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3 de mai. de 2007

A morte


Sobre a morte

Se a morte acha o homem dormindo, vem como ladrão, despoja-o, mata-o e o lança no abismo do inferno; mas, se o encontra vigilantesaúda-o como enviada de Deus, dizendo:O Senhor te espera para as bodas; vem, que te conduzirei ao reino bem-aventurado a que aspirais”.
(
São Tomás de Vilanova)
Já dizia São João Bosco:

"A morte consiste na separação da alma e do corpo, ficando absolutamente abandonadas todas as coisas deste mundo.

Considera, meu filho, que tua alma deve necessariamente separar-se do coro, mas não sabes quando, nem onde, nem como te surpreenderá essa separação.

Não sabes se ela te apanhará na cama, no trabalho, na rua ou noutro lugar.

A ruptura de uma veia, uma infecção pulmonar, uma febre, um ferimento, um tombo, um terremoto, ou um raio são suficientes para te tirar a vida.

E isso pode acontecer-te dentro de um ano, de um mês, de uma semana, de uma hora ou talvez mal acabes de ler estas páginas.

Quantos estavam bem à noite, quando se deitaram, e foram encontrados mortos no dia seguinte!.Quantos, atacados de apoplexia, morreram rapidamente.E para onde foram depois?

Se estavam na graça de Deus, felizes deles, são eternamente felizes.Se estavam no pecado, serão atormentados para todo o sempre.

E tu, meu filho, se morresses neste momento, o que seria de tua alma?Infeliz de ti se não estás preparado, porque o que não está pronto para morrer bem hoje, corre grande risco de morrer mal!

2º)- O lugar e a hora de tua morte não te são conhecidos, mas é certíssimo que ela virá.Ainda supondo que não te surpreenda uma morte repentina ou violenta, sem embargo, a última hora da tua vida há de chegar.

Nessa hora, estendido sobre o leito, assistindo por um sacerdote que rezará junto de ti as orações dos agonizantes, rodeado por tua família que chora, com o crucifixo numa mão e uma vela acesa na outra, te encontrarás às portas da eternidade.

Tua cabeça sentirá dores e não encontrará repouso; tua visão estará obscurecida; tua língua estará ardendo; tua garganta, seca, teu peito, oprimido, o sangue se gelará nas tuas veias; teu corpo será consumido pela enfermidade e teu coração transpassado por mil dores.

Quando a alma tiver abandonado o corpo, este coberto com uma mortalha, será lançado a um buraco, onde se converterá em podridão; os vermes o devorarão, e de ti só restarão alguns ossos descarnados e um pouco de pó mal cheiroso.

Abre uma tumba e observa o que restou de um jovem rico, de um homem poderoso no mundo; pó e podridão...O mesmo te acontecerá a ti.

Lê estas considerações com atenção, meu filho, e lembra-te de que elas se aplicam a ti, como a todos os outros homens.

Agora o demônio, para induzir-te a pecar, se esforça e distrair-te deste pensamento, em encobrir e escusar a culpa, dizendo-te que não há grande mal em tal prazer, em tal desobediência, em faltar à Missa nos dias festivos; mas no momento da morte te fará conhecer a gravidade das tuas faltas e as representará a todas vivamente, diante de ti.

Que farás tu naquele terrível instante?Desgraçado de quem então se encontrar em pecado mortal!

3º)- Considera também que do momento da morte depende tua felicidade ou desgraça eterna.

Estando para dar o último suspiro e à luz daquela última chama, quantas coisas veremos!

A Igreja acende duas velas por nós: uma no nosso Batismo, outra na hora da nossa morte; a primeira, para mostrar-nos os preceitos da lei de Deus, que devemos observar; a segunda no transe da nossa morte, para examinarmos se os observamos corretamente.

Por isso, meu filho, à claridade daquela última luz verá se amaste a Deus durante a tua vida ou se O desprezaste; se respeitaste seu santo Nome ou se O ofendeste com blasfêmias.

Verás as festas que profanaste, as Missas que não ouviste, as desobediências a teus superiores, os escândalos que destes a teus companheiros.

Verás aquela soberba e aquele orgulho que te enganaram; verás...

Mas (oh! meu Deus) tudo aquilo verás no momento em que se abre diante de ti o caminho da eternidade, momento do qual depende a eternidade inteira.Sim, daquele momento depende uma eternidade de glória ou de tormentos.

Compreendes bem o que te estou dizendo?Daquele momento depende para ti o Paraíso ou o Inferno; o ser para sempre feliz ou desgraçado, para sempre filho de Deus ou escravo do demônio, para sempre gozar com os Anjos e Santos no Céu ou gemer e arder para todo o sempre com os condenados no Inferno.

Teme muito por tua alma, e reflete que de uma vida santa e boa dependem a boa morte e a eterna glória.

Sem perda de tempo, põe em ordem tua consciência com uma boa Confissão, prometendo ao Senhor perdoar a teus inimigos, reparar os escândalos que deste, ser mais obedientes, abster-te de comer carne nos dias proibidos, não perder mais o tempo, santificar os dias consagrados a Deus, cumprir os deveres de teu estado.

E deste já, lançando-te aos pés de Jesus, diz a Ele:

"Meu Senhor e meu Deus, desde agora me converto a Vós; amo-Vos e quero-Vos amar e servir até à morte.Virgem Santíssima, minha Mãe, ajudai-me naquele momento terrível.Jesus, Maria e José, que minha alma expire em paz em vossos braços".

Santo Afonso Maria de Ligório também dizia:

Considera que esta vida há de acabar.Já está pronunciada a sentença; tens de morrer.A morte é certa; a hora, porém, é incerta.O que será necessário para morrer?Um ataque apopléctico, a ruptura de uma veia no peito, um catarro sufocante, um vomito de sangue, a mordedura de um animal venenoso, uma febre, uma pneumonia, uma chaga, uma inundação, um terremoto, um raio basta para te tirar a vida.A morte te assaltará, quando menos pensares.Quantos se deitaram à noite com saúde, e pela manhã foram encontrados mortos!E não poderá acontecer-te o mesmo a ti?Dos que tem morrido repentinamente, nenhum esperava morrer deste modo; e não obstante assim morreram.Se estavam em pecado, onde estão agora, e onde estarão por toda a eternidade?Seja, porém, como for, é indubitável que chegará uma ocasião em que anoitecerá para ti, e não amanhecerá, ou antes, amanhecerá, e não anoitecerá."Virei como ladrão" diz Jesus Cristo; o que quer dizer: quando menos pensares e ás escondidas.Avisa-te com tempo este teu amante Senhor, porque deseja a tua salvação.Corresponde, pois ao teu Deus; aproveita o aviso; prepara-te para bem morrer, antes de chegar a morte.Então não é tempo de preparação, porque já deve estar feita.É fora de dúvida que hás de morrer.Há de terminar para ti a cena este mundo, e não sabes quando.Quem sabe se será dentro de um ano ou dentro de um mês?Quem sabe se amanhã mesmo ainda estarás vivo?Meu Jesus, ilumine-me, e perdoe-me.

2.considera que na hora da morte assistido de um sacerdote, que fará a encomendarão da tua alma, rodeado de parentes que por ti chorarão, com o Crucifixo á cabeceira e a vela benta aos pés, já prestes a passar á eternidade.Terás a cabeça dolorida, os olhos amortecidos, a língua abrasada, a garganta cerrada, o peito opresso, o sangue gelado, as carnes gastas e o coração transpassado de dor.Ao morrer deixarás tudo; pobre e indigente serás lançado a um sepulcro, e ali apodrecerás.Os vermes e outros animais imundos roerão tuas carnes, e de ti ficarão apenas alguns ossos descarnados, um pouco de pó hediondo e nada mais.Abre uma sepultura, e vê a que ficou reduzido aquele homem opulento, aquele avaro, aquela mulher vaidosa.Assim termina a vida!Na hora da morte ver-te-ás rodeado de demônios que te apresentarão o sudário dos teus pecados, cometidos desde a tua infância.Agora o demônio, para induzir-te a pecar, encobre e desculpa as tuas faltas.Diz que é pequeno mal aquela amizade, aquela vaidade, aquele prazer, aquele rancor que alimentas em teu peito; que não há intenções criminosas naquelas conversações.Mas no momento da morte patenteará a enormidade dos teus pecados; e á luz daquela eternidade em que brevemente terás de entrar, conhecerás a gravidade da pena em que incorreste ofendendo a um Deus infinito.Apressa-te, enquanto é tempo, a remediar o mal que tens feito.

