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23 de jun. de 2014
POR QUE O DEMÔNIO ODEIA MARIA?

1 de mai. de 2013
E volta o mês de Maio!
Caríssimos!
15 de fev. de 2012
Lourdes: o milagre de Delizia Cirolli

O caso de Delizia Cirolli foi um dos mais acompanhados pela medicina moderna, notadamente pelo médico Theodore Mangiapan, diretor do Bureau Médico de Lourdes, encarregada de comprovar a ocorrência das curas inexplicáveis.
O Dr. Mangiapan acompanhou o caso e publicou um detalhado relato no seu livro Les Guérisons de Lourdes (ed. Oeuvre de la Grotte, 1994, 439 pp.)
Delizia nasceu em 17 de novembro de 1964, em Paternò, província de Catania, Itália. Mais velha de quatro irmãos, quando tinha 12 anos começou a se queixar de dores.
Em março de 1976, na escola, sentiu dores no joelho que preocuparam a professora. Os pais levaram a menina ao médico da família, que ordenou um tratamento analgésico de rotina. Como este não deu certo, os pais apelaram para uma “curandeira”, com resultados ainda piores.
Em abril, uma radiografia e uma série de tomografias mostraram sinais de um tumor ósseo na tíbia direita. Delizia foi encaminhada ao Prof. Q. Mollica, da Clínica Ortopédica da Universidade de Catania.
Ele a submeteu a diversos exames, até que uma biopsia revelou a “presença, na altura da metáfise da tíbia direita, uma metástase de neuroblastoma”. O neuroblastoma é um tumor que aparece na vida intrauterina, age como maligno, e seu prognóstico é quase sempre fatal.
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| Delizia hoje é mãe de 3 crianças, mas vai ajudar os doentes em Lourdes |
Diante da gravidade do tumor, o Prof. Mollica propôs amputar toda a perna direita. A família se recusou. Ele encaminhou então Delizia ao Instituto de Radiologia Universitária de Catania.
Lá, ela foi internada isolada num quarto sem janelas, sentia-se abandonada e chorava toda a noite. Seus pais não suportaram a situação e a levaram de volta para casa.
A doença fazia Delizia sofrer cada vez mais. A família então se cotizou e os pais a levaram a Turim, cidade de famosos centros médicos. O pânico e o desespero da menina no hospital tornaram impossível sua internação na Clínica Universitária de Pediatria de Turim.
Foi então que nasceu a ideia de levá-la a Lourdes, onde mãe e filha estiveram de 7 a 11 de agosto de 1976.
Porém, nada aconteceu. Em 11 de setembro, o Prof. Mollica mandou fazer novas radiografias e constatou um “claro agravamento da extensão do processo mórbido”.
Delizia piorava a olhos vistos. Em dezembro pesava somente 22 quilos. Já não podia se levantar e acompanhava desde o leito as orações da família por ela.
Todos os dias, sua mãe lhe dava a beber água de Lourdes. Mas ao mesmo tempo já preparava o vestido mortuário com o qual o falecido é enterrado, segundo a tradição da Sicília.
E foi num dia de Natal...
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| Delizia voltou a Lourdes para análises clínicas da cura inexplicável pela medicina. |
Delizia então se levantou, caminhou pela casa, e até foi dar alguns passos na rua!
O esforço, após meses de paralisia, a deixou esgotada. Voltou a deitar, dormiu. Porém, nos dias seguintes, os sinais de melhora foram cada vez mais evidentes. Em poucos meses recuperou 12 quilos.
Em maio de 1977 o médico ordenou novas radiografias. O diagnóstico foi “aparência de reparação ao mesmo tempo endo-ósssea e cortical, com um desaparecimento completo das reações periosteais. É preciso notar também, a existência de um importante genu valgum” (em termos correntes, uma cicatriz óssea).
Em outras palavras, o tumor maligno havia desaparecido!
A família peregrinou em ação de graças a Lourdes, no fim de julho de 1977. Na ocasião a apresentaram no Bureau Médico e marcaram consulta com o Dr. Mangiapan para o dia 28 daquele mês.
Foi assim que os médicos puderam analisar todos os resultados dos exames de que dispunha a família. Houve interrogatórios, exigência de mais laudos clínicos e realização de novos exames.
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| Delizia "benévola" de Lourdes |
Delizia voltou por terceira vez a Lourdes em 1979. Ela tinha então 14 anos e 8 meses, adquirira a morfologia completa de uma mulher, pesava 58 quilos e media 1,57. O único vestígio da doença era a cicatriz óssea que até dificultava seu caminhar.
Em julho de 1980 aconteceu seu quarto e último check-up em Lourdes. Em 28 de julho desse ano, na presença de 20 médicos de diversos países, o caso foi debatido e Delizia foi demoradamente examinada.
Por fim, a grande maioria dos médicos aprovou declaração sobre a cura, dizendo que “nas condições em que ela aconteceu e se mantém... pode ser considerada como um fenômeno contrário às observações e às previsões da experiência médica e é cientificamente inexplicável”.
Na Catania foi criada uma Comissão Médica Diocesana, que também concluiu com larga maioria ser uma cura “cientificamente inexplicável”.
A seguir, toda a documentação do caso foi remetida ao Comité Médico Internacional em Paris, que após estudo e consulta decidiu por unanimidade, em 26 de setembro de 1982:
“A cura, sem qualquer tratamento, verificada após seis anos de evolução, da proliferação maligna da extremidade superior da tíbia direita que atingiu a jovem Delizia Cirolli, constitui um fenômeno totalmente excepcional no senso mais estrito do termo, contrária a toda observação e previsão da experiência médica e, além do mais, inexplicável.”
Entrementes, a miraculada completou sua formação escolar e iniciou estudos para obter um diploma de enfermeira. Casou-se em 1986 e a hoje Delizia Costa é mãe de três filhos. Após uma cirurgia bem-sucedida, foi-lhe tirada a “cicatriz óssea” que prejudicava seu caminhar.A medicina tinha encerrado seus procedimentos atestando a cura cientificamente inexplicável.
Porém, não é a medicina a que proclama o milagre. Isto é atribuição exclusiva da Igreja e, em concreto, do bispo da diocese da beneficiada.
E aqui aparecem problemas. Há mais de sete mil curas declaradas inexplicáveis pela ciência, mas a respeito das quais os respectivos bispos não assumem nenhuma posição. Esta falta de atitude, aliás, causava desgosto a São Pio X, que instou os bispos envolvidos a se pronunciarem para o bem das almas.
No caso de Delizia foi diferente. Em 28 de junho de 1989, Mons. Luigi Bonmarito, arcebispo de Catania, assinou uma declaração em que dizia:
“Após tomar conhecimento dos relatórios da Comissão Médica e da Comissão Canônica diocesana, designadas para o estudo da cura de Delizia Cirolli, de Paternò, constato o fato de que tal cura, levadas em conta as condições em que aconteceu e se mantém, é ‘cientificamente inexplicável’ e, como Arcebispo de Catania, eu declaro a sua índole ‘milagrosa’. Ela se acrescenta a muitas outras que, há 130 anos, se verificam em Lourdes.”
A declaração do arcebispo foi entregue ao público no dia 6 de julho de 1989, simultaneamente em Catania e em Lourdes.
Delizia hoje vai regularmente a Lourdes como voluntária para ajudar aos doentes. Se o leitor esteve alguma vez lá, talvez tenha passado junto dela sem dar-se conta.

30 de jan. de 2012
As primeiras aparições de Nossa Senhora.

1) A conversão da Espanha ao catolicismo foi bem mais difícil do que se imagina. O Apóstolo Santiago esforçava-se e sofria para converter aqueles pagãos endurecidos. Nossa Senhora ainda vivia, e para encorajar o provado Apóstolo, Ela lhe apareceu sobre um pilar na cidade de Cesaraugusta (hoje Zaragoza), dizendo-lhe que no futuro a fé daqueles povos seria profunda e séria. Muito consolado, o Apóstolo continuou seu árduo trabalho, resultando que hoje uma parte considerável da Igreja Católica reza em espanhol. E Nossa Senhora do Pilar é a Padroeira da Espanha.
No rigor da linguagem teológica, esta não foi uma aparição, mas uma bilocação (estar em dois locais ao mesmo tempo), pois Nossa Senhora ainda estava nesta Terra. Mas a seguinte pode ser considerada a primeira aparição da História, no sentido próprio do termo.
