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23 de ago. de 2011

Vida de oração e o mundo moderno.


A vida de oração é o sustento de uma alma cristã, não há virtude, ordem, paz e santidade sem oração. Jesus de Nazaré orou, na sua natureza humana Ele precisava de encontros com O Pai, por isso freqüentemente era encontrado retirado em algum monte rezando. Se o próprio Cristo precisou rezar a ponto de agonizar no Getsenami, quanto mais nós, homens limitados marcados pelo pecado original e cheio de concupiscências.

A questão a ser levantada é: O homem moderno esta rezando? Percebe-se nitidamente que esta acontecendo um grande esfriamento na vida de oração dos homens de fé. As razões são muitas, vamos enumerar algumas.

O primeiro ponto é o ativismo, a correria do dia-a-dia, a agenda esta cada vez mais lotada, as metas precisam ser batidas e isto culmina na ausência de tempo e espaço para Deus. O máximo que muitos fazem é traçar o Sinal da Cruz quando acordam, dormem e se alimentam. Não questiono o anseio pelas conquistas materiais não, a minha indagação é a seguinte: “Como estes irmãos conseguem cultivar virtudes sem rezar?”

Hoje é visível que as redes sociais também têm atrapalhado muito na vida de oração, sobretudo os jovens Cristãos. A juventude tem ficado o dia inteiro no computador, viciados não conseguem rezar nem sequer um terço. É lógico que a internet é algo extraordinário, as redes sociais é um grande bem, porém o uso demasiado influencia negativamente em todos os sentidos e no nosso caso atrapalha de mais no progresso espiritual.

O que dizer então da famosa preguiça, em alguns casos a preguiça para rezar provém de combate espiritual e nestes casos até compreendo as dificuldades dos irmãos, mas na maioria dos casos o problema é ausência de determinação, consciência e até mesmo de abertura do coração. Preferem a novela no lugar do terço em família, preferem um lanche com amigos no lugar da adoração comunitária, preferem dormir na folga do que fazer alguns minutos de adoração ao Santíssimo Sacramento e por ai vai. A vergonha na cara já era na vida de muitos.

São Paulo fala em I Tess 5 v. 17: “Orai sem cessar “. Devemos rezar sem cessar porque somos dependentes de Deus para tudo, Ele mesmo afirmou isto quando disse: “Sem mim nada podeis fazer” (João 15 v.5).

Lembro-me da história de um monge que era sempre incomodado por um jovem que o perguntava sempre a mesma coisa: O que faço para aprender a rezar? Certo dia importunado com tanta amolação o monge deu a ele a receita, pegou a cabeça do rapaz colocou dentro de um tanque cheio de água e ali o segurou por um tempo considerável, quando tirou a cabeça disse ao rapaz que estava preste a desmaiar de falta de ar: “Você vai aprender a rezar quando tiver a consciência que precisas de Deus como precisava deste ar”.

Com certeza Nosso Senhor quer féis virtuosos e fervorosos, isto só é possível em oração. Que possamos dar passos rumo à perfeição, uma boa idéia é criar uma agenda de oração semanal, tenho certeza que gradativamente podemos ter uma vida de oração.

17 de jun. de 2011

" Marcha da maconha" e as lamentáveis decisões do STF.




Frederico de Castro – SPES

Em recente decisão, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que a realização dos eventos denominados “marcha da maconha” não são ilegais.

Para os ministros, a questão cuida apenas da conservação dos direitos constitucionais de reunião e de livre expressão do pensamento, e nessa medida estariam permitidos.

Contudo, é preciso ter em mente que o STF – lamentavelmente –, em mais uma novíssima decisão teratológica, se erige em juiz de legibus, ou seja, em juiz das leis e não segundo as leis, transformando-se ele próprio em legislador; e assim o faz pela artificiosa hermenêutica então denominada interpretação conforme.

E assim tem ocorrido progressiva e sucessivamente: liberação de células-tronco embrionárias, reconhecimento de união gay, colocação em liberdade do criminoso internacional Cesare Battisti, etc.


Pois bem, decidiu a mais alta corte do país no julgamento da ADPF 187 que o artigo 287 do Código Penal deve sofrer interpretação conforme a constituição (e adivinhe quem diz o que é uma interpretação conforme e qual é ela?!), de tal forma que não se podem impedir manifestações públicas em defesa da legalização de drogas. Retenha-se que o artigo legal ora citado impõe categoricamente tratar-se de fato criminoso alguém fazer apologia de um fato criminoso.