3.Considera que a morte é um momento de que depende a eternidade.Encontra-se o homem já próximo a expirar, e por conseguinte prestes a entrar em uma das duas eternidades.Sua sorte depende daquele último suspiro, imediatamente ao qual a alma é salva ou condenada para sempre.ó momento!Ó último suspiro!ó momento de que depende uma eternidade de glória ou de pena!Uma eternidade sempre feliz ou sempre desditosa!Uma eternidade de toda a espécie de bens ou de males!Uma eternidade, enfim, de Paraíso ou de Inferno! O que quer dizer: que, se naquele momento te salvares, em vez da desventura estarão sempre ao teu lado o contentamento e a felicidade; mas, se errares o golpe, e te condenares, serão teus companheiros inseparáveis e cruéis a aflição e o desespero.Na morte compreenderás o que quer dizer glória, Inferno, Pecado, Deus ofendido, lei de Deus desprezada, pecados calados na confissão, roubo não restituído. "miserável de mim!dirá o moribundo, daqui a poucos momentos hei de comparecer diante de Deus.E quem sabe a sentença que me tocará!Para onde irei?Para o Céu, ou para o inferno? A gozar com os Anjos, ou a arder com os condenados?Serei ou filho de Deus, ou escravo do demônio?Ai de mim!Sabê-lo-ei dentro em pouco, e aonde entrar pela primeira vez ali permanecerei eternamente.Ah!Daqui a poucas horas, daqui a poucos momentos que será de mim?Que será de mim, se não reparar aquele escândalo, se não restituir aquele furto, aquela fama, se não perdoar de coração ao meu inimigo, se não me confessar bem?".Então detestarás mil vezes o dia em que pecaste, o prazer que desfrutaste, a vingança que tomaste! mas demasiado tarde e sem fruto, porque o farás simplesmente por temor do castigo, e não por amor de Deus. - Ah, Senhor!Desde este momento me converto a Vós: não quero esperar pelo momento em que a morte chegue; desde já Vos amo, abraço, e quero morrer abraçado Convosco.Maria, minha Mãe, fazei que eu morra sob o manto da vossa proteção; auxiliai-me naquele derradeiro transe.
Fruto I.Encararei com desprezo a vaidade do mundo e de meu corpo, origem de tantos pecados que tenho cometido.

E por fim 
São Francisco de Sales disse:

Considera, minha alma, a incerteza do dia da morte.Um dia sairás do teu corpo.Quando será?Será no inverno ou no verão ou em alguma outra estação do ano?no campo ou na cidade, de noite ou de dia?Será de um modo súbito ou com alguma preparação?Será por algum acidente violento ou por uma doença?Terás tempo e um sacerdote para te confessares?Tudo isto é desconhecido, de nada sabemos, a não ser que havemos de morrer indubitavelmente e sempre mais cedo que pensamos.

2.Grava bem em teu espírito que então para ti já não haverá mundo, vê-lo-ás perecer antes teus olhos; porque então os prazeres, as vaidades, as horas, as riquezas, as amizades vãs, tudo isso se te afigurará como um fantasma que se dissipará ante tuas vistas.Ah! Então haverás de dizer: por umas bagatelas, umas quimeras, ofendi a Deus, isto é, perdi o meu tudo por um nada.Ao contrário, grandes e doces parecer-te-ão então as boas obras, a devoção e as penitências, e haverás de exclamar: Oh! Porque não segui eu esta senda feliz?Então, os teus pecados, que agora tens por uns átomos, parecer-te-ão montanhas e tudo o que crês possuir de grande em devoção será reduzido a um quase nada.

3.Medita esse adeus grande e triste que tua ama dirá a este mundo, as riquezas e as vaidades, aos amigos, a teus pais, a teus filhos, a um marido, a uma mulher, a teu próprio corpo, que abandonarás imóvel, hediondo de ver e todo desfeito pela corrupção dos humores.

4.Prefigura vivamente com que pressa levarão embora este corpo miserável para lançá-lo na terra, e considera que, passadas essas cerimônias lúgubres, já não se pensará mais de todo em ti, assim como tu não pensas nas pessoas que já morreram."Deus o tenha em paz" - há de dizer-se - e com isso terá tudo acabado para ti neste mundo.Oh! morte, sem piedade és tu! A ninguém poupas neste mundo.

5.Advinhas, se podes, que rumo seguirá tua alma, ao deixar o teu corpo.Ah! Para que lado se há de voltar?Por que caminho entrará na eternidade? - É exatamente por aquele que encetou já nesta vida.

6 de jul. de 2006

A farsa de 11 de Setembro - Conspiração (Video)

























CONSPIRAÇÃO CONTRA A VIDA

Assista e prepare-se para a segunda vinda de Jesus.







12 de mar. de 2006

A visão do inferno

Ao que parece, hoje muitos não querem falar de pecado, até para muitos padre, o adultério, a masturbação, o homossexualismo, não é pecado, e colocamos fiéis e aí mesmo em ocasião de inferno, malditos estes pastores que se vestem de cordeiros e são lobos de satanás, antes não tivessem sido sacerdotes.

Na época em que vivemos, onde o pecado passou a ser coisa normal, e a existência do inferno, para a maioria, como uma fábula, invenção de alguns, continua Nossa Senhora a nos alertar da gravidade de nossos pecados e de suas sérias conseqüências na eternidade. Confiemos sim na Misericórdia de Deus, mas tenhamos consciência de que seremos julgados por cada ato e palavra, no último dia.

Ao assistir este vídeo, lembre-se que se Jesus, sendo Deus, foi o único capaz de redimir a humanidade, reatando a aliança dos homens com Deus Pai, submetendo-se a uma morte terrível e humilhante, para nos resgatar da morte eterna, fica claro o quanto ofendemos a Deus com nossos pecados. Levemos esta mensagem a quantas pessoas for possível, pois a nossa responsabilidade agora será muito maior.
Para nós vivermos melhor ainda esta quaresma, por favor, assistam a este vídeo cliquando no link abaixo.

Clique aqui para ver o video


Que o Senhor que é rico em Misericórdia vos abençoe: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Permaneçamos Unidos em Oração com Maria!










Pe. Mateus Maria, FMDJ
Prior do Mosteiro Menino Jesus
Diretor Espiritual da Missão Regina Apostolorum
paniejezuufamtobie@terra.com.br

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Visite a nossa página de espiritualidade Mariana http://rainhadapaz.blog.terra.com.br/

Panie Jezu Ufam Tobie

11 de mar. de 2006

Carta de São Padre Pio

Esta carta foi escrita por Padre Pio ao Padre Agostinho:

Sexta-feira de manha, estava ainda na cama, quando me aparece Jesus.
Estava todo desfigurado e maltratado. Mostrou-me uma grande multidão de sacerdotes regulares e seculares, entre os quais diversos dignitarios eclesiasticos; destes, uns estavão a celebrar, outros a desparamentar-se. Dava-me muita pena ver Jesus tão angustiado; por isso quis perguntar-lhe por que sofria tanto. Mas não obtive resposta alguma. O seu olhar, porem, voltou-se para aqueles sacerdotes; mas , pouco depois, horrorizado e cansado de olhar, desviou o olhar, enquanto se virava para mim, para grande horror meu, observei duas lagrimas que sulcavam as faces. Afastou-se daquela turba de sacerdotes com uma grande expressão de desgosto, gritando: " Carniceiros!" . E dirigindo-se a mim, disse : " Meu filho, não acrediteis que a minha (agonia) tenha sido de três horas, não; por causa das almas, estarei em agonia ate o fim do mundo. Meu filho, durante o tempo da minha agonia não posso dormir. A minha alma anda a procura de alguma gota de piedade humana, mas -ai de mim!- deixam-me so sob o peso da indiferença. A ingratidão e o sono dos meus ministros tornam a minha agonia mais pesada. Ai de mim! Como correspondem mal ao meu amor! O que mais me aflinge e que , ao seu indiferentismo, eles juntam tambem o seu desprezo, a sua incredulidade! quantas vezes eu estava a ponto de fulmina-los, não fosse impedido pelos anjos e pelas almas apaionadas por mim".

Fonte: Padre Pio sob investigação, a "autobiografia" secreta

8 de abr. de 2005

OS IRMÃOS DE JESUS



Jesus teve outros irmãos, filhos de Maria?            (Arcy Lopes Estrela – São Gonçalo/RJ.)

