Exorcismo

Padres Exorcistas explicam

Consagração a Virgem Maria

Escravidão a Santissima Virgem, Orações, Devoção

Formação para Jovens

Espiritualidade, sexualidade, diverção, oração

Mostrando postagens com marcador Evangelho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Evangelho. Mostrar todas as postagens

16 de jul. de 2011

Francisco Fernández Carvajal medita sobre o joio da má doutrina.



I. O SENHOR PROPÕE‑NOS no Evangelho da Missa a parábola do trigo e do joio1. O mundo é o campo em que o Senhor semeia continuamente a semente da sua graça: semente divina que, ao arraigar nas almas, produz frutos de santidade. Com que amor Jesus nos dá a sua graça! Para Ele, cada homem é único, e, para redimi‑lo, não vacilou em assumir a nossa natureza humana. Preparou‑nos como terra boa e deixou‑nos a sua doutrina salvadora. Mas enquanto os homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi‑se.

O joio é uma planta que nasce geralmente no meio dos cereais e que cresce ao mesmo tempo que eles. É tão parecido com o trigo que se torna muito difícil ao olho experiente do lavrador distingui‑lo do trigo antes de se formarem as espigas. Mais tarde, diferencia‑se pela sua espiga mais fina e pelo fruto minúsculo; distingue‑se sobretudo porque o joio não só é estéril como, além disso, misturado com a farinha boa, contamina o pão e é prejudicial ao homem2. Semear joio entre o trigo era um caso de vingança pessoal que se dava não poucas vezes no Oriente. As pragas de joio eram muito temidas pelos camponeses, pois podiam chegar a inutilizar toda a colheita.

Os Santos Padres viram no joio uma imagem da má doutrina, do erro3, que, sobretudo nos começos, pode confundir‑se com a própria verdade, “porque é próprio do demônio misturar o erro com a verdade”4 e é difícil distingui‑los; mas, depois, o erro sempre produz conseqüências catastróficas no povo de Deus.

A parábola não perdeu atualidade: muitos cristãos dormiram e permitiram que o inimigo semeasse a má semente na mais completa impunidade; surgiram erros sobre quase todas as verdades da fé e da moral. É necessário que vigiemos dia e noite, e não nos deixemos surpreender; que vigiemos para podermos ser fiéis a todas as exigências da vocação cristã, para não deixarmos prosperar o erro, que leva rapidamente à esterilidade e ao afastamento de Deus. É necessário que vigiemos sobretudo o nosso coração, sem falsas desculpas de idade ou de experiência, pois o coração é um traidor, e tem que estar fechado a sete chaves5.

II. O ERRO E A IGNORÂNCIA produziram muitos estragos. O profeta Oséias, olhando para o seu povo e vendo‑o longe da felicidade para a qual estava chamado, escreveu: O meu povo definha por falta de ciência6. Quantas pessoas não andam metidas na tristeza, no pecado, no desconsolo, na maior das desorientações, por desconhecerem a verdade de Deus! Quantos não se deixam arrastar por modas ou pelas idéias que uns poucos homens situados em lugares de influência impõem, ou são arrastados por falsos raciocínios, com a cumplicidade tão freqüente das más paixões!

O inimigo de Deus e das almas sempre lançou mão de todos os meios humanos possíveis. Vemos, por exemplo, que ora se desfiguram umas notícias, ora se silenciam outras; ora se propagam idéias demolidoras sobre o casamento, por meio dos seriados de televisão de grande alcance, ora se ridiculariza o valor da castidade e do celibato; propugna‑se o aborto ou a eutanásia, ou semeia‑se a desconfiança em relação aos sacramentos e se dá uma visão pagã da vida, como se Cristo não tivesse vindo redimir‑nos e lembrar‑nos que o Céu nos espera. E tudo isto com uma constância e um empenho incríveis. O inimigo não descansa.

Nós, que queremos seguir os passos do Mestre, não vamos ficar calados, como se as coisas fossem irreparáveis e já nada tivesse remédio. Pode‑se imprimir um rumo diferente à história, porque não está predestinada para o mal e Deus nos deu a liberdade para que saibamos conduzi‑la até Ele.

É uma tarefa de todos: a cada cristão, esteja onde estiver, compete‑lhe a missão de tirar os homens da sua ignorância e dos seus erros. Ainda que haja profissões que possam ter uma maior influência na vida pública, todos podemos e devemos semear a boa semente com simpatia, com amabilidade, com oportunidade, na própria família, entre os amigos, entre os colegas de trabalho ou de estudo: esclarecendo os erros com a serenidade e a segurança de quem tem a verdade do seu lado, facilitando aos outros os meios de formação oportunos, como umas palestras de formação religiosa, aconselhando‑lhes um bom livro de conteúdo doutrinal sério, animando‑os com o exemplo pessoal a comportar‑se como bons cristãos.

