Exorcismo

Padres Exorcistas explicam

Consagração a Virgem Maria

Escravidão a Santissima Virgem, Orações, Devoção

Formação para Jovens

Espiritualidade, sexualidade, diverção, oração

Mostrando postagens com marcador Imaculada Conceição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Imaculada Conceição. Mostrar todas as postagens

30 de nov. de 2011

Inicie HOJE, 30/11, a novena da Imaculada Conceição

Fonte: www.josemariaescriva.info
Textos de S. Josemaria
Novena da Imaculada Conceição



30 de novembro. Maria, a cheia de graça


É a cheia de graça, a suma de todas as perfeições; e é Mãe. Com o
seu poder diante de Deus conseguirá o que lhe pedirmos; como Mãe,
quer conceder-no-lo. E, também como Mãe, entende e compreende as
nossas fraquezas, anima-nos, desculpa-nos, facilita o caminho, tem
sempre o remédio preparado, mesmo quando parece que já nada é
possível. Amigos de Deus, 292


Talvez agora algum de vós possa pensar que o dia ordinário, o
habitual ir e vir da nossa vida, não se presta muito a manter o coração
numa criatura tão pura como Nossa Senhora. Convidar-vos-ia a
reflectir um pouco. Que procuramos sempre, mesmo sem especial
atenção, em tudo o que fazemos? Quando nos move o amor de Deus
e trabalhamos com rectidão de intenção, procuramos o que é bom, o
que é limpo, o que dá paz à consciência e felicidade à alma. Também
cometemos muitos erros? Sim, mas precisamente reconhecer esses
erros é descobrir com maior clareza que a nossa meta é esta: uma
felicidade que não passe, profunda, serena, humana e sobrenatural.
Amigos de Deus, 292


Existe uma criatura que conseguiu nesta terra essa felicidade, porque
é a obra-prima de Deus: a Nossa Mãe Santíssima, Maria. Ela vive e
protege-nos; está junto do Pai e do Filho e do Espírito Santo, em
corpo e alma. É Aquela mesma que nasceu na Palestina, que se
entregou ao Senhor desde menina, que recebeu a anunciação do
Arcanjo Gabriel, que deu à luz o Nosso Salvador, que esteve junto
d'Ele ao pé da Cruz.
Amigos de Deus, 292


N'Ela se tornam realidade todos os ideais, mas não devemos concluir
daí que a sua sublimidade e grandeza no-la apresentem inacessível e
distante. É a cheia de graça, a suma de todas as perfeições; e é Mãe.
Com o seu poder diante de Deus conseguirá o que lhe pedirmos;
como Mãe, quer conceder-no-lo. E, também como Mãe, entende e
compreende as nossas fraquezas, anima-nos, desculpa-nos, facilita o
caminho, tem sempre o remédio preparado, mesmo quando parece
que já nada é possível.Amigos de Deus, 292


Segundo a Lei de Moisés, uma vez decorrido o tempo da purificação
da Mãe, é preciso ir com o Menino a Jerusalém, para O apresentar ao
Senhor (Lc II, 22). E desta vez, meu amigo, hás-de ser tu a levar a
gaiola das rolas. - Estás a ver? Ela - a Imaculada! - submete-se à Lei
como se estivesse imunda. Aprenderás com este exemplo, menino
tonto, a cumprir a Santa Lei de Deus, apesar de todos os sacrifícios
pessoais? Purificação! Sim, tu e eu, é que precisamos de purificação!
Expiação e, além da expiação, o Amor. - Um amor que seja cautério:
que abrase a imundície da nossa alma, e fogo que incendeie, com
chamas divinas, a miséria do nosso coração. Santo Rosário, comentário ao IV mistério gozoso

Recorramos a Ela, tota pulchra, seguindo um conselho que eu dava,
há muitos anos, àqueles que se sentiam intranquilos no seu empenho
diário por ser humildes, limpos, sinceros, alegres e generosos: Todos
os pecados da tua vida parecem ter-se posto de pé. - Não desanimes.
- Pelo contrário, chama por tua Mãe, Santa Maria, com fé e abandono
de criança. Ela trará o sossego à tua alma.Amigos de Deus, 189

Oração


É Justo, Senhora, que me dês um presente, como prova de carinho:
contrição, compungir-me dos meus pecados, dor de Amor... Ouve-me,
Senhora, Vida, e Esperança minha, conduz-me pela tua mão – tenuisti
manum dexterammeam! – e se existe algo agora em mim que que
desagradaao meu Pai-Deus, fazcom que o vejae, pelos dois, arrancálo-
emos. (Apontamentos, 7-X-1932)


1 de dezembro. Mãe de todos, de cada um

A Maternidade divina de Maria é a raiz de todas as perfeições e
privilégios que a adornam. Por esse título, foi concebida imaculada e
está cheia de graça, é sempre virgem, subiu ao céu em corpo e alma,
foi coroada Rainha de toda a criação, acima dos anjos e dos santos.
Mais que Ela, só Deus. A Santíssima Virgem, por ser Mãe de Deus,
possui uma dignidade, de certo modo infinita, do bem infinito que é
Deus. Não há perigo de exageros. Nunca aprofundaremos bastante
este mistério inefável; nunca poderemos agradecer suficientemente à
Nossa Mãe a familiaridade que nos deu com a Santíssima Trindade.
Amigos de Deus, 276
Não existe coração mais humano do que o de uma criatura que
transborda de sentido sobrenatural. Pensa em Santa Maria, a cheia de
graça, Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito
Santo: no seu Coração cabe a humanidade inteira sem diferenças
nem discriminações. Cada um é seu filho, ou sua filha.
Sulco, 801
João, o discípulo amado de Jesus, recebe Maria e introdu-la em sua
casa, na sua vida. Os autores espirituais viram nestas palavras do
Santo Evangelho um convite dirigido a todos os cristãos para que
Maria entre também nas suas vidas. Em certo sentido, é quase
supérfluo este esclarecimento. Maria quer, certamente, que a
invoquemos, que nos aproximemos d'Ela com confiança, que
apelemos para a sua maternidade, pedindo-lhe que se manifeste
como nossa Mãe.
Mas é uma Mãe que não se faz rogar, que se adianta, inclusivamente,
às nossas súplicas, pois conhece as necessidades e vem prontamente
em nossa ajuda, demonstrando com obras que se lembra
constantemente dois seus filhos. Cada um de nós, evocando a sua
própria vida e vendo como nela se manifesta a misericórdia de Deus,
pode descobrir mil motivos para se sentir, de modo especial, filho de
Maria. Cristo que passa, 140
Porque Maria é Mãe, a sua devoção ensina-nos a ser filhos - a amar
deveras, sem medida; a ser simples, sem as complicações que
nascem do egoísmo de pensar só em nós; a estar alegres, sabendo
que nada pode destruir a nossa esperança. O princípio do caminho
que leva à loucura do amor de Deus é um confiado amor a Maria
Santíssima. Assim o escrevi já há muitos anos, no prólogo a uns
comentários ao Santo Rosário, e desde então muitas vezes voltei a
comprovar a verdade destas palavras. Não vou fazer aqui muitas
considerações para glosar esta ideia; convido-vos, sim, a fazerdes vós
a experiência, a descobrirdes isso por vós mesmos, conversando
amorosamente com Maria, abrindo-lhe o vosso coração, confiando-lhe
as vossa alegrias e as vossas penas, pedindo-lhe que vos ajude a
conhecer e a seguir Jesus. Cristo que passa, 143

Oração

Mãe nossa, damos‐te graças pela tua intercessão por nós junto de Jesus; sem
ti, não teríamos podido ir até Ele. Como é verdade que a Jesus sempre se vai
e torna a ir por Maria!
Caminho, Ed. crítica, comentário ao n. 514

2 de dezembro. Maria, Mestra de oração

O Senhor ter-vos-á feito descobrir muitos outros aspectos da
correspondência fiel da Santíssima Virgem, que por si mesmos já são
um convite para que os tomemos como modelo: a sua pureza, a sua
humildade, a sua fortaleza, a sua generosidade, a sua fidelidade... Eu
gostaria de falar sobre um aspecto que engloba todos os outros,
porque é o clima do progresso espiritual, isto é, a vida de oração.
Para aproveitar a graça que nos concede a Nossa Mãe no dia de hoje
e para secundar também, em qualquer momento, as inspirações do
Espírito Santo, pastor das nossas almas, devemos estar seriamente
comprometidos numa actividade que nos leve a ter intimidade com
Deus. Não podemos esconder-nos no anonimato, porque a vida
interior, se não for um encontro pessoal com Deus, não existe. A
superficialidade não é cristã. Admitir a rotina, na nossa luta ascética,
equivale a assinar a certidão de óbito da alma contemplativa. Deus
procura-nos um a um, e precisamos de Lhe responder um a um: eisme
aqui, pois Tu me chamaste.

