; e outros sacerdotes, maltratados e até violentados e buscam um refúgio. Menos ainda que o Frei Maiato, com seus 80 anos, passe de casa em casa confortando os doentes e desesperados.”
“Não é notícia que mais de 60 mil, dos 400 mil sacerdotes e religiosos, deixaram sua terra e sua família para servir seus irmãos em leprosários, hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de bruxaria ou órfãos de pais que faleceram com Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a portadores do HIV… ou sobretudo em paróquias e missões, dando motivações para as pessoas viverem e amarem.”
“Não é notícia que meu amigo, Pe. Marcos Aurélio, por salvar alguns jovens durante a guerra na Angola, transportou-os de Calulo a Dondo e, voltando à sua missão, foi morto no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, por ir ajudar as áreas rurais mais escondidas, foram mortos em um acidente na estrada; que dezenas de missionários na Angola morreram por falta de socorro sanitário, por uma simples malária; que outros voaram pelo céu, por motivo de minas terrestres, visitando seus povos. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região… Nenhum deles passou dos 40 anos.”
“Não é notícia acompanhar a vida de um sacerdote ‘normal’ em seu dia-a-dia, em suas dificuldades e alegrias, consumindo sem barulho sua vida a favor da comunidade à qual serve.”
“A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa Notícia, essa notícia que sem barulho começou na noite de Páscoa. Há mais ruído por uma árvore que cai do que por um bosque que cresce”, destaca.
“Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes – afirma. O sacerdote não é nenhum herói nem um neurótico. É um simples homem que, com sua humanidade, busca seguir Jesus e servir seus irmãos. Há miséria, pobreza e fragilidade, como em cada ser humano; e também beleza e bondade, como em cada criatura…”
“Insistir na perseguição obsessiva em um tema, perdendo a visão de conjunto, cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico, nas quais me sinto ofendido”, afirma.
E conclui: “Só lhe peço, amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso o tornará nobre em sua profissão”.



4 de jun. de 2010

Máfia do aborto. dinheiro de sangue BloodMoney ( video em PT)










Este filme será lançado em breve, vejam este trecho: “Nós tínhamos todo um plano para vender abortos, e se chamava ‘educação sexual’. Quebrar a inocência natural das meninas, separá-las de seus pais e dos valores, tornarmo-nos ‘experts’ de sexo para elas, assim elas se voltariam para nós. Quando nós então daríamos pílulas anticoncepcionais de baixa dosagem que as fariam ficar grávidas, ou camisinhas defeituosas. Nossa meta era 3 a 5 abortos em cada garota entre 13 e 18 anos”.


Mundo necessita cristãos que anunciem a verdade: Jesus Cristo, diz o Papa Bento XVI

(foto Radiovaticana.org)
.- Na igreja Ágia Kiriaki Chrysopolitissa, lugar de culto ortodoxo aberto desde 1987 aos católicos e anglicanos por vontade do então bispo ortodoxo de Paphos e atual arcebispo do Chipre, Sua Beatitude Crisóstomo II, o Papa Bento XVI assinalou que "a comunhão eclesiástica na fé apostólica é ao mesmo tempo um dom e uma chamada à missão", tarefa urgente que o mundo necessita sedento da verdade que é Jesus Cristo.

Assim o indicou o Santo Padre na igreja de onde se vê umas ruínas onde se encontram os restos da basílica paleocristiana do século IV e muito perto a "Coluna de São Paulo", objeto de devoção popular e ligada à estadia do Apóstolo de Gentes na ilha.

À sua chegada, Bento XVI foi recebido pelo pároco da comunidade latina e depois de rezar uns minutos em silêncio no templo, saiu pela antiga porta central para saudar os fiéis reunidos na zona arqueológica. O arcebispo ortodoxo do Chipre, Sua Beatitude Crisóstomo II, saudou o Papa e depois da leitura do relato da primeira viagem de São Barnabé e São Paulo à ilha, o Pontífice pronunciou um discurso.

Desde este lugar, disse o Papa, "a mensagem do Evangelho começou a estender-se por todo o Império e a Igreja fundada sobre a predicação apostólica, foi capaz de plantar raízes em todo mundo então conhecido".

Por isso, "a Igreja do Chipre pode sentir-se legitimamente orgulhosa de seus laços diretos com a predicação de Paulo, Barnabé e Marcos e da comunhão na fé apostólica, que a une a todas as igrejas que têm a mesma regra de fé. Esta é a comunhão real, embora imperfeita, que já nos une e nos impulsiona a superar nossas divisões e lutar para restaurar a plena unidade visível que o Senhor deseja para todos os seus seguidores".