Muitos sentir‑se‑ão fortalecidos pela nossa conduta serena e firme, e estimulados por sua vez a enfrentar essa avalanche de má doutrina que parece irreprimível: eles próprios se converterão em focos de luz para muitos que andam na escuridão. E veremos como em tantos casos se cumprirão aquelas palavras dirigidas por Tertuliano ao mundo pagão que rejeitava a doutrina de Jesus Cristo: Deixam de odiar os que deixam de ignorar7.

Devemos tirar o máximo proveito das mil oportunidades que a vida ordinária nos oferece, para semear a boa semente de Cristo: numa viagem, ao ler o jornal, ao falar com os vizinhos, a propósito da educação dos filhos, ao participar nos organismos de classe... Em muitas ocasiões, elas surgirão espontaneamente, como parte da vida; noutras, com a ajuda da graça e com garbo humano, saberemos provocá‑las. Assim estaremos a serviço de Cristo; somos a sua voz no mundo. Assim não cairemos no sono, que foi a ocasião que o inimigo aproveitou para semear o joio.

III. A ABUNDÂNCIA DE JOIO só pode ser enfrentada com maior abundância ainda de boa doutrina: vencer o mal com o bem8, com o exemplo da vida e a coerência da conduta. O Senhor chama‑nos para que procuremos a santidade no meio do mundo, no cumprimento dos deveres quotidianos; e esta chamada reclama de nós uma presença ativa nas realidades humanas nobres que de alguma maneira nos dizem respeito. Não basta lamentar‑se perante tantos erros e perante meios tão poderosos para difundi‑los, sobretudo num momento em que “uma sutil perseguição condena a Igreja a morrer de inanição, expulsando‑a da vida pública e, sobretudo, impedindo‑a de intervir na educação, na cultura, na vida familiar.

“Não são direitos nossos: são de Deus, e foi Ele que os confiou a nós, os católicos..., para que os exerçamos!”9

É hora de sairmos à luz do dia de peito descoberto, com todos os meios, poucos ou muitos, que tenhamos ao nosso alcance, e com a disposição de não deixar de aproveitar uma só ocasião que se nos apresente. Devemos também dizer aos nossos amigos, aos que seguem ou começam a dar os primeiros passos em seguimento do Mestre, que Ele precisa de nós para que tantas pessoas não fiquem sem conhecê‑lo e sem amá‑lo. Hoje podemos perguntar‑nos na nossa oração: o que posso eu fazer – na minha família, no meu trabalho, na escola, no agrupamento social ou esportivo a que pertenço, entre os meus vizinhos... – para que Cristo esteja realmente presente com a sua graça e a sua doutrina nessas pessoas? De que meios posso servir‑me com mais proveito para aproximá‑los de Deus?

As modas passam, e, quanto àqueles aspectos contrários à doutrina de Jesus Cristo que possam perdurar, nós os mudaremos com empenho, com alegria, com santa persistência humana e sobrenatural. A primeira Leitura da Missa anima‑nos a confiar no poder de Deus: Tu mostras o teu poder àqueles que duvidam de que sejas soberanamente poderoso, e confundes a audácia dos que não te reconhecem10. Nada é inevitável, tudo pode tomar outro rumo, quando há homens e mulheres que amam a Cristo e estão santamente empenhados em fazer com que os costumes estejam mais de acordo com o querer de Deus.

Para isso é necessária a ajuda da graça, que não falta, e é necessário que cada um, cada uma, queira realmente ser instrumento do Senhor no lugar em que está, para mostrar com o seu exemplo e com a sua palavra que a doutrina de Jesus Cristo é a única que pode trazer a felicidade e a alegria ao mundo:
“«Influi tanto o ambiente!», disseste‑me. E tive que responder: – Sem dúvida. Por isso é mister que [...] saibais levar convosco, com naturalidade, o vosso próprio ambiente, para dar o «vosso tom» à sociedade em que viveis.