Oração, sabêmo-lo todos, é falar com Deus. É possível, porém, que
alguém pergunte: falar, de quê? Do que há-de ser, senão das coisas
de Deus e das que enchem o nosso dia? E na presença de Deus,
Uno e Trino, tendo por Medianeira Santa Maria e por advogado S.
José, Nosso Pai e Senhor - a quem tanto amo e venero - falaremos
também do nosso trabalho de todos os dias, da família, das relações
de amizade, dos grandes projectos e das pequenas coisas sem
importância.Cristo que passa, 174

Recordai na oração estes temas, aproveitai-os precisamente para
dizer a Jesus que o adorais, e assim, estareis a ser contemplativos no
meio do mundo, no meio do ruído da rua, em toda a parte. Essa é a
primeira lição, na escola da intimidade com Jesus Cristo. Dessa
escola, Maria é a melhor professora, porque a Virgem manteve
sempre essa atitude de fé, de visão sobrenatural, perante tudo o que
sucedia à sua volta: conservava todas estas coisas ponderando-as no
seu coração. Cristo que passa, 174

A nossa Mãe meditou longamente as palavras das mulheres e dos
homens santos do Antigo Testamento, que esperavam o Salvador, e
os acontecimentos de que foram protagonistas. Admirou o cúmulo de
prodígios e o excesso da misericórdia de Deus com o seu povo, tantas
vezes ingrato. Ao considerar esta ternura do Céu, incessantemente
renovada, brota o afecto do seu Coração imaculado: a minha alma
glorifica o Senhor; e o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador.
Porque lançou os olhos para a baixeza da sua escrava. Os filhos
desta boa Mãe, os primeiros cristãos, aprenderam com Ela, e nós
também podemos e devemos aprender.
Amigos de Deus, 241
O Santo Evangelho facilita-nos rapidamente o caminho para entender
o exemplo da Nossa Mãe: Maria conservava todas estas coisas dentro
de si, ponderando-as no seu coração. Procuremos nós imitá-la,
tratando com o Senhor, num diálogo cheio de amor, de tudo o que nos
acontece, mesmo dos acontecimentos mais insignificantes. Não nos
esqueçamos de que devemos pesá-los, avaliá-los, vê-los com olhos
de fé, para descobrir a Vontade de Deus.
Amigos de Deus, 285

Oração

Supliquemos hoje a Santa Maria que nos torne contemplativos, que
nos ajude a compreender os contínuos apelos que o Senhor nos
dirige, batendo à porta do nosso coração. Peçamos-lhe: Mãe, tu
trouxeste ao mundo Jesus, que nos revela o amor do nosso Pai, Deus;
ajuda-nos a reconhecê-lo, no meio das preocupações de cada dia;
remove a nossa inteligência e a nossa vontade, para que saibamos
escutar a voz de Deus, o impulso da graça.
Cristo que passa, 174

4 de Dezembro. Maria, Mãe do Amor Formoso

Eu sou a Mãe do amor formoso, do temor, da ciência e da santa
esperança, lições que hoje nos recorda Santa Maria. Lição de amor
formoso, de vida limpa, de um coração sensível e apaixonado, para
que aprendamos a ser fiéis ao serviço da Igreja. Este não é um amor
qualquer; é o Amor. Aqui não há traições, nem cálculos, nem
esquecimentos. Um amor formoso, porque tem como princípio e como
fim o Deus três vezes Santo, que é toda a Beleza e toda a Bondade e
toda a Grandeza.
Mas também se fala de temor. Não concebo outro temor senão o de
nos afastarmos do Amor. Porque Deus Nosso Senhor não nos quer
abatidos, timoratos ou com uma entrega anódina. Precisa de que
sejamos audazes, valentes, delicados. O temor, que o texto sagrado
nos recorda, traz-nos à lembrança aquela outra queixa da Escritura:
procurei o amado da minha alma; procurei-o e não o encontrei.
Isto pode acontecer, se o homem não compreendeu, até ao fundo, o
que significa amar a Deus. Sucede então que o coração se deixa
arrastar por coisas que não conduzem ao Senhor. E, por
consequência, perdemo-lo de vista. Outras vezes será talvez o Senhor
quem se esconde; ele sabe porquê. Anima-nos assim a procurá-lo
com maior ardor e, quando o descobrimos, exclamamos cheios de
júbilo; encontrei-o e já não o deixarei.Amigos de Deus, 277
A pureza limpidíssima de toda a vida de João torna-o forte diante da
Cruz. - Os outros apóstolos fogem do Gólgota; ele, com a Mãe de
Cristo, fica. - Não esqueças que a pureza enrijece, viriliza o carácter.
Caminho, 144
Este nosso coração nasceu para amar e, quando não se lhe dá um
afecto puro, limpo e nobre, vinga-se e enche-se de miséria. O
verdadeiro amor de Deus, que pode traduzir-se por viver uma vida
bem limpa, está tão longe da sensualidade como da insensibilidade e
tão longe de qualquer sentimentalismo como da ausência de coração
ou da sua dureza.Amigos de Deus, 183
Porque não te entregas a Deus de uma vez..., de verdade..., agora?!
Caminho, 902
Maria, a Mãe santa do nosso Rei, a Rainha do nosso coração, cuida
de nós como só Ela sabe fazê-lo. Mãe compassiva, trono da graça,
pedimos-te que saibamos compor na nossa vida e na vida dos que
nos rodeiam, verso a verso, o poema simples da caridade, quasi
fluvium pacis, como um rio de paz. Porque tu és mar de inesgotável
misericórdia: os rios vão dar todos ao mar e o mar não se enche.
Cristo que passa, 187

Oração

Deves pedir com confiança a Nossa Senhora, agora mesmo, na
solidão acompanhada do teu coração, silenciosamente: Minha Mãe,
este meu pobre coração rebela-se tolamente... se tu não me
proteges... E amparar-te-á para que o guardes puro e percorras o
caminho a que Deus te chamou.
Amigos de Deus, 180

5 de dezembro. Santa Maria, Esperança nossa

Mestra de esperança! Maria proclama que a chamarão bemaventurada
todas as gerações. Humanamente falando, em que
motivos se apoiava essa esperança? Quem era Ela para os homens e
mulheres de então? As grandes heroínas do Velho Testamento -
Judite, Ester, Débora - conseguiram já na terra uma glória humana,
foram aclamadas pelo povo, louvadas. O trono de Maria, como o de
seu Filho é a Cruz. E durante o resto da sua existência, até que subiu
ao Céu em corpo e alma, a sua silenciosa presença é o que nos
impressiona mais. S. Lucas, que a conhecia bem, anota que Ela está
junto dos primeiros discípulos, em oração. Assim termina os seus dias
terrenos Aquela que havia de ser louvada pelas criaturas até à
eternidade.
Como contrasta a esperança de Nossa Senhora com a nossa
impaciência! Com frequência exigimos que Deus nos pague
imediatamente o pouco bem que fizemos. Mal aflora a primeira
dificuldade, queixamo-nos. Muitas vezes somos incapazes de
aguentar o esforço, de manter a esperança, porque nos falta fé: bem aventurada és tu, porque acreditaste que se cumpririam as coisas que
te foram ditas da parte do Senhor.Amigos de Deus, 286
Esperançados! Esse é o prodígio da alma contemplativa. Vivemos de
Fé, de Esperança e de Amor; e a Esperança torna-nos poderosos.
Recordais-vos de S. João? Eu vos escrevo, jovens, porque sois
valentes e a palavra de Deus permanece em vós e vencestes o
maligno. Deus urge-nos, para a juventude eterna da Igreja e de toda a
humanidade. Podeis transformar em divino todo o humano, como o rei
Midas convertia em ouro tudo o que tocava! Nunca esqueçais que depois da morte vos receberá o Amor. E no amor de Deus encontrareis, além do mais, todos os amores limpos que tenhais tido na terra. O Senhor dispôs que passemos esta breve jornada da nossa existência, trabalhando e, como o seu Unigénito, fazendo o bem. Entretanto, temos de estar alerta, à escuta daquelas
chamadas que Santo Inácio de Antioquia notava na sua alma, ao
aproximar-se a hora do martírio: vem para junto do Pai, vem para o
teu Pai que te espera ansioso.Amigos de Deus, 221

Oração

Peçamos a Santa Maria, Spes nostra, que nos inflame no santo
empenho de habitarmos todos juntos na casa do Pai. Nada nos
poderá preocupar, se decidirmos firmar o coração no desejo da
verdadeira Pátria: o Senhor nos conduzirá com a sua graça e impelirá
a barca com bom vento para tão claras margens.
Amigos de Deus, 221

