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21 de jan. de 2012

E beijo de língua? Tá tudo bem? Todo mundo me diz uma coisa diferente...

(Imagino que algumas de vocês venham a ficar chocadas com o que vão ler aqui. Eu também fiquei, da primeira vez que li algo sobre isso. Por favor, saia da defensiva e leia com atenção).

Retirado do blog Vida e Castidade
E beijo de língua? Tá tudo bem? Todo mundo me diz uma coisa diferente...

Por Jason Evert (www.castidade.com)


Quando se fala de pecados de impureza, muitas pessoas pensam: “Se é um pecado mortal, então eu não quero. Mas se for só pecado venial, então não quero perder!”. Precisamos deixar de lado essa idéia minimalista que se foca em “até onde podemos ir sem ofender a Deus”. Mesmo o menor pecado divide, enquanto a pureza faz nascer o verdadeiro amor. Elizabeth Elliot escreveu em seu livroPassion and Purity: “Como posso falar de alguns beijos imprudentes para uma geração que cresceu sendo ensinada que quase todo mundo vai pra cama com todo mundo? Daqueles que vagueiam no mar da permissividade e dos excessos, será que existe alguém que ainda olhe para o céu em busca do farol da pureza? Se eu não acreditasse que existe alguém assim, sequer me importaria em escrever.” [1]

Eu costumava ter como certo que todo mundo sabia que beijo de língua é sexualmente excitante, especialmente para um rapaz. Mas eu tenho encontrado mulheres que se mostram surpresas quando descobrem que um homem fica sexualmente excitado por um beijo ardente (ou antes dele). O beijo de língua é profundamente unitivo, já que a penetração de uma pessoa dentro de outra é parte daquele “tornar-se um” com ele ou ela fisicamente. Esse beijar ardente e sensual diz para o corpo de um homem que este deve se preparar para o ato sexual, e quando um homem fica excitado, geralmente ele não fica satisfeito enquanto não atinge o ápice.

Portanto, o beijo de língua provoca o corpo com desejos que não podem ser moralmente satisfeitos fora do casamento. Para o casal que está guardando o sexo para o casamento, o beijo de língua é como um garoto de quinze anos sentado no carro, na saída da garagem, só acelerando o carro estacionado, porque sabe que não tem carteira de motorista.

Eu acredito que o problema moral com beijo de língua é mais difícil de ser entendido pelas garotas, porque elas tendem a se excitar sexualmente de uma maneira mais gradual do que os rapazes. Se a excitação de uma mulher pode ser comparada com um ferro de passar esquentando pouco a pouco, a de um rapaz poderia ser comparada com o acender quase instantâneo de uma lâmpada elétrica. As reações sensuais em um rapaz tendem a ser mais imediatas, e quando a chama da excitação sexual se acende, um homem geralmente quer ir além.

Ele pode até se contentar por uns tempos somente com os beijos. Mas quando um casal tem episódios recorrentes de “amassos” ardentes, e tentam estabelecer os limites nesse ponto, uma das duas coisas vai acontecer: ou os limites originais vão desaparecer, ou então a frustração vai tomar conta de tudo. No primeiro caso, a excitação sexual vai se tornar rotina, e o casal vai começar a justificar novas formas de intimidade física. Talvez eles consigam parar na primeira, na segunda ou na terceira vez, mas gradualmente os antigos limites vão cedendo, porque eles começam a experimentar esse poder intoxicante de ligação que Deus reservou para os cônjuges no casamento.

No segundo caso, um dos dois poderá acabar ouvindo a mesma coisa que essa garota ouviu: “Meu namorado e eu não passávamos de uns 'amassos', mas recentemente ele me perguntou depois que nos beijamos: ‘Você nunca se sente... entediada? Nunca enjoa disso?’”

Frequentemente eu recebo e-mails de casais abstinentes que dizem que realmente se amam e querem permanecer na pureza, mas continuam sempre caindo de novo e de novo nos mesmos pecados sexuais. Eles estimularam esses desejos, e descobriram que eles não são facilmente controlados, uma vez despertos. Esses casais querem ficar em cima do muro, e manter alguma intimidade sexual ao mesmo tempo em que evitam ir “muito longe”. Mas eles estão descobrindo que homem e mulher não foram feitos para funcionar desse modo. A pureza angelical é mais fácil de se viver do que apenas 50% de pureza, porque você não está constantemente provocando a si mesmo.


Entretanto, algumas pessoas dizem que beijo de língua não é lá esse problema todo, e que não tem muita importância. Mas será que não existe algo em você que gostaria que esses beijos significassem algo? Quanto mais damos de nós mesmos, tanto menos valorizamos o dom do nosso corpo e de todo o nosso ser (e as pessoas respondem nos tratando com menos respeito também).

Pergunte a si mesmo o que valem seus beijos. Será que eles são uma maneira de retribuir a um rapaz por uma noite bacana? Será que eles são uma solução para o tédio em um namoro? Será que eles são um modo de encobrir as dores ou a solidão? E pior, será que eles são apenas por pura “diversão”? Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas for um sim, então já esquecemos o propósito de um beijo, e o significado da intimidade. Portanto, não trate partes de sua sexualidade como “sem importância”. Todo seu corpo é de uma importância infinita, e isso inclui seus beijos. Quando percebemos isso, o mais simples dos beijos passa a ter um valor inestimável, “não tem preço”, e traz mais proximidade e alegria do que 100 “ficas” ou encontros sexuais casuais.

O que acontece com o jovem bem intencionado é que a intimidade inicial e a excitação de um beijo se enfraquece quando ele ou ela começa a dar esses beijos indiscriminadamente, como quem aperta uma mão. O significado profundo dos simples atos de afeição lentamente se perde. O mundo gosta de nos dizer que estamos ficando mais “habilidosos” no namoro, mas na verdade estamos apenas nos tornando insensíveis.

Então, antes de fazer tudo de novo, pense em guardar a paixão ardente para seu esposo ou esposa. Não apenas sua pureza será um dom e presente para seu cônjuge, ela vai fazer a afeição dele ou dela mais única para você também. No longo prazo isso vai unir os dois muito mais do que todas as “experiências” que o mundo recomenda que você tenha antes de se casar.

No colégio, eu não pensava duas vezes antes de dar esse tipo de beijo. Meu pensamento era que outras pessoas estavam fazendo coisas piores, então não tinha muito problema o que eu fazia. Agora eu desejaria ter guardado esses beijos para minha esposa, ao invés de distribuí-los por aí com garotas que nunca mais vi de novo depois que terminou o tempo de colégio. Mas na época eu não pensava no futuro. Eu apenas via meus colegas de sala e achava que esse era o modo como as coisas eram. Quando meus relacionamentos amadureceram e se aprofundaram, e eu comecei a rezar por eles, eu deixei esse tipo de beijo de lado, porque ele sempre acendia o desejo de ir além. Ele também estava levando os outros aspectos do relacionamento a um segundo plano. Eu sabia no meu coração que não poderia dizer com segurança que esse tipo de intimidade estava agradando a Deus.

Então eu tive uma conversa com uma namorada no começo de um relacionamento, e nós concordamos em fazer esse sacrifício. Isso foi uma grande bênção, e eu imediatamente pude ver como o relacionamento era mais santo e cheio de alegria. Nós nunca éramos perfeitos, mas pela primeira vez eu vi que, quanto mais beijos ardentes havia no relacionamento, menos havia de qualquer outra coisa. Isso foi uma coisa que não pude entender enquanto não experimentei.

Eu encorajo você a dar uma chance, tentar. Deixe de lado os beijos de língua nos namoros, e guarde-os para o casamento. Mantenha a afeição simples. Se é muito difícil para você aceitar isso, então tenha a honestidade de se perguntar porque. Se você não pudesse dar um beijo de língua no seu namorado, isso iria impedir sua capacidade de amá-lo? Será que, deixando de dar um beijo de língua em sua namorada, isso vai impedir sua capacidade de glorificar a Deus ou de levá-la para o céu? O quanto nossas intenções estão direcionadas para nossa gratificação pessoal, e o quanto estão direcionadas para a glorificação de Deus?

Falando em termos simples, a moralidade sexual diz respeito a glorificar Deus com nosso corpo. O modo com que você usa sua sexualidade deve refletir seu amor por Deus e deve expressar o amor de Deus para os outros. Se uma área parece cinzenta, então não entre nela. Faça apenas as coisas que você seguramente sabe que glorificam a Deus.

Se você tem dificuldades nesse assunto, leve isso para a oração. Se você deseja verdadeiramente conhecer a vontade de Deus com relação à pureza, eu sei que Ele vai lhe mostrar. Você tem só que ficar com Ele o tempo suficiente para ouvi-lo. Com certeza, isso é difícil, mas o amor está pronto a sacrificar grandes coisas, bem como as pequenas, pelo bem da pessoa amada.

É cada vez mais comum eu ouvir casais que guardam seu primeiro beijo para o dia do casamento. À primeira vista isso pareceu loucura para mim, mas então eu percebi que eles não estavam evitando os beijos porque achavam que era pecado ou porque não conseguiam se controlar, mas sim porque eles estimavam tanto, viam tanto valor em um simples beijo, que eles desejavam que Deus e o mundo testemunhassem o seu primeiro. Seu primeiro beijo poderia ser oferecido como uma oração.

Com tudo isso que foi dito, não devemos ficar presos em saber o quão próximos podemos chegar do pecado. Quando nossos corações estão bem com Deus, estamos preocupados com o que é verdadeiramente puro, e em como podemos glorificar a Deus com nossos corpos. Queremos que cada um de nossos atos de afeição seja um reflexo do fato de que Deus vem em primeiro lugar em nossas vidas. Enquanto não chegarmos a esse ponto, teremos dias muito difíceis tentando discernir entre o que é amor e o que é luxúria.

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[1]. Elisabeth Elliot, Passion and Purity (Grand Rapids, Mich.: Revell, 1984), 131.


