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24 de out. de 2011

Postulador assegura que há "muitas graças" atribuídas ao Beato João Paulo II


Vaticano, 22 Out. 11 / 10:42 pm (ACI)

Por ocasião da primeira festa litúrgica do Beato João Paulo II, que se celebra no dia 22 de outubro em Roma e Polônia, o postulador de sua causa, Monsenhor Slawomir Oder, afirmou que se tem notícia de numerosas graças concedidas por sua intercessão mas ainda aguarda a documentação que permita iniciar o caminho para a canonização do recordado Pontífice.

Em uma entrevista concedida à Rádio Vaticano, Mons. Oder afirmou que “até o momento recebi numerosos testemunhos muito significativos (de supostos milagres) e estou à espera de ter toda a documentação para fazer um estudo sério e ver a oportunidade de promover o novo processo”.

O sacerdote esclareceu que “o verdadeiro protagonista, que sem dúvida nos indicará o momento mais oportuno, é Deus que vai querer dar-nos um sinal que a Igrejapossa tomar em consideração para reconhecer um eventual novo milagre”.

Até o momento, o Beato Wojtyla inspirou numerosas iniciativas de natureza social, como a criação de fundações benéficas, a abertura de escolas, de jardins de infância, hospitais, e igrejas tituladas com seu nome.

17 de ago. de 2011

Cardeal Rouco inaugurou a JMJ Madrid 2011: Testemunhem a Cristo como João Paulo II


MADRI, 16 Ago. 11 / 10:50 pm (ACI/EWTN Noticias)

Ao presidir a multitudinária Missa de inauguração da JMJ Madrid 2011 celebrada na emblemática Praça de Cibeles, o Arcebispo anfitrião pela segunda vez deste evento, Cardeal Antonio María Rouco Varela, alentou os peregrinos a testemunhar com valor a Cristo segundo o exemplo do Beato João Paulo II.

Na Missa dedicada ao Papa Wojtyla diante de meio milhão de jovens e concelebrada por 800 bispos de todo o mundo e 8 mil sacerdotes, o Cardeal ressaltou as raízes católicas da Espanha "que se constitui animada por um projeto histórico que é sua identificação com o cristianismo".

Em um ambiente de festa de fé, o Cardeal disse logo que todos na Espanha "abrem a porta de seu coração" a todos os peregrinos que vieram a Madrid e destacou o testemunho de João Paulo II, como iniciador das Jornadas Mundiais da Juventude.

"Desde aquela primeira convocatória da Jornada de 1985 em Roma até esta Jornada de Madrid foi se debulhando uma bela história de fé, esperança e amor em três gerações de jovens católicos e não católicos, que viram como se transformava suavida em Cristo e como surgiam entre eles inumeráveis vocações para o sacerdócio, a vida consagrada, o matrimônio cristão e o apostolado".

A santidade pessoal de João Paulo II –prosseguiu o Cardeal que acolheu em 1989 o Pontífice polonês para a JMJ deste ano em Santiago de Compostela– "brilha com um atrativo singular precisamente neste aspecto da evangelização dos jovens contemporâneos. Nosso Santo Padre Bento XVI não duvidou em ressaltar o amor aos jovens de João Paulo II na Homilia de sua Beatificação em primeiro de Maio na Praça de São Pedro".

O Cardeal Rouco ressaltou logo que "o segredo dessa luminosa personalidade, moldada na perfeição da caridade, desvela-se facilmente à luz da Palavra de Deus que foi proclamada. A chave de explicação de toda sua vida, consagrada ao Senhor, à Igreja e ao homem, não é outra que seu candente amor a Jesus Cristo, do qual, assim como São Paulo, não quis afastar-se jamais".

"João Paulo II passou também em sua vida pela aflição, pela angústia, pela perseguição, pelas carências mais elementares nos anos da II Guerra Mundial, da ocupação implacável e cruel de sua pátria, do despojo desumano dos seus… Sofreu a dor dos perseguidos pela causa de Cristo antes e depois de sua eleição à Sé de Pedro: literalmente, até o sangue".

João Paulo II, disse o Cardeal, foi uma "testemunha indomável da verdade e da esperança cristã, viveu a verdade do "se Deus estiver conosco, quem estará contra nós?", sem medo a nenhuma oposição interna ou externa à Igreja. Foi um valente de Cristo! Nada pôde afastá-lo de seu amor".

O amor total por Jesus Cristo foi o que marcou a vida deste Pontífice, disse logo e recordou que "quem quer que tenha vivido as Jornadas Mundiais de Buenos Aires, Santiago de Compostela, Czestochowa, Denver, Manila, Paris, Roma, Toronto… terá podido constatar que na forma de receber o Papa, com aquela mistura tão íntima de júbilo e respeitosa ternura, os jovens demonstravam que o estavam reconhecendo como aquele que vinha ao seu encontro no nome do Senhor".

O Cardeal Rouco Varela disse logo que, em Colônia 2005, Sydney 2008 e agora em Madrid 2011, o Papa Bento XVI compreende os novos desafios dos jovens em um mundo globalizado.

"Seu lugar na vida tem suas peculiaridades. Seus problemas e circunstâncias vitais mudaram. A globalização, as novas tecnologias da comunicação, a crise econômica, etc., condicionam para bem e, em muitas ocasiões, para mal".

"Os jovens de hoje, com raízes existenciais debilitadas por um rampante relativismo espiritual e moral, encerrados pelo poder dominante, e sem achar sólidos fundamentos para suas vidas na cultura e na sociedade atuais, até mesmo, não raramente, na própria família…, são provados poderosamente até os limites de fazer perder a orientação no caminho da vida: Como não vai vacilar às vezes sua fé?", prosseguiu.

Diante desta perspectiva, assegurou o Cardeal "a juventude do século XXI necessita, tanto ou mais que as gerações precedentes, encontrar o Senhor pela única via que se demonstrou espiritualmente eficaz: a do peregrino humilde e singelo que busca seu rosto".
"O jovem de hoje precisa ver Jesus Cristo quando Ele sai ao seu encontro na Palavra, nos Sacramentos, "também, muito especialmente, na Eucaristia e no Sacramento da Penitência, nos pobres e doentes, nos irmãos que estão em dificuldade e necessitam ajuda".

"Precisa vê-lo e entrar em diálogo íntimo com Ele, que o ama sem pedir nada em troca, a não ser a resposta de seu amor. A intenção do Papa, que tanto os ama, vai justamente nesta direção: que experimentem na Comunhão Católica da Igreja a verdade e a imperiosa urgência de fazer sua vida o lema da Jornada Mundial da Juventude 2011: "arraigados e edificados em Cristo, firmes na fé".

Finalmente o Cardeal elevou uma oração a João Paulo II para que "rogue por nós, roga pelos jovens da JMJ 2011 para que abram de par em par seus corações à graça salvadora de Cristo, o único Redentor do homem, nestes extraordinários dias do Espírito nos que queremos contar as maravilhas do Senhor a todas as nações!"

4 de jun. de 2011

João Paulo II: virtudes de um Papa santo

Amados irmãos e irmãs,
Salve Maria Santíssima!
Que seu final de semana seja abençoado e feliz na presença de Deus.
O Padre Faus publicou um texto fenomenal no seu site, mostrando as virtudes heroicas do Beato João Paulo II, um texto grande, mas que vale a pena a sua leitura.

Leia na íntegra:


UMA TOCHA DE FÉ

O instinto do povo não se enganava quando, desde o início do pontificado de João Paulo II, via no Papa Wojtyla um homem de Deus. A fé notava-se-lhe no calor sereno e viril da voz, no olhar profundo, afetuoso e calmo, na paz com que abraçava o seu serviço sacrificado e incansável e com que aceitava as adversidades, doenças e dores como vindas da mão de Deus.

A fé, uma fé segura, sólida e feliz, pode-se dizer que lhe saía por todos os poros do corpo e da alma. Acreditava mesmo em Deus, acreditava mesmo em Jesus Cristo, único Salvador do mundo; acreditava plenamente no chamado de todos à salvação que está em Cristo Jesus; acreditava, com confiança de filho, na intercessão da santíssima Virgem Maria, em cujos braços maternos se abandonara muito cedo, declarando-se Totus tuus! -”Todo teu!”.