“– E, então, se apreendeste esse espírito, tenho a certeza de que me dirás com o pasmo dos primeiros discípulos ao contemplarem as primícias dos milagres que se operavam por suas mãos em nome de Cristo: «Influímos tanto no ambiente!»”11
(1) Mt 13, 24‑43; (2) cfr. F. Prat, Jesucristo, su vida, su doctrina, su obra, 2ª ed., Jus, México, 1948, vol. I, pág. 289; (3) cfr. São João Crisóstomo, Homilias sobre o Evangelho de São Mateus, 47; Santo Agostinho, em Catena aurea, vol. II, pág. 240; (4) São João Crisóstomo, em Catena aurea, vol. II, pág. 238; (5) cfr. Josemaría Escrivá, Caminho, n. 188; (6) Os 4, 6; (7) Tertuliano, Ad nationes, 1, 1; (8) cfr. Rom 12, 21; (9) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 310; (10) Sab 12, 17; (11) Josemaría Escrivá, Caminho, n. 376.

Fonte: http://www.hablarcondios.org/pt/meditacaodiaria.asp

Comentário do Evangelho do XVI Domingo do Tempo Comum Ano A 17/07/2011. Nas palavras do Padre Mateus Maria.



Continuação da Parábola do Semeador. Na continuação desta parábola o Senhor diz que a semente agora que cai em terra boa, dá frutos, mas neste campo, que é o nosso coração, nele ainda é semeado pelo maligno o joio, o mal, o qual será separado após o tempo da graça, no dia da colheita... para meditar, assista o vídeo.
Caso não abrir clique: http://pt.gloria.tv/?media=175447

3 de jul. de 2011

Sermão de São Bernardo sobre São Pedro e São Paulo

«Sou o menor dos apóstolos, nem sou digno de ser chamado Apóstolo» (1 Cor 15,9)
"É com razão, irmãos, que a Igreja aplica aos santos apóstolos Pedro e Paulo estas palavras do Sábio: «Aqueles foram homens de misericórdia, cujas obras de piedade não foram esquecidas. Na sua descendência permanecem os seus bens, e a sua herança passa à sua posteridade» (Sir 44, 10-11). Sim, podemos, com propriedade, chamar-lhes homens de misericórdia; porque eles obtiveram misericórdia para eles próprios, porque estão cheios de misericórdia, e porque foi na Sua misericórdia que Deus no-los deu.

Vede, com efeito, que misericórdia eles obtiveram. Se interrogardes o apóstolo São Paulo sobre este assunto [...], ele dir-vos-á estas palavras acerca de si mesmo: «Antes fora blasfemo, perseguidor e violento. Mas alcancei misericórdia, porque agi por ignorância, sem ter fé ainda» (1 Tm 1,13). De facto, não sabemos nós o mal que ele fez aos cristãos de Jerusalém [...] e até aos de toda a Judeia? [...] Quanto ao bem-aventurado Pedro, tenho outra coisa a dizer-vos, e coisa sublime quanto única. Com efeito, se Paulo pecou, fê-lo sem o saber, porque não tinha fé; Pedro, pelo contrário, tinha os olhos bem abertos no momento da queda (Mt 26,69ss). Mas «onde aumentou o pecado, superabundou a graça» (Rm 5,20). [...] Se São Pedro pôde elevar-se a um tal grau de santidade depois de uma queda tão pesada, quem poderá desesperar a partir de então, por pouco que persevere em sair de seus pecados? Atentai no que diz o Evangelho: «E Pedro [...], saindo para fora, chorou amargamente» (v. 75) [...].

Ouvistes que misericórdia obtiveram os apóstolos, e de então em diante ninguém de entre vós será esmagado pelas faltas passadas mais do que for preciso [...]. Se pecaste, não pecou Paulo ainda mais? Se caíste, não caiu Pedro de maneira bem mais grave do que tu? Ora, um e outro, pela penitência, não só obtiveram a salvação como se tornaram grandes santos, e tornaram-se mesmo ministros da salvação, mestres da santidade. Faz portanto o mesmo, irmão, pois é por ti que a Escritura lhes chama «homens de misericórdia»."

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja

3º sermão para a festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo.
Extraído de: evangelhoquotidiano.org 

Fonte: www.salvemaliturgia.com

14 de jun. de 2011

Comentário da Mensagem de Medjugorje 02/06/11

Comentário de Pe.Mateus Maria, FMDJ, sobre a Mensagem de Nossa Senhora Rainha da Paz, em Medjugorje, no dia 02/06/11.




10 de jun. de 2011

Artigo de D. Henrique Soares: Pentecostes: o Dom do Ressuscitado derramado sobre a Igreja

O tempo pascal conclui-se com a Solenidade de Pentecostes, celebração do Espírito Santo, Dom que o Cristo morto e ressuscitado faz à sua Igreja. Vejamos alguns aspectos do significado profundo deste mistério tão importante da nossa fé.