2) Estavam os Apóstolos reunidos na cidade de Éfeso, atual costa da Turquia, mas que nessa época era uma cidade grega. Imploravam eles o auxílio da Santíssima Virgem nas diversas dificuldades da nascente Igreja, quando a Mãe de Deus lhes apareceu, cheia de luz, e lhes prometeu que jamais os abandonaria. Esta aparição não deixa de ter um simbolismo muito bonito, pois Nossa Senhora apareceu aos Apóstolos em seu conjunto, como representação da Hierarquia da Igreja, e lhes prometeu sua permanente ajuda. Auxílio que Ela irá demonstrando constantemente ao longo da História.
3) A seguinte aparição, a que agora nos referiremos, parece proposital para ensinar os caminhos de Deus aos que pensam que a Igreja, em sua história, só apresenta progressos espetaculares, brilhantes, de efeito imediato. Pelo contrário, esta aparição não podia crescer de modo mais humilde. Por volta do ano 70, vivia em Le Puy, na atual França, certa mulher convertida havia pouco à verdadeira Religião. Estava gravemente doente, mas após ter visto a Virgem Santíssima ficou curada e construiu no local das aparições uma pequena capela. Ali foram se registrando com o passar do tempo outros milagres, que contribuíram para a sua popularidade. Entretanto, só muito lentamente as peregrinações foram surgindo. A igreja edificada no século XIX no local da antiga capela é ainda um centro de peregrinações. Os bispos locais aceitaram tal devoção, que se impôs mais pela perseverança ao longo dos séculos do que por milagres espetaculares ou revelações retumbantes. Assim ocorrem muitas coisas na Igreja: um pequeno trabalho de todos os dias, do qual não se vê o fruto imediato, mas que vence pela perseverança e acaba alcançando êxito e um grande bem. [...]
(Trechos extraídos da Revista Catolicismo de julho de 2005)
31 de dez. de 2011
O Senhor abrirá as portas de 2012 para nós!
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| Nossa Senhora Rainha da Paz |
Assim como fizeram do Natal um tempo para se fazer "caridade" (como se no restante do ano isto não importasse), fizeram do fim de ano tempo para reflexão. Legal fazer caridade no Natal; legal fazer um auto-exame no final do ano; o entanto, devemos fazer isso tem que ser SEMPRE!
Todos os dias, todos os momentos, devemos refletir, ser caridoso, misericordioso, respeitoso, fiel, buscar a harmonia, lutar por ser melhor. Se a gente só esperar pra chegar à conclusão disso no final do ano, nunca faremos aquilo que no único dia do ano em que paramos, concluímos que não fazemos. E a razão é lógica: ninguém consegue ser nada se não perseverou para ser.
Nosso Senhor disse que de nada vale ao homem ganhar o mundo se perder o essencial: a alma! Em algumas traduções usa-se "vida eterna". Alma vem de "ânima", "ânimo". Uma vida sem ânimo é uma vida sem cor, brilho, vida! Sabendo disso, Deus, ao criar o homem, deu a ele ânima! Recebemos o Ruah (sopro do espírito) e nossa carne meramente mortal tornou-se viva. É o espírito quem dá vida ao corpo, e não o contrário. Logo, certo estava São Paulo em suas inúmeras exortações sobre a santidade, pedindo que cuidássemos de nosso espírito a fim de lapidarmos nosso corpo. E as maneiras são diversas: podemos, por exemplo, jejuar. Apesar de ser um exercício corporal, é muito importante e necessário para lapidar o espírito. As penitências, em geral, também o são. Igualmente as práticas em disciplinar-se: falar baixo, comer menos, não fumar, ser mais prestativo, não responder inadequadamente aos pais...
Prendemo-nos ao material quando lemos este versículo, esquecendo-nos da exortação ao espírito que o Senhor quer nos dar. Ganhar o mundo inteiro não quer dizer necessariamente ser rico; não quer, também, dizer que temos que ser pobretões, um astro de Hollywood ou um atleta em destaque. Ganhar o mundo inteiro tem um significado muito mais profundo. Eu, por exemplo, ganho almas para Deus com meu trabalho evangelizador pela internet. Já recebi vários reconhecimentos por isso. Porém, posso perder minha alma porque não cuidei primeiramente daquilo que era mais importante: a MINHA salvação.
Por mais que o Senhor tenha dado a vida por muitos, cada um é responsável pela sua salvação. É dever orar pela salvação de todos, pedindo ao Senhor que todos se convertam; contudo, não podemos agir como hipócritas e fariseus, pregando uma fé que não vivemos, ensinando a amar um Cristo que não adoramos nem Lhe rendemos reverência.
Com tantos planos que fazemos todos os finais de ano, deveríamos priorizar o mais importante: não perder a nossa salvação. O restante, como bem disse Jesus, virá por acréscimo à medida que buscarmos o Reino de Deus e Sua Justiça. Que tenhamos em mente neste 2012 um único ideal: buscar a salvação e ganhar mais almas para Cristo.
Neste dia 31 de dezembro, em que comemoro 27 anos de vida, peço ao Senhor da colheita que envie operários para a Sua colheita.
Que Nossa Senhora Rainha da Paz abençoe a todos.
Feliz Ano Novo.
12 de dez. de 2011
NOSSA SENHORA DE GUADALUPE X ABORTO

http://pt.gloria.tv/?media=116333
MILAGRE NA BASÍLICA DE NOS
SA SENHORA DE GUADALUPE
Sabemos que Nossa Senhora de Guadalupe não só é a padroeira da América Latina, mas também é a padroeira dos Nascituros.
Neste dia tão especial, roguemos a ela que livre a America Latina da Maldição do Aborto, e que pise na cabeça de satanás e de todos os demônios que estão no senado, no congresso, guiados pela Lob abortista e feminista, tentando instaurar a legalização do maior holocausto da face da terra que se chama "Aborto Legal".
Abaixo segue o resumo do comunicado, de 1º de maio de 2007, do Dr.Jean-Pierre Dickès, presidente da Associação Católica de Enfermeiros e Médicos, no qual ele testemunho o grande Milagre da Santa Virgem Maria, Nossa Senhora de Guadalupe.
Em 24 de abril, 2007, logo depois da decisão do México de legalizar o aborto:
Após a Missa celebrada na Basílica pelas criancinhas não nascidas, abortadas, quando muitos fiéis fotografavam o quadro da Virgem de Guadalupe, diante do qual uma multidão de peregrinos desfilam num tapete rolante, a imagem de Nossa Senhora començou a se apagar, enquanto uma luz intensa emanava do seu ventre, constituindo um halo brilhante tendo a forma de um embrião. Essa luz provinha realmente do ventre da imagem da Santíssima Virgem Maria e não era um reflexo, nem um artefato.
O engenheiro Luis Girault, que examinou a imagem, confirmou a autenticidade do negativo e especificou que não foi nem modificado nem alterado. Ele revelou que a luz não provinha de nenhum reflexo, mas saia literalmente do interior da imagem da Virgem. A luz era muito branca, pura e intensa, muito diferente dos clarões fotográficos habituais, produzidos pelos flashes. Esta luz era envolvida por um halo com a forma de um embrião. Examinando ainda mais precisamente esta imagem, distingue-se no interior do halo certas zonas de sombra que são características de um embrião humano no seio materno .
" Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem" esta é a nossa fé católica ! Já João Batista estremeceu no seio de sua mãe para saudar o Seu Senhor. Nossa Senhora de Guadalupe vem em socorro dos embriões não nascidos – ignorados dos legisladores – lembrando assim o Evangelho de Lucas (1, 1) : « Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus » (Somente a Igreja poderá se pronunciar formalmente sobre este acontecimento.)
As fotos foram enviadas do México pelo Pe.Luis Matos, superior da Comunidade des Béatitudes e este é um resumo de sua mensagem.
OREMOS:
Mãe, neste dia queremos consagrar ao teu Imaculado Coração, todos os nossos nascituros, a nossa família, a nossa vida, todos os bebês não nascidos que ainda estão no coração de Deus, todos aqueles milhões de bebês que foram abortados, os seus pais que lhes ceifaram a vida, os óvulos fecundados que são descartados no lixo pelos laboratórios de fertilidade e reprodução humana.