Traduzido de: http://www.chastity.com/chastity-qa/how-far-too-far/kissing/french-kissing-bad-every
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Nota: O texto acima, retirado do blog Vida e castidade, é muito bom para refletirmos sobre este tema que parece tão bobo, numa sociedade como a nossa onde a permissividade reina e a vulgaridade e impera.
Entretanto, no início do texto o Jason dá a entender que o beijo de língua seria somente pecado venial, mas há controvérsias.

Vejamos:


602. 2.° Beijos e abraços.
a) Constituem pecado mortal quando se tenta com eles excitar diretamente o deleite venéreo, embora se trate de parentes e familiares (e com maior razão entre estes, pelo aspecto incestuoso desses atos).


b) Podem ser mortais, com muita facilidade, os beijos passionais entre noivos (embora não se tente o prazer desonesto), sobre tudo se forem na boca e se prolongam algum tempo; pois é quase impossível que não representem um perigo próximo e notável de movimentos carnais em si mesmo ou na outra pessoa. Quando menos, constituem uma falta maior de caridade para com a pessoa amada, pelo grande perigo de pecar a que a expõe. É incrível que estas coisas possam fazer-se em nome do amor (!). Até tal ponto os cega a paixão, que não lhes deixa ver que esse ato de paixão sensual, longe de constituir um ato de verdadeiro e autêntico amor—que consiste em desejar ou fazer o bem ao ser amado—, constitui, em realidade, um ato de egoísmo refinadísimo, posto que não vacila em satisfazer a própria sensualidade até a costa de lhe causar um grande dano moral à pessoa amada. Diga-o mesmo dos toques, olhares, etc., entre esta classe de pessoas.


c) Um beijo rápido, suave e carinhoso dado a outra pessoa em testemunho de afeto, com boa intenção, sem escândalo para ninguém, sem perigo (ou muito remoto) de excitar a própria ou alheia sensualidade, não pode proibir-se em nome da moral cristã, sobre tudo se houver alguma causa razoável para isso; v.gr., entre prometidos formais, parentes, compatriotas (onde haja costume disso), etc.

Do livro "Teología Moral para seglares" do renomado teólogo dominicano Pe. Antonio Royo Marín, O.P.


Antes de jogar tomates em cima de mim, reflita a respeito e ore pedindo ao Espírito Santo o discernimento. Se Deus te chamasse pra a vida religiosa, você abriria mão até mesmo do chamado selinho, certo? Por que, então, há tanto receio em nosso meio de abrir mão do chamado beijo de língua? Como Cristãs, devemos evitar todas as ocasiões de pecado. Colocar-se em ocasião de pecado, já é pecar. Lembremos!


Rogai por nós Santa Mãe de Deus
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!


Toda virtude em sua alma é um ornamento precioso que o torna querido para Deus e para os homens. Mas a santa pureza, a rainha das virtudes, a virtude angélica, é uma jóia tão preciosa, que aqueles que a possuem se tornam como os anjos do Ceú, mesmo que envoltos em carne mortal.
São João Bosco

29 de jul. de 2011

Pudor e modéstia.


Vídeo retirado do site: http://padrepauloricardo.org/


Salve Maria!

27 de jul. de 2011

Reflexão sobre o escândalo envolvendo o Padre Dominique e dona de sex-shop no Mato Grosso.


Nós católicos não temos noção do tamanho de importância que teve o “Ano Sacerdotal” na história da Igreja, hoje não temos a percepção da grandeza deste evento, mas com certeza muitos católicos no futuro vão venerar o Santo Padre Bento XVI por este ato profético.

O “ano sacerdotal” foi com certeza um grande ato profético, Bento XVI mais do que qualquer um no contexto eclesial sabe como o clero precisa de formação e oração. Antes de ser papa ele passou décadas na Congregação para doutrina da fé, contemplou na história a grande fúria de Satanás aos ministros ordenados da Santa Igreja de Deus.

Ao ler o seu ultimo livro de entrevista chamado “luz do Mundo” percebe-se que o Santo Padre em alguns assuntos correlacionados com desmando do clero responde as questões elucidando antes de tudo conceitos ligados com “Mistério da Iniquidade”. Bento XVI sabe que a crise atual é antes de tudo ações demoníacas e por isto ao invés de promover revoluções, ele esta promovendo a reforma pelo poder da oração.

As orações não podem parar, devemos conservar a intercessão pelos sacerdotes perpetuamente, porque os demônios querem a “cabeça” dos filhos prediletos da Santíssima Virgem.

Recentemente repercutiu na mídia brasileira o caso do padre polonês Dominique Czerwinski da cidade de Peixoto de Azevedo. É lógico que as reportagens sobre o caso foram produzidas com teor de generalização para por em cheque a imagem de todos os sacerdotes, isto é lamentável, porém as imagens dos vídeos postados no youtube falam por si mesmo e carecem de uma reflexão católica.

Não queremos dar vereditos de condenação ao Padre Dominique, só Deus e a Hierarquia da Igreja tem poder de julga-lo, inclusive Dom Gentil Delazari afastou o padre de suas funções. Mas podemos fazer uma analise critica do caso para mostrar para os católicos as razões de ser destes episódios que entristecem os nossos corações.

O padre saiu com uma dona de sex-shop, fez vídeos pornográficos com ela e postou na internet. Ao ser indagado sobre os fatos disse:

- Este vídeo na internet é uma propaganda para o padre, eu gostei. Nada mal neste vídeo.

Em outra parte indagado sobre a repercussão negativa, ele diz:

- Isto é problema do povo, para mim e para pessoas que pensam, é normal.

Vejam a reportagem da "Record" se assim desejarem:

Padre Dominique afirmou em tom de ironia que gostou do vídeo e ve o acontecido como algo normal. Percebe-se em suas poucas palavras em primeiro lugar um grande relativismo moral, em segundo plano uma problemática vocacional e por fim uma rebeldia explicita.

Infelizmente o liberalismo desregrado que ganhou grandes proporções no século XVIII e XIX na filosofia ganhou seu espaço também na teologia, teólogos liberais têm construído seus pensamentos acima dos limites do bem e do mal, abrindo assim “brechas” para a imoralidade na vida comportamental. A atitude do Padre Dominique é própria de quem estudou teologia liberal, o ditado diz: “O homem é aquilo que lê”. Triste é saber que ainda hoje os livros destes teólogos não saem das mãos de muitos dos nossos seminaristas.

Outras questões para serem refletidas são : Será que o Padre Dominique tem noção de sua vocação? Sabe da responsabilidade do seu chamado? Oque significa ser padre na mente do Padre Dominique? É difícil imaginar que ele tenha em mente a percepção da natureza do sacerdócio, uma pessoa ciente da sacramentalidade do seu caráter dificilmente colocaria em evidencia para quem quiser algo tão lastimável . O Pe. Dominique provavelmente não tem consciência que em seu caráter há um Sacramento, que ele age "In Persona Christi" e que foi consagrado para ser sacerdote, profeta e rei. Deve ter aprendido de seus formadores que ser Padre consiste em apenas ser um agente pastoral que tem como função principal organizar a comunidade para defender os pobres dos opressores . Que triste!

O sacerdote do episódio apesar de ter tido uma péssima formação e de estar sendo atacado pelos inimigos espirituais não fez nada sem percepção da verdade. Sua experiencia, lucidez e ironia nos mostra que ele sabe muito bem oque a Igreja espera da grandeza do seu sacerdócio. Se não pratica é por pura desobediência. Em cima disto vale a pena escutar de novo as ousadas palavras do Padre Paulo Ricardo a padres e seminaristas neste vídeo:

Oremos sem sessar por todos os padres, principalmente pelo Padre Dominique. E se possível reivindiquemos com caridade e prudência dos nossos bispos bons formadores para o seminário, a qualidade do clero requer qualidade nos seminários.

Bruno Cruz (@bhcvida)


20 de jul. de 2011

O ativismo que distancia de Deus.



Ativismo, correria, compromissos e metas a bater. A vida de quase todos no mundo atual gira em torno desta obcecada aspiração por uma vida melhor, o homem enfrenta toda e qualquer adversidade pelas glorias terrenas.
A busca em si pelas conquistas é plausível, o trabalho é inspiração divina e isto se vê nas cartas paulinas e, sobretudo na tradição beneditina ( Ore et labore) . Porém é preciso muita atenção para que o ativismo não conduza o cristão para o distanciamento de Deus.
Infelizmente muitos irmãos na fé tem se perdido nesta busca pelas glorias humanas. Compromissos com faculdade, trabalho, relacionamento amoroso, família e tantas coisas têm tirado de pessoas antes piedosas a aspiração pelas realidades sagradas.
Da faculdade são levados para boates, do trabalho para os finais de semanas em sítios, do namoro para os cinemas e shoppings e no final das contas oque vemos é uma terrível falta de compromisso com aquilo que antes era inegociável. Um dia foram fervorosos e hoje chegam a passar semanas, meses e até anos sem sequer ouvir a voz da consciência. Já não rezam, não participam da Santa Missa dominical, esqueceram-se da Virgem Maria e chegam a evitar as antigas amizades da Igreja. Isto é lamentável.
Faculdade, trabalho, relacionamento e família são coisas que fazem parte da vida de todos. São bençãos de Deus para nós. Nenhum cristão deve descuidar da vida pessoal, porém de forma alguma a sua agenda pode ser organizada deixando Deus no ultimo plano. É triste ver “fieis” se esquecendo de Deus em uma Igreja que teve Santa Gemma Galgani que perdia a respiração quando era impedida pelo seu diretor espiritual de pensar no seu Mestre.
Estas pessoas facilmente são conduzidas para a perversão moral, não tendo um Deus que lhe basta elas buscam suas realizações nos pecados capitais. A perversão se torna idolatria e consequentemente o terrível vazio existencial toma conta de um coração que era para ser do Deus da alegria.
Muitos escondem atrás da questão da falta de tempo, isto é um equivoco. A realidade eclesial nos mostra que com a virtude da ordem é possível servir a Deus e cuidar das necessidades terrenas. Conheço muitos católicos universitários, trabalhadores e com família para cuidar que conseguem até mesmo assumir cargos de liderança na Igreja. Às vezes o não poder é na verdade um não querer.
Espero em Deus que estes “Filhos Pródigos” voltem para o “Santo Redil”, que consigam com a virtude da ordem conquistar bens terrenos sem deixar de lado Nosso Senhor e sua Santa Igreja.
Meu twitter: @bhc.vida

15 de jul. de 2011

As crianças estão sendo atacadas pela "Ideologia de gênero".Vejam vídeo mostrando reação de uma criança ao encontrar pela primeira vez um casal gay.