A ORAÇÃO, ESPELHO DA FÉ


Diz-se, com toda a razão, que a oração é o espelho da fé. É pela oração que a alma se une a Deus, em plena intimidade; é pela oração amorosamente contemplativa que os traços de Cristo se imprimem na alma; é pela oração que os olhos vêem o mundo, a história, os homens - cada homem - com a própria visão de Deus; e é pela oração que se pode chegar a dizer, como São Paulo: Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim (Gál 2, 20).

Pois bem, João Paulo II vivia literalmente mergulhado na oração. E isso, mesmo para os que o ignoravam, se notava de uma forma indisfarçável. Desde o início do seu pontificado - continuando, aliás, com seus antigos hábitos de padre e de bispo - , levantava-se às 5,30 horas e, depois de se arrumar, ia imediatamente à capela para fazer mais de uma hora de oração íntima, ajoelhado diante do sacrário, perante um crucifixo e uma imagem da Virgem Negra de Czestokowa [1].

No seu penúltimo livro, Levantai-vos! Vamos![2], o próprio Papa fala da alegria de ter a capela tão perto das dependências onde trabalhava: “A capela fica tão próxima para que na vida do bispo tudo - a pregação, as decisões, a pastoral - tenha início aos pés de Cristo, escondido no Santíssimo Sacramento [...]. Estou convencido de que a capela é um lugar de onde provém uma inspiração particular. É um privilégio enorme poder habitar e trabalhar no espaço dessa Presença, uma Presença que atrai, como um potente ímã”. “Todas as grandes decisões - comentava um dos seus ajudantes - tomava-as de joelhos em frente ao santíssimo Sacramento”.

A capela era, realmente, o ímã constante, irresistível, do dia-a-dia de João Paulo II. Nela, além da oração matutina e da celebração da Santa Missa, rezava todos os dias a Liturgia das Horas. Na capela, muitas vezes, das 9,30 às 11,00 horas, dedicava-se a escrever, anotando sempre no cabeçalho de cada folha uma oração abreviada, uma jaculatória. Na capela, guardava o que ele chamava a “geografia da sua oração”, pois, no interior da parte de cima do genuflexório, as freiras que cuidavam da casa pontifícia deixavam centenas de folhas datilografadas, com pedidos de oração pessoal enviados por carta ao Papa por fiéis de todo o mundo, intenções pelas quais fazia questão de rezar. Conta-se que um dos seus secretários, o Pe. John Magee, procurou certa data o Papa nos seus aposentos e não o encontrou. Foi-lhe indicado que o procurasse na capela, mas não o viu. Sugeriram-lhe, então, que olhasse melhor, e lá descobriu efetivamente o Papa, prostrado no chão, em adoração, diante do Sacrário.

Esse clima de oração estendia-se, como uma onda cálida, a todas as atividades do dia. João Paulo II rezava constantemente: entre as diversas reuniões, a caminho das audiências, no carro, num helicóptero… Num terraço do Palácio Apostólico, onde mandara colocar as catorze estações da Via Sacra, praticava essa devoção todas as sextas-feiras do ano e, na Quaresma, todos os dias. Rezava o terço em diversos momentos da jornada, até completar o Rosário. Um detalhe simpático: só dedicava ao descanso, após o almoço, uns dez minutos; depois dos quais, enquanto outros repousavam, passeava pelos jardins do Vaticano rezando o terço [3].


COM OS OLHOS DA FÉ

A oração, a intimidade com Deus, é a condição imprescindível para que permaneçam abertos e argutos os olhos da fé. Na Missa inicial do Conclave, dia 18 de abril de 2005, o cardeal Ratzinger dizia uma verdade grande e simples: “Quanto mais amamos Jesus, tanto mais o conhecemos”. E na Missa de exéquias, o mesmo cardeal dizia: “O amor de Cristo foi a força dominante em nosso querido Santo Padre. Quem o viu rezar, quem o viu pregar, sabe disso”.

Isso explica a serena firmeza com que João Paulo II se empenhou sem descanso, ao longo dos seus vinte e seis anos de pontificado, em aprofundar na autêntica doutrina católica - muitas vezes chegando, como exímio filósofo e teólogo que era, a profundidades deslumbrantes - e em difundi-la por todo o mundo. A fé, enraizada no amor, dava-lhe autenticidade. Todos sabiam que pregava sobre aquilo em que firmemente acreditava, sobre aquilo que vivia, sobre aquilo que sinceramente amava e sentia, quer fossem as verdades da fé relativas ao Redentor do homem, ao Espírito Santo, à Eucaristia, ao sacramento da Reconciliação, ao sentido do sacerdócio, ao Ecumenismo, à missão maternal de Maria…, quer às verdades morais que exprimem o plano de Deus sobre a família, sobre o amor humano e o sexo, sobre a dignidade inviolável da vida desde o primeiro instante da concepção até à morte natural, sobre o valor permanente dos Mandamentos do Decálogo, etc.[4]

Muitos experimentavam o impacto dessas verdades, e mudavam. Outros, vibravam com elas e admiravam o Papa, mesmo que não se decidissem a praticá-las. Alguns, desorientados, as contestavam. Mas afora uns poucos sectários, todos - a começar pelos não católicos e os não crentes - captavam que o Papa tinha, nas suas falas, a transparência de Deus, a “longitude de onda” da Palavra de Deus. Era como se vissem nele, feito realidade, o louvor que Cristo dirigiu a Pedro em Cesaréia de Filipe:Feliz és Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos Céus (Mat 16, 17), bem como a oração que Jesus fez por Pedro na Última Ceia: Simão…, eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos (Luc 22, 32).


COM A FORTALEZA DA FÉ

A fé, quando autêntica, é uma certeza amorosa que, depois de elevar até Deus a alma agradecida, aninha-se no coração e o torna capaz de amar a todos. Aí está a diferença entre fé e fanatismo, entre convicção e “fundamentalismo”. O fanático, o fundamentalista exasperado, não é capaz de compreender os que não pensam como ele; despreza-os e chega a odiá-los.

Pelo contrário, quem tem a alma iluminada pela fé de Jesus Cristo só sabe amar e, como ama loucamente Jesus, que veio ao mundo - como Ele dizia a Pilatos - para dar testemunho da verdade (Jo 18, 37), conjuga em perfeita harmonia a firmeza na fé (sem “espaço para cedências nem para um recurso oportunista à diplomacia humana” [5]), com a compreensão e o afeto sincero para com os que divergem e erram. A afirmação da sua fé nunca foi, em João Paulo II, uma imposição irada, mas um convite, como o que marcou o início do seu pontificado: “Não tenhais medo! Abri as portas a Cristo!”

Assim foi João Paulo II, forte na fé - como pedia São Pedro (I Pdr 5, 9), de quem foi sucessor -, “com uma fé corajosa e sem medo, uma fé temperada na provação, pronta para seguir com generosa adesão qualquer chamado de Deus”[6]; e, ao mesmo tempo, um homem de braços abertos, disposto incansavelmente a sofrer todas as dificuldades, e até mesmo vexames e desprezos (como sucedeu, por exemplo, com alguns episódios indelicados na Nicarágua marxista, em Cuba e na Grécia), para avançar passo a passo, sem nunca desfalecer, pelo caminho do diálogo com os representantes das outras confissões cristãs, com os não-cristãos e com os não-crentes.

Numa breve biografia sobre João Paulo II, o então cardeal Ratzinger terminava dizendo: “Hoje também os espíritos críticos sentem com uma clareza sempre maior que a crise do nosso tempo consiste na «crise de Deus», no desaparecimento de Deus do horizonte da história humana. A resposta da Igreja deve ser uma só: falar sempre menos de si mesma e sempre mais de Deus, dando testemunho dEle e sendo a porta para Ele. Este é o verdadeiro conteúdo do pontificado de João Paulo II que, com o passar dos anos, torna-se sempre mais evidente” [7].


UMA TOCHA DE CARIDADE

“AMOU ATÉ O FIM”


Os últimos anos, os últimos meses, os últimos dias de João Paulo II, evidenciaram de uma maneira impressionante e crescente, aos olhos de todos, que aquele ancião doente, combalido, encurvado, sofredor, cada vez mais limitado, depois de ter dado a vida inteira ao serviço de Deus e de seus irmãos os homens, estava disposto a entregar até a última gota, até o último alento, enquanto Deus não viesse buscá-lo.

Seguindo as pegadas de Cristo, decidiu-se a levar a sua caridade, o seu amor, até ao extremo, como Jesus, de quem diz o Evangelho que, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim (Jo 13, 1).