"A comunhão eclesiástica na fé apostólica é ao mesmo tempo um dom e uma chamada à missão", sublinhou o Papa. Por isso, todos os cristãos devem dar "testemunho profético do Senhor ressuscitado e do seu Evangelho de reconciliação, misericórdia e paz. Neste contexto, a Assembléia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos refletirá sobre o papel vital dos cristãos na região, animá-los-á em seu testemunho do Evangelho e os ajudará a fomentar um maior diálogo e cooperação entre os cristãos na região. É significativo que os trabalhos do Sínodo se enriqueçam com a presença de delegados fraternos de outras Igrejas e comunidades cristãs da zona, como um signo de compromisso compartilhado ao serviço da Palavra de Deus e de nossa abertura à força de sua graça que reconcilia".

A unidade de todos os discípulos de Cristo, prosseguiu o Papa, "é um dom que se implora ao Pai, com a esperança de que reforce o testemunho do Evangelho no mundo de hoje. Há cem anos, durante a Conferência Missionária de Edimburgo, a aguda consciência de que as divisões entre os cristãos eram um obstáculo para a difusão do Evangelho deu origem ao movimento ecumênico moderno".

"Hoje devemos estar agradecidos ao Senhor, que, através do seu Espírito, levou-nos especialmente nas últimas décadas a redescobrir a rica herança apostólica compartilhada pelo Oriente e Ocidente e, mediante um diálogo paciente e sincero, a encontrar os caminhos para nos aproximar uns aos outros, superando as controvérsias do passado e olhando para um futuro melhor", continuou.

"A Igreja do Chipre, que demonstrou ser uma ponte entre o Oriente e Ocidente, contribuiu muito a este processo de reconciliação. O caminho que leva a meta da plena comunhão não estará, certamente, isento de dificuldades, mas a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa do Chipre se comprometeram a avançar no caminho do diálogo e a cooperação fraterna".

"Que o Espírito Santo ilumine nossas mentes e fortaleça nossa decisão, para que juntos possamos levar a mensagem de salvação aos homens e mulheres de nosso tempo, que têm sede dessa verdade que leva à autêntica liberdade e à salvação, essa verdade, cujo nome é Jesus Cristo!", finalizou o Papa.

Depois de rezar o Pai Nosso e escutar um canto bizantino, o Papa voltou a entrar na igreja e abençoou uma placa que será colocada em uma nova residência de anciãos realizada pela comunidade católica do Chipre. Dali se deslocou em automóvel a Nicósia, a capital da ilha.

Somente a Bíblia?




"Assim, pois, irmãos, permanecei firmes, e conservai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa." (2 Ts 2,15)
Para os protestantes, a Bíblia é a única regra de fé, ou melhor, a Bíblia é a autoridade máxima da igreja. Mas será que esta também era a fé dos primeiros cristãos? (Por Cristãos, entenda-se Católicos) 
A Doutrina da Igreja vem do ensino oral que Cristo deixou para os Apóstolos. Note que nos primeiros quatro séculos, muitos cristãos nasceram, viveram e morreram, sem mesmo saber quais eram os livros que deveriam compor a Bíblia. Nos primeiros quatro séculos a Igreja vivia somente da Tradição e do Magistério.
Foi com base na Tradição Apostólica, é que o Magistério Católico definiu o catálogo sagrado. Isto mostra claramente que a Bíblia é filha da Igreja e não sua mãe. Como diz meu amigo Professor Carlos Ramalhete: "pode algo maior sair de algo menor?", é claro que não. A própria Bíblia declara que "A Igreja é a Coluna e o Fundamento da Verdade" (1Tm 3,15).A Igreja é tão anterior à Bíblia que a própria Igreja é citada na Bíblia.
A doutrina protestante "Sola Scriptura", isto é, "Somente as Escrituras", não encontra amparo na Tradição Apostólica, no Magistério da Igreja e nem nas próprias Escrituras. Vamos utilizar a própria Bíblia para desmentir tal doutrina:
A Bíblia não contém toda revelação
  • "Jesus fez muitas outras coisas. Se cada uma delas fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que seriam escritos." (Jo 21,25) - o testemunho do apóstolo fala tudo, nem tudo que Jesus ensinou e realizou foi escrito, mas ficou mantido na Tradição Apostólica.
     
  • "[Jesus] depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias e falando do que respeita ao reino de Deus." (At 1,3) - o que Jesus ensinou aos apóstolos nestes quarenta dias após sua ressurreição não foi importante? Será que Jesus esteve com eles à toa? A Bíblia não nos relata o que Jesus ensinou neste período, mas a Tradição Apostólica sim.
     