Segundo me disse um evangélico, a Igreja Católica defende que o termo “irmãos” de Jesus foi utilizado porque não havia nas línguas semitas (hebraico, aramaico) o termo “primo”. Mas, nas referências do N.T. sobre os irmãos de Cristo, a palavra grega que sempre é usada é adelfoV, adelphos (irmão), nunca se usou sungeneV, sungenes (parentes), ou anhyioV, anepsiós (primos), palavra esta que Paulo usou em Cl 4,10, e que foi traduzida corretamente como primo.
                (Guilherme Viegas Reis – Belo Horizonte/MG.)

            Um exame atento do contexto dos Evangelhos nos permite concluir que Jesus era filho único, apesar de algumas passagens  mencionarem Tiago, José, Simão e Judas como “irmãos” de Jesus (Mc 6,3; Mt 13,55).
            De fato, as línguas hebraica e aramaica não possuíam vocábulos próprios para definir diferentes graus de parentesco, como “primo”, “tio”, “sobrinho”. Todos esses parentes eram designados pela palavra “irmão”. Há numerosos textos do Antigo Testamento que o atestam, como por exemplo:
            “Os filhos de Mooli eram: Eleazar e Cis. Eleazar morreu sem deixar filhos, mas teve filhas que foram desposadas pelos filhos de Cis, seus irmãos.” (1 Cr 23,21-22)
            2Cr 36,9-10 diz que Nabucodonosor, rei da Babilônia, mandou prender e deportar o rei Joaquim, e constituiu Sedecias, seu irmão, como rei em seu lugar. Já em 2 Rs 24,17, Sedecias é apresentado como tio de Joaquim.
            Embora Lot fosse sobrinho de Abraão (Gn 11,27-31), este lhe diz: “Somos irmãos” (Gn 13,8). Também Labão, sogro de Jacó, refere-se a ele como “seu irmão” (Gn 29,15), embora seja na verdade seu tio, irmão de sua mãe (Gn 27,43 e 29,10-11).
            Há vários outros exemplos semelhantes a esses. Mas a inexistência de termos adequados não é o único, nem o principal motivo pelo qual os hebreus usavam a palavra “irmão” num sentido mais amplo. O verdadeiro motivo é cultural. A língua é sempre expressão de uma cultura e atende às suas necessidades: se as distinções entre os diversos graus de parentesco não eram previstas no vocabulário semita, é porque não eram consideradas importantes.
            O conceito de família entre os israelitas era muito diferente do nosso, e bem mais amplo. Eram considerados “irmãos” todos aqueles que pertenciam a uma mesma linhagem familiar. Os descendentes de um antepassado comum, mesmo depois da segunda ou terceira geração, eram considerados seus “filhos” e, portanto, irmãos entre si. Até no tempo de Jesus, os israelitas ainda se diziam “Filhos de Abraão”, e Jesus foi chamado “filho de Davi”, por ser da descendência desse rei.
            Os casamentos eram realizados, de preferência, dentro da mesma família. Por isso Abraão mandou um servo até sua terra natal, para buscar em sua família uma esposa para seu filho Isaac (Gn 24,3-4). Também Jacó desposou sua prima Raquel. No Cântico dos Cânticos, o pastor chama à sua amada: “Minha irmã, minha noiva” (Ct 4,9-10).
            Por respeito a essa questão cultural é que, quando o Antigo Testamento foi traduzido para o grego, conservou-se a palavra “irmão”, embora a língua grega, mais complexa, possuísse termos próprios para “primo”, “tio” e “sobrinho”. Essa tradução destinava-se às comunidades israelitas que viviam em território grego, e elas mantinham seus conceitos culturais, mesmo usando uma outra língua. Para eles, a unidade familiar (o “clã”) importava mais do que o grau exato de parentesco. Usar “primo”, “tio” ou “parente” reduziria o sentido do parentesco a um laço meramente biológico, que não era o que os autores bíblicos tinham em mente. Para os hebreus, os laços que uniam suas famílias representavam muito mais do que isso: era algo que atingia o nível espiritual e ontológico, relacionando-se com seu senso de pertença ao povo eleito de Deus e às doze tribos que o compunham.
            Em Cl 4,10, Paulo escrevia para uma comunidade grega e se referia a pessoas de origem grega, que não tinham o conceito cultural semita, por isso usou a palavra específica para “primo”, já que se referia mesmo ao parentesco biológico. Mas ele também usou, muitas vezes, a palavra “irmãos” no sentido amplo, quando se referia à comunidade dos cristãos, novo povo de Deus. Os próprios evangélicos costumam tratar-se dessa forma entre si...
            Não é, portanto, no termo empregado que se fundamenta a convicção católica de que Jesus era filho único, mas sim no contexto geral dos Evangelhos, que apresentam vários indícios nesse sentido, como por exemplo:           
- Lc 12,41-56 mostra Jesus aos 12 anos, acompanhando seus pais a Jerusalém, na festa da Páscoa, e sendo por eles perdido e procurado por 3 dias. Nada se fala sobre a presença de outras crianças com eles, e não é provável que fossem deixadas sozinhas em casa. Até os 12 anos, portanto, tudo indica que Jesus era filho único. Se os tais “irmãos” tivessem nascido depois disso, seriam ainda novos demais para o papel que desempenham nos evangelhos, durante o ministério público de Jesus.
- Embora se fale em “irmãos” de Jesus, em nenhuma passagem esses irmãos são apresentados como “filhos de Maria e José”. Ao contrário, Maria é sempre mencionada unicamente como mãe de Jesus, nunca como mãe de mais alguém. Nenhuma passagem diz, por exemplo: “Maria e seus filhos”. A Escritura sempre diz: “Maria, a mãe de Jesus, e os irmãos dele” (At 1,14). Essa distinção seria desnecessária e até estranha, se esses “irmãos” fossem também filhos dela.
            - Em Jo 19,25-27, Jesus confia sua mãe à proteção do discípulo João. Isso leva a crer que, por essa altura, José já havia falecido. Segundo o costume judaico, porém, se Maria tivesse outros filhos, seria o mais velho destes quem deveria assumir o encargo de cuidar de sua mãe, após a morte de Jesus. Por que, então, Jesus a confia a João, que não era seu parente? E por que afirma que o filho dela, de agora em diante, será João?
            Os irmãos de Jesus, mencionados no Evangelho, são na verdade seus primos, como podemos deduzir dos seguintes textos:
Mt 27,56 diz que, junto à cruz de Jesus, estavam presentes, entre outras mulheres, Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. Nada indica que essa “Maria, mãe de Tiago e de José” pudesse ser também a mãe de Jesus. Se fosse, isso não deixaria de ser mencionado.
            Jo 19,25 diz: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, Mulher de Cléofas, e Maria Madalena.”
            Atos 1,13 menciona, entre os discípulos, “Tiago, filho de Alfeu”. Sabe-se que os nomes “Cléofas” e “Alfeu” são traduções gregas do mesmo nome aramaico “Claphai”. Portanto, essa Maria, mulher de Cléofas e mãe de Tiago e de José, era outra Maria, parente da mãe de Jesus. Segundo um historiador antigo, era sua cunhada, pois Cléofas era provavelmente irmão de São José.
Pode-se ainda perguntar por que, no Evangelho, Maria aparece algumas vezes acompanhada pelos “irmãos de Jesus”. Isso se explica porque, segundo o costume judaico, as mulheres não podiam apresentar-se sozinhas em público, mas deviam ser sempre acompanhadas por parentes próximos do sexo masculino. Se José já havia falecido, e Jesus tinha saído de casa para cumprir sua missão, era natural que os primos de Jesus passassem a acompanhar sua tia.
Mas, além dos indícios bíblicos, a doutrina católica também se fundamenta na Tradição. Desde os mais remotos tempos, sempre houve na Igreja a convicção de que Jesus era filho único, convicção transmitida aos descendentes por aqueles que com ele conviveram. Não haveria razão para que se criasse essa tradição se não fosse verdadeira, já que o fato de ter irmãos seria algo muito natural, que em nada ofenderia a pessoa ou a missão de Jesus. O que não é natural é que, depois de quinze séculos, alguém comece a defender como verdade uma idéia completamente desconhecida na comunidade cristã até então, com base em termos que essa mesma comunidade cristã sempre conheceu e sempre interpretou diferentemente.

                                                                                                                         Margarida Hulshof

A VENERAÇÃO DE MARIA

Gostaria que comentasse o conteúdo desse artigo que saiu em um jornal de confissão luterana, com o título: “Virgem Venerada”.                                                       (Hilário Cargnin – Tubarão/SC.)