Mãe queremos consagrar de um modo todo especial ao Teu Coração Imaculado, todos os movimentos pró-vidas, todos aqueles que lutam pela vida e em defesa da vida. Nossa Senhora de Guadalupe, queremos neste dia consagrar a ti, a vida humana, hoje escarnecida e profanada por satanás e pelos seus, com a terrível prática do Aborto e da eutanásia. Pedimos-te mãe Santíssima Rainha da Paz, que aparecestes grávida de Jesus, ao índio Juan Diego, no sábado, 9 de dezembro de 1531, no México, para indicar quão Sagrada é a Vida, e para nos mostrar que Jesus deve ser o centro da nossa vida, queremos te pedir, ilumina os nossos governantes, para que todas as leis pró-aborto que tramitam no congresso possam ser esmagadas, abaixo de teus pés, juntamente com o demônio, pai da mentira e da morte, para que a maldição do Aborto, da cultura de Morte, não entre em nosso país, e seja extirpada da América Latina.
Mãe Santíssima, Tu que aparecestes como uma gestante em Guadalupe, cingida por uma faixa em cima do Teu Ventre, como sinal da cultura Náhuatl indígena, que representava o fim de um ciclo e o nascimento de outro, faz com que, nós Filhos da Luz, possamos propagar com força, com amor, com poder, a nossa fé, os nossos conceitos morais a favor da Família, da Vida e da Paz, para que possamos junto com a Senhora levar Jesus a todos os que encontramos, para que possamos aproximar cada vez mais o Reino de Deus a todos que vivem a morte do pecado em suas vidas. Queremos Mãe, levar a fé no Cristo Jesus, que faz nova todas as coisas, crendo que com a oração do Santo Rosário, juntamente com o nosso trabalho apostólico em favor da vida, guiados pelas tuas mãos, possamos contribuir para um novo mundo, uma nova era cristã.
Te pedimos Mãe, cubra-nos com o teu manto de amor, quando as flechas incendiárias do maligno foram dirigidas a nós tentando-nos ferir, olhe-nos com o teu olhar de Paz, dando-nos Jesus o Rei da Paz, estreite-nos em teu coração materno nos consolando, quando a dor e a perseguição nos assolar, puxe-nos pela mão, quando não soubermos o caminho, e neste momento estenda as tuas mãos sobre nós, para orar pelas nossas intenções, para nos abençoar e nos doar uma nova efusão do Espírito Santo, que é o Amor do Pai pelo Filho e do Filho pelo Pai, nos doe Mãe o dom de Amar o Amado, e ser todo Dele por meio da Senhora, glorificando o Santo Nome de Deus, com a nossa luta pela Vida, mesmo que seja necessário para isto, o derramamento do nosso sangue.
A ti Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira da América Latina, consagramos também a Nossa Igreja, os nossos pastores, para que possam com coragem anunciar o Evangelho da Vida, lutando a favor de Deus, sendo mais pastores que diplomatas, para que eles não sejam apóstatas com o seu silêncio diante de pactos e leis mundanas contra a vida, para que tenham coragem de serem profetas e arautos da Palavra de Deus, que defende a Vida desde a sua concepção.
Concedei Virgem Santa, a nossos lares a graça do amor e do respeito à vida e a família, a unidade e a compreensão, para que as nossas famílias possam acolher todos os filhos que Deus Pai enviar, para que possam estarem abertas a vida, e possam com o mesmo amor com o qual concebestes em Vosso ventre Jesus, a nossa vida, lutar por ela. Bem-Aventurada Virgem Maria, protegei nossas famílias, para que sejam sempre unidas e abençoai a educação de nossos filhos.
Pedimos-te Mãe, inspirai neste momento, leigos, sacerdotes, consagrados, dispostos a lutarem em favor da vida, a se colocarem frente a cada clínica abortista, nos rádios, e na televisão, para pregarem o valor da Vida, lutando para salvar os bebês nas clínicas de aborto. Levantando-se para fazer algo pelas mulheres que não querem fazê-lo mas pensam fazê-lo.
Por fim, te pedimos Mãe Santíssima, nos dê paz, a simplicidade e a astúcia, para ajudados e movidos pela Graça de Deus, possamos ser instrumentos para a salvação das vidas inocentes e indefesas.
Mãe te amamos, e lhe suplicamos acolhe o nosso trabalho e a nossa vida, somos todos teus!
Rezar 1 Pai Nosso, 1 Ave Maria, e 1 Glória ao Pai.
E a Todos deixo a Bênção da Gospa, a Virgem de Guadalupe, a bênção do Envio como Arautos do Evangelho da Vida nesta cultura de morte, consagrados a Maria: “Em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!”. Amém!!!
PE. AMTEUS MARIA, FMDJ
12 de out. de 2011
Hoje é dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil!
7 de out. de 2011
Batalha de Lepanto: a origem da festa de Nossa Senhora do Rosário
Quando, no ano da Redenção de 1566, o Cardeal Ghislieri foi elevado ao trono pontifício com o nome de Pio V, a situação da Cristandade era angustiante. Com efeito, fazia aproximadamente um século que os turcos avançavam sobre a Europa, por mar e através dos Bálcãs, no intuito insolente de sujeitar à lei de Mafoma as nações católicas, e sobretudo de chegar até Roma, onde um de seus sultões queria entrar a cavalo na Basílica de São Pedro.Mas o pior dos males não vinha de fora. O flagelo do protestantismo fizera apostatar a Inglaterra (subjugando a Irlanda e ameaçando a Escócia), continuava a alastrar-se pela Alemanha e convulsionava a França. A esse quadro de desgraças somava-se a cobiça dos reis e príncipes católicos, que já não eram movidos por aquele zelo da Fé e adesão à Igreja, que levara seus antepassados a atender à convocação da cruzada aos brados de "Deus o quer!". Alguns não hesitavam ante vergonhosas e espúrias alianças com os próprios turcos, para investir contra outras nações católicas, visando conquistas territoriais, glória mundana e poder.
O poderio otomano atinge seu ápice
Em 1457 caíra Constantinopla. Transposto o Bósforo, os infiéis avançaram sobre as regiões balcânicas, subjugando a Albânia, a Macedônia, a Bósnia. Ao mesmo tempo iam tomando uma a uma as ilhas do arquipélago grego. Nos primeiros anos do século XVI, o sultão Selim I aumentou seu poderio conquistando a Pérsia e o Egito. O ano de 1522 viu cair a fortaleza de Rhodes, defendida heroicamente pelos monges cavaleiros da Ordem de S. João de Jerusalém, como o bastião avançado da Cristandade, para onde se haviam retirado após a perda de seu último reduto na Palestina, o forte de São João d’Acre. Em 1524 o novo sultão Solimão II, chamado o magnífico, ocupava e tratava duramente Belgrado. Seis anos mais tarde, 300.000 otomanos chegaram às portas de Viena. Não conseguindo tomar a cidade depois de quinze violentos assaltos, retiraram-se, levando cativos 3.000 cristãos.
A crônica anônima publicada em 1573 registra com espanto que em setembro de 1534 o senhor de Túnis, Barba Ruiva, terrível corsário do Sultão, "atacou uma cidade através de uma praia marítima romana", apanhando os habitantes de modo tão imprevisto, que estes não puderam resistir. A cidade foi saqueada e queimada, e todos os seus moradores de 10 a 30 anos foram levados como escravos. Pouco depois o mesmo pirata assaltava Fondi, senhorio dos príncipes Colonna e Itri, desta vez sem grande êxito. Roma não estava longe...
No litoral dalmático os turcos não cessavam de atacar, saqueavam e destruíam as cidades que estavam debaixo da tutela da sereníssima república de Veneza: Clissa, Prevesa, Castelnuovo e as ilhas mais ao sul, próximas à Grécia. Enquanto a Espanha engajava-se individualmente numa guerra contra a Tunísia e a Argélia, em 1541 as hostes do Crescente investiam novamente contra Viena. Em junho de 1552 tomavam elas parte da Transilvânia, onde os cristãos perderam em três batalhas 25 mil homens. No ano seguinte o sultão alia-se ao Rei Cristianíssimo, Henrique III da França, para a conquista da Córsega, domínio do rei da Espanha, Imperador Carlos V.
