Exorcismo

Padres Exorcistas explicam

Consagração a Virgem Maria

Escravidão a Santissima Virgem, Orações, Devoção

Formação para Jovens

Espiritualidade, sexualidade, diverção, oração

4 de jul. de 2008

O Segredo de Maria

Portanto, tudo se resume a encontrar um meio fácil para se alcançar de Deus a graça necessária para se tornar santo; e é precisamente isso que eu pretendo ensinar-te. E afirmo que, para se alcançar tal graça de Deus, é necessário alcançar Maria. Vejamos, de seguida, os motivos:

1º) MARIA ALCANÇOU GRAÇA

Só Maria alcançou graça diante de Deus (Lc. 1,30), para Si e para toda a criatura em particular. Nem os patriarcas ou profetas, nem todos os Santos do Antigo Testamento alcançaram graça.

2º) É MÃE DA GRAÇA

Só Maria, na verdade, deu o ser e a vida ao Autor de toda a graça; por isso é apelidada "Mãe da graça".

3º) É CHEIA DE GRAÇA

Deus Pai, de quem, como fonte essencial, deriva todo o dom perfeito, e toda a graça, ao dar-Lhe seu próprio filho, entregou a Maria todas as graças; de maneira que - como diz São Bernardo - n'Ele e com Ele Deus comunicou-Lhe a sua própria vontade.

4º) É ADMINISTRADORA DAS GRAÇAS

Deus escolheu-A para tesoureira, ecónoma e distribuidora de todas as suas graças; por isso, todas as graças e dons de Deus passam pelas suas mãos. E - segundo São Bernardino - em virtude do poder que Deus Lhe conferiu. Ela dá a quem quer, quanto quer e na medida que quer as graças do Pai, as virtudes do Filho e os dons do Espírito Santo.

5º) É A MÃE DO FILHO DE DEUS

Tal como, na ordem da natureza, é necessário que um filho tenha um pai e uma mãe, assim também, na ordem da graça, todo o verdadeiro filho da Igreja deverá ter Deus por pai e Maria por mãe. E quem se vangloriar de ter Deus por pai e não tiver a ternura de um filho por Maria, pois será um mentiroso que terá apenas o demónio por pai.

6º) É MÃE DOS MEMBROS DE CRISTO

Já que foi Maria quem formou a Cabeça dos predestinados, Jesus Cristo, a Ela pertence também formar os membros dessa mesma Cabeça, que são os verdadeiros cristãos. Com efeito, uma mãe não dá luz a cabeça sem os membros, nem os membros sem a cabeça.

Por isso, quem desejar ser membro de Jesus Cristo, cheio de graça e de verdade, deverá deixar-se formar em Maria através da graça de Jesus Cristo, que nela reside em plenitude, a fim de ser derramada, igualmente em plenitude, aos verdadeiros membros de Cristo que são os verdadeiros filhos de Maria.

7º) É COLABORADORA DO ESPÍRITO SANTO

Tendo o Espírito Santo desposado Maria e tendo gerado n'ela , com Ela e por Ela Jesus Cristo, a obra-prima, o Verbo encarnado, e não a tendo jamais repudiado, continua, cada dia, a gerar os predestinados n'Ela e por meio d'Ela, de forma misteriosa, mas verdadeira.

8º) FAZ CRESCER NO AMOR FILIAL

Maria recebeu de Deus um domínio especial sobre as almas para alimentá-las e fazê-las crescer em Deus.

Santo Agostinho diz mesmo que, neste mundo, os cristãos autênticos são inteiramente enclausurados no seio de Maria, e são dados à luz apenas quando esta boa mãe os gera para a vida eterna.

Por conseguinte, assim como a criança vai buscar todo o nutrimento à sua mãe, que lhe proporciona o alimento necessário à sua fragilidade, assim também os cristãos vão procurar a Maria todo o nutrimento e todo o vigor espiritual.

9º) ESTÁ PRESENTE NA VIDA DOS VERDADEIROS CRISTÃOS

Somente a Maria disse Deus Pai:

"Minha Filha, põe a tua morada em Jacob" (Ecle. 24,8), ou seja, habita nos cristãos autênticos, prefigurados em Jacob.

Somente a Maria disse Deus Filho: "Minha Mãe, toma Israel por tua herança" (Ecle. 24,8), ou seja, toma os verdadeiros cristãos por herança.

Finalmente, também só a Maria disse o Espírito Santo: "Minha fiel Esposa, lança as tuas raízes no meio dum povo glorioso" (Ecle. 24,12), ou seja, os verdadeiros cristãos.

Portanto, quem for do número dos verdadeiros e cristãos autênticos terá a Senhora a morar dentro de si, ou seja, na sua alma, nela deixando lançar raízes de uma humildade profunda, de uma caridade ardente e de toda a espécie de virtudes.

10º) É A IMAGEM VIVA DE DEUS

Maria é chamada por Santo Agostinho, e é-o efectivamente, "Forma Dei", imagem viva de Deus; isto quer significar que somente n'Ela foi formado Deus como homem perfeito, sem faltar-Lhe qualquer traço da divindade; e também que só n'Ela pode o homem ser transformado em Deus - tanto quanto a natureza humana o permita -, pela graça de Jesus Cristo.

Um escultor pode reproduzir ao natural uma estátua ou um retrato de duas maneiras: aplicando todo o seu talento na matéria dura e informe, usando de toda a força, de toda a ciência e perfeição das suas ferramentas para reproduzir a estátua; ou então, metendo-a simplesmente num molde.

O primeiro método é demorado, é difícil e está sujeito a diversos inconvenientes: por vezes bastará uma pancada de cinzel ou uma martelada mal dada para estragar toda a obra.

O segundo, ao contrário, é rápido, suave e delicado, quase sem despesa e sem fadiga, desde que o molde seja perfeito e que reproduza com exactidão, e desde que a matéria utilizada seja maleável e não oponha resistência ao seu manejo.

É Maria o maravilhoso molde de Deus, criado pelo Espírito Santo para formar em perfeição um Homem-Deus através da união hipostática, e para tornar o homem participante da natureza divina mediante a graça. Maria é esse molde a que não falta o mais leve traço da divindade: quem for metido nele e se deixar plasmar por ele, adquire todos os traços de Jesus Cristo, verdadeiro Deus, e isso de forma suave e em consonância com a fragilidade humana, sem tantos sacrifícios nem fadigas; e ainda de forma segura, sem medo de ilusões, já que o demónio não teve e nunca virá a ter qualquer acesso a Maria; finalmente e ainda de maneira santa e imaculada, sem a mais leve sombra de pecado.

Oh!, alma querida, quão grande é a diferença entre uma alma formada em Jesus Cristo pelos meios ordinários como os escultores - que confiam apenas no seu engenho, no seu talento -, e a outra em que se está diante duma alma muito maleável, desapegada, bem fundida e que, recusando fiar-se em si mesma, deixa-se plasmar apenas pela acção do Espírito Santo!

Quantas manchas, quantos defeitos, quantas sombras, quantas ilusões, quanto de natural e humano existem no primeiro método!... E quão puro, quão divino e quão semelhante a Jesus Cristo é o segundo!

11º) É O PARAÍSO DE DEUS

Nunca houve e jamais haverá criatura alguma, não fazendo sequer excepção dos Bem-aventurados, dos Querubins ou dos mais elevados Serafins, o, onde Deus - fora de Si mesmo e em Si mesmo - tenha manifestado a sua glória com tanta perfeição como em Maria.

É Maria o Paraíso de Deus e o seu mundo inefável, onde o Filho de Deus penetrou para lá operar maravilhas, para o guardar e aí gozar as suas complacências.

Criou Deus um mundo para o homem peregrino, que é o mundo em que todos habitamos; criou um mundo para o homem bem-aventurado, que é o Paraíso; mas, para Si, criou Deus outro mundo a que deu o nome de Maria; mundo este quase desconhecido a todos os mortais, e incompreensível a todos os Anjos e a todos os Bem-aventurados do Céu que, extasiados por verem um Deus tão glorioso, tão acima de todos eles, tão separado e tão escondido no seu mundo - a excelsa Maria -, que exclamam sem cessar: Santo, Santo, Santo.

Feliz, mil vezes feliz é na terra a alma a quem o Espírito Santo revelar o Segredo de Maria para que o conheça; a quem abrir esse "Jardim fechado" para que possa entrar; essa "Fonte Selada" para que dela possa extrair e beber, a longos tragos, as águas vivas da graça!

Nesta amável criatura uma tal alma encontrará Deus somente: um Deus infinitamente santo e transcendente, mas também infinitamente condescendente e compreensivo diante da nossa fraqueza.

Uma vez que Deus está em todo o lado, pode ser encontrado em todo o lado, até nos infernos; mas não existe lugar algum onde uma pessoa O possa encontrar mais próximo dela e mais adaptado á sua fraqueza do que em Maria, já que foi para isso que Ele veio ao mundo.

Em todo o lado é Ele o Pão dos fortes e dos Anjos; em Maria, porém, é o Pão dos filhos.

12º) FACILITA A UNIÃO COM DEUS

Que ninguém pense, como alguns iluminados, que Maria, por ser criatura, possa ser obstáculo à união com o Criador; é que já não é Maria que vive, é Jesus Cristo apenas, é Deus só que vive n'Ela. A sua transformação em Deus ultrapassa infinitamente a de S. Paulo e a dos outros Santos, mais do que o Céu ultrapassa a terra em altura.

Maria não existe senão para Deus; por isso, longe de segurar para si uma alma, Ela projecta-a em Deus e une-a a Ele com mais perfeição ainda do que a alma está unida a Ela.