            O artigo em questão, publicado no jornal “O Pescador”, é transcrito de outra publicação, chamada “Sinais dos Tempos”, e não traz indicação do autor.
            O texto pretende ser uma resposta à seguinte pergunta: “Como surgiu o dogma católico da veneração de Maria?”, pergunta feita, evidentemente, por alguém que desconhece a nossa fé, já que a veneração de Maria não é um dogma.
            Mas, talvez porque a pergunta fala em dogma, a resposta aborda a história dos dogmas marianos. Felizmente não há erros nas citações dos documentos da Igreja, mas o texto pretende mostrar que a doutrina da Igreja sobre Maria não tem validade, por ser “totalmente desprovida de base bíblica”. E com isso, como sempre, contradiz a própria Bíblia na qual diz basear-se.
            Diz o artigo que “a Igreja apostólica jamais atribuiu a Maria qualquer função especial junto à comunidade dos crentes”. Essa é uma interpretação gratuita, já que o fato de “não estar escrito” não prova que alguma coisa não aconteceu. O objetivo dos Atos dos Apóstolos não era detalhar as funções de cada membro das comunidades, mas sim documentar a propagação do Evangelho pela ação missionária dos apóstolos, com a fundação das primeiras comunidades. E o objetivo das Cartas era transmitir orientações e tirar dúvidas dessas mesmas comunidades, no que diz respeito à fé. Naturalmente, essa não era a função de Maria, nem de qualquer outra mulher naquele tempo, mas isso não significa que Maria não tivesse “nenhuma função especial”. É significativo o fato de que ela estava presente junto aos apóstolos no acontecimento de Pentecostes, quando a Igreja nasceu “oficialmente”, por meio da infusão do Espírito Santo, que capacitou os apóstolos para continuar a missão de Cristo. E é evidente, também, que o testemunho de Maria está na base das narrativas evangélicas sobre a concepção e o nascimento de Jesus, bem como sobre sua infância, uma vez que nenhum dos evangelistas presenciou esses fatos. Isso mostra, no mínimo, que Maria mantinha contato com os apóstolos, e conversava com eles com alguma freqüência. Embora esse contato não esteja explícito nos Atos ou nas Cartas, está certamente implícito... e era certamente importante, já que contribuiu, no mínimo, para a redação dos Evangelhos.
 Se a pregação dos apóstolos deu frutos, e se a fé cristã se conservou até nossos dias, é claro que isso supõe a ação de muitas outras pessoas, e também outros tipos de ação, além daquelas narradas na Bíblia. Supõe, principalmente, a profunda formação na fé realizada no seio das famílias e transmitida de geração em geração... e isso, como todo mundo sabe, é principalmente tarefa das mulheres. E Maria a terá desempenhado, junto aos primeiros cristãos, com particular excelência, ela que, mais do que ninguém, tinha intimidade com Jesus e seus ensinamentos.
Os protestantes, porém, restringem a ação do Espírito Santo unicamente ao que está escrito na Bíblia, como se, fora dela, nada tivesse valor ou merecesse crédito. Como se, depois dos tempos apostólicos, a ação iluminadora do Espírito Santo deixasse de ser necessária, bastando seguir “o que está escrito”... eles não percebem que essa é uma interpretação contrária à própria Bíblia, já que Jesus prometeu o Espírito Santo à sua Igreja até o fim dos tempos, e não apenas para inspirar os redatores bíblicos. Ele nem sequer menciona a Escritura ao falar da missão da Igreja. Quando Jesus se refere às Escrituras, é geralmente para alertar contra o perigo de interpretá-las erradamente... O Espírito, na Bíblia, é sempre dado a pessoas, e a função de ensinar e de zelar pela ortodoxia da fé é transmitida pela imposição das mãos dos apóstolos aos sucessores por estes indicados. Está na Bíblia... O critério de infalibilidade apontado por Jesus é a palavra dos apóstolos (“quem vos ouve, a mim ouve”... “o que ligares na terra será ligado nos céus”... etc.), e, se a Igreja estava destinada a permanecer e continuar atuando também depois dos tempos bíblicos, não faz sentido supor que, com a morte dos apóstolos, Deus tenha retirado o seu Espírito da Igreja, para limitá-lo à Escritura, como se, a partir daí, nada mais pudesse evoluir, como se não houvesse sempre situações novas a exigir discernimento e decisões, a fim de manter viva a mensagem e conservar a ortodoxia em matéria de fé. Afinal, Jesus diz: “Estarei convosco até o fim dos tempos”, e não apenas no tempo dos Apóstolos. A Bíblia não diz que toda a ação da Igreja deveria, a partir de certo momento, passar a pautar-se unicamente pela Escritura. Nada nela faz prever essa “extinção” da ação do Espírito. Ao contrário, ela mostra a preocupação dos apóstolos em formar seus sucessores... Os protestantes desprezam os próprios critérios bíblicos ao rejeitar o dinamismo já presente na Igreja apostólica, para idolatrar a escritura como único critério de ortodoxia... coisa que, absolutamente, a Bíblia não ensina. O Novo Testamento nem sequer existia no tempo dos Apóstolos... e, de qualquer forma, as evidências mostram que a Escritura, sozinha, é insuficiente como critério de unidade e de valores, se não houver para ela uma interpretação autorizada.
Essa “idolatria da escritura”, desprovida de critérios, leva o autor do artigo a considerar a doutrina dos Padres da Igreja sobre a veneração devida a Maria por seu papel relevante na obra da redenção, assim como a noção de sua virgindade perpétua e de sua qualidade de Mãe de Deus (que depois se tornaram dogmas), como “teorias especulativas” que “começaram a se infiltrar no cristianismo pós-apostólico”, como se o fato de ser “pós-apostólico” fosse indicador de invalidade. Como se a opinião de pessoas nascidas dois mil anos depois dos apóstolos tivesse mais valor, ou pudesse ser mais fiel ao seu ensinamento do que aquilo que foi assimilado e vivido por seus herdeiros diretos e imediatos... ao menos aquilo que foi legitimado pelo Magistério, que não perdeu a assistência do Espírito Santo (se quisermos crer na promessa de Jesus).
O articulista diz que “foi a oração da Ave-Maria, originária do século 11, que mais contribuiu para popularizar essa veneração”, que, segundo um outro autor por ele citado, teria degenerado em adoração, “a ponto de suplantar a própria adoração de Cristo”.
Além de apresentar um julgamento gratuito e errôneo (pois a veneração a Maria nunca foi confundida, em nossa Igreja, com a adoração devida a Cristo, nem a superou), o autor se esquece de que as palavras da Ave-Maria, em sua primeira parte, são palavras da Bíblia... e que o próprio Deus já exaltava Maria, pela boca do anjo, muito antes de nós, tendo Maria profetizado – também na Bíblia – que todas as gerações a proclamariam bem-aventurada – o que Isabel e João Batista já tinham feito pouco antes. Nossa veneração tem, sim, portanto, uma forte base bíblica. Se o próprio Deus exalta Maria, não faz muito sentido supor que isso seja algo contrário à vontade de Deus...
O artigo interpreta as palavras de Jesus em Lucas 11,27-28 (onde ele diz que “os que ouvem a palavra de Deus e a observam” são mais felizes do que “as entranhas que o trouxeram e os seios que o amamentaram”) como uma advertência de Jesus contra a veneração a Maria. Na verdade, isso em nada desmerece Maria, já que ninguém ouviu ou observou as palavras de Jesus melhor do que ela. Essa passagem diz, simplesmente, que os laços de sangue nada são em si mesmos, sem a fé e a prática da fé. É uma advertência dirigida aos judeus, que se consideravam justos e justificados pelo simples fato de serem “filhos de Abraão”... e, no entanto, não reconheceram o Messias enviado por Deus. Quanto ao fato de que Jesus se coloca como caminho necessário e único para chegar ao Pai (como também lembra o artigo), isso não impede que o próprio Jesus tenha agido a pedido de Maria, nas bodas de Cana, assim como escolheu, também, vir ao mundo por meio dela. Pedir a intercessão de Maria não significa negar o caráter indispensável e exclusivo da mediação de Jesus. Sabemos que Maria não faz nada sem Jesus, mas isso em nada impede que peçamos a ela para transmitir a Jesus os nossos pedidos e interceder em nosso favor, como ela fez em Cana, e para nos trazer Jesus como fez em Belém. A intercessão de Maria certamente não é indispensável para a salvação, mas também não se opõe ao ensinamento de Jesus, já que ele mesmo quis condicionar a salvação dos homens ao consentimento e colaboração dela. E o mais importante é que a devoção mariana, longe de prejudicar,  pode favorecer nossa fidelidade a Jesus – na verdade, é nisso que consiste o seu valor. Nosso amor por Maria só tem sentido na medida em que nos conduz para mais perto de Jesus. O papel de Maria em nossa fé é semelhante ao que a Bíblia desempenha junto aos protestantes. Num e noutro podem ocorrer desvios e erros, mas nem por isso devemos desprezar os auxílios que o próprio Deus nos envia para nossa caminhada de fé.
É claro que nossa devoção supõe a convicção de que Maria está viva junto de Deus, assim como todos os santos. E aqui, de novo, o articulista contradiz a Bíblia, ao escrever: “O próprio dogma da assunção de Maria ao paraíso cai por terra se levarmos em consideração o ensino bíblico de que os mortos permanecem em estado de completa inconsciência na sepultura, aguardando o dia da ressurreição final. Maria foi uma pessoa piedosa e temente a Deus, mas ainda não se encontra no Céu, e, como qualquer outra criatura, jamais deveria ser venerada (ver Apoc. 22,8-9).”
Para contradizer a Igreja Católica, os protestantes preferem dar relevo a uma crença do Antigo Testamento, já superada no tempo de Jesus, ao invés de acatar as palavras do próprio Jesus... que afirma que o Pai “não é Deus de mortos, mas de vivos, pois todos vivem para ele” (Lc 20,38; Mt 22,32), e que também promete ao bom ladrão: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”... Há ainda a parábola do rico e de Lázaro (Lc 16, 19-31) onde Jesus diz que “o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão”, que era diferente da “mansão dos mortos”, lugar de tormentos para onde foi o rico. Essa parábola refere-se claramente a uma vida consciente depois da morte, na qual os justos já gozam da bem-aventurança e os injustos são dela privados, mesmo antes da ressurreição dos corpos. Também o Apocalipse fala nos justos que estão junto de Deus e com ele dialogam (estão vivos, portanto), enquanto aguardam que se complete o número dos escolhidos (Apoc 6, 9-11). O trecho citado pelo articulista também fala em um ser vivente, um anjo, que não deve ser adorado porque não é Deus – o que nós também sabemos – mas nada tem a ver com a suposta inconsciência dos mortos.
Enfim: se nós estamos “contradizendo o ensino bíblico”, Jesus o fez antes de nós. São antes os protestantes que o fazem, nessa e em outras acusações, ao ignorar as palavras de Jesus na Bíblia. É claro que cada um tem o direito de acreditar no que quiser, e nós não obrigamos ninguém a pensar como nós. Só digo isso para mostrar a inconsistência dos argumentos utilizados pelos protestantes em suas acusações contra a Igreja Católica...                                           Margarida Hulshof (Dezembro/2003)

