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17 de mai. de 2010

Tormentos do Inferno (S. Antônio Maria Claret) Parte 1



sensação dos tormentos do inferno é essencialmente terrível. Ele se parece, ó alma minha, como uma noite escura sobre o cume de uma montanha alta. Lá embaixo há um vale profundo, e a terra se abre de maneira que, com o teu olhar, podes ver o inferno e sua profundidade. Ele se parece como uma prisão situada no centro da terra, muitos quilômetros abaixo, todo cheio de fogo, preso num recinto de forma tão impenetrável que, por toda a eternidade, nem se quer a fumaça pode escapar. Nesta prisão os condenados estão próximos um do outro como tijolos num forno… Imagine o calor do fogo em que são queimados.
Primeiramente, o fogo se alastra por todas as partes e tortura inteiramente o corpo e a alma. Uma pessoa condenada permanece no inferno para sempre no mesmo lugar que foi destinado pela justiça divina, sem ser capaz de mover-se, como um prisioneiro num tronco.
O fogo que o envolve totalmente, como um peixe na água, o queima em volta, à sua esquerda, à sua direita, encima e embaixo. Sua cabeça, seu peito, seus ombros, seus braços, suas mãos e seus pés estão totalmente invadidos pelo fogo, de maneira que ele, por inteiro, se assemelha a um peça de ferro incandescente e cintilante, que acaba de ser retirado do forno. O teto do recinto em que moram as pessoas condenadas é de fogo; a comida que se come é fogo; a bebida que se toma é fogo, o ar que se respira é fogo, tudo quanto se vê e se toca é fogo…
Mas este fogo não está simplesmente fora dele; além do mais ele transpassa pela pessoa condenada. Invade o seu cérebro, seus dentes, sua língua, sua garganta, seu fígado, seus pulmões, seus intestinos, seu ventre, seu coração, sua veias, seus nervos, seus ossos, inclusive a medula, bem como o sangue.
“No inferno – segundo São Gregório Magno – haverá um fogo que não pode se apagar, um verme que não morre, um cheiro insuportável, uma escuridão que pode se sentir, castigo por açoite de mãos selvagens, com todos os presentes desesperados por qualquer coisa boa.”
Um dos fatos mais terríveis é que, pelo poder divino, este fogo vai tão longe como para atuar sobre as faculdades (aptidões) da alma, queimando-as e atormentando-as. Suponhamos que eu me achasse colocado no forno de um ferreiro, de modo que todo o meu corpo estivesse em pleno ar, exceto um braço que está posto no fogo, e que Deus fosse preservar a minha vida por mil anos nesta posição. Não seria isto uma tortura insuportável? Como seria então estar completamente invadido e rodeado de fogo, o qual não atinge apenas um braço, mas inclusive todas as faculdades (aptidões) da alma?
Para quem já teve a graça de ver, e de sentir, em sonhos o que seja este tormento infinito, este fogo que queima o espírito sem consumir, esta consciência que acusa sem cessar, que atormenta mais que mil fogos, que faz compreender a eternidade do suplício, que entende a impossibilidade de fugir dali, contra a qual não adianta lutar, esbravejar, sequer odiar, é possível afirmar que o fogo exterior, que queima o corpo é apenas uma pálida centelha daquele que inflama o espírito. De fato, a alma daria tudo para poder esquecer, fugir dos pensamentos, escapar deste tormento mental, esmagar seu cérebro, pois para ela isso significaria um alívio assombroso em seu tormento.
É mais espantoso do que o homem pode imaginar.
Em segundo lugar, este fogo é muito mais espantoso do que o homem pode imaginar. O fogo natural que vemos durante esta vida tem um grande poder para queimar e atormentar. Não obstante, este não é nem sequer uma sombra do fogo do inferno. Há duas razões pelas quais o fogo do inferno é muito mais atroz, que vai além de toda comparação, do que o fogo deste mundo.
A primeira razão é a justiça de Deus, da qual o fogo do inferno e um instrumento dirigido para castigar o mal infinito causado contra a sua suprema majestade, que fora menosprezada por uma criatura. Para tanto a justiça supre este elemento com um poder tão grande que quase alcança o infinito.
A segunda razão é a malícia (perversidade) do pecado. Como Deus sabe que o fogo deste mundo não é suficiente para castigar o pecado como este merece, Ele tem dado ao fogo do inferno um poder tão grande que nunca poderá ser compreendido pela inteligência humana. Entendem agora, o quão eficazmente queima este fogo?
O fogo queima tão eficazmente, – ó minha alma! – que, de acordo com os grandes mestres da escola ascética, se uma simples faísca caísse numa pedra de moinho, esta se reduziria num instante em pó. Se caísse numa bola de bronze, esta se derreteria instantaneamente como se fosse de cera. Se caísse sobre um lago congelado, este haveria de ferver no mesmo instante.
Façamos uma breve pausa, ó alma minha, para que tu respondas a algumas perguntas que te farei. Primeiro, te pergunto: Se um forno especial fosse acesso, como usualmente se faz para atormentar os mártires, e, então, alguns homens colocassem diante de ti todo tipo de bens que o coração humano possa desejar, e garantissem a oferta de um reino próspero – se tudo isso te fosse prometido em troca de que entrasses, só por meia hora, no forno ardente, o que escolherias fazer?

