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25 de fev. de 2012

Sobre o problema da infertilidade o Papa pede respostas moralmente validas: não ceder ao fascínio da tecnologia, e á lógica do lucro


(25/2/2012) As legitimas aspirações a procriar do casal que se encontra numa condição de infertilidade devem encontrar com a ajuda da ciência, uma resposta que respeite plenamente a sua dignidade de pessoas e de esposos. Afirmou Bento XVI recebendo os participantes no encontro cientifico sobre a infertilidade promovido pela Academia pontifícia para a Vida. O Papa encorajou a escolha de tomar em consideração atentamente a dimensão moral, procurando as vias para uma correcta avaliação diagnostica e uma terapia que corrija as causas da infertilidade. Segundo o Papa esta atitude parte do desejo não só de dar um filho ao casal, mas de restituir aos esposos a sua fertilidade e a inteira dignidade de serem responsáveis das próprias decisões de procriação.

A procura de uma diagnose e de uma terapia – disse o Papa – representa a atitude cientificamente mais correcta á questão da infertilidade, mas também aquela mais respeitosa da humanidade integral dos sujeitos envolvidos. A humildade e a precisão com a qual aprofundais estes problemas, considerados por alguns dos vossos colegas obsoletos perante o fascínio da tecnologia da fecundação artificial, merece o encorajamento e o apoio – acrescentou Bento XVI – segundo o qual efectivamente o cientismo e a lógica do lucro parecem hoje dominar o campo da infertilidade e da procriação humana chegando a limitar também muitas outras áreas de pesquisa.

“Desejo encorajar todos aqueles que estais aqui reunidos para estes dias de estudo e que á vezes trabalhais num contexto médico - cientifico onde a dimensão da verdade resulta ofuscada: continuais no caminho empreendido de uma ciência intelectualmente honesta e fascinada pela procura continua do bem do homem, disse o Papa, acrescentando: No vosso percurso intelectual não desdenheis o diálogo com a fé.”

14 de out. de 2011

"Pílula do dia seguinte" é mais perigosa que aborto cirúrgico, diz estudo


Recente estudo australiano constatou que uma alta percentagem das mulheres que usaram a abortiva "pílula do dia seguinte" ? a RU 486 ? tiveram que ser hospitalizadas por causa da própria pílula, informou a agência LifeSiteNews. O estudo verificou que pelo menos uma dúzia de mulheres morreu por causa dessa pílula e outras 1.100 foram danificadas nos Estados Unidos segundo dados oficiais de 2006 da Food & Drug Agency.Os resultados do estudo foram publicados na revista médica Australian Family Physician.

Veja a íntegra:
http://www.frcblog.com/wp-content/uploads/2011/05/Australian-AERs_RU486_201105mulligan.pdf

3,3% das mulheres que usaram essa pílula no primeiro trimestre de gravidez tiveram que ser tratadas no hospital por complicações ou problemas de emergência. O número sobe para 5,7% entre as mulheres que a usaram no período em que costuma ser fornecida as mulheres pelas empresas ou órgãos governamentais do aborto.
Esses números são muito superiores á percentagem de 2,2% de mulheres hospitalizadas com complicações causadas por um aborto cirúrgico. Os números poderiam ser maiores porque o estudo só considerou os dados de hospitais onde há estatísticas metódicas e não incluiu o resultado do uso sem controle.
Paradoxalmente, os autores do relatório são favoráveis ao uso da RU-486. Mas, Margaret Tighe, de Right to Life Australia, discordou e declarou ao diário Weekend Australian: "nós sempre dissemos que tomar a RU 486 teria efeitos deletérios na saúde da mulher... tomar uma pílula parece muito fácil, mas o que estamos vendo é um número de complicações". Outras ONGs pró-vida australianas pronunciaram-se no mesmo sentido.

Nos EUA, Chris Gacek, do Family Research Council, comentou que durante muitos anos sua associação e a American Association of Pro Life Obstetricians and Gynecologists (AAPLOG) vinham esclarecendo que "os abortos quimicamente provocados são mais danosos que os abortos cirúrgicos".

Fonte:
http://revculturalfamilia.blogspot.com/

6 de out. de 2011

O “comércio de óvulos” já é uma triste e preocupante realidade no mundo.


Zenit:

Entrevista com Jennifer Lahl, presidente do Centro de Bioética e Cultura.

O comércio de óvulos é uma atividade de bilhões de dólares. Nos Estados Unidos, uma verdadeira indústria. Mas começam a aparecer histórias de mulheres exploradas que arriscaram a vida com a estimulação excessiva para extração de óvulos.

No mundo inteiro existem anúncios em busca de mulheres jovens que queiram vender seus óvulos por dezenas de milhares de dólares. A venda é apresentada com finalidade humanitária: os óvulos serviriam “para realizar o sonho de quem sofre a infertilidade”.

Mas quem são as doadoras de óvulos? São tratadas com justiça? Ou são vítimas do cínico utilitarismo do mercado? Quais os riscos no curto e no longo prazo para a sua saúde?

