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21 de jan. de 2012

Elogio da Humildade.



Perguntou, certa vez, um lavrador a um santo anacoreta:

-Que devemos fazer, meu Pai, para adquirir a humildade?

Respondeu o santo:

- É preciso, somente, que consideremos nossos defeitos e esqueçamos os alheios, e como a humildade torna o homem perfeito, quanto mais ele a pratica mais se eleva na estima de todo o mundo.

E acrescentou:

- O orgulho querendo elevar a criatura faz, ao contrário, que ela caia no pecado. A humilhação, querendo abaixa-la e reduzi-la ao nada, eleva-a até ao Céu. Não confies em ti mesmo, mas coloca tua esperança em Deus.

Faze o que de ti depende, e Deus ajudará a tua boa-vontade.

Não confies na tua ciência, ou na inteligência de qualquer vivente; confia, antes, na graça de Deus, que favorece os humildes e assiste aos que d’Ele precisam.

A alma verdadeiramente humilde é muito corajosa. [...]

(Fonte: Lendas do Céu e da Terra – Malba Tahan – autor D.)

NOTA DO BLOG: Não conheço maior elogio à um homem do que o que disse Nosso Senhor sobre São João Batista:

“Em verdade vos digo: entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele.” (São Mateus, 11,11).

E o que dizia São João Batista de si mesmo?

“Perguntaram-lhe de novo: Dize-nos, afinal, quem és, para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo? Ele respondeu: Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como o disse o profeta Isaías (40,3).” (São João 1:22-23)

"Seis coisas há que o Senhor odeia e uma sétima que lhe é uma abominação: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, um coração que maquina projetos perversos, pés pressurosos em correr ao mal, um falso testemunho que profere mentiras e aquele que semeia discórdias entre irmãos." (Provérbios 6, 16-19)

Na foto acima, Santa Teresinha do Menino Jesus, modelo de humildade.

2 de ago. de 2011

Humildes em Cristo.


Dos Sermões de Jean Tauler (1300-1361), religioso dominicano:

Disse Nosso Senhor: «Muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não o viram» (Lc 10,24). Por profetas entendam-se os grandes espíritos sutis e dados ao raciocínio que se apegam às subtilezas da razão natural e delas têm vaidade. Uns olhos assim não são ditosos. Por reis entendam-se os que são da mesma natureza dos mestres, de energia forte e poderosa, mestres de si próprios, das suas palavras, das suas obras e do seu idioma, e fazem tudo o que querem com jejuns, vigílias e novenas, fazendo disso grande alarde, como se de algo extraordinário se tratasse, mas desprezam os outros. Também não são esses olhos que são ditosos.

Todas estas pessoas quiseram ver e não viram. Quiseram ver, mas apegaram-se à vontade própria, uma vontade que encobre os olhos da alma como uma película ou uma membrana encobre os olhos do corpo, impedindo-os de ver. Quanto mais permanecerdes na vontade própria, mais privados sereis de ver com o olhar interior, uma vez que a verdadeira felicidade advém do abandono verdadeiro, que é o afastamento da vontade própria. Tudo isso nasce do fundo da humildade. Quanto menores e humildes fordes, menos vontade própria tereis.

Quando tudo está em paz, a alma vê a sua própria essência e todas as suas faculdades; reconhece-se como imagem racional d'Aquele de Quem saiu, e os olhos que fixam aí o seu olhar podem perfeitamente ser tidos por ditosos por causa do que vêem. E então sim, é a maravilha das maravilhas que se descobre, o que há de mais puro, de mais certo, aquilo que menos poderá ser-vos tirado (Lc 10,42) Possamos nós seguir neste caminho e ver de tal modo que os nossos olhos sejam ditosos. Assim Deus nos ajude!

6 de jun. de 2011

Mês de junho - 6º dia

Coração humilde


"Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração" (Mt 11,29)