Maria é o eco admirável de Deus, que só sabe repercutir "Deus" quando uma alma lhe grita: "Maria"; e que não sabe senão glorificar a Deus quando, tal como Santa Isabel, a proclamam bem-aventurada.

Se os falsos iluminados, miseravelmente enganados pelo demónio até na oração, tivessem sabido encontrar Maria, e Jesus por Maria, e Deus através de Jesus, não teriam certamente dado tão terríveis quedas.

Quando um cristão encontrou Maria e Jesus através de Maria e Deus Pai através de Jesus, pois terá encontrado todo o bem - referem alguns Santos. E dizendo todo o bem, nada se exceptua: toda a graça e toda a amizade junto de Deus; toda a segurança contra os inimigos de Deus; toda a verdade contra a mentira; toda a facilidade e toda a vitória contra as dificuldades da salvação; toda a doçura e toda a alegria nas amarguras da vida.

13º) É AUXÍLIO NO SOFRIMENTO

Não pretendemos afirmar que quem encontrou Maria através de uma devoção verdadeira venha a ficar isento de cruzes e sofrimentos. Bem ao contrário! Até será mais assaltado do que os outros já que Maria - qual Mãe dos viventes - dá a todos os seus filhos alguma porção da Árvore da Vida, a cruz de Jesus.

Reservando-lhes, porém, grandes cruzes, dá-lhes também a graça de carregá-las com paciência, e até com alegria, de maneira que as cruzes que Ela dá àqueles que lhe pertencem são - por assim dizer - saborosas, ou cruzes doces e não amargas. Ainda que, durante algum tempo e por serem amigos de Deus, devam beber o cálice da amargura, porém, a consolação e a alegria que recebem da sua bondosa Mãe - passada a provação - dá-lhes força e coragem para carregarem cruzes ainda bem mais pesadas e amarga.

É INDISPENSÁVEL UM RELACIONAMENTO PESSOAL COM MARIA

A dificuldade está, pois, em saber alcançar verdadeiramente a Santíssima Virgem, para assim se poderem obter todas as graças em abundância.

Deus, qual Senhor todo-poderoso, poderá, por virtude própria, comunicar directamente aquilo que, de modo ordinário, comunica só través de Maria. E não se poderá negar - fazê-lo seria temerário - que, por vezes, Deus até se comunica directamente. Porém - como refere São Tomás - tendo em consideração o plano estabelecido pela divina Sabedoria , não se comunica aos homens, de forma ordinária, senão por Maria, isto na ordem da graça.


São Luís de Monfort - "O Segredo de Maria" - Vila do Conde, Centro Mariano Monfortino, 4ª Edição, 1995.

25 de mar. de 2008

APRESENTAÇÃO DA PÁGINA DE INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO

01.

Nesta página oferecem-se diversos textos cujo conjunto tem como objetivo uma apresentação do Cristianismo. Sendo assim, convém explicar em que sentido deseja-se através deles apresentar o Cristianismo.


02.

Em meados do século XX Michael Schmaus, um teólogo suíço, escreveu um livro em cujo primeiro parágrafo colocava muito bem o problema que está na origem desta página. Na abertura de sua obra M. Schmaus dizia algo semelhante ao que se segue:



"O que vem a ser o Cristianismo?
O que ele quer?
Quais os serviços que ele presta
à humanidade?
A impressão que geralmente se tem
é que até hoje ele não forneceu
nenhuma auto explicação definitiva
e de valor irrevogável.
A razão de ser deste paradoxo
não consiste na obscuridade
do que chamamos de Cristianismo,
mas é antes uma consequência da plenitude
e da complexidade de sua essência e estrutura.
O espírito humano não é capaz
de compreender em uma só intuição
a totalidade de sua constituição".
Este autor foi muito feliz ao ter dito estas coisas sobre o Cristianismo, porque há muitas pessoas que se encontram diante do Cristianismo exatamente na posição que ele descreve. Tentaram compreender o que Jesus veio trazer à humanidade e, mesmo depois de terem lido o Evangelho muitas vezes, confessam estarem ainda diante da mesma pergunta inicial:




"O que vem a ser isto?"
"O que realmente ele pretende?"
Todas as tentativas de encaixarem o texto, que não é tão grande, do Evangelho dentro de seus quadros mentais se revelam insatisfatórios. O Evangelho, percebem estas pessoas, é algo mais. E não é só evidente que é algo mais, como também que é algo muito mais. Mas não é evidente o que seja este algo mais.
É então que surge a impressão de que até hoje ninguém tenha dado uma explicação definitiva e de valor irrevogável sobre o mesmo. É-se tentado a pensar que, além do próprio Cristo e dos seus primeiros apóstolos, nunca mais ninguém soube explicar de modo definitivo o que é o Cristianismo.
A razão de ser desta paradoxo, diz M. Schmaus, não consiste na obscuridade do que chamamos de Cristianismo, mas é conseqüência da plenitude e complexidade de sua essência e estrutura.


03.

E de fato é assim. Aqueles que se põem diante do Evangelho, no início não percebem toda a sua grandeza.
Mas, se têm a disposição de aceitá-lo por fé e colocá-lo sinceramente em prática com o desejo de vivê-lo profundamente, logo depois de algum tempo descobrirão estarem na presença de alguma coisa que está além de tudo quanto poderiam ter imaginado e que, mesmo assim, ainda agora seu próprio pensamento não consegue alcançar. Diante da plenitude de sua essência, percebemos que nossas categorias mentais são estreitas demais.


04.

No Evangelho há mais de uma passagem onde Jesus compara sua obra a um banquete em que todos são convidados, embora poucos atendam a este chamado. Ao Jesus dizer isto, estava cumprindo uma profecia escrita seiscentos anos antes pelo profeta Isaías, em que este profetizava a respeito do monte Sião, o monte sobre o qual estava construída Jerusalém, ou, literalmente, a cidade da paz:




"Sobre este monte,
o Senhor preparará
para todos os povos
um banquete de seletos manjares,
um festim de vinhos generosos.
Neste monte tirará o véu
que encobria os povos todos,
e a coberta que se estende
sobre todas as gentes.
Aniquilará para sempre a morte,
e o Senhor Deus enxugará
as lágrimas de todas as faces".





Is. 25,6-8
No Evangelho, na plenitude de sua essência, encontramos este banquete, preparado para todos os povos, de seletos manjares. O mais belo de todos os convites que Deus já dirigiu à humanidade consiste exatamente em convidá-los para este banquete, em que as faculdades espirituais do homem são elevadas até que ele possa compreender e participar desta plenitude.
Dizemos compreender, porque na última ceia o próprio Jesus o disse, dirigindo-se aos seus discípulos:




"Já não vos chamo de servos,
porque o servo não sabe
o que faz o seu senhor;
chamo-vos de amigos,
porque vos dei a conhecer
tudo aquilo que ouvi de meu Pai".





Jo 15, 15
Dissemos também participar, porque o Evangelho também assim o disse:




"A quantos o receberam,
deu-lhes o poder de se tornarem
filhos de Deus,
aos que crêem no seu nome,
e que não pelo sangue,
nem pela vontade humana,
mas de Deus nasceram.
De sua plenitude todos nós recebemos,
graça sobre graça".





Jo. 1, 12
Através dos textos encontrados nesta página desejamos responder a estas perguntas:




  • O que vem a ser o Cristianismo?
  • O que ele quer?
  • Quais são os serviços que ele
    presta à humanidade?

São as mesmas perguntas que se fêz Michael Schmaus. Porém o Evangelho é algo tão imenso e tão profundo que será impossível responder a estas perguntas, assim formuladas, nos textos desta página que agora empreendemos iniciar. Por causa disso o que iremos fazer será acender uma fagulha, um pequeno luzeiro, mas de maneira que, embora seja uma parte bem pequena da resposta, o seja de tal maneira que permita ter um vislumbre bem mais distante, que permita ter uma idéia mais sólida da ordem de coisas a que se refere o Evangelho e que possa servir como ponto de referência para cada um de nós no futuro.


05.

Dito isto, devemos também dizer que os textos aqui apresentados não foram concebidos para se tornarem agradáveis nem desagradáveis. Não são palestras de propaganda religiosa. O que pretendemos fazer com eles é o trabalho de uma construção sistemática. Cada um deles ocupa o seu lugar dentro de uma construção maior e foi pensado em função do lugar que deve ocupar no todo.
Seria como se fossemos construir um pequeno castelo com tijolos, assentando um de cada vez de acordo com a lógica da construção final, ainda que às vezes fosse mais agradável empilhar os tijolos de maneira diferente. No fim, só no fim ou perto do fim, quando o pequeno castelo estiver pronto, iremos subir nele para podermos enxergar mais longe.
Há dois motivos que nos levaram a fazer estas observações.
Caso alguém julgar algum destes textos fastidiosos ou difíceis, pense que o resultado final a ser obtido é o conjunto e não a beleza de cada um tomado individualmente.
Em segundo lugar, que não se julgue o conjunto destes textos por cada um deles tomado individualmente. Seria como julgar a aparência futura de uma casa supondo que um tijolo fosse uma amostra em miniatura do que iria ser a casa.


06.