O Centro de Bioética e Cultura (Center for Bioethics and Culture Network, http://www.cbc-network.org/) nos fala da sua pesquisa a este respeito no documentário Eggsploitation: The infertility has a dirty little secret [A óvulo-exploração: segredinhos sujos da infertilidade] (www.eggsploitation.com).

Depois de ver o documentário, Kelly Vincent-Brunacini, presidente da associação Feministas pela Vida, de Nova Iorque, disse que Eggsploitation é um trabalho convincente e revelador, que mostra ao espectador a outra face da indústria da infertilidade.

As três mulheres que dão seus depoimentos no documentário arriscaram a vida por causa das complicações associadas à doação de óvulos. Uma sofreu uma embolia que lhe danificou o cérebro, outra desenvolveu câncer e a última tem vários problemas de saúde provocados pela superestimulação dos ovários.

Para aprofundar o tema, cujas implicações médicas e sociais serão cada vez mais notáveis, ZENIT entrevistou Jennifer Lahl, Presidente do Center for Bioethics and Culture Network.

Você poderia nos contextualizar sobre o filme?

J. Lahl: Eu sou a autora, produtora e diretora de Eggsploitation, que ganhou o prêmio de melhor documentário no California Independent Film Festival 2011. O filme já foi vendido para mais de 30 países.

Você fala de segredinhos sujos da indústria da infertilidade. Quais?

J. Lahl: Os “segredinhos sujos” são muitos. Por exemplo, as mulheres não são informadas dos riscos e das complicações no curto e no longo prazo. E não têm acompanhamento quando começam a sofrer problemas de saúde. É evidente que as mulheres não podem ser informadas adequadamente sobre os eventuais riscos para a saúde. Existe muita hipocrisia, eles falam de doação de óvulos, mas é uma “venda” condicionada pelo utilitarismo de mercado. O consentimento é comprado, porque as mulheres precisam de dinheiro. É evidente que os médicos deveriam exigir um correto consentimento informado, deveriam ter os dados científicos para fazer estudos amplos e impedir a oferta de dinheiro.

Nós descobrimos que alguns remédios para a fertilidade nunca receberam aprovação das autoridades para este uso particular. O Lupron, por exemplo, foi aprovado pela U.S Food and Drug Administration (FDA) para o câncer de próstata em estado terminal, mas não para a ovulação excessiva. Então as ilegalidades da indústria da infertilidade são graves e numerosas: não existe nenhum estudo de longo prazo sobre os riscos para a saúde, as violações do consentimento informado, a corrupção induzida por dinheiro, a pouca ou nenhuma proteção à doadora, ainda mais quando os óvulos são danificados.

Quais são os números do comércio de óvulos?

J. Lahl: É muito difícil quantificar o número de doações de óvulos. A maior parte é feita sem registro nenhum. É um setor em expansão e fora de controle.

Quem são as doadoras de óvulos?

J. Lahl: Normalmente são mulheres de 21 a 30 anos, que estão na etapa de maior atividade reprodutiva. Na maior parte dos casos são mulheres que precisam de dinheiro. Nos Estados Unidos, a maioria são estudantes universitárias de 19 a 25 anos, que têm que pagar a universidade, o aluguel… Nos países mais pobres, são mulheres que têm que pagar o aluguel da casa, a comida…

Quais são os riscos para a saúde no curto e no longo prazo?

J. Lahl: No curto prazo são todos os vinculados com a superestimulação dos ovários (OHSS), além de embolias, aumento de peso, desequilíbrios hormonais e psicológicos… Os riscos no longo prazo são os tumores, em particular os do aparelho reprodutivo, e problemas de redução da fertilidade.

Não é paradoxal que sejam feitos 50 milhões de abortos por ano quando existem pessoas dispostas a tudo parater óvulos que possam ser fecundados?

J. Lahl: Sim, é um paradoxo cínico. Crianças concebidas são jogadas no lixo e são gastos recursos enormes para explorar o corpo de outras pessoas e fazer vidas em laboratório!

Não seria melhor deixar para adoção os bebês que não são desejados?

J. Lahl: Num mundo de amor, o melhor seria que as mães e os pais acolhessem todos os bebês concebidos. Temos muito trabalho para incentivar as mães e pais a terem seus filhos em vez de abortar. Se eles não se sentem capazes de cuidar dos próprios filhos, não é fácil convencê-los a favorecer a adoção.


Fonte: http://www.comshalom.org

30 de set. de 2011

Bioética e Reprodução assistida.


Costumam-se chamar técnicas de Reprodução Assistida (RA) aquelas que importam na implantação artificial de gametas ou embriões humanos no aparelho reprodutor de mulheres receptoras com a finalidade de facilitar a procriação. Que dizer a respeito disso? É bom e louvável ajudar os casais inférteis a terem filhos. Os meios utilizados para isso, no entanto, nem sempre são moralmente aceitáveis.