Com a repercussão midiática a respeito do “KIT GAY”, muitas famílias brasileiras descobriram a maléfica intenção do governo atual em unidade com os movimentos homossexuais. Eles querem doutrinar as crianças brasileiras na famosa “ideologia de gênero”, o ideal de que o gênero sexual não é algo predeterminado pela identidade biológica, mas sim pelo individuo que embasado no achismo determina sua identidade sexual.

A “ideologia de gênero” é o cumulo da desonestidade cientifica, é triste ver especialistas na área vestindo a camisa desta frente revolucionaria. A Igreja através da congregação para a educação católica publicou um documento sobre educação sexual e este documento diz categoricamente o seguinte:

“A sexualidade caracteriza o homem e a mulher não somente no plano físico, como também no psicológico e espiritual marcando toda a sua expressão. Esta diversidade que tem como fim a complementaridade dos dois sexos, permite responder plenamente ao desígnio de Deus conforme a vocação à qual cada um é chamado.”(5)

Não há o que discutir sobre o assunto, mas é importante o aprofundamento , sendo assim indico este texto do Padre Lodi da Cruz: http://www.providaanapolis.org.br/genero.htm

Infelizmente é grande a confusão que “o ideal de gênero” já esta provocando nas mentes de nossas crianças. Vejam este vídeo e tomem consciência da dramaticidade do assunto:

O STF ao legitimar a união homoafetiva literalmente abriu as portas para que as cenas deste vídeo se repitam em vários lares brasileiros, lembrando que agora os casais gays poderão adotar crianças.

Família católica, o que fazer diante desta crise moral? O caminho é obvio e claro, devemos tomar consciência de nossa vocação que foi sacramentada na celebração matrimonial.

Lembra quando o Padre perguntou: “Estais dispostos a receber amorosamente os filhos como dom de Deus e a educá-los segundo a lei de Cristo e da sua Igreja?” Tenho certeza que respondestes sim. Portanto chegou a hora de não permitir que seus filhos sejam persuadidos por estes movimentos satânicos.

Salve Maria!

Bruno Cruz

21 de jun. de 2011

Os Males da Masturbação


MASTURBAÇÃO

(Ef 5, 3)

“Fornicação e qualquer impureza... nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos”.

O apóstolo não condena somente a fornicação, mas qualquer impureza. Edições Theologica comenta: “Nos nossos dias são muitos os cristãos aos quais toca viver, tal como os da Ásia Menor, no meio de uma sociedade um tanto paganizada, inclinada a certas imoralidades (cfr Rm 1, 24-27). Entre elas não costuma faltar, como então, a fornicação e a impureza em geral (cfr Cl 3,5). Não obstante, a corrupção de costumes, por muito espalhada que esteja no ambiente, deve ser combatida com toda a energia, sobretudo com o exemplo da vida limpa, própria daqueles que aspiram à santidade, por serem templos do Espírito Santo (cfr l Cor 6,19) e membros de Cristo (cfr l Cor 6,15).

Por isso o Apóstolo adverte: ‘A fornicação e toda a impureza ou ambição, nem sejam sequer mencionadas entre vós’. A última parte da frase também se poderia traduzir: ‘nem se diga a respeito de vós’ ou seja, os cristãos hão de viver com tal esmero a castidade e as virtudes com ela relacionadas, que nem sequer devem dar a mais mínima ocasião aos estranhos para os acusar de impuros. Não obstante, a razão última pela qual há de viver a virtude da pureza não é o medo ao que dirão, mas o amor a Deus, que é nosso Pai, e o respeito pelo próprio corpo, que é a morada da Santíssima Trindade”.

O que é a masturbação? Por masturbação se deve entender a excitação voluntária dos órgãos genitais, a fim de conseguir um prazer venéreo.

A Santa Igreja nos orienta: “É finalidade de uma autêntica educação sexual favorecer um progresso contínuo no domínio dos impulsos; para se abrir, no tempo oportuno, a um amor verdadeiro e oblativo. Um problema particularmente complexo e delicado que se pode apresentar, é o da masturbação e das suas repercussões no crescimento integral da pessoa. A masturbação, conforme a doutrina católica constitui, uma grave desordem moral, principalmente porque é uso da faculdade sexual numa maneira que contradiz essencialmente a sua finalidade, não estando ao serviço do amor e da vida conforme o plano de Deus. Um educador e conselheiro perspicaz deve esforçar-se por individuar as causas do desvio, para ajudar o adolescente a superar a imaturidade que está por baixo deste hábito. Do ponto de vista educativo, é preciso lembrar que a masturbação e outras formas de auto-erotismo, são sintomas de problemas muito mais profundos, os quais provocam uma tensão sexual que o sujeito procura superar recorrendo a tal comportamento. Este fato exige também a necessidade de que a ação pedagógica seja orientada mais para as causas do que para a repressão direta do fenômeno. Mesmo tendo em consideração a gravidade objetiva da masturbação, use-se da cautela necessária na apreciação da responsabilidade subjetiva. Para ajudar o adolescente a sentir-se acolhido numa comunhão de caridade e arrancado da cela do próprio eu, o educador ‘deverá tirar todo o drama do fato da masturbação e não diminuir a sua estima e benevolência para com o sujeito’; deverá ajudá-lo a integrar-se socialmente, abrir-se e interessar-se pelos outros, para poder libertar-se desta forma de auto-erotismo, encaminhando-se para o amor oblativo, próprio de uma afetividade madura; ao mesmo tempo o estimulará a recorrer aos meios indicados pela ascese cristã, como sendo a oração e os sacramentos e a empenhar-se nas obras de justiça e de caridade” (Sagrada Congregação para a Educação Católica, Orientações educativas sobre o amor humano – linhas gerais para uma educação sexual, 98-100).

É hoje frequente pôr em dúvida ou negar explicitamente a doutrina de sempre do Magistério da Igreja, que considera a masturbação como grave desordem moral.

Apoiando-se na Psicologia ou na Sociologia, há quem procure demonstrar que se trata de fenômeno normal da evolução sexual, sobretudo na juventude, e que, portanto, se não pode dar falta real e grave senão na medida em que deliberadamente se procura o prazer.

Ainda que, em muitos casos, se apresente o apoio das estatísticas, não se pode esquecer que os inquéritos sociológicos não fazem mais que registrar fatos, e os fatos não podem constituir critério para julgar da moralidade dos atos humanos, pois esse critério está apenas na Lei moral objetiva.

O ensino da Igreja é claro: “Apesar de certos argumentos de ordem biológica ou filosófica, de que por vezes se têm servido os teólogos, tanto o Magistério da Igreja, de acordo com a tradição constante, como o senso moral dos fiéis, têm afirmado sem dúvida alguma que a masturbação é um ato intrínseco e gravemente desordenado. A razão principal é que o uso deliberado da faculdade sexual fora das relações conjugais normais contradiz essencialmente a sua finalidade, seja qual for o motivo que o determine” (n. 9 da Declaração da Sagrada Congregação).

A masturbação é pecado mortal: “O homem, portanto, peca gravemente, não só quando as suas ações procedem do desprezo direto do amor de Deus e do próximo, mas também quando ele, consciente e livremente, faz a escolha de um objeto gravemente desordenado, seja qual for o motivo dessa sua eleição. Nessa escolha... está incluído pelo mandamento divino: o homem aparta-se de Deus e perde a caridade” (Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração sobre alguns pontos da ética sexual, 10). Basta uma masturbação para abrir as portas do inferno.

Francisco Sequeira escreve: “Os rapazes deparam, sobretudo, com os problemas da masturbação. Não é que as moças não o possam ter, e por isso, valem para elas, com as devidas adaptações, as ponderações que se façam aos rapazes.

O hábito da masturbação pode surgir antes da puberdade, mas torna-se mais frequente e mais difícil de combater a partir desta fase, em consequência dos apelos do corpo causados pelas mudanças hormonais que nele ocorrem, tanto nas glândulas sexuais como nas demais glândulas de secreção interna produtoras de hormônios(Notadamente a hipófise, alojada no cérebro, que é a que verdadeiramente comanda as demais glândulas endócrinas).

O pai deve abordar a questão com os filhos homens, e a conversa não será nenhum sofrimento se o pai, sem nenhum clima de suspeita, mas de aberta confiança, souber mostrar que apenas pretende prevenir o filho.

— Olhe, meu filho, Deus nos deu o órgão viril para que o homem se una no devido tempo àquela que tiver escolhido como esposa e gere filhos com ela. O casamento é uma coisa santa, a tal ponto que Deus fez dele um dos sete sacramentos, como você sabe. Da família depende o bem do homem e da mulher, o bem dos filhos e, em grande parte, o bem de toda a sociedade, isto é, de todas as instituições humanas. Ora um bem tão grande exige uma preparação que não se consegue apenas fazendo um curso de noivos três semanas antes. É uma preparação que reclama o amadurecimento da pessoa — físico, do caráter e espiritual —, e esse amadurecimento é lento e exige anos.

Quando você cultiva o sentido de responsabilidade nos estudos e no aproveitamento do tempo, quando vive a lealdade e o respeito à palavra, quando é generoso, está preparando-se para o casamento. Quando procura cumprir os seus deveres de cristão e chegar à amizade pessoal com Deus, está preparando-se para o casamento.

