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31 de mar. de 2011

Artigo de Thiago Augusto - Papa Bento XVI: A Ecologia humana


De Thiago Augusto ( Comunidade Católica Deus Existe - Ipatinga-MG)

Em entrevista ao jornalista Peter Seewald para o livro O Sal da Terra, o Cardeal Ratzinger – hoje Papa Bento XVI comenta sobre o resultado que a “poluição interior” em nós causa no ambiente exterior.


Segue um trecho da entrevista: “[A] poluição do ambiente exterior que observamos é o espelho e o resultado da poluição do ambiente interior, à qual não prestamos suficiente atenção. Julgo que é também o que falta aos movimentos ecológicos. Combatem com uma paixão compreensível e justificada a poluição do ambiente; a poluição espiritual que o Homem faz a si mesmo continua, pelo contrário, a ser tratada como um dos seus direitos de liberdade. Há aqui uma desigualdade.”


Diante deste comentário trago à tona o tema da Campanha da Fraternidade, “Fraternidade e a Vida no Planeta”. Pelo tema em si, a campanha se faz bastante oportuna, principalmente nesse período de quaresma. Por ela, é possível refletirmos o estrago ambiental a partir da poluição espiritual do homem e então buscarmos acentuar nossa espiritualidade, elevar a alma a Deus. Com efeito, o estrago do ambiente exterior é fruto da poluição no ambiente interior.


Assim, qualquer militância ecológica é supérflua sem um empenho, antes de tudo, na ecologia do homem, na consciência de que somos a mais perfeita das criaturas, e que por sermos imagem e semelhança do Criador devemos nos afeiçoar, ou seja, nos aproximar, nos moldar a Ele. Então seremos levados naturalmente à consciência ambiental. A preocupação com ambiente exterior é, portanto, secundária, pois o homem é a criatura primária e a ele foi confiado o domínio sobre toda criação, cf. Gn 1,26-31. Ora, a humanidade é o centro da criação, em Jesus, Deus se fez homem e habitou entre nós. De tal modo o que se organiza nos movimentos da Igreja Militante deve se inspirar na Igreja Triunfante, com atitudes de louvor ao Criador e não de adoração à criatura. Levar a um desejo de santidade, de aversão ao pecado, de intensa obediência a Deus, a uma visão celeste e daí contemplar a beleza terrestre.


Mas o que existe, por parte dos movimentos ecológicos é uma tentativa de aliviar a consciência do homem tratando sua desordem interior como um dos seus direitos de liberdade. Igualmente, alguns humanitários se preocupam apenas com a piedade, e a piedade deles (lamento dizê-lo) é muitas vezes falsa. Eles têm a estranha idéia de que tornará mais fácil o perdão dos pecados dizendo que não há pecados a perdoar. Estes são realmente inimigos da raça humana – por serem tão humanos. Contudo, “o salário do pecado é a morte” (Rm 6,23), por isso, “a criação geme em dores de parto” (Rm 8,22), e ela “aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus” (Rm 8,19).


Concluo com o Papa: “enquanto mantivermos essa caricatura de liberdade, continuarão imperturbavelmente os seus efeitos exteriores. Não é apenas a natureza que tem as suas regras e as suas formas de vida, que temos de respeitar, se quisermos viver dela e nela, mas também o Homem é interiormente uma criatura e está sujeito à ordem da criação”. É Pedro quem fala, ele é em Cristo nosso bom pastor.

21 de mar. de 2011

Ecologia: visão distorcida da CNBB


O tema da Campanha da Fraternidade da CNBB vem causando perplexidades entre os católicos. A propósito, Bento XVI enviou mensagem ao dirigente do órgão episcopal lembrando o aspecto religioso e penitencial desse período litúrgico:

Depois de falar do itinerário penitencial da quaresma em preparação para a Páscoa do Senhor, o Papa ressalta a diferença entre Criador e criatura: “O primeiro passo para uma reta relação com o mundo que nos circunda é justamente o reconhecimento, da parte do homem, da sua condição de criatura: o homem não é Deus, mas a Sua imagem; por isso, ele deve procurar tornar-se mais sensível à presença de Deus naquilo que está ao seu redor: em todas as criaturas e, especialmente, na pessoa humana há uma certa epifania de Deus.”