Diz o Catecismo da Igreja Católica: “As pesquisas que visam diminuir a esterilidade humana devem ser estimuladas, sob a condição de serem colocadas ‘a serviço da pessoa humana, de seus direitos inalienáveis, de seu bem verdadeiro e integral, de acordo com o projeto e a vontade de Deus’”(Catecismo… n.º 2375).

Dizia Pio XII, por exemplo, em seu discurso às parteiras, que é lícito o uso de meios artificiais encaminhados unicamente a facilitar a realização natural do ato sexual ou, uma vez este ato realizado normalmente, que seja alcançado o seu fim. No entanto, a Igreja ensina que nunca é lícito “fabricar” um filho fora do ato sexual. Todo ser humano tem o direito de ser gerado em uma união física de amor, dentro do matrimônio. O matrimônio não dá aos cônjuges o direito a terem filhos, custe o que custar, mas lhes dá o direito a realizar os atos naturais que podem ter como resultado a procriação. Se assim não fosse, o matrimônio em que um ou os dois cônjuges fosse estéril seria antinatural.

A esterilidade não deve levar o casal ao desespero de “fabricar” um filho em laboratório. “O Evangelho mostra que a esterilidade física não é um mal absoluto. Os esposos que, depois de terem esgotados os recursos legítimos da medicina, sofrerem de infertilidade, unir-se-ão à Cruz do Senhor, fonte de toda fecundidade espiritual. Podem mostrar a sua generosidade adotando crianças desamparadas ou prestando relevantes serviços em favor do próximo” (Catecismo… n.º 2379).

Inseminação Artificial

A introdução artificial do esperma dentro do organismo da mulher, ainda que o esperma tenha sido produzido por seu marido (inseminação artificial homóloga) é um ato gravemente desordenado. A malícia aumenta quando o esperma é proveniente de um terceiro (inseminação artificial heteróloga), pois, neste caso, trata-se de um adultério.

Fertilização in vitro

A fertilização in vitro (FIV) — seja ela homóloga ou heteróloga —, na qual o óvulo e o esperma são juntados em um tubo de proveta e posteriormente se introduzem alguns embriões no aparelho reprodutor da mulher, constitui também uma ofensa à dignidade do matrimônio e à transmissão da vida.

Tanto a inseminação artificial como a fecundação in vitro têm um agravante: o esperma do homem é obtido mediante a masturbação, que é um pecado grave.

No caso da fecundação in vitro, ocorre ainda outro problema: o excesso de embriões. Para garantir êxito, o médico estimula uma super-ovulação, com injeções diárias de hormônios durante dez dias. A mulher produz, então, cerca de 15 óvulos, ao invés de um. Os óvulos, então, são postos em contato com os espermatozóides e são fecundados. Há agora quinze ovos ou zigotos, ou seja, quinze seres humanos, como eu ou você, dentro de um tubo de ensaio. Dos quinze, cerca de dez chegam ao estágio de embrião. Obviamente não se colocam os dez embriões dentro do útero da mãe. Transferem-se normalmente quatro, dos quais vários vão morrer sem conseguir ser implantados no endométrio. O eventual sobrevivente desse holocausto nascerá, será fotografado e exibido em capa de revista, como uma resultado glorioso da tecnologia.

E agora, uma pergunta crucial: o que fazer com os outros seis embriões que não foram transferidos? A “solução” encontrada tem sido congelá-los em nitrogênio líquido (criopreservação).

Resolução Normativa 1.358/92 do Conselho Federal de Medicina

“Normas Éticas para a Utilização das Técnicas de Reprodução Assistida”.

“V – Criopreservação de Gametas ou Pré-Embriões[1]

1 – As clínicas, centros ou serviços podem criopreservar espermatozóides, óvulos e pré-embriões.

2 – O número total de pré-embriões produzidos em laboratório será comunicado aos pacientes, para que se decida quantos pré-embriões serão transferidos a fresco, devendo o excedente ser criopreservado, não podendo ser descartado ou destruído.”

Mas… congelar até quando? A crioconservação é cara e nem sempre os pais estão dispostos a implantar os embriões excedentes. “Não se sabe exatamente quantos embriões congelados existem no país. Mas pode-se ter uma idéia: três das maiores clínicas em São Paulo reúnem, cada uma, cerca de mil embriões. Foram obrigadas a dobrar o espaço nas geladeiras” (Excessos de Proveta, Época, 30 de agosto de 1999, p. 86).

Há no Congresso Nacional projetos de lei tentando “regulamentar” a chamada “reprodução assistida”. Lamentavelmente, há a tendência de se permitir, ou até obrigar o descarte dos embriões humanos excedentes.

O têrmo “pré-embrião” é preconceituoso. Designa os embriões já concebidos, mas ainda não implantados no útero. O motivo pelo qual recentemente se têm chamado tais embriões de “pré-embriões” é sugerir que não se tratam de seres humanos e que, portanto, podem ser descartados ou manipulados. Apesar disso, a Resolução Normativa ainda não autoriza o seu descarte ou destruição.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz – Curso de Bioética -