Candidata do PT vai à missa e recebe benção de mães de santo e compara aborto a arrancar um dente.

Em diferentes eventos, Dilma Rousseff tenta atrair votos de todos os credos
Para atrair os votos de todos os credos, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, assistiu ontem a uma missa pela manhã e disse que é, sim, católica. À noite, a ex-ministra recebeu a “bênção” de mães de santo em um evento promovido pelo PT.

Na missa, Dilma acompanhou os cânticos cristãos, ajoelhou-se, cumprimentou fiéis e bispos presentes na cerimônia, sempre orientada por Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Lula.

A petista, que ao longo da sua pré-campanha já se posicionou de várias maneiras em relação a sua fé, saiu da igreja e afirmou que é, sim, católica. Questionada, respondeu:

– Eu sou.

Deu rodeios, no entanto, ao falar sobre o instante em que se converteu ao catolicismo.

– No mesmo momento que cada um dos brasileiros. A gente nasce, é batizado, crismado, estuda em colégio de freira e, ao longo da vida, você vive as suas experiências – afirmou a petista.

A missa da qual Dilma participou faz parte da programação do 16º Congresso Eucarístico Nacional, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A entidade, que vai orientar os fiéis a não votarem em candidatos que defendem ideias opostas às da Igreja Católica, como a liberalização do aborto, foi apoiada pela petista.

– A Igreja tem todo o direito de fazer isso – disse.

Ex-ministra participou de homenagem a Oxalá

Para finalizar o dia religioso, a candidata recebeu, à noite, uma bênção, desta vez de mães de santo, durante encontro com o Movimento Negro do PT. Com cabelos cortados, Dilma participou de homenagem ao dia de Oxalá.

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/eleicoes-2010/19,501,2905347,Candidata-do-PT-vai-a-missa-e-recebe-bencao-de-maes-de-santo.html



Agência Estado
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, compareceu na manhã desta sexta-feira, 9, vestida como uma típica baiana, toda de branco, para assistir à missa na igreja Nosso Senhor do Bonfim em agradecimento pela cura de um câncer. A ministra foi saudada por um grupo de pais e mães-de-santo e tomou banho de folhas antes de entrar na igreja.
AE

Dilma, vestida de branco, ao chegar para a missa

Dilma visita terreiro na Ladeira do Curuzu, em Salvador

Redação CORREIO
A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, visitou a Ladeira do Curuzu e assistiu à saída do Ilê Aiyê na noite deste sábado (13), acompanhada do governador Jaques Wagner.
O primeiro local que a pré-candidata à presidência visitou foi a casa de Mãe Hilda do Curuzu - famosa mãe de santo, que faleceu em setembro de 2009 e faz parte da tradição do Ilê. Este é o primeiro ano que o bloco afro desfila sem a benção de Mãe Hilda.

Com as cores do Ilê, Dilma foi ao Curuzu (Foto: Eduardo Freire/G1)
Vestida com as cores do Ilê, a ministra conheceu a 'Deusa do Ébano', Gisele da Silva Santos, e explicou sua visita. “Pedi ao Jaques [Wagner] que me trouxesse aqui no Ilê, que é a verdadeira matriz da cultura negra. Estava curiosa para saber o significado do nome do Ilê, que quer dizer ‘casa grande’”, afirmou Dilma.

Ao lado da primeira-dama, Dilma assiste à saída do 'mais belo dos belos' (Foto: Rita Barreto/Setur/Divulgação)


sábado, 10 de outubro de 2009


Após culto evangélico, Dilma Rousseff toma “banho de axé” na Bahia

Depois de participar, na segunda-feira, de umculto evangélico na igreja Assembléia de Deus, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil, PT), tomou, hoje, um “banho de axé” e participou da missa na igreja do Senhor do Bonfim. A pré-candidata do PT tem procurado se aproximar dos religiosos.
Vestida de branco, como manda a tradição, Dilma Rousseff chegou à igreja às 7h15. Antes de subir as escadarias do templo, tomou um “banho de axé” – folhas de aroeira e pingos de água foram jogados em seu corpo.

Dilma visita Assembleia de Deus em São Paulo

BRASÍLIA – A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, visitou nesta segunda-feira, 5, a Igreja Assembleia de Deus, no bairro Belenzinho, em São Paulo. Candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sucessão de 2010, Dilma estará com os evangélicos a partir das 19h.

