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22 de dez. de 2011

O ignorado Natal

Às vésperas de uma das festas mais importantes e solenes da Sagrada Liturgia, o Natal vem sendo ignorado ano após ano.

Dia desses eu ia em um ônibus a um lugar e não pude deixar de ouvir a conversa de duas moças:

- Pois é, menina! Chegou o Natal!
- Ah, eu nem ligo muito pro Natal. Eu gosto mais é do Ano Novo.
- Já eu não ligo pra nenhum e nem outro.
- É mesmo? Ah, eu não dou bola pro Natal porque não tem nada pra fazer neste dia. No ano novo a gente se agita mais.
- É, tem razão...
- Vou descer no próximo ponto. Tchau. Fica com Deus.
- Vai com Ele. Deus abençoe.

Confesso que fiquei intrigada. A primeira coisa que me veio à mente é: como alguém que não dá a mínima para o Natal roga a Deus que abençoe alguém?

Imagem de Nsa Sra Grávida

Não cabe a mim julgar a atitude de ninguém, mas posso refletir sobre. Creio que a maioria das pessoas que se admitem cristãs não sabem o que, de fato, seja o cristianismo. Conferem-no apenas um sentido supersticioso e determinante, algo como "eu peço a Deus e Ele me faz porque me ama. Amém". Mal sabem estes cristãos que Jesus quis vir ao mundo para salvar a cada homem que existe, existiu e existirá.

Ao vir ao mundo, Jesus quis fazer uma nova aliança com o povo de Deus. Quis vir ao mundo pelo seio de uma Virgem. Desejou esta Virgem em Seu Coração desde toda a eternidade. Escolheu-a com total dignidade. Criou-a para uma única missão: ser Sua mãe. Sendo assim, se cremos que Deus é Onipotente e Onisciente, sabemos que Ele, ao criar Maria, já sabia o que dela esperar. Logo, é inaceitável e perigoso à fé pensar que Maria poderia ter dito não. Apesar de ela ter sido livre, Deus já a havia criado para este maravilhoso fim: gerar o filho de Deus. Maria foi porta do céu para o mundo. A porta da graça.

Contudo, quantos cristãos entendem isto? Muitos nem acolhem Maria como mãe. Ignoram o amor incondicional de Jesus por Sua Mãe como se Ele fosse um machista ou um filho muito mal educado. Confundem amor com adoração ou idolatria porque desconhecem a profundidade desta realidade divina: Cristo se fez um no seio de Maria, e ela a Ele se submeteu como escrava. Humanamente falando é impossível entender. Apenas com a graça e os olhos da fé.

Gerado no seio da Virgem, Jesus passou pelo mesmo processo que todos nós passamos. Foi um embrião, depois um feto, um bebê. Quando formado, nasceu. Foi amamentado, recebeu os primeiros alimentos, aprendeu a engatinhar, andar, falar. Recebeu a educação judaica. Observou os bons exemplos de seus pais terrenos. Formou-se marceneiro por influência de São José. Sua mãe foi Sua companhia até a cruz.

Refletir sobre a vida de Jesus desta forma faz com que reflitamos sobre a urgência de resgatar o sentido do Natal. Apesar de apreciarmos a imagem do Papai Noel, desconhecemos que este bom velhinho se origina de um Santo bispo Católico chamado Nicolau, por exemplo. Porém, mais do que esquecermos de São Nicolau, nos esquecemos do aniversariante deste dia: O próprio Cristo Jesus. Ele, que quis vir ao mundo para nos salvar, é rejeitado e ignorado. Continua, assim como em Sua época, a não ter um lar para nascer. Talvez hoje não lhe sobre nem uma manjedoura. Apenas corações empedernidos, esquecidos da riqueza espiritual que esta data nos traz.

São Nicolau

Independente se foi ou não o dia em que Jesus nasceu - e isto realmente não é o mais importante, afinal, Ele NASCEU! Isso é o que realmente importa - deveríamos neste dia 25 lembrarmos que a nossa história mudou no dia que Nosso Senhor Jesus Cristo nasceu. Sua vinda transformou a nossa vida. Seu nascimento mudou todo o rumo da humanidade. Sua morte erradicou nossa desgraça. Sua ressureição trouxe-nos a esperança perdida com o pecado original.

Se o Natal hoje perdeu o seu sentido, não é apenas porque deixamos elencarem esta data para um grande boom comercial, e sim, porque passamos a vê-lo como uma data "que não se tem o que fazer". E como há! É o dia em que devemos comemorar como se fosse o nosso aniversário. É o dia em que devemos louvar a Deus por Seu amor incondicional que trouxe ao mundo o Verbo Divino. É o dia em que devemos mostrar gratidão suprema ao Único Digno de todo louvor e glória.

Peçamos a Deus que não caiamos no marasmo. Que ano após ano possamos nos alegrar com esta data mais do que em qualquer outra.

São Nicolau, rogai por nós.

Um Santo e feliz Natal a todos.


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23 de dez. de 2010

Por favor: Não demonizem o Papai Noel

Às vésperas do Natal observo que ainda há grupos que queiram tirar o Papai Noel de cena. Uns alegam que o Bom Velhinho tira a real sacralidade da festa; outros querem retirá-lo por sacralizá-la (vide grupos na Alemanha esta semana). Exageros pautados em puritanismos, preconceitos e falta de entendimento.