Se a humildade pode ser mais ou menos profunda, digamos logo que a profundidade da humildade de Jesus é sem medida. Até que ponto Jesus fui humilde, sabemos pela Fé que nos assegura a inexistência n'Ele da personalidade humana; sabemos disso pela história  que nos mostra Jesus sacrificado de modo infame sobre o lenho da cruz.
Jesus se humilhou tanto que tocou o fundo da degradação. "Escolhi ser anulado em mim" (Sl 83,11). E ninguém jamais se poderá comparar com Ele neste rebaixamento e desprezo de si.
O coração humilde, porém, mais cedo ou mais tarde cantará vitória e será exaltado. "A humilhação deixa atrás o soberbo, mas a glória irá ao encontro do humilde" (Pr 29,23). A humildade leva ao Paraíso. O orgulho precipitou Lúcifer e os Anjos rebeldes no Inferno.
São Francisco de Assis, a quem lhe perguntava porque Deus lhe tivesse dado tantos dons extraordinários, respondia que eu se compraz em cumular de dons sobretudo os seres mais vis miseráveis. Deus exalta os humildes (Lc 1,52). Por isto São Francisco desejava que os seus frades se chamassem 'menores', para que fossem mais próximos de Deus.
O orgulho fecha as portas do Paraíso. A humildade as reabre. Santo Agostinho afirma que "as outras virtudes batem à porta do Coração de Deus; a humildade o abre." E acrescenta: "Queres chegar à altura de Deus? Abaixa-te antes à humildade de Deus. Olha a árvore: antes vai embaixo, para depois subir ao alto. Lança raízes profundas para elevar ao Céu o seu cume".
Jesus "Se anulou" (Fl 2,7) até à morte mais ignóbil, por isso Deus O exaltou e lhe doou "um nome que está acima de qualquer outro nome" (cf. Fl 2,7). Se seguimos Jesus em  humildade de coração, O seguiremos também na Sua glória sem igual.


Coração soberba


O coração do homem é soberbo, marcado pelo pecado original, que foi o pecado de louco orgulho. E se é verdade que a soberba é "princípio de todo pecado" (Eclo 10,13) podemos seriamente temer que "quando Deus permite ao soberbo realizar os seus desígnios, lhe permite escava a própria cova", como diz Santo Agostinho.
Narra São Jerônimo que quando Santo Ilarione via muita gente correr a ele pela reputação dos milagres que operava, se afligia profundamente, dizendo: "Temo que Deus me queira pagar nesta vida aqueles poucos serviço que lhe procuro render".
Quando São Pio X soube que se pretendia colocar placas em sua honra em Veneza, em Riese, em Treviso, se apressou em exprimir o seu desprazer e o seu desacordo com tais projetos. Uma vez escreveu assim aos Cônegos da Catedral de Treviso: "Se os reverendíssimos cônegos da Catedral de Treviso, querem fazer prazer ao Santo Padre, se lembrem particularmente dele na Santa Missa, mas abandonem a intenção de fazer-me uma placa".
Com este comentário sobre tal homenagem, São Pio X exprimia uma grande verdade. A soberba é uma peste morta. É uma placa na alma: atinge, arruína, mata. Destrói todo o bem. "Ela sozinha entre todos osvícios - diz São Bernardo - faz a guerra com todas as virtudes, e como veneno universal, as corrompe todas".
A humildade, ao contrário, é a garantia de todas as virtudes. O Santo Cura d'Ars usava uma maravilhosa imagem dizendo que "a humildade é para as outras virtudes o que é a corrente para as contas do Rosário. Tirai a corrente e as contas caem; tirai a humildade e as virtudes desaparecerão".
O coração do homem, se não se livra do orgulho, será cheio de miséria, porque "Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes" (Tg 4,6). E São Bernardo explica que "como o vaso não se enche se não abaixando-o à fonte, assim a alma não se inunda de Deus se não abaixando-se ao próprio nada". São Francisco de Assis, por exemplo, se transfigurou até se tornar "todo seráfico em ardor", depois de se ter reduzido a um maltrapilho insensato aos olhos de todos os seus conterrâneos.
A soberba do coração é verdadeira insensatez. São Paulo grita fortemente: "O que possuis, homem, que não tenhas recebido? E se o recebeste, por que te glorias, como se não o tenhas recebido?" (I Cor 4,7).
No entanto, o nosso coração é tão pronto a ser soberbo daquilo que não é seu! O coração soberbo é um ladrão, e soberba é um vício traidor que arruina todo o bem posto por Deus no homem. Basta lembrar Adão e Eva assim traído pela soberba de querer ser "como Deus". (Gn 3,5).
Santa Margarida Maria Alacoque se tornou predileta do Sagrado Coração de Jesus pela sua ciente humildade e minoridade a Jesus. Ele mesmo lhe falou diso em sua primeira aparição: "Eu a escolhi como um abismo de indignidade e ignorância". E ela ficava muito contente quando caminhava entre continuadas humilhações.
Pobres de nós que usamos todos os artifícios para evitar até a menor humilhação. O coração humilhíssimo de Jesus queira livrar o nosso coração de todo sentimento de orgulho, e enriquecê-lo de sua doce humildade.


Propósito:

- Rezar a invocação: "Jesus, doce e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso. Fazei-nos viver o amor e a reconciliação".