Mas mesmo esta comparação do tijolo e da casa não é boa. Porque nós vamos usar a casa não para morar nela, mas para poder olhar mais longe, além dela. Com isto, temos uma outra observação inicial a fazer sobre o conjunto destas palestras. Na maior parte delas, do início até bem perto do fim, nós iremos acumular uma grande quantidade de dados. Próximo ao fim é que estes dados irão se juntar uns aos outros conduzindo a algo que é de uma ordem diferente deles próprios. Por que, porém, proceder assim?
Devemos dizer que este é o processo normal de trabalho da mente humana, tanto para as pequenas conquistas da inteligência, como para as grandes. A inteligência humana trabalha abstraindo as idéias que contempla dos dados dos sentidos reunidos pela faculdade da imaginação. Ela apenas alcança a essência das coisas após muita observação e alcançar as idéias mais profundas e abstratas requer freqüentemente, da maioria dos homens, que se debrucem sobre uma quantidade maior de dados do que as mais simples.
Podemos exemplificar este fato nas grandes conquistas da inteligência humana ao longo da história.
Vejamos o caso da Mecânica Newtoniana. Trata-se de uma das grandes façanhas do espírito humano. Ela é praticamente metade da Física Clássica e com ela se explica todo o movimento dos astros no céu e a maioria das obras da Engenharia Moderna. No entanto, toda ela pode ser resumida em três princípios, os famosos princípios de Newton da Mecânica e mais a fórmula matemática da lei da gravitação universal, F = G (M.m) / r2.
Para que, porém, Newton pudesse ter vislumbrado uma coisa aparentemente tão simples, e nela, todas as suas conseqüências, antes dele duas gerações de cientistas tiveram quw colecionar uma quantidade imensa de dados. Tycho Brahe, astrônomo, passou a vida inteira observando os astros e fazendo tabelas com estas observações. Ao morrer, não tinha ainda conseguido chegar ao que ele queria, e em seu leito de morte suplicou ao seu discípulo Kepler que jurasse que tanto trabalho não havia sido em vão. Seu trabalho não foi em vão; Kepler continuou as observações do mestre durante mais outra vida, chegando a sintetizá-las em três leis famosas. Todos estes dados passaram para Newton, aos quais ele acrescentou outras observações pessoais. Finalmente, certo dia, repentinamente, com a queda de uma maçã, Newton percebeu quais eram as leis que regiam tudo aquilo e mais um sem número de coisas. Esta intuição foi uma conquista puramente da inteligência, mas se ele próprio e mais duas gerações de sábios não tivessem coligido todos aqueles dados, ainda que uma caixa inteira de maçãs caísse sobre a sua cabeça, isso não faria com que Newton compreendesse as leis da Mecânica.
Podemos tomar um outro exemplo, vindo do campo da Filosofia. Implícita na síntese filosófico teológica de Santo Tomás de Aquino há uma série de princípios de grande alcance que foram descritos nas 24 teses tomistas redigidas por uma comissão de estudiosos na virada do século 19 para o século 20. Trata-se de um texto que pode caber em duas ou três páginas, mas quantos séculos não foram necessários para se chegar à evidência destes princípios, e da síntese que implicitamente se baseia sobre os mesmos! Veio, inicialmente, uma primeira síntese preparatória com Aristóteles, a qual teve que se utilizar de três séculos e meio de trabalho de filósofos gregos que o precederam, observando, dialogando, meditando e contemplando. Para se chegar a Santo Tomás de Aquino, teve que se somar a isto mais um milênio de sabedoria cristã, para que ele pudesse ter enxergado e descrito o que nos deixou. Hugo de S. Vitor, do qual, juntamente com Santo Tomás, muito se fala nestas páginas, foi um dos elos importantes que conduziram à obra de Santo Tomás de Aquino.
Mas estes são apenas exemplos; não se deseja aqui comparar as obras de Newton com as de Hugo de S. Vitor e S. Tomás de Aquino, que possuem outras características básicas muito diversas entre si. O que se quer é apenas trazer à atenção o fato de que o trabalho da inteligência, algo em que ambos estes exemplos certamente estavam implicados, tem os seus requisitos, e isto vale não só para as grandes conquistas da inteligência mas também para as outras menores que todos os homens precisam fazer e fazem ao longo de suas vidas. Quantas vezes as pessoas que se dedicam seriamente ao verdadeiro trabalho da inteligência em um dado momento não percebem, ao encontrar a evidência de uma verdade, como que seu espírito se enche de luz! Esta luz, diz Santo Agostinho, é imagem de Deus, pois, diz Agostinho,





"Está escrito: `Deus é luz'.
Não se creia, porém,
que é esta luz
que contemplam os olhos,
mas sim uma luz
como a que vê o coração
quando ouve dizer que

`Deus é verdade'".





De Trinitate VIII, 2
Mas esta mesma luz, se olharmos para trás em nossa atividade da inteligência, teve que se basear em um trabalho prévio de outra ordem.
É por este motivo que ao longo destes textos iremos desenvolver muitas coisas das quais não se conseguirá apreender de imediato qual a relação entre elas e o objeto das perguntas que são nosso ponto de partida e nossa meta. Trata-se de material que teremos que ir acumulando e de que faremos uso posteriormente.


07.

Esperamos, ademais, em tudo o que dissermos ser simultaneamente fiéis ao Magistério da Igreja e intransigentes na busca da verdade. Esperamos também deixar uma sadia impressão de como se pode nesta caso satisfazer plenamente às exigências de ambos estes critérios sem ao mesmo tempo transigir com nenhum dos dois. Ao tratarmos do Cristianismo, tema de nossas palestras, temos a intenção, ademais, de nos utilizarmos de fontes que pertençam reconhecidamente ao patrimônio filosófico e teológico da Igreja Católica ou que nela foram recebidos e desenvolvidos, como muitos trabalhos dos filósofos gregos. Utilizar-nos-emos também, de um modo especial, dos valiosos recursos que nos foram deixados para tanto na obra de Santo Tomás de Aquino e de Hugo de São Vitor.


08.

Como deve ter ficado claro, esta página não é uma catequese, nem pretende ensinar os rudimentos da doutrina ou da prática cristã. Seria muito desejável que os leitores conhecessem os rudimentos da doutrina, mais ainda se fossem cristãos praticantes, pois isto lhes permitiria compreender melhor o desenrolar das exposições. Os únicos requisitos para se poder acompanhar o diálogo com esta página, porém, são um certo nível de cultura geral e o desejo sincero de compreender o Cristianismo mais profundamente.
Os que não conhecem os rudimentos da doutrina poderão ler os capítulos de 1 a 20 do livro do Êxodo, que contém a narração da instituição da Antiga Aliança, e o Evangelho de São Lucas e os Atos dos Apóstolos, em que se narram a vida e os ensinamentos de Cristo e os primeiros anos da vida cristã. Poderão também consultar com proveito o Catecismo Romano, elaborado a pedido do Concílio de Trento e promulgado pelo Papa Pio V em 1566, ou o Catecismo da Igreja Católica, elaborado a pedido do Papa João Paulo II e promulgado por ele mesmo em 1992. Embora estes dois Catecismos estejam separados no tempo por mais de quatrocentos anos, ambos são textos de indiscutível valor perene. O primeiro exige, em relação ao segundo, algumas atualizações que são em sua maior parte apenas circunstanciais e cabem em notas de rodapé.


09.

Esta página também não se destina à conversão pessoal nem diretamente à prática do Cristianismo, mas não é impossível e talvez seja mesmo provável e algo que muito nos alegraria que, compreendendo alguém a beleza de uma determinada coisa, venha a desejá-la para si, especialmente quando esta coisa por sua natureza é acessível e se destina a todos os que a quiserem.


10.

Caso o leitor ainda não conheça bem os assuntos abordados por esta página, poderá aceitar nossa sugestão de começar a examinar o material apresentado estudando primeiro as



Notas sobre a Pedagogia de Hugo de São Vitor
e, em seguida, os capítulos I, III e X da Educação segundo a Filosofia Perene, capítulos estes respectivamente intitulados de





Introdução Geral , Pressupostos Históricos e
Perspectiva Teológica.
Estes quatro textos encontram-se, desde fevereiro de 1999, também disponíveis para download no Índice Geral deste site.


11.

Aos textos oferecidos nesta página desejaríamos que se acrescentasse a leitura de algumas biografias de pessoas que viveram profundamente o Cristianismo, até à sua essência. Se alguém jamais tivesse visto uma planta, nada melhor do que isto poderia ilustrar o que se pretende explicar com uma aula de Botânica. Gostaríamos que ninguém deixasse de ler pelo menos as seguintes duas obras, escolhidas não só pelo assunto, como também pelo modo com os seus autores abordaram a narrativa:





  • Os Santos que Abalaram o Mundo.


    Obra de René Fulop Muller, publicada no Brasil pela Editora José Olympio do Rio de Janeiro. Contém, em ordem cronológica e em linguagem muito agradável, as biografias de Santo Antão, Santo Agostinho, São Francisco de Assis, Santo Inácio de Loyola e Santa Teresa de Ávila.








  • Autobiografia de Santa Teresa de Ávila.


    Escrita por ela mesma no final dos anos 1500, conta hoje com várias traduções não só para a língua portuguesa, como também para a maioria das línguas modernas.


Para os que principiam a interessar-se pelo assunto, é recomendável que a leitura de Os Santos que Abalaram o Mundo venha antes, e até mesmo como uma introdução da Autobiografia de Santa Teresa de Ávila.