Ele próprio deixara escritas no seu testamento, no ano 2000, as seguintes palavras: “Segundo os desígnios da Providência, foi-me concedido viver no difícil século que está ficando no passado e agora, no ano em que a minha vida alcança os oitenta anos, é necessário perguntar-me se não chegou a hora de repetir com o bíblico Simeão: «Nunc dimittis» [refere-se à oração do ancião Simeão que, no dia da apresentação do Menino Jesus no Templo, diz a Deus que agora já o pode levar em paz deste mundo: cfr. Luc 2, 29]“.

O escrito continua: “No dia 13e de maio de 1981, o dia do atentado contra o Papa durante a audiência geral na Praça de São Pedro, a Divina Providência me salvou milagrosamente da morte. O mesmo único Senhor da vida e da morte me prolongou esta vida e, em certo sentido, voltou a dar-ma de novo. A partir desse momento, pertence-lhe ainda mais [...]. Peço-lhe que me chame quando Ele quiser. «Se vivemos, vivemos para o Senhor; e se morremos, morremos para o Senhor… Somos do Senhor (Cf. Rom 14,8)». Espero que até que possa completar o serviço petrino [de sucessor de Pedro] na Igreja, a Misericórdia de Deus me dê forças para este serviço”.

E assim foi. A sua entrega foi como a de uma lamparina que se extingue só depois de consumir-se inteiramente. Mas, à medida em que sua vida se ia apagando, o seu amor resplandecia com mais força. Quem não se lembra do seu derradeiro esforço por se comunicar, por levar a Palavra aos fiéis, naquele dia de abril em que, o rosto emoldurado pela janela de onde tinha falado tantas vezes, só pôde abrir a boca para exprimir silenciosamente a dor, a agonia, as lágrimas silenciosas de um pastor esgotado, que já não mais conseguia articular uma palavra?

Deixou-nos assim um reflexo extraordinário da imagem do Bom Pastor, que dá a vida pelas suas ovelhas (Jo 10, 11). Na homilia das exéquias, o Cardeal Ratzinger recordava essa figura evangélica em que João Paulo II ficava retratado: “Foi sacerdote até o final, porque ofereceu a sua vida a Deus por suas ovelhas e por toda a família humana, numa entrega cotidiana ao serviço da Igreja e, sobretudo, nas duras provas dos últimos meses. Assim se converteu em uma só coisa com Cristo, o Bom Pastor que ama as suas ovelhas”.


“AQUELE QUE DÁ A VIDA POR SEUS AMIGOS”

Eis aqui outras palavras de Cristo, na Última Ceia, que ajudam a captar essa tocha de caridade: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos (Jo 15, 15).

Cristo deu a vida com a sua dedicação infatigável aos homens - Não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida para salvação de muitos (cfr. Mat 20, 28) -, mas a sua entrega chegou ao ápice no sacrifício da Cruz. Com efeito, foi na Cruz, quando já do corpo dilacerado escorriam as últimas gotas do sangue derramado para a remissão dos pecados (Mt 26, 28), que Jesus pôde dizer: Tudo está consumado! (Jo 19, 30).

Nos últimos anos, João Paulo II foi-se configurando, cada vez mais plenamente, com Jesus sofredor, com a sua Paixão e Morte, viveu uma intensa “consciência” do valor salvador da Cruz , que ele sempre amara: “Nunca me aconteceu - escrevia - de colocar com indiferença a minha Cruz peitoral de bispo. É um gesto que sempre acompanho com a oração. Há mais de quarenta e cinco anos que a Cruz pousa em meu peito, ao lado do meu coração. Amar a Cruz quer dizer amar o sacrifício”[8].

À medida que os seus sofrimentos físicos foram aumentando, até envolvê-lo, por assim dizer, como uma espessa malha torturante, o Papa foi compreendendo com mais profundidade que a sua dor, em união com a de Jesus crucificado, seria, por desígnio divino, a nova forma de cumprir a missão de pastor de um rebanho imenso, espalhado pelo mundo, entre perigos, incertezas e ameaças.

Deixemos a palavra, mais uma vez, ao cardeal Ratzinger, na homilia das exéquias de João Paulo II: “Precisamente nesta sua comunhão com o Senhor que sofre, o Papa anunciou, infatigavelmente e com renovada intensidade, o Evangelho, o mistério do amor até o fim”. E, neste ponto, o cardeal citava palavras do próprio João Paulo II no seu último livro “Memória e Identidade” (págs. 189-190): “Cristo, sofrendo por todos nós, conferiu um novo sentido ao sofrimento, introduziu-o em uma nova dimensão, em uma nova ordem: a do amor… É o sofrimento que queima e destrói o mal com a chama do amor, e até do pecado tira um florescimento multiforme de bem”.

É tocante perceber como João Paulo II ia crescendo nessa profunda visão sobrenatural. Após a queda no banheiro, em 28 de abril de 1994, com graves fraturas, o Papa sofreu uma nova intervenção cirúrgica na Policlínica Gemelli, que, no entanto, não pôde resolver satisfatoriamente o problema. Passou, então, a usar bengala. As dores não cederam, ao contrário. Os movimentos tornaram-se mais trôpegos e penosos.

Quando voltou a dirigir-se aos fiéis presentes na Praça de São Pedro, à hora do Ângelus, em 29 de maio, agradeceu publicamente a Cristo e Maria o “dom do sofrimento”, que via como “um dom necessário”. Explicava-lhes, falando especialmente às famílias: “Meditei vezes sem conta sobre tudo isso durante a minha estadia no hospital… Compreendi que tenho de conduzir a Igreja de Cristo até este terceiro milênio através da oração, de vários programas de atuação, mas vi que não é suficiente: tem de ser guiada pelo sofrimento, pelo ataque de há treze anos [o atentado de Ali Agca] e por este novo sacrifício [...]. O Papa tinha de ser atacado, o Papa tinha de sofrer, de modo que todas as famílias e o mundo possam ver que existe um Evangelho mais grandioso: o Evangelho do sofrimento, pelo qual o futuro é preparado, o terceiro milênio das famílias, de cada família e de todas as famílias” [9]

No dia primeiro de abril, pressentindo-se um próximo desenlace, o Arcebispo Angelo Comastri, Vigário para o Estado da Cidade do Vaticano e grande amigo do Papa, foi chamado com urgência ao quarto do pontífice agonizante. Diante dele, como comentou depois pela Rádio vaticana, experimentou uma emoção indescritível: “Ao vê-lo no leito do sofrimento, disse-lhe: «És verdadeiramente o Vigário de Cristo até o final, na paixão que estás vivendo, de modo tão edificante que comove o mundo». O Papa - continuou a narrar -, com a sua dor, escreveu a encíclica mais bela da sua vida, fiel a Jesus até o final”, a “encíclica nunca escrita” [10].

A sua morte espantou o mundo, pois viu nela um “Evangelho da vida”. O Papa alegre, que amou entranhadamente a juventude, pouco antes de expirar soube que multidões de jovens rezavam e velavam a sua agonia ao pé da sua janela, e então disse, com um fio de voz apenas perceptível: “Vi ho cercato, adesso siete venuti da me, e per questo vi ringrazio” (”Eu procurei vocês, jovens, agora vocês vieram ter comigo; e por isso lhes dou as graças”). Foram as últimas palavras que pronunciou.


“A MIM O FIZESTES”

A tocha ardente e clara do exemplo de caridade de João Paulo II ficaria incompleta se não acenássemos, pelo menos, a um dos empenhos mais característicos do seu pontificado: a veneração, o imenso respeito, o amor pela “dignidade do homem, de cada homem, de cada mulher”. Extasiava-se ao pensar no “milagre da pessoa, da semelhança do homem com Deus Uno e Trino”[11]. Tinha assimilado plenamente as palavras de Cristo: Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes (Mat 25, 40).

Daí a sua defesa vigorosa da vida, desde que começa a alvorecer recém-concebida, e a fortaleza com que se opôs a qualquer destruição ou rebaixamento do ser humano como se fosse um objeto, desde as manipulações genéticas e experiências destrutivas de embriões e fetos, e o uso do corpo como mero instrumento de prazer, até a defesa da morte natural digna - de que deu exemplo com sua própria morte -, que rejeita como uma indignidade a eutanásia direta, expediente egoísta e cômodo de uma sociedade hedonista que só pensa em livrar-se de problemas do modo mais expeditivo.