6 de dezembro. Maria, nosso refúgio e nossa fortaleza

Agora, pelo contrário, no escândalo do sacrifício da Cruz, Santa Maria
estava presente, ouvindo com tristeza os que passavam por ali e
blasfemavam abanando a cabeça e gritando: Tu, que arrasas o templo
de Deus e, em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo! Se és o
Filho de Deus, desce da cruz. Nossa Senhora escutava as palavras de
seu Filho, unindo-se à sua dor; Meu Deus, meu Deus, por que me
desamparaste? Que podia Ela fazer? Fundir-se com o amor Redentor
de seu Filho, oferecer ao Pai a dor imensa - como uma espada afiada
- que trespassava o seu Coração puro.
De novo Jesus se sente confortado com essa presença discreta e
amorosa de sua Mãe. Maria não grita, não corre de um lado para
outro... Stabat: está de pé, junto ao Filho. É então que Jesus olha para
Ela, dirigindo depois o olhar para João. E exclama: - Mulher, aí tens o
teu filho. Depois diz ao discípulo: Aí tens a tua Mãe. Em João, Cristo
confia à sua Mãe todos os homens e especialmente os seus
discípulos, os que haviam de acreditar n'Ele.
Felix culpa, canta a Igreja, feliz culpa, porque nos fez ter tal e tão
grande Redentor! Feliz culpa, podemos acrescentar também, que nos
mereceu receber por Mãe, Santa Maria! Já estamos seguros, já nada
nos deve preocupar, porque Nossa Senhora, coroada Rainha dos
Céus e da Terra, é a omnipotência suplicante diante de Deus. Jesus
não pode negar nada a Maria, nem tão pouco a nós, filhos da sua
própria Mãe.
Amigos de Deus, 288
Admira a firmeza de Santa Maria: ao pé da Cruz, com a maior dor
humana - não há dor como a sua dor - cheia de fortaleza. - E pede-lhe dessa
firmeza, para que saibas também estar junto da Cruz.
Caminho, 508
Não admitas o desalento no teu apostolado. Não fracassaste, como
tão-pouco Cristo fracassou na Cruz. Ânimo!... Continua
contracorrente, protegido pelo Coração Materno e Puríssimo da
Senhora; Sancta Maria, refugium nostrum et virtus!, és o meu refúgio e
a minha fortaleza.
Tranquilo. Sereno... Deus tem muito poucos amigos na Terra. Não
desejes sair deste mundo. Não recuses o peso dos dias, ainda que,
por vezes, se nos tornem muitos longos.
Via Sacra, XIIIª estação
Pensa que Deus te quer contente e que, se dás da tua parte o que
podes, serás feliz, muito feliz, felicíssimo, mesmo que em nenhum
momento te falte a Cruz. Mas essa Cruz já não é um patíbulo, mas o
trono no qual reina Cristo. E a Seu lado, Sua Mãe, nossa Mãe
também. A Virgem Santa alcançar-te-á a fortaleza que necessitas para
seguir com decisão os passos de seu Filho.
Amigos de Deus, 141

Oração

Diz: Minha Mãe (tua, porque és seu por muitos títulos), que o teu amor
me prenda à Cruz do teu Filho; que não me falte a Fé, nem a valentia,
nem a audácia, para cumprir a vontade do nosso Jesus.
Caminho, 497

7 de dezembro. Maria, mestra de vida corrente

Temos de imitar a sua natural e sobrenatural elegância. Ela é uma
criatura privilegiada na História da Salvação, porque em Maria o Verbo
se fez carne e habitou entre nós. Foi testemunha delicada, que soube
passar inadvertida; não foi amiga de receber louvores, pois não
ambicionou a sua própria glória. Maria assiste aos mistérios da
infância de seu Filho, mistérios, se assim se pode dizer, cheios de
normalidade; mas à hora dos grandes milagres e das aclamações das
massas desaparece. Em Jerusalém, quando Cristo - montado sobre
um jumentinho - é vitoriado como Rei, não está Maria. Mas reaparece
junto da Cruz, quando todos fogem. Este modo de se comportar tem o
sabor, sem qualquer afectação, da grandeza, da profundidade, da
santidade da sua alma!
Cristo que passa, 173
Para sermos divinos, para nos "endeusarmos", temos de começar por
ser muito humanos, vivendo face a Deus dentro da nossa condição de
homens correntes, santificando esta aparente pequenez. Assim viveu
Maria. A cheia de graça, a que é objecto das complacências de Deus,
a que está acima dos anjos e dos santos teve uma existência normal.
Maria é uma criatura como nós, com um coração como o nosso, capaz
de gozo e de alegrias, de sofrimento e de lágrimas. Antes de Gabriel
lhe comunicar o querer de Deus, não sabe que tinha sido escolhida
desde toda a eternidade para ser Mãe do Messias. Considera-se a si
mesma cheia de baixeza; por isso, reconhece logo, com profunda
humildade, que fez em mim grandes coisas Aquele que é Todopoderoso.
Cristo que passa, 172
Não nos esqueçamos de que a quase totalidade dos dias que Nossa
Senhora passou na Terra decorreram de forma muito semelhante à
vida diária de muitos milhões de mulheres, ocupadas em cuidar da
sua família, em educar os seus filhos, em levar a cabo as tarefas do
lar. Maria santifica as mais pequenas coisas, aquilo que muitos
consideram erradamente como não transcendente e sem valor: o
trabalho de cada dia, os pormenores de atenção com as pessoas
queridas, as conversas e as visitas por motivo de parentesco ou de
amizade...
Bendita normalidade, que pode estar cheia de tanto amor de Deus!
Na verdade, é isso o que explica a vida de Maria: o amor. Um amor
levado até ao extremo, até ao esquecimento completo de si mesma,
contente por estar onde Deus quer que esteja e cumprindo com
esmero a vontade divina. Isso é o que faz com que o mais pequeno
dos seus gestos nunca seja banal, mas cheio de significado. Maria,
nossa Mãe, é para nós exemplo e caminho. Havemos de procurar ser
como Ela nas circunstâncias concretas em que Deus quis que
vivêssemos.
Cristo que passa, 148

Oração

Acolhemo-nos à protecção de Santa Maria, porque podemos estar
bem certos de que cada um de nós, no seu próprio estado – sacerdote
ou leigo, solteiro, casado ou viúvo -, se for fiel ao cumprimento diário
das suas obrigações, alcançará a vitória nesta terra, a vitória de ser
leal ao Senhor, chegaremos depois ao Céu e gozaremos para sempre
da amizade e do amor de Deus, com Santa Maria.
Oração perante a Virgem de Guadalupe, 24-05-1970


8 de dezembro. Santa Maria, Rainha dos Apóstolos

Não podemos conviver filialmente com Maria e pensar apenas em nós
mesmos, nos nossos problemas. Não se pode tratar com a Virgem e
ter, egoisticamente, problemas pessoais. Maria leva a Jesus e Jesus é
primogenitus in multis fratribus, primogénito entre muitos irmãos.
Conhecer Jesus, portanto, é compreendermos que a nossa vida não
pode ter outro sentido senão o de entregar-nos ao serviço dos outros.
Um cristão não pode reduzir-se aos seus problemas pessoais, pois
tem de viver face à Igreja universal, pensando na salvação de todas
as almas.
Cristo que passa, 145
Impregnadas deste espírito, as nossas orações, ainda que comecem
por temas e propósitos aparentemente pessoais, acabam sempre por
ir ter ao serviço dos outros. E, se caminharmos pela mão da Virgem
Santíssima, Ela fará com que nos sintamos irmãos de todos os
homens, porque todos somos Filhos desse Deus de que Ela é filha,
esposa e mãe.
Cristo que passa, 145
Sede audazes. Contais com a ajuda de Maria, Regina apostolorum. E
Nossa Senhora, sem deixar de se comportar como Mãe, sabe colocar
os filhos diante das suas próprias responsabilidades. Maria, aos que
se aproximam d'Ela e contemplam a sua vida, faz-lhes sempre o
imenso favor de levá-los até à Cruz, de colocá-los defronte do
exemplo do Filho de Deus. E, nesse confronto, em que se decide a
vida cristã, Maria intercede para que a nossa conduta culmine numa
reconciliação do irmão mais pequeno - tu e eu - com
o Filho primogénito do Pai.
Muitas conversões, muitas decisões de entrega ao serviço de Deus,
foram precedidas de um encontro com Maria. Nossa Senhora
fomentou os desejos de busca, activou maternalmente a inquietação
da alma, fez aspirar a uma transformação, a uma vida nova. E assim,
o fazei o que Ele vos disser converteu-se numa realidade de amorosa
entrega, na vocação cristã que ilumina desde então toda a nossa vida.
Cristo que passa, 149

Oração

Maria, Mãe de Jesus, que O criou, O educou e O acompanhou
durante a Sua vida terrena e que agora está junto d’Ele nos céus, nos
ajudará a reconhecer Jesus que passa ao nosso lado, que se faz
presente nas necessidades dos nossos irmãos, os homens
Santa Maria, spes nostra, ancilla Domini, sedes Sapientiae, ora pro
nobis! Santa Maria, esperança nossa, escrava do Senhor, sede de
Sabedoria, roga por nós!
Cristo que passa, 149

8 de dez. de 2010

Meditação sobre a solenidade da Imaculada Conceição de Maria Santíssima.


De Frascisco Fernández Carvajal.


Esta festa, instituída por Pio IX, teve por motivo a proclamação do dogma, no dia 8 de dezembro de 1854. A definição dogmática tornou mais preciso o sentido desta verdade de fé e afirmou de modo solene a fé constante da Igreja. A festividade começou a ser celebrada no Oriente no século VIII e, um século depois, em muitos lugares do Ocidente.

I. TRANSBORDO DE ALEGRIA no Senhor e a minha alma exulta no meu Deus, pois Ele revestiu-me de justiça e envolveu-me no manto da salvação, como uma noiva ornada com as suas jóias1. São palavras que a liturgia coloca nos lábios de Nossa Senhora nesta Solenidade, e que expressam o cumprimento da antiga profecia de Isaías.

Tudo o que de formoso e belo se pode dizer de uma criatura, cantamo-lo hoje à nossa Mãe do Céu. “Exulte hoje toda a criação e estremeça de júbilo a natureza. Alegre-se o céu na alturas e as nuvens espalhem a justiça. Destilem os montes doçuras de mel e júbilo as colinas, porque o Senhor teve misericórdia do seu povo e suscitou-nos um poderoso salvador na casa de David, seu servo, quer dizer, nesta imaculadíssima e puríssima Virgem, por quem chegam a saúde e a esperança dos povos”2, canta um antigo Padre da Igreja.