Fonte:  http://www.cristianismo.org.br/

18 de mar. de 2008

Santo Afonso de Ligório: Um padre tíbio mais desonra do que honra a Deus












 “O empenho com que os demônios trabalham na nossa ruína, deve excitar o nosso zelo, em assegurarmos a salvação. Ó, como esses inimigos terríveis porfiam em perder um padre! Ambicionam com mais ardor a perda dum padre, que a de cem seculares, não só porque a vitória alcançada sobre um padre é para eles um triunfo mais brilhante, mas porque um padre na sua queda arrasta muitos outros desgraçados para o abismo.”
- Santo Afonso de Ligório, A Selva
O mal da tibieza no Padre, III
* * *

O sacerdote não pode contentar-se com evitar os pecados graves

Santo Afonso de Ligório
Dirá talvez o padre tíbio: basta-me que não cometa pecados mortais e que me salve. — Basta que vos salveis? Não, responde Sto. Agostinho: visto que sois padre, estais obrigado a trilhar o caminho estreito da perfeição; se seguirdes pela via larga da tibieza, não vos salvareis. “Se dizeis: Basta, estais perdido”. Segundo S. Gregório, quem é chamado a salvar-se como santo, e quer salvar-se como imperfeito, não se salvará. Foi precisamente o que o Senhor fez ouvir um dia à bem-aventurada Angela de Foligno, falando-lhe assim: “Aqueles a quem dou luzes para caminharem na via da perfeição, e degradam a sua alma, querendo seguir pela via comum, serão abandonados em mim”.
Como vimos acima, é certo que o sacerdote é obrigado a tornar-se santo, quer pela sua qualidade de amigo e ministro de Deus, quer em razão das funções augustas que exerce, não só quando oferece o sacrifício da missa, mas quando se apresenta como mediador dos homens, diante da sua divina majestade, e quando santifica as almas mediante os sacramentos; porque é para o fazer caminhar na perfeição que o Senhor o cumula de graças e socorros especiais. Em presença disto, quando ele quer exercer com negligência o seu ministério, no meio de defeitos e faltas sem número, que não pensa em detestar, provoca a maldição de Deus: “Maldito o que faz a obra de Deus com negligência”. Esta maldição significa o abandono de Deus, diz Sto. Ambrósio. Costuma o Senhor abandonar essas almas que, depois de terem sido mais favorecidas com as suas graças, não cuidam de atingir a perfeição a que são chamadas. Quer Deus que os seus ministros o sirvam com o fervor dos serafins, escreve um autor; de contrário, há de retirar-lhes as suas graças e permitir que adormeçam na tibieza, para dali caírem primeiro no abismo do pecado, e depois no do inferno.
O padre tíbio, acabrunhado sob o peso de tantas faltas veniais e de tantas afeições desordenadas, permanece como que mergulhado num estado de insensibilidade. As graças recebidas e as obrigações do sacerdócio já o não tocam; por isso o Senhor na sua justiça o privará dos socorros abundantes, que lhe seriam moralmente necessários, para se desempenhar os deveres do seu estado. Assim irá de mal a pior; cada dia aumentarão os seus defeitos e também a sua cegueira. Havia Deus de prodigalizar as suas graças a quem se mostra avaro com ele? Não, diz o Apóstolo: “quem pouco semeia, pouco colhe”.
Declarou o Senhor que aumentará os seus favores aos que lhe testemunham reconhecimento e conservam as suas graças, mas tirará aos ingratos o que primeiro lhes tinha dado.
Noutra parte diz que, o senhor da vinha, quando não tira fruto dela, trata de a confiar a outros vinhateiros, e castiga os primeiros. Depois ajunta: “Por isso vos declaro que o reino de Deus vos será tirado, para ser dado a uma nação que colha fruto dele”. Significa que Deus tirará do mundo o padre tíbio, ao qual havia confiado o cuidado do seu reino, isto é, que tinha encarregado de trabalhar na sua glória, e que dará esse encargo a outros, que lhe sejam reconhecidos e fiéis.
Deve procurar-se na tibieza a razão por que muitos padres colhem pouco fruto, de tantos sacrifícios que oferecem a Deus, de tantas comunhões que fazem, e de tantas orações que recitam no Ofício e na Missa. “Semeastes muito e colhestes pouco… e o que tinha recebido o salário do seu trabalho, lançou-o num saco roto”. Tal é o padre tíbio: os seus exercícios espirituais lança-os ele todos num saco furado, quer dizer que não lhe resta nenhum merecimento; antes, ao fazê-los dum modo tão defeituoso se torna digno de castigo. Não, o padre que vive na tibieza não está longe da sua perda. Segundo Pedro de Blois, deve o coração do padre ser um altar em que não cesse de arder o fogo do amor divino. Mas que sinal de amor ardente dá a Deus esse padre, que se contenta com evitar os pecados mortais e não teme desagradar a Deus com as faltas veniais? Como observa o Pe. Alvarez de Paz, o sinal que dá é antes o de um amor bem tíbio.
Para fazer um bom padre não bastam apenas graças comuns e pouco numerosas; requerem-se graças muito especiais e abundantes. Ora, como quereria Deus prodigalizar os seus favores a quem se pôs a seu serviço, e depois o serve mal? Santo Inácio de Loyola chamou um dia um irmão leigo da sua Companhia, que passava uma vida muito tíbia, e falou-lhe assim: “Dize-me, irmão meu, que vieste fazer à religião?” Ele respondeu-lhe: “Vim para servir a Deus”. “Ah, meu irmão, replicou o Santo, que disseste? Se me tivesses respondido que foi para servir um cardeal, um príncipe da terra, terias mais desculpa; mas, visto que vistes para servir a Deus, — é assim que o serves?
Todo o sacerdote entra na corte, não dum príncipe da terra, mas noutra muito mais alta, — a dos amigos de Deus, onde se tratam continuamente e em confidência os negócios mais importantes para a glória da soberana Majestade. Donde procede que um padre tíbio mais desonra do que honra a Deus; porque dá a entender, pela sua conduta negligente e cheia de defeitos, que o Senhor não merece ser servido e amado com mais diligência; que, procurando agradar-lhe, não encontra prêmio que o faça bastante feliz; e que a sua divina Majestade não é digna dum amor tal, que nos obrigue a preferir a sua glória a todas as nossas satisfações.
Santo Afonso de Ligório, A Selva
O mal da tibieza no Padre, II

4 de jul. de 2007

ATO DE OFERECIMENTO AO AMOR MISERICORDIOSO, Santa Teresinha do Menino Jesus, Rel, Carm e Doutora da Igreja

ATO DE OFERECIMENTO AO AMOR MISERICORDIOSO

J. M. J. T.

Oferecimento de mim mesma como Vítima de
Holocausto ao Amor Misericordioso de Deus.

Ó MEU Deus! Trindade Bem-Aventurada, desejo Amar-vos e vos fazer Amar, trabalhar para a glorificação da Santa Igreja, salvando as almas que estão sobre a terra e libertando as que sofrem no purgatório. Desejo cumprir, perfeitamente, vossa vontade e chegar ao grau de glória que me preparastes em vosso reino, numa palavra, desejo ser Santa, mas sinto minha impotência e vos peço, ó meu Deus! sejais vós mesmo minha Santidade.

Pois que me amastes, a ponto de dar-me vosso Filho único para ser meu Salvador e meu Esposo os tesouros infinitos de seus méritos são meus, eu vô-los ofereço, com alegria, suplicando-vos que me olheis através da Face de Jesus e em seu Coração ardente de Amor.

Oferece-vos, ainda, todos os méritos dos Santos (que estão no Céu e sobre a terra), seus atos de Amor e os dos Santos Anjos; enfim, ofereço-vos ó Bem-Aventurada Trindade! O Amor e os méritos da Santíssima Virgem, minha Mãe querida, é a ela que abandono minha oferta, suplicando-lhe vô-la apresentar. Seu Divino Filho, meu Esposo Bem-Amado, disse nos dias de sua vida mortal "Tudo o que pedirdes a meu Pai em meu nome, Ele vô-lo dará!" Portanto, estou certa de que atendereis a meus desejos; eu o sei, ó meu Deus! quanto mais quereis dar, tanto mais fazeis desejar. Sinto em meu coração desejos imensos e é, com confiança, que vos peço vir tomar posse de minh'alma. Ah! não posso receber a santa Comunhão tantas vezes quanto desejo, mas, Senhor, não sois Onipotente?... Ficai em mim, como no tabernáculo, não vos afasteis jamais de vossa hostiazinha...

Quisera consolar-vos da ingratidão dos maus e suplico-vos tirar-me a liberdade de vos desagradar; se por fraqueza, cair alguma vez, que, logo, vosso Divino Olhar purifique minh'alma, consumindo todas as minhas imperfeições, como o fogo que transforma em si todas as coisas...

Agradeço-vos, ó meu Deus! todas as graças que me concedestes, em particular, de me ter feito passar pelo cadinho do sofrimento. É com júbilo que vos contemplarei, no último dia, empunhando o cetro da Cruz; pois que vos dignastes fazer-me partilhar desta Cruz tão preciosa, espero, no Céu, assemelhar-me a Vós e ver brilhar em meu corpo glorificado os sagrados estigmas de vossa Paixão...

Após o exílio da terra, espero ir gozar de Vós na Pátria, mas não quero acumular méritos para o Céu, quero trabalhar só por vosso Amor, com o único fim de vos agradar, consolar vosso Coração Sagrado e salvar almas que vos amem eternamente.

Na tarde desta vida, comparecerei perante Vós com as mãos vazias, pois não vos peço, Senhor, contar minhas obras. Toda nossa justiça é manchada a vossos olhos. Quero, pois, revestir-me de vossa própria Justiça, e receber de vosso Amor a posse eterna de Vós mesmo. Não quero outro Trono e outra Coroa senão Vós, ó meu Bem-Amado!

O tempo é nada a vossos olhos, um só dia é como mil anos; podeis, pois, preparar-me, num instante, para comparecer perante Vós...

A fim de viver num ato de perfeito Amor, OFEREÇO-ME COMO VÍTIMA DE HOLOCAUSTO A VOSSO AMOR MISERICORDIOSO suplicando-vos me consumais, sem cessar, deixando transbordar em minh'alma as ondas de Ternura Infinita que estão encerradas em Vós, e que assim eu me torne Mártir de vosso Amor, ó meu Deus!

Que este Martírio, após ter-me preparado para comparecer perante Vós, faça-me, enfim, morrer e que minh'alma precipite-se, sem tardar, no eterno abraço de Vosso Amor Misericordioso...