Portanto, o que a hermenêutica do STF realmente proporciona é a concessão de um salvo-conduto antecipado aos maconheiros para que possam fazer apologia de seu vício, pouco importando que este na maior parte das vezes esteja mesclado com comportamentos caracterizados como ilícitos penais pela legislação brasileira, sem mencionar evidentemente os prejuízos morais e à própria integridade física das pessoas. Ausente, pois, a justiça e a prudência em mais uma decisão que se afasta enormemente de qualquer coisa que se possa chamar de jurídico – isso para dizer o mínimo.

É cediço que o uso indiscriminado das drogas, ou seja, aquele uso que não se faz para fins medicinais ou medicamentosos, é extremamente prejudicial ao bem comum nos mais diversos níveis, e assim desde um aparentemente inofensivo comportamento letárgico no descumprimento dos deveres de estado até os mais horrendos homicídios ou o tráfico de armas, ou ainda, pelo próprio abuso dessas substâncias, o entorpecimento da consciência, da vontade e da razão.

Ainda assim, dirão os defensores da maconha, e do uso de drogas de maneira em geral, sem abdicar uma vírgula de seus “sofismas de bolso”, em sua uníssona lenga-lenga: o tabaco é tão prejudicial quanto a maconha ou mais; em Amsterdã o uso é legalizado, e a criminalidade é menor; ou, ainda, o uso da maconha é tão natural quanto tomar “uma cervejinha”, etc.

Pois bem, se a questão fosse assim tão transparente como se alega, sucessivas legislaturas, ainda que de péssimos políticos, já haveriam sido suficientes para chegar à conclusão de que não apenas a maconha, mas também outras drogas, poderiam ser legalizadas a exemplo do tabaco ou do álcool. Mas a realidade desmente a tese desses libertinos: as drogas que têm seu uso discriminado ou totalmente proibido o têm não por capricho legislativo, mas por imperativo categórico de sobrevivência. Enfim, o mal das drogas é um mal que se alastra, pois não está circunscrito ao usuário. Um único drogado é capaz de destruir uma família; uma família destruída é capaz de pôr em risco uma comunidade; uma comunidade destruída é capaz de pôr em risco uma cidade; uma cidade destruída é capaz de pôr em risco uma grande extensão de territórios; e uma grande extensão de territórios pode pôr em risco toda uma pátria. Logo, o combate às drogas é uma questão de sobrevivência de todo o país.

Portanto, uma marcha pela maconha não é uma mera manifestação do pensamento ou de um direito constitucional de reunião. Não, absolutamente não! Uma marcha pela maconha é uma apologia pior do que a incursão no art. 287 do Código Penal: seria mesmo um crime de lesa-pátria se tal figura penal houvesse na legislação!

Há quem defenda que a legalização das drogas seria capaz de diminuir a violência do crime organizado. Quanta ousadia ou, até arriscaria dizer, má-fé em uma afirmação como esta! Isso é absolutamente falso. É uma afirmação que confunde os fins com os meios. Ora, as pessoas se organizam para o crime não em função dos meios, mas em função dos fins.

Alguém se faz traficante de drogas não para vender drogas, mas pela cupidez do lucro fácil. Portanto, ao criminoso pouco importa se as drogas são lícitas ou não; ele continuará a ser violento por imperativo de seus desejos. Se não for para afastar a ação da polícia, será para afastar a concorrência ou para ameaçar o consumidor, ou em função de qualquer motivo que seja capaz de pôr em risco a sua “vida fácil”. Portanto, legalize-se o que se quiser, e ainda assim não se porá fim à violência.

Há um adágio popular que diz: “Quem diz sempre o que quer acaba escutando o que não quer”. Mutatis mutandis, os ministros “paz e amor” do STF correm o risco de entrar para a história do país como aqueles que avalizaram o princípio de enormes convulsões sociais. Pode a liberdade de expressão suprimir totalmente a justiça e a prudência? Pode o valor da liberdade ser superior à felicidade ou ao bem? Ao magistrado compete conhecer o bem não apenas de modo abstrado ou geral, mas distinguir o bem concretamente diante do que o caso requer.