No seu propósito de salvar a humanidade, a Santíssima Trindade determinou que Maria seria escolhida como Mãe do Filho de Deus feito homem. Mais ainda: Deus quis que Maria se unisse por um só vínculo indissolúvel, não só ao nascimento humano e terreno do Verbo, mas também a toda a obra da Redenção que Ele levaria a cabo. No plano salvífico de Deus, Maria está sempre unida a Jesus, perfeito Deus e homem perfeito, único Mediador e Redentor do gênero humano. “Foi predestinada desde a eternidade, juntamente com a Encarnação do Verbo divino, como Mãe de Deus, por desígnio da Providência divina”3.

Por esta escolha admirável e totalmente singular, Maria, desde o primeiro instante da sua existência, ficou associada ao seu Filho na Redenção da humanidade. Ela é a mulher de que fala o Gênesis na primeira Leitura da Missa4. Depois do pecado original, Deus disse à serpente: Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a dela. Maria é a nova Eva, de quem nascerá uma nova linhagem, que é a Igreja. Em virtude dessa escolha, a Santíssima Virgem recebeu uma plenitude de graça maior do que a que se concedeu a todos os anjos e santos juntos; encontra-se numa posição singular e única entre Deus e as criaturas. Ela é quem ocupa na Igreja o lugar mais alto e mais próximo de nós5; é o modelo perfeito da Igreja6 e de todas as virtudes7, Aquela a quem devemos contemplar no nosso esforço por ser melhores. O seu poder salvador e santificador é tão grande que, por graça de Cristo, quanto mais se difunde a sua devoção, mais Ela atrai os fiéis para Cristo e para o Pai8.

Na Virgem puríssima, resplandecente, fixamos os nossos olhos, “como a Estrela que nos guia pelo céu escuro das expectativas e incertezas humanas, especialmente neste dia em que, sobre o fundo da liturgia do Advento, brilha esta solenidade anual da tua Imaculada Conceição e te contemplamos na eterna economia divina como a Porta aberta através da qual deve vir o Redentor do mundo”9.

II. AVE, CHEIA DE GRAÇA, o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres10.

Por uma graça singular, e em atenção aos méritos de Cristo, Santa Maria foi preservada imune de toda a mancha de pecado original, desde o primeiro instante da sua concepção. Deus “amou-a com um amor tão grande, tão acima do amor a toda a criatura, que se comprazeu nEla com singularíssima benevolência. Por isso, cumulou-a tão maravilhosamente da abundância de todos os seus dons celestiais, tirados dos tesouros da sua divindade, muito acima de todos os anjos e santos, que Ela, absolutamente sempre livre de toda a mancha de pecado, e toda formosa e perfeita, manifestou tal plenitude de inocência e santidade que não se concebe de modo algum outra maior depois de Deus nem ninguém a pode imaginar fora de Deus”11.

Esta preservação do pecado em Nossa Senhora é, em primeiro lugar, plenitude de graça totalmente singular e qualificada; a graça em Maria – ensinam os teólogos – suplantou a natureza. NEla tudo voltou a ter o seu sentido primigênio e a perfeita harmonia querida por Deus. O dom pelo qual esteve isenta de toda a mancha foi-lhe concedido como preservação de algo que não se contrai. Livre de todo o pecado atual, não teve nenhuma imperfeição – nem moral nem natural –, não teve nenhuma inclinação desordenada nem pôde ser assaltada por verdadeiras tentações internas; não teve paixões descontroladas; não sofreu os efeitos da concupiscência. Jamais esteve sujeita ao demônio em coisa alguma.

A Redenção também alcançou Maria, pois Ela recebeu todas as graças em previsão dos méritos de Cristo. Deus preparou Aquela que ia ser a Mãe do seu Filho com todo o seu Amor infinito. “Como nos teríamos comportado se tivéssemos podido escolher a nossa mãe? Penso que teríamos escolhido a que temos, cumulando-a de todas as graças. Foi o que Cristo fez, pois, sendo Onipotente, Sapientíssimo e o próprio Amor (1 Jo 4, 8), o seu poder realizou todo o seu querer”12.

No dia de hoje, podemos já divisar a proximidade do Natal. A Igreja quis que as duas festas estivessem próximas uma da outra. “Do mesmo modo que o primeiro rebento indica a chegada da primavera num mundo gelado e que parece morto, assim num mundo manchado pelo pecado e quase sem esperança, essa Conceição sem mancha anuncia a restauração da inocência do homem. Assim como o rebento nos dá uma promessa certa da flor que dele brotará, a Imaculada Conceição nos dá a promessa infalível do nascimento virginal [...]. Ainda era inverno em todo o mundo que rodeava a Virgem, exceto no lar tranqüilo onde Santa Ana deu à luz uma menina. Ali tinha começado já a primavera”13. A nova Vida iniciou-se em Nossa Senhora no mesmo instante em que foi concebida sem mancha e cheia de graça.

III. TOTA PULCHRA ES, Maria, és toda formosa, Maria, e não há mancha alguma de pecado em Ti.

A Virgem Imaculada será sempre o ideal que devemos imitar, pois é modelo de santidade na vida ordinária, nas coisas correntes que compõem também a nossa vida. Mas, para imitá-la, temos de relacionar-nos mais assídua e intimamente com Ela. Não podemos deixá-la após estes dias da Novena, sobretudo porque Ela não nos deixa.

Temos de continuar a cumprir a profecia que a Virgem fez um dia – todas as gerações me chamarão bem-aventurada14 – e que se cumpriu ao pé da letra através de todos os séculos. No campo e na cidade, nos cumes das montanhas, nas fábricas e nos caminhos, em situações de dor e de alegria, em momentos transcendentais (quantos milhões de cristãos não morreram com o doce nome de Maria nos seus lábios ou nos seus pensamentos!), sempre se invocou e se invoca a nossa Mãe. Em tantas e tão diversas ocasiões, milhares de vozes, em diversas línguas, têm cantado louvores à Mãe de Deus ou têm-lhe pedido que olhe com misericórdia para os seus filhos necessitados. É um clamor imenso que brota desta humanidade dorida, em direção à Mãe de Deus, um clamor que atrai a misericórdia do Senhor. A nossa oração nestes dias de preparação para a grande solenidade de hoje uniu-se a tantas vozes que louvam e pedem a Nossa Senhora.

Sem dúvida, foi o Espírito Santo quem ensinou, em todas as épocas, que é mais fácil chegar ao Coração do Senhor por meio de Maria. Por isso, temos de fazer o propósito de buscar sempre um trato muito íntimo com a Virgem, de caminhar por esse atalho para chegarmos antes a Cristo: “Conservai zelosamente esse terno e confiado amor à Virgem – anima-nos o Sumo Pontífice –. Não o deixeis esfriar nunca [...]. Sede fiéis aos exercícios de piedade mariana tradicionais na Igreja: a oração do Angelus, o mês de Maria e, de modo muito especial, o Rosário”15.

Maria, cheia de graça e de esplendor, bendita entre as mulheres, é também nossa Mãe. Uma manifestação de amor a Nossa Senhora é trazer uma imagem sua na carteira ou no bolso; é multiplicar discretamente os seus retratos ao nosso redor, nos quartos da casa, no carro, no escritório ou lugar de trabalho. Parecer-nos-á natural invocá-la, ainda que seja sem palavras.

Se cumprirmos o nosso propósito de recorrer com mais freqüência à Virgem, desde o dia de hoje, verificaremos que “Nossa Senhora é descanso para os que trabalham, consolo dos que choram, remédio para os enfermos, porto para os que encontram no meio da tempestade, perdão para os pecadores, doce alívio dos tristes, socorro para os que rezam”16.

(1) Is 61, 10; Antífona de entrada da Missa do dia 8 de dezembro; (2) Santo André de Creta, Homilia I na Natividade da Santíssima Mãe de Deus; (3) Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 61; (4) Gên 3, 9-15; 20; (5) cfr. Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 54; (6) ib., 63; (7) ib., 65; (8) ib., 65; (9) João Paulo II, Alocução, 8-XII-1982; (10) Lc 1, 28; Evangelho da Missa do dia 8 de dezembro; (11) Pio IX, Bula Ineffabilis Deus, 8-XII-1854; (12) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 171; (13) R. A. Knox, Tiempos y fiestas del año litúrgico, pág. 298; (14) cfr. Lc 2, 48; (15) João Paulo II, Homilia, 12-X-1980; (16) São João Damasceno, Homilia na Dormição da B. Virgem Maria.


Fonte: Hablar com Dios

7 de dez. de 2010

Bula "Ineffabilis Deus" - Dogma da Imaculada Conceição

Oito de dezembro é dia de festa na Igreja. Celebramos a Imaculada Conçeição da Santíssima Virgem Maria. O "Regina Apostolorun" deixa a disposição para leitura a Bula "Ineffabilis Deus", foi nela que Pio IX instituiu o dogma da Imaculada Conçeição. Boa leitura!