(1) O dom do Espírito Santo é fruto da Páscoa de Cristo. Morto como homem, ele foi ressuscitado pelo Pai na força do Espírito Santo derramado sobre ele (cf. 1Tm 3,16; Rm 1,4). O Espírito torna-se a própria energia divina que sustenta e vivifica a natureza humana de Jesus, de tal modo que São Paulo chega a dizer que o Senhor Jesus é Espírito (cf. 2Cor 3,18). É assim que o Senhor Jesus se torna doador do Espírito Santo: “Exaltado pela Direita de Deus, ele (Jesus) recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e o derramou” (At 2,33).

(2) Este derramamento do Espírito deu-se no próprio dia da ressurreição, “na tarde daquele mesmo dia” (Jo 20,19): Jesus entrou no Cenáculo estando fechadas as portas, soprou sobre os Onze e disse: ‘Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). Aqui nasce a Igreja, aqui os apóstolos são batizados no Espírito Santo, tornando-se cristãos, pois receberam aqui a vida nova do Cristo morto e ressuscitado!

(3) Sendo assim, qual o sentido da festa de Pentecostes? Os judeus celebravam-na cinqüenta dias após a Páscoa para comemorar o dom da Lei que Deus fizera ao povo de Israel. Os israelitas saíram do Egito, atravessaram o Mar e, cinqüenta dias após, chegaram ao pé do Monte Sinai, onde Deus lhes dera a Lei. Como Pentecostes sempre coincidia com o início da colheita, também era considerado a Festa das Primícias. Pois bem: cinqüenta dias após a Páscoa de Jesus, os apóstolos reunidos em Jerusalém, receberam o Espírito de um modo vistoso, barulhento, com fenômenos exteriores. A idéia é muito clara: para o novo povo de Deus, que é a Igreja, a Lei não é mais a Lei dos judeus, mas o Espírito de Amor que Jesus derramou nos nossos corações e que habita em nós (cf. Rm 5,5). O amor que Jesus nos deu como mandamento não é um sentimento, mas é o seu próprio Espírito, no qual unicamente podemos nos amar como ele amou. É este amor que é a plenitude da Lei (cf. Rm 13,8.10). Se olharmos com atenção o texto dos Atos dos Apóstolos que narra a vinda do Espírito, veremos as mesmas características do Monte Sinai: no deserto, dom da Lei acontece no quadro de uma tempestade [“houve trovões, relâmpagos...’ (Ex 19,16)], uma erupção vulcânica [“uma espessa nuvem sobre a montanha, e um clamor muito forte de trombeta... toda a montanha do Sinai fumegava... a sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha...” (Ex 19,16.18)] e um terremoto [“toda a montanha tremia violentamente” (Ex 19,18)]; no Cenáculo, aparecem os mesmo sinais: ruído, vendaval impetuoso, línguas como de fogo (cf. At 2,2s). a Igreja, fruto da ação do Espírito do Ressuscitado é também primícias da colheita de tudo quanto Cristo realizou na sua páscoa.

(4) Se procurarmos articular o dom do Espírito no dia mesmo da ressurreição (cf. Jo 20,19) com o dom do Espírito em Pentecostes (cf. At 2), podemos dizer o seguinte: o dom do Espírito em João, no dia da ressurreição, equivale ao nosso batismo, quando recebemos, no símbolo da água, o Espírito de vida do Cristo ressuscitado. Nele, recebemos uma vida nova, que germina até a glória eterna. Já o dom do Espírito em Pentecostes equivale à experiência de cada cristão no sacramento da crisma, quando nos é dado o Espírito de força para o testemunho de Jesus e a edificação do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Agora, com a manifestação no Cenáculo, a Igreja abre as portas e começa a sair de si, lançando-se nas estradas do mundo para testemunhar Jesus e construir-se como comunidade dos discípulos daquele que morreu e ressuscitou.

(5) Na solenidade de Pentecostes é isto que celebramos: o dom do Espírito que é dado à Igreja continuamente, na pregação da Palavra e, sobretudo, nos sacramentos, de modo particular no batismo e na eucaristia. Em cada sacramento, a Igreja suplica ao Pai o dom do Espírito do Filho, que a una sempre mais ao Ressuscitado, vá dando-lhe a vida nova que ele, seu Senhor e Esposo, agora tem à direita do Pai e, assim, vá conduzindo-a mais e mais à vida eterna.