QUESTÕES SOBRE MARIA

Nossa Senhora era filha única?                                                      (Angelina Lima – Santa Cruz/RJ.)

            Provavelmente, sim. O proto-evangelho de Tiago, um documento apócrifo (não reconhecido como inspirado por Deus), traz os nomes dos pais de Nossa Senhora, Joaquim e Ana, e diz que Ana era estéril, tendo concebido por um favor especial de Deus, fato comum na geração das mais importantes figuras bíblicas, e que simboliza a total soberania e iniciativa de Deus na condução da história do seu povo. Nesses casos, geralmente, a gravidez é única. O mesmo documento diz que Maria foi consagrada a Deus e educada no templo a partir dos três anos de idade.

Se Nossa Senhora nasceu sem o pecado original, logicamente ela deve ter ficado isenta das dores do parto, que foram impostas à mulher como conseqüência do seu pecado por ter comido o fruto da árvore da Ciência do Bem e do Mal (Gen 3,16). Se isso é uma verdade, por que, no terço do Pe. José Maria, transmitido diariamente pela TV Século 21, na representação que fazem no mistério do nascimento de Cristo, a artista que representa Nossa Senhora aparece deitada, contorcendo-se de dores no parto de Jesus?                               
          (Marcello de Azevedo Penna Chaves – Campinas/SP.)

            De fato, sendo todas as dores humanas uma conseqüência do pecado, é mais do que lógico acreditar que a Mãe de Deus não experimentou as dores do parto, uma vez que foi concebida sem pecado, e também devido à natureza sobrenatural da concepção e do parto de Jesus.
            É verdade que a doutrina católica nada estabelece sobre esse pormenor. Afirma, entretanto, a virgindade perpétua de Nossa Senhora, antes, depois e também durante o parto de Jesus. E, se não houve mutilação física, provavelmente também não houve dor. É o que sempre professou a Tradição. São João Damasceno, por exemplo, escreveu (por volta do ano 730): “Assim como ela deu à luz sem dor, também sua morte esteve isenta de dores.” (Homilia da Natividade de Maria, 3).
            Entretanto, o parto virginal, por si só, não prova a ausência de dores. A dor nem sempre é uma conseqüência do pecado, pode ser também um ato de amor a Deus ou de oblação em favor dos irmãos, como no caso dos sofrimentos de Jesus e dos santos mártires. O “castigo” das dores de parto imposto à mulher como conseqüência do pecado original é apenas uma figura, significando que neste mundo não existe felicidade plena ou isenta de sofrimentos, mas que estes são a oportunidade que Deus nos dá para nosso aperfeiçoamento e conversão, para que um dia cheguemos ao estado de vida plena junto de Deus. Significa também que a vida sempre brota da morte, da dor, do dom de outra vida, como Jesus mostrou no Calvário e na imagem da semente que precisa morrer, para dar frutos.
            O fato é que não se pode dizer que seja um erro teológico representar Maria em dores de parto, já que não há definições doutrinárias concretas a esse respeito, apenas suposições.
            Em minha opinião, é muito mais edificante e respeitoso acreditar na ausência de dores. Mais ainda, não vejo necessidade alguma de examinar essa questão, nem de recorrer a esse tipo de apelação para representar o mistério do nascimento de Jesus. A mídia, porém – especialmente em nossos tempos – gosta de imagens fortes, que impressionem, que choquem até. Nota-se a tendência a um realismo extremo, muitas vezes caricatural. E essa tendência contamina também a mídia católica, que talvez acredite que uma cena mais “marcante” agradará mais. O que pode até ser verdade, no caso do público mais jovem.
            Diante de tais coisas, só nos resta ter paciência e rezar, entregando a Deus nossa perplexidade e pedindo-lhe que, apesar de tudo, as pessoas continuem podendo encontrar e seguir o caminho que leva ao céu. Afinal, é isso o que importa. Tenhamos confiança mesmo em meio às tempestades, cientes de que o Espírito Santo jamais abandonará a Igreja de Cristo.
                                                                                                                             
Depois do nascimento de Cristo, Maria levou as duas ofertas que a lei mandava, a oferta queimada e a oferta pelo pecado (Lc 2,22-24 e Lv 12, 6-8). Mas, se Maria não tinha pecado, para que levar as ofertas?                                          (Guilherme Viegas Reis – Belo Horizonte/MG.)

            Para cumprir a lei, como boa judia que era. Jesus também não tinha pecado, e apesar disso quis receber o batismo de conversão ministrado por João Batista. Foi circuncidado e consagrado a Deus como todo primogênito, e participava de bom grado, com sua família, de todos os ritos judaicos de purificação, pois quis ser em tudo semelhante aos homens, exceto no pecado. Ele não tinha pecado, mas assumiu sobre si os pecados de todos os homens, a ponto de imolar-se em sacrifício por eles. Diante disso, por que estranhar que sua Mãe se unisse a ele na humildade e na obediência? Se o Criador e Senhor se faz servo, assumindo totalmente a condição humana, dentro da cultura de seu povo, e se ainda por cima se deixa tratar como o pior do pecadores, como poderia sua mãe agir de outra forma? Além disso, ela provavelmente não sabia que tinha sido preservada do pecado. Foi dócil instrumento aos planos de Deus sem ter consciência da própria grandeza, como sempre acontece aos santos.

Por que a ressurreição de Maria não consta na Bíblia? É verdade que existe o Evangelho de Maria, à parte?                                                                                  (Pedro Heitor – Espera Feliz/MG.)