“Quem sabe reconhecer no cosmos os reflexos do rosto invisível do Criador, é levado a ter maior amor pelas criaturas. O homem só será capaz de respeitar as criaturas na medida em que tiver no seu espírito um sentido pleno da vida; caso contrário, será levado a desprezar-se a si mesmo e àquilo que o circunda, a não ter respeito pelo ambiente em que vive, pela criação. Por isso, a primeira ecologia a ser defendida é a ‘ecologia humana”.

Bem diferente da mensagem da CNBB, Bento XVI ressalta a defesa da vida e da família: “Ou seja, sem uma clara defesa da vida humana, desde sua concepção até a morte natural; sem uma defesa da família baseada no matrimônio entre um homem e uma mulher; sem uma verdadeira defesa daqueles que são excluídos e marginalizados pela sociedade, sem esquecer, neste contexto, daqueles que perderam tudo, vítimas de desastres naturais, nunca se poderá falar de uma autêntica defesa do meio-ambiente.”

Termina recordando que “o dever de cuidar do meio-ambiente é um imperativo que nasce da consciência de que Deus confia a Sua criação ao homem não para que este exerça sobre ela um domínio arbitrário, mas que a conserve e cuide como um filho cuida da herança de seu pai, e uma grande herança Deus confiou aos brasileiros”.

A linguagem da CNBB é outra. Adota estilo “Nova Era” na defesa dos mitos ambientalistas desacreditados nos meios científicos: “Mudanças climáticas e aquecimento global. Essas são as duas colunas que sustentam o debate sobre a “vida no planeta”, proposto pela CNBB às comunidades católicas e à sociedade brasileira, por meio da Campanha da Fraternidade, que começou na Quarta-Feira de Cinzas.”

Dom Dimas Lara Barbosa Secretário Geral da CNBB termina o artigo quase “divinizando” a terra: “Nossa mãe Terra, Senhor, geme de dor noite e dia. Será de parto essa dor ou simplesmente agonia? Vai depender só de nós!”.

Nós, apenas, perguntamos: Será que Nosso Senhor Jesus Cristo não geme e chora pelo desvio dos pastores que esqueceram a defesa da moral e da doutrina do Evangelho? Será que Bento XVI insinua com linguagem paterna que ele deseja ver restauradas as belas e comoventes pregações de penitência da quaresma, em preparação para a Páscoa do Senhor?

Com propósito ou sem propósito, quem apanha é o nosso agronegócio, certamente já inculpado até pelo terremoto e tsunami no Japão. “E a CNBB não perdeu a ocasião para criticar o agronegócio, atividade que não estaria preocupada com a natureza. O agronegócio desperdiçaria 70% da água doce do planeta e contaminaria os mares e os rios com o emprego de fertilizantes”.

Curiosamente a CNBB não diz que a grande poluição vem das cidades e que os produtores rurais dependem eles mesmos do meio ambiente, da preservação da água e do solo.

Parece que a associação dos bispos brasileiros ainda anda atrelada aos partidos e correntes de pensamento socialistas e comunistas que pregam a luta de classes entre os agricultores, pois nunca existiu divisão no meio rural brasileiro, pois como tudo na vida os maiores dependem dos menores e vice-versa.

Essa é a ordem criada e querida por Deus.

Ademais, os censos agrícolas provam não ser verdade que “mais de 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa vêm de agricultores familiares”.

O que acontecerá com a diminuição da safra caso eles venham a eliminar o agronegócio? A propósito cabe perguntar: – Aonde a CNBB quer chegar com sua ecologia radical? Será que ela deseja a inflação? A fome? Não é verdade que a ONU vem anunciando uma crise de alimentos no mundo inteiro?

É bom esclarecer que o pensamento da atual CNBB não corresponde ao do Episcopado brasileiro.

Fonte:http://gpsdoagronegocio.blogspot.com/2011/03/ecologia-visao-distorcida-da-cnbb.html

Fonte: IPCO