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26 de jan. de 2012

Os pecados contra o Espírito Santo


Além dos pecados mortais (pecados graves) e dos pecados veniais (pecados leves), há uma outra qualificação de pecados justamente por serem pecados especiais e com um alcance de malicia diferenciado... Irei tratar mais abaixo dessa qualificativa diferenciada.

Os pecados mortais (que são pecados graves) nos afastam de Deus e nos levam ao inferno. Somente através de uma boa confissão é que somos perdoados. Para se fazer uma boa confissão é preciso ter fé que o padre tem o poder de absolver-te (poder esse dado pelo próprio Jesus Cristo: Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos - São João 20, versículo 23). É preciso também estar arrependido de ter pecado e prometer nunca mais faze-lo novamente.

Os pecados veniais (que são pecados leves, como, por exemplo, uma pequena mentira, que não prejudique ninguém, uma gulodice que não traga prejuízos sérios à saúde, etc...) também nos afasta de Deus, mas não merecemos o inferno por causa deles, por que são culpas leves. Se morrermos com pecados veniais, iremos pagar nossas culpas no purgatório, e depois iremos ao céu. Sendo Deus puríssimo, inadmissível que se fique em Sua Divina presença com alguma mancha por menor que seja. Os pecados veniais são perdoados rezando-se um Ato de Contrição, ou com arrependimento praticando um outro ato de piedade.

Mas no entanto, por causa do alto grau de malícia que existe em alguns tipos de pecados, recebem um outro tipo de qualificação. Como, por exemplo, “Pecados que Bradam aos Céus e clamam a Deus por vingança” (homicídio voluntário, por exemplo).

Mas hoje, em especial, irei tratar dos PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO para os quais não há perdão.

Os pecados contra o Espírito Santo são seis, e chamam-se estes pecados particularmente pecados contra o Espírito Santo, porque se cometem por pura malícia, o que é contrário à bondade que se atribui ao Espírito Santo (Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã de São Pio X):

1º - Desespero de salvação: Ocorre quando a pessoa já pecou tanto que entra em desespero achando que não há mais salvação para ela. Fica convencida de que não há mais solução e que seu destino é o inferno. NOTE-SE QUE NESTE CASO A PESSOA NÃO SE CONFESSA POR QUE ACREDITA QUE NÃO ADIANTA, E QUE ESTÁ DEFINITIVAMENTE CONDENADA.

2º - Presunção de salvação sem merecimento: Ocorre quando a pessoa se acha muito virtuosa que pensa que já está no céu e por isso por mais que possa ter feito algum pecado, Deus lhe perdoará. Implica num sentimento de orgulho achando de que está salva pelo que já fez na vida. NOTE-SE QUE NESTE CASO A PESSOA NÃO SE CONFESSA POR QUE ACHA DESNECESSÁRIO; ACREDITA QUE JÁ ESTÁ SALVA.

3º - Negar a verdade conhecida como tal: Ocorre quando a pessoa se julga “dona da verdade” e por isso não aceita as verdades da fé por puro orgulho. NOTE-SE QUE NESTE CASO A PESSOA NÃO SE CONFESSA POR QUE ACHA QUE ESTÁ CERTA E QUE NÃO HÁ NADA A SE CONFESSAR. NEM CONSIDERA O PECADO DE DUVIDAR DAS VERDADES DA FÉ, OU MESMO NEGAR AS VERDADES DA FÉ. A PESSOA ACHA QUE ESTÁ CERTA E QUE ESSA CERTEZA É ABSOLUTA. CONSIDERA QUE SABE MAIS DO QUE A PRÓPRIA IGREJA E COM ISSO NEGA QUE O ESPÍRITO SANTO AUXILIA O SAGRADO MAGISTÉRIO DA IGREJA.

4º - Inveja da graça fraterna: Ocorre quando a pessoa tem inveja da graça que Deus dá a outrem. O invejoso irrita-se por que o seu próximo conseguiu algo de bom e por isso revolta-se contra Deus. É o caso de Caim e Abel. Caim matou Abel por inveja. NOTE-SE QUE NESTE CASO A PESSOA NÃO SE CONFESSA POR QUE ESTÁ REVOLTADA CONTRA DEUS E NÃO HÁ ARREPENDIMENTO EM SEU CORAÇÃO.