- Rezar as seguintes orações: (clique aqui).

31 de mai. de 2011

Artigo de Olavo de Carvalho: Má conselheira

Quando reagem aos ataques cada vez mais virulentos que a religião sofre da parte de gayzistas, abortistas, feministas enragées, neocomunistas, iluministas deslumbrados etc., certos católicos e protestantes invertem a ordem das prioridades: colocam menos empenho em vencer o adversário do que em evitar, por todos os meios, "combatê-lo à maneira do Olavo de Carvalho".
O que querem dizer com isso é que o Olavo de Carvalho é violento, cruel e impiedoso, humilhando o inimigo até fazê-lo fugir com o rabo entre as pernas, ao passo que eles, as almas cristianíssimas, piedosíssimas, boníssimas, preferem "odiar o pecado, jamais o pecador". Daí que, em vez de ferir os maliciosos com o ferro em brasa da verdade feia, prefiram admoestá-los em tom de correção fraterna ou, no máximo, argumentar genericamente em termos de direitos e valores.
São, em primeiro lugar, péssimos leitores da Bíblia. Cristo, é verdade, mandou odiar o pecado e não o pecador. Mas isso se refere ao sentimento, à motivação íntima, não à brandura ou dureza dos atos e das palavras expressas. Ele nunca disse que é possível reprimir o pecado sem magoar e, nos casos mais obstinados, humilhar o pecador.

Quando expulsou os comerciantes do templo, Ele chicoteou "pecados" ou o corpo dos pecadores? Quando chamava os incrédulos de "raça de víboras", Ele se dirigia a noções abstratas, no ar, ou a ouvidos humanos que sentiam a dor da humilhação?

Quando disse que o molestador de crianças deveria ser jogado ao mar com uma pedra no pescoço, Ele se referia ao pescoço do pecado ou ao do pecador? O pecado, em todos os casos possíveis e imagináveis, só pode ser reprimido, punido ou combatido na pessoa do pecador, não em si mesmo e abstratamente. Discursar genericamente sobre o pecado, sem nada fazer contra o agente que o pratica, é transformar a moral numa questão de teoria, sem alcance prático.

Em segundo lugar, não têm discernimento moral. Não, pelo menos, na medida suficiente para avaliar a gravidade relativa dos atos privados e públicos, nem para distinguir entre a paixão da carne e o ódio aberto ao Espírito Santo. Mais imbuídos de moralismo sexual burguês que de autêntica inspiração evangélica, abominam, na mesma medida, a prática homossexual em si e seu uso como instrumento público de ofensa deliberada a Jesus, à Igreja, a tudo quanto é sagrado.

Não sabem a diferença entre a tentação carnal, que é humana, e o impulso de humilhar a cristandade, que é satânico. Falam de uma coisa e da outra no mesmo tom, como se o pecado contra o Espírito Santo fosse tão perdoável quanto uma fraqueza da carne, um deslize, um vício qualquer.

Assim procedendo, colocam-se numa posição logicamente insustentável. Sentindo então a própria vulnerabilidade sem perceber com clareza onde está o ponto fraco, vacilam e passam a atenuar seu discurso como quem pede licença ao adversário para ser o que é, para crer no que crê. Daí é que lhes vem o temor servil de "combater à maneira do Olavo de Carvalho", a compulsão de marcar distância daquele que não se deixa inibir por idêntica fragilidade de coração.

É verdade que o Olavo de Carvalho usa às vezes palavras duras, humilhantes. Mas ele jamais elevou sua voz em público para condenar qualquer conduta privada, por abominável que lhe parecesse. De pecados privados fala-se em privado, com discrição, prudência, compaixão. Pode-se também falar deles em público, mas genericamente, sem apontar o dedo para ninguém. E o tom, em tal circunstância, deve ser de exortação pedagógica, não de acusação.

Examinem a conduta do Olavo de Carvalho e digam se alguma vez ele se afastou dessas normas. Quando ele humilha o pecador em público, é por conta de pecados públicos, que não vêm de uma fraqueza pessoal e sim de uma ação cultural ou política racional, premeditada, maliciosa até a medula.

Homossexualismo é uma coisa, movimento gay é outra. O primeiro é um pecado da carne, o segundo é o acinte organizado, politicamente armado, feroz e sistemático, à dignidade da Igreja e do próprio Deus - algo que vai muito além até da propaganda ateística, já que esta se constitui de meras palavras e aquele de atos de poder. Atos de prepotência, calculados para humilhar, atemorizar e aviltar, preparando o caminho para a agressão física, a repressão policial e o morticínio.