Não é a primeira vez que a ministra participa de um evento com religiosos. Há cerca de um mês, ela esteve em um evento, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que contou com a participação de representantes das principais igrejas evangélicas do País.

Na manhã desta segunda, a ministra participou em Londrina, no norte do Paraná, da liberação de cerca de R$ 92 milhões para a construção de 2.156 casas do Programa Minha Casa, Minha Vida.

Fonte: Estadão/www.overbo.com.br



DILMA, “A CATÓLICA”, COMPARA O ABORTO A ARRANCAR UM DENTE





Sim, claro, claro. Vão dizer que estou com má vontade. Mas as palavras fazem sentido. E eu gosto do sentido das palavras. A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, foi indagada hoje, depois de uma missa (!!!), se era favorável ou contrária à descriminação do aborto. E deu a seguinte resposta:
“Não é uma questão se eu sou contra ou a favor, é o que eu acho que tem que ser feito. Não acredito que mulher alguma queira abortar. Não acho que ninguém quer arrancar um dente, e ninguém tampouco quer tirar a vida de dentro de si”.
Resta evidente que ela estabeleceu um paralelo entre o dente, que certamente não é do siso, e o feto. Assim, um aborto pode ser uma contrariedade comparável à extração de … um dente. Santo Deus! Vamos às circunstâncias. Depois volto aqui para tentar entender por que a petista é capaz dessas enormidades.

Sobre o aborto, a petista afirma agora que “o Estado tem de prover, em termos de saúde pública, as condições para que se cumpra isso” — o “isso ” é o aborto nos casos permitidos em lei: estupro e risco de morte para a mãe. Mas o que ela afirmou em 2007, em entrevista à revista Marie Claire? “Abortar não é fácil para mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização.” A eleição está fazendo o PT esconder o que realmente pensa. O versão anterior do Programa Nacional dos Direitos Humanos, que veio a público no fim do ano passado, defendia abertamente a legalização do aborto. E ganhou forma final na Casa Civil, de que Dilma era titular. Ontem, veio a público o novo texto — sem a legalização…
Hoje, depois da missa, Dilma se disse “católica”.  Também à Marie Claire, explicou o que chamo de “catolicismo Belchior”, aquele “por medo de avião”:
“Fui batizada na Igreja Católica, mas não pratico. Mas, olha, balançou o avião, a gente faz uma rezinha”.




Grande homilia de Pe. Eugenio Maria

Homilia proferita pelo Pe. Eugenio Maria, na ocasião da memória de Nossa Senhora de Fátima...

Um mês com Maria - 17º dia - O respeito humano


17º dia - O respeito humano

O respeito humano é uma praga na vida cristã. É, também, uma praga para muitos cristãos. Onde se vê Deus ofendido, Jesus ultrajado, Maria e os santos maltratados, precisaríamos ver os cristãos corajosos e coerentes que fariam muros de defesa e de honra à própria fé. Ao invés, quanta covardia de espírito! Até se esforçam em esconder-se entre os inimigos da Fé com medo de serem desobertos e apontados. É verdade que hoje, neste mundo corrupto, nesta sociedade escandalosa e debochada, dominada pelo ateísmo mais animalesco que se possa conceber, ocorre uma grande coragem para sermos coerentes. Mas não é talvez este um motivo a mais para que os cristãos, longe de se esconderem, apresentarem-se como testemunhas enérgicos da fé "que vence o mundo" (Jo 5,4)? Aqueles que se envergonham, que tem medo de aparecer como verdadeiros cristãos, tem mais roupas de verdadeiros traidores do que de discípulos de Cristo. Contra eles existe a palavra terrível de Jesus:"Quem se envergonhar de mim e das minhas palavras junto a esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando chegar na Glória do seu Pai com os Anjos e Santos." (Mc 8,38)

Pescadores e Pescadoras


Na luta contra o Protestantismo que arruinava a fé de tantos cristãos com as suas heresias doutrinais e morais, S. Carlos Borromeu quis instruir grandes escolas de Catecismo e de instrução religiosa para o povo. Precisou de cristãos e leigos corajosos. Achou-os homens e mulheres. Dividiu-os em grupos de 'pescadores' e 'pescadoras' e organizou os giros apostólicos pelas casas, pels ruas, pelos campos. Era um espetáculo de verdadeira fé, ver estes cristãos corajosos à obra para testemunhar Jesus e anunciar o seu Evangelho puro, sem erros. Cada cristão deveria fazer seu, com orgulho, o grito de S. Paulo: "Não me envergonho do Evangelho" (Rm 1,16). Em qualquer lugar: em casa ou fora, nos escritórios e nas escolas. S. Gregório Magno dizia que os verdadeiros cristãos sabem morrer, mas não transigir. E deveria chegar a lembrança dos Mártires, sempre vivos na Igreja Celeste e Terrestre. A glória deles confirma luminosamente a Palavra de Jesus:"Quem quiser salvar a própria vida, a perderá; mas quem perder sua vida por minha causa e do Evangelho, a salvará". (Mc 8,35).