Posição e privilégios de Maria nos desígnios de Deus

1. Deus inefável, "cuja conduta toda é bondade e fidelidade", cuja vontade é onipotente, e cuja sabedoria "se estende com poder de um extremo ao outro (do mundo), e tudo governa com bondade", tendo previsto desde toda a eternidade a triste ruína de todo o gênero humano que derivaria do pecado de Adão, com desígnio oculto aos séculos, decretou realizar a obra primitiva da sua bondade com um mistério ainda mais profundo, mediante a Encarnação do Verbo. Porque, induzido ao pecado — contra o propósito da divina misericórdia — pela astúcia e pela malícia do demônio, o homem não devia mais perecer; antes, a queda da natureza do primeiro Adão devia ser reparada com melhor fortuna no segundo.

2. Assim Deus, desde o princípio e antes dos séculos, escolheu e pré-ordenou para seu Filho uma Mãe, na qual Ele se encarnaria, e da qual, depois, na feliz plenitude dos tempos, nasceria; e, de preferência a qualquer outra criatura, fê-la alvo de tanto amor, a ponto de se comprazer nela com singularíssima benevolência. Por isto cumulou-a admiravelmente, mais do que todos os Anjos e a todos os Santos, da abundância de todos os dons celestes, tirados do tesouro da sua Divindade. Assim, sempre absolutamente livre de toda mancha de pecado, toda bela e perfeita, ela possui uma tal plenitude de inocência e de santidade, que, depois da de Deus, não se pode conceber outra maior, e cuja profundeza, afora de Deus, nenhuma mente pode chegar a compreender.

3. E, certamente, era de todo conveniente que esta Mãe tão venerável brilhasse sempre adornada dos fulgores da santidade mais perfeita, e, imune inteiramente da mancha do pecado original, alcançasse o mais belo triunfo sobre a antiga serpente; porquanto a ela Deus Pai dispusera dar seu Filho Unigênito — gerado do seu seio, igual a si mesmo e amado como a si mesmo — de modo tal que Ele fosse, por natureza, Filho único e comum de Deus Pai e da Virgem; porquanto o próprio Filho estabelecera torná-la sua Mãe de modo substancial; porquanto o Espírito Santo quisera e fizera de modo que dela fosse concebido e nascesse Aquele de quem Ele mesmo procede.

Tradição da Igreja sobre a Imaculada Conceição

4. A Igreja Católica, que, instruída pelo Espírito de Deus, é "a coluna e a base da verdade", sempre considerou como divinamente revelada e como contida no depósito da celeste revelação esta doutrina acerca da inocência original da augusta Virgem, doutrina que está tão perfeitamente em harmonia com a sua maravilhosa santidade, e com a sua eminente dignidade de Mãe de Deus; e, como tal, nunca cessou de explica-la, ensina-la e favorece-la cada dia mais, de muitos modos e com atos solenes.

5. Porém esta mesma doutrina, admitida desde os tempos antigos, profundamente radicada na alma dos fiéis e admiravelmente propagada no mundo católico pelo cuidado e pelo zelo dos bispos, de modo o mais claro foi professada pela Igreja quando esta não hesitou em propor a Conceição da Virgem ao culto público e à veneração dos fiéis. Com este ato significativo ela, de fato, mostrava que a Conceição de Maria devia ser venerada como singular, maravilhosa, diferentíssima da de todos os outros homens, e plenamente santa; visto que a Igreja só celebra as festas dos Santos. Por isto é costume da Igreja, quer nos ofícios eclesiásticos, quer na santa Liturgia, usar e aplicar à origem da Virgem as mesmas expressões com que as divinas Escrituras falam da Sabedoria incriada e representam as eternas origens desta, havendo Deus, com um só e mesmo decreto, preestabelecido a origem de Maria e a encarnação da Divina Sabedoria.

6. Todas estas doutrinas e todos estes fatos, em toda parte e geralmente aceitos pelos fiéis, mostram com quanto cuidado a própria Igreja Romana, mãe e mestra de todas as Igrejas, tem favorecido a doutrina da Imaculada Conceição da Virgem. Todavia, parece assaz conveniente recordar em particular os atos mais importantes da Igreja nesta matéria; porquanto é tal a dignidade e autoridade que à Igreja absolutamente pertencem, que ela deve ser considerada o centro da verdade e da unidade católica; é a única que tem guardado inviolavelmente a religião; e todas as outras igrejas devem receber a tradição da fé.

Os Papas favoreceram o culto da Imaculada

7. Pois bem: esta Igreja Romana nada teve mais a peito do que professar, sustentar, propagar e defender por todos os modos mais significativos a Imaculada Conceição da Virgem, o seu culto e a sua doutrina. Tal solicitude é aberta e claramente atestada por inúmeros atos insignes dos Pontífices Romanos Nossos Predecessores, aos quais, na pessoa do Chefe dos Apóstolos, foi pelo próprio Cristo Senhor confiada a tarefa e a autoridade suprema de apascentar os cordeiros e as ovelhas, de confirmar os irmãos e de reger e governar a Igreja.

8. De fato, os Nossos Predecessores consideraram sua glória o haverem, com a sua autoridade Apostólica, instituído na Igreja Romana a festa da Conceição, dotando-a e honrando-a com um Ofício e com uma Missa própria, em que com máxima clareza se afirma a prerrogativa da imunidade de toda mancha original. Além disto, com todo o cuidado promoveram e aumentaram o culto já estabelecido, concedendo Indulgências; concedendo a cidades, províncias e reinos a faculdade de escolherem por Padroeira a Mãe de Deus sob o título da Imaculada Conceição; aprovando irmandades, congregações e famílias religiosas instituídas em honra da Imaculada Conceição; tributando louvores à piedade daqueles que levantavam mosteiros, hospícios, altares, templos sob o título da Imaculada Conceição, ou sob juramento se comprometiam a defender a todo custo a Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

9. Ademais, com a maior alegria ordenaram que a festa da Conceição fosse celebrada em toda a Igreja com solenidade igual à da festa da Natividade; que com oitava fosse celebrada pela Igreja universal e escrupulosamente observada por todos os fiéis como festa de preceito; que todo ano, no dia da festa da Imaculada Conceição de Maria, se promovesse Capela Papal na Nossa patriarcal basílica Liberiana.

10. Desejando, pois, confirmar sempre mais no ânimo dos fiéis esta doutrina da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, e estimular-lhes a piedade do culto e à veneração da Virgem concebida sem pecado original, com sumo prazer concederam a faculdade de citar a Imaculada Conceição da mesma Virgem nas Ladainhas Lauretanas e no próprio Prefácio da Missa; de modo que a norma da fé fosse valorizada pela forma da oração. Portanto, Nós, postos nas pegadas de Predecessores tão ilustres, não somente temos aprovado e aceitado as suas piedosíssimas e sapientíssimas disposições, senão que, lembrados daquilo que Sisto IV instituíra, de muito bom grado confirmamos com a Nossa autoridade o Ofício próprio da Imaculada Conceição, e concedemos o uso dele a toda a Igreja.

Os Papas precisaram o objeto do culto da Imaculada

11. Mas, como tudo o que se refere ao culto está estreitamente ligado com o seu objeto e não pode ter consistência nem duração se este objeto estiver mal definido ou incerto, os Romanos Pontífices Nossos Predecessores, enquanto solicitamente se esforçaram por aumentar o culto da Conceição, intensissimamente se preocuparam também com lhe explicar e inculcar o objeto e a doutrina.

12. Com efeito, eles ensinaram clara e abertamente que, nas festas por eles estabelecidas, se celebrava a Conceição da Virgem; e proscreveram, como falsa e contrária ao pensamento da Igreja a opinião daqueles que entendiam e afirmavam que a Igreja honrava não propriamente a Conceição de Maria, mas a sua santificação. Nem julgaram dever ter maiores considerações com os que, para abalarem a doutrina da Imaculada Conceição, excogitaram uma distinção entre o primeiro e o segundo instante da Conceição, e pretenderam que da Conceição se festejasse não o primeiro, mas o segundo momento. E, na realidade, os mesmos Nossos Predecessores consideraram seu estrito dever não somente sustentarem com todo empenho a festa da Conceição da beatíssima Virgem, mas também asseverarem que o verdadeiro objeto do culto era a Conceição considerada no seu primeiro instante.

13. Daqui as palavras absolutamente peremptórias com que Alexandre VII, Nosso Predecessor, exprimiu o verdadeiro pensamento da Igreja. De fato Ele declarou que "desde a antiguidade, a piedade dos fiéis para com a beatíssima Virgem Maria havia crido que a sua alma, desde o primeiro instante da sua criação e da sua infusão no corpo, por uma especial graça e privilégio de Deus, em vista dos méritos de Jesus Cristo, seu Filho e Redentor do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original; e, neste sentido, celebrara ela solenemente a festa da Conceição"1.

14. Mas, os Nossos Predecessores aplicaram-se sobretudo, com todo cuidado, zelo e esforço a manter intacta a doutrina da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. De fato, eles não só, absolutamente, não toleraram que, por quem quer que fosse e de qualquer modo, fosse essa doutrina criticada ou censurada, porém foram ainda muito mais longe, proclamando com claras e reiteradas declarações que a doutrina com que professamos a Imaculada Conceição da Virgem é e deve ser, com toda razão, considerada em tudo conforme ao culto da Igreja; é antiga e quase universal; é tal, que a Igreja Romana começou a favorece-la e a defende-la; e é de todo digna de ter um lugar na própria Liturgia sagrada e nas orações mais solenes.