Ora, o mesmo acontece — nem mais, nem menos — com o aspecto sexual. Aqui também a preparação vem de longe, e por isso o sexo desperta muito antes que chegue o momento de casar. Você terá com frequência excitações sexuais, às vezes aborrecidas e implicantes. Isso é normal e não deve assustá-lo. O que você deve pensar é que é uma oportunidade que tem de aprender a dominar-se. É nisso que consiste a preparação sexual para o casamento. Não é simplesmente abster-se, é conservar todas as suas energias vitais para aquela que ainda não sabe quem é, mas que, se escolher bem, está já fazendo o mesmo para se entregar por inteiro a você, sem lhe reservar uns meros restos.

As coisas que valem a pena exigem treino e custam sacrifícios. Também lhe custa sacrifício estudar quando não tem vontade, treinar-se no basquete regularmente, mesmo quando está mal disposto, ou assumir valentemente a culpa de uma coisa errada que fez. Mas com esses sacrifícios você vai-se preparando para ser um bom profissional, um ótimo esportista e um homem com sentido de responsabilidade. Pois bem, não custa nem mais nem menos do que isso dominar o impulso sexual. É um treino formidável. Repare só em que consiste:

— Ter o tempo todo ocupado: não faltar às aulas, ter um horário mínimo de estudo diário, fazer um curso de línguas ou de violão etc.;

— Ter o tempo livre bem planejado: leitura — pedindo conselho antes —, esporte, passeios e excursões, programas de valorização cultural;

— Intensidade e seriedade em tudo o que faz: esforço de concentração mental e diligência no estudo, nos encargos materiais em casa, nas leituras. Não os ‘papos furados’ com os amigos sentados em cima do muro para ver a banda passar;

— O convívio com colegas e amigos que abram horizontes de entusiasmo pelo estudo e pela cultura, que sejam exemplo de virtudes humanas — delicadeza, sinceridade, força de vontade, ordem, companheirismo – e de virtude cristãs: limpeza de alma, rezar sem beatices, conhecer a vida de Cristo, frequentar os sacramentos, ação a serviço dos outros.

Não é verdade que a masturbação produza doenças físicas ou mentais. Esses perigos não são reais na quase totalidade dos casos. O maior estrago que a masturbação pode causar, é você se habituar a isso e depois ser incapaz de livrar-se. É daí que resultam esses jovens de pele murcha e ‘olhar de peixe morto’, que você já deve conhecer e que acabam sendo uns egoístas incapazes de amar de verdade”.

Meios para levar uma vida casta: “Na linha destes convites instantes, os fiéis, também hoje, e mesmo mais do que nunca, devem empregar os meios que a Igreja sempre recomendou para levar uma vida casta: a disciplina dos sentidos e da mente, a vigilância e a prudência para evitar as ocasiões de quedas, a guarda do pudor, a moderação nas diversões, as ocupações sãs, o recurso frequente à oração e aos sacramentos da penitência e da eucaristia. Os jovens, sobretudo, devem ter o cuidado de fomentar a sua devoção à Imaculada Mãe de Deus e propor-se como modelo a vida dos santos e daqueles outros fiéis cristãos, particularmente dos jovens, que se distinguiram na prática da virtude da castidade. Importa, em particular, que todos tenham um conceito elevado da virtude da castidade, da sua beleza e da sua força de irradiação. É uma virtude que enobrece o ser humano e que capacita para um amor verdadeiro, desinteressado, generoso e respeitoso para com os outros” (Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração sobre alguns pontos da ética sexual, 12).

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

Anápolis, 26 de abril de 2008.










A luta secreta de "católicos" da Teologia da Libertação e protestantes vermelhos durante o regime militar no Brasil.


Documentos do Conselho Mundial de Igrejas revelam como parte da Igreja Católica no Brasil e alguns protestantes criaram uma rede de apoio para a base política de Lula

Júlio Severo

No auge do regime militar no Brasil, parte da Igreja Católica e centenas de líderes católicos e protestantes de linha marxista passaram a ser alvo do governo. Documentos guardados há décadas em Genebra, na sede do Conselho Mundial de Igrejas, revelam como o cardeal dom Paulo Evaristo Arns liderou um lobby internacional, coletou fundos de forma sigilosa e manteve encontros com líderes no exterior.

A atuação de Arns mobilizou uma rede de informantes, financiadores e apoiadores secretos no mundo inteiro. Dentro do Brasil, os documentos mostram que ele e seus aliados organizaram manifestações, forneceram incentivos para Lula e outros líderes operários e pagaram despesas para a base política de Lula no ABC em 1980.

Relatórios, testemunhos, cartas, informações de dissidentes e dezenas de acusações fazem parte de três caixas de documentos entregues ao Brasil na terça-feira. A ONU quer que esses documentos sirvam de base para processos contra autores de “crimes contra a humanidade”. Os documentos originais foram mantidos no Conselho Mundial de Igrejas, organização notória por suas ligações comunistas e hoje por suas conexões com ativistas gays, adeptos de religiões afros e ativistas políticas contra Israel.

O texto de introdução do documento deixa claro que o material havia sido encomendado por Arns, que já tentava organizar um dossiê que compilasse as “violações aos direitos humanos” para ser usado futuramente.

Segundo o relatório, entre 1968 e 1978, 122 religiosos foram presos pelo regime militar. Havia 36 estrangeiros, 9 bispos, 84 sacerdotes, 13 seminaristas e 6 freiras. Outras 273 pessoas “engajadas no trabalho pastoral” tinham sido detidas.

Entre os motivos mais frequentes de prisão estavam religiosas mensagens com conteúdo político, além de ajuda na organização de manifestações operárias de orientação igualmente política.

Na segunda metade dos anos 70, Arns e líderes religiosos do exterior avaliaram que era hora de reagir nos bastidores para reunir apoio internacional e demonstrar a insatisfação popular nas ruas. Em 27 de setembro de 1977, o então encarregado de Direitos Humanos na América Latina do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) enviou de São Paulo uma carta a Genebra alertando para a “crescente tensão entre a Igreja e as autoridades” — evidenciando uma tensão existente entre católicos e protestantes ligados ao CMI com o governo do Brasil, embora evangélicos e católicos sem envolvimento político esquerdista não tivessem tido nenhum tipo de problema durante o governo militar.

De forma inversa, não havia tensão entre o CMI e a União Soviética. Aliás, o CMI nunca demonstrou nenhum ativismo contra as violações em massa de direitos humanos na União Soviética e outros países comunistas. Mas o CMI não perdeu a chance de manifestar sua oposição oficial ao que chamou de “repressão” no Brasil aos indivíduos e organizações que queriam implantar um regime comunista no Brasil.

A relação entre o CMI e o cardeal vermelho, como Arns veio a ser conhecido, ganharia novas dimensões quando ele escreveu ao então secretário-geral do CMI, Philip Potter, sob o alerta de que o “conteúdo dessa carta deve ser confidencial, dada suas implicações”. Era o pedido por fundos internacionais clandestinos para a operação que culminaria na publicação, em 1985, de Brasil: Nunca Mais.

O projeto foi ideia do reverendo presbiteriano Jaime Wright, que optou por se aliar a Arns, e ambos, para prosseguir no seu projeto de denúncia, dependiam de dinheiro do CMI que entrava no Brasil de forma ilegal. Arns argumentou: “Pedimos, portanto, que o Conselho Mundial de Igrejas aceite a tarefa de levantar a grande maioria dos fundos necessários, de uma forma confidencial”.

O pedido de Arns foi atendido, inclusive com assistência financeira para a base do PT no ABC.

Apesar do intenso trabalho de Arns de colaboração com início do PT e religiosos de tendência marxista, a eleição de João Paulo II, em 1978, foi um duro golpe para a facção progressista da Igreja Católica. O novo papa estava preocupado com o avanço da ideologia marxista entre os católicos e, quando visitou o Brasil pela primeira vez, em 1980, advertiu o clero sobre o envolvimento com a política — um evidente puxão de orelha em Arns.

Durante a década de 1980, João Paulo II se aliou a Ronald Reagan, presidente dos EUA, na iniciativa de enfraquecer e derrotar o comunismo. Foi uma aliança poderosa entre o papa e um presidente evangélico, culminando no desmoronamento do maior império comunista da história: a União Soviética. Se o católico Arns podia se aliar ao presbiteriano Jaime Wright em suas ideias “progressistas”, por que o papa também não poderia se aliar a um evangélico conservador?

A onda conservadora trazida pelo papa provocou sérias repercussões, impondo medidas de contenção em religiosos católicos brasileiros como Leonardo Boff, o mais famoso promotor da Teologia da Libertação.

Apesar disso, o cardeal vermelho reinava de forma suprema na Arquidiocese de São Paulo. Para tentar contê-lo, em 1989 João Paulo II decidiu dividir a arquidiocese em cinco novas dioceses, reduzindo de forma considerável a influência religiosa e política de Arns. A razão principal dessa divisão, além do ativismo marxista, teria sido a falência da arquidiocese: o cardeal Arns vendia tudo o que podia para dar dinheiro para os comunistas.

Contudo, a ação do papa parece ter vindo tarde demais. Com o sustento financeiro e inspiração que Arns deu para o PT durante anos, a ideologia de Lula ganhou não só a boa parte da Igreja Católica no Brasil, mas também seduziu muitas igrejas evangélicas. Debaixo do peso dessa inspiração, o Brasil tem hoje um Estado quase que completamente parasitado pelo socialismo do PT.

Sob essa inspiração, disponível hoje através dos documentos do Conselho Mundial de Igrejas, o tabloide sensacionalista Genizah canonizou os protestantes vermelhos que recebem indenizações milionários porque tiveram de se exilar na Europa e EUA. E faz insinuações maldosas dos que, como o Pr. Enéas Tognini, convocaram o Brasil para a oração e jejum contra a ameaça comunista que pairava sobre o Brasil antes e durante o regime militar.

Com informações do livro “O bispo de Volta Redonda: memórias de Dom Waldyr Calheiros” (FGV Editora, 2001) e com informações adaptadas e retificadas da matéria tendencioso “A luta secreta de D. Paulo Arns” publicada no jornal Estadão de 19 de junho de 2011.

Fonte: juliosevero.com

20 de jun. de 2011

Emocionante discurso do saudoso bispo americano Fulton Sheen sobre o pecado da “Indiferença”.