Se envergonham


O que dizer de muitos cristãos, que por respeito humano, faltam até aos deveres fundamentais? Envergonham-se de fazer o sinal-da-cruz e de recitar qualquer oração de manhã e a noite, ou antes das refeições. Envergonham-se de entrar numa Igreja para rezar, tecer um Rosário, saudar uma imagem sagrada nas bancas de jornais. Envergonham-se de ir à Missa, de confessar-se, de receber a Eucaristia. Envergonham-se de reprovar quem blasfema ou profana coisas sagradas. Por fim, alguns chegam até a envergonhar-se de não blasfemar!!! Envergonham-se de defender a fé dos ataques e insultos dos inimigos e se envergonham de serem ainda considerados cristãos. Envergonham-se de não ler impressos para porcos, de não ver cinemas imundos, de não seguir as modas indecentes. Envergonham-se de chamar atenção de quem dá escândalo, que ofende a Moral Envagélica. Chegam a envergonhar-se de opor-se ao aborto, ao divórcio, à pílula contra a vida humana. Envergonham-se... parece que não sabem fazer mais nada além disso.


Quem não se envergonha


Ainda jovem, S. Bernardino de Siena foi convidado uma vez por um tio para ir à casa dele. Foi, mas encontrou lá outras pessoas que na conversa, com facilidade, não falavam corretamente. Pronto e resoluto, o Santo disse ao tio: "Ou estes senhores mudam o modo de falar, ou eu vou embora". O tio advertiu os hóspedes e a linguagem não mais foi incorreta. Mas onde quer que se achasse S. Bernardino, incutia respeito a todos. Até os seus companheiros o sabiam bem, e se às vezes deixavam falarem qualquer discurso, não correto, só ao vê-lo chegar, diziam entre eles: "paremos, está chegando Bernardino". O Beato José Moscati foi um cristão cheio de luz e exercitava uma fascinação indescritível com o testemunho de sua fé viva. Quem queria podia vê-lo cada mnhã recolhido na igreja, por duas horas de oração. Na cátedra, antes de começar a lição, exortava aos estudantes de sempre elevar a mente ao "Senhor, Deus ds ciências" (I Sm 2,3). Não apenas soava o Ângelus, interrompia cada discurso e até a visita médica, convidando os presentes a recitar com ele. Que força e transparência de fé vivia n'Ele, não os mesquinhos respeitos humanos da nossa fé de covardes complexados.


Não envergonhar-se d'Ela


"Faze-me digno de te louvar, ó Virgem Santa!" Contra todo respeito humano, contra todo medo ou covardia, devo e quero louvar Maria, que é minha Mãe. Não só não me envergonharei dela, mas quero defendê-la e glorificá-la, quero amá-la e fazê-la amar, onde quer que seja, com paixão filial sempre ardente. Posso olhar todos os santos, paladinos de amor vibrante pela Mãe celeste. Em particular, S. Maximiliano, apóstolo e vítima da Imaculada que dela nunca se envergonhou, mas consumou-se totalmente por Ela, até o ponto de ser considerado louco, aliás, ao ponto de chamar-se a si próprio: "o louco da Imaculada".


Votos

* Saudar as imagens de Maria nos quiosques das ruas;

* Falar de Maria em casa e no trabalho;

* Fazer o sinal-da-cruz antes das refeições, convidando a todos.

16 de mai. de 2010

Nada pode destruir esperança da Igreja, diz o Papa Bento XVI


.- Em sua mensagem aos participantes do segundo Kirchentag, encontro ecumênico que se celebra em Munique, Alemanha, entre os dias 12 e 16 de maio, o Papa Bento XVIressaltou que a Igreja é efetivamente um lugar de esperança e nada nem ninguém pode obscurecer ou destruir isto, nem sequer os ataques que sofrem os cristãos na cultura atual.

O Santo Padre refletiu sobre o lema do mencionado evento que reúne a católicos membros de outras confissões cristãs: "Para que tenham esperança", em um tempo no que o mundo é hostil à fé: "nos últimos meses devemos confrontar repetidamente notícias que querem derrubar a alegria na Igreja, que a obscurecem como lugar de esperança. Como os servos do amo da casa na parábola evangélica do reino de Deus, também nós queremos perguntar ao Senhor: ‘Senhor, não semeaste a boa semente em seu campo? De onde vem o joio?’"