Nesse ínterim os bravos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém, que haviam perdido Rhodes mas não queriam abandonar a luta contra o Crescente, transferiram-se para a Ilha de Malta, ao sul da Sicília. De sua nova fortaleza faziam incursões marítimas, que representavam um grande entrave à expansão turca, pois esses "escorpiões do Mediterrâneo" — como os chamavam com ódio os infiéis — atacavam toda e qualquer embarcação inimiga, incorporando à própria frota as naus que apresavam. As riquezas que estas estivessem transportando eram confiscadas para o Comum Tesouro da Ordem, e os prisioneiros postos a remar nas galés. Em 1565 Solimão II enviou uma poderosa armada contra a ilha, mas os monges-cavaleiros resistiram com tal denodo, que o sultão teve que retirar-se, perdendo na empresa um de seus melhores generais, Dragut Rais, e mais de trinta mil homens.
Apesar desta derrota, o poderio turco atingia o seu auge. Dispondo de um exército numeroso e aguerrido, cuja sanha anticatólica era liderada por um corpo de renegados, os janízaros, gozavam de uma situação econômica florescente. Solimão o Magnífico reinava sobre um império imenso, que se estendia de Belgrado a Aden, de Bagdad à Argélia. Ansiava conquistar a Itália para aniquilar o Papado, fundamento da Religião inimiga, e o projeto já não parecia uma quimera. De resto, a atitude omissa do Imperador Maximiliano e as perpétuas querelas entre as nações católicas mais poderosas — a Espanha, a França e Veneza — só podiam augurar bom termo ao avassalador avanço turco.
São Pio V convida os príncipes a unirem suas forças
Pio V, o dominicano que havia sido Grande Inquisidor, era como um raio de luz da Idade Média a fulgurar sobre aquela Europa imersa nas sombras da heresia protestante e do neopaganismo humanista. Escrevia o grande São Carlos Borromeu ao Rei de Portugal, a respeito do recente conclave: "Desde que o conheci, julguei que a Cristandade não podia ser melhor governada que por ele, e consagrei-lhe todos os meus esforços". E o Rei da Espanha, Filipe II, expressa seus sentimentos em carta ao Arcebispo de Sevilha: "Dou graças infinitas a Deus por esta eleição. Ele se dignou dar-nos um Pontífice de uma vida tão exemplar, que disso se pode esperar um grande bem para a conservação de nossa santa Fé". Devoto insigne da Virgem, penetrado de zelo pela causa de Deus, ardia na alma do novo Pontífice o desejo de soerguer a Cristandade para um duplo combate: contra o protestantismo e contra o adversário otomano.
No próprio ano de sua elevação ao pontificado, comunicou ele ao Rei da Espanha e ao Imperador seu intento de promover uma aliança dos príncipes contra o sultão. Em março, escreveu vigorosa carta ao Grão-Mestre da Ordem de São João de Jerusalém, Jean de La Valette, que tencionava abandonar a Ilha de Malta com seus cavaleiros, por lhe parecer impossível continuar enfrentando a ameaça dos turcos, que derrotara gloriosamente no ano anterior. Depois de enaltecer o heroísmo de que o Grão-Mestre dera mostras naquela ocasião, o Papa censura e repele o seu projeto de retirada e o exorta paternalmente: "Ponde de lado a idéia de abandonar a ilha. Permanecei aí com vossa Ordem bem unida. Vossa simples presença em Malta inflamará a coragem dos cristãos e imporá respeito ao otomano, pelo terror do nome que o fulminou no ano passado. Sabei que ele teme vossa pessoa, mais que todos os vossos soldados reunidos". La Valette leu a carta do Papa diante do Conselho da Ordem, beijou respeitosamente o documento pontifício, e depois o solo da ilha, e exclamou: "A voz de vosso Vigário, ó Jesus, indica o meu dever. Ficaremos aqui, e aqui morreremos".
No mês de maio desse ano, cai mais uma ilha do arquipélago jônico, Quios, e em setembro a cidade de Szigethvar, na Hungria. De todos os lados afluem notícias da aproximação de forças turcas: de Tarento, de Corfu, de Veneza...
Em Roma, São Pio V vigia e procura obter todas as informações possíveis sobre a marcha dos acontecimentos. Chega-lhe então a boa nova de que Solimão II morrera enquanto era travada a batalha de Szigethvar, e que deixara o trono para seu filho Selim II, mole, sensual e sem a fibra do pai.
Animado pelo desaparecimento de um inimigo tão temível como fora Solimão, nem por isso São Pio V se deixa levar pela idéia de que todo o risco era passado. Em março, publicara uma bula na qual descrevia com palavras cheias de dor o perigo turco e afirmava que somente com muita penitência poderia o povo fiel aplacar a ira de Deus e esperar seu poderoso auxílio. No mês seguinte, encarecia a necessidade de o clero ter costumes puros, pois ao armar-se a Cristandade contra o Crescente, só lhe podiam valer as preces dos ministros de Deus que levassem uma vida sem mácula. Em julho era publicado um Jubileu extraordinário pelo bom êxito da guerra contra os turcos, e pôde-se ver o próprio Sumo Pontífice participando de uma procissão rogatória para afastar a ameaça que pesava sobre a Europa.
Em dezembro, o Papa dirige às nações católicas novo brado de alarma e o convite a se unirem numa liga em defesa da Cristandade. Mas ninguém quer ouvi-lo. Veneza, por suas desconfianças para com os Habsburgos e por seus interesses econômicos, preferia conservar-se numa perigosa e dispendiosa neutralidade armada, mantendo relações pacíficas com os turcos. Filipe II mostra-se também pouco inclinado a formar uma coligação, alegando que necessitava de todas as suas forças para enfrentar a revolta dos protestantes nos Países Baixos. O Imperador Maximiliano II pensava antes de mais nada em socorrer a Hungria. O Rei de Portugal igualmente se omitia. Na França estalavam as guerras de religião, e pouco se podia esperar das intrigas da Rainha-Mãe.
O projeto da Liga ficou estacionário por três anos, durante os quais o Papa procurava ajudar o Imperador contra os turcos na Hungria, buscava socorro para a Ordem de Malta e erguia fortificações nas costas dos Estados Pontifícios.
Ameaçada pelo sultão, Veneza aceita a idéia da Liga
Um fato inesperado veio precipitar os acontecimentos e quebrar a atonia dos príncipes católicos em face dos apelos do Papa.
Em fins de 1569 chegava a Constantinopla a notícia de que o arsenal veneziano fora destruído pelo golfo, e devido a uma má colheita a Península toda estava ameaçada pela fome. Essas informações vinham com cores exageradamente fortes, fazendo crer que Veneza estava reduzida à impotência. Diante disso, Selim II decidiu romper a paz antes ajustada com a Sereníssima República e enviar-lhe na primavera um ultimato: ou Veneza entregava uma de suas possessões preferidas, Chipre, ou era a guerra.
A República de São Marcos, que ao longo dos últimos trinta anos mantivera relações amistosas com a Sublime Porta, compreendeu que, pelo menos a bem de seus interesses, era preciso não alimentar mais ilusões, e urgia buscar o auxílio das outras potências católicas.
Não podia ela contar com a Alemanha nem com a França, empenhadas em aquietar graves turbulências internas. Restavam a Espanha e a Santa Sé. Da parte do Papa, a acolhida foi benévola. Quanto à Espanha, então a maior potência do continente — cujos vice-reis governavam Nápoles, a Sicília, a Sardenha e Milão, e de quem dependiam ainda Gênova, a Sabóia e a Toscana — não eram das melhores as suas relações com os venezianos.
Para o Pontífice Romano, cujos olhos nunca se haviam desviado do plano de uma confederação anti-otomana, as circunstâncias pareciam tornar-se favoráveis para uma aproximação entre as duas potências católicas. Os primeiros passos dados nesse sentido pelo Núncio Apostólico em Veneza não encontraram, porém, ambiente receptivo. A Senhoria queria apenas a mediação do Papa junto aos demais Estados, para obter dinheiro, mantimentos e tropas, e assim fortalecer-se a si mesma. Mas não desejava uma aliança com sua rival, a Espanha, que lhe acarretasse muitos compromissos.
Entretanto, poucas semanas mais tarde o Núncio Facchinetti informava o Papa de que Veneza, ante o inevitável da guerra, estava propensa a aceitar a idéia de uma coalizão das potências católicas. Poucos dias depois, um emissário turco apresentava-se à entrada de Veneza para transmitir o ultimato do Sultão. Conduzido por uma escolta, foi recebido em uma audiência de apenas um quarto de hora pelo Senado, que o despediu com "palavras frias e cheias de dignidade", contendo uma rotunda negativa: com esperança na justiça de Deus, a República defenderia pelas armas a Ilha de Chipre, da qual era legítima senhora.