É verdade que o comércio aproveitou-se da imagem do Papai Noel para fazer desta época uma oportunidade de lucro. Também se utiliza do Coelhinho da Páscoa para o mesmo fim. Porém, precisamos analisar se realmente estes símbolos são assim tão "maus" que devam ser extintos.


São Nicolau

A ideia do Papai Noel, embora inspirada em S. Nicolau, é uma caricatura da história do santo, um santo tão querido do Ocidente e do Oriente. Reza a história que S. Nicolau era um homem rico, e que três moças da redondeza desejavam casar-se, mas não tinham dinheiro. Ao ouvir os lamúrios que faziam da janela, Nicolau depositou na noite de Natal uma bolsa cheia de moedas de ouro, o que permitiu às moças condições de conseguirem marido. Daí vem a "lenda" de colocarmos o sapatinho na janela. S. Nicolau também é lembrado por ser o protetor das crianças e auxiliador dos pobres.

Contudo, há uma onda de muitos puritanos em que falar do Papai Noel é retirar o verdadeiro sentido do Natal. Nada mais mentiroso. E explico o porquê.

Primeiro que todos sabem que o Natal só existe graças ao nascimento de Cristo, assim como a Páscoa só existe graças à Sua Ressurreição. Mesmo que o comércio fale sobremaneiramente dos símbolos, a essência destas festas sempre será cristã. O aniversariante é Cristo e cabe aos pais explicar sobre este real sentido. Não é o comércio quem estará preocupado com isso, porque são os pais  quem introduzem nos filhos os valores morais e éticos. A escola e a sociedade só trabalhará a partir do que a criança já tem. Não é dever deles ensinar, e sim, da família.

Cabe lembrar também que o Papai Noel é um símbolo cristão que influência a todos. A bondade e a misericórdia estão presentes no Bom Velhinho, principalmente na assistência às crianças carentes que ficam radiantes com os presentes encontrados. Ele também nos lembra a vida abundante que Deus no dá, as alegrias que o Natal nos representa. Ele reflete as características da personalidade cristã. Sem contar que o uso desta imagem pode incitar nas crianças o desejo pela obediência.

Os símbolos sempre se fizeram presentes na fé católica. E o Natal está repleto deles: na guirlanda, na árvore, nos enfeites... Como isto pode ser excluído em nome de falácias que estes símbolos descontroem o nascimento de Cristo, se eles remontam, relembram, mencionam ao próprio Cristo?
O conceito de usar metáforas para dar uma moral é pedagógico e eficiente. Todas as fábulas têm em si um fundo moral. Se olharmos as origens dos contos de fadas e das fábulas, veremos que eles nasceram para os adultos. Com o tempo foram introduzidos para as crianças. Se estudarmos a origem dos contos e das fábulas, por ex., veremos que as histórias tratavam da realidade histórica e social da época. A primeira fábula que se tem notícia é a fábula do corpo e o estômago. Em miúdos, o corpo resolveu rebelar-se contra o estômago, que nada fazia e ficava com a melhor parte: a comida. Porém, o corpo enfraqueceu. Então o corpo entendeu que o trabalho do estômago era diferente da do corpo. Assim voltou a comer. Sabem para quem esta fábula foi contada? Para escravos na Grécia, justificando seu trabalho para o Rei. Portanto as fábulas, todas elas, trazem um fundo moral, um sentido para a vida, para algo que se queira ensinar. O mesmo acontece com as fábulas chinesas, sempre cheias de moral e que se fazem presentes em filmes, livros...

Se pegarmos os clássicos literários, veremos que muito foi adaptado conforme a evolução histórica. A  entrada do Caçador, valorizando o papel do Camponês no conto de Chapéuzinho Vermelho, só foi introduzido pelos Irmãos Grimm. E por que? Porque as fábulas e os contos mostram a evolução moral que a sociedade teve, e muito graças à Igreja durante a Romanização. Portanto ficar demonizando as fábulas e os contos é ver chifre em cabeça de cavalo, além de ser uma atitude violenta invadir a inocência de uma criança por causa de uma cisma com o velhinho.

Jesus utilizava parábolas com seus discípulos e todas tinham o objetivo de ensinar algo. É verdade que as parábolas diferem-se das fábulas, pois elas partem de algo real para o sobrenatural, ao contrário das fábulas, que partem do fantasioso para o real. Contudo, ambas são associações, assimilações, metáforas que tem o objetivo de ensinar, de mostrar algo, de construir um pensamento, de filosofar.

A própria Bíblia se utiliza de metáforas e nem por isso a achamos mais ou menos sacra. O livro do Cântico dos Cânticos, por ex., é poesia repleta de metáforas que falam do amor esponsal de Deus por Sua Igreja. E se na fé existem símbolos e metáforas que nos auxiliam a associar o Divino, por que excluiríamos as fábulas para auxiliar no processo cognitivo, filosófico e formador da criança? Por puro puritanismo? Por favor!!!

Deixo aqui um capítulo do livro Ortodoxia, de G.K Chesterton, onde explica sobre a benevolência das fábulas. Lembrando que Chesterton está em processo de beatificação na Igreja. Mais uma prova que se fábulas fossem pecado, a Igreja seria a primeira a condená-las. Deixo também este vídeo do grupo Santander, falando sobre S. Nicolau e o Natal.

Deixem o Bom Velhinho em paz. Chega de santanizá-lo por nada!