Os Papas proibiram a doutrina contrária

15. E, não satisfeitos com isto, a fim de que a doutrina acerca da Imaculada Conceição de Maria se conservasse íntegra, proibiram severissimamente sustentar-se, quer em público quer em particular, a opinião a ela contrária, a qual quiseram como de muitos modos ferida de morte. E, para que essas repetidas e claríssimas declarações não redundassem vãs, também lhes aditaram sanções.

16. Tudo isto foi expresso pelo Nosso já lembrado Predecessor Alexandre VII, com as seguintes palavras:

"Nós temos bem presente que a santa Igreja Romana celebra solenemente a festa da Conceição da imaculada e sempre Virgem Maria, e aprovou outrora um ofício especial e próprio para a dita festa, segundo as disposições que então foram dadas por Sisto IV, Nosso Predecessor. Desejamos, pois, favorecer esta louvável e piedosa devoção, a festa e o culto a ela prestado e que permaneceu inalterado na Igreja Romana desde a instituição da mesma; e, consoante o exemplo dos Romanos Pontífices Nossos Predecessores, defender este devoto modo de venerar e honrar a beatíssima Virgem preservada do pecado original por virtude da graça proveniente do Espírito Santo. Além disto, é Nossa viva preocupação conservar no rebanho de Cristo a unidade do espírito no vínculo da paz, suprimindo as ofensas e as contendas, e removendo os escândalos. Por isto, acolhendo as instâncias e as súplicas a Nós apresentadas pelos preditos bispos, pelos Cabidos das suas igrejas, e pelo rei Filipe e pelos seus reinos, renovamos as Constituições e os Decretos emanados dos Romanos Pontífices Nossos Predecessores, e especialmente de Sisto IV, Paulo V e Gregório XV, em defesa da sentença que sustenta que a alma da bem-aventurada Virgem Maria, na sua criação e infusão no corpo, teve o dom da graça do Espírito Santo e foi preservada do pecado original; e em favor da festa e do culto da Conceição da mesma Virgem Mãe de Deus, entendidos segundo a piedosa sentença supra exposta; e ordenamos que tais Constituições e Decretos sejam plenamente observados sob pena de incorrer nas censuras e nas outras sanções previstas pelas próprias Constituições.
"Outrossim decretamos que todos aqueles que continuarem a interpretar as Constituições e os Decretos supralembrados de modo a tornar vão o favor atribuído pelas Constituições e pelos Decretos àquela sentença, à festa e ao culto; todos aqueles que com discussões se manifestarem contra esta sentença, esta festa e este culto, ou que, de qualquer modo — direta ou indiretamente, — ou sob qualquer pretexto — de lhe examinar a definibilidade, de interpretar a Sagrada Escritura ou os santos Padres, ou de comentar os Doutores, — por escrito ou de viva voz, ousarem falar, pregar, tratar, discutir, precisando, afirmando, aduzindo argumentos — deixados depois insolvidos, — ou por qualquer outro modo inimaginável, além de incorrerem nas penas e censuras contidas nas Constituições de Sisto IV — às quais queremos que estejam sujeitos e às quais, de fato, com esta Constituição os sujeitamos, — são por Nós privados da faculdade de pregar, de dar lições públicas, de ensinar, e de interpretar; são privados da voz ativa e passiva em toda espécie de eleições; incorrem "ipso facto", sem necessidade de qualquer declaração, na pena da incapacidade perpétua para pregar, para dar lições públicas, para ensinar e para interpretar. De tais penas não poderão ser absolvidos ou dispensados senão por Nós ou pelos Sumos Pontífices Nossos Sucessores. Além de a estas penas, sujeitamo-los — e pela presente Constituição declaramo-los sujeitos — a todas as outras penas que puderem ser infligidas ao Nosso arbítrio ou ao dos Sumos Pontífices Nossos Sucessores; confirmando, a respeito, as já lembradas Constituições de Paulo V e Gregório XV.
"Por último, proibimos, e decretamos sujeitos às penas e às censuras contidas no Índice dos Livros proibidos, e ordenamos sejam, "ipso facto" e sem necessidade de qualquer declaração, considerados proibidos, os livros, as prédicas, os tratados, as investigações, publicados ou ainda por publicar, depois do lembrado Decreto de Paulo V, nos quais a supradita sentença, a festa e o culto sejam postos em dúvida ou, de qualquer modo, contrariados".

Consenso de Doutos, de Bispos e de Famílias Religiosas

17. Por outra parte, todos sabem com quanto zelo a doutrina da Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus foi transmitida, sustentada e defendida pelas mais ilustres Famílias religiosas, pelas mais célebres Academias teológicas, e pelos Doutores mais profundos na ciência das coisas divinas. Igualmente, todos conhecem o quanto os bispos têm sido solícitos em sustentar abertamente, mesmo nas assembléias eclesiásticas, que a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, em previsão dos méritos do Redentor Cristo Jesus, nunca este sujeita ao pecado original, e, por isto, foi remida de maneira mais sublime.

O Concílio de Trento em harmonia com a Tradição

18. A tudo isto se junta o fato, da maior importância e autoridade, de, quando o mesmo Concílio de Trento promulgou o decreto dogmático sobre o pecado original, e, consoante os testemunhos da Sagrada Escritura, dos santos Padres e dos concílios mais autorizados, estatuiu e definiu que todos os homens nascem infectados pelo pecado original, haver todavia solenemente declarado não ser sua intenção abranger em dito Decreto, e na extensão de uma definição tão geral, a bem-aventurada e Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus. De fato, com tal declaração os Padres tridentinos assaz claramente fizeram compreender, por essas circunstâncias, que a beatíssima Virgem Maria foi isenta da culpa original; e com isso demonstraram abertamente que nem das divinas Escrituras, nem da autoridade dos Padres, se pode deduzir qualquer argumento que de qualquer modo esteja em contradição com esta prerrogativa da Virgem.

19. E, na verdade, ilustres e venerandos monumentos da antiga Igreja oriental e ocidental aí estão para atestar que esta doutrina da Imaculada Conceição da beatíssima Virgem, cada vez mais esplendidamente explicada, esclarecida e confirmada pelo autorizadíssimo sentimento, pelo magistério, pelo zelo, pela ciência e pela sabedoria no seio de todas as nações do mundo católico, sempre existiu no seio da mesma Igreja, como recebida por tradição, e revestida do caráter de doutrina revelada.

20. De feito, a Igreja de Cristo, guardiã e vindicadora das doutrinas a ela confiadas, jamais as alterou, nem com acréscimos nem com diminuições; mas trata com todas as deferências e com toda a sabedoria aquelas que a antiguidade delineou e os Padres semearam; e procura limiar e afinar aquelas antigas doutrinas da divina revelação, de modo que recebam clareza, luz e precisão. Assim, enquanto conservam a sua plenitude, a sua integridade e o seu caráter, elas se desenvolvem somente segundo a sua própria natureza, ou seja, no mesmo pensamento, no mesmo sentido.

Pensamento dos Padres e dos Escritores Eclesiásticos

21. Ora, os Padres e os escritores eclesiásticos, instruídos pelos divinos ensinamentos, nos livros que escreveram para explicar a Escritura, para defender os dogmas e para instruir os fiéis, tiveram sobretudo a peito pregar e exaltar, em múltipla e maravilhosa porfia, a suma santidade, a dignidade e a imunidade da Virgem, de toda mancha de pecado, e a sua plena vitória sobre o crudelíssimo inimigo do gênero humano.

O Proto-Evangelho

22. Por tal motivo, ao explicar as palavras com que, desde as origens do mundo, Deus anunciou os remédios preparados pela sua misericórdia para a regeneração dos homens, confundiu a audácia da serpente enganadora e reergueu admiravelmente as esperanças do gênero humano, dizendo: "Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela", eles ensinaram que, com esta divina profecia, foi clara e abertamente indicado o misericordiosíssimo Redentor do gênero humano, isto é, o Filho Unigênito de Deus, Jesus Cristo; foi designada sua beatíssima Mãe, a Virgem Maria; e, ao mesmo tempo, foi nitidamente expressa a inimizade de um e de outra contra o demônio.

23. Em conseqüência disto, assim como Cristo, Mediador entre Deus e os homens, assumindo a natureza humana destruiu o decreto de
condenação que havia contra nós, cravando-o triunfalmente na Cruz, assim também a Santíssima Virgem, unida com Ele por um liame estreitíssimo e indissolvível, foi, conjuntamente com Ele e por meio d’Ele, a eterna inimiga da venenosa serpente, e esmagou-lhe a cabeça com seu pé virginal.

Figuras bíblicas de Nossa Senhora

24. Deste nobre e singular triunfo da Virgem, da sua excelentíssima inocência, pureza e santidade, da sua imunidade do pecado original, e da inefável abundância e grandeza de todas as suas graças, virtudes e privilégios, viram os mesmos Padres uma figura na arca de Noé, que, construída por ordem de Deus, ficou completamente salva e incólume do naufrágio comum; na escada que Jacó viu, da terra, chegar até ao céu: escada por cujos degraus os Anjos subiam e desciam, e em cujo topo estava o próprio Senhor; na sarça que, embora vista por Moisés arder no lugar santo, por todos os lados, em chamas crepitantes, contudo não se consumia nem sofria dano algum, mas continuava a ser bem verde e florida; naquela torre inexpugnável, posta defronte do inimigo, da qual pendem mil escudos e toda a armadura dos fortes; naquele jardim fechado, que não devia ser violado ou danificado por nenhuma fraude ou por nenhuma insídia; naquela resplandecente cidade de Deus, que tem os seus fundamentos sobre as montanhas santas; naquele augusto templo de Deus que, refulgente dos divinos esplendores, está cheio da glória do Senhor; e, enfim, em todas aquelas outras inúmeras figuras em que os Padres divisaram (e lhe transmitiram o ensinamento) o claro prenúncio da excelsa dignidade da Mãe de Deus, da sua ilibada inocência e da sua santidade, nunca sujeita a qualquer mancha.