            A finalidade dos Evangelhos não é falar de Maria, e sim de Jesus e de seus ensinamentos, que são o fundamento da doutrina da Igreja. O que se fala de Maria, ali, é somente aquilo que está diretamente relacionado com Jesus. Já os demais livros do Novo Testamento documentam a pregação dos apóstolos, com a formação das primeiras comunidades. A exaltação de Maria por Deus e seu papel de medianeira e de mãe da Igreja só começou a ser compreendido mais tarde, quando o Novo Testamento já estava encerrado. Logo se difundiu a crença de que Maria foi levada ao céu em corpo e alma, antecipando a ressurreição que nos aguarda a todos. Por não ter sido contaminada com o pecado, ela também não teria sofrido a conseqüência do pecado, que é a deterioração do corpo após a morte. O Dogma da Assunção Corporal de Maria foi definido oficialmente em 1950, pelo Papa Pio XII. Sua assunção difere da ascensão de Jesus porque este subiu ao céu por seus próprios meios, enquanto Maria foi levada por Deus (as representações artísticas a mostram carregada por anjos). O dogma não define se Maria chegou a experimentar a morte, ou se passou ainda em vida para a glória celeste. Essa questão permanece em aberto. A maioria dos teólogos acha que, se Jesus passou pela morte, também Maria não poderia deixar de fazê-lo. É certo, porém, que seu corpo não sofreu a corrupção, e que ela já está na glória em corpo e alma, diferentemente dos demais seres humanos, cujo corpo só ressuscitará no fim dos tempos.
            Existe um documento apócrifo chamado Evangelho de Maria, assim como há outros (de Tomé, de Tiago, etc.). São documentos antigos que contêm narrativas mais ou menos contemporâneas aos quatro evangelhos, e que podem conter informações verídicas, mas que a Igreja não reconhece como inspirados por Deus. Não se pode garantir a autenticidade de seu conteúdo. Ao lado de fatos verídicos, eles podem conter outros que não passam de fantasia. Tais documentos não são considerados matéria de fé.

Há em minha cidade uma antiga igreja barroca dedicada a Nossa Senhora da Boa Morte. Quando essa igreja tornou-se sede de uma paróquia, esta passou a chamar-se “paróquia da Assunção”, porque o pároco afirma que Nossa Senhora não morreu, sendo elevada aos céus em corpo e alma sem passar pela morte. Muitos têm dificuldade para aceitar essa idéia, habituados que já estão com a tradição da morte e ressurreição de Nossa Senhora, antes de sua assunção, havendo inclusive a “Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte”. Penso que qualquer uma das duas hipóteses pode ser aceita pelos católicos, mas gostaria de saber qual a doutrina mais aceita pela Igreja a esse respeito.        (Clodoaldo Dantas Mota – Barbacena/MG.)
           
            Realmente, qualquer das duas hipóteses pode ser igualmente aceita, porque a Igreja não define essa questão, mas a deixa “em aberto”. A doutrina afirma apenas que, “terminado o curso de sua vida terrestre”, Nossa Senhora foi elevada ao céu em corpo e alma, ou seja, é a única pessoa, além de Jesus, que já passou pela “ressurreição da carne”, por sua dignidade especial de mãe de Deus. É legítimo acreditar que, mesmo não estando sujeita à lei da morte por ter nascido sem o pecado original, ela experimentou a morte para solidarizar-se com seu divino Filho também nesse aspecto. Creio que essa é a hipótese mais aceita, mas não se pode afirmar com certeza nem uma, nem outra. O pároco pode ter a sua crença a esse respeito conforme preferir, mas não a pode impor aos seus paroquianos como sendo doutrina da Igreja, porque a Igreja não se pronuncia sobre esse aspecto. Da mesma forma, os confrades de Nossa Senhora da Boa Morte têm todo o direito de dar continuidade a seu culto e suas tradições, mas não podem afirmar que o pároco está errado. Para não prejudicar a unidade da paróquia, seria bom que se conseguisse chegar a um acordo.
            Podemos também invocar Nossa Senhora da Boa Morte com vistas à nossa própria morte, como aquela que nos pode assistir e interceder por nós “agora e na hora de nossa morte”, como dizemos na Ave-Maria. Ou seja, ela pode ser chamada “Nossa Senhora da Boa Morte” mesmo que não tenha morrido, porque nós, certamente, morreremos... e sabemos que ela, como boa Mãe, não deixará de estar ao nosso lado nessa hora difícil e decisiva.
           
                                                                                                                           Margarida Hulshof

31 de mar. de 2005

A MAIS ANTIGA ORAÇÃO MARIANA


Saiba qual é a mais antiga oração Mariana


"À vossa proteção recorremos Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas Em nossas necessidades, Mas livrai-nos sempre de todos os perigos, Ó Virgem gloriosa e bendita!". A oração "Sub tuum praesidium" (À vossa proteção) é a mais antiga oração a Nossa Senhora que se conhece. Encontrada num fragmento de papiro, em 1927, no Egito, remonta ao século III. Tem uma excepcional importância histórica pela explícita referência ao tempo de perseguições dos cristãos (?Estamos na provação? e ?Livrai-nos de todo perigo) e uma particular importância teológica por recorrer à intercessão de Maria invocada com o título de Theotókos (Mãe de Deus). Este título é o mais importante e belo da Virgem Santíssima. Já no século II era dirigido a Maria e foi objeto de definição conciliar em Éfeso em 431. O texto primitivo do qual derivam as diversas variações litúrgicas (copta, grega, ambrosiana e romana) é o seguinte: ?Sob a asa da vossa misericórdia nós nos refugiamos, Theotókos; não recuse os nossos pedidos na necessidade e salva-nos do perigo: somente pura, somente bendita? .