Também a Espanha procura seus próprios interesses
A reação da Espanha ante o apelo de S. Pio V, para que entrasse na Liga contra os turcos, traduziu-se na atitude de seus dois embaixadores em Roma, os Cardeais Zuñiga e Granvela. Para aumentar o mais possível o preço da adesão de seu governo, os dois diplomatas valiam-se de rodeios e subterfúgios, dando a entender que Filipe II não pensava em aderir à Liga, e sobretudo não aprovava uma aliança com Veneza.
No consistório reunido em fevereiro de 1570, os Cardeais, em sua maioria, concordaram com o Pontífice quanto à iminência da queda de Chipre se a Espanha não interviesse sem demora. O Cardeal Granvela contestou, pedindo que não precipitassem seu rei e a Igreja numa empresa incerta e perigosa. Acrescentou que a República de São Marcos não era digna de confiança e não merecia apoio imediato; que melhor seria esperar, para ver se ela entrava mesmo em guerra com os turcos; e que sempre seria tempo para uma ajuda da Espanha. Acreditava que Deus queria castigar Veneza e dar uma lição à sua soberba e egoísmo. A estas considerações opôs-se o Cardeal Commendone, o qual lembrou todos os serviços prestados por Veneza à Cristandade e à Santa Sé, e que, além do mais, não era somente ela que estava em jogo, mas a honra e o bem da Cristandade.
Terminado o consistório com a quase unanimidade de opinião dos cardeais quanto a este último ponto, São Pio V ofereceu ao Doge valioso auxílio pecuniário (representado pelo dízimo do clero veneziano) para a defesa de Chipre, e ao mesmo tempo deu um passo decisivo para mover Filipe II a fazer uma aliança com Veneza.
Tendo-lhe a Senhoria confiado a direção das negociações com Madri, o Papa escolheu para encaminhá-las um de seus melhores diplomatas, de origem espanhola ademais, o clérigo da Câmara Apostólica, Luiz de Torres. O enviado do Papa devia realçar junto a Sua Majestade Católica que nenhum monarca poderia enfrentar sozinho o Grão-Turco, e que se impunha a união de todos os príncipes católicos para derrubar o inimigo comum. Filipe II era conjurado, pela misericórdia de Deus, a enviar o quanto antes à Sicília uma esquadra poderosa, para proteger Malta e garantir a rota que levaria socorros à Ilha de Chipre. A Liga entre a Espanha e Veneza deveria ter caráter defensivo e ofensivo e ajustar-se para sempre, ou pelo menos por um prazo determinado.
Em meados de maio, Filipe II acedeu em outorgar poderes a Granvela, Pacheco e Zuñiga para as negociações desejadas por Pio V. O Papa chorou de alegria ao saber disso. Em junho, nomeou Marco Antonio Colonna — pessoa grata a Filipe II, a quem servira outrora, e também a Veneza — como chefe da esquadra auxiliar pontifícia. No dia 11 o Príncipe Colonna dirigiu-se solenemente ao Vaticano. Depois de ouvir a Missa do Espírito Santo na capela pontifícia, ajoelhou-se aos pés do Papa, para prestar-lhe juramento e receber de suas mãos o bastão de comando e a bandeira de seda vermelha, na qual se viam Jesus Crucificado, o Príncipe dos Apóstolos, o brasão de Pio V e o lema "In hoc signo vinces".
O Príncipe tomou a peito o chamado do Papa, e apesar de ter recebido o comando de apenas doze galeras (o máximo que comportavam os recursos do tesouro pontifício), entregou-se por inteiro à tarefa de equipar a pequena esquadra. Colonna encontrou na nobreza romana as melhores disposições para tomar parte em tão gloriosa empresa. Dirigiu-se logo depois para Veneza, passando por Loreto, onde encomendou sua pessoa e sua esquadra à proteção de Maria Santíssima, pois sabia que teria diante de si não poucas dificuldades.
Seis meses perdidos em negociações
No mês de julho chegava a Roma Miguel Soriano, representante da República de São Marcos, para entabular com a Espanha as negociações da Liga, sob a égide e mediação do Pontífice Romano. Começaram elas em julho, com um inflamado discurso em que o Papa exortava todos para a nova cruzada.
As difíceis tratativas prolongaram-se desmedidamente, trazendo à tona os jogos de interesses às vezes mesquinhos de ambas as partes. Ora os espanhóis demonstravam desconfiança para com as intenções de Veneza, e receavam uma "combinazione" desta com a Sublime Porta; ora eles mesmos queriam dobrar e até triplicar o preço dos cereais que iriam de Nápoles para Veneza; por seu lado, os venezianos diziam-se impossibilitados de contribuir com mais de uma quarta parte dos gastos da guerra, quando eram sobejamente conhecidas as possibilidades do tesouro da Senhoria...
Apesar de seu temperamento fogoso, São Pio V intervinha com uma paciência e cordura heróicas. Aqui ele conciliava, ali aparava arestas, acolá estimulava. A discussão sobre o número de embarcações a serem fornecidas pelas duas partes foi causa de novas discórdias. Chegou-se afinal à questão do comando supremo, que a Espanha chamava a si, mas Soriano, embaixador de Veneza, interveio para lembrar que o pavilhão veneziano exerceria maior força de atração nos mares orientais, especialmente para levar a sublevarem-se os povos cristãos oprimidos pelo Crescente.
Foi nessa ocasião que o Cardeal Morone sugeriu para generalíssimo dos exércitos cristãos o nome do irmão bastardo de Filipe II, D. João d’Áustria, o qual se havia distinguido extraordinariamente na guerra contra os mouros no norte da África. Chegou-se enfim ao acordo de que o Papa tomaria a iniciativa de convocar outros príncipes, e especialmente o Imperador; que nenhum dos confederados poderia ajustar a paz; e que o Pontífice deveria ser o supremo juiz nos litígios da Liga.Fez-se então um esboço dos itens do acordo. Enquanto isso os espanhóis consultavam seu Rei sobre se as três esquadras — espanhola, pontifícia e veneziana — deviam ser unificadas num só corpo. Em fins de julho Veneza aceitava D. João como generalíssimo, e dias depois era apresentado ao Pontífice o projeto da Liga.A perda de tempo com as reivindicações de vantagens e com as disputas sobre pontos de vista divergentes já se fazia sentir. Enquanto a peste dizimava a esquadra veneziana, em setembro os turcos atacavam a Ilha de Chipre e sitiavam Nicósia, a qual caía depois de 48 dias de resistência heróica.O desânimo começava a espalhar-se pela Cristandade. Quando Granvela chegou a dizer ao Papa que os turcos eram excessivamente fortes, e que talvez só pudessem ser vencidos se atacados em diversas frentes, incluindo a África, a Albânia e a Hungria, São Pio V, tomado de forte emoção e com lágrimas nos olhos, retrucou-lhe que a culpa disso era dos príncipes católicos, os quais deviam arrepender-se de sua atitude antes que fosse tarde demais, e só expiariam sua falta se se resolvessem afinal a unir-se na defesa da causa da Cristandade. Falou ainda de São Ladislau e de Scanderbeg, na Polônia e na Albânia, como exemplos da força dos que põem sua confiança na poderosa justiça do Altíssimo. Que se armassem e se unissem, pois Deus os ajudaria: sua causa era a de Deus.No fim do ano o Papa resolveu escrever uma carta de próprio punho a Filipe II. Nela o Pontífice traduzia suas mais amargas queixas. Dizia que, depois que se tinha conseguido contornar as últimas dificuldades com os venezianos, eram os comissários espanhóis que procuravam entravar a conclusão da aliança. Qualificava essa atitude de estranha e suspeita. Tendo intimado o Núncio de Madrid — o qual devia entregar a missiva — a não aceitar evasivas do Rei, Pio V aguardou com sublime paciência a resposta. Enquanto isso, chegavam as piores notícias: Os turcos sitiavam Famagusta, ameaçavam Corfu e Ragusa; o Núncio em Veneza, Facchinetti, anunciava em fevereiro de 1571 que, se não se ultimasse imediatamente a Liga, havia perigo de que a Senhoria ajustasse as pazes com a Sublime Porta, ainda que à custa da perda de Chipre."Qui seminant in lacrimis, in exsultatione metent""Quem semeia nas lágrimas, colhe na alegria" — diz o Salmo do real Profeta (Sl.125,5). Os sofrimentos morais do Santo Padre iriam encontrar o consolo merecido.Em março chegaram, com diferença de dias, as respostas do Rei da Espanha e do Doge de Veneza. Havia ainda algumas graves discordâncias, mas um último esforço dos auxiliares do Papa superou-as. Afinal, em meados de maio, do rigoroso segredo em que se desenvolviam as tratativas emergiu a boa nova: estava concluída a Santa Liga. A aliança ajustada entre o Papa, o Rei da Espanha e a República de Veneza devia ser estável, ter caráter ofensivo e defensivo e dirigir-se não somente contra o sultão, mas também contra seus Estados tributários: Argel, Túnis e Trípoli.A tríplice aliança contaria com duzentas galeras, cem transportes, 50 mil infantes espanhóis, italianos ealemães, 4.500 cavalos ligeiros e o número de canhões necessário. Em cada outono se celebraria um convênio em Roma, sobre a campanha do ano seguinte. Espanha e Veneza deviam defender-se mutuamente em caso de ataque. O Papa arcaria com uma sexta parte dos gastos, a Espanha com três sextos, e Veneza com o restante. O generalíssimo D. João d’Áustria aconselhar-se-ia com os comandantes das tropas venezianas e pontifícias, e nas deliberações decidiria a maioria dos votos. O lugar-tenente de D. João seria o Príncipe Colonna. Era facultado ao Imperador e aos demais príncipes católicos ingressar na Liga.O Sumo Pontífice transbordava de santa alegria. Publicou um Jubileu geral, para atrair as bênçãos do Deus das batalhas sobre o exército cristão. Tomou parte nas procissões rogatórias, que se realizaram ainda no mês de maio em Roma, e mandou cunhar uma medalha comemorativa.Por tua mão será abatida a soberba do inimigoTratava-se agora de acelerar os preparativos da tríplice armada, acertar o ponto de encontro e os planos da batalha. Ao mesmo tempo o incansável São Pio V enviou legados ao Imperador e aos outros príncipes, a fim de instá-los a ingressarem na Liga.Além disso, nomeara ele uma Congregação cardinalícia especialmente incumbida das providências da guerra. Um documento da época relata que naqueles dias só se viam soldados nas ruas da Cidade Eterna.Em meados de junho a esquadra pontifícia fazia-se à vela para o sul, ancorando em Nápoles, onde devia encontrar-se com as naus espanholas. Já no mês anterior o Papa havia escrito uma carta a Filipe II, pedindo-lhe para apressar a partida de D. João, a fim de não se perder a boa ocasião.Como os espanhóis tardassem para adiantar a empresa, os navios do Papa zarparam novamente em julho rumo a Messina, ponto convencionado para o encontro das três armadas. Poucos dias depois chegavam os venezianos, comandados pelo valoroso veterano Sebastião Veniero. Enquanto isso, vinham notícias de que o inimigo acuava Creta, Citera, Zanta e Cefalônia.Como entre a nobreza de Roma, também entre os fidalgos da Espanha reinava vivo entusiasmo pela Cruzada, tendo-se alistado numerosos deles. Zarpando de Barcelona com 46 galeras, Dom João d’Áustria chegou a Gênova em meados de julho. Dali enviou um emissário a Veneza, a fim de comunicar que já estava a caminho de Messina, e outro ao Papa (o Rei Filipe II negara-lhe a permissão de passar por Roma), para agradecer a escolha para o posto de generalíssimo e escusar-se do atraso. Quando o representante do príncipe espanhol se despediu do Pontífice, este encarregou-o de dizer a D. João que se lembrasse sempre de que ia combater pela Fé católica, e de que por isso Deus lhe daria a vitória. Ao mesmo tempo o Papa enviou ao generalíssimo o estandarte da Liga.O estandarte era de damasco de seda azul e ostentava a imagem do Crucificado, tendo aos pés as armas do Papa, da Espanha, de Veneza e de D. João. O Príncipe recebeu-o solenemente em Nápoles das mãos do Vice-Rei, o Cardeal Granvela, na Igreja de Santa Clara, com a presença de muitos nobres, entre os quais os príncipes de Parma e de Urbino. "Toma, ditoso Príncipe — disse-lhe o Cardeal — a insígnia do verdadeiro Verbo humanado. Toma o sinal vivo da santa Fé, da qual és o defensor nesta empresa. Ele te dará uma vitória gloriosa sobre o ímpio inimigo, e por tua mão será abatida sua soberba. Amém!" Um forte clamor ecoou da multidão que enchia a nave: "Amém! Amém!"Vivamente angustiado ante as notícias do avanço turco, São Pio V mandou no dia 17 uma carta de próprio punho ao generalíssimo, exortando-o a sair sem demora ao encontro do inimigo. D. João zarpou então para Messina, onde foi recebido com júbilo indizível.De uma formosura varonil, louro e de olhos azuis, no esplendor da juventude — tinha 24 anos de idade — profundamente aristocrático, o filho de Carlos V causou enorme impressão nos sicilianos que o estavam recepcionando. O porto, juncado de naus cristãs, assemelhava-se a uma floresta de mastros que balouçavam serenamente sobre o mar, à espera do momento em que deveriam singrar águas tintas de sangue. Era uma terrível ameaça para o inimigo e um irresistível chamado para aqueles novos cruzados.Os soldados preparam-se por três dias de jejumNos primeiros conselhos de guerra, D. João empenhou-se em comunicar seu ardor aos setenta oficiais ali reunidos e em beneficiar-se, em troca, de sua prudência e maturidade. Mesmo aí, não deixou de haver alguns desentendimentos, que fizeram perder mais três semanas em deliberações.Alguns generais achavam que a campanha iria ser meramente defensiva, dado o poderio do inimigo. Outros afirmavam que as naus turcas não eram muito eficientes. O próprio D. João mostrou-se hesitante, até que o Núncio Odescalchi, que viera distribuir partículas do Santo Lenho para que houvesse uma partícula em cada nau, comunicou ao Príncipe que o Pontífice lhe prometia em nome de Deus a vitória, por cima de todos os cálculos humanos. Mandava dizer que, se a esquadra se deixasse derrotar, iria ele mesmo à guerra, com seus cabelos brancos, para vergonha dos jovens indolentes.D. João tomou uma série de medidas para preservar o caráter sacral da expedição. Proibiu a presença de mulheres a bordo e cominou pena de morte para as blasfêmias. Enquanto se esperava o regresso de uma esquadrilha de reconhecimento, todos jejuaram três dias, e nenhum dos 81 mil marinheiros e soldados deixou de confessar-se e comungar, o mesmo fazendo os condenados que remavam nas galeras. Jesuítas, franciscanos, capuchinhos, dominicanos, iam e vinham no meio daquela gente rude, para purificar os corações e preparar um exército verdadeiramente de cruzados.Nos dias 16 e 17 de setembro, nos quais se deu a partida de Messina, o espetáculo foi deslumbrante. As naus começaram a mover-se duas a duas, encimadas por bandeiras cujas cores as distinguiam segundo a posição que assumiriam na batalha. À frente tremulavam as bandeiras verdes de Andrea Doria, o comandante dos espanhóis. Em seguida vinha a batalha ou centro, com suas bandeiras azuis, e o gonfalão de Nossa Senhora de Guadalupe sobre a nau de D. João d’Áustria. Os estandartes do Papa e da Liga ficaram guardados para o momento do embate. À direita da batalha vinha Marco Antonio Colonna na nau capitânia do Papa; à esquerda, o veneziano Sebastião Veniero, grande conhecedor das lides do mar, vigoroso com seus setenta anos, altivamente em pé na popa de sua nau.A divisão de Veneza, comandada pelo nobre Barbarigo, seguia atrás, com bandeiras amarelas; as bandeiras brancas de D. Álvaro de Bazán, Marquês de Santa Cruz, fechavam aquele imponente cortejo naval. Uma figura toda vestida de púrpura destacava-se de entre a multidão reunida no porto. Era o Núncio papal, que dava a bênção a cada barco que passava, com seus cruzados piedosamente ajoelhados na ponte: nobres revestidos de armaduras refulgentes, soldados de variados uniformes, marinheiros de roupas e gorros vermelhos. Os remos compassados e as velas que se iam enfunando levavam-nos em demanda do inimigo da Fé. Na sua armadura dourada, terrível como um anjo vingador, avultava a figura de D. João d’Áustria, a quem o próprio São Pio V aplicaria depois da vitória o que o Evangelho diz de São João Batista: "Fuit homo missus a Deo, cui nomen erat Ioannes" — Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João (Jo. 1,6).O estandarte da Liga é içado na nau capitâniaDeixando o estreito de Messina, as naus da Liga costearam o litoral da Calábria e da Apúlia, e de lá seguiram para a ilha de Corfu, depois para Gomenitsa, nas costas da Albânia, onde aportaram no último dia do mês de setembro.Ao longo desse percurso foram encontrando sinais da passagem dos turcos: restos carbonizados de igrejas e casas, objetos de culto profanados, corpos dilacerados de sacerdotes, mulheres e crianças covardemente assassinadas. A inconformidade com o crime e o desejo de uma santa vingança faziam-se sentir no coração de todos os cruzados e revigoravam neles a vontade de lutar.Nesse meio tempo os espias informaram que a esquadra inimiga estava ancorada em Lepanto, um porto localizado pouco mais ao sul, no estreito de igual nome, o qual liga o Golfo de Patras ao de Corinto. Tratava-se agora de tomar a iniciativa da luta, indo ao encalço do inimigo.Feitos todos os preparativos para a batalha, no dia 6 de outubro os navios da Liga deixaram a costa da Albânia em direção a Cefalônia, ilha do Arquipélago Jônico situada defronte ao Golfo de Patras, ao fundo do qual se achavam os navios turcos. Foi aí que os católicos receberam a notícia de que Famagusta, capital de Chipre, caíra em poder do Crescente, e que o general Mustafá cometera as piores atrocidades com o comandante da praça, Marco Antonio Bragadino, a quem mandara esfolar vivo, e cuja pele cheia de palha fizera conduzir por toda a cidade. A narração dessas crueldades acendeu o ódio da tropa cristã, que ansiava por defrontar-se com os otomanos.O embate já então era iminente, dada a proximidade em que se encontravam os dois exércitos. O vento soprava do Levante, o céu estava encoberto e o mar era cinzento e cheio de névoa naquele sexto dia do mês. Os católicos não sabiam que o vento que os detinha era o mesmo que convidava o inimigo a deixar seu refúgio em Lepanto, e assim tornava possível a batalha. Com efeito, se os turcos não se resolvessem a sair, seria muito difícil desalojá-los de seu reduto. O estreito de Lepanto era protegido por duas fortalezas, cujos canhões fariam grande estrago à armada da Liga. A noite caiu, envolta em um silêncio misteriosamente cheio de prenúncios.Às duas horas da madrugada do domingo, 7 de outubro, um vento fresco vindo do poente limpou completamente o céu, prometendo um dia ensolarado. Antes do amanhecer, D. João mandou levantar âncoras e soltar as velas. Quando as naus cristãs, tendo passado pelo canal que ficava entre a ilha de Oxia e o cabo Scrofa, desembocavam no golfo de Patras, uma fragata ligeira mandada em reconhecimento veio ao seu encontro, com a informação de que a esquadra turca estava a poucas milhas de distância. A bandeira que devia sinalizar a presença do inimigo tremulou no mastro da capitânia vanguarda. Depois de uma rápida deliberação com Veniero, o generalíssimo ordenou que todos se dispusessem em ordem de batalha. Fez-se ouvir o troar de um canhão, enquanto era içado o estandarte da Santa Liga no mastro mais alto da galera capitânia."Aqui venceremos ou morreremos" — bradou D. João entusiasmado, ao acompanhar as evoluções da esquadra católica.Seis pesadas galeras venezianas, comandadas por Francisco Duodo, rumaram lentamente para seus postos, na vanguarda. Como que no desejo de esmagar os otomanos num terrível amplexo, a esquadra católica procurou estender-se o quanto pôde, desde o litoral até o alto mar. À esquerda o veneziano Barbarigo, com 64 galeras, alargou seu flanco em direção ao litoral, para evitar um envolvimento dos inimigos pelo norte. Dom João comandava o centro, ladeado por Colonna e Veniero; o catalão Requeséns vinha um pouco mais atrás. A esquadra espanhola de Andrea Doria, com 60 naus, formava a ala direita, em direção ao mar alto. As 35 embarcações do Marquês de Santa Cruz aguardavam ordens à retaguarda, para uma eventual intervenção.Também o almirante otomano — Kapudan-Pachá Muesinsade Ali, que passou à História como Ali-Pachá — dispôs sua esquadra para o combate. A ala direita, que devia defrontar-se com Barbarigo, compunha-se de 55 galeras e era comandada por Maomé Shaulak, governador de Alexandria; a ala esquerda, à qual cabia opor-se a Andrea Doria, era formada por 73 unidades às ordens do temível corsário Uluch Ali (Occhiali), um renegado calabrês que, segundo se dizia, fora frade; o centro, finalmente, com 96 galeras, estava sob o mando direto do próprio Ali-Pachá e constituía a elite da armada infiel. Uma divisão de reserva ficara à retaguarda.O generalíssimo turco parecia querer investir resolutamente pelo centro, e ao mesmo tempo envolver os cristãos, aproveitando-se da sua superioridade numérica sobre estes (286 naus contra 208). O vento soprava de leste, favorável aos infiéis, enquanto os católicos tinham que se mover à força de remos. Decorreram quatro horas até que as duas armadas estivessem prontas para o confronto. O vento amainara.A essa altura, Doria chegava à nau de D. João d’Áustria para propor um conselho de guerra, no qual se discutisse se convinha ou não dar combate a um inimigo numericamente superior. O generalíssimo limitou-se a responder-lhe: "Não é mais hora de falar, mas de lutar!" Doria voltou ao seu posto, tendo antes proposto a D. João que mandasse cortar o enorme esporão que pesava na proa das galeras. A vantagem desta medida, indicada pelo astuto genovês, revelou-se enorme: aliviou as naus, facilitando as manobras, e ademais permitiu que o canhão central, em vez de atirar por cima, visasse diretamente o alvo, com maior impacto.
D. João quis passar uma última revista a suas tropas. Subiu a uma fragata e percorreu o corpo central e a ala direita da esquadra. Dom Luiz de Requeséns foi incumbido de visitar a outra ala. O comandante supremo apresentou-se aos nobres e à tripulação de cada nau, levando na mão um crucifixo e conclamando com ardor para o lance iminente: "Este é o dia em que a Cristandade deve mostrar seu poder, para aniquilar esta seita maldita e obter uma vitória sem precedentes". E mais adiante: "É pela vontade de Deus que viestes todos até aqui, para castigar o furor e a maldade destes cães bárbaros. Todos cuidem de cumprir seu dever. Ponde vossa esperança unicamente no Deus dos Exércitos, que rege e governa o universo". A outros, dizia: "Lembrai-vos de que combateis pela Fé; nenhum poltrão ganhará o Céu".
A resposta a essas palavras eram aclamações estrepitosas, e não havia quem não se mostrasse ao jovem general em atitude ufana e combativa. Enquanto isso, ele fazia distribuir escapulários, medalhas e rosários. O entusiasmo levou a tropa a tomar-lhe o chapéu e as luvas; por fim D. João voltou à sua capitânia, a fim de armar-se para o combate.Ouvia-se do lado do inimigo um som fanhoso de cornetas, um crescendo de vociferações, o estrépito de címbalos e o sinistro percutir das cimitarras sobre os escudos. Os infiéis entretinham-se com danças, acompanhadas pelo crepitar de armas de fogo. Escachoam as gargalhadas, e a soldadesca escarnece da presunção dos que ousavam enfrentar o poderio imenso do sultão: "Esses cristãos vieram como um rebanho, para que os degolemos!" A ordem dada por Ali-Pachá era não fazer prisioneiros.Reaparece D. João. Sua armadura e seu elmo brilham ao sol, que agora está a pino, sem nenhuma nuvem a toldar o céu. O Príncipe ajoelha-se e reza. Todos os seus homens fazem o mesmo. No meio de um silêncio grandioso, os religiosos davam a última bênção e a absolvição geral aos que iam expor-se à morte pela Fé. Do lado inimigo também tudo se aquietara. Anjos e demônios pareciam fazer sentir sua presença e a transcendência do fato que ia ocorrer.A cabeça de Ali-Pachá na ponta de uma lançaAs esquadras se aproximam. No momento azado, Ali-Pachá manda dar um tiro de canhão para chamar os cristãos à luta. Dom João d’Áustria aceita o desafio, respondendo com outro tiro. O vento mudara inesperadamente. Os estandartes do Crucificado e da Virgem de Guadalupe investem contra as bandeiras vermelhas de Maomé, marcadas com a meia-lua, estrelas e o nome de Alá bordado a ouro. Nesse momento o Céu já enviara um augúrio da vitória: o primeiro tiro que partira contra os infiéis lhes afundara uma galera. Aos gritos de "Vitória! Vitória! Viva Cristo!", os cruzados lançaram-se com toda a energia na batalha.
Fonte: http://www.salvemaliturgia.comOs turcos procuravam dar a maior amplitude a seu deslocamento, para envolver um dos flancos do adversário. Doria tenta impedir-lhes a manobra, mas afasta-se demais da zona que lhe havia sido designada, abrindo um perigoso vão entre a ala sob seu comando e o centro da esquadra cristã.Os 264 canhões de Duodo, abrindo fogo, conseguem romper a linha inimiga. Começam as abordagens.O apóstata italiano Uluch Ali entra pelo vazio deixado por Doria. Com suas melhores naves, lança-se no combate em que o centro dos cristãos estava engajado, e com algumas galeras pesadas mantém Doria afastado. Neste lance iam sendo aniquiladas as tropas de Doria, e a reserva do Marquês de Santa Cruz não podia socorrê-las, pois estava empenhada em auxiliar os venezianos da ala esquerda, junto ao litoral.Ali-Pachá, reconhecendo pelos estandartes a galera de D. João, abalroou-a com seu próprio navio, proa contra proa, e lançou sobre ela toda uma tropa de janízaros escolhidos. Neste momento o conselho de Doria provou sua eficácia: desembaraçada do esporão, a artilharia da nau católica pôs-se a dizimar a tripulação da "Sultana", a nave de Ali-Pachá. Em socorro desta acorreram mais sete galeras turcas, que despejaram mais janízaros sobre a ponte ensangüentada da capitânia de D. João. Duas vezes a horda turca penetrou nesta até o mastro principal, mas os bravos veteranos espanhóis obrigaram-na a recuar. Dom João contava agora com apenas dois barcos de reserva, sua tropa tinha sofrido muitas baixas, e ele mesmo fora ferido no pé. A situação ia-se tornando cada vez mais perigosa, quando o Marquês de Santa Cruz, tendo liberado os venezianos, veio em socorro do generalíssimo e este pôde repelir os janízaros.A batalha chegara ao seu auge. As águas tingiam-se de sangue, ressoavam gritos e gemidos dos que lutavam, dos feridos, mutilados e agonizantes. O estrondo das armas de fogo entrecruzava-se com o tinir das lâminas de aço, num concerto trágico e grandioso. Sucediam-se umas às outras as proezas. O sangue nobre corria. Um após outro caíram Juan de Córdoba, Fábio Graziani, Juan Ponce de León. O velho Veniero lutava de espada na mão, à frente de seus soldados. O general veneziano Barbarigo tombara ferido por uma flecha no olho, quando, para dar ordens a seus homens, afastara o escudo que o protegia. "É um risco menor do que o de não conseguir fazer-me entender numa hora destas!" — respondera a alguém que o advertia do perigo. O jovem Alexandre Farnese, Duque de Parma, entrou sozinho numa galera turca, e não morreu. De sua parte, o inimigo tentava toda espécie de manobras e dava inegáveis provas de valor.O momento era crítico, e ainda deixava muitas dúvidas quanto ao desenlace da batalha, quando Ali-Pachá, defendendo a "Sultana" de mais uma investida cristã, caiu morto por uma bala de arcabuz espanhol (ou suicidou-se, segundo outra versão). Eram 4 horas da tarde.O corpo do generalíssimo dos infiéis foi arrastado até os pés de D. João. Um soldado espanhol avançou sobre ele e cortou-lhe a cabeça. Esta, por ordem do Príncipe, foi então erguida na ponta de uma lança, para que todos a vissem. Um clamor de alegria vitoriosa levantou-se da capitânia católica. Os turcos estavam derrotados, e o pânico espalhou-se celeremente entre suas hostes, a partir do momento em que o estandarte de Cristo começou a drapejar sobre a "Sultana".Uluch Ali ainda investiu sobre a ala direita comandada por Andrea Doria. Mas, atacado pelo Marquês de Santa Cruz, tratou de fugir.O veneziano Girolamo Duodo conta que "uma grande parte dos escravos cristãos, que se encontravam nos navios inimigos, compreendeu que os turcos estavam perdidos. Apesar dos guardas, esses infelizes multiplicaram seus esforços para buscar a salvação na fuga e favorecer a vitória dos nossos. Em pouco tempo, ei-los combatendo em todos os setores onde há guerra, com uma coragem sem igual. Seu ardor é decuplicado pelos gritos que ecoam de todos os lados: "A vitória é nossa!". Nos navios da Liga, os galés — que tinham sido armados de espada — abandonavam os remos quando havia abordagem e lutavam valentemente contra os turcos.Uma Senhora de aspecto majestoso e ameaçadorOs restos da esquadra inimiga batem em retirada e se dispersam, enquanto as trombetas católicas proclamam a todos os ventos a vitória da Santa Liga, na maior batalha naval que a História jamais registrara.A tarde começava a cair e prometia um mar agitado. No crepúsculo daquele santo dia, os navios da Liga se reagrupavam e mal podiam navegar através dos restos da batalha: cadáveres, remos e mastros espalhados bizarramente pela água. As embarcações apresadas vinham à retaguarda das galeras católicas, arrastadas humilhantemente pela popa.As perdas dos infiéis tinham sido enormes: 30 a 40 mil mortos, 8 ou 10 mil prisioneiros (entre os quais dois filhos de Ali-Pachá e quarenta outros membros das famílias principais do império), 120 galeras apresadas e cinqüenta postas a pique ou incendiadas, numerosas bandeiras e grande parte da artilharia em poder dos vencedores. Doze mil cristãos escravizados alcançaram a liberdade. A Liga perdeu doze galeras e teve menos de 8 mil mortos.Soube-se depois que, no maior fragor da batalha, os soldados de Mafoma tinham avistado acima dos mais altos mastros da esquadra católica uma Senhora, que os aterrava com seu aspecto majestoso e ameaçador.É hora de dar graças a Jesus Cristo pela vitóriaBem longe dali, o Papa aguardava ansioso notícias da esquadra católica. Desde a chegada de D. João a Messina, redobrara de orações e jejuns pela vitória das armas cristãs, e instava para que monges, cardeais e fiéis rezassem e jejuassem na mesma intenção. Confiava sobretudo na eficácia do rosário, para obter o socorro onipotente da Virgem.No dia 7 de outubro ele trabalhava com seu tesoureiro, Donato Cesi, o qual lhe expunha problemas financeiros. De repente, separou-se de seu interlocutor, abriu uma janela e entrou em êxtase. Logo depois voltou-se para o tesoureiro e disse-lhe: "Ide com Deus. Agora não é hora de negócios, mas sim de dar graças a Jesus Cristo, pois nossa esquadra acaba de vencer". E dirigiu-se à sua capela.As notícias do desfecho da batalha chegaram a Roma, por vias humanas, duas semanas depois, por um correio que vinha de Veneza. Na noite de 21 para 22 de outubro o Cardeal Rusticucci acordou o Papa, para confirmar a visão que ele tinha tido. No meio de um pranto varonil, São Pio V repetiu as palavras do velho Simeão: "Nunc dimittis servum tuum, Domine, in pace" (Luc.2,29). No dia seguinte, a notícia foi dada em São Pedro, após uma procissão e um solene "Te Deum".Soube-se depois que, no maior fragor da batalha, os soldados de Mafoma tinham avistado acima dos mais altos mastros da esquadra católica uma Senhora, que os aterrava com seu aspecto majestoso e ameaçador.




