Expressões dos Profetas

25. Os mesmos Padres, para descreverem esse maravilhoso complexo de dons divinos e a inocência original da Virgem, Mãe de Jesus, recorreram também aos escritos dos Profetas, e celebraram a mesma augusta Virgem como uma pomba pura; como uma Jerusalém santa; como o trono excelso de Deus; como arca santificada; como a casa que a eterna sabedoria para si mesma edificou; e como aquela Rainha que, cumulada de delícias e apoiada ao seu Dileto, saiu da boca do Altíssimo absolutamente perfeita, bela, caríssima a Deus, e jamais poluída por mancha de culpa.

A "Ave-Maria" e o "Magnificat"

26. Depois, quando os mesmos Padres e os escritores eclesiásticos consideravam que, ao dar à beatíssima Virgem o anúncio da
altíssima dignidade de Mãe de Deus, por ordem do próprio Deus, o Anjo Gabriel lhe chamara cheia de graça, ensinaram que com esta singular e solene saudação, até então nunca ouvida, se demonstrava que a Mãe de Deus era a sede de todas as graças de Deus, era exornada de todos os carismas do Espírito Divino; antes, era um tesouro quase infinito e um abismo inexaurível dos mesmos carismas; de modo que, ela não somente nunca esteve sujeita à maldição, mas foi também, juntamente com seu Filho, participante de perpétua benção: digna de, por Isabel movida pelo Espírito de Deus, ser dita: "Bendita és entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre".

27. Destas interpretações se infere, clara e concorde, a opinião dos Padres. A gloriosíssima Virgem, pela qual "grandes coisas fez Aquele que é poderoso", resplendeu de tal abundância de dons celestes, de tal plenitude de graça e de tal inocência, que se tornou como que por milagre de Deus por excelência, ante a culminância de todos os seus milagres, e digna Mãe de Deus; de modo que, colocada, tanto quanto é possível a uma criatura, como a mais próxima de Deus, ela se tornou superior a todos os louvores dos homens e dos Anjos.

Paralelo com Eva

28. Por conseqüência, para demonstrar a inocência e a justiça original da Mãe de Deus, eles não somente a compararam muitíssimas vezes a Eva ainda virgem, ainda inocente, ainda incorrupta e ainda não enganada pelas mortais insídias da serpente mentirosa, como também a antepuseram a ela com uma maravilhosa variedade de palavras e de expressões. De fato, Eva escutou infelizmente a serpente, e decaiu da inocência original, e tornou-se escrava da serpente; ao contrário, a beatíssima Virgem aumentou continuamente o dom tido na sua origem, e, bem longe de prestar ouvido à serpente, com o divino auxílio quebrou-lhe completamente a violência e o poder.

Expressões de louvor

29. Por isto eles nunca cessaram de aplicar à Mãe de Deus os nomes mais belos: de lírio entre os espinhos; de terra absolutamente
intacta, virginal, ilibada, imaculada, sempre abençoada e livre de todo contágio do pecado, da qual foi formado o novo Adão; de jardim ordenadíssimo, esplêndido, ameníssimo, de inocência e de imortalidade, delicioso, plantado por Deus mesmo e defendido de todas as insídias da serpente venenosa; de lenho imarcescível, que o verme do pecado jamais corroeu; de fonte sempre límpida e assinalada pelo poder do Espírito Santo; de templo diviníssimo; de escrínio da imortalidade, de só e única filha, não da morte, mas da vida; de rebento não de ira, mas de graça, o qual, embora despontasse de uma raiz corrompida e infecta, por uma divina e providencial exceção à lei geral foi sempre verdejante e florescente. Mas, como se todos estes modos de dizer, ainda que esplendidíssimos, não bastassem, eles além disso afirmaram, com expressões bem claras e precisas, que, quando se trata de pecados, a Virgem Maria nem sequer deve ser nomeada; porque a ela foi dada uma graça superior à que se concede aos outros, a fim de que vencesse totalmente toda espécie de pecado. Asseveraram também que a gloriosíssima Virgem foi a reparadora de seus progenitores; a vivificadora dos pósteros; aquela que o Altíssimo, desde todos os séculos, escolhera e preparara para si; que foi por Deus prenunciada, quando Ele disse à serpente: "Porei inimizades entre ti e a mulher"; que sem dúvida esmagou a cabeça da venenosa da mesma serpente. Por isto eles afirmaram que a mesma beatíssima Virgem foi, por graça, imune de toda a mancha de pecado e livre de todo contágio de corpo, de alma e de intelecto; que, tendo estado unida e junta com Deus por uma eterna aliança, ela nunca esteve nas trevas, mas sim numa luz perene; e, portanto, plenamente digna de vir a ser habitação de Cristo, não pelas disposições do seu corpo, mas pela graça original.

Imaculada

30. A estas, depois, eles juntaram outras nobilíssimas expressões. Falando da Conceição da Virgem, atestaram que a natureza cedeu ante a graça: parou trêmula, e não ousou avança. A Virgem Mãe de Deus não devia ser concebida por Ana antes que a graça afirmasse o seu poder: porquanto devia ser concebida aquela primogênita da qual seria depois concebido o primogênito de toda criatura. Professaram que a carne da Virgem, se bem derivada de Adão, não lhe contraiu as manchas; que, por isto, a beatíssima Virgem foi aquele tabernáculo construído por Deus, formado pelo Espírito Santo, e verdadeiramente de púrpura, o qual aquele novo Beseleel teceu de ouro e com variedade de bordados; que ela foi de fato e justamente celebrada, por ser a obra-prima de Deus, por haver escapado aos dardos inflamados do maligno, e porque, bela por natureza, e absolutamente imune de toda mácula, na sua Conceição Imaculada ela apareceu no mundo como uma aurora de perfeito esplendor. Com efeito, não era conveniente que aquele vaso de eleição fosse ofuscado pelo defeito que ofusca os outros, porque ele foi diferentíssimo dos outros, e, se com eles teve de comum a natureza, não teve de comum a culpa; antes, convinha que o Unigênito, assim como teve nos céus um Pai exaltado pelos Serafins como três vezes santo, assim também tivesse na terra uma Mãe à qual nunca faltasse o esplendor da santidade.

31. E esta doutrina estava tão arraigada na mente e alma dos antigos, que, falando da Mãe de Deus, eles costumavam usar termos
verdadeiramente extraordinários e singulares. Chamavam-lhe freqüentissimamente: Imaculada, em tudo e por tudo Imaculada; inocente, antes espelho de inocência; ilibada, e ilibada em todos os sentidos; santa e longíssima de toda mancha de pecado; toda pura e toda intacta, antes o exemplar da pureza e da inocência; mais bela do que a beleza, mais graciosa do que a graça, mais santa do que a santidade; a única santa, a puríssima de alma e de corpo, que ultrapassou toda integridade e toda virgindade; a única que se tornou sede de todas as graças do Espírito Santo; tão alta que, inferior só a Deus, foi superior a todos; por natureza, mais bela, mais graciosa e mais santa que os próprios Querubins e Serafins e do que todas as falanges dos Anjos; superior a todos os louvores do céu e da terra. E ninguém ignora que esta linguagem foi como que espontaneamente introduzida também nas páginas da santa Liturgia e dos ofícios eclesiásticos, nos quais volta muitíssimas vezes com tom quase dominante. Nessas páginas, de feito, a Mãe de Deus é invocada e exaltada como única pomba de incorruptível beleza, e como a rosa sempre fresca. É invocada e louvada como puríssima, sempre imaculada e sempre bem-aventurada; antes, como a própria inocência que nunca foi lesada, e como a segunda Eva, que deu à luz o Emanuel.

Consenso unânime e Petições para a Definição do Dogma

32. Nada de admirar, pois, se os Pastores da Igreja e o povo fiel sempre se comprazeram em professar com tanta piedade, devoção e amor a doutrina da Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus, que, a juízo dos Padres, está contida na Sagrada Escritura, foi transmitida por tantos dos seus importantíssimos testemunhos, é expressa e celebrada por tantos ilustres monumentos da veneranda antiguidade, e é proposta e confirmada pelo mais alto e mais autorizado magistério da Igreja. Nada de admirar, pois, se Pastores e fiéis sempre demonstraram nada terem de mais doce e de mais caro do que honrarem, venerarem, invocarem e exaltarem por toda parte com fervorosíssimo afeto a Virgem Mãe de Deus, concebida sem o pecado original.

33. Por isto, desde os tempos mais antigos, bispos, eclesiásticos, Ordens regulares, e mesmo imperadores e reis apresentaram vivas
instâncias a esta Sé Apostólica a fim de que fosse definida como dogma de fé católica a Imaculada Conceição da Santíssima Mãe de Deus. Pedidos que foram reiterados mesmo nos nossos tempos e apresentados especialmente ao Nosso Predecessor, de feliz memória, Gregório XVI, e a Nós mesmo, pelos bispos, pelo clero secular, por Famílias religiosas, como também por soberanos e por povos fiéis.