Sofria ao constatar que, na sociedade materializada atual, “o homem ficou só”, e que a sua liberdade divinizada, transformada num ídolo sem Deus, sem verdades nem valores firmes, acaba sendo uma fonte de “nefastas conseqüências morais, cujas dimensões são às vezes incalculáveis”[12].


Só sabia ver as pessoas, cada uma delas, sob a luz de Deus. “Eu simplesmente rezo por todos a cada dia. Basta encontrar uma pessoa, oro por ela, e isso facilita sempre o contato [...]. Sigo o princípio de acolher cada um como uma pessoa que o Senhor me envia e que, ao mesmo tempo, me confia” [13].

E quando se tratou de um assassino a soldo, que friamente fez tudo para matá-lo, que ficou frustrado ao ver que o Papa sobrevivia ao atentado e que jamais esboçou sequer um pedido de perdão? O seu amor não mudava. O valor que dava a cada pessoa humana não mudava, e até mesmo atingia o cume do amor, conseguindo perdoar de todo o coração, devolver bem por mal, amor por ódio, bondade por maldade. Desde o primeiro instante, após o atentado, João Paulo II perdoou Mehmet Ali Agca e rezou por ele. Voltou a dar o perdão publicamente, na primeira audiência que pôde ter com os fiéis. Foi visitá-lo na prisão e ofereceu-lhe seu abraço sincero. Várias vezes, como contava o secretário particular do Papa, Mons. Stanislaw Dziwisz, “recebeu a mãe e os familiares de Agca e perguntava freqüentemente por ele aos capelães da prisão” [14].

Esta é, mais uma vez, a luz de Cristo, a tocha fascinante de amor cristão, irradiando sobre o mundo inteiro pelo exemplo, pela chama de amor de um homem de Deus: Senhor - perguntou a Jesus o “primeiro Pedro” -, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? Respondeu Jesus: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete»” (Mat 18, 21-22).



UMA TOCHA DE ESPERANÇA

«AINDA QUE ATRAVESSE O VALE ESCURO, NÃO TEMEREI…»


Desde que iniciou a sua preparação para o sacerdócio, Karol Wojtyla foi colocado por Deus numas circunstâncias dramáticas, em que só podia ser fiel à sua vocação “atravessando o vale escuro”, como diz o Salmo 23. A sua terra, a Polônia, esteve dominada durante boa parte do século XX pelas duas “ideologias do mal”[15]que mais acirradamente se propuseram aniquilar o Cristianismo: o nazismo e o marxismo-leninismo. A “aventura” heróica, empolgante, que significou para o seminarista, o padre e o bispo Wojtyla a vida no ambiente de guerra, de ditaduras e perseguições desencadeadas por essas duas ideologias está bem descrita nas boas biografias já existentes[16].

O perigo nazista foi derrotado em 1945, mas a sombra do marxismo totalitário e ateu cresceu e pairou opressivamente sobre a Polônia dominada, e ameaçava o mundo inteiro até a sua decomposição e queda, acontecida no final dos anos oitenta.

Contudo, quase vinte anos antes dessa falência do “comunismo real”, outras sombras escuras estavam surgindo, densas e igualmente agressivas contra Cristo e a sua Igreja, contra a fé e a moral cristãs: as sombras do materialismo hedonista e consumista do ocidente, cada vez mais alicerçado na ideologia laicista, que hoje ataca a Igreja quase com a mesma ferocidade ideológica que o nazismo e o marxismo.

João Paulo II, no seu livro evocativo “Memória e identidade”, comenta que, ao cessarem os campos de extermínio - os campos de concentração nazistas e os gulagcomunistas - , assistimos hoje ao “extermínio legal de seres humanos concebidos e ainda não nascidos; trata-se de mais um caso de extermínio decidido por parlamentos eleitos democraticamente, apelando ao progresso civil das sociedades e da humanidade inteira. E não faltam outras formas graves de violação da Lei de Deus; penso, por exemplo, nas fortes pressões [...] para que as uniões homossexuais sejam reconhecidas como uma forma alternativa de família, à qual competiria também o direito de adoção. É lícito e mesmo forçoso perguntar-se se aqui não está atuando mais uma ideologia do mal, talvez mais astuciosa e encoberta, que tenta servir-se, contra o homem e contra a família, até dos direitos humanos” [17]

A essa realidade, é preciso somar o fato de que João Paulo II assumiu a cátedra de Pedro em tempos (que vêm se prolongando, em parte, até aos nossos dias) em que a crise do chamado “falso pós-Concílio” grassava na Igreja, gerando um ambiente amplamente estendido de desorientação doutrinal, disciplinar e moral, em que não faltavam erros graves e rebeldias mesmo entre os eclesiásticos.

O quadro seria de molde a encolher os ânimos e suscitar o uma visão pessimista do futuro. Pois bem, é justamente sobre estas sombras de fundo que resplandece mais, com fulgor de santidade, a esperança alegre, serena e segura que animou, em todos os momentos, a alma e o trabalho de João Paulo II, até ao dia da sua morte. Nunca nele se viu um gesto de desalento, uma lamúria, um comentário negativo ou amargo. Viu-se sempre, pelo contrário, um otimismo juvenil, criativo, inabalável, fundamentado numa fé igualmente jovem, renovada e inquebrantável.


NÃO TENHAIS MEDO: ABRI AS PORTAS A CRISTO!

O otimismo do Papa não era coisa temperamental, nem era uma “posição” adotada para ajudar os fiéis a superar tempos difíceis. Era a manifestação da esperança sobrenatural cristã, que vive apoiada em Deus. Essa esperança possuía raízes profundamente fincadas na alma de João Paulo II.

Todos os que vivemos, de perto ou de longe, a surpresa da eleição de João Paulo II, guardamos a lembrança do dia 22 de outubro de 1978, data do início solene do seu pontificado. Como, depois, nos dias da sua morte, uma multidão apertava-se na Praça de São Pedro. O Papa começou a pronunciar a sua homilia, no meio de um silêncio total. Pouco depois de iniciá-la, os fiéis sentiram um estremecimento no coração, porque João Paulo II, esboçando um leve sorriso, encarou o povo de frente e, com um ar jovial, seguro, tranqüilo, lançou com voz clara e forte um apelo: - “Não tenhais medo! Abri as portas ou, melhor, escancarai as portas a Cristo!”

Este apelo, que conclamava os católicos e os homens de boa vontade a olhar para o futuro com esperança, tornou-se para o Papa como que o “refrão” do seu pontificado. Dezesseis anos mais tarde, em 1994, ele mesmo glosou essas palavras numa entrevista concedida ao jornalista Vittorio Messori, transcrita no livro “Cruzando o limiar da esperança”[18]:

“Não tenhais medo!, dizia Cristo aos Apóstolos (Lc 24, 36) e às mulheres (Mt 28, 10), depois da Ressurreição [...]. Quando pronunciei estas palavras na praça de São Pedro não me podia dar conta plenamente de quão longe elas acabariam levando a mim e à Igreja inteira. Seu conteúdo provinha mais do Espírito Santo, prometido pelo Senhor Jesus aos Apóstolos como Consolador, do que do homem que as pronunciava. Todavia, com o passar dos anos, eu as recordei em várias circunstâncias. Tratava-se de um convite para vencer o medo na atual situação mundial [...]. Talvez precisemos mais do que nunca das palavras de Cristo ressuscitado: “Não tenhais medo!”. Precisa delas o homem [...], precisam delas os povos e as nações do mundo inteiro. É necessário que, em sua consciência, retome vigor a certeza de que existe Alguém que tem nas mãos a sorte deste mundo que passa; Alguém que tem as chaves da morte e do além; Alguém que é o Alfa e o Ômega da história do ser humano. E esse Alguém é Amor, Amor feito homem, Amor crucificado e ressuscitado. Amor continuamente presente entre os homens. É Amor eucarístico. É fonte inesgotável de comunhão. Somente Ele é que dá a plena garantia às palavras: «Não tenhais medo».”