"Sim, com sua Palavra e com o sacrifício de sua vida o Senhor realmente semeou a boa semente no campo da terra. germinou e germina. Não devemos pensar só nas grandes figuras luminosas da história, às quais a Igreja reconheceu o título de ‘Santos’, ou impregnados completamente de Deus, resplandecentes a partir Dele. Cada um de nós conhece também as pessoas comuns, não mencionadas em nenhum jornal e não citadas em nenhuma história, que a partir da fé amadurecem alcançando uma grande humanidade e bondade".

Bento XVI se referiu logo a Sodoma e a promessa do Senhor de não acabar com a cidade se encontrava dez justos: "Graças a Deus, em nossas cidades existem muito mais de dez justos! Se hoje estivermos um pouco atentos, se não percebermos só a escuridão, mas também o que é claro e bom em nosso tempo, vemos como a fé torna os homens mais generosos e os educa no amor. De novo: o joio existe também no seio da Igreja e entre aqueles que o Senhor acolheu em seu serviço particular. Mas a luz de Deus não minguou, o bom grão não foi sufocado pela semente do mal".

"A Igreja é então lugar de esperança?" pergunta o Santo Padre e responde: "sim, porque dela nos chega sempre e de novo a Palavra de Deus, que nos purifica e nos mostra a via da fé. Ela o é porque nela o Senhor segue doando-se a si mesmo, na graça dos sacramentos, na palavra da reconciliação, nos múltiplos dons de seu consolo. Nada pode obscurecer ou destruir tudo isto. Disto devemos estar alegres em meio das tribulações".

O Papa Bento questiona logo: "se falarmos da Igreja como lugar da esperança que vem de Deus, então isto comporta, ao mesmo tempo, um exame de consciência: Que coisa faço com a esperança que o Senhor me deu? Realmente me deixo modelar por sua Palavra? Permito-me ser mudado e curado por Ele? Quanto joio em realidade cresce dentro de mim? Estou disposto a erradicá-lo? Sou agradecido pelo dom do perdão e estou disposto a perdoar e a curar eu em vez de condenar?"

Depois de recordar que a vida de esperança se refere às coisas que não têm fim e que o homem não pode fazer por si mesmo, o Papa adverte que "quase ninguém fala hoje da vida eterna, que no passado era o verdadeiro objeto da esperança. Por não ousar acreditar nela, gera-se a necessidade de obter tudo na vida presente. Deixar de lado a esperança na vida eterna leva à avidez por uma vida aqui e agora, que se converte quase indevidamente em egoísta e, ao final, permanece irrealizável. Inclusive quando queremos apropriar-nos da vida como uma espécie de bem, ela escapa".

Em meio de um mundo confundido que propõe distintos caminhos, prossegue Bento XVI, é necessário dizer junto a Pedro: "Senhor a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna e acreditamos e sabemos que tu és o Santo de Deus".

Finalmente o Santo Padre fez votos para que todos experimentem "novamente a alegria de poder conhecer Deus, de conhecer Cristo e que Ele nos conhece. Esta é nossa esperança e nossa alegria em meio das confusões do tempo presente".

15 de mai. de 2010

Santo Ambrósio: Destemido defensor da Igreja


Publicado 2010/04/26
Author : Luiz Francisco Beccari

Aclamado pelo povo, admirado por Santo Agostinho, este "insigne pregador e piedoso Prelado" não receou enfrentar sequer o próprio Imperador.
Luiz Francisco Beccari
De importante família romana, Ambrósio nasceu em 340, na Gália, da qual seu pai era governador. Ainda jovem, viu sua irmã, Santa Marcelina, beijar a mão de um Bispo e deu-lhe a sua a beijar, dizendo: "Também eu serei Bispo um dia".
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Ordenado Bispo aos 34 anos, Am -
brósio logo se aplicou ao estudo ao
estudo da Sagrada Escrutura e dos
autores  eclesiásticos
Estudou direito e retórica em Roma, e fez brilhante carreira: Advogado Consular, Conselheiro do Imperador e Governador das províncias de Emília e Ligúria, com sede em Milão.
Uma singular eleição
No ano 374, morreu o Bispo dessa cidade. Para eleger seu sucessor, a população se dividiu em dois partidos. Os católicos queriam eleger um homem fiel ao Papa, os arianos propugnavam por um sequaz de Ario. A exaltação dos ânimos ameaçava degenerar em guerra civil.

O Governador Ambrósio viu-se obrigado a intervir para manter a ordem. Dispôs suas tropas na praça e fez cessar o tumulto. Em seguida, acompanhado de uma escolta, entrou na Catedral para garantir o bom andamento da eleição. Graças à sua eficaz ação, logo se acalmaram os ânimos exaltados. Então ele postou-se em lugar bem visível a todos os presentes, com olhar vigilante sobre a assembléia. Nesse momento, ouviram-se uns brados partidos do fundo do grandioso templo:

- Ambrosius episcopus! (Ambrósio seja o Bispo!)