34. Portanto Nós, bem conhecendo e atentamente considerando todas estas coisas com singular alegria do Nosso coração, logo que, por imperscrutável disposição da Divina Providencia, fomos elevados a esta sublime Cátedra de Pedro, e, embora imerecedor, tomamos em mão o governo de toda a Igreja, certamente nada tivemos mais a peito — dada a terníssima veneração, piedade e afeto que desde os primeiros anos nutrimos para com a Santíssima Virgem Maria Mãe de Deus — do que levar a cumprimento tudo aquilo que ainda podia estar nos votos da Igreja, para que fosse aumentada a honra da beatíssima Virgem e resplendessem de nova luz as suas prerrogativas.

Trabalho de preparação

35. Mas, querendo proceder com toda prudência, constituímos uma Comissão especial de Veneráveis Irmãos Nossos, Cardeais da santa Igreja Romana, ilustres por piedade, por ponderação de juízo e por ciência das coisas divinas, e escolhemos entre o clero secular e o regular homens particularmente versados nas disciplinas teológicas, com o encargo de examinarem com a maior diligência tudo o que diz respeito à Imaculada Conceição da Virgem, e nos darem depois o seu parecer.

36. E, conquanto as instâncias a Nós dirigidas a fim de implorar a definição da Imaculada Conceição já nos houvessem demonstrado bastante qual fosse o pensamento de muitíssimos bispos, todavia, a 2 de fevereiro de 1849, enviamos, de Gaeta, uma Encíclica a todos os Veneráveis Irmãos bispos do mundo católico, a fim de que, depois de orarem a Deus, nos fizessem saber, mesmo por escrito, qual era a piedade e devoção dos seus fiéis para com a Imaculada Conceição da Mãe de Deus; o que era que pensavam, especialmente eles — os bispos — da definição em projeto; e, por último, que desejos tinham a exprimir, para que o Nosso supremo juízo pudesse ser manifestado com a maior solenidade possível.

37. E, na verdade, foi bastante grande a consolação que experimentamos, quando nos chegaram as respostas dos mesmos Veneráveis Irmãos. De fato, com cartas das quais transparece um incrível, um jubiloso entusiasmo, eles não somente nos confirmaram novamente a sua opinião e devoção pessoal e a do seu clero e dos seus fiéis, mas também, com voto que se pode dizer unânime, pediram-nos que, com o Nosso supremo juízo e autoridade, definamos a Imaculada Conceição da mesma Virgem.

38. E menor não foi a Nossa alegria quando os Nossos Veneráveis Irmãos Cardeais da santa Igreja Romana, membros da mencionada
Comissão, e os preditos teólogos consultores, por Nós escolhidos, após diligente exame da questão também nos pediram, com igual solicitude e fervor, a definição da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

39. Depois de tudo isto, seguindo os claros exemplos dos Nossos Predecessores, e desejando proceder segundo as normas tradicionais, convocamos e levamos a efeito um Consistório, no qual dirigimos uma alocução aos Nossos Veneráveis Irmãos Cardeais da Santa Igreja Romana, e com suma consolação da Nossa alma os ouvimos rogar-nos quiséssemos pronunciar a definição dogmática da Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus.

40. Destarte, firmemente nos persuadimos, no Senhor, ser chegado o tempo oportuno para definir a Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus, a qual a Sagrada Escritura, a veneranda tradição, o constante sentimento da Igreja, o singular consenso dos bispos católicos e dos fiéis, e os atos memoráveis e as constituições dos Nossos Predecessores, admiravelmente ilustram e explicam. Portanto, após havermos diligentissimamente considerado todas as coisas e termos elevado assíduas e fervorosas preces a Deus, julgamos não haver tardar mais a sancionar e definir com o Nosso supremo juízo a Imaculada Conceição da mesma Virgem, e assim satisfazer os piedosíssimos desejos do mundo católico e a Nossa devoção para com a mesma S.S. Virgem, e ao mesmo tempo honrar sempre mais nela seu Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo; pois todos estão convencidos de que toda a honra e glória que se rende à Mãe recai sobre seu Filho.

A Definição do Dogma

41. Por isto, depois de na humildade e no jejum, dirigirmos sem interrupção as Nossas preces particulares, e as públicas da Igreja, a Deus Pai, por meio de seu Filho, a fim de que se dignasse de dirigir e sustentar a Nossa mente com a virtude do Espírito Santo; depois de implorarmos com gemidos o Espírito consolador; por sua inspiração, em honra da santa e indivisível Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos:
Doctrinam, quæ tenet, beatissimam Virginem Mariam in primo instanti suæ conceptionis fuisse singulari omnipotentis Dei gratia et privilegio, intuitu meritorum Christi Jesu Salvatoris humani generis, ab omni originalis culpæ labe præservatam immunem, esse a Deo revelatam atque idcirco ab omnibus fidelibus firmiter constanterque credendam.
A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.

42. Portanto, se alguém (que Deus não permita!) deliberadamente entende de pensar diversamente de quanto por Nós foi definido, conheça e saiba que está condenado pelo seu próprio juízo, que naufragou na fé, que se separou da unidade da Igreja, e que, além disso, incorreu por si, "ipso facto", nas penas estabelecidas pelas leis contra aquele que ousa manifestar oralmente ou por escrito, ou de qualquer outro modo externo, os erros que pensa no seu coração.

Sentimentos de esperança e exortação final

43. A nossa boca está cheia de alegria e os Nossos lábios de exultação, e damos e daremos sempre as mais humildes e as mais vivas ações de graças a Nosso Senhor Jesus Cristo, por nos haver concedido a graça singular de podermos, embora imerecedor, oferecer e decretar esta honra, esta glória e este louvor à sua Santíssima Mãe. E depois reafirmamos a Nossa mais confiante esperança na beatíssima Virgem, que, toda bela e imaculada, esmagou a cabeça venenosa da crudelíssima serpente, e trouxe a salvação ao mundo; naquela que é glória dos Profetas e dos Apóstolos, honra dos Mártires, alegria e coroa de todos os Santos; seguríssimo refúgio e fidelíssimo auxilio de todos os que estão em perigo; poderosíssima mediadora e reconciliadora de todo o mundo junto a seu Filho Unigênito; fulgidíssima beleza e ornamento da Igreja, e sua solidíssima defesa. Reafirmamos a Nossa esperança naquela que sempre destruiu todas as heresias, salvou os povos fiéis de gravíssimos males de todo gênero, e a Nós mesmos tem livrado de tantos perigos que nos ameaçam. Confiamos que ela queira, com a sua eficacíssima proteção, fazer com que a nossa Santa Madre Igreja Católica, superando todas as dificuldades e desbaratando todos os erros, prospere e floresça cada dia mais no meio de todos os povos e em todos os lugares, "do mar ao mar, e do rio até aos confins da terra", e tenha paz, tranqüilidade e liberdade completa; que os culpados alcancem o perdão, os doentes a saúde, os tímidos a força, os aflitos a consolação, os periclitantes o auxílio; que todos os errantes, dissipada a névoa da sua mente, voltem ao caminho da verdade e da justiça, e haja um só aprisco sob um só Pastor.

44. Escutem as Nossas palavras todos os caríssimos filhos Nossos e da Igreja Católica, e com sempre mais ardente fervor de devoção, de piedade e de amor continuem a venerar, a invocar, a suplicar a beatíssima Virgem Maria Mãe de Deus, concebida sem o pecado original, e com toda confiança recorram a esta dulcíssima Mãe de misericórdia e de graça, em todos os perigos, em todas as angústias, em todas as necessidades, em todas as dúvidas e em todas as apreensões. De feito, não pode haver lugar para temor ou para desespero quando ela é a nossa condutora e a nossa protetora, quando ela nos é propícia e nos protege; pois que ela tem para conosco um coração materno, e, enquanto trata os negócios que dizem respeito à salvação de cada um de nós, é solícita de todo o gênero humano. Constituída por Deus Rainha do céu e da terra, e exaltada acima de todos os coros dos Anjos e de todas as ordens dos Santos, ela estáà direita de seu Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo, e com as suas poderosíssimas preces de Mãe suplica; acha o que procura, e não pode ficar frustrada.

45. Enfim, para que esta Nossa definição da Imaculada Conceição da beatíssima Virgem Maria possa ser levada ao conhecimento da Igreja universal, estabelecemos que, como perpétua lembrança dessa definição, fique esta Nossa Carta Apostólica, e ordenamos que às suas transcrições ou cópias, mesmo impressas, contanto que subscritas por mão de algum tabelião público e munidas do selo de algum dignitário eclesiástico, se preste absolutamente a mesma fé que prestaria à presente, se fosse exibida ou mostrada.
Ninguém, portanto, se permita infringir este texto da Nossa declaração, proclamação e definição, nem contrariá-lo e contravir-lhe. E, se alguém tivesse a ousadia de tenta-lo, saiba que incorre na indignação de Deus onipotente e dos bem-aventurados Pedro e Paulo, seus apóstolos.

Dado em Roma, junto a S. Pedro, no ano mil e oitocentos e cinqüenta e quatro da Encarnação do Senhor, a 8 de dezembro de 1854, nono ano do Nosso Pontificado.