É emocionante verificar que a mesma esperança da primeira mensagem de João Paulo II animou a sua última mensagem. No domingo, dia 3 de abril de 2005, a primeira vez em que era celebrado o “Domingo da Divina Misericórdia”, o arcebispo Sandrini leu à multidão congregada na praça de São Pedro a última alocução preparada com antecedência pelo Papa, que falecera no dia anterior. Ele desejava ter podido pronunciá-la no encontro tradicional da hora do Angelus desse dia (do Regina Caeli, pois era tempo pascal): “…À humanidade - dizia - , que às vezes parece perdida e dominada pelo poder do mal, do egoísmo e do medo, o Senhor ressuscitado oferece a sua misericórdia como dom do seu amor que perdoa, reconcilia e reabre o ânimo à esperança. É um amor que converte os corações e doa a paz. Quanta necessidade tem o mundo de compreender e acolher a Divina Misericórdia! Senhor, que com a vossa morte e ressurreição revelais o amor do Pai, nós acreditamos em Ti e hoje te repetimos com confiança: «Jesus, confio em Ti! Tem misericórdia de nós e do mundo inteiro!»”. A mensagem terminava convidando a “contemplar com os olhos de Maria o imenso mistério desse amor misericordioso que brota do coração de Cristo”.



OS SEGREDOS DA ESPERANÇA

A Epístola aos Hebreus diz que “a fé é o fundamento da esperança” (Hebr 11, 1). Assim foi, sem dúvida, na vida de João Paulo II.

No livro “Cruzando o limiar da esperança”, o Papa pergunta-se: “Por que não devemos ter medo?”. E responde: “Porque o ser humano foi redimido por Deus [...].Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho Unigênito (Jo 3, 16). Este Filho continua na história da humanidade como Redentor. A revelação divina perpassa toda a história do ser humano, e prepara o seu futuro… É a luz que resplandece nas trevas(cfr. Jo 1, 5). O poder da Cruz de Cristo e da sua Ressurreição é maior que todo o mal de que o homem poderia e deveria ter medo” - conclui, grifando explicitamente a última frase [19].

Na verdade, é nesta última frase que se encerra todo o segredo da esperança cristã. O biógrafo Jorge Weigel, referindo-se a um comentário feito pelo dissidente iugoslavo Milovan Djilas, no sentido de que aquilo que mais lhe havia impressionado no Papa foi perceber que era um homem totalmente destemido, esclarecia o verdadeiro caráter dessa coragem: “Trata-se de uma audácia inequivocamente cristã. Na fé cristã o medo não é eliminado, mas transformado através de um encontro pessoal profundo com Cristo e com a sua Cruz. A Cruz é o lugar onde todo o medo humano foi oferecido pelo Filho ao Pai, livrando-nos a todos do medo” [20].

Alguns anos depois, em 2005, João Paulo II corroborava essa interpretação. No livro “Memória e Identidade”, diz: “Porventura não é o mistério da Redenção [da Cruz, da Morte e da Ressurreição de Cristo] a resposta ao mal histórico que retorna, sob as mais variadas formas, nos acontecimentos do homem? Não será a resposta também ao mal do nosso tempo? [...]. Se olharmos, com olhos mais clarividentes, a história dos povos e das nações que passaram pela prova dos sistemas totalitários e das perseguições por causa da fé, descobriremos que foi então precisamente que se revelou com clareza a presença vitoriosa da Cruz de Cristo [...], como promessa de vitória [...]. Se a Redenção constitui o limite divino posto ao mal, isso se verifica apenas porque nela o mal fica radicalmente vencido pelo bem, o ódio pelo amor, a morte pela ressurreição” [21].

Cristo vence o mundo do mal, do pecado, vence o Inimigo, vence a morte. E a sua vitória é nossa: Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé (I João 5, 4).

Com essa mesma esperança bem fundada, o Papa entrava - e nos ajudava a entrar com ele - no novo milênio, oferecendo-nos, na Carta apostólica “Novo millennio ineunte” (”No início do novo milênio”), de 6 de janeiro de 2001, todo um programa vibrante e otimista para o período que se iniciava. Também nessa Carta, a alegre esperança brotava da fé em Cristo Redentor, ressuscitado, vivo, que “não nos deixou órfãos” (cfr. Jo 14, 18), que nos prometeu “estar conosco todos os dias até o fim do mundo” (cfr. Mat 28, 20). “Agora é para Cristo ressuscitado que a Igreja olha” - escrevia. “Passados dois mil anos desses acontecimentos (Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo), a Igreja revive-os como se tivessem sucedido hoje. No rosto de Cristo, ela - a Esposa - contempla o seu tesouro, a sua alegria [...]. Confortada por essa experiência revigoradora, a Igreja retoma agora o seu caminho para anunciar Cristo ao mundo no início do terceiro milênio: ele é o mesmo ontem, hoje e sempre(Hebr 13, 8)” (n. 28).



UM LUMINOSO AMANHECER

Quem lê esse documento (e é importante relê-lo e meditá-lo muitas vezes!), pode ter inicialmente a impressão de um excesso de otimismo. O Papa fala com tanto entusiasmo do futuro da Igreja! Vê o mundo como um mar aberto diante dos cristãos, imenso, fabuloso, um mar para o qual Cristo acena, enquanto olha para nós e nos lança para ele com mesma palavra de ordem que dirigiu a Pedro, pescador, no mar da Galiléia, após uma noite triste de fracassos: Duc in altum! - Avança para águas mais profundas e lança as tuas redes para a pesca! (Luc 5, 3-4).

Esperança não é ilusão. Otimismo não é fechar os olhos e achar que tudo é azul. O Papa João Paulo II tinha plena consciência da presença abundante do mal no nosso mundo, da grande quantidade de joio, de planta daninha, misturada no meio do bom trigo. Mas não se esquecia de que Jesus, com a parábola do trigo e o joio (cfr. Mat 13e, 24 ss.), quis garantir-nos que haverá trigo e promessa de belas colheitas até o fim do mundo. O pessimista vê o joio. O otimista vê o trigo, e sente a responsabilidade de cuidá-lo, aumentá-lo, estendê-lo, fazê-lo crescer. “O modo como o mal cresce e se desenvolve no terreno sadio do bem - escreve o Papa Wojtyla - constitui um mistério; e mistério é também aquela parte de bem que o mal não conseguiu destruir e que se propaga apesar do mal, e cresce no mesmo terreno [...]. O trigo cresce juntamente com o joio e, vice-versa, o joio com o trigo. A história da humanidade é o palco da coexistência do bem e do mal. Isto significa que, se o mal existe ao lado do bem, então está claro que o bem, ao lado do mal, persevera e cresce”.[22].

Da mesma forma, na Carta Mane nobiscum Domine para o Ano da Eucaristia (2005), João Paulo II reafirmava o otimismo da Carta do novo milênio, sem deixar de registrar o fato de que o mal, não só não diminuiu, como até parece ter crescido em vários aspectos, desde que o novo milênio começou.

Evoca nessa Carta as celebrações do Jubileu do ano 2000 e diz: “Sentia que essa ocasião histórica se delineava no horizonte como uma grande graça. Não me iludia, por certo, que uma simples passagem cronológica, ainda que sugestiva, pudesse por si mesma comportar grandes mudanças. Os fatos, infelizmente, se encarregaram de pôr em evidência, depois do início do milênio, uma espécie de crua continuidade dos acontecimentos precedentes e, com freqüência, dos piores dentre esses”. Mas nem por isso deixa de incentivar os cristãos a “testemunhar com mais força a presença de Deus no mundo”, e proclama, “mais convencido que nunca”, a certeza de que Cristo “está no centro, não apenas da história da Igreja, mas também da história da humanidade” e de que, por isso, só “nele o homem encontra a redenção e a plenitude” [23].

João Paulo II já está com Deus, na vida que não morre mais. Mas a sua esperança continua a ser luz que ilumina os olhos da alma e enche de coragem o coração. O novo Papa Bento XVI sente-se devedor dessa esperança e quer ser o novo porta-voz dela. Na sua primeira mensagem, dirigida na Capela Sixtina aos cardeais que o elegeram, em vinte de abril de 2005, disse: “Tenho a impressão de sentir a mão forte do meu Predecessor, João Paulo II, que estreita a minha. Parece que vejo seus olhos sorridentes e que ouço as suas palavras, dirigidas neste momento particularmente a mim: «Não tenhais medo!».