5º - A obstinação no pecado: É quem peca não por fraqueza, mas por malícia. Peca não por que simplesmente teve tentação, mas por que AMA pecar. ORA, SE AMA PECAR, NÃO SE CONFESSA, POR QUE QUER CONTINUAR NO PECADO.

6º - A Impenitência final: Não é difícil de entender este pecado, pois uma pessoa que vem pecando a vida inteira, no final de sua existência continua sendo impenitente e não arrependido de tudo o que fez de mal. É a suprema e final rejeição à Deus. Mesmo estando no fim da vida e sabendo que vai morrer, a pessoa não quer mudar de vida. ESTA NÃO SE CONFESSA POR QUE REJEITA DEUS ATÉ NESTA HORA EXTREMA.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: Como pode se ver, os pecados contra o Espírito Santo são pecados de pura malícia, não de fraqueza, ou seja, a vontade da pessoa está endurecida de uma tal forma que ela JAMAIS SE CONFESSARÁ por que NÃO QUER SE CONFESSAR. Deus dá a todos a chance de se salvar e ir ao céu, mas quem peca contra o Espírito Santo não quer sair da situação em que se encontra, então Deus não pode salvar quem não quer se salvar, e por isso mesmo não tem perdão.

O QUE DIFERENCIA OS PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO DE OUTROS PECADOS É A VONTADE DA PESSOA, NÃO O ATO EM SÍ... OU SEJA, É A VONTADE QUE FAZ COM QUE A PESSOA NÃO QUEIRA MUDAR DE VIDA. Por isso se peca contra o Espírito Santo por ato de pura malícia, não por mera fraqueza.

Fonte: http://almascastelos.blogspot.com

12 de set. de 2011

Sofrer e Perdoar


Por Monsenhor Ascânio Brandão

Como é doce a paciência dos santos! Sabem sofrer e sabem perdoar! Um homem perverso e cruel atirou com violência uma pedra que foi ferir gravemente o santo e pobrezinho São Bento Labre. Inclinou-se humildemente o santo, tomou a pedra, beijou-a e colocou-a respeitosamente num muro do caminho.
Prosseguiu a viagem, a rezar todo o tempo pêlo seu agressor. Que doçura e paciência! Isto é ser cristão, é ser verdadeiro discípulo de Jesus Cristo! Quando muitas pedras de contradições, palavras duras e injúrias nos forem atiradas, fiquemos tranqüilos. Oremos pelos que nos perseguirem. É um meio excelente para recuperar a calma e dominar esses instintos de cólera e orgulho que não nos deixam em paz. Um dia Santa Isabel recebeu uma afronta. A injúria a foi ferir no âmago do coração. Sentiu-se perturbada e correu aos pés de Nosso Senhor. Fez violência ao coração e começou penosamente a rezar pelos que a insultaram, dizendo:
— "Meu Jesus, dai aos que me insultaram um benefício, uma graça que corresponda a cada injúria".
Quando assim rezava, Nosso Senhor lhe disse:
— "Nunca, me fizeste orações mais agradáveis e belas do que estas. Penetraram tuas súplicas até o fundo de meu coração. Perdôo, minha filha, por isso, todos os pecados de toda tua vida".
Tenhamos a doce certeza de que assim nos falará Nosso Senhor, se soubermos, como Ele, sofrer e perdoar!

Fonte: Breviário da Confiança, 1948

13 de jun. de 2011

Mês de Junho - Décimo terceiro dia

Coração misericordioso



A palavra misericordioso significa, literalmente, "dar o coração aos míseros" (miser-cor-dare). Quando Jesus nos disse para sermos misericordiosos como o Pai do Céu que faz chover sobre os justos e os injustos (cf Mt 5, 45), nos pedia para sermos bons e compreensivos para com os que não mereciam.