  • "Tenho muito a vos escrever, mas não quero fazê-lo com papel e tinta. Antes, espero ir ter convosco e falar face a face, para que nossa alegria seja completa" (2Jo 1,12)."Tenho muitas coisas que te escrever, mas não quero fazê-lo com tinta e pena. Espero, porém, ver-te brevemente, e falaremos face a face" (3Jo 1,13-14) - São João ensinou muitas coisas oralmente.
     
  • "E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados." (Tg 5,10) - São Tiago Menor recebeu tal instrução da Tradição Apostólica, já que em nenhum lugar da Bíblia, Nosso Senhor Jesus Cristo ensina tal coisa.
A Tradição Apostólica tem autoridade
  • "Assim, pois irmãos, permanceis firmes, e conservai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa." (2Ts 2,15)
     
  • "E o que de mim, através de muitas testemunhas ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para ensinarem outros." (2Tm 2,2)
     
  • "Ó Timóteo, guarda o depósito [a tradição] que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência [gnose]." (1Tm 6,20)
     
  • "E [os cristãos] perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações." (At 2,42)
     
  • "E, quando [Paulo, Timóteo e Silas] iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém." (At 16,4) - forte testemunho da ação do Magistério da Igreja no cristianismo primitivo.
Este é o testemunho da própria Bíblia sobre a doutrina protestante da "Sola Scriptura".