O cinismo máximo dessa gente é alardear choramingando a violência pública contra os gays, estatisticamente irrisória, e alegá-la justamente contra a comunidade mais perseguida do universo, que já forneceu algumas centenas de milhões de vítimas aos rituais sangrentos dos construtores de "mundos melhores".

O indivíduo que se deixou corromper ao ponto de entregar-se a esse exercício de mendacidade psicótica com a consciência de estar servindo a uma causa humanitária está longe de poder ser atingido, na sua alma, por exortações morais, apelos à "liberdade de religião", queixas formuladas em linguagem de debate acadêmico pó- de-arroz ou mesmo argumentações racionais lindamente fundamentadas. Só uma coisa pode inibi-lo: o temor da humilhação pública, que, nas almas dos farsantes e hipócritas, é sempre exacerbado e, às vezes, seu único ponto sensível.

Sim, o Olavo de Carvalho usa às vezes palavras brutais. Mas ele o faz por premeditação pedagógica, que exclui qualquer motivação passional, especialmente o ódio, ao passo que outros só se esquivam de usar essas palavras porque têm medo de parecer malvados, porque têm horror de dar má impressão e buscam abrigo sob a capa de bom-mocismo, de desculpas evangélicas perfeitamente deslocadas, concorrendo em falsidade e hipocrisia com os próceres do gayzismo.

Cometem, aliás, o mesmo erro suicida em que os liberais brasileiros caíram desde duas décadas atrás, quando, fugindo ao exemplo do Olavo de Carvalho, preferiram debater economia de mercado com os petistas em vez de denunciar o Foro de São Paulo e sua lista de crimes. Hoje estão liquidados. A covardia é sempre má conselheira.

Fonte: Mídia sem Máscara.

27 de mai. de 2011

Mês de maio - 27º dia

A Humildade







"Patife! - gritou o demônio a Cura d'Ars, batendo-o contra a parede do quarto - Já me roubastes 80 mil almas este ano! Se existissem 4 sacerdotes como tu, estaria logo acabado o meu reino no mundo." Santo Cura d'Ars era, talvez, o sacerdote menos dotado e mais desprevenindo da França. Entrou no seminário por uma Graça especial de Nossa Senhora: sabia recitar bem o Rosário. Manteve-se sempre na sua humildade, ciente de ser um inepto. Pensou em rezar e fazer penitência com todas as suas forças. O resto o fez Deus. Foram coisas incríveis que mortificaram o Inferno inteiro, impotente de frente a este sacerdote humilde. É a verdade da Palavra de Deus: "Quem se exalta será humilhado; quem se humilha será exaltado". (Lc 14,11) E ainda: "Deus resiste aos soberbos e dá sua Graça aos humildes." (I Pd 5,5) Se pensarmos na grandeza de Nossa Senhora, podemos compreender qual imensidade de humildade devia estar nela: "Exaltada sobre os corações dos Anjos".

A humildade de Maria tem o seu bilhete de apresentação nas primeiras páginas do Evangelho: "Eis aqui a serva do Senhor". Manifesta-se na Visitação a S. Isabel que lhe grita justamente: "A que devo a honra que venha a mim a Mãe do meu Senhor?" Brilha no nascimento de Jesus em uma pobre gruta, porque não tinha lugar para eles na hospedaria (cf. Lc 1,38; 43;2,7). Confunde-se ao profundo silêncio e escondimento nos 30 anos de Nazaré; arde no próprio opróbrio e na ignomínia sobre o Calvário onde Maria está presente como Mãe do Condenado. A humildade de Maria não é nem mais nem menos proporcional à sua excelente realeza. Suprema a exaltação porque foi suprema humilhação. A esta escola devemos ir para aprender a humildade.