(6) Nunca esqueçamos que, sem o Espírito, não há nem pode haver Igreja. Somente nele, a vida do Cristo permanece e é continuamente renovada na Comunidade dos discípulos; somente no Espírito é possível viver em Cristo, fazer o bem por amor de Cristo... Somente no Espírito o Evangelho pode ser anunciado como boa-nova e não como letra morta e preceito exterior e opressor. É no Espírito Santo que a vida do Cristo não somente está no nosso meio, mas em nós, no nosso interior, inspirando-nos para o bem, dando-nos força contra o mal, plasmando em nós os sentimentos de Jesus e nos preparando para a vida eterna. Somente no Espírito a Comunidade pode se manter unida na verdadeira fé e ligada no mesmo amor, sem, contudo, sufocar as diversidades existentes. Só no Espírito, a Igreja pode se lançar para o futuro, sem ter medo das novidades e, ao mesmo tempo, manter-se fiel ao passado de sua origem, sem tornar-se ancrônica ou ultrapassada. É por tudo isso que o Espírito foi chamado pelos Santos Padres da Igreja Antiga de “alma da Igreja”: ele a vivifica, a mantém unida, a faz cresce e a conduz à plenitude. É também por isso que a Igreja é real e verdadeiramente Templo do Espírito Santo, que nela habita e repousa, nela permanecendo até transfigurá-la completamente no final dos tempos, quando, então, ela será plenamente Corpo do Cristo glorioso e povo de Deus Pai, para sempre.

Fonte: http://costa_hs.blog.uol.com.br/index.html

4 de jun. de 2011

O significado teológico da Ascensão do Senhor

Por Don Henrique Soares


Façamos antes de tudo duas observações: (1) Jesus ressuscitado tem uma vida divina, o Espírito Santo que ele recebeu do Pai na ressurreição e, agora, impregna toda a sua natureza humana, corpo e alma. Ora, esta vida divina do Ressuscitado é a força criadora e sustentadora de todo o tempo: Jesus entrou, pela ressurreição e imediatamente após a ressurreição, no princípio dos tempos, acima de todos os tempos, trazendo em seu presente todos os tempos. Sendo a vida divina o suporte de todo o tempo e seu eterno presente, o Cristo ressuscitado não somente pode interferir no tempo, mas também manifestar-se nele progressivamente pelas aparições, ascensão e pentecostes. (2) O «céu» ao qual se alude na ascensão não é um lugar físico, mas a própria vida na comunhão trinitária: é o âmbito do Deus Uno e Trino, o estar do Filho com o Pai no Espírito Santo, numa comunhão plena e inenarrável de vida e amor, de plenitude e glória.

Biblicamente os dados sobre a ascensão são variados e complexos: (a) Mateus não fala dela porque deseja sublinhar a presença contínua de Jesus entre os seus discípulos: "Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!" (Mt 28,20). (b) Para Marcos a ascensão, apresentada logo depois do colóquio com os discípulos no Cenáculo, é vista como o ingresso definitivo de Jesus, também com a sua humanidade, na onipotência divina (cf. Mc 16,19). O «sentar-se à direita» indica a participação de Cristo, também com sua natureza humana, na potência real de Deus. Já São João Damasceno notava que a Direita do Pai não é um lugar, mas imagem da sua potência criadora. O “sentar-se à direita” significa, em última análise, que Cristo entrou, também com a sua natureza humana, na potência onicompreensiva de Deus. (c) Lucas, por sua vez, coloca a ascensão na mesma tarde da ressurreição (cf. Lc 24,13.19). (d) Em João, esta acontece na manhã mesma da ressurreição (cf. Jo 20,17). (e) É para os Atos dos Apóstolos – cujo autor é também Lucas - que a ascensão ocorre somente quarenta dias após a páscoa (cf. At 1,2s) e com uma descrição muito diferente da do Terceiro evangelho (cf. At 1,9-11)! Uma coisa é certa: no pensamento do Novo Testamento, a ascensão deve ser colocada em relação com a ressurreição, tratando-se, portanto, de um evento que sublinha a glorificação celeste de Cristo. Esta é a sua primeira especificidade em relação à ressurreição. Ao afirmarmos a ressurreição, queremos dizer que Cristo foi vivificado, que venceu a morte, que o Pai não o abandonou e glorificou sua humanidade. Ao proclamarmos a ascensão, dizemos que este Cristo está com o Pai, imerso na sua glória e participando do seu senhorio sobre todos os tempos e toda a criação.

A diversidade temporal entre ressurreição e ascensão, apresentada nos textos do Novo Testamento (um espaço de quarenta dias nos Atos, enquanto no próprio Evangelho do mesmo Lucas, ela é colocada no mesmo dia da ressurreição – cf. 24,50s!) não é importante e deve-se à diferença tempo-eternidade. Cristo, ressuscitado e subido ao céu no mesmo dia da Páscoa, não cessou, por algum tempo, de dar instruções aos seus discípulos (cf. At 1,2) – é isto que os textos bíblicos querem dizer. Note-se que o evento enquanto tal é real e possui um significado próprio; em outras palavras: a ascensão não é um mito; é uma realidade e um mistério de fé bem concreto. O modo como ela é narrada nos Atos é que tem um forte tom alegórico para exprimir uma realidade que nos ultrapassa totalmente! Logo Lucas, tão preocupado com a dimensão histórica (cf. Lc 1,1-4), propositalmente apresenta a ascensão de dois modos tão diversos (no Evangelho e nos Atos) exatamente para chamar atenção para a finalidade teológica de sua apresentação: a ressurreição não significa que a história humana tenha chegado ao seu termo e que o retorno de Jesus seja imediato. Lucas deseja mostrar que, a partir da Páscoa, Deus concede à Igreja espaço e tempo para desenvolver-se além de Jerusalém, da Judéia e da Samaria, até os confins da terra (cf. At 1,18). Assim, a ascensão não pode ser pensada como uma viagem espácio-temporal de um Jesus voando pelo espaço sideral, mas como entrada de Jesus-homem no âmbito do Pai, na sua glória divina. Sua humanidade, igual à nossa, agora está divinizada e entrou no âmbito de Deus uno e trino! Assim, trata-se de um caminho para o Pai, sendo um evento meta-histórico, transcendente, que se realiza no silêncio santo do mistério de Deus. É importante insistir: a ascensão não acontece na história humana; é um evento real, mas não é um evento histórico, pois ocorre no seio do Deus-Trindade! Note-se que aquele que ascende já não mais pertencia a este mundo: não é alguém deste mundo, mas o Ressuscitado – aquele que saiu do mundo na sexta-feira santa, entrando na morte, e saiu da morte, ressuscitado no domingo de páscoa, para entrar no Pai! Por isto mesmo, não se trata de um caminho visível, podendo ser narrado somente metaforicamente. Efetivamente, é o que São Lucas faz nos Atos dos Apóstolos!

Teologicamente, podemos apontar quatro significados para este evento salvífico:

1 - A ascensão como presença permanente de Cristo glorioso na Igreja. Neste sentido move-se o silêncio de Mateus: para ele a ascensão é um evento invisível aos homens, que se realizou em relação com a ressurreição. Mateus a compreende como presença contínua e misteriosa de Jesus entre os discípulos mesmo após a ressurreição: "Toda autoridade sobre o céu e sobre a terra me foi entregue. Ide, e fazei que todas as nações se tornem discípulos... E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28,18-20). Assim, Mateus interpreta a vida do cristão na espera da Vinda do Senhor como uma existência em sua companhia já agora (cf. Mt 18,20): Cristo está presente também na ação apostólica da Igreja. Esta convicção está presente também nos outros textos neotestamentários: após a ascensão, são os discípulos que se tornam a manifestação da presença do Senhor no mundo. A ascensão é, portanto, um mistério de transformação íntima: até então Jesus tinha se dirigido ao mundo de modo visível; a partir de sua subida, ele encontra o mundo através dos seus discípulos; é neles que o Senhor se dirige ao mundo. A ascensão não é um perder-se de Jesus na imensidão do céu, mas sua plena imersão na Igreja, Comunidade dos seus discípulos, nos quais ele efunde o seu Espírito. Isto quer dizer que o Cristo está muito mais íntimo e interior à sua Igreja, aos seus discípulos e ao próprio mundo que antes da ressurreição!

2 - A ascensão como evento escatológico. A narrativa dos Atos sublinha este sentido: as nuvens podem evocar a parusia final, Vinda gloriosa do Senhor (cf. Lc 21,27; Ap 1,7; 14,14) em conexão com a presença e as palavras dos anjos: "Este Jesus, que foi arrebatado dentre vós para o céu, assim virá, do mesmo modo como o vistes partir para o céu (At 1,11). Note-se que aqui são indicados dois importantes momentos da historiada salvação: ascensão e parusia; ambos são aspectos da mesma dignidade messiânica de Jesus - no primeiro momento (ascensão) ele entra no âmbito de Deus para tomar posse do reino escatológico, cuja potência descerá manifestamente ao mundo no Último Dia (parusia). A Igreja, novo povo de Deus vive, então, com o olhar para o céu, numa atitude de espera, de modo que a ascensão sublinha esta ânsia escatológica da Igreja e seu desejo de estar novamente com o Senhor.

3 - Ascensão como retorno ao Pai. Para João, a ascensão torna-se visível no levantamento da cruz (cf. Jo 3,14; 8,28; 12,32s): trata-se do momento do retorno de Jesus ao Pai. Assim, todo o destino de Jesus é finalizado à ascensão: sua descida pela encarnação é já endereçada à subida: "Saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou para o Pai" (Jo 16,28); "Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem" (Jo 3,13). Deste modo, a ascensão é o cumprimento da encarnação e da redenção: o Ressuscitado já subiu ao céu, já foi entronizado à Direita do Pai, atraindo seus discípulos a esta comunhão divina (cf. Jo 14,20; 17,23). Jesus, entronizado junto ao Pai, e Senhor de tudo e pólo de atração de toda a história humana e de todo o universo!

4 - A ascensão no seu aspecto cósmico e sacerdotal. Para Paulo, a ascensão leva a cumprimento um caminho cósmico de Cristo, que do mais profundo dos abismos conduziu-o à Direita de Deus: "O que desceu é também o que subiu acima de todos os céus, a fim de plenificar todas as coisas" (Ef 4,10). A partir de agora, tudo, no céu e na terra, está debaixo do senhorio do Ressuscitado e tudo caminha para ele. Ele é a plenitude e a consumação de todas as coisas! Na mesma linha move-se a 1Pd 3,22: "Tendo subido ao céu está à Direita de Deus, estando-lhe sujeitos os anjos, as Dominações e as Potestades". A Epístola aos Hebreus, por sua vez, compreende este ingresso de Cristo no céu como exercício do seu sumo sacerdócio no Santuário celeste (cf. 4,14; 6,19s): "Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, réplica do verdadeiro, e sim no próprio céu, a fim de comparecer, agora, diante da face de Deus em nosso favor" (9,24). Isto é, Aquele que entrou na plenitude da glória é o nosso eterno Salvador e Intercessor. É a mesma idéia do Apocalipse, ao falar do Cordeiro de pé como que imolado (cf. 5,4), isto é, o Cristo ressuscitado e glorificado diante do Trono do Pai, num esterno estado de imolação-intercessão por toda a humanidade.

Concluindo, a ascensão é o retorno vitorioso de Cristo ao Pai: é o «dia no qual o Cristo vitorioso subiu ao Pai», sendo constituído Senhor dos homens e do universo. Esta partida, contudo, não significa distanciamento dos seus discípulos nem ausência de sua Igreja: ele não só está conosco até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20), mas também está «em nós» e nós «nele», para sempre (cf. Jo 14,20; 17,23). Em certo sentido, a subtração do seu ser junto a nós visivelmente é o que torna possível o seu ser «em nós» - e isto é a participação no seu Espírito (cf. Jo 16,7), de modo que a ascensão é premissa para o dom do Espírito: "É do vosso interesse que eu parta, pois se eu não for, o Paráclito não virá a vós. Mas se eu for, enviá-lo-ei a vós" (Jo 16,7).




24 de mar. de 2011

O testemunho convence. Ou: Seja um 'Evangelho-Ambulante'

"Tome muito cuidado com sua vida, pois ela pode ser o único Evangelho que seu irmão lê."
(Madre Tereza de Calcutá)



Quando meditamos as Escrituras, vemos que Jesus sempre usava de exemplos para falar sobre o Seu Reino; e Ele os usava porque era mais fácil falar do Reino por meio deles. Claro que as analogias que Ele usava são ínfimas perto do que é propriamente o Reino, mas como nossa inteligência é curtíssima, Ele "rebaixou", "simplificou" o Reino em Sua explicação para que compreendêssemos.

No entanto, uma das coisas que mais me chama a atenção é quando o próprio Jesus se faz exemplo para conquistarmos este Reino, conforme citou o Evangelista Lucas, no capítulo 9, versículo 23: Quem quiser ser meu discípulo, renuncie a si mesmo; tome a sua cruz e siga-me.

Confesso que este pequeno versículo causa-me arrepios! Jesus nos dá três condições para sermos Seu discípulo: renunciarmos a nós mesmos, tomarmos a nossa cruz e seguí-lO. Parece fácil? Não, não é. Porém, não é impossível, pois nada que o Senhor nos pediu está fora do nosso alcance com o auxílio de Sua graça.