Papa Bento XVI fala sobre Santo Tomás de Aquino















Caros irmãos e irmãs,
depois de algumas catequeses sobre o sacerdócio e de minhas últimas viagens, retornamos hoje ao nosso tema principal, isto é, à meditação sobre alguns dos grandes pensadores da Idade Média. Havíamos visto, na última vez, a grande figura de São Boaventura, franciscano, e hoje desejo falar daquele que a Igreja chama Doctor communis: isto é, Santo Tomás de Aquino. O meu venerado Predecessor, o Papa João Paulo II, na sua Encíclica Fides et ratio, recordou que Santo Tomás “foi sempre proposto pela Igreja como mestre de pensamento e modelo quanto ao reto modo de fazer teologia” (n. 43). Não surpreende que, depois de Santo Agostinho, entre os escritores eclesiásticos mencionados no Catecismo da Igreja Católica, Santo Tomás venha citado mais que qualquer outro, precisamente sessenta e uma vezes! Ele foi chamado também Doctor Angelicus, provavelmente por suas virtudes, em particular a sublimidade do pensamento e a pureza de vida.
Tomás nasceu entre 1224 e 1225 no castelo que a sua família, nobre e abastada, possuía em Roccasecca, nas proximidades de Aquino, vizinho à célebre abadia de Montecassino, aonde foi enviado pelos pais a fim de receber os primeiros elementos de sua instrução. Alguns anos depois se transferiu para a capital do Reino da Sicília, Nápoles, onde Frederico II fundara uma prestigiosa universidade. Ali era ensinado, sem as limitações vigentes alhures, o pensamento do filósofo grego Aristóteles, no qual o jovem Tomás foi introduzido, e cujo grande valor subitamente intuiu. Mas sobretudo, naqueles anos transcorridos em Nápoles, nasceu a sua vocação dominicana. Tomás foi, na verdade, atraído pelo ideal da Ordem fundada poucos anos antes por São Domingos. Todavia, quando revestiu o hábito dominicano, a sua família se opôs a esta escolha e ele foi constrangido a deixar o convento e a passar algum tempo com a família.
Em 1245, já maior de idade, pode retomar o seu caminho de resposta ao chamado de Deus. Foi enviado a Paris para estudar teologia sob a direção de um outro santo, Alberto Magno, sobre o qual falei recentemente. Alberto e Tomás cultivaram uma verdadeira e profunda amizade e aprenderam a estimar-se e a se querer bem, a ponto de Santo Alberto querer que seu discípulo o seguisse a Colônia, aonde o próprio Alberto fora enviado pelos Superiores da Ordem a fundar uma escola de teologia. Tomás teve então contato com todas as obras de Aristóteles e de seus comentadores árabes, que Alberto esclarecia e explicava.
Naquele período, a cultura do mundo latino fora profundamente estimulada pelo encontro com as obras de Aristóteles, que permaneceram desconhecidas por muito tempo. Tratava-se de escritos sobre a natureza do conhecimento, sobre ciências naturais, sobre metafísica, sobre a alma e sobre a ética, ricos de informações e de intuições que pareciam válidas e convincentes. Era toda uma visão completa do mundo desenvolvida sem Cristo e antes d’Ele, somente com a razão, e parecia impor-se à razão como “a” própria visão; despertava, pois, um incrível fascínio nos jovens ver e conhecer esta filosofia. Muitos acolheram com entusiasmo, até mesmo com entusiasmo acrítico, esta enorme bagagem do saber antigo, que parecia poder renovar vantajosamente a cultura, abrir totalmente novos horizontes. Outros, porém, temiam que o pensamento pagão de Aristóteles estivesse em oposição à fé cristã e se recusavam a estudá-lo. Encontraram-se duas culturas: a cultura pré-cristã de Aristóteles, com sua radical racionalidade, e a clássica cultura cristã. Certos ambientes foram levados à rejeição de Aristóteles também pela apresentação que de tal filósofo fora feita pelos comentadores árabes Avicena e Averróis. De fato, foram eles que transmitiram ao mundo latino a filosofia aristotélica. Por exemplo, estes comentadores haviam ensinado que os homens não dispõem de uma inteligência pessoal, mas que neles há um único intelecto universal, uma substância espiritual comum a todos, que opera em todos como “única”: portanto uma despersonalização do homem. Um outro ponto discutível veiculado pelos comentadores árabes era aquele segundo o qual o mundo é eterno como Deus. Compreensivelmente surgiram, no mundo universitário e no eclesiástico, disputas sem fim. A filosofia aristotélica estava sendo difundida inclusive entre o povo simples.
Tomás de Aquino, na escola de Alberto Magno, desenvolveu uma operação de fundamental importância para a história da filosofia e da teologia, eu diria, para a história da cultura:estudou a fundo Aristóteles e os seus intérpretes, buscando novas traduções latinas dos textos originais gregos. Assim não se apoiava mais somente nos comentadores árabes, mas podia ler pessoalmente os textos originais, e comentou grande parte das obras aristotélicas, distinguindo nelas o que era válido daquilo que era dúbio ou que devesse ser recusado totalmente, mostrando a consonância com os dados da Revelação cristã e utilizando ampla e agudamente o pensamento aristotélico na exposição dos escritos teológicos que compôs. Em definitivo, Tomás de Aquino mostrou que entre a fé cristã e a razão existe uma natural harmonia. E esta foi a grande obra de Tomás, que naquele momento de conflito entre duas culturas – momento no qual parecia que a fé devia dobrar-se diante da razão – mostrou que ambas caminham juntas, que quando aparecia uma razão não compatível com a fé não era razão, e quando aparecia uma fé não era fé, enquanto oposta a uma verdadeira racionalidade; assim ele criou uma nova síntese que formou a cultura dos séculos seguintes.
Por seus excelentes dotes intelectuais, Tomás foi chamado a Paris como professor de teologia na cátedra dominicana. Ali também deu início a sua produção literária, que prosseguiu até a morte, e que há algo de prodigioso:comentários à Sagrada Escritura, porque o professor de teologia era sobretudo intérprete da Escritura, comentários aos escritos de Aristóteles, obras sistemáticas poderosas, entre as quais se destaca a Summa Theologiae, tratados e discursos sobre vários temas. Para a composição de seus escritos era coadjuvado por alguns secretários, entre os quais o confrade Reginaldo de Piperno, que o seguiu fielmente e ao qual se ligou por uma profunda e sincera amizade, caracterizada por uma grande familiaridade e confiança. Esta é uma característica dos santos: cultivam a amizade, porque ela é uma das manifestações mais nobres do coração humano e que tem em si algo de divino, como o próprio Tomás explicou em algumas quaestiones da Summa Theologiae, na qual escreve: “A caridade é a amizade do homem com Deus principalmente, e com os seres que a Ele pertencem” (II, q. 23, a. 1).
Não permanece muito tempo e estavelmente em Paris. Em 1259 participou do Capítulo Geral dos Dominicanos em Valenciennes, onde foi membro de uma comissão que estabeleceu o programa de estudos na Ordem. Depois, de 1261 a 1265, Tomás estava em Orvieto. O Papa Urbano IV, que nutria por ele uma grande estima, lhe confiou a composição dos textos litúrgicos para a festa de Corpus Christi, que celebramos amanhã, instituída em seguida ao milagre eucarístico de Bolsena. Tomás teve uma alma autenticamente eucarística. Os belíssimos hinos que a liturgia da Igreja canta para celebrar o mistério da presença rela do Corpo e do Sangue do Senhor na Eucaristia são atribuídos à sua fé e à sua sabedoria teológica. De 1265 até 1268 Tomás residiu em Roma, onde, provavelmente, dirigia um Studium, isto é, uma Casa de estudos da Ordem, e onde começou a escrever a sua Summa Theologiae (cf. Jean-Pierre Torrell, Tommaso d’Aquino. L’uomo e il teologo, Casale Monf., 1994, pp. 118-184).
Em 1269 foi novamente chamado a Paris para um segundo ciclo de magistério. Os estudantes – compreende-se bem – eram entusiastas de suas aulas. Um ex-aluno seu declarou que uma grande multidão de estudantes seguia os cursos de Tomás, tanto que as salas mal podiam comportá-los e acrescentava, com uma anotação pessoal, que “escutá-lo era para ele uma felicidade profunda”. A interpretação de Aristóteles dada por Tomás não era aceita por todos, mas mesmo os seus adversários no campo acadêmico, como Godofredo de Fontaines, por exemplo, admitiam que a doutrina de frei Tomás fosse superior às outras por utilidade e valor e servia como corretivo às de todos os outros doutores. Talvez também a fim de subtraí-lo às intensas discussões em curso, os Superiores o enviaram uma vez mais a Nápoles, à disposição do rei Carlos I, que pretendia reorganizar os estudos universitários.
Além do estudo e do ensino, Tomás se dedicou também à pregação ao povo. E também o povo, de boa vontade, ia escutá-lo. Eu diria que é verdadeiramente uma grande graça quando os teólogos sabem falar com simplicidade e fervor aos fiéis. O ministério da pregação, por outro lado, ajuda os próprios estudiosos de teologia com um saudável realismo pastoral, e enriquece de vivos estímulos suas pesquisas.
Os últimos meses de vida terrena de Tomás permanecem circundados por uma atmosfera particular, diria até misteriosa. Em dezembro de 1273 chamou o seu amigo e secretário Reginaldo para comunicar-lhe a decisão de interromper todo trabalho, porque, durante a celebração da Missa, havia compreendido, em seguida a uma revelação sobrenatural, que tudo quanto havia escrito até então era somente “um monte de palha”. É um episódio misterioso que nos ajuda a compreender não somente a humildade pessoal de Tomás, mas também o fato de que tudo aquilo que conseguimos pensar e dizer sobre a fé, não obstante elevado e puro, é infinitamente superado pela grandeza e pela beleza de Deus, que nos será revelada em plenitude no Paraíso. Alguns meses depois, sempre mais absorvido em uma profunda meditação, Tomás morreu enquanto viajava para Lyon, para onde se dirigia a fim de tomar parte no Concílio Ecumênico convocado pelo Papa Gregório X. Expirou na Abadia cisterciense de Fossanova, depois de ter recebido o Viático com sentimentos de grande piedade.
A vida e a doutrina de Santo Tomás de Aquino se poderia resumir em um episódio transmitido pelos antigos biógrafos. Enquanto o Santo, como seu costume, estava em oração diante do Crucifixo, logo pela manhã na Capela de São Nicolau, em Nápoles, Domingos de Caserta, o sacristão da igreja, ouviu desenvolver-se um diálogo. Tomás perguntava, preocupado, se tudo o que havia escrito sobre os mistérios da fé cristã estava correto. E o Crucifixo responde: “Tu falaste bem de mim, Tomás. Qual será a tua recompensa?”. E a resposta que Tomás deu é aquela que também nós, amigos e discípulos de Jesus, queremos sempre dar-lhe: “Nada além de Ti, Senhor!” (Ibid., p. 320).
BENEDICTUS PP. XVI
Fonte: Santa Sé, 2 de junho de 2010
Tradução: OBLATVS

2 de jun. de 2010

O SEXO TEM UM PREÇO - PAM STENZEL ( maravilhoso video)
















Jesus é único tesouro que deve ser dado à humanidade, recorda o Papa Bento XVI


 Ao participar ontem de noite na tradicional procissão com a que conclui o mês Mariano com a oraçãodo Santo Terço, o Papa Bento XVIrecordou que "Jesus é o verdadeiro e único tesouro que temos que dar à humanidade. Os homens e mulheres de nosso tempo têm uma profunda nostalgia Dele, inclusive quando parecem ignorá-lo ou rechaçá-lo".

Perante a gruta da Virgem de Lourdes localizada nos jardins vaticanos, o Santo Padre se referiu à festa da Visitação da Virgem Maria à sua parenta Isabel e ressaltou que neste gesto "reconhecemos o exemplo mais claro e o significado mais real de nosso caminho de crentes e do caminho da mesma Igreja, que é missionária por natureza, está chamada a proclamar o Evangelho por toda parte e sempre, a transmitir a fé a todo homem e mulher, e em cada cultura".

"Maria permanece com Isabel uns três meses, para oferecer-lhe a proximidade afetuosa, a ajuda concreta e todos aqueles serviços cotidianos que necessitava. Isabel se converte deste modo no símbolo de tantos anciãos e doentes, é mais, de todas as pessoas que necessitam ajuda e amor. Quantas pessoas em nossas famílias, em nossas comunidades, em nossas cidades, encontram-se hoje em dia nesta situação! E Maria –que se definiu ‘a serva do Senhor’ – se faz serva dos homens. Mais precisamente, serve ao Senhor que encontra nos irmãos".

Depois de sublinhar que "a caridade de Maria, entretanto, não se limita à ajuda concreta, mas chega ao topo quando dá ao mesmo Jesus, quando faz que o encontremos", o Papa disse: "Este é o coração e a cúpula da missão evangelizadora. Este é o verdadeiro significado e o propósito mais genuíno de todo caminho missionário: doar aos seres humanos o Evangelho vivo e pessoal, que é o mesmo Senhor Jesus".

Seguidamente o Papa assinalou que "Jesus é o verdadeiro e único tesouro que temos que dar à humanidade. Os homens e mulheres de nosso tempo têm uma profunda nostalgia Dele, inclusive quando parecem ignorá-lo ou rechaçá-lo. A sociedade em que vivemos, Europa, o mundo inteiro, necessitam dele".

Bento XVI ressaltou ao finalizar que "nos foi confiada esta responsabilidade extraordinária. Vivamo-la com alegria e com empenho, para que em nossa civilização reinem a verdade, a justiça, a liberdade e o amor, pilares indispensáveis e insubstituíveis de uma verdadeira convivência ordenada e pacífica".

"Vivamos esta responsabilidade escutando sempre a Palavra de Deus, na união fraterna, na fração do pão e nas orações. Que esta seja a graça que pedimos juntos esta noite à Santíssima Virgem", concluiu.

Santo Afonso de Ligório: Glórias de Maria - aqueduto de graças
















 Segundo São Bernardo, Deus encheu Maria com todas as graças para que por seu intermédio recebam os homens todos os bens que lhes são concedidos. Faz aqui o Santo uma profunda reflexão, acrescentando: Antes do nascimento da Santíssima Virgem, não existia para todos essa torrente de graças, porque não havia ainda esse desejado aqueduto: Maria foi dada ao mundo – continua ele – a fim de que por seu intermédio, como por um canal, até nós corresse sem cessar a torrente das graças divinas.
Que lhe arrebentassem os aquedutos, foi a ordem dada por Holofernes para tomar a cidade de Betúlia (Jt 7, 6). Assim o demônio também envida todos os esforços para acabar com a devoção à Mãe de Deus nas almas. Pois, cortado esse canal de graças, mui fácil se lhe torna a conquista. Consideremos, portanto, continua São Bernardo, com que afeto e devoção quer o Senhor que honremos esta nossa Rainha. Consideremos o quanto deseja que a ela sempre recorramos e em sua proteção confiemos. Pois em suas mãos depositou a plenitude de todos os bens, para nos tornar cientes de que toda esperança, toda graça, toda salvação, a nós chegam pelas mãos dela. A mesma coisa declara Santo Antônio. Todas as misericórdias dispensadas aos homens lhes têm vindo por meio de Maria.
É por isso Maria comparada à lua. Colocada entre o sol e a terra, a lua dá a esta o que recebe daquele, diz São Boaventura; do mesmo modo recebe Maria os influxos da graça para no-los transmitir aqui na terra.
Pelo mesmo motivo chama-lhe a Igreja “porta do Céu”. Como todo indulto do rei passa pela porta de seu palácio, observa São Bernardo, assim também graça nenhuma desce do céu à terra sem passar pelas mãos de Maria. Ajunta São Boaventura que Maria é chamada porta do céu porque ninguém pode entrar no céu, senão pela porta que é Maria.
Nesse sentimento confirma-nos São Jerônimo no sermão da Assunção, que vem inserido nas suas obras. Nele lemos que em Jesus Cristo reside a plenitude da graça, como na cabeça, de onde se transfunde para nós, que somos seus membros, o vivificador espírito dos auxílios divinos necessários à nossa salvação. Em Maria reside a mesma plenitude como no pescoço, pelo qual passa esse espírito para comunicar-se ao resto do corpo. Com cores mais vivas dá São Bernardo o mesmo pensamento: Por meio de Maria transmitem-se aos fiéis, que são o corpo místico de Jesus Cristo, todas as graças da vida espiritual emanadas de Jesus Cristo, que lhes é cabeça. E com as seguintes palavras procura confirmar isto: Tendo-se Deus dignado habitar no ventre desta Virgem Santíssima, adquiriu ela uma certa jurisdição sobre todas as graças: porque, saindo Jesus Cristo do seu ventre sacrossanto, dele saíram juntamente como de um oceano celeste todos os rios das divinas dádivas. Escrevendo com maior clareza ainda, diz o Santo: A partir do momento que esta Virgem Mãe concebeu em seu ventre o Divino Verbo, adquiriu, por assim dizer, um direito especial sobre os dons que nos provêm do Espírito Santo, de tal modo que criatura alguma recebe graças de Deus, senão por mãos de Maria.
(…)
Lê-se no profeta Isaías (11, 1) que da raiz de Jessé sairia uma haste, isto é, Maria, e dela, uma flor, isto é, o Verbo Encarnado. Sobre essa passagem tece Conrado de Saxônia este belo comentário: “Todo aquele que desejar obter a graça do Espírito Santo, busque a flor em sua haste, isto é, Jesus em Maria. Pois pela haste encontraremos a flor e pela flor chegaremos a Deus. – Se queres possuir a flor, procura com orações inclinar a teu favor a vara da flor e alcançá-la-ás. De outro lado, nota-te as palavras do seráfico São Boaventura, comentando o trecho “Eles encontraram a criança com Maria, sua Mãe”. Ninguém, diz ele, achará jamais a Jesus senão com Maria e por meio de Maria. E conclui que em vão procura Jesus quem não procura achá-lo com sua Mãe. Dizia por isso São Ildefonso: Quero ser servo do Filho; mas como ninguém pode servir ao Filho sem servir também a Mãe, esforço-me, por conseguinte, em servir a Maria.
[Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria, p. 1, cap. 5, I, Refutação e demonstração; pp. 135-139, Editora Santuário, 20ª edição, Aparecida, 1989]