A virtude da prudência, como me ensinou o magistrado Ricardo Dip (em Prudência Judicial e Consciência), é o primeiro dos hábitos morais a cuja falta já não é possível nenhuma vida moral. Todas as virtudes morais convergem em seu fim para a conformidade com uma reta razão, e é justamente o papel da prudência determinar esta reta disposição dos meios capazes de atingir esses fins. Ora, a toda a evidência faltou muita prudência aos ministros da mais alta corte deste país. Ao contrário da antiga linhagem dos magistrados que consolidaram o direito do ocidente, os atuais jamais poderão ser chamados de “jurisprudentes”.
Deus proteja nossa pátria, pois a prudência nos falta e a justiça se esvai em vaidades.

6 de jun. de 2011

Mês de junho - 6º dia

Coração humilde


"Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração" (Mt 11,29)



Se a humildade pode ser mais ou menos profunda, digamos logo que a profundidade da humildade de Jesus é sem medida. Até que ponto Jesus fui humilde, sabemos pela Fé que nos assegura a inexistência n'Ele da personalidade humana; sabemos disso pela história  que nos mostra Jesus sacrificado de modo infame sobre o lenho da cruz.
Jesus se humilhou tanto que tocou o fundo da degradação. "Escolhi ser anulado em mim" (Sl 83,11). E ninguém jamais se poderá comparar com Ele neste rebaixamento e desprezo de si.
O coração humilde, porém, mais cedo ou mais tarde cantará vitória e será exaltado. "A humilhação deixa atrás o soberbo, mas a glória irá ao encontro do humilde" (Pr 29,23). A humildade leva ao Paraíso. O orgulho precipitou Lúcifer e os Anjos rebeldes no Inferno.
São Francisco de Assis, a quem lhe perguntava porque Deus lhe tivesse dado tantos dons extraordinários, respondia que eu se compraz em cumular de dons sobretudo os seres mais vis miseráveis. Deus exalta os humildes (Lc 1,52). Por isto São Francisco desejava que os seus frades se chamassem 'menores', para que fossem mais próximos de Deus.
O orgulho fecha as portas do Paraíso. A humildade as reabre. Santo Agostinho afirma que "as outras virtudes batem à porta do Coração de Deus; a humildade o abre." E acrescenta: "Queres chegar à altura de Deus? Abaixa-te antes à humildade de Deus. Olha a árvore: antes vai embaixo, para depois subir ao alto. Lança raízes profundas para elevar ao Céu o seu cume".
Jesus "Se anulou" (Fl 2,7) até à morte mais ignóbil, por isso Deus O exaltou e lhe doou "um nome que está acima de qualquer outro nome" (cf. Fl 2,7). Se seguimos Jesus em  humildade de coração, O seguiremos também na Sua glória sem igual.


Coração soberba


O coração do homem é soberbo, marcado pelo pecado original, que foi o pecado de louco orgulho. E se é verdade que a soberba é "princípio de todo pecado" (Eclo 10,13) podemos seriamente temer que "quando Deus permite ao soberbo realizar os seus desígnios, lhe permite escava a própria cova", como diz Santo Agostinho.
Narra São Jerônimo que quando Santo Ilarione via muita gente correr a ele pela reputação dos milagres que operava, se afligia profundamente, dizendo: "Temo que Deus me queira pagar nesta vida aqueles poucos serviço que lhe procuro render".
Quando São Pio X soube que se pretendia colocar placas em sua honra em Veneza, em Riese, em Treviso, se apressou em exprimir o seu desprazer e o seu desacordo com tais projetos. Uma vez escreveu assim aos Cônegos da Catedral de Treviso: "Se os reverendíssimos cônegos da Catedral de Treviso, querem fazer prazer ao Santo Padre, se lembrem particularmente dele na Santa Missa, mas abandonem a intenção de fazer-me uma placa".
Com este comentário sobre tal homenagem, São Pio X exprimia uma grande verdade. A soberba é uma peste morta. É uma placa na alma: atinge, arruína, mata. Destrói todo o bem. "Ela sozinha entre todos osvícios - diz São Bernardo - faz a guerra com todas as virtudes, e como veneno universal, as corrompe todas".
A humildade, ao contrário, é a garantia de todas as virtudes. O Santo Cura d'Ars usava uma maravilhosa imagem dizendo que "a humildade é para as outras virtudes o que é a corrente para as contas do Rosário. Tirai a corrente e as contas caem; tirai a humildade e as virtudes desaparecerão".
O coração do homem, se não se livra do orgulho, será cheio de miséria, porque "Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes" (Tg 4,6). E São Bernardo explica que "como o vaso não se enche se não abaixando-o à fonte, assim a alma não se inunda de Deus se não abaixando-se ao próprio nada". São Francisco de Assis, por exemplo, se transfigurou até se tornar "todo seráfico em ardor", depois de se ter reduzido a um maltrapilho insensato aos olhos de todos os seus conterrâneos.
A soberba do coração é verdadeira insensatez. São Paulo grita fortemente: "O que possuis, homem, que não tenhas recebido? E se o recebeste, por que te glorias, como se não o tenhas recebido?" (I Cor 4,7).
No entanto, o nosso coração é tão pronto a ser soberbo daquilo que não é seu! O coração soberbo é um ladrão, e soberba é um vício traidor que arruina todo o bem posto por Deus no homem. Basta lembrar Adão e Eva assim traído pela soberba de querer ser "como Deus". (Gn 3,5).
Santa Margarida Maria Alacoque se tornou predileta do Sagrado Coração de Jesus pela sua ciente humildade e minoridade a Jesus. Ele mesmo lhe falou diso em sua primeira aparição: "Eu a escolhi como um abismo de indignidade e ignorância". E ela ficava muito contente quando caminhava entre continuadas humilhações.
Pobres de nós que usamos todos os artifícios para evitar até a menor humilhação. O coração humilhíssimo de Jesus queira livrar o nosso coração de todo sentimento de orgulho, e enriquecê-lo de sua doce humildade.