Quero, ó meu Bem-Amado, em cada palpitar de meu coração, renovar-vos este oferecimento um número infinito de vezes, até que, dissipadas as sombras, possa repetir-vos meu Amor, num Face a Face eterno! ...

Maria, Francisca, Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, rel, carm, ind.

29 de mai. de 2007

Um mês com Maria 30° dia

30º dia - A Devoção à Nossa Senhora




Muito conhecido, mas sempre belo e significativo este episódio: Uma mãe ensina seu filho como fazer o sinal de cruz. Pega sua mãozinha e leva à testa: "Em nome do Pai, FIlho e Espírito Santo. Amém. Repete comigo." "Mas, mãe, onde está a Mamãe?" Comovente intuição. A presença da mãe não é secundária para a vida cristã. Ou seja: a devoção a Nossa Senhora não é absolutamente um ornamento a mais, mas é indispensável. Ao contrário, Jesus obscurece-se quando Maria está à sombra - escreveu o Pe. Faber - ou seja, sem a devoção mariana, decai até o amor a Jesus. Neste sentido, o grande S. Afonso Maria de Ligóri queria a presença de Maria em tudo o que fazia. Quando pregava, queria a imagem dEla junto aonde estava pregando. Disse àqueles que estavam perto: "Hoje não fará grande efeito o sermão, porque Nossa Senhora não está aqui". A Igreja ensina que a devoção a Maria é moralmente necessária ao cristão para se salvar, porque é elemento qualificador de piedade genuína da Igreja (Marialis cultus, introdução) E ainda: a piedade da Igreja através da Virgem Maria é elemento intrísenco do culto cristão (Ivi,56.) Nunca poderemos ficar conformes a Jesus se não amamos Maria Santíssima como Ele. Este é o elemento fundamental da vida cristã, dizia o Papa Pio XII. Maria deve ocupar em nossa vida o lugar que a mãe ocupa na família, ou seja, o lugar do centro vital, de coração e de amor. O que é uma família sem mãe?









Ela nos une a Jesus









"Se Deus nos predestinou para sermos conformes ao seu Filho (cf. Rm 8,29), Maria - diz S. Luis Maria Grignion de Montfort - foi a fôrma que formou Jesus e que continuou a formar Jesus em todos os que a Ela se entregam". Esculpir uma estátua exige um grande trabalho; servir-se de uma fôrma é muito mais simples. Por isso os devotos de Maria podem ficar conformes Jesus no modo mais rápido, mais fácil e mais agradável, dizia S. Maximiliano Maria Kolbe. Quando está fora do lugar, a mesquinha preocupação de quem considera a Devoção a Maria com certa suspeição, ou com o metro na mão, porque teme que se possa exceder, comprometendo a plenitude da vida cristã e da mais alta santificação. É próprio todo o contrário. A Igreja o ensina beníssimo. S. Pio X, em uma encíclica mariana, recolhendo a voz dos padres e dos santos, escreve: "Ninguém no mundo, quanto Maria, conheceu fundo Jesus. Ninguém maior é mestre e melhor guia para fazer conhecer Cristo. Por conseqüência, ninguém é mais eficaz do que a Virgem para unir os homens a Jesus." O Concilio Vaticano II pontualizou que a devoção Mariana não só não impede minimamente o imediato contato com Cristo, mas o facilita (Lumen Gentium, n.0). O Papa Paulo VI acrescentou que Maria não só favorece como tem a missão de unir a Jesus para reproduzir nos filhos os lineamentos espirituais do Filho primogênito (Marialis Cultus, n.57). Que tesouro, então, é uma ardente devoção a Maria!









Ela nos leva ao Paraíso









S. Gabriel de Nossa Senhora das dores disse ao seu Padre espiritual: "Padre, eu tenho certeza de ir para o Céu. " "E como o sabes?" Perguntou o Padre. "Porque já estou lá! Amo Nossa Senhora, então estou no Paraíso!" É assim mesmo! O amor a Maria é sinal de predestinação, garantia do Ceu, é amor de Paraíso. Este é ensinamento comum da Igreja. Basta lembrar aqui 3 grandes Doutores da Igreja. S. Agostinho diz que todos os predestinados se acham fechados no seio de Maria, por isso o amor a Maria é um sinal precioso de salvação. S. Boaventura diz que quem é assinalado pela devoção mariana será assinalado no livro da Vida. S. Afonso de Ligóri assegura que quem ama Maria pode estar tão certo do Paraíso como se já lá se encontrasse. Se é sinal de predestinção, então a devoção a Maria deve ser como o tesouro escondido no campo do qual fala Jesus no Evangelho (cf. Mt 13,44). E precisamos mesmo tomar cuidado e cultivar mesmo a devoção mariana porque S. Leonardo de Porto Maurício chega a dizer que é impossível que se salve quem não é devoto de Maria. E tem razão. O porquê diz S. Boaventura: "como por intemédio d'Ela, Deus desceu até nós e ascendamos até Deus, e então ninguém pode entrar no Paraíso se não passa por Maria que é a porta". Por isso quando S. Carlos Borromeu fazia pôr a imagem de Nossa Senhora em todas as portas das Igrejas, queria mostrar aos cristãos que não se pode entrar no Templo do Paraíso sem passar pela "Porta do Céu". Como conclusão, se temos a devoção a Maria, devemos guardá-la e cultivá-la com grande amor. Se não a temos, peçamo-la com todas as forças como dom de Graça principal deste mês de maio. Lembremos a esplêndida sentença de S. João Damasceno: "Deus faz a graça da devoção a Maria àqueles que deseja salvar". Que esta graça ocupe todo nosso coração. É uma graça que vale o Paraíso. Tinha razão S. Pe Pio ao dizer que a devoção a Maria vale mais que a teologia e a filosofia, e tinha razão S. Maximiliano ao dizer que o amor a Maria faz viver e morrer felizes.









Votos









* 3 Aves-Marias de manhã e de noite para se entregar a Maria.





* Oferecer o dia para que se propague a devoção a Maria.





* Levar sempre consigo ou ter sob os olhos alguma coisa que lhe lembre Maria.

Um mês com Maria 29° dia

29º dia - A Caridade




A Caridade é a Rainha das virtudes. A Caridade é a perfeição do homem. A Caridade é a plenitude da vida cristã. Por quê? Porque Deus é Caridade e quem está na Caridade está em Deus e Deus nele (cf. I Jo 4,16). Mas o que ela é? É o amor total de Deus e do próximo. Não amor humano carnal, mas amor Divino, feito de Graça, que vem do Espírito Santo de Amor. É o amor de Deus difundido nos nossos corações pelo Espirito Santo que nos foi dado (cf. Rm 5,5). É penoso, por isso, é ilusão pensar de amar a Deus ou ao próximo quando se está em pecado mortal na alma. Igualmente é penoso iludir-se de amar verdadeiramente sem que o impulso do amor venha originalmente do Espírito Santo no coração. Quantas aparências de Caridade fazemos, consciente e inconscientemente. Isso diz S. Paulo com palavras que deveriam voltar a si quem quer que seja sem pose de disponibilidade, de abertura aos outros, de viver para os outros, e não olhe se tudo é feito com a Graça de Deus na alma e se venha da consciente e amorosa união com o Espirito Santo no próprio coração. Se não, mais ainda do que de bem vagas disponibilidades e aberturas aos outros, S. Paulo fala muito concretamente de distribuir todos os bens aos pobres e de dar até o próprio corpo para ser queimado pelos outros, para concluir que tudo isto de nada serve se não procede do amor de Deus no coração (cf. I Cor 13,3). A substância principal da caridade, então, é a Graça de Deus na alma, é o amor de Deus no coração e nas intenções. Sem isto, se fala de caridade batendo no ar (cf. I Cor 9,26).









O amor de Jesus empurra









Quando existe o amor de Deus no coração a Caridade pelo próximo é elevada até ao heroísmo mais puro. S. Francisco de Assis, que não só não fugiu, mas aproximou-se e beijou o leproso; S. Isabel de Hungria que pôs na própria cama um leproso abandonado na rua; os missionários que enfrentam riscos e dores mortais pelos infiéis; S. Tereza que se flagelava 3 vezes por semana e Jacinta que batia as urtigas nas pernas pelos pecadores; e tantos outros santos... Quais heroísmos de caridade material e espiritual não fizeram pelos irmãos empurrados pelo amor de Jesus? Valiam de verdade para eles as palavras de S. Paulo: "O Amor de Cristo nos impele" (cf. II Cor 5,14). Não um amor comum, entende-se, mas um amor de fogo devorador (cf. Dt 9,3) que os levava à perda de si no Amado para ter um só coração e um só querer, prontos para amar sem medidas, até à morte. Assim, só assim se explica todo amor sobre humano dos santos. Quando o S. Cura d'Ars converteu a mulher de um rico hebreu , este chegou todo furioso em Ars. Apresenta-se ao Santo e diz-lhe brutalmetne: "Pela paz que destruístes na minha casa eu vim arrancar um olho teu." "Qual dos dois?" Desconcertado, o hebreu respondeu: "O direito!" "Bem, ficará o esquerdo para vos olhar e amar". "E se eu arrancar os dois?" "Ficará meu coração para vos olhar e amar". Tranformado, o hebreu caiu de joelhos e chorou, convertido. Eis a potência do amor de Jesus.