1 de jun. de 2010

Os Reformadores Protestantes e Maria


Nossa SenhoraÉ interessante notar que Lutero, Zvinglio e Calvino, autores da Reforma Protestante no século XVI, deixaram belas expressões de estima e louvor a Maria SS.
Martinho Lutero ( 1483-1546)
Lutero foi formado na tradição católica, que lhe ensinou a veneração a Maria, veneração que ele guardou até o fim da vida . Eis alguns de seus depoimentos:
Em seu comentário sobre o Magnificat ( Lc 1,46-55), escreve: "Ó bem-aventurada Mãe, Virgem digníssima, recorda-te de nós e obtém que também em nós o Senhor faça essas grandes coisas!"
Ao referir-se a Mt 1,25, observa: "Destas palavras não se pode concluir que, após o parto, Maria tenha tido consórcio conjugal. Não se deve crer nem dizer isto" (Obras de Lutero, edição Weimar, tomo 11, pg. 323).
Por isto Lutero se insurgia contra aqueles que lhe atribuíam a doutrina de que "Maria, a Mãe de Deus, não tenha sido virgem antes e depois do parto, mas tenha gerado Cristo e outros filhos com contato com José" (Weimar, tomo 11, pg. 314). Os irmãos de Jesus, mencionados no Evangelho, são parentes do Senhor (Weimar, tomo 46, pg. 723); Tischreden 5, nº 5839). O reformador prometia 100 moedas de ouro a quem lhe provasse que a palavra 'almah em Is 7,14 não significa virgem ( Weimar, tomo 53, pg. 640 ).
A respeito das virtudes de Maria, dizia: "A bem-aventurada Virgem via Deus em tudo; não se apegava a criatura alguma; tudo, Ela o referia a Deus... Por isto é puríssima adoradora de Deus, Ela que exaltou Deus acima de todas as coisas" ( Weimar, tomo 1, pg.60s ).
No fim de sua vida, aos 17/01/1546, Lutero exclamou um sermão muito agitado: "Não se deve adorar somente o Cristo? Mas não se deve honrar também a Santa Mãe de Deus? Esta é a mulher que esmagou a cabeça da serpente. Ouve-nos, pois o Filho te honra; Ele nada te nega. Bernardo foi longe demais ao comentar o Evangelho... Só a respeito de Cristo está dito: 'Ouvi-o' e: 'Eis o Cordeiro de Deus'... Isto não foi dito a propósito de Maria, nem dos anjos, nem de Gabriel" ( Weimar, tomo 51, pg. 128s).
Vê-se que até os últimos dias Lutero guardou certa devoção à Mãe de Deus... Que ele invocou no seu comentário ao Magnificat: "A mesma amantíssima Mãe de Deus queira obter a graça para mim, a fim de que possa expor o seu cântico com proveito e profundidade" (Weimar, tomo 7, pg. 545 ).
No tocante às imagens, Lutero excluía a adoração e a idolatria, mas não as proibia; afirmava que as proibições feitas no Antigo Testamento não afetavam os cristãos ( Weimar 7.10, p. 440-445; tomos 28, pp.677s). Censurava os iconoclastas como fanáticos e sectários furiosos ( Weimar, tomos 18, pp. 70.80-82). Considerava as imagens como a Bíblia dos pobres e tinha-as como muito adequadas tanto à natureza humana psicossomática quanto ao modo como Deus costuma tratar os homens.
Até o fim da vida, Lutero pregou em festas de Nossa Senhora: a da Purificação (2 de fevereiro) e a da Anunciação (25 de março) sempre lhe foram caras, ao passo que as da Assunção e da Natividade de Maria somente até certa fase de sua evolução religiosa.
João Calvino ( 1509-1564)
Calvino em Genebra (Suíça) foi muito mais radical do que Lutero na Alemanha. Imprimiu notas pessoais à Reforma, entre as quais as do presbiterianismo.
Em relação a Maria, professa a Maternidade virginal:
"Professo que da genealogia de Cristo não se pode deduzir que Ele foi Filho de Davi a não ser através da Virgem" (Calvini Ópera 2,351).
A respeito de Mt 1,25 escreve: "Jesus é dito primogênito unicamente para que saibamos que Ele nasceu da Virgem" (CO 45,645).
A propósito Is 7,14: " O profeta teria feito coisa muito fria e insípida se, depois de anunciar algo de novo e insólito entre os judeus, acrescentasse: 'Uma jovem conceberá'. É assaz claro, portanto, que ele fala da Virgem, que havia de conceber não conforme as leis ordinárias da natureza, mas por graça do Espírito Santo" ( CO 36,156s).
Calvino exalta as virtudes de Maria quando escreve: "Quando a Virgem disse: 'Eis a Serva do Senhor', ela se ofereceu e entregou totalmente a Deus, para que se servisse dela conforme os direitos de Deus. 'Faça-se em mim': entendo estas palavras como expressão de que Maria estava persuadida do poder de Deus e voluntariamente se dispunha a atender ao seu chamado; acreditou na promessa do Senhor, cuja realização Ela não somente esperava, mas também pedia ardorosamente" ( CO 45,30).
Ao comentar a frase: "Bem-aventurada me dirão todas as gerações", julga que Maria assim "proclamava uma tão grande dádiva de Deus que não era lícito silenciá-la... Reconhecemos que este dom foi altamente honroso para Maria. De boa vontade seguimo-la como mestra e obedecemos aos ensinamentos e preceitos da Virgem" ( CO 45,38).
Ulrico Zvinglio ( 1484-1531)
Zvinglio em Zürich (Suíça) iniciou uma reforma, que foi posteriormente absorvida pelo Calvinismo. Escreveu:
"Creio firmemente que, segundo o Evangelho, Maria, como Virgem pura, gerou o Filho de Deus e no parto e após o parto permaneceu para sempre Virgem pura e íntegra. Também acredito firmemente que ela foi por Deus exaltada acima de todas as criaturas Bem-aventuradas (homens e anjos) na eterna bem-aventurança" (Zwinglii Opera 1,424).
Os "irmãos do Senhor" eram, para Zvinglio, "os amigos do Senhor" ( ZO 1,401}.
Declarou: "Estimo grandemente a Mãe de Deus, a Virgem Maria perpetuamente casta e imaculada" ( ZO 2,189).
Amman, discípulo e contemporâneo de Zvinglio, declarou: " Maria foi preservada de toda mancha e culpa: do pecado original, do pecado mortal e do pecado atual".
Heinrich Bullinger, sucessor de Zvinglio, testemunhou:
"Cremos que o corpo puríssimo da Virgem Maria, Mãe de Deus é templo do Espírito Santo... foi levado pelos anjos ao céu".
Em conclusão, Zvinglio: "Quanto mais crescem a honra e o amor de Cristo entre os homens, tanto mais crescem também a estima e a honra de Maria, que gerou para nós um tão grande e propício Senhor e Redentor" (ZO 1,427s).
Como se vê, os mestres da Reforma foram muito mais fiéis a Maria do que os seus discípulos, "reformadores da Reforma do século XVI". Todavia no protestantismo contemporâneo nota-se uma volta às origens, da qual vai aqui transcrito um espécimen, tirado de um Catecismo luterano:

"Maria faz parte do Evangelho... É apresentada como aquela que ouviu de maneira exemplar a palavra de Deus, como a serva do Senhor que diz Sim à palavra de Deus, como a cheia de graça que por si mesma nada é, mas que é tudo por bondade de Deus. É, com efeito, o modelo original dos homens que se abrem a Deus e se deixam enriquecer por Ele, o modelo original da comunidade dos fiéis, da Igreja... 'Concebido por obra do Espírito Santo, nascido da Virgem Maria': é uma verdade que confessamos de Jesus; conseqüentemente, confessamos também que Maria é a Mãe de Nosso Senhor" (Evangelischer Erwachsenenkatechismus, sob a direção de W. Jehtsh, Gütersloh).
É de esperar que o movimento de volta às fontes tem a sua feliz continuidade no protestantismo.