Propósito:

- Rezar a invocação: "Jesus, doce e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso. Fazei-nos viver o amor e a reconciliação".

- Rezar as seguintes orações: (clique aqui).

3 de jun. de 2011

Mês de junho - 3º dia

Coração de amor



 
Jesus é Deus. E Deus é amor.
O Coração de Jesus, então, é o coração todo de amor. Não pode não amar. Não pode não doar-se. Nada o pode freiar, com exceção do pecado, que é a negação do amor. O pecado é o seu inimigo mortal. O pecado O crucificou no Calvário. O pecado continua a crucificá-lo nos corações (cf. Hb 6,6).

"Fornalha ardente de Caridade"! A fornalha é uma imagem expressiva do amor de fogo que enche o Coração de Jesus. Também outras imagens vêm aplicadas ao Coração de Jesus: céu de amor, oceano de caridade, abismo, vulcão, incêndio de amor... mas são todas imagens incompletasss e imperfeitas. Como pode exprimir em palavras uma realidade de amor que tem como fonte o mesmo Deus, o Infinito?
"Oh! Se entendêssemos - exclama Santo Afonso - o amor que arde por nós no Coração de Jesus! Nos amou tanto, que se puséssemos juntos todo o amor do qual são capazes os homens, os Santos e os Anjos, não chegaríamos nem à milésima parte do Amor que Jesus sente por nós"!

Santa Catarina de Siena em seu "Diálogo" pedfiu um dia a Jesus: "Doce Cordeiro Imaculado, vós éreis morto quando o vosso lado foi aberto; por que então desejastes que o cosso Coração fosse assim ferido e aberto"? Jesus respondeu: "Por muitas razões das quais te direi a principal. O meu desejo, reguardo à humanidade, era infinito, mas o ato presente do sofrimento e dos tormentos tinha cabado. Por meio deste sofrimento Eu não podiavos manifestar quanto vos amava, pois o meu amor era infinito. Eis porque quis vos revelar o segredo do Meu Coração fazendo-vos vê-lo aberto, para que compreendais que vos amava mais de quanto podia provar-vos por intermédio de uma dor que tem um fim".

Também São Bernardo, já séculos antes, tinha exclamado: "Senhor Jesus, o Vosso coração foi ferido para que nesta chaga visível aos nossos olhos possamosver a chaga invisível do vosso amor"!

O Coração ferido de Jesus é a fonte que jorra amor para a vida eterna!


Coração egoísta


Se o amor não procura o próprio interesse (cf. I Cor 53,1), o egoísmo não procura senão as próprias contas.

O coração do homem, se não é purificado e transfigurado pela graça, é um coração egoísta que mira só as próprias satisfações. Até quando pensa amar, não o faz senão pelo próprio prazer ou pelas coisas às quais dá valor. O artista ou o comerciante, o operário ou o doutor, quanto é difícil que trabalhem por amor de Deus, ao invés de trabalhar pelo lucro ou sucesso pessoal.