Vejam os três vídeos e sejam edificados pelas impactantes palavras deste grande comunicador de Deus:






17 de jun. de 2011

Igreja Católica não é "obscurantista" quando defende a vida




Roma, 16 Jun. 11 / 01:43 pm (ACI/EWTN Noticias)
O diretor do departamento de Ciência e Fé do Pontifício Conselho para a Cultura no Vaticano, Pe. Tomasz Trafny, explicou que não é "obscurantismo" a defesa que a Igreja, fiel à sua missão, faz do direito à vida de todo ser humano.

Em entrevista concedida ao jornal vaticano L’Osservatore Romano pela ocasião do próximo congresso sobre células estaminais adultas que seu dicastério promove entre os dias 9 e 11 de novembro deste ano, o sacerdote disse que "as acusações de obscurantismo são com freqüência paradoxais".

"Durante e logo depois da Segunda guerra mundial, a Igreja foi acusada de não ter feito o suficiente para salvar muitas vidas humanas. Os ecos destas acusações não cessaram por décadas. Hoje, em vez disso, é acusada de esforçar-se demasiado para proteger a vida".

Para o sacerdote, esta atitude contraditória de alguns "nasce de uma visão utilitarista: escolhe-se o que, de acordo às circunstâncias, parece mais conveniente. É uma visão que indevidamente leva a posições relativistas sobre os valores éticos e as opções morais".

Sobre o trabalho que faz o Pontifício Conselho para a Cultura sobre as células estaminais (células tronco) e seu impacto na sociedade, em colaboração com o Pontifício Conselho para a Pastoral da Saúde e a Pontifícia Academia para a Vida, o Pe. Trafny disse que com esse trabalho "queremos demonstrar que a Igreja olhe para frente, explorando possíveis tendências de desenvolvimento da investigação científica".

Com estes avanços, acrescentou, seu dicastério "se interroga sobre o impacto cultural a curto e longo prazo. Isto também constitui um modo para responder àqueles que consideram que a Igreja está em perene atraso em relação aos progressos da ciência".

O próximo congresso de novembro de 2011 levará como título "Células estaminais adultas: a ciência e o futuro do homem e a cultura". Nele serão tratadas três áreas específicas: aplicações clínicas da ciência sobre as células estaminais, considerações éticas da medicina regenerativa e as implicâncias culturais da mesma incluindo o impacto sócio-cultural.

Fonte: ACI

6 de jun. de 2011

É possível “andar na moda” mantendo a dignidade do corpo? O pudor é a virtude dos fortes.



Pe. Daniel Guindon- LC.

Há vários anos começou nos Estados Unidos um movimento de valores chamado “Pure Fashion”. O nome fala por si mesmo: jogando com o duplo sentido do termo, “uma moda pura” e “pura moda”, este programa, que se encontra já em diversos países, busca transmitir às moças de 14 aos 18 anos os valores da moda, e como viver na moda mantendo a dignidade de serem filhas de Deus. Organizam passarelas, cursos de maquiagem, ensinam as diversas formas para arrumar os cabelos, como impactar na primeira impressão com o próprio look, como posar para uma foto e explicam para elas a linguagem corporal.

O programa percorre todo o país americano: Sacramento, Atlanta, Miami, Dallas, Washington, etc. As famílias vêem neste trabalho um meio adequado para as suas filhas crescerem juntamente com a cultura atual. Por sua parte, as meninas ficam fascinadas por seguir o que lhes apaixona: a beleza corporal, e por descobrir que isto não vai contra a sua fé e seus princípios.

Em outros países como Argentina, França, México, organizam-se atividades pontuais com as meninas para transmitir estes mesmos valores humanos. O êxito é total, embora a preparação dos eventos exija muito empenho para que os shows estejam à altura das expectativas.

Pure fashion promove em especial seis virtudes: a pureza, a autenticidade, a generosidade, a confiança em si, o estilo, a graça. Porque a verdadeira beleza não é só exterior, mas é sinal (sacramento) de um coração cheio de amor e de preocupação pelos demais. O programa ensina às meninas a usar o vestuário para proteger a própria inocência e pureza, ao mesmo tempo em que faz delas modelos do Criador do Universo.

Há dois anos, me encontrava em Londres para assessorar espiritualmente um acampamento lingüístico internacional. Participavam meninas adolescentes da Itália, da França e da Espanha. O tema do acampamento era o musical O fantasma da ópera. Lembro que um dia que estava disponível para as confissões, apresentaram-se algumas meninas para receber o sacramento. Qual foi a minha surpresa ver elas vestidas muito elegantemente! Elas me responderam entusiasmadas: “a gente está para iniciar uma passarela Pure Fashion. Só que queríamos antes nos confessar.” Estas meninas adolescentes, da maneira mais natural, entenderam a mensagem que o programa queria transmitir: que a beleza exterior espelha a beleza da alma.

Pensando no nosso Brasil, quanto é urgente ensinar às meninas o valor do próprio corpo, que não é uma estação de serviço para os garotos, nem uma arma para seduzir e enganar, mas é a máxima expressão da alma.

O Papa João Paulo II disse numa ocasião aos jovens reunidos em Paris: “Adoração do corpo? Nunca! Desprezo do corpo? Também não! Domínio do corpo? Sim! Transfiguração do corpo? Mais ainda!” (Cfr. Daniel-Ange, Teu corpo feito para o amor, Edições Loyola)

O pudor é a virtude dos fortes, daqueles que entenderam o valor do amor e da sexualidade. O vestuário busca proteger e transmitir ao mesmo tempo estes valores do corpo: se o amor verdadeiro exige a nudez, também o reserva para si.

www.purefashion.com

Fonte: comshalom.org/carmadelio

2 de jun. de 2011

A decência dos vestidos segundo São Franscisco de Sales.

Filotéia de São Frascisco de Sales


São Paulo quer que as mulheres cristãs (o que há de entender-se também dos homens) se vistam segundo as regras da decência, deixando de todo excesso e imodéstia em seus ornatos. Ora, a decência dos vestidos e ornatos depende da matéria, da forma e do asseio.

O asseio deve ser geral e contínuo, de sorte que evitemos toda mancha ou coisa semelhante que possa ofender os olhos; esta limpeza exterior considera-se como um indício da pureza da alma, a ponto de o mesmo Deus exigir dos seus ministros dos altares uma pureza e honestidade perfeita quanto ao corpo.

No tocante à matéria e à forma dos vestidos, a decência só se pode determinar com relação às circunstâncias do tempo, da época, dos estados ou vocações, da sociedade em que se vive e das ocasiões. É uso geral vestir-se melhor nos dias de festa, à proporção de sua solenidade, ao passo que no tempo da penitência, como na Quaresma, se escusa muita coisa. Os dias de casamento e os de luto têm igualmente grande diferença e regras peculiares. Achando-se na corte de um príncipe, o vestuário terá mais dignidade e esplendor do que quando se está em casa. Uma mulher pode e deve se enfeitar melhor quando está com seu marido, sabendo que ele o deseja; mas, se o fizesse em sua ausência, haveria de perguntar-se a quem quererá agradar com isso. Às moças se concedem mais adornos, porque podem desejar agradar a muitos, contanto que suas intenções sejam de ganhar um só coração para o casamento legítimo. O mesmo se há de dizer das viúvas que estão pensando em novas núpcias, contanto que não queiram imitar em tudo as jovens, porque, depois de ter passado pelo estado matrimonial e pelos desgostos da viuvez, pensa-se que devem ser mais sóbrias e moderadas. Para aquelas que são verdadeiras viúvas, como diz o apóstolo, isto é, aquelas que possuem no coração as virtudes da viuvez, nenhum adorno convém além de um ou outro, conforme à humildade, modéstia ou devoção; se querem, pois, dar amor aos homens, não verdadeiras viúvas e, se não o querem dar, por que atrair a si os olhares? Quem não quer receber hóspedes tem de tirar de sua casa a tabuleta. Ri-se sempre dos velhos que se querem fazer de bonitos: é esta uma fraqueza que mesmo o mundo só perdoa na mocidade.

Conserva um asseio esmerado, Filotéia, e nada permitas em ti rasgado ou desarranjado. É um desprezo das pessoas com quem se convive andar no meio delas com roupas que as podem desgostar; mas guarda-te cuidadosamente das vaidades e afetações, das curiosidades e das modas levianas. Observa as regras da simplicidade e modéstia, que são indubitavelmente o mais precioso ornato da beleza e a melhor escusa da fealdade. São Pedro adverte principalmente as moças que não usem penteados extravagantes. Os homens de tão pouco caráter, que se divertem com essas coisas de sensualidade e vaidade, são tidos por toda parte na conta de espíritos efeminados. Diz-se que não se tem má intenção nessas coisas, mas eu replico, como fiz outras vezes, que o demônio sempre tem. Para mim eu desejava que uma pessoa devota fosse sempre a mais bem vestida duma reunião, mas a menos pomposa e afetada, e que fosse ornada, como se ê nos Provérbios de graça, de decência e dignidade. São Luís resume tudo isso numa palavra, dizendo que cada um deve vestir-se segundo o seu estado; de modo que as pessoas prudentes e a gente de bem não possam achar exagero algum e os jovens nenhuma falta de ornato e decência; e no caso em que os jovens não se dêem por contentes, é preciso seguir o conselho das pessoas prudentes.

1 de jun. de 2011

Ser cristão "não é um traje para ser usado em privado", adverte o Papa

Ao receber ontem os participantes da assembléia plenária do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, o Papa Bento XVI ressaltou que ante os esforços de alguns de expulsar a fé da vida pública, deve recordar-se que "ser cristão não é uma espécie de traje que se usa em privado".

Em seu discurso aos membros do dicastério instituído por ele em outubro de 2010, o Santo Padre destacou que o anúncio que sempre proclamou a Igreja "hoje precisa ser renovado para convencer o homem moderno, freqüentemente distraído e insensível. Por isso, a nova evangelização deve buscar encontrar as vias para que seja mais eficaz o anúncio da salvação, sem o qual a vida é contraditória e carece do essencial".

"Inclusive a aqueles que seguem unidos às raízes cristãs, mas vivem uma relação difícil com a modernidade, é importante fazer que entendam que ser cristão não é uma espécie de traje que se usa em privado ou em ocasiões especiais, mas algo vivo e totalizador, capaz de assumir tudo o que há de bom na modernidade".

Bento XVI sublinhou logo que "o termo ‘nova evangelização’ recorda a exigência de um novo modo de anúncio, especialmente para aqueles que vivem em um contexto como o atual, onde o desenvolvimento da secularização deixou lastros profundos nos países de tradição cristã".

"A crise que vivemos traz consigo os traços da exclusão de Deus da vida das pessoas, uma indiferença geral ante a fé cristã, até a tentativa de marginá-la da vida pública".

"Ademais, freqüentemente se verifica o fenômeno de pessoas que desejam pertencer à Igreja, mas que estão fortemente determinadas por uma visão da vida que contrasta com a fé".

O Papa destacou logo que "anunciar a Jesus Cristo único Salvador do mundo, hoje é mais complexo que no passado, mas nossa tarefa segue sendo a mesma que ao começo de nossa história. A missão não mudou, assim como não deve mudar o entusiasmo e a valentia que moveram os apóstolos e os primeiros discípulos".

Seguidamente expressou o desejo de que nos trabalhos da plenária destes dias, os membros e consultores esbocem "um projeto para ajudar a toda a Igreja e às diversas Igrejas particulares no compromisso da nova evangelização; um projeto onde a urgência de um renovado anúncio se encarregue da formação, em particular para as novas gerações, e se conjugue com a proposta de sinais concretos para que a resposta da Igreja neste peculiar momento seja clara".

Finalmente o Santo Padre assinalou que "se, por uma parte, toda a comunidade está chamada a reforçar o espírito missionário para oferecer o anúncio novo que esperam os homens de nosso tempo, não se pode esquecer que o estilo de vida dos fiéis necessita uma verdadeira credibilidade, quanto mais convincente quanto mais dramática seja a condição das pessoas às quais se dirigem".

Fonte: ACI

25 de mai. de 2011

Namoro e Laicismo

Gregório Vivanco Lopes
Em meio ao caos do mundo moderno, cada vez mais se nota uma tendência a “legitimar” situações ilegítimas, designando-as com palavras de uso corrente. A palavra como que “escorrega” e passa a significar uma coisa diferente do que antes significava.

Plínio Corrêa de Oliveira já nos advertia para a manipulação das palavras com vistas a produzir uma “baldeação ideológica inadvertida”, ou seja, a pessoa muda de ideologia sem perceber. Usando um mesmo vocábulo vão sendo designadas situações progressivamente diferentes, até que, no final do processo, a palavra passa a designar o contrário do que ela significava no início.

É o que se passa, por exemplo, com as palavras “namoro” e “laicismo”.

Até há pouco “namoro” era um primeiro relacionamento afetivo entre pessoas de sexo diferente, para se conhecerem melhor com vistas a um engajamento mais sério, no noivado, e por fim o casamento.

Hoje em dia, não. O termo “namoro” vem sendo empregado para designar um relacionamento já diretamente sexual, incluídos o concubinato, o adultério e até a homossexualidade! Tudo é namoro!

O propagandeado líder sem-terra, João Pedro Stédile, declarou formalmente que “a maioria das freiras que foi morar em acampamento [dos sem-terra] acabou arrumando namorado” (Revista “Atenção”, maio/1996).

O mesmo vai ocorrendo com a palavra “laicismo”.

Originariamente, “laicismo” significava a doutrina pela qual o Estado é separado da Igreja. Portanto não há uma religião oficialmente professada pelo Estado. No Brasil, no tempo do Império, Igreja e Estado eram unidos. Com o advento da República, houve a separação e o Estado ficou reduzido à categoria laical. Igreja e Estado passaram a conviver autonomamente.

Depois disso, tanto fizeram e mexeram na palavra “laicismo”, que hoje muitos entendem o Estado leigo como sendo aquele que deve perseguir a religião. Daí a campanha contra os crucifixos em locais públicos, proibição de ensino religioso nas escolas, projetos contra a “homofobia”, que visam a criminalizar os cristãos que usam de sua liberdade de expressão religiosa para criticar as práticas homossexuais etc.

Razão tinha o saudoso Prof. Plinio Corrêa de Oliveira ao insistir em que as palavras fossem usadas com precisão e clareza!

Fonte: IPCO

16 de mai. de 2011

A castidade é um desafio para você?

C.S. Lewis
A castidade é a menos popular das virtudes cristãs. Porém, não existe escapatória. A regra cristã é clara: “Ou o casamento, com fidelidade completa ao cônjuge, ou a abstinência total.” Isso é tão difícil de aceitar, e tão contrário a nossos instintos, que das duas, uma: ou o cristianismo está errado ou o nosso instinto sexual, tal como é hoje em dia, se encontra deturpado. E claro que, sendo cristão, penso que foi o instinto que se deturpou. (…)

Dizem que o sexo se tornou um problema grave porque não se falava sobre o assunto. Nos últimos vinte anos, não foi isso que aconteceu. Todo o dia se fala sobre o assunto, mas ele continua sendo um problema. Se o silêncio fosse a causa do problema, a conversa seria a solução. Mas não foi. Acho que é exatamente o contrário.

Acredito que a raça humana só passou a tratar do tema com discrição porque ele já tinha se tornado um problema. Os modernos sempre dizem que” O sexo não é algo que devemos nos envergonhar” Com isso, podem estar querendo dizer duas coisas.

Uma delas é que “não há nada de errado no fato de a raça humana se reproduzir de um determinado modo, nem no fato de esse modo gerar prazer”. Se é isso o que têm em mente, estão cobertos de razão. O cristianismo diz a mesma coisa. O problema não está nem na coisa em si, nem no prazer. Os velhos pregadores cristãos diziam que, se o homem não tivesse sofrido a queda, o prazer sexual não seria menor do que é hoje, mas maior. Bem sei que alguns cristãos de mente tacanha dizem por aí que o cristianismo julga o sexo, o corpo e o prazer como coisas intrinsecamente más. Mas estão errados. O cristianismo é praticamente a única entre as grandes religiões que aprova por completo o corpo — que acredita que a matéria é uma coisa boa, que o próprio Deus tomou a forma humana e que um novo tipo de corpo nos será dado no Paraíso e será parte essencial da nossa felicidade, beleza e energia.

O cristianismo exaltou o casamento mais que qualquer outra religião; e quase todos os grandes poemas de amor foram compostos por cristãos. Se alguém disser que o sexo, em si, é algo mau, o cristianismo refuta essa afirmativa instantaneamente. Mas é claro que, quando as pessoas dizem “o sexo não é algo de que devemos nos envergonhar”, elas podem estar querendo dizer que “o estado em que se encontra nosso instinto sexual não é algo de que devemos sentir vergonha”.

Se é isso que querem dizer, penso que estão erradas. Penso que temos todos os motivos do mundo para sentir vergonha. Não há nada de vergonhoso em apreciar o alimento, mas deveríamos nos cobrir de vergonha se metade das pessoas fizesse do alimento o maior interesse de sua vida e passasse os dias a espiar figuras de pratos, com água na boca e estalando os lábios. Não digo que você ou eu sejamos individualmente responsáveis pela situação atual. Nossos ancestrais nos legaram organismos que, sob este aspecto, são pervertidos; e crescemos cercados de propaganda a favor da libertinagem. Existem pessoas que querem manter o nosso instinto sexual em chamas para lucrar com ele; afinal de contas, não há dúvida de que um homem obcecado é um homem com baixa resistência à publicidade. Deus conhece nossa situação; ele não nos julgará como se não tivéssemos dificuldades a superar. O que realmente importa é a sinceridade e a firma vontade de superá-las.

Para sermos curados, temos de querer ser curados. Todo aquele que pede socorro será atendido; porém, para o homem moderno, até mesmo esse desejo sincero é difícil de ter. E fácil pensar que queremos algo quando na verdade não o queremos. Um cristão famoso, de tempos antigos, disse que, quando era jovem, implorava constantemente pela castidade; anos depois, se deu conta de que, quando seus lábios pronunciavam “ó Senhor, fazei-me casto”, seu cotação acrescentava secretamente as palavras: “Mas, por favor, que não seja agora.” Isso também pode acontecer nas preces em que pedimos outras virtudes; mas há três motivos que tornam especialmente difícil desejar — quanto mais alcançar – a perfeita castidade.

Em primeiro lugar, nossa natureza pervertida, os demônios que nos tentam e a propaganda a favor da luxúria associam-se para nos fazer sentir que os desejos aos quais resistimos são tão “naturais”, “saudáveis” e razoáveis que essa resistência é quase uma perversidade e uma anomalia. Cartaz após cartaz, filme após filme, romance após romance associam a idéia da libertinagem sexual com as idéias de saúde, normalidade, juventude, franqueza e bom humor. Essa associação é uma mentira. Como toda mentira poderosa, é baseada numa verdade – a verdade reconhecida acima de que o sexo (à parte os excessos e as obsessões que cresceram ao seu redor) é em si “normal”, “saudável” etc. A mentira consiste em sugerir que qualquer ato sexual que você se sinta tentado a desempenhar a qualquer momento seja também saudável e normal. Isso é estapafúrdio sob qualquer ponto de vista concebível, mesmo sem levar em conta o cristianismo. A submissão a todos os nossos desejos obviamente leva à impotência, à doença, à inveja, à mentira, à dissimulação, a tudo, enfim, que é contrário à saúde, ao bom humor e à franqueza. Para qualquer tipo de felicidade, mesmo neste mundo, é necessário comedimento. Logo, a afirmação de que qualquer desejo é saudável e razoável só porque é forte não significa coisa alguma. Todo homem são e civilizado deve ter um conjunto de princípios pelos quais rejeita alguns desejos e admite outros. Um homem se baseia em princípios cristãos, outro se baseia em princípios de higiene, e outro, ainda, em princípios sociológicos. O verdadeiro conflito não é o do cristianismo contra a “natureza”, mas dos princípios cristãos contra outros princípios de controle da “natureza”. A “natureza” (no sentido de um desejo natural) terá de ser controlada de um jeito ou de outro, a não ser que queiramos arruinar nossa vida. E bem verdade que os princípios cristãos são mais rígidos que os outros; no entanto, acreditamos que, para obedecer-lhes, você poderá contar com uma ajuda que não terá para obedecer aos outros.