Fonte: Dom Hélder

AS GRANDEZAS DE MARIA SANTÍSSIMA NA BÍBLIA


Por Desconhecido
Fonte: site do Seminário de Campos


 As Grandezas de Maria na Bíblia
- Que a Santa Mãe do Divino Salvador tenha recebido de Deus prerrogativas que Lhe são exclusivas, é verdade que se deduz de várias passagens da Bíblia. Para o provar, vamos examinar os vários textos sagrados, que a Ela se referem.
Note-se desde já que a Bíblia abre-se e se fecha (Gên. 3,15 - Apoc.12,1) sob o signo da Mulher vitoriosa e bendita, sempre em luta com o dragão.
 - Eis alguns textos áureos da Bíblia Sagrada:
a) ?Porei  inimizade  entre  ti  e  a  Mulher, e  entre  a tua descendência e a dEla. Ela te esmagará a cabeça, e tu tentarás ferir o seu calcanhar?. (Gên. 3,15)
 Comentário: o texto acima é a 1ª profecia da vinda do Salvador feita por Deus logo após a queda de nossos primeiros pais. Nele, ao grupo dos vencidos (Adão e Eva) Deus contrapõe o grupo dos vencedores (Jesus e sua Mãe). - A ?descendência da mulher? (no original: sêmen, prole), é, num 1º  plano, Jesus Cristo; e, num 2º plano, são todos os remidos que correspondem à graça da Redenção.  - O termo "Ela",  como sujeito de ?esmagará?, se refere diretamente à "prole", a Jesus. Mas, será através da natureza humana de Cristo, recebida de Maria, que o poder de Satã será quebrado por Cristo unido à sua Mãe. Logo, também Ela, a "Mulher invicta" desta profecia, com o seu Filho, quebrará a cabeça de Satã. - O termo "inimizade" indica a incompatibilidade absoluta entre Cristo e sua Mãe de um lado, e Satã e os seus aliados, do outro; indica ainda a vitória completa de ambos sobre o Maligno.
b)  Dois textos de Isaías:?Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um Filho, o Emanuel (Deus conosco)?. (Is. 7,14) ?Nasceu-nos um menino ...Ele será Deus forte ...?. (Is. 9,5)
c) Outros textos de S. Lucas:?Ave, ó cheia de graça...? (Lc. 1,28);?...darás à luz um Filho, e Lhe porás onome de Jesus;  (...) Ele será Filho do Altíssimo? (Lc. 1,32); e "Filho de Deus"  (Lc. 1,35); "Bendita és tu entre as mulheres; ( ...) donde me vem a dita de vir a mim a  Mãe de meu Senhor?". (Lc. 1,42-43)
- Esses textos sagrados destacam as várias grandezas singulares de Nossa Senhora:
3 - A Maternidade Divina:  É  evidente:  -  1º )  no  texto ?a?, a descendência da Mulher (sêmen, prole)  é, no 1º plano, Jesus Cristo. E então a ?mulher singular"  da profecia é a sua verdadeira Mãe. E como Cristo é Deus, Ela pode e deve chamar-se Mãe de Deus.
2º)  Confirma-se isso com os textos da letra ?b? (Is. 7,14), pois ?a Virgem? é predita aí como a verdadeira Mãe do Emanuel (Deus conosco), portanto, Mãe de Deus.
3º)  O mesmo afirmam os textos da letra ?c? (Lc. 1,31-32;1,42-43), pois aí se declara que Maria Santíssima é a verdadeira Mãe "do Filho do Altíssimo??do Filho de Deus? e a "Mãe de meu Senhor?.
Argumento de razão  -  Podemos e devemos chamar a Virgem Maria ?Mãe de Deus? porque o objeto-termo de toda maternidade é a pessoa. Não se diz que a mãe é mãe da natureza do filho, mas da sua pessoa. E a Pessoa, em Cristo, é a 2ª da Santíssima  Trindade, o Filho de Deus. Na Virgem Maria se realiza, pois, este mistério: ser Ela, ao mesmo tempo, "Mãe de Deus e de Deus filha"Ela participa  do mistério do seu Filho que é "Deus e Homem ao mesmo tempo".
 Maternidade espiritual - também De fato, como no 2º plano, aquela "Mulher" é Mãe da "prole" também no sentido de "descendência", Maria Santíssima é Mãe espiritual dos remidos. O que o próprio Jesus na Cruz confirmou,  na  pessoa de São João, ao dizer à sua Mãe: "Mulher, eis aí o teu filho".  São João, então, representava a todos os remidos.
- Medianeira   - também.  Realmente, como Deus deu às mães, como ofício próprio da maternidade, prover o alimento dos filhos, assim Cristo, ao dar à sua Santa Mãe o ofício da maternidade espiritual, deu-Lhe também todas as graças necessárias para a salvação de seus filhos espirituais. Senão esse título seria meramente nominal. Ela é, pois, Medianeira de todas as graças de Cristo para nós.
- A Imaculada Conceição - Essa prerrogativa é conseqüência da primeira. Destinada a ser Mãe verdadeira e virginal de Cristo-Deus, não podia Ela ter contato com o pecado. Ademais, se a alguém fosse dado poder escolher a própria mãe, não escolheria a mais virtuosa, a mais pura, a mais santa?  E Jesus não só pôde escolher a Sua Mãe, mas criá-lA, pois é Deus. Ele A fez, pois, imaculadaisenta de toda a culpa original. É a razão de conveniência.
Mas, essa verdade está contida no próprio texto da Bíblia (Gên. 3,15), pois aí se prediz para o futuro Salvador e  para a  sua Mãe, uma inimizade total  com Satã, que implica derrota total deste. Isso é incompatível com a condição de quem tivesse estado, por um momento sequer, sob o pecado e, pois, sob o poder do Maligno. É claro que isso pressupõe a concepção imaculada, não só de Cristo-Homem, mas também de sua Santa Mãe.
O ofício de Corredentora -  Também está  contida no texto de Gên. 3,15 a verdade de que aquela Mulher invicta, posta por Deus em total inimizade com o Demônio, ia participar de todos os sofrimentos e lutas do futuro Redentor. De fato, a Virgem Maria participou da Paixão de Jesus no grau máximo, sofrendo em união com Ele as dores mais atrozes, oferecendo-O a Deus Pai como Vítima por nós. Ela sacrificou-Lhe também o direito natural de Mãe sobre o próprio Filho. Todos esses sacrifícios já estavam incluídos na aceitação da maternidade divina. Ela cooperou voluntariamente para nossa Redenção.
- A Assunção corpórea ao céu  - A vitória de Cristo sobre Satã, o pecado e a morte foi realizada  na Paixão e Morte na Cruz, mas se tornou completa e patente  com a sua Ressurreição e Ascensão ao Céu. Ora, o texto do Gênesis associa inseparavelmente  o Messias  e a sua  Mãe na mesma luta na mesma Vitória final e completaOra, a vitória de Maria Santíssima não seria completa se o seu corpo imaculado e virginal tivesse ficado sujeito à  corrupção do sepulcro. Jesus Cristo não o permitiu, mas A elevou ao Céu em corpo e alma, no fim de sua vida. Assim cumpriu-se plenamente aquela magnífica profecia.                              
RESPONDENDO OBJEÇÕES 
- Os protestantes não cessam de injuriar a Jesus, rebaixando a sua Santa Mãe à condição de uma mulher comum, pela  interpretação errônea que dão a alguns textos.
Vejamos na Bíblia  como isso é falso:  - No encontro de Jesus no Templo, Ele não argüiu a Sua Mãe de  não saber que Ele?devia cuidar dos interesses de seu Pai?. (Lc. 2,49)  Não era esse o sentido das suas palavras no contexto. Era antes o seguinte: "Não sabeis que devo estar no que é de meu Pai ?" (sentido literal) Assim, era normal que sua Mãe entendesse a resposta no sentido de "ficar  morando  no Templo", a exemplo de  Samuel. Por isso, em Lc. 2,50 lemos: "Eles não entenderam o que Jesus lhes dissera"
 9 -  Em  Caná, a Mãe de Jesus Lhe informou ter acabado o vinho para os convidados. Jesus respondeu usando a expressão semítica (da língua hebraica): ?Mulher, que há  entre mim e ti??  E acrescentou: ?A minha hora ainda não chegou?.  (Jo.2,4) A expressão usada por Jesus tem um sentido próprio daquela língua.
 De fato, verificou-se que ela foi  usada, pelo menos seis (6) vezes  na Bíblia do Anigo Testamento, nas quais se supõe resposta negativa: ?não há nada?; uma ou outra vez, indica que ?não há  nada? porque háoposição; as outras indicam que as partes estão de acordo.  (Cf.  2 Reis 3,13; 2 Sam.16,10; 19,22; Jz. 11,12; 1 Reis 17,18; 2 Crôn. 35,21)
 Note-se que essas citações conferem com a tradução literal da frase latina:"Quid mihi et tibi est?" = ?Que há entre mim e ti??, sem as acomodações ao nosso modo de falar, como por ex., ?Que nos importa isso a mim e a ti??, ou ?Que queres de mim ??, como hoje se costuma fazer.
 Em Caná é claro o sentido de pleno acordo quanto ao fato da providência solicitada (o milagre), com pequena restrição quanto à sua oportunidade. Daí Jesus dizer:?a minha hora ainda não chegou?Mas antecipou essa hora, e fez o milagre, atendendo a intenção caritativa de sua Santa Mãe.
 10 - Quanto ao apelativo ?Mulher?, dizem os peritos da língua que Jesus falava, o aramaico, que tem um sentido respeitoso equivalente a ?Senhora?. E que dizer do acento de respeito desta palavra na boca de Jesus ao dirigir-se à sua Santa  Mãe!  Sobretudo  no contexto de Caná  e da Cruz. Jesus, o melhor dos Filhos, deve ter-Se dirigido à sua santa Mãe com acentuado carinho e respeito filiais. Nesse contexto, tal apelativo lembra ainda a "Mulher"  da profecia do Gênesis. (3,15) Então, Jesus Se projeta ao lado de sua Mãe comodando cumprimento àquela profecia.
 11 - Por fim, Jesus pregava numa casa cheia de gente. Avisam-Lhe que lá fora estão sua Mãe e os seus (chamados) irmãos. (primos-Ver ?F. C. nº 12)  Jesus responde:"Minha Mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática". (Lc. 8,21) É claro que Jesus não está negando à sua Santa Mãe a honra de ser a primeiríssima entre os ouvintes e praticantes da palavra de Deus, antes o supõe, e é seu principal título de glória. O mesmo se diga de Lc.11,27-28.