Foi escrito que os quatro pontos cardeais do coração do homem são eu, eu, eu, eu. Quando o coração se enche de amor os quatro pontos cardeais se tornam Deus, Deus, Deus, Deus.

Bem, o que dizer do nosso coração? É cheio da caridade de Deus ou se parece com um bicho da seda, todo fechado em seu casulo?

Devemos agir com energia para que o nosso coração tão grosseiro e interessado se abra com generosidade ao Amor de Deus e dos irmãos. Não devemos e não podemos acreditar amar a Deus só porque lhe dirigimos orações e súplicas para obter favores na hora da necessidade. Quantas orações interesseiras! E muitas vezes, obtido o favor, adeus orações! Este é só um modelo egoísta de rezar. Não serve nem para exprimir nem para nutrir. Os verbos do amor egoísta são: obter, possuir, receber, ter, gozar... Os verbos do amor puro são: doar, doar-se, participar, sacrificar-se, fazer ao outro feliz...

Santo Afonso de Ligório recomendava não desejar o céu só pelo júbilo sem fim que se provará ao amar a Deus, mas pela alegria que provará Deus recebendo o nosso amor puro e total.

Podemos até chegar lá, onde chegou São Francisco de Sales durante a prova interior que muito o atormentou com a obsessão da própria e inevitável danação: "Ora bem, ó Senhor - rezou o santo - se é verdade que eu deva ficar para sempre longe de Vós, procurarei ao menos amar-Vos com todo o coração neste vida"!

Quando São Pio X era Bispo de Mântova, um socialista anticlerical, Alcebíades Moneta, escreveu e difundiu um venenoso livrinho anônimo, cheio de calúnia contra o bispo. Quando foi descoberta, alguém aconselhou ao Bispo de delatar aquele vil caluniador. "Mas não vedes - respondeu o Santo Bispo - que aquele infeliz precisa mais de oração que castigos?" Algum tempo depois uma desventura reduziu aquele infeliz à miséria. Apenas o Bispo tomou conhecimento disso e mandou chamar uma piedosa senhora, dizendo-lhe: "Ide com a esposa de Alcebíades Moneta e levai-lhe esta oferta; mas não lhe digais que sou eu que vos mando. Se o quisesse absolutamente saber, lhe direis que vos manda a senhora mais piedosa que existe: a Virgem Santíssima!"

Assim comporta quem tem o coração cheio de amor, que não procura o próprio interesse (cf. I Cor 53,1).

Queira Jesus emergir o nosso coração egoísta na ' fornalha ardente de caridade ' do Seu Coração.



Propósitos:



- Procurar uma imagem do Sagrado Coração de Jesus e colocá-la em lugar de destaque em casa;

- Rezar as seguintes orações (clique aqui).

28 de mai. de 2011

Mês de maio - 28º dia

A Pureza






A pureza é a virtude mais límpida de Nossa Senhora. O esplendor da sua Virgindade sempre intacta faz d'Ela a criatura mais radiosa que se possa imaginar: a Virgem mais Celestial, toda "candor de luz eterna" (Sb 7,26). O dogma de fé naVirgindade Perpétua de Maria Santíssima, o dogma de fé na Concepção Virginal de Jesus por obra do Espírito Santo, o Dogma de fé na Maternidade Virginal de Maria: esses 3 dogmas investem a Imaculada de um esplendor virginal que "os céus dos céus não podem conter". (I Re 8,27) E através dos séculos, na Igreja, à ditosa Virgem, se inspiraram as filas angélicas das virgens que começaram já desta tera a viver só de Jesus para seguir o Cordeiro no tempo e na eternidade (cf. Ap 14,4). E se existiram ou existem dementes que querem jogar as sombras das baixezas deles sobre uma verdade de fé tão resplendente como a Virgindade de Maria, além de S. Jerônimo (que desbaratou os heréticos Elvídio e Joviniano) e S. Ambrósio (que escreveu páginas de encanto supremo sobre a Virgindade) toda a Igreja no seu caminho milenar celebrou e glorificou em Maria, a Toda Virgem, a Sempre Virgem na alma e no corpo, a Virgem Santa consagrada divinamente pela presença do Verbo de Deus que n'ela se encarnou , revestindo-se da mesma Virgindade da Mãe.


A ira de Deus


Se volvermos o olhar para a humanidade, a visão de sonho e de encanto sobre a Virgindade Imaculada de Maria desaparece de modo súbito e brutal. Impureza, luxúria, sensualidade, adultério, pornografia, homossexualidade, nudismo, espetáculos imundos, bailes obscenos, relações pré-matrimoniais, contracepção, divórcio, aborto... Eis o espetáculo nauseabundo que a humanidade oferece aos olhos de todos. Santo Céu! Quantos abismos de torpezas nesta pobre Terra. Pode-se continuar assim sem provocar a ira de Deus? (cf. Ef 5,6). Maria disse pela pequena e inocente Jacinta (ignorante do verdadeiro significado daquilo que dizia) que os pecados que mais mandam almas ao Inferno são os pecados impuros. Quem poderia desmentir esta afirmação observando o teatro das vergonhas que o mundo mostra todos os dias? É verdade que o pecado impuro não é o pior nem o mais greve dos pecados. Mas é o mais freqüente e o mais nojento. Isto sem dúvida. Nós conhecemos o valor da pureza proclamada por Jesus: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus." (cf. Mt 5,8); conhecemos os dois mandamentos de Deus que nos resguardam da impureza: 6º e 9º; conhecemos até a recomendação mais que enérgica de S. Paulo aos cristãos: "A fornicação e a impureza de toda espécie, não sejam nem nomiadas entre vós, mas o mesmo valha para as vulgaridades e o s discursos triviais: todas coisas indecentes." (Ef 5,3-4) Conhecemos o ensinamento nobre do Catecismo da Igreja: "O 6º mandamento nos ordena de ser santos no corpo, portanto, o máximo respeito à própria pessoa e ao próximo, como obras de Deus e templo onde Ele mora com a sua presença e com a sua Graça";conhecemos as firmes chamadas da Igreja com recentes documentos de primordial importância (Humanae Vitae). Conhecemos todas estas iluminosas indicações para abater as seduções do mundo e da carne, mas a humanidade e até a cristandade não faz mais que escorregar continuamente para formas de costumes sempre mais degradantes, como homem animal que não mais compreende o que é espiritual, a favor do mais cego e obtuso ateísmo: quem entra na lúxuria, diz S. Ambrósio, abandona a via da fé! (cf. I Cor 2,14).


Quais são os remédios


A fuga das ocasiões, a oração e os sacramentos. Todo pecado impuro - de ação, desejo, olhar, pensamento, leitura - é pecado mortal. Precisamos nos defender com todas as forças, até à violência, caso precise, porque aquilo a que aspira a carne é morte, mas aquilo a que tende o espirito de vida é paz, porque desejo da carne é inimizade com Deus (cf. Rm 8,-7). Lembremos S. Bento e S. Francisco que se jogaram entre os espinhos para apagar a conscupiscência que atrai e alicia (cf. Tg 1,14). Lembremos S. Tomás de Aquino que se serve de um tição ardente para desvendar uma insídia perigosa. Recordemos S. Maria Goretti que se deixa esfaquear por 14 vezes para salvar sua virgindade. As ocasiões mais comuns de pecado, porém, exigem sobretudo a mortificação dos olhos (evitar cinemas, leituras sujas), da língua (evitar as conversas torpes e os discursos licenciosos), dos ouvidos (não escutar canções e piadas vulgares), da vaidade (opor-se às modas indecentes). De tudo isto parece evidente que a vida do homem na terra é uma batalha (cf. Jo 71) e que é necessária a contínua vigilância com a ajuda de Deus (oração e sacramentos) para não se deixar dominar pela concupiscência (cf. I Ts 4,5). É humilhante, mas é esta a nossa real condição: carne e espirito estão sempre em luta cerrada entre eles: "Nos meus membros existe outra lei, que move guerra à minha alma e me torna escravo da lei do pecado que está nos meus membros" (Rm 7,23) S. Domingos Sávio, que rasgava as revistinhas que recebia dos companheiros; S. Luiz Gonzaga, que em público, chama a atenção de quem fala despudoradamente e se impõe penitências terríveis; S. Carlos Borromeu que desde menino se avizinhava amiúde aos Sacramentos; S. Afonso Maria de Ligori tirava os óculos quando o papai o levava ao teatro... São exemplos que deveriam nos convencer a usar todos os modos para guardar a pureza do coração e dos sentidos.


Castidade conjugal


Os problemas morais mais sérios são aqueles que se referem os esposos. A castidade conjugal é um dever de todos os esposos cristãos, e é um dever fecundo de graças e bênçãos. Mas os assaltos do malígno são maciços: contracepção e onanismo, divórcio e abortos estão massacrando os cônjuges cristãos, sem dizer das relações pré-matrimoniais, que são somente uma imunda profanação dos corpos e das almas daqueles noivos, escravos miseráveis da carnalidade. Desejam ter só 2 filhos; usam das pílulas e outros meios para evitarem gravidezes posteriores, profanando por anos e anos as relações matrimoniais que deveriam simbolizar a união entre Cristo e a Igreja (cf. Ef 5, 25) . "A pílula anticoncepcional vem do Inferno, dizia Pe. Pio, e quem usa comete pecado mortal". E ainda: "Para todo bom casamento o número dos filhos é estabelecido por Deus e não pela vontade dos esposos", e ainda: "Quem está na estrada do divórcio, está na estrada no Inferno". Pior ainda para quem cometer o crime do aborto!!! Que abram bem os olhos os esposos cristãos! Profanar o sacramento do matrimônio nunca acontecerá sem castigos e maldições sobre as famílias. Se lembrem bem que com Deus não se brinca! (cf. Gl 6,7).



Votos


* Recitar 3 Aves-marias em honra da virgindade de Maria.

* Eliminar e destruir qualquer coisa de não modesto que tenha consigo.

* Mortificar bem os sentidos, especialmente a vista.

27 de mai. de 2011

Mês de maio - 27º dia

A Humildade







"Patife! - gritou o demônio a Cura d'Ars, batendo-o contra a parede do quarto - Já me roubastes 80 mil almas este ano! Se existissem 4 sacerdotes como tu, estaria logo acabado o meu reino no mundo." Santo Cura d'Ars era, talvez, o sacerdote menos dotado e mais desprevenindo da França. Entrou no seminário por uma Graça especial de Nossa Senhora: sabia recitar bem o Rosário. Manteve-se sempre na sua humildade, ciente de ser um inepto. Pensou em rezar e fazer penitência com todas as suas forças. O resto o fez Deus. Foram coisas incríveis que mortificaram o Inferno inteiro, impotente de frente a este sacerdote humilde. É a verdade da Palavra de Deus: "Quem se exalta será humilhado; quem se humilha será exaltado". (Lc 14,11) E ainda: "Deus resiste aos soberbos e dá sua Graça aos humildes." (I Pd 5,5) Se pensarmos na grandeza de Nossa Senhora, podemos compreender qual imensidade de humildade devia estar nela: "Exaltada sobre os corações dos Anjos".

A humildade de Maria tem o seu bilhete de apresentação nas primeiras páginas do Evangelho: "Eis aqui a serva do Senhor". Manifesta-se na Visitação a S. Isabel que lhe grita justamente: "A que devo a honra que venha a mim a Mãe do meu Senhor?" Brilha no nascimento de Jesus em uma pobre gruta, porque não tinha lugar para eles na hospedaria (cf. Lc 1,38; 43;2,7). Confunde-se ao profundo silêncio e escondimento nos 30 anos de Nazaré; arde no próprio opróbrio e na ignomínia sobre o Calvário onde Maria está presente como Mãe do Condenado. A humildade de Maria não é nem mais nem menos proporcional à sua excelente realeza. Suprema a exaltação porque foi suprema humilhação. A esta escola devemos ir para aprender a humildade.


A vontade de aparecer


Quem mais do que Nossa Senhora teria motivos para aparecer? Mas ela é misteriosamente silenciosa e escondida em todo o Evangelho. Nós, cheios de bobagens e ricos de misérias, que vontade de aparecer nos queima. Vermos sacrificados, humilhados e valorizados os nossos talentos, ou ser colocados a parte ou nos poder afirmar... Que tortura e quantos ressentimentos. Mas para sermos humildes, devemos reprimir sem piedade os secretos impulsos e as venenosas satisfações do orgulho. Assim faziam os santos. Quem não se lembra de S. Antônio de Pádua, mandado como cozinheiro num convento dos Apeninos? Foi pra lá humilde e manso como sempre. E tinha uma sapiência prodigiosa, tornando-se Dr. da Igreja. Quando S. Vicente de Paulo se sentia louvar, punha em evidência os próprios defeitos e as suas humildes origens. Dizia ser filho de um pobre camponês, ignorante e incapaz. Se acontecia alguma desordem, atribuía-se sempre a culpa. O mesmo para S. Pio X; quando era louvado pelos seus inspirados discursos, transformava tudo em brincadeira, respondendo: "Bobagens... Coisas copiadas não valem!" Qualquer milagre operado por suas mãos, impunha silêncio, dizendo: "É por ordem das Sumas Chaves, eu não tenho nada com isso. É a bênção do Papa. É a fé de quem pede a Graça". S. Gema Galgani soube industriar-se para achar o modo de se humilhar e ser humilhada. Sabido que tinha chegado um couto prelado para interrogar sobre os fenômenos extraordinários que lhe aconteciam, pegou um gato, colocou-o sobre os joelhos e brincava com ele, ignorando as perguntas do prelado. Pouco tempo depois ele foi embora convencido que ela era uma demente. É o modo dos santos: anular-se para fazer resplandecer a grandeza de Deus que opera. "Escolheu o nada para reduzir a nada as coisas que são para que nenhum homem possa gloriar-se junto a Deus" (I Cor 1,28-29).


Uma coisa não sei fazer


A humildade esmaga o demônio. A humilíssima Virgem esmaga a cabeça do diabo, aquele que queria ser semelhante ao Altíssimo (cf. Is 14,14) está com a cabeça sob os pés d'Aquela que quer ser somente 'Serva do Senhor' (cf. Lc 1,38) E quem for humilde participa do poder da Imaculada de esmagar a cabeça do demônio. S. Macário foi um dos grandes padres do deserto. Teve que lutar muito contra o demônio. Um dia o viu chegar com uma forca de fogo na mão. S. Macário ajoelhou-se e humilhou-se junto ao Senhor e a forca caiu da mão do demônio, que exclamou com ódio: "Escuta, Macário: tu tens boas qualidades, mas eu tenho mais; tu comes e dormes pouco, mas eu nunca os faço; tu fazes milagres e eu também faço prodígios; mas uma coisa tu sabes fazer e eu não: Sabes humilhar-te!" Por isto a humildade é uma força infalível contra Satanás. Por isto S. Francisco de Assis ocupa a cadeira de Lúcifer, segundo a visão de Frei Leão. De fato, a quem lhe perguntou o que pensasse de si, S. Francisco respondeu de sentir-se o ser mais repelente da Terra, um verme nojento. Disse ainda que as graças que Deus lhe doou, qualquer um teria dado mais frutos. Esta é a essência da humildade: reconhecer que exclusivamente nós temos somente o pecado. Todo o resto, tudo o que é bom, é de Deus. E cada mínima coisa boa que conseguimos fazer para a vida eterna, nos é possível só pela Graça de Deus (cf. I Cor 4,7; 12,3; II Cor 3,5). Pe Pio disse: "Se Deus nos retirar o que nos deu, nós ficaremos somente com os nossos farrapos".


A Humildade é sabedoria


S. Ambrósio dizia que a humildade é o trono da sabedoria. Bem, a Maria devemos pedir esta sabedoria. E queira Ela que nós tenhamos, porque as outras virtudes - diz S. Agostinho - batem à porta do coração de Deus: a humildade abre! Inspiremo-nos nos três episódios evangélicos mais expressivos sobre a humildade. Depois da pesca milagrosa, S. Pedro é transformado pelo prodígio operado por Jesus e não pode controlar-se em prostrar-se e dizer: "Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador". "Tu serás pescador de homens!" (cf. Lc 5,8-10). Um pobre publicano está no fundo do Templo e não ousa nem levantar o olhar, mas geme humildemente: "Deus, tem piedade de mim, pecador". Jesus nos assegura que ele saiu do Templo purificado, diferente do Fariseu orgulhoso (cf. Lc 18 9-14). No Calvário, o bom ladrão confia-se humildemente ao Inocente: "Jesus, lembra-te de mim quando entrares no Teu Reino". E foi impotentemente investido por uma graça que o dispõe em brevíssimo tempo para poder entrar no Reino dos Céus (cf. Lc 23,43). Somos quase tentados a dizer que até Jesus é débil em frente à humildade. Essa é de verdade uma chave que abre o Coração de Deus. A humilíssima Virgem Maria queira dar-nos esta "chave" do coração de Deus.



Votos


- Ler e meditar os 3 episódios de humildades evangélicos citados no texto;

- Fazer qualquer ato de humildade para reparar tantos pecados de orgulho;

- Pedir a Maria insistentemente esta virtude.