Em segundo lugar, muitas pessoas se sentem desencorajadas de tentar seriamente seguir a castidade cristã porque a consideram impossível (mesmo antes de tentar). (…) Podemos ter certeza de que a castidade perfeita — como a caridade perfeita — não será alcançada pelo mero esforço humano. Você tem de pedir a ajuda de Deus. Mesmo depois de pedir, poderá ter a impressão de que a ajuda não vem, ou vem em dose menor que a necessária. Não se preocupe. Depois de cada fracasso, levante-se e tente de novo. Muitas vezes, a primeira ajuda de Deus não é a própria virtude, mas a força para tentar de novo. Por mais importante que seja a castidade (ou a coragem, a veracidade ou qualquer outra virtude), esse processo de treinamento dos hábitos da alma é ainda mais valioso. Ele cura nossas ilusões a respeito de nós mesmos e nos ensina a confiar em Deus. Aprendemos, por um lado, que não podemos confiar em nós mesmos nem em nossos melhores momentos; e, por outro, que não devemos nos desesperar nem mesmo nos piores, pois nossos fracassos são perdoados. A única atitude fatal é se dar por satisfeito com qualquer coisa que não a perfeição.

Em terceiro lugar, as pessoas muitas vezes não entendem o que a psicologia quer dizer com “repressão”. Ela nos ensinou que o sexo “reprimido” é perigoso. Nesse caso, porém, “reprimido” é um termo técnico: não significa “suprimido” no sentido de “negado” ou “proibido”. Um desejo ou pensamento reprimido é o que foi jogado para o fundo do subconsciente (em geral na infância) e só pode surgir na mente de forma disfarçada ou irreconhecível. Ao paciente, a sexualidade reprimida não parece nem mesmo ter relação com a sexualidade. Quando um adolescente ou um adulto se empenha em resistir a um desejo consciente, não está lidando com a repressão nem corre o risco de a estar criando. Pelo contrário, os que tentam seriamente ser castos têm mais consciência de sua sexualidade e logo passam a conhecê-la melhor que qualquer outra pessoa. Acabam conhecendo seus desejos ; como um apanhador de ratos conhece ratos ou como um encanador conhece um cano com vazamento. A virtude – mesmo o esforço para alcançá-la — traz a luz; a libertinagem traz apenas brumas.

Para encerrar, apesar de eu ter falado bastante a respeito de sexo, quero deixar tão claro quanto possível que o centro da moralidade cristã não está aí. Se alguém pensa que os cristãos consideram a falta de castidade o vício supremo, essa pessoa está redondamente enganada. Os pecados da carne são maus, mas, dos pecados, são os menos graves. Todos os prazeres mais terríveis são de natureza puramente espiritual: o prazer de provar que o próximo está errado, de tiranizar, de tratar os outros com desdém e superioridade, de estragar o prazer, de difamar. São os prazeres do poder e do ódio. Isso porque existem duas coisas dentro de mim que competem com o ser humano em que devo tentar me tornar. São elas o ser animal e o ser diabólico. O diabólico é o pior dos dois. E por isso que um moralista frio e pretensamente virtuoso que vai regularmente à igreja pode estar bem mais perto do inferno que uma prostituta. É claro, porém, que é melhor não ser nenhum dos dois.

Fonte: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/

20 de abr. de 2011

O Tríduo Sagrado da Páscoa. Por Don Emanuele Bargelline, Prior do mosteiro da transfiguração



SÃO PAULO, terça-feira, 19 de abril de 2011 (ZENIT.org ) - Antecipamos nesta semana a apresentação do comentário à Liturgia da Palavra redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo), para favorecer a compreensão do Tríduo Sagrado da Páscoa. Doutor em liturgia pelo 'Pontificio Ateneo Santo Anselmo' (Roma), Dom Emanuele é monge beneditino camaldolense. * * *

O TRÍDUO SAGRADO DA PÁSCOA: JESUS MORTO, SEPULTADO, RESSUSCITADO


Um olhar de conjunto

"Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são insondáveis seus juízos e impenetráveis seus caminhos!... Porque tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória pelos séculos! Amém" (Rm 11, 33.36).

A expressão de maravilha e de louvor por parte do apóstolo diante do mistério da aliança irrevogável de Deus com Israel - aliança que vai além da sua infidelidade - e do chamado dos pagãos a participarem da sua plena realização na morte e ressurreição de Cristo, bem interpreta os sentidos mais profundos da Igreja ao celebrar o solene Tríduo Pascal. Este evento Pascal é a fonte divina e perene da sua vida, assim como do caminho espiritual desenvolvido ao longo do ano litúrgico. A Igreja nos convida a entrar em atitude de maravilha e adoração.

O Tríduo Sagrado inicia-se na tarde da quinta-feira santa, com a celebração da Ceia do Senhor, e acaba com as segundas Vésperas do dia da Páscoa. A Igreja contempla com fé e amor e celebra o mistério único e indivisível do seu Senhor Morto (Sexta-feira santa), Sepultado (Sábado santo) e Ressuscitado (Vigília e dia de Páscoa).

Com o Tríduo Pascal chegamos ao coração da história inteira e ao escopo da própria criação. A luz Pascal deste Santo Tríduo ilumina a vida de Jesus, sua missão desde seu nascimento e o projeto salvífico de Deus no seu desenvolvimento histórico: desde a criação e através das relações especiais da aliança com os patriarcas e os profetas, testemunhadas pelo Antigo Testamento. Na morte e ressurreição de Jesus e na efusão do Espírito, aquele projeto se revela em todo seu sentido profundo, e inicia a etapa radicalmente nova desta história que caminha rumo a seu cumprimento no fim dos tempos (cf. Ef 1,1-14; Cl 1, 15-20).

As pessoas que foram regeneradas na fé e no amor pelo batismo receberam as potencialidades e a vocação a viver como homens e mulheres "partícipes da vida do Ressuscitado", partilhando a mesma energia divina de Cristo no Espírito (cf. Ef 2, 4-8; Cl 3, 1-4: 5-11).

As celebrações do Tríduo são particularmente ricas de gestos, movimentos, Palavra proclamada e comentada, cantos, silêncios. Tudo converge para nos aproximarmos com coração aberto e íntima devoção ao mistério da morte e da ressurreição de Cristo e da nossa participação a ele, por graça. O que mais nos surpreende é descobrir, mais uma vez, o amor gratuito com que Deus nos amou, e fica nos amando, até doar seu próprio Filho por nós e nele doar-nos sua própria vida: "para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16), como nos lembra o evangelista. Surpreendidos ainda mais pelo feito que "não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados" (1 Jo 4, 10).

O extremo esvaziamento do Verbo encarnado, na morte de cruz e no silêncio do sepulcro, abre o caminho para uma nova história, em prol de cada um e do mundo inteiro. "Batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados. Portanto pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova" (Rm 6, 3-4).

Celebramos em maneira indivisível a Páscoa pessoal de Jesus e a Páscoa de seu corpo vivo que é a Igreja e cada um de nós, a caminho na esperança da renovação plena e definitiva.

Os três dias do Tríduo sagrado constituem a trama articulada e unitária do único e mesmo mistério pascal de Jesus e da Igreja. Cada dia, com a especificidade da sua linguagem ritual, põe a tônica sobre uma etapa ou aspecto do caminho pascal de Jesus. A forma narrativa dos acontecimentos destaca que a ação de Deus em Jesus se insere na realidade humana com suas aberturas e resistências, até a dramática recusa do seu amor. Mas o amor de Deus não se deixa vencer pelo mal e o pecado: "Antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim" (Jo 13, 1).

Cada um dos três dias nos proporciona a oportunidade de nos mergulharmos em diferentes aspectos do mistério pascal. Por enquanto, achei mais conveniente oferecer ao início algumas sugestões de caráter geral. Talvez elas possam ajudar a colocar e viver cada celebração na visão unitária do mistério pascal, assim como a Igreja o contempla e no-lo transmite através das celebrações. De cada dia irei destacar um ou outro elemento, útil para evidenciar a continuidade interior do Tríduo.

A Quinta-feira santa: "Jesus... tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim"

A missa do Crisma, presidida na manhã pelo bispo em sua catedral, com a participação do clero e do povo, encerra a quaresma e prepara os Óleos santos finalizados à celebração da iniciação cristã - especialmente durante a grande vigília pascal - e a da unção dos enfermos. Os textos bíblicos (Is 61, 1-9; Ap 1,5-8; Lc 4, 16-21), assim como as orações e o magnífico prefácio, destacam o sacerdócio de Jesus e a participação do povo cristão ao sacerdócio dele no Espírito Santo, em força do batismo. É o coração do dom da páscoa e da vida nova de todo o povo de Deus.

A Ceia do Senhor, na tarde (Ex 12, 1-14; 1 Cor 11, 23-26; Jo 13, 1-15), abre o Tríduo, celebrando antecipadamente na forma sacramental da eucaristia o dom do corpo e do sangue do Senhor, que a Igreja guarda como memória viva e fonte inesgotável da sua vida no tempo. A Igreja está certa de que "todas as vezes que celebramos este sacrifício em memória do vosso Filho, torna-se presente a nossa redenção" (Oração sobre as oferendas). O gesto de amor e de humildade com que Jesus, o Mestre e o Senhor, lava os pés aos discípulos, determina o horizonte divino das relações recíprocas entre os discípulos, e deles com qualquer pessoa, em toda situação e em todo tempo. Cada sofrimento partilhado e cada gesto de solidariedade faz Jesus lavar os pés e cumprir seu mandamento.