25 de mar. de 2005

UMA DEFESA BÍBLICA DE MARIA

Por Antoine Valentin
Tradução: Jaime Francisco de Moura

Há uma palavra no aramaico, "Gebirah" que quer dizer "Rainha Mãe".  Próximo ao trono do Rei estava um segundo trono. Muitos assumiriam que o segundo trono pertenceu à esposa do Rei. O Gebirah era uma posição oficial, que todo o mundo ( Jesus e os discípulos incluíram) era completamente familiar.  O papel dela era como defensora das pessoas; qualquer um que teve uma petição ou buscou uma audiência com o Rei fez assim por ela.  Ela era uma intercessora, que apresentava os desejos e preocupações das pessoas ao Rei.  Isto não insinua que o Rei era inabordável, ou que as pessoas tinham medo ou eram incapaz de falar com ele.  significa que o Rei honrou sua mãe e levou os pedidos dela em consideração.  As pessoas, sentiam-se próximos, como se fossem seus filhos.
Este papel é mencionado em: (2 Reis 10,13) " Nós somos irmãos de Ocosias, responderam eles. Descemos para fazer uma visita aos filhos do rei e aos filhos da rainha."
O lugar específico dela de honra e intercessão, é ilustrado dramaticamente na passagem seguinte de (1 Reis 2, 13-21)
?Adonias, filho de Hagit, foi ter com Betsabé, mãe de Salomão. Ela disse-lhe: vens como amigo? Sim disse ele, preciso falar-te ?fala? ele continuou! ?Sabes que o reino era meu, e que todo o Israel me considerava como o seu futuro Rei. Mas o trono foi transferido a outro,passando para meu irmão, porque o Senhor lho deu. Tenho a esse respeito um pedido a fazer-te; não mo recuses ? ?Fala?  ?Pede ao Rei Salomão, que nada te recusa, que me dê Abisag, a sunanita, por mulher? ?Está bem, respondeu Betsabé, falarei por ti ao Rei?. Betsabé foi, pois, ter com o Rei para falar-lhe em favor de Adonias. O Rei levantou-se para ir-lhe ao encontro, fez-lhe uma profunda reverência e sentou-se no trono. Mandou colocar um trono para sua mãe, e ela sentou-se à sua direita: ?Tenho um pequeno pedido a fazer-te, disse ela; não mo recuses? ? ?Pede, minha mãe, respondeu o Rei, porque nada te recusarei?. Disse Betsabé: ?Peço-te que Abisag, a sunanita, seja dada por mulher ao teu irmão Adonias.?
São de grande importância, as observações seguintes:
1. Adonias assumiu que a mãe rainha chegaria ao Rei ao lado dele; Adonias confiou nela.
2. A reação do Rei é notável: ele se levanta e faz uma profunda homenagem a ela.
3. Um trono foi provido para ela, e ela sentou a seu lado.
4. É dada ênfase como intercessora, e pela repetição da idéia que o rei não a recusará.
Nós fazemos o mesmo com Maria.  Nós assumimos que ela chegará ao Rei em nosso favor.  Muitos protestantes dizem que "Nós não precisamos passar por qualquer um; nós podemos falar diretamente" com Deus. Bem, claro que nós podemos.  Mas eu duvido que a mesma pessoa nunca pediu para um amigo que fizesse uma oração para uma pessoa, ou que nós pedimos para nossos amigos que rezem por nós. Não porque sentimos que não podemos chegar diretamente a Deus, mas porque nós somos uma família em Cristo. Nós nos preocupamos um com o outro. São Paulo nos conta que somos rodeados por uma nuvem de testemunhas, fala que as orações dos santos sobem como incenso a Deus.  O que você supõe que eles estão pedindo?  Em Tobias nós lemos: ?Quando tu oravas com lágrimas e enterrava os mortos, quando deixavas a tua refeição e ias ocultar os mortos em tua casa durante o dia, para sepultá-los  quando viesse a noite, eu apresentava as tuas orações ao Senhor? (Tobias 12,12)
Se nós perguntamos a esses que sabemos que rezam para nós, como nós deveríamos nos abster de perguntar a esses que estão na presença de Deus?  E se nós perguntamos a esses que estão na presença de Deus para rezar para nós, como nós deveríamos nos abster de perguntar para a mesma mãe do Rei?
Quando Jesus estava morrendo na Cruz, suas palavras são direcionadas ao discípulo amado e a cada um de nós, e essas palavras são: "Veja sua mãe."

Maria como Arca da Nova Aliança

A Arca da Antiga Aliança era o lugar de propriedade para os Dez Mandamentos que eram a palavra de Deus. Na Bíblia, São João chama Jesus como a palavra de Deus, e Maria o levando no útero, se tornou a Arca da Nova Aliança. A Arca da Aliança é santa e pura, e se Maria tivesse pecado original, ela não teria sido pura, e então não poderia ter sido a Arca da Nova Aliança. Esta idéia é apresentada na Bíblia quando nós compararmos o Velho Testamento e o Novo Testamento. Note estas semelhanças:
Antigo Testamento: Quando a arca da Aliança foi trazida ao Rei  Davi.

"Davi temeu o Senhor que disse, como entrará a arca do Senhor em minha casa?." (2 Samuel 6,9)
Novo Testamento: Quando Maria foi visitar Isabel que estava grávida de João Batista.
"Donde me vem essa honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?" (Lucas 1,43)
Antigo Testamento: Quando Davi dançou de alegria porque ele estava na presença da arca que segurava a palavra de Deus. Micol filha de Saul "olhando pela janela, viu o rei Davi, saltando e dançando diante do Senhor? (2 Samuel 6,16).
Novo Testamento: Quando o profeta João Batista saltou de alegria enquanto estava no útero de sua mãe. Ele fez isto quando ouviu a voz de Maria que estava grávida de Jesus que também é chamado a Palavra de Deus.
Antigo Testamento: Os Israelitas estavam cheios de grande alegria porque eles estavam perto da arca que segurava a palavra de Deus.
"Como ele e todos os Israelitas estavam expondo a arca do Senhor com gritos de alegrias."
Novo Testamento: Isto mostra a alegria de Isabel e João Batista por estar na presença de Maria que segurava a Palavra de Deus.
"Isabel clamou em alta voz e disse, Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre." (Lucas 1,42)
Se é verdade que Maria é a Arca da Nova Aliança, então ela deveria ter sido pura, e não pôde ter nenhum pecado original. O fato que Maria nasceu sem pecado original foi um ensino claro não só da Igreja católica, mas dos fundadores do Protestantismo. Então, como algumas denominações protestantes tem ido tão longe deste ensino Cristão tradicional?
É uma doce e piedosa convicção que foi efetuada a infusão da alma de Maria sem pecado original; de forma que na mesma infusão da alma, ela foi purificada também do pecado original e adornado com os presentes de Deus, recebendo uma pura alma infundida por Deus; assim do primeiro momento ela começou a viver livre de todo o pecado. [Martinho Lutero; "Sermão No Dia da Concepção da Mãe de Deus", 1527]
Aqui fica uma outra resposta! "Se Deus fez Eva sem o pecado original, por que então o mesmo Deus não poderia fazer o mesmo com Maria?"
Quando Jesus fez a entrada triunfal em Jerusalém, ele montou em um burro que não tinha sido montado por ninguém (Marcos 11,2-10). Ele também foi enterrado em uma sepultura que não tinha sido usada por ninguém (João 19,41) Estas coisas não eram necessárias, mas só estava mostrando que o burro e a sepultura usados por Cristo, tinha que ser algo de especial.
No Antigo Testamento, há passagens que prefiguram as pessoas ou eventos, no Novo Testamento. Adão é um tipo de Cristo. (Romanos 5,14).
Em Ezequiel há uma referência a um portão que é um tipo de Maria.
(Ezequiel 44,1-2) "Ele reconduziu-me ao pórtico exterior do santuário, que fica fronteiro ao oriente, o qual se achava fechado. O Senhor disse-me: ?Esse pórtico ficará fechado. Ninguém o abrirá, ninguém aí passará, porque o Senhor, Deus de Israel, aí passou; ele permanecerá fechado?.
(Ezequiel 46,8-12) "Logo que chegar, o príncipe passará pelo vestíbulo do pórtico e, ao sair, tomará idêntico caminho. Quando o povo vier apresentar-se diante do Senhor, por ocasião das solenidades, aquele que tiver entrado pela porta norte, para se prostenar, sairá pela porta sul; o que vier pela porta sul sairá pela porta norte; não voltará pela porta que tiver tomado à entrada, mas sairá pela porta que tiver diante de si. O príncipe ficará no meio deles, entrando e saindo como eles. Por ocasião das festas e solenidades, a oferenda será de um efá por touro e por cordeiro; para as ovelhas, será deixada à sua escolha; no que toca ao óleo, oferecerá um hin por efá. Quando o príncipe quiser oferecer ao Senhor um holocausto voluntário ou um sacrifício pacífico, abrir-se-lhe-á a porta que olha para o oriente, e ele oferecerá seu holocausto e seu sacrifício pacífico como faz no dia do sábado. Quando sair, fechar-se-á a porta imediatamente após ele?
O príncipe é um tipo de Cristo, e o portão prefigura Maria, desde que era pelo seu útero que Jesus entrou no mundo. Assim como o portão estava reservado só para o príncipe, também o útero de Maria foi reservado só para Jesus.  Como no caso do burro (Marcos 11,2-10), e a tumba nova (João 19,41), Deus destina a graça da qual moveu Maria para aceitar uma vida de virgindade consagrada, como sua Virgindade Perpétua é o sinal que aponta algo de especial de Jesus Cristo.




VALENTIN, Antoine. Apostolado Veritatis Splendor: UMA DEFESA BÍBLICA DE MARIA. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/2982. Desde 30/08/2004.