Não mais eu, mas Jesus









A Caridade fraterna mais alta e perfeita é aquela que nos faz amar o próximo com o mesmo coração de Jesus. "Tendes em vós os mesmos sentimentos de Cristo" (cf. Fp 2,5): É este o mandamento novo e sublime de Jesus: "Amai-vos como eu vos amei, porque disto reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amar uns aos outros" (cf. Jo 13,35). A medida da perfeição do amor é dada pela identificação de amor com Jesus. A caridade mais alta, então, a tem só o Santo, porque só o ser transfigurado em Jesus pela potência do amor e da dor, só através da morte mística do eu chega-se à identificação de amor com Jesus que faz dizer S. Paulo: "Não sou mais quem vive, é Cristo quem vive em mim" (Gl 2,20). O Santo é aquele que ama loucamente Jesus e como Jesus. Ele sabe encontrá-lO, vê-lO, abraçá-lO, onde quer que Jesus esteja: Eucaristia, no Evangelho, no Papa, nos pobres e enfermos, miseráveis e rejeitados, com os quais Jesus se identificou (cf. Mt 25,31-45). Ama loucamente como Jesus e por isso sabe vender de si mesmo no mercado dos escravos em substituição de outros, como S. Paulino e S. Vicente de Paulo; expõe-se ao contágio de doenças como S. Luiz Gonzaga; enfrenta riscos e trabalhos incomensuráveis para ajudar os irmãos, como S. João Bosco pelos jovens e S. Francisca Xavier pelos emigrantes; sabe fechar-se em confessionários para curar e consolar almas à procura de Graça e Paz, como S. Cura d'Ars e Pe Pio. Quanta bondade e graça no coração dos santos!









A Imaculada: todo amor









Se os santos são maravilhosos, imagine Maria? Ela é Cheia de Graça, de Vida Divina, de Amor Trinitário. Criada incentíssima, Virgem puríssima sempre, Ela é semelhante a um cristal limpidíssimo que espelha luminosamente a Caridade de Deus. Ela chegou ao ponto de nos doar Jesus, seu Divino Filho e Infinito Tesouro do seu Coração, imitando perfeitamente a Deus Pai que tanto amou os homens a ponto de entregar Seu Filho à morte (cf. Jo 3,16). Ó Mãe Divina, como Te agradeceremos pela Tua Caridade sem limites? Que violência transpassou pela a tua alma, fizeste Teu coração de Mãe imolar Jesus pela nossa salvação? Mãe divina e doce, tua Caridade não pode ter iguais: é aos confins do infinito. Seja sempre bendita.









Peço de morrer









Quem ama de verdade a Mãe de Deus chega à semelhança com Ela e produz frutos maravilhosos de Graça e virtude, sobretudo no exercício da Caridade. S. Maximiliano tornou-se semelhante a Maria no sacrifício, tão louco era seu amor: imolar sua vida de sacerdote, apóstolo, fundador das cidades da Imaculada, pedindo de morrer em tenebroso bunker para salvar a vida de um pai de família. Soube escolher a morte atroz naquele subterrâneo de Auschwitz, mas o amor cresce gigante entre as dores gigantes. Ele, amando loucamente Maria, feito conforme seu filho (cf. Rm 8,29) na medida máxima do amor proclamado por Jesus: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos" (cf. Jo 15,13).









Votos









* A cada oração, renovar a intenção de agir só pelo Senhor e não pelos homens (cf. Cl 3,23);





* Pedir a Maria a virtude da caridade;





* Fazer uma visita a qualquer capela ou Igreja dedicada a Nossa Senhora.

28 de mai. de 2007

Um mês com Maria - 28º dia


28º dia - A Pureza

A pureza é a virtude mais límpida de Nossa Senhora. O esplendor da sua Virgindade sempre intacta faz d'Ela a criatura mais radiosa que se possa imaginar: a Virgem mais Celestial, toda "candor de luz eterna" (Sb 7,26). O dogma de fé naVirgindade Perpétua de Maria Santíssima, o dogma de fé na Concepção Virginal de Jesus por obra do Espírito Santo, o Dogma de fé na Maternidade Virginal de Maria: esses 3 dogmas investem a Imaculada de um esplendor virginal que "os céus dos céus não podem conter". (I Re 8,27) E através dos séculos, na Igreja, à ditosa Virgem, se inspiraram as filas angélicas das virgens que começaram já desta tera a viver só de Jesus para seguir o Cordeiro no tempo e na eternidade (cf. Ap 14,4). E se existiram ou existem dementes que querem jogar as sombras das baixezas deles sobre uma verdade de fé tão resplendente como a Virgindade de Maria, além de S. Jerônimo (que desbaratou os heréticos Elvídio e Joviniano) e S. Ambrósio (que escreveu páginas de encanto supremo sobre a Virgindade) toda a Igreja no seu caminho milenar celebrou e glorificou em Maria, a Toda Virgem, a Sempre Virgem na alma e no corpo, a Virgem Santa consagrada divinamente pela presença do Verbo de Deus que n'ela se encarnou , revestindo-se da mesma Virgindade da Mãe.


A ira de Deus


Se volvermos o olhar para a humanidade, a visão de sonho e de encanto sobre a Virgindade Imaculada de Maria desaparece de modo súbito e brutal. Impureza, luxúria, sensualidade, adultério, pornografia, homossexualidade, nudismo, espetáculos imundos, bailes obscenos, relações pré-matrimoniais, contracepção, divórcio, aborto... Eis o espetáculo nauseabundo que a humanidade oferece aos olhos de todos. Santo Céu! Quantos abismos de torpezas nesta pobre Terra. Pode-se continuar assim sem provocar a ira de Deus? (cf. Ef 5,6). Maria disse pela pequena e inocente Jacinta (ignorante do verdadeiro significado daquilo que dizia) que os pecados que mais mandam almas ao Inferno são os pecados impuros. Quem poderia desmentir esta afirmação observando o teatro das vergonhas que o mundo mostra todos os dias? É verdade que o pecado impuro não é o pior nem o mais greve dos pecados. Mas é o mais freqüente e o mais nojento. Isto sem dúvida. Nós conhecemos o valor da pureza proclamada por Jesus: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus." (cf. Mt 5,8); conhecemos os dois mandamentos de Deus que nos resguardam da impureza: 6º e 9º; conhecemos até a recomendação mais que enérgica de S. Paulo aos cristãos: "A fornicação e a impureza de toda espécie, não sejam nem nomiadas entre vós, mas o mesmo valha para as vulgaridades e o s discursos triviais: todas coisas indecentes." (Ef 5,3-4) Conhecemos o ensinamento nobre do Catecismo da Igreja: "O 6º mandamento nos ordena de ser santos no corpo, portanto, o máximo respeito à própria pessoa e ao próximo, como obras de Deus e templo onde Ele mora com a sua presença e com a sua Graça";conhecemos as firmes chamadas da Igreja com recentes documentos de primordial importância (Humanae Vitae). Conhecemos todas estas iluminosas indicações para abater as seduções do mundo e da carne, mas a humanidade e até a cristandade não faz mais que escorregar continuamente para formas de costumes sempre mais degradantes, como homem animal que não mais compreende o que é espiritual, a favor do mais cego e obtuso ateísmo: quem entra na lúxuria, diz S. Ambrósio, abandona a via da fé! (cf. I Cor 2,14).


Quais são os remédios


A fuga das ocasiões, a oração e os sacramentos. Todo pecado impuro - de ação, desejo, olhar, pensamento, leitura - é pecado mortal. Precisamos nos defender com todas as forças, até à violência, caso precise, porque aquilo a que aspira a carne é morte, mas aquilo a que tende o espirito de vida é paz, porque desejo da carne é inimizade com Deus (cf. Rm 8,-7). Lembremos S. Bento e S. Francisco que se jogaram entre os espinhos para apagar a conscupiscência que atrai e alicia (cf. Tg 1,14). Lembremos S. Tomás de Aquino que se serve de um tição ardente para desvendar uma insídia perigosa. Recordemos S. Maria Goretti que se deixa esfaquear por 14 vezes para salvar sua virgindade. As ocasiões mais comuns de pecado, porém, exigem sobretudo a mortificação dos olhos (evitar cinemas, leituras sujas), da língua (evitar as conversas torpes e os discursos licenciosos), dos ouvidos (não escutar canções e piadas vulgares), da vaidade (opor-se às modas indecentes). De tudo isto parece evidente que a vida do homem na terra é uma batalha (cf. Jo 71) e que é necessária a contínua vigilância com a ajuda de Deus (oração e sacramentos) para não se deixar dominar pela concupiscência (cf. I Ts 4,5). É humilhante, mas é esta a nossa real condição: carne e espirito estão sempre em luta cerrada entre eles: "Nos meus membros existe outra lei, que move guerra à minha alma e me torna escravo da lei do pecado que está nos meus membros" (Rm 7,23) S. Domingos Sávio, que rasgava as revistinhas que recebia dos companheiros; S. Luiz Gonzaga, que em público, chama a atenção de quem fala despudoradamente e se impõe penitências terríveis; S. Carlos Borromeu que desde menino se avizinhava amiúde aos Sacramentos; S. Afonso Maria de Ligori tirava os óculos quando o papai o levava ao teatro... São exemplos que deveriam nos convencer a usar todos os modos para guardar a pureza do coração e dos sentidos.


Castidade conjugal


Os problemas morais mais sérios são aqueles que se referem os esposos. A castidade conjugal é um dever de todos os esposos cristãos, e é um dever fecundo de graças e bênçãos. Mas os assaltos do malígno são maciços: contracepção e onanismo, divórcio e abortos estão massacrando os cônjuges cristãos, sem dizer das relações pré-matrimoniais, que são somente uma imunda profanação dos corpos e das almas daqueles noivos, escravos miseráveis da carnalidade. Desejam ter só 2 filhos; usam das pílulas e outros meios para evitarem gravidezes posteriores, profanando por anos e anos as relações matrimoniais que deveriam simbolizar a união entre Cristo e a Igreja (cf. Ef 5, 25) . "A pílula anticoncepcional vem do Inferno, dizia Pe. Pio, e quem usa comete pecado mortal". E ainda: "Para todo bom casamento o número dos filhos é estabelecido por Deus e não pela vontade dos esposos", e ainda: "Quem está na estrada do divórcio, está na estrada no Inferno". Pior ainda para quem cometer o crime do aborto!!! Que abram bem os olhos os esposos cristãos! Profanar o sacramento do matrimônio nunca acontecerá sem castigos e maldições sobre as famílias. Se lembrem bem que com Deus não se brinca! (cf. Gl 6,7).