A vontade de aparecer


Quem mais do que Nossa Senhora teria motivos para aparecer? Mas ela é misteriosamente silenciosa e escondida em todo o Evangelho. Nós, cheios de bobagens e ricos de misérias, que vontade de aparecer nos queima. Vermos sacrificados, humilhados e valorizados os nossos talentos, ou ser colocados a parte ou nos poder afirmar... Que tortura e quantos ressentimentos. Mas para sermos humildes, devemos reprimir sem piedade os secretos impulsos e as venenosas satisfações do orgulho. Assim faziam os santos. Quem não se lembra de S. Antônio de Pádua, mandado como cozinheiro num convento dos Apeninos? Foi pra lá humilde e manso como sempre. E tinha uma sapiência prodigiosa, tornando-se Dr. da Igreja. Quando S. Vicente de Paulo se sentia louvar, punha em evidência os próprios defeitos e as suas humildes origens. Dizia ser filho de um pobre camponês, ignorante e incapaz. Se acontecia alguma desordem, atribuía-se sempre a culpa. O mesmo para S. Pio X; quando era louvado pelos seus inspirados discursos, transformava tudo em brincadeira, respondendo: "Bobagens... Coisas copiadas não valem!" Qualquer milagre operado por suas mãos, impunha silêncio, dizendo: "É por ordem das Sumas Chaves, eu não tenho nada com isso. É a bênção do Papa. É a fé de quem pede a Graça". S. Gema Galgani soube industriar-se para achar o modo de se humilhar e ser humilhada. Sabido que tinha chegado um couto prelado para interrogar sobre os fenômenos extraordinários que lhe aconteciam, pegou um gato, colocou-o sobre os joelhos e brincava com ele, ignorando as perguntas do prelado. Pouco tempo depois ele foi embora convencido que ela era uma demente. É o modo dos santos: anular-se para fazer resplandecer a grandeza de Deus que opera. "Escolheu o nada para reduzir a nada as coisas que são para que nenhum homem possa gloriar-se junto a Deus" (I Cor 1,28-29).


Uma coisa não sei fazer


A humildade esmaga o demônio. A humilíssima Virgem esmaga a cabeça do diabo, aquele que queria ser semelhante ao Altíssimo (cf. Is 14,14) está com a cabeça sob os pés d'Aquela que quer ser somente 'Serva do Senhor' (cf. Lc 1,38) E quem for humilde participa do poder da Imaculada de esmagar a cabeça do demônio. S. Macário foi um dos grandes padres do deserto. Teve que lutar muito contra o demônio. Um dia o viu chegar com uma forca de fogo na mão. S. Macário ajoelhou-se e humilhou-se junto ao Senhor e a forca caiu da mão do demônio, que exclamou com ódio: "Escuta, Macário: tu tens boas qualidades, mas eu tenho mais; tu comes e dormes pouco, mas eu nunca os faço; tu fazes milagres e eu também faço prodígios; mas uma coisa tu sabes fazer e eu não: Sabes humilhar-te!" Por isto a humildade é uma força infalível contra Satanás. Por isto S. Francisco de Assis ocupa a cadeira de Lúcifer, segundo a visão de Frei Leão. De fato, a quem lhe perguntou o que pensasse de si, S. Francisco respondeu de sentir-se o ser mais repelente da Terra, um verme nojento. Disse ainda que as graças que Deus lhe doou, qualquer um teria dado mais frutos. Esta é a essência da humildade: reconhecer que exclusivamente nós temos somente o pecado. Todo o resto, tudo o que é bom, é de Deus. E cada mínima coisa boa que conseguimos fazer para a vida eterna, nos é possível só pela Graça de Deus (cf. I Cor 4,7; 12,3; II Cor 3,5). Pe Pio disse: "Se Deus nos retirar o que nos deu, nós ficaremos somente com os nossos farrapos".


A Humildade é sabedoria


S. Ambrósio dizia que a humildade é o trono da sabedoria. Bem, a Maria devemos pedir esta sabedoria. E queira Ela que nós tenhamos, porque as outras virtudes - diz S. Agostinho - batem à porta do coração de Deus: a humildade abre! Inspiremo-nos nos três episódios evangélicos mais expressivos sobre a humildade. Depois da pesca milagrosa, S. Pedro é transformado pelo prodígio operado por Jesus e não pode controlar-se em prostrar-se e dizer: "Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador". "Tu serás pescador de homens!" (cf. Lc 5,8-10). Um pobre publicano está no fundo do Templo e não ousa nem levantar o olhar, mas geme humildemente: "Deus, tem piedade de mim, pecador". Jesus nos assegura que ele saiu do Templo purificado, diferente do Fariseu orgulhoso (cf. Lc 18 9-14). No Calvário, o bom ladrão confia-se humildemente ao Inocente: "Jesus, lembra-te de mim quando entrares no Teu Reino". E foi impotentemente investido por uma graça que o dispõe em brevíssimo tempo para poder entrar no Reino dos Céus (cf. Lc 23,43). Somos quase tentados a dizer que até Jesus é débil em frente à humildade. Essa é de verdade uma chave que abre o Coração de Deus. A humilíssima Virgem Maria queira dar-nos esta "chave" do coração de Deus.



Votos


- Ler e meditar os 3 episódios de humildades evangélicos citados no texto;

- Fazer qualquer ato de humildade para reparar tantos pecados de orgulho;

- Pedir a Maria insistentemente esta virtude.