O ato de renunciar, a mim, parece o mais difícil de todas as três condições - e por isso o Senhor o colocou em primeiro lugar -, pois renunciar implica em desaparecer. A renúncia exige deixar de lado tudo o que se deseja, espera, quer, premedita, por amor ao Senhor.O problema é que somos mesquinhos, egoístas, avarentos, cheios de desejos. Não queremos renunciar a uma roupa que não estejamos usando, por exemplo, e dá-la a alguém que realmente precisa. A renúncia exige coragem, desprendimento, e acima de tudo, conhecimento pelo o quê se despreza. Um testemunho que elucida isso é o de Cura D'ars. O nobre santo, quando foi enviado a Ars, na França, vendo que a cidade toda era alicerçada na prostituição, luxúria e orgias, renunciou todos os objetos de valor que tinha, ficando apenas com duas túnicas. Fazia penitências diárias, e com o fruto de sua oração e perseverança, toda a cidade de Ars converteu-se ao Senhor, abandonando toda a sua vida de pecado. Seu testemunho nos deixa claro que, ao renunciar todos os seus gostos pelas causas evangélicas, Cura d'Ars pôde fazer a vontade de Deus, que é salvar o Seu povo das trevas do pecado.

Tomar a cruz é pesado, mas fácil se conseguirmos entender o primeiro passo (renúncia) e colocá-lo em prática, pois tomar a cruz exige não apenas uma renúncia de si, e sim, mostrar a Deus o amor que você tem por Ele e por seus filhos. E porque você os ama, só deseja cumprir os desígnos do Senhor para o bem de ambos. Assumir a cruz, então, é apossar-se da graça do Pai e de Seu amor, bem como sinal de responsabilidade, maturidade espiritual. Logo, tomar a cruz não é sinônimo de dor, mas amor. Tomá-la quer dizer que você entendeu o amor que Ele tem por você e por isso quer retribuir da mesma forma. Tomar cruz é, literalmente, morrer para si mesmo. É cumprir Gálatas 2,20: Vivo, mas não sou. É Cristo que vive em mim.

Ao renunciar suas vontades e assumir sua cruz, o terceiro passo é praticamente voluntário: seguir o Senhor. Ah! Seguir o Senhor é um deleite às nossas almas. Seguí-lo não é perseguí-lo, tal qual fizeram os Doutores da Lei. Seguí-lo e andar sobre os Seus passos. Jesus andou, eu venho logo atrás e piso sobre as pegadas deixadas no chão, a fim de não sair nenhum milímetro fora de Sua Vontade. Seguir o Senhor é fazer tudo, tudo, tudo em acordo com a Sua Vontade. Quem assim consegue viver, já não deseja mais ser o centro da atenção, pois sua vida está toda centrada em Cristo. O desejo que este alguém tem não é de aparecer, mas deixar que o Senhor Jesus apareça. Torna-se, então, um Evangelho vivo.

Muitas pessoas conseguiram fazer isso. A primeira delas foi a Virgem Santíssima. São José, o próximo. São João Batista, o Evangelista; Os Apóstolos; os Mártires e os Santos e Justos de todos os tempos. Conseguiram tanto que honraram o nome "cristão": fizeram a vontade do Pai, seguiram Jesus e, assim como Ele, formaram discípulos.

Quando toco neste assunto, sempre me lembro de São Francisco de Assis. Um dia ele convidou um de seus discípulos para evangelizar numa cidade próxima. Animado com o convite, o discípulo jejuou, orou e esperou, ansioso, para a missão. No dia seguinte, ao chegar na cidade onde a missão ocorreria, São Francisco apenas o instruiu a caminhar próximo ao povo, por toda a cidade. Ao término, indagou: Mestre, não vimos aqui evangelizar? Por que não falamos nada? E ao que São Francisco respondeu: Porque não precisamos falar o Evangelho, mas devemos SER um! Se as pessoas não viram em nós o Cristo, de nada nos adianta falar.

Para finalizar, retomo aqui a frase de Madre Tereza de Calcutá, citada no início deste texto: Tome muito cuidado com sua vida, pois ela pode ser o único Evangelho que seu irmão lê. O que é que seu irmão tem lido em você? Ele enxerga nos seus olhos o Cristo Vivo e Ressuscitado? Será que você faz a diferença na vida das pessoas de sua casa, de sua família? Em miúdos: você já assumiu e pôs em prática as três condições que Cristo nos deu em Lucas 9,23 para ser um testemunho que convença o mundo que só Jesus Cristo é o Senhor, e que serví-lO é a maior graça que alguém pode ter?

Se todas as respostas foram não, não se desespera. Aproveite este tempo de Quaresma para meditar, para voltar ao Senhor e assim viver uma Páscoa excelsa. Certamente Ele o espera. Volte para Ele e permita-O ajudá-lo a ser um "Evangelho-Ambulante" por aí.