Votos

* Recitar 3 Aves-marias em honra da virgindade de Maria.

* Eliminar e destruir qualquer coisa de não modesto que tenha consigo.

* Mortificar bem os sentidos, especialmente a vista.

26 de mai. de 2007

Um mês com Maria - 26º dia


26º dia - A Obediência


A obediência é a virtude que nos leva a submeter a nossa vontade à de Deus e dos Superiores que representam Deus. A 1ª obediência a devemos a Deus, nosso Pai e Criador. "Do Senhor é a terra e tudo quanto contém" (Sl 23,1) Se somos suas criaturas e seus filhos, devemos a Ele toda a obediência criaturial e filial. "Todas as criaturas Te servem" (cf. Sl 118,91). A obediência a Jesus é ligada à Redenção. Ele nos resgatou com o seu Sangue; por isso lhe pertencemos, somos seus e devemos obedecer aos seus divinos desejos:"Não sois mais vossos, porque fostes comprados a caro preço" (cf. I Cor 6,20) A obediência aos superiores é ligada ao fato que eles são representantes de Deus. Sabemos bem que Deus não nos governa diretamente, mas através dos seus delegados que Ele faz partícipes da sua autoridade."Não existe autoridade que não venha de Deus" (Rm 13,2). Por isso a desobediência aos superiores é sempre uma desobediência à autoridade de Deus"Quem resiste à autoridade, resiste ao ordenmento feito por Deus. E aqueles que resistem procuram por si mesmos a danação". (Rm 13,1). Jesus usa uma expressão ainda mais forte e até mais precisa: a obediência aos superiores coloca-nos em relação direta com Ele: "Quem vos esuta, escuta a Mim e quem vos depreza, a Mim despreza". (cf. Lc 10,16) As obediências que operaram milagres e as desobediências que os impediram, confirmam as palavras de Jesus. Quando S. José Cotolengo soube que tinha um grande número de freiras doentes e que não sabia como fazer para o serviço da Pequena Casa, deu ordens precisas que as freiras se levantassem para o serviço da Casa. As Irmãs levantaram- se e acharam-se curadas. Uma só não quis levantar por temos e não se curou, e acabou fora do Instituto. Quando S. Francisco de Assis e S. Teresa d'Ávila recebiam nos êxtases qualquer comunicação, estavam prontos para renunciar tudo se o Superior decidisse de modo contrário, porque na Palavra do Superior existe a presença de Deus sem engano, enquanto na visão ou na locução existe sempre uma margem de incerteza.


Superiores... levados


É claro que os superiores devem exercitar a autoridade só como delegados de Deus e nuncadevem mandar o que seja contra a lei de Deus: não podem ser delegados de Deus quando mandassem o pecado ou não o impedisem (mentir, roubar, abortar, blasfemar...). Nestes casos eles são delegados de Satanás e não podem e não devem ser obedecidos. Nos outros casos, precisamos obedecer mesmo quando isso nos pesa ou repugna. Mesmo que aquele que nos manda for odioso ou faccioso: "Servos, obedecei aos Vossos patrões, embora turbulentos." (I Pd 2,18). Na vida de S. Gertrudes lê-se que por um certo período teve uma superiora de humores muito difíceis. A Santa rogou ao Senhor para que a fizesse substituir por outra mais equilibrada. Mas Jesus respondeu-lhe: "Não, porque os seus defeitos a obrigam a humilhar-se todos os dias diante de mim, de outro lado, tua obediência nunca foi tão sobrenatural como neste tempo".


Um mistério de fé


É claro que a alma da obediência é a fé sobrenatural. S. Maximiliano dizia que a obediência é um mistério de fé. Somente quem sabe ver no Superior o representante de Deus sabe obedecer e abraçar a vontade de Deus, mesmo quando custa, sobretudo QUANDO custa, porque a verdadeira obediência é aquela que se exercita no sacrifício: Jesus mesmo! "Aprendeu dos sofrimentos a obediência" (cf. Hb 5,8) Quantas vezes nos custa obedecer em silêncio as coisas dolorosas... Durante a Paixão, Jesus ao invés de se defender, calou-se (cf. Mt 2,63). S. Domingos Sávio, rapaz eficiente e estudante aplicado, foi falsamente acusado diante do mestre de uma travessura feia. O mestre, muito surpreso, foi obrigado a chamá-lo severmente a atenção. Ele não se irou. Quando o mestre descobriu a verdade, chamou-o e perguntou porque não tinha dito a verdade. "Por dois motivos: Por que se tivesse dito quem era o culpado, ele teria sido expulso da escola, já que não era a 1ª vez que estava em delito, enquanto que para mim era a 1ª vez. 2º por que até Jesus calou-se quando acusado injustamente no Sinédrio". Quem não lembra do último episódio ocorrido a S. Geraldo Majela? Caluniado infamemente, foi castigado severamente por S. Afonso. Suspenderam-lhe a Comunhão, transferiou-o e trataram-no como um pecador. Ele calava-se e obedecia. Quando a verdade veio a tona, S. Afonso pôde dizer que este episódio bastava para garantir a santidade extraordinária de S. Geraldo. A obediência crucificou Jesus, que "foi obediente até a morte" (cf. Fl 2,8) Ele calava e rezava. A obediência cricificou os santos e eles também se calavam e rezavam como Jesus.


A Virgem obediente


Maria nos deu o exemplo inimitável de Jesus até no obedecer. As primeiras páginas do Evangelho de S. Lucas abrem-se com o "Fiat" de Maria ao Anjo Gabriel (cf. Lc 1,38). Ela obedeceu humildemente ao enviado, ao representante de Deus, aceitando coisas humanamente inconcebíveis - como a Concepção Virginal do Verbo, Filho de Deus e a Maternidade divina - e as coisas dolorosas até à pior tragédia de uma mãe: oferecer o próprio filho ao assassino. Maria foi obediente à ordem de Augusto para o recenseamento, à lei da Apresentação e Purificação; obedeceu ao fugir para o Egito, obedeceu ao voltar do Egito para Nazaré. Encontramos no Calvário Maria obediente onde se cumpriu propriamente: " espada que lhe transpassou a alma" (Lc 2,35, Lc 5,1-15, 21-24,Mt 2,13-15, 19-23). A obediência à vontade, sem reservas: "Faço sempre o que é do seu agrado". (Jo 8,29) Esta é a atitude do verdadeiro obediente, garantido pela obediência dolorosa, amada como aquela jubilosa até entre os sofrimentos naturais: "não a minha, mas a tua vontade se faça". (Lc 22,12).


Caçadores fora


Quando S. José Calasanz foi caluniado e perseguido pelos seus discípulos, quando velho e enfermo foi preso e levado aos tribunais e perto da morte foi expulso da Congregaçao e viu a Congregação devastada por ordem do próprio Vigário de Cristo. Ele curvou a cabeça e aceitou esta corrente de sofrimentos, murmurando: "Agora e sempre seja bendita a Santíssima vontade de Deus". Quando S. Afonso Maria de Ligóri, aos 80 anos, foi caluniado por um dos seus filhos, foi expulso da Congregação pelo próprio Papa, (ele, o grande, apaixonado, o enamorado defensor do Papa) superou o sofrimento mortal gritando a si mesmo, com a testa no chão, aos pés do altar: "O Papa tem razão! Sim, Ele tem razão!" Esta é a obediência que crucifica como crucificou Jesus à Cruz. O Santo é aquele que se deixa crucificar. Nós, quantas desculpas e compromissos, fugas para evitar qualquer peso e aborrecimento que a obediência possa trazer. Mas se assim fizermos, é impossível amar, porque "se me amais - diz Jesus - observais as minhas ordens". (Jo 14, 15) embora dolorosas.


Votos


* Meditar a Paixão e Morte de Jesus

* Oferecer o dia pelos Superiores

* Pedir a Maria a virtude heróica da obediência.

24 de mai. de 2007

Um mês com Maria - 25º dia


25º dia - A Paciência


Estamos todos de acordo: Não existe virtude prática que seja tão necessária na vida cristã como a paciência. Não há dúvidas. Esta virtude faz com que a alma suporte tranqüilamente os incômodos e os sofrimentos da vida Quem não tem problemas e tribulações na vida? Quem pode fugir dos incômodos? Quem pode fugir ao peso cotidiano de provas e contrastes? Por isso "é necessário a paciência para cumprir a vontade de Deus e conseguir os bens da promessa". (Hb 10,36). Paciência em casa e fora dela; no trabalho e no colégio; com patrões e empregados... Quantas ocasiões todos os dias. Devemos suplicar a Maria de conceder-nos esta virtude para podermos imitá-la, sempre doce, forte e serena em meio às provas e às maiores fadigas. Em Belém, à procura de um lugar entre as angústias, no Egito onde chegou com Jesus menino, e S. José, fugitivos entre gente desconhecida; nos três dias da busca de Jesus no Templo, com aquela amargura no coração, na separação de Jesus ao início da sua vida publica com as precisões dos choques inevitáveis com os fariseus, nas seqüências dilaceradas do Calvário ao pés da Cruz de seu Jesus adorado. A paciência de Maria! Veremos no Praíso como a sua paciência superou a paciência de todos os homens juntos.