Nós sabemos que o mundo é um teatro de muitas maldades, injustiças e desonestidades. A tentação mais imediata que todos provamos é a de atingir os malfeitores e bandidos, tratando-os com a severidade que merecem. Mas se assim fazemos, não podemos ser jamais 'filhos do Altíssimo que é benigno até para os ingratos e os maus' (Lc 6, 35). Se o Coração de Jesus, ao contrário, não considerou a maldade, doou-se todo, continua a doar-se e se doará até o fim dos tempos (cf. Mt 28, 20). Ele chega ao ponto de se deixar prender sem resistência até para ser maltratado pelos sacrílegos, pelos traidores, pelos inimigos declarados, como os maçons que procuram Hóstias Consagradas para apunhalá-las nas lojas infames.

O Coração de Jesus é a fonte inesgotável de misericórdia. Até na cruz Ele grita com sangue e com a súplica de misericórdia pelos seus carrascos: "Pai, perdoai-os. Eles não sabem o que fazem!" (Lc 23, 34). Ele sabe de quanta fragilidade e miséria nós somos feitos, quanto facilmente somos vítimas de nós mesmos, das nossas paixões; quanta necessidade temos de ser saciados não só de pão (cf. Mt 4, 4), mas daquilo que nutre para vida eterna. Por isso o seu Coração está sempre pronto repetir com ansiedade de misericórdia o que disse antes da multiplicação dos pães: "Tenho piedade deste povo" (Mt 15, 32). Por isso Ele nos revelou o seu Coração e nos doou a Grande Promessa, que é um tesouro de misericórdia: "Eu prometo - disse Jesus a Margarida Maria Alacoque - no excesso da misericórdia do meu coração, que o meu amor onipontente concederá a todos os que comungarem na primeira sexta-feira do mês, por nove meses consecutivos, a graça da perseverança final. Eles não morrerão na desgraça, nem sem receber a Santa Comunhão e os Sacramentos, servindo eles o meu Coração de asilo seguro naquela hora extrema".



Coração invejoso


A inveja é o verme roedor que não só impede a misericórdia para quem cometeu o mal, mas de destruir até o bem que vê nos irmãos. "Como a água apaga o fogo, a inveja apaga a caridade" (São Vicente de Paula). São Basílio comparava os invejosos aos abutres que vão procurar e acham só as carcaças.

A inveja faz roer por dentro. Provoca a aversão do coração. Alimenta sentimentos de desprezo para com o outro. Desejaria ver o outro humilhado e ultrajado. Faz chegar ao ódio e ao crime. São Cipriano escrevia que a 'inveja é a semente de muitas loucuras'.

Pensemos em Caim, invejoso da retidão de Abel, a ponto de assassiná-lo. Pensemos em José, vendido a mercadores desconhecidos por irmãos invejosos. Pensemos no rei Saul que tentou matar Davi pela inveja que provava ao ouvir cantar a juventude judia: "Saul matou mil e Davi, dez mil" (I Sm 18, 7). Pense nos Escribas e nos fariseus, que invejavam Jesus pelos seus discursos e milagres, e procuravam com maldade suprimí-lo, porque "se O deixarmos agir, todos Lhe crerão" (Jo 11, 48).

Entre parentes e conhecidos, entre colegas e companheiros, entre amigos e estranhos, quantas vezes o coração do homem está cheio de inveja pelo bem dos outros: o bem material, o bem espiritual, o bem moral; todo bem pode ser objeto de inveja e nada foge a esta cobra venenosa que se arrasta. Por isso os antigos pintavam a inveja sob forma de uma velha pálida que come carne de serpente e víbora. O coração do invejoso é cheio de veneno, capaz de arruinar todo o bemm do irmão, sem resguardar nem a misericórdia, nem a justiça ou honestidade. Dizia bem São João Crisóstomo: "Só a inveja não oferece vantagem, nem menos aparente; nessa, tudo é vergonha, dor e perversidade". E o próprio São João Crisóstomo chegou a dizer que a inveja é um pecado mais que diabólico, porque os demônios invejam os homens, mas não se invejam entre si.

O coração de Jesus nos purifique com as suas chagas deste terrível veneno, livre o nosso coração desta pérfida serpente e nos doe a sua misericórdia para com todos.


Propósito:

- Fazer um ato de caridade ou de cortesia a alguém que nos magoou;
- Rezar as seguintes orações: (clique aqui).