A bandeira da esperança de João Paulo II continua desfraldada: “Sigamos em frente com esperança” - repete-nos. “Diante da Igreja abre-se um novo milênio como um vasto oceano onde se aventurar com a ajuda de Cristo. O Filho de Deus, que se encarnou há dois mil anos por amor do homem, continua também hoje em ação [...]. Agora Cristo, por nós contemplado e amado, convida-nos uma vez mais a pormo-nos a caminho [...], convida-nos a ter o mesmo entusiasmo dos cristãos da primeira hora. Podemos contar com a força do mesmo Espírito que foi derramado no Pentecostes e nos impele hoje a partir de novo sustentados pela esperança, que não nos deixa confundidos (Rom 5, 5)” [24]

No verão de 1997, João Paulo II convidou a passar uns dias com ele, em Castelgandolfo, um casal de amigos poloneses, velhos companheiros na juventude da luta pela fé e a liberdade, Piotr e Teresa Malecki. “O quarto deles - relata George Weigel - ficava mesmo por baixo do seu e, todas as manhãs antes de amanhecer, sabiam pelo baque surdo da sua bengala que já se tinha levantado. Certo dia, na hora do café da manhã, o Papa perguntou-lhes se o barulho os incomodava. Não, responderam, de qualquer forma já tinham de se levantar para a missa. «Mas,Wujek[25] - perguntaram -, por que você se levanta naquela hora da manhã?»

“Porque - disse Karol Wojtyla, 264º bispo de Roma - gosto de contemplar o amanhecer”[26] .


Trecho do livro “A força do exemplo”, incluído neste site.[27]



[1] Cfr. George Weigel, Testemunho da Esperança, Bertrand Editora, Lisboa, 2000, pág. 227

[2] Ed. Planeta, São Paulo 2004, págs. 147-148

[3] Cfr. George Weigel, obra citada, págs. 227, 228 e 337; e Carl Bernstein e Marco Politi, Sua Santidade, Ed. Objetiva, Rio de Janeiro 1996, págs. 383 e 540

[4] Os documentos de João Paulo II (Encíclicas, Exortações apostólicas, Cartas, etc.) podem ser consultados no site www.vatican.va . Há também várias coleções de encíclicas publicadas no Brasil: Encíclicas de João Paulo II, Ed. Paulus, São Paulo 2003;João Paulo II. Encíclicas, Ed. LTr, 3ª edição, São Paulo 2003

[5] João Paulo II, Levantai-vos! Vamos!, citado, pág. 186

[6] Ibid.

[7] Joseph Ratzinger, João Paulo II. Vinte anos na história, Ed. Paulinas, São Paulo 2000, pág. 31

[8] Levantai-vos! Vamos!, pág. 193

[9] Cfr. George Weigel, obra citada, pág. 582

[10] Revista Nuestro Tiempo, n. 610, abril 2005, págs. 38 e 39

[11] Levantai-vos! Vamos!, pág. 102

[12] Memória e identidade, citado, págs. 21 e 55

[13] Levantai-vos! Vamos!, págs. 76-77

[14] Apêndice de Memória e Identidade, pág. 185

[15] Ver João Paulo II, Memória e Identidade, pág. 15 e ss.

[16] Ver, por exemplo, a citada biografia de George Weigel, Testemunho de esperança

[17] Obra citada, págs. 22-23

[18] Livraria Francisco Alves editora, Rio de Janeiro 1995, págs. 201 ss.

[19] Obra cit., pág. 202

[20] Testemunha de esperança, cit., pág. 696

[21] Obra cit., págs. 30-33

[22] Memória e Identidade, já citada, pág. 14

[23] Carta apostólica Mane nobiscum Domine, 07.10.2004, nn. 6 ss.

[24] Carta apostólica Novo millennio ineunte, n. 58

[25] Durante a perseguição comunista, quando fazia excursões com jovens, o padre Woytila, para evitar problemas com a polícia, pedia aos jovens: - Não me chamem padre, “me chamem wujek” (tio), frase conhecida de uma célebre epopéia polonesa do escritor Henryk Sienkiewicz.

[26] George Weigel, Testemunha de esperança, citado, pág. 696

4 de mai. de 2011

Palavras finais da homilia do Santo Padre Bento XVI na Missa de beatificação do Bem-aventurado João Paulo II



Por fim, quero agradecer a Deus também a experiência de colaboração pessoal que me concedeu ter longamente com o Beato Papa João Paulo II. Se antes já tinha tido possibilidades de conhecê-lo e estimar, desde 1982, quando me chamou a Roma como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, pude durante 23 anos permanecer junto dele crescendo sempre mais a minha veneração pela sua pessoa.

O meu serviço foi sustentado pela sua profundidade espiritual, pela riqueza das suas intuições. Sempre me impressionou e edificou o exemplo da sua oração: entranhava-se no encontro com Deus, inclusive no meio das mais variadas incumbências do seu ministério. E, depois, impressionou-me o seu testemunho no sofrimento: pouco a pouco o Senhor o foi despojando de tudo, mas permaneceu sempre uma «rocha», como Cristo o quis.

A sua humildade profunda, enraizada na união íntima com Cristo, permitiu-lhe continuar a guiar a Igreja e a dar ao mundo uma mensagem ainda mais eloquente, justamente no período em que as forças físicas definhavam. Assim, realizou de maneira extraordinária a vocação de todo o sacerdote e bispo: tornar-se um só com aquele Jesus que diariamente recebe e oferece na Igreja.
Feliz és tu, amado Papa João Paulo II, porque acreditaste! Continua do Céu – nós te pedimos – a sustentar a fé do Povo de Deus. Muitas vezes, do Palácio, tu nos abençoaste nesta Praça! Hoje nós te pedimos: Santo Padre, abençoa-nos! Amém.



Fonte: costa_hs.blog.uol.com.br/

30 de abr. de 2011

João Paulo II: Um Papa que marcou o mundo e a história



O Papa João Paulo II ficou à frente da Igreja por quase 27 anos e, durante esse tempo, ele foi muitas vezes um sinal de contradição – uma figura carismática e querida em todo o mundo, que também provocou forte oposição em diversos campos diferentes, incluindo os reformadores da igreja, os progressistas sociais e os católicos tradicionalistas.
A beatificação do falecido Papa, no dia 1º de maio, parece estar gerando uma série semelhante de reações. Enquanto os críticos objetam tanto a velocidade da beatificação, Roma está se preparando para uma onda de devotos, uma série de livros e programas de TV estão celebrando a vida e o legado de João Paulo II, e uma pesquisa nova sugere que o falecido pontífice, seis anos depois de sua morte, continua sendo extremamente popular na base católica.
(…)
Uma nova pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo Instituto de Opinião Pública doMarist College de Poughkeepsie, Nova York, descobriu que 74% dos norte-americanos em geral e uma esmagadora maioria de 90% dos católicos norte-americanos acreditam que João Paulo é um bom candidato para a honra da beatificação.
A mesma pesquisa revelou que quase 60% dos norte-americanos acreditam que João Paulo ou foi o melhor Papa da Igreja Católica ou está entre os melhores, e 82% dos católicos norte-americanos dizem a mesma coisa. Apenas 2% dos norte-americanos, e menos de 1% dos católicos norte-americanos, acreditam que João Paulo II foi o pior Papa ou esteve entre os piores.
A pesquisa, realizada em meados de abril, foi patrocinado pelos Cavaleiros de Colombo.
Em Roma, a antiga magia de João Paulo II ainda está no ar. A cidade está enfeitada com bandeiras com a imagem do falecido Papa e frases (incluindo uma famosa frase que ele pronunciou uma vez no dialeto romano tradicional, “Dàmose da fà! Semo Romani!” – “Empenhemo-nos! Somos romanos!”) No sábado à noite, muitos romanos estão planejando acender velas em suas janelas em honra ao falecido Papa, cuja beatificação é no dia seguinte.
Atualmente, as autoridades da cidade dizem esperar cerca de 2 milhões de pessoas para participar dos diversos eventos relacionados à beatificação, com uma multidão de pelo menos 300 mil esperada para chegar para a missa de beatificação no domingo, celebrada pelo Papa Bento XVI.
A cidade de Roma concedeu quase 6 milhões de dólares para cobrir as despesas para o evento, incluindo proteção policial extra, serviços de limpeza e de transporte. Oito igrejas no centro de Roma vão ficar abertas durante toda a noite de sábado para acolher peregrinos que desejam rezar, e os Museus do Vaticano anunciaram um horário estendido até à meia-noite durante toda esta semana.
Aproveitando o boom de João Paulo II, a organização de caridade católica Cáritas, na Diocese de Roma, anunciou que irá renomear um grande centro de alimentação e de serviço social perto da estação ferroviária central Termini em honra do falecido Papa.
Ao longo desta semana, ocorreram eventos em Roma para comemorar a vida e o legado de João Paulo II, incluindo concertos, exposições de arte e painéis de discussões com pessoas que trabalharam perto dele, como o cardeal Camillo Ruini, ex-presidente da Conferência dos Bispos Italianos, e o leigo espanhol Joaquín Navarro-Valls, porta-voz do falecido Papa.
Praticamente todas as publicações italianas de distribuição nacional têm uma edição especial em homenagem a João Paulo II, e programas dedicados ao falecido Papa são uma constante na grade da TV desta semana.
Na segunda-feira passada à noite, por exemplo, o programa de atualidades mais assistido na Itália, ”Porta a Porta”, pôs seu foco na tentativa de assassinato contra João Paulo II no dia 13 de maio de 1981. Trinta anos depois, ainda não está claro quem – se é que havia alguém – estava realmente por trás da tentativa contra a vida de João Paulo II, em parte porque o próprio Ali Ağca deu versões muito inconstantes – segundo uma estimativa, ele ofereceu 51 versões diferentes dos eventos. Os jornalistas Marco Ansaldo e Yasemïn Taşkin publicaram um novo livro que afirma que o grupo radical turco dos Lobos Cinzas é o autor mais provável do complô, em oposição ao KGB.
Grandes eventos noticiosos muitas vezes criam mercados para novos livros, e a beatificação fomentou uma série de novos títulos sobre João Paulo II. Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio, publicou uma biografia considerada como “a primeira biografia verdadeira escrita sobre uma base científica e documental”.
O secretário de Estado do Vaticano, o cardeal italiano Tarcisio Bertone, publicou um livro-entrevista com o jornalistaMichele Zannucchi intitulado ”Um Grande Coração: Homenagem a João Paulo II”
A Itália planeja emitir um novo selo nacional em homenagem a João Paulo II, com uma imagem do falecido Papa em 1999, abençoando a estátua da Virgem Maria na Piazza di Spagna, em Roma. Ontem, sexta-feira à noite, foi organizada em uma paróquia romana uma procissão da ”Via Lucis” (ao contrário da ”Via Crucis” da Sexta-Feira Santa) pelas ruas da cidade, para meditar sobre temas retirados do ensino de João Paulo II de vários eventos do Dia Mundial da Juventude.
Por John L. Allen Jr- National Catholic Reporter
Fonte: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/