Mostrou-lhe o Crucifixo


"Uma resposta doce acalma e raiva; o fogo não se apaga com o fogo, nem o furor se acalma com o furor." - S. João Crisóstomo. Um dia S. Luzia de Marillac apresentou uma bebida a um turco enfermo internado no Hospital. Este reage violentamente ao gesto de caridade, jogando o copo na cara da freira. Sem abrir a boca, a Santa retirou-se; logo volta com outra bebida e a mesma atitude do enfermo. A freira não diz nada e vai; volta outra vez e se aproxima do enfermo e lhe dirige a palavra bondosamente a ponto do doente olhá-la e dizer: "Vós sois uma criatura da Terra? Quem vos ensinou a tratar assim aquele que te ofende?" Sem responder, a Santa mostrou-lhe o Crucifixo que trazia no peito. O mesmo aconteceu com S. Maria Bertila, no Hospital de Treviso. Um dia um enfermo histérico lhe jogou o ovo que ela lhe tinha levado. A Santa não se perturbou. Foi trocar o avental voltou com uma taça de caldo: "Ficarás bem com este caldo", sorrindo, disse-lhe. O que não temos a aprender nós com estes atos, nós que prontamente perdemos a paciência por bobagens.


Os caroços das cerejas


Jesus disse que com a paciência salvaríamos nossas almas (cf. Lc 21,19) E mais, com a paciência se conquistam e salvam até as almas dos outros, porque o homem paciente vale mais do que o homem forte e quem domina o caráter vale mais do que "um conquistador de cidades" (Pr 16,32). S. José Cafasso era o Capelão dos condenados à morte. Por isso podia entrar nas celas e ficar no meio deles. Parecia um anjo de serenidade e de paciência naquele ambiente fedorento e repugnante. Levava-lhes sempre alguma coisa de presente. Um dia foi um cesto com cerejas. Logo após, os encarcerados divertiam-se em atirar-lhes os caroços. "Deixai-os. É a única distração que eles têm". Disse o santo. Com esta doce paciência ele podia penetrar nos corações deles e prepará-los para enfrentar a morte beijando o Crucifixo e invocando Maria.


Esposas e Mães pacientes


Muitas vezes é sobretudo em casa que precisamos exercitar-nos na paciência. S. Paulo recomendava aos Efesinos de "comportarem-se com toda a humildade, mansidão e paciência, suportando-vos com amor" (Ef 4,2). Quantas brigas e problemas se poderiam evitar com poucos grãos de paciência e de silêncio. Quando as amigas perguntaram a S. Mônica como fazia para viver em paz com um marido tão insensível e violento, respondia: "Tenho um freio em minha língua". Quem não se lembra de como S. Rita chegou a converter o marido vulgar e brutal? Sofrendo em silêncio: "com muita paciência nas tribulações, nas necessidades, nas angústias" (2 Cor 6,4). Grande também foi a paciência da ditosa Anna Maria Taigi, mãe de 7 filhos. Cada dia eram provas que a pobrezinha devia enfrentar pelas estranhezas do marido pouco gentil, pelos problemas dos filhos que precisavam de uma boa formação pelas contrariedades e incômodos que acontecem inevitavelmente em cada família. Um dia quebraram-lhe um magnífico vaso de cerâmica que era uma preciosa e cara recordação de família. A Santa olhou os cacos e disse serenamente: "Paciência! Se o soubessem os negociantes de cerâmicas ficariam contentes. Precisam viver também, não?"Esta paciência é um dos frutos mais preciosos do Espirito Santo (cf. Gl 5,22).


Olhemos para Ela


O primeiro dote da caridade é a paciência! (cf. I Cor 13,4). A maior caridade traz consigo a maior paciência. Por isso Maria, Mãe do amor, é exemplar perfeitíssimo e fonte da nossa paciência. Ela viveu com a alma transpassada por uma espada (cf. Lc 2,35) Olhemos este fato e aprendamos saber aceitar com paciência heróica até um punhal enfiado no coração. Ela foi a Virgem oferente não só no Templo, mas também, e sobretudo, no Calvário (Marialis Cultus, n.20). Apeguemo-nos a Ela para atingirmos a energia do amor paciente e oferente nas tribulações da vida e da morte.



Votos


* Tratar gentilmente e sorrir para quem te maltrata

* Oferecer cada pequeno espinho do dia a Maria

* Meditar sobre as dores de Maria.

Um mês com Maria - 24º dia


24º dia - A Penitência

Porque somos pecadores e continuamos a pecar, por isso é necessária a reparação para pagar as culpas. É Justiça: repara-se o mal feito. "Todo pecado, grande ou pequeno, não pode ficar impune; ou é punido pelo homem que faz Penitência ou no último Juízo pelo Senhor". (S. Agostinho). Podemos aqui lembrar alguns grandes pecadores convertidos e que ficaram santos: S. Maria Madalena, S. Agostinho, S. Margarida de Cortona, S. Inácio de Loyola, S. Camilo de Lélis... Eles nos demonstraram que com a Penitência repara-se e recupera-se tudo, até a santidade mais alta e dão razão a S. Cipriano que exclama: "Ó penitência! Tudo o que estava amarrado, o desamarraste, o que estava fechado, o abriste". A penitência livra das correntes das dívidas contraías pelos pecados e abre as arcas das graças mais eleitas.
Penitência e Amor
Quando S. Domingos Sávio estava gravemente doente, foi um dia submetido a uma sangria. Antes de iniciar, o médico dise-lhe: "Olha para o utro lado, Domingos, assim não verás escorrer o teu Sangue". "Ah, não - respondeu - furaram as mãos e os pés de Jesus com grandes pregos sobre a Cruz e Ele não disse nada..." Domingos sofreu sem um gemido os dez pequenos cortes que lhe fizeram. Eis a lei do amor: quando se ama de verdade uma pessoa, se quer com ela condivir todos os sofrimentos. Não se pode renunciar! Quem ama Jesus e conhece sua vida de humildade e sacrifício, culminada na cruel Crucificação e Morte, não pode deixar de desejar a participação em toda aquela dor desejada pelo amor. A intensidade desta participação às vezes manifestou-se até de modo prodigioso e sangrento. Pensemos em S. Francisco de Assis, S. Verônica Giuliani, S. Gema Galgani, Pe. Pio... Mas em todos os santos a Penitência mais dolorosa foi uma exigência do amor. Eles chegavam ao ponto de não desejar nada além de sofrer. Recordemos alguns exemplos: S. Francisco Xavier, embora oprimido por dores muito fortes, rezava com transporte, dizendo: "Ainda, Senhor, ainda mais." E à ilha onde sofreu as mais graves tribulações, quis pôr o nome de Ilha das Consolações. S. Teresa de Jesus também é célebre pelo seu grito: "Ou sofrer ou morrer". S. João da Cruz a Jesus que lhe perguntava o que queria, respondeu: "Sofrer e ser desprezado por Ti". S. Gabriel de Nossa Sehora das dores dizia que o seu Paraíso eram as dores de Maria. S. Maximiliano chamava "balinhas de caramelo" as cruzes e as tribulações. Pe. Pio dizia que suas tremendas dores eram "as alegriazinhas do esposo". Assim raciocina quem ama.
Fazer o próprio dever
A primeira e mais importante Penitência do cristão é aquela de cumprir fielmente e perfeitamente os próprios deveres cotidianos. Fazer outras penitências omitindo estas significa fazer o secundário, ignorando o principal. Em 1º lugar, lembremo-nos bem: 1º o cumprimento dos deveres. Se é assim a substância da nossa vida de penitência é segura. S. José Cafasso conduzia uma vida de Penitência escondida aos olhos dos demais. Dos depoimentos do processo de beatificação, sabemos que a mulher que lavava a roupa manchada de sangue, tinha-se dado conta disso. "Por que as camisas estão sempre sujas de sangue? - perguntou - O senhor tem algum ferimento?" O santo quis ficar calado, mas respondeu bruscamente: "Vós sois como uma mãe, por isso, vos direi tudo, mas não o deveis contar a ninguém. Deveis saber que nós, padres, usamos uma cintura com pontas chamado cilício. Eis porque achais as manchas." "Mas deve doer muito, meu pobre filho"! Exclamou a mulher. "Sim, dói, mas precisamos descontar nossos pecaods, não?" "O que está dizendo? - retrucou - Se o senhor precisa fazer penitência, o que devemos fazer?" "Vós trabalhais duro - respondeu o santo - e trabalhar o dia todo já é uma bela penitência".
Penitência pelos pecadores
O lamento de Nossa Senhora de Fátima deveria nos comover: "Muitas almas vão para o Inferno porque não tem quem se sacrifique por elas." Jacianta, a florzinha de Maria, foi a quem maiormente tocaram aquelas palavras da Bela Senhora. Ela quis ser vítima inocente e sofrer pelos pecadores foi sua paixão dolorosa até a morte. Atingida pela gripe espanhola e por uma pneumonia purulenta, com infecção progressiva, transportada ao Hospital, longe de casa, submetida a uma operação para a remoção de suas costelas, sem anestesia. Pobre menina! Mas foi heroicamente corajosa e não perdeu nenhuma ocasião de sacrifício pelos pecadores: cama, dores ardentes... O seu Celeste conforto era a assistência materna de Nossa Senhora. Morreu consumada pela febre e pelas dores, sozinha sobre o Coração da Imaculada, vinda do céu para apanhar a inocente vítima pelos pecadores. Que exemplo de heróica penitência.
Votos
* Meditar a paixão e morte de Jesus (Mt 26 e 27)
* Oferecer todos os sacrifícios a Nossa Senhora das dores
* Recitar os mistérios dolorosos do Rosário.