A Sexta-feira santa: celebração da Paixão do Senhor

No centro da celebração está o evento e o mistério da cruz, proclamado nas Escrituras (Is 52,13-53,12; Jo 18,1-19,42), honrado com a adoração e o beijo da cruz por parte da a assembléia, reconhecido como intercessão permanente junto do Pai (Oração universal), interiorizado na comunhão. A cruz é tragédia em nível humano, porém a fé a proclama como revelação suprema do amor de Jesus e início da vida nova que dele brota.

Neste dia a Igreja fica concentrada diretamente sobre a contemplação silenciosa e adorante do evento da crucifixão. Não celebra a memória sacramental da morte de Cristo com a Missa. A cruz é o "eixo do mundo", diziam os Padres da Igreja, pois nela se manifesta o extremo compromisso de Deus em favor do mundo. Este amor divino é o que sustenta o mundo.

O estilo de Deus é loucura para os homens (cf. 1 Cor 3,18 -25), como o silêncio da morte ignominiosa na cruz. Porém este silêncio se torna o grito mais alto que testemunha seu amor sem limite.

O grito sofrido e confiante de Jesus, "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Mc 15,34; Sal 21, 2), assume em si mesmo o grito dos crucificados de todos os tempos, e abre para eles a esperança, pois "por isso Deus o exaltou e lhe concedeu um título (Kyrios- Senhor) que é superior a todo título", e o fez raiz e modelo de vida nova entre os irmãos (Fil 2, 6-9).

O perdão invocado sobre os algozes: "Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem" (Lc 23,34) e a entrega confiante ao Pai: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito" (cf. Sal 31,6 - Lc 23,46), abrem caminho definitivo para a comunhão renovada com Deus, abolindo todo impedimento ou outra mediação: "Jesus, porém, tornado a dar um grande grito, entregou o espírito. Nisso, o véu do templo se rasgou em duas partes, de cima a baixo, a terra tremeu e as rochas se fenderam" (Mt 27,50 -51).

A Igreja hoje se reveste do silêncio mais do que de palavras. A celebração da Paixão se abre e acaba com a assembléia em silêncio! Ela fica olhando intensamente o esposo e cruza seu olhar com o olhar compassivo dele, que lhe transmite toda a força do seu amor. É do encontro deste recíproco olhar no amor que nascem os namorados e as namoradas de Cristo, os que chegam a doar a própria vida por ele e como ele.

Nas salas cinematográficas do Brasil está estreando nestes dias o filme "Homens e Deuses" (Des Hommes et des Dieux), do diretor francês Xavier Beauvois. Narra a história simples e extraordinária dos sete monges trapistas mortos em 1997, em maneira ainda misteriosa por mão violenta, no mosteiro de Nossa Senhora do Atlas, na Argélia. Testemunhas de amor gratuito e sem limites entre si e com os habitantes muçulmanos da região, impelidos pela profunda relação pessoal de cada um com Cristo, única razão para ficarem solidários entre si e com os irmãos muçulmanos, se necessário até o martírio, como de fato aconteceu. É esta relação pessoal no amor que faz Cristo crucificado e sua páscoa tornar-se contemporâneos para com cada um de nós.

Na sua fé a Igreja contempla o mistério da cruz na sua integridade, deixando-se guiar pela visão teológica da Paixão escrita por João. Ela faz da cruz o "evento de salvação", da elevação violenta de Jesus na cruz a sua glorificação, e do "crucificado" o "Senhor" que dá a vida, derramando o Espírito criador (cf. Jo 19,30). A arte da Igreja, até o séc. 13, teve a ousadia de representar Jesus crucificado, como o Vivente, o Rei vitorioso e o Sacerdote do Pai. Do seu lado transpassado nasce o admirável sacramento da Igreja (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 5).

A religiosidade popular do Brasil, herdeira da religiosidade popular de Portugal colonial, tem ainda dificuldade de integrar a cruz na ressurreição. Deixando-se guiar pela liturgia, existe bastante espaço para valorizar a sensibilidade do povo brasileiro para o Cristo sofredor, tão próximo à sua história e, ao mesmo tempo, reconstruir a integridade da boa nova libertadora de Jesus e do seu mistério pascal.

Sábado Santo: dia do silêncio de Deus e dos homens

O Sábado santo é o dia do grande silêncio. Só a Liturgia das Horas acompanha as etapas do dia.

Um dia vazio ou, ao invés, um dia de silêncio contemplativo e fecundo, de espera e de esperança, suscitada pela gestação silenciosa da nova criatura no seio da terra e do coração de Deus?

"Que está acontecendo hoje?", se pergunta o autor de uma antiga homilia sobre o sábado santo (séc. IV). "Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos." (LH, IV, Sábado santo).

O Sábado santo testemunha que Deus continua descendo até as entranhas mais obscuras e ambíguas da alma humana, e nas experiências mais marginalizadas, para recuperá-las e trazê-las à vida. Nada e ninguém é abandonado a si mesmo. Aprender a conviver com a "fraqueza" de Deus, com os silêncios de Deus, com os tempos e os diferentes ritmos de Deus, dos seus projetos, com a pedagogia com a qual ele nos dirige e acompanha com amor fiel embora às vezes incompreensível. Eis a lição do Sábado santo. O Sábado santo não é somente o segundo dia do tríduo: é uma dimensão constitutiva da identidade cristã e de todo caminho espiritual cristão.

Para perceber e acolher a voz silenciosa que sobe da escuridão, é preciso o silêncio interior que abre à escuta e à uma visão mais aguda.

A grande Vigília da noite e o domingo de Páscoa

A grande vigília da noite, junto com o dia de Páscoa, constitui o cume do Tríduo sagrado e do caminho quaresmal.

São a noite e o dia destinados por sua natureza a iniciar/introduzir os catecúmenos à fundamental relação pessoal com Cristo através dos sacramentos da iniciação cristã. Com as palavras dos profetas Oséias e Isaías (4a Leitura: Is 54,5-14), a liturgia chama esta vigília de "noite das núpcias" de Cristo com a Igreja. Ele a torna mãe fecunda, capaz de gerar novos filhos ao Senhor nas águas maternais do batismo. Santo Ambrósio, nas suas catequeses mistagógicas sobre a iniciação cristã, descreve o encontro pessoal do neo-batizado com Cristo na eucaristia como o encontro apaixonado do amado com a amada do Cântico dos Cânticos! [1]

É a noite-dia em que também os "fieis" são chamados a renovar seu compromisso batismal (renovação das promessas batismais), pois o batismo é a fonte que alimenta toda experiência espiritual cristã.

A vigília se articula em quatro etapas que bem representam o caminho da iniciação e o do progresso espiritual ao longo da vida: liturgia da luz - liturgia da palavra - liturgia batismal - liturgia eucarística.

Quatro linguagens rituais para celebrar o único mistério de Cristo morto e ressuscitado, Elas destacam a passagem do batizado de uma existência nas trevas e na morte do pecado para uma vida nova em Cristo, para viver como ressuscitados.

- Liturgia da luz: Uma luz nasce de repente no coração da noite. Do círio pascal, símbolo de Cristo, recebem luz as velas de toda a assembléia que se põe a caminho. A reação frente a tamanho dom de Deus é o grito de alegria do "Exultet", quase contraponto ao grito sofrido da Sexta-feira santa e ao silêncio adorante do sábado.

- Liturgia da Palavra: As sete leituras do AT e as duas do NT constituem a profunda contemplação das etapas de toda a história da salvação, desde a criação do mundo, através da história de Israel no AT, até à ressurreição de Jesus, e à proclamação que os batizados participam por graça à ela, iniciando o caminho do novo povo de Deus (Rm 6,3-11). A vida espiritual do cristão é continuidade e realização da mesma e única história da salvação, na espera do seu cumprimento com a vinda gloriosa de Cristo.

- Liturgia batismal: Constitui a passagem forte da vigília pascal. É a meta da longa preparação quaresmal para os catecúmenos, assim como para os já batizados.

O processo de preparação - como vimos, ao seguir a estrutura dos domingos da quaresma - destacou os variados horizontes e exigências para entrar na experiência sacramental e de relação pessoal com Cristo, e fazer desta relação a fonte e o critério de uma nova existência.

A renovação das promessas do batismo por parte de toda a assembléia abre estes horizontes, destaca estas exigências, confirma esta graça.

- Liturgia eucarística. Partilhar o corpo e o sangue do Senhor à mesa do altar é o dom supremo que os neo-batizados e os renovados na graça do batismo vão receber do próprio Cristo ressuscitado. Eles são introduzidos no mesmo dinamismo do Senhor. "Quando vai receber o corpo de Cristo nas mãos - sublinha Santo Agostinho aos recém-batizados - e ouvis o sacerdote dizer "É o corpo de Cristo", tu respondes "Amém". Tu recebes o corpo de Cristo, que sois vós".

A nova existência alimentada pelo Espírito do Ressuscitado é vivificada por um novo dinamismo que produz os frutos do Espírito: alegria, paz, confiança filial, solidariedade fraterna.

O canto do Aleluia constitui o emblema da Páscoa e da vida nova em Cristo. Brota da alegria da fé, se irradia através da vida renovada, antecipa a plenitude da esperança: "A Paixão do Senhor mostra-nos as dificuldades da vida presente, em que é preciso trabalhar, sofrer e por fim morrer. A ressurreição e glorificação do Senhor nos revelam a vida que um dia nos será dada... É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos: Aleluia! Louvai o Senhor!... Mas louvai com todas as vossas forças, isto é, louvai a Deus não só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, a vossa vida, as vossas ações. (S. Agostinho, Com. Salmos, 148 1-2; 5a Semana do Tempo Pascal, Sábado LH II, pg 779).

"Ó Deus, por vosso Filho unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade. Concedei que, celebrando a ressurreição do Senhor, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos na luz da vida nova" (Domingo de Páscoa, Oração do dia).

Notas:

1. Santo Ambrósio, Os sacramentos e os mistérios; Introdução e tradução por Dom Paulo Evaristo Arns - Comentários por Dom Geraldo Majella Agnelo ; Editora Vozes 1981

Fonte: Cléofas