Fonte: Rainha Maria

27 de abr. de 2011

Biógrafo papal refuta críticas contra beatificação de João Paulo II

Vaticano, 27 Abr. 11 / 01:25 pm (ACI)

O biógrafo papal George Weigel rebateu as críticas contra a velocidade do processo de canonização de João Paulo II e considerou que as acusações dos que assinalam o Papa como responsável pelos escândalos sexuais que ocorreram durante seu pontificado são absolutamente infundadas.

Em declarações ao grupo ACI no dia 25 de abril, Weigel afirmou que a investigação sobre a vida de João Paulo II foi muito profunda e os resultados chegam a quatro volumes.

Weigel assinalou que o mesmo Papa retirou o período de cinco anos de espera usualmente prescrito entre a morte de alguém e a abertura oficial de um processo de beatificação no caso da Madre Teresa, outra ocasião em que havia uma grande convicção popular sobre a santidade da falecida.

Ao refutar as acusações de encobrimento de João Paulo II a casos de pederastia, o biógrafo papal explicou que tanto nos Estados Unidos como em outras partes, a maioria dos abusos não aconteceram durante o pontificado de João Paulo II, mas as revelações desses casos sim.

João Paulo II foi um grande reformador do sacerdócio e o ministério ordenado da Igreja está em muito melhor forma hoje, graças a ele, do que estava em 1978.

O biógrafo reconheceu ao grupo ACI que certos departamentos vaticanos, especialmente a Congregação para o Clero foram mais lentos do que deviam ter sido para reconhecer a natureza do problema nos Estados Unidos e para elaborar remédios apropriados.

Entretanto, precisou, uma vez que ficou claro, em abril de 2002, que isto não podia ser dirigido pelos bispos americanos sozinhos e que uma intervenção papal era necessária, ele (João Paulo II) interveio e deixou inequivocamente claro que não há lugar no sacerdócio para aqueles que prejudicam os jovens.

Ao referir-se à relação do Papa com o Pe. Marcial Maciel, Weigel afirmou que João Paulo II foi enganado por Maciel assim como muita, muita gente.

O discipulado cristão radical de João Paulo II e sua notável capacidade de fazer brilhar o compromisso através de suas palavras e seus atos, fez o Cristianismo interessante e irresistível outra vez em um mundo que pensou já ter superado sua necessidade de fé religiosa, acrescentou.

João Paulo II, afirmou Weigel, foi um homem de coragem extraordinária, pois levantou a dignidade da pessoa humana e proclamou a universalidade dos direitos humanos em uma maneira que ajudou a derrubar a maior tirania da história da humanidade.

Se este for um fracasso papal, não sei como aparenta um êxito papal, finalizou.

Fonte: ACI

6 de abr. de 2011

Vaticano exumará corpo de João Paulo II, mas caixão pemanecerá fechado aos fiéis durante beatificação


Cidade do Vaticano (Terça-feira, 05-04-2011, Gaudium Press) .


A Sala de Imprensa da Santa Sé informou nesta terça-feira, 05, que o corpo de João Paulo II será exumado no dia 29 de abril, em razão da cerimônia de sua beatificação, que acontece no 1º dia de maio. A exumação é necessária apenas para retirar o corpo da tumba e colocá-lo na urna, fechada, que será disposta durante a cerimônia de beatificação para veneração do público.

"O caixão não será aberto, permanecerá fechado, e portanto o corpo de João Paulo II não será visto". Foi o que afirmou o Padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano e diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, na coletiva de apresentação da beatificação de João Paulo II, lembrando que após a retirada da Cripta, no dia 1º de maio o corpo de João Paulo II permanecerá em um caixão fechado na Basílica de São Pedro. A Capela de São Sebastião, na Basílica vaticana, está pronta para receber o caixão com o corpo do novo beato, João Paulo II. Os trabalhos de restauração e renovação e da instalação elétrica foram concluídos.

O corpo do Beato Papa Inocêncio XI, que se encontra na Capela, será transferido na próxima sexta-feira. Da Capela de São Sebastião, em uma atmosfera de oração na presença do arcipreste, Cardeal Angelo Comastri, o corpo será colocado no altar da Transfiguração.

Segundo a tradição, o corpo de um pontífice beato é levado das Grutas Vaticanas para a parte do primeiro nível da Basílica vaticana. No caso de João Paulo II desde o início foi tomada a decisão de fazer a exumação por motivos de tempos breves.

O caixão com o corpo de João Paulo II será levado na manhã do dia 29 de abril. Nos dias 29 e 30 de abril as Grutas vaticanas serão fechadas para o público. O caixão ficará próximo do túmulo de São Pedro e depois da missa de beatificação será exposto à veneração pública. O primeiro a venerar o novo beato será Bento XVI, acompanhado pelos cardeais.

Naquele momento de breve oração não estarão presentes os representantes dos países. Está prevista a transmissão ao vivo deste momento. Depois da oração do Papa, a Basílica vaticana será aberta ao povo. A Basílica ficará aberta a tarde toda e a noite também se for necessário. Ainda sobre os detalhes da cerimônia de beatificação do Papa João Paulo II, a Sala de Imprensa declarou que não tem informações adicionais a respeito de como será formada a delegação italiana que participará da celebração. O porta-voz vaticano afirmou ainda não saber se o presidente italiano, Giorgio Napolitano e o primeiro-ministro, Sílvio Berlusconi, irão comparecer ao evento.

Não obstante a indefinição enquanto a delegação italiana, autoridades políticas de outras nações já confirmaram presença, como o rei Alberto II da Bélgica e o presidente polonês, Bronislaw Komorowski.


Fonte: arautos.org

9 de fev. de 2011

João Paulo II: acesse site com informações do fututo beato.


Leonardo Meira
Da Redação, com informações da Rádio Vaticano

O Vicariato de Roma lançou um site especial com todas as informações referentes às Causas de Beatificação e Canonização do Papa João Paulo II. O endereço está disponível em sete línguas: inglês, francês, espanhol, italiano, polonês, romeno e português.

O Papa polonês será beatificado no dia 1º de maio, conforme autorizou Bento XVI com a assinatura do decreto que reconheceu um milagre operado por intercessão de Karol Wojtyla, no último dia 14 de janeiro.

Acesse:

http://www.karol-wojtyla.org/

O site está dividido nas seguintes categorias: João Paulo II; A Causa; Notícias e Eventos; Mosteiros On-Line; Boletim Totus Tuus; As Iniciativas; O Milagre e um convite para participar da Cerimônia de Beatificação, no Vaticano.

Informações sobre a vida, escritos, devoção mariana e reflexões de João Paulo II e espaço para fazer pedidos de oração estão acessíveis, bem como mais detalhes sobre as etapas do processo que culminou na beatificação próxima, como testemunhos, sessões e postuladores.

Até agora, a única cerimônia confirmada por conta da beatificação é a vigília de oração no Círculo Máximo, em 30 de abril, na noite que antecede a cerimônia na Praça de São Pedro.

O Vicariato de Roma e o Departamento das Celebrações Litúrgica do Sumo Pontífice recordam aos peregrinos que desejem participar da celebração que a entrada é gratuita e que a Igreja nunca cobrará ingresso para qualquer cerimônia similar. O aviso é feito por conta da circulação de alguns sites que vendem ingressos falsos para a beatificação.


Fonte: CN

27 de jan. de 2011

Santidade de João Paulo II é sentimento comum


27.01.2011 - Arcebispo do Rio de Janeiro manifesta alegria com beatificação de Wojtyla

RIO DE JANEIRO– O arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, expressou sua alegria com a notícia da beatificação de João Paulo II, a se realizar no próximo dia 1° de maio.

Segundo Dom Orani, a santidade de João Paulo II, “anunciada pelo povo no mesmo dia de suas exéquias (Santo súbito), é um sentimento comum a muitas pessoas, particularmente à nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que por ele foi visitada por três vezes”.

Em artigo divulgado nessa quarta-feira à imprensa, Dom Orani afirma que o dia 1° de maio é também muito especial em sua vida de bispo.

Tendo sido eleito bispo de São José do Rio Preto, por João Paulo II, em 1996, ele tomou posse da diocese em 1° de maio desse ano.

“Para mim, esta data de 1° de maio, já especial, agora será assinalada, neste ano, com a beatificação do Papa João Paulo II pelo Papa Bento XVI, gloriosamente reinante.”

O arcebispo assinala que na semana em que se comemorou a festa de São Sebastião (20 de janeiro), padroeiro do Rio de Janeiro, saiu outra “notícia intimamente ligada ao Papa João Paulo II e à nossa cidade”.

Trata-se do traslado do corpo de João Paulo II da cripta vaticana à Basílica de São Pedro. O lugar escolhido é a capela de São Sebastião, sob o altar do Papa Inocêncio XI, situado à direita da basílica, entre a capela da Pietà, de Michelangelo, e a do Santíssimo Sacramento.

“Agora, sob o olhar de nosso excelso Padroeiro, São Sebastião, descansarão os restos mortais do Papa João Paulo II, que disse que era carioca e que amava a nossa Cidade e Arquidiocese”, afirma Dom Orani.

Intercessão

O arcebispo pediu a intercessão do Servo de Deus João Paulo II em favor de todos os que sofrem com a catástrofe das chuvas e deslizamentos de terra que se abateu na região Sudeste, particularmente nas dioceses de Nova Friburgo e de Petrópolis, deixando mais de 800 mortos.

“De nossa parte, enquanto Arquidiocese, queremos pedir aos fiéis que continuem a solidariedade e fraternidade, apresentando as nossas doações em gênero alimentício, água e dinheiro em favor da Cáritas Arquidiocesana”, afirma.

Segundo Dom Orani, a Cáritas enviará imediatamente essas ajudas para que as dioceses de Nova Friburgo e de Petrópolis distribuam através de suas equipes.

“Agora que as notícias diminuem, devemos ainda mais intensificar a nossa ajuda e o trabalho para reconstruir a pessoa, sua família e as cidades.”

“Que São Sebastião e o Beato João Paulo II deem consolo e esperança a todos os que sofrem, e a paz desejada a todos que a anseiam”, afirma o bispo.

Fonte: ZENIT e RAINHA MARIA

15 de jan. de 2011

O dia do trabalhador será lembrado pelo Grande Trabalhador: João Paulo II

Conforme as informações do vaticanista Andrea Tornielli, sabemos que, oficialmente, o Papa Bento XVI recebeu em audiência o Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, e assinou o decreto reconhecendo o milagre atribuído pelo Papa João Paulo II.
A Santa Sé anunciou que a beatificação ocorrerá no próximo 1 de maio [II Domingo da Páscoa - Domingo da Divina Misericórdia], e será celebrada - contrariando o atual costume, aliás assim também o feito na beatificação de Newman – pelo próprio Papa.

Há algumas coisas que devo dizer. Sabemos que este Papa venceu três grandes males do século XX: O Nazismo, o Comunismo e o Terrorismo. E venceu todas elas com amor. Não sei se você se recorda, mas eu me lembro muitíssimo bem quando, em março de 2003, ao anúncio de George W. Bush sobre a guerra no Iraque, ele (o Papa) que tanto tinha rogado para que esta não ocorresse, não pestenejou: fez as malinhas e voou para lá, na boca do lobo. Lembro-me que os comentários eram de toda a sorte: "meu Deus! Esse homem é louco! Doente e enfiado numa guerra?". Porém ele era o Construtor de pontes! Queria a paz e trabalhou por ela até o último suspiro. É verdade que sua ida até lá não mudou o destino da guerra; contudo, diferentemente daqueles que dizem pregar a paz, mas nada fazem por ela, ele fez a sua parte.

Outra coisa que devo dizer é que a data não poderia ser mais que perfeita. Não sei se você se recorda, mas este nobilíssimo escravo da Santíssima Virgem sempre dizia, que em suas orações, recorria à Divina Misericórdia, bem como à generosidade do Imaculado Coração da Santíssima Virgem (tanto que vários países europeus foram consagrados a este Imaculado Coração por este Magno Homem). Viveu verdadeiramente seu lema: O Totus Tuus (todo teu). Ele faleceu no dia 02 de abril de 2005. Este dia era o primeiro sábado do mês, que é costumeiramente dedicado à Virgem Santíssima. Porém, a hora em que o Papa faleceu, já se rezava as Vésperas de Domingo. E que dia era este Domingo? O segundo domingo da Páscoa, dedicado à Divina Misericórdia. Se você re-ler o início deste artigo, verá o dia em que foi escolhido para sua beatificação.

Agora eu lhe pergunto:  é possível que alguém tenha dúvida de que aquele que se dedica à Santa Escravidão por amor passará desapercebido?



Beate Joannes Paule, ora pro nobis!

5 de jan. de 2011

Comissão médica aprova milagre de João Paulo II



A comissão médica consultada pelo Vaticano aprovou um milagre atribuído a João Paulo II, de modo que a causa de beatificação do pontífice polonês, falecido em 2005, avança significativamente, indicou nesta terça-feira a imprensa italiana.

Segundo Il Giornale e a agência de notícias religiosas I.media, a comissão liderada pelo médico particular de Bento XVI, Patrizio Polisca, aprovou o milagre apresentado.

Os médicos e teólogos consultados pela Congregação para as Causas dos Santos, reunidos no mais estrito sigilo, estimaram que a cura da freira francesa Marie Simon-Pierre, que sofria de Mal de Parkinson, foi "imediata e inexplicável".

A freira, que era enfermeira, curou-se inexplicavelmente após suas orações e pedidos a João Paulo II poucos meses depois de sua morte, em abril de 2005.

A aprovação dos especialistas deverá ser ratificada por uma comissão de cardeais e bispos da Congregação para a Causa dos Santos.

Tratam-se de dois passos importantes para a beatificação de João Paulo II, que, segundo as mesmas fontes, pode ocorrer em 2011.

Velocidade. Muitos milagres foram atribuídos a João Paulo II, vítima das consequências do Mal de Parkinson.

A beatificação é o primeiro passo no caminho para a canonização, que exige a prova de intercessão em dois milagres.

No dia 19 de dezembro de 2009, o Papa Bento XVI aprovou as "virtudes heroicas" do papa polonês Karol Wojtyla - João Paulo II- venerado já em vida.

Com elas, iniciou-se a investigação do milagre atribuído, que deve ser examinado por várias comissões.

O processo de beatificação de João Paulo II foi iniciado por Bento XVI dois meses após a morte, um prazo excepcionalmente curto.

Durante o funeral de João Paulo II na Praça de São Pedro, em Roma, milhares de fiéis gritavam em italiano "Santo Subito", pedindo que João Paulo II fosse proclamado santo imediatamente.


Fonte: Estado de Minas