Como surgiu essa surpreendente aclamação?

Um menino, tão novo que ainda não sabia falar, foi quem deu o primeiro brado. Altamente admirada de ver o filho pronunciar suas primeiras palavras - e que palavras! - a mãe fez coro com ele, e logo se lhes juntaram outras vozes. Em pouco tempo, todos na Catedral, inclusive os arianos, bradavam em uníssono:

- Ambrosius episcopus! Ambrosius episcopus!

- Sou um pecador! Sou um pecador! - replicava o Governador.

- Não importa, não importa! Invocamos sobre nós os teus pecados! - gritava o povo, a uma só voz.

Ante essa inesperada manifestação, aquela autoridade do maior império do mundo não encontrou outra saída senão o recurso dos indefesos: fugiu e foi esconder-se no sítio de um amigo.  Os cristãos milaneses não desistiram. Enviaram uma delegação para relatar a Valentiniano I o que havia acontecido e rogar-lhe autorização para o Governador Ambrósio ser sagrado Bispo.

O Imperador consentiu, reconhecendo no eleito um verdadeiro "enviado de Deus". À vista disso, o amigo de Ambrósio indicou o lugar onde ele se encontrava.

Reconduzido a Milão, o Santo acabou por reconhecer naqueles acontecimentos a vontade de Deus.
De catecúmeno a Bispo, em oito dias
O Bispo recém-eleito tinha 34 anos de idade e pertencia a uma família cristã, mas era apenas catecúmeno. Foi batizado, recebeu a ordenação sacerdotal logo em seguida e, oito dias depois, foi sagrado Bispo, a 7 de dezembro de 374. O clero e fiéis de todo o Império acolheram com indizível júbilo a notícia dessa prodigiosa intervenção divina.

Não é difícil, sob impulso do Espírito Santo, ordenar um Bispo apenas oito dias após seu Batismo. Mas como, num curto tempo, transformar em pastor de almas um homem que, uma semana antes, era ainda catecúmeno? Pergunta interessante para se ver como a graça divina, quando bem correspondida, opera maravilhas.

Ambrósio era rico, mas não apegado à riqueza deste mundo. Doou para a Igreja as terras que herdara. Quanto aos outros bens, distribuiu parte aos pobres, dando à Igreja o restante. Altos cargos no governo imperial, posição social brilhante, vida familiar - tudo isto ele sacrificou para se ocupar somente do serviço de Deus.

Assim desembaraçado de qualquer preocupação terrena, o novo Bispo aplicou-se ao estudo das Sagradas Escrituras e dos autores eclesiásticos, sobretudo São Basílio. À medida que estudava, fazia pregações. Apenas três anos haviam decorrido, e já ele inaugurava - com a publicação dos livros "As Virgens" e "As viúvas" - a prodigiosa atividade de escritor que lhe valeu os títulos de Doutor e Padre da Igreja. Em breve tempo, ele brilhava no mundo cristão como o campeão da luta contra o arianismo, muito forte naquela época, e os restos do antigo paganismo. Triunfou sobre ambos, impondo silêncio à heresia e conquistando a Itália inteira para a Fé Católica.

Tinha sempre presente sua alta responsabilidade na escolha dos candidatos ao sacerdócio. Por seu espírito de vigilância nesta matéria, adquiriu uma aguda capacidade de discernir quem estava apto ou não a ser admitido à 
SANTO AGOSTINHO.JPG
Santo Agostinho gostava de passar
horas inteiras em silêncio,   vendo
Santo Ambrósio trabalhar ou estudar
Museu de Dijon, França
recepção da sagrada Ordem. Por exemplo, pelo simples modo de andar, ele podia recusar um pretendente, pois dizia estar persuadido de que os movimentos desregrados do corpo são efeito do desregramento da alma.
Confronto com o Imperador
Teodósio I, o Grande, ascendeu ao trono imperial em 379.

No ano seguinte, declarou o Cristianismo religião do Estado e proibiu os cultos pagãos. Entretanto, embora muito amigos, não deixou de haver certas divergências entre o Bispo e o Imperador, um propugnando pela inteira independência da Igreja, outro, pela do Estado.

Durante uma rebelião no ano 390, foi assassinado em Tessalônica o comandante militar local.

Por excitação de um camareiro intrigante, Teodósio decretou terrível vingança contra os habitantes dessa cidade. Sem distinguir inocentes de culpados, sem mesmo tomar em consideração idade e sexo, as tropas imperiais massacraram sete mil pessoas.

Um clamor de indignação ressoou por todo o Império. Não podendo calar- se ante essa atrocidade criminosa, o Bispo - com solicitude de amigo e respeito de súdito, mas também com firmeza de representante de Deus - admoestou o Soberano de que nenhum sacerdote de sua Diocese lhe daria a absolvição. E, recordando-lhe o exemplo do Rei Davi, o exortou a fazer sincera penitência.

Como para mostrar que ninguém tinha direito de vituperar-lhe o procedimento, o Imperador se dirigiu à igreja com grande aparato, segundo o costume. À porta do recinto sagrado, Ambrósio barrou-lhe a entrada:

"Vejo que por desgraça, ó Imperador, não medes a gravidade do fato sanguinário ordenado por ti (...) Não acrescentes um novo crime ao que já te pesa. Retira-te e submete-te à penitência que Deus te impõe. Já que imitaste David no crime, imitao também na penitência!"

Com lágrimas nos olhos, o Imperador retirou-se. Oito meses se passaram sem ele se apresentar na igreja, nem o Bispo no palácio.

Por fim, porém, a Fé triunfou sobre o orgulho. Na manhã do dia de Natal, banhado em lágrimas, o Imperador disse a seu camareiro: "Não sentes minha desdita? A Igreja de Deus está aberta até para os escravos e mendigos; porém, para o Imperador está fechada e com ela a porta do Céu, pois Cristo disse: ‘O que atares na terra será atado no Céu'".
Decidido a obter o perdão de Deus, dirigiu-se à igreja, onde o esperava Santo Ambrósio, de pé no alto da escadaria.

- Aqui estou, livra-me do meu pecado - rogou.

- Onde está tua penitência? - perguntou o Santo.

- Suplico-te que me livres desta pena, em consideração da clemência de nossa Mãe a Igreja. Não me feches a porta, dize-me o que hei de fazer.

A decisão de Ambrósio mostra o incansável esforço da Santa Igreja para abrandar os costumes pagãos. Exigiu de Teodósio a promulgação de uma lei determinando que as sentenças de morte e de confisco não seriam executadas antes de 30 dias, e deveriam ser reapresentadas ao Imperador para sua confirmação.

Teodósio fez escrever e assinou imediatamente o decreto. Ato contínuo, recebeu a absolvição.
"Agradavam-lhe mais as repreensões que as adulações"
Despojando-se dos ornamentos imperiais, Teodósio entrou na igreja e, prostrado no chão, recitou o salmo de Davi: 

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Santo Ambrósio batiza Santo Agostinho
(Livro  das Horas do Duque de Berry)
"Minha alma está atada à terra; dai-me, Senhor, a vida, segundo a vossa palavra!" Assim orando, arrancava os cabelos, inundava de lágrimas o pavimento e implorava, cheio de dor:"Misericórdia, ó Senhor, misericórdia!"

A cena não podia ser mais grandiosa. Diante de tanta humildade, o povo suplicava e chorava com o Imperador.

Cinco anos depois, chegado o momento de comparecer perante o Tribunal de Deus, Teodósio clamou pela presença de seu amigo Ambrósio, de cujas mãos recebeu os últimos Sacramentos antes de falecer.

Em sua célebre oração fúnebre, testemunhou o santo Bispo a respeito dele: "Eu amava este varão, porque lhe agradavam mais as repreensões que as adulações. Como Imperador, não se envergonhou da penitência pública, e depois chorou seu pecado todos os dias que lhe restaram".
A conversão de Santo Agostinho
Era tal o poder de irradiação do Bispo Ambrósio, que a rainha dos marcomanos (povo antigo da Germânia), chamada Fretigila, apenas por ter ouvido um cristão falar a respeito de sua ciência e santidade, acreditou em Jesus Cristo e enviou embaixadores a Milão, rogando ao Santo que lhe informasse por escrito o que devia crer.

Uma dama de alta estirpe insistiu com o Santo para ir celebrar Missa em sua casa. Uma mulher paralítica fez-se transportar até lá, tocou na veste episcopal e, instantaneamente curada, levantou-se e se pôs a andar, na presença de todos.

Outros milagres operou nosso Santo, ainda em vida. Porém, a mais preciosa pedra de sua coroa de glória é a conversão de Santo Agostinho, um dos homens mais inteligentes e cultos de todos os tempos, coluna da Santa Igreja.

Com cerca de 30 anos, o futuro Bispo de Hipona foi levado por Santa Mônica a relacionar-se com Santo Ambrósio. De início hostil à Fé Católica, por causa de más influências dos maniqueus, Agostinho era, entretanto, admirador da cultura e da suave eloqüência do Bispo de Milão. Gostava não somente de ouvir seus sermões, mas também de passar horas inteiras em seu gabinete, em silêncio, vendo esse homem de Deus trabalhar ou estudar.

Não sem grande dose de sagacidade, Ambrósio desfez na mente de seu ouvinte os maléficos sofismas da seita maniqueísta. Quem lê as Confissões, é levado a conjeturar que o grande pregador adaptava suas palavras às dúvidas de 
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Campeão da luta contra o arianismo, autor de
numerosas obras, Santo Ambrósio foi declarado
Doutor da Igreja por Bonifácio VIII (baixo relevo
da paróquia de Santo Eustáquio, Paris)
Agostinho, quando notava sua presença na igreja. Este narra, inclusive, que ele "muitas vezes, vendo-me quando pregava, prorrompia em louvores a ela [Santa Mônica] e me chamava ditoso por ser filho de tal mãe".
Convertido, Santo Agostinho não esconde seu entusiasmo por Santo Ambrósio. "Insigne pregador e piedoso Prelado", homem cujas palavras eram "fonte de água que corria para a vida eterna", "santo Bispo" - são expressões usadas por ele ao referir-se àquele que o batizou na vigília da Páscoa de 387.

Em resumo, ele considerava Santo Ambrósio o arquétipo do Bispo católico. Opinião confirmada pelo Missal Romano, onde se lê que ele "representa a figura ideal do Bispo". Onde encontrar testemunho mais elogioso, mais credenciado e mais insuspeito?
A recompensa
Em 4 de abril de 397, o Divino Redentor chamou seu servo para receber no Céu a recompensa por sua vida de fidelidade e combates em defesa da Fé. No início desse ano, antes de ser atingido pela mortal doença, predisse que tinha pouco tempo de permanência neste mundo, pois viveria só até a Páscoa.

Estando já prostrado no leito de morte, alguns diáconos conversavam no fundo do aposento, levantando hipóteses sobre quem seria seu sucessor. Um deles mencionou o nome de Simpliciano. Não se sabe como, o Santo ouviu e aprovou: "É muito velho, mas é ótimo!"

Pouco depois disto, enquanto ele rezava em voz baixa, apareceu-lhe Jesus Cristo com o rosto belíssimo. Após cinco horas de oração com os braços em forma de cruz, Santo Honorato, Bispo de Arles, foi chamado para darlhe o viático. Logo que o recebeu, entregou sua alma a Deus.
(Revista Arautos do Evangelho, Dez/2004, n. 36, p. 34 à 37)


14 de mai. de 2010

Missão do católico é anunciar Cristo ao mundo, diz o Papa Bento XVI


.- Ao presidir esta manhã uma Eucaristia na presença de milhares de fiéis na Avenida dos Aliados em Porto, o Papa Bento XVI recordou que a missão do cristão, e assim de toda comunidade eclesiástica é receber de Deus Cristo ressuscitado para anunciá-lo a todo mundo, especialmente aos corações que ainda não o conhecem.

Na Eucaristia que presidiu no dia em que a Igreja recorda o apóstolo Matias, o Santo Padre recordou as palavras de Pedro: "É necessário, portanto, que […] um se torne connosco testemunha da ressurreição".

Bento XVI disse logo: "E o seu Sucessor actual repete a cada um de vós: Meus irmãos e irmãs, é necessário que vos torneis comigo testemunhas da ressurreição de Jesus. Na realidade, se não fordes vós as suas testemunhas no próprio ambiente, quem o será em vosso lugar? O cristão é, na Igreja e com a Igreja, um missionário de Cristo enviado ao mundo. Esta é a missão inadiável de cada comunidade eclesial: receber de Deus e oferecer ao mundo Cristo ressuscitado, para que todas as situações de definhamento e morte se transformem, pelo Espírito, em ocasiões de crescimento e vida".

Para esta missão, explicou, é necessário "ouviremos mais atentamente a Palavra de Cristo e saborearemos assiduamente o Pão da sua presença. Isto fará de nós testemunhas e, mais ainda, portadores de Jesus ressuscitado no mundo, levando-O para os diversos sectores da sociedade e quantos neles vivem e trabalham, irradiando aquela «vida em abundância» que Ele nos ganhou com a sua cruz e ressurreição e que sacia os mais legítimos anseios do coração humano".

Depois de assinalar que ao Senhor nós nada impomos, mas sempre propomos, o Papa ressaltou que todos os homens e mulheres desejam a esperança que só Deus dá: "E todos afinal no-la pedem, mesmo quem pareça que não. Por experiência própria e comum, bem sabemos que é por Jesus que todos esperam. De facto, as expectativas mais profundas do mundo e as grandes certezas do Evangelho cruzam-se na irrecusável missão que nos compete, pois «sem Deus, o ser humano não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja".

"Perante os enormes problemas do desenvolvimento dos povos, que quase nos levam ao desânimo e à rendição, vem em nosso auxílio a palavra do Senhor Jesus Cristo que nos torna cientes deste dado fundamental: “Sem Mim, nada podeis fazer” e encoraja: “Eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo”".

O Papa afirmou também que "Mas, se esta certeza nos consola e tranquiliza, não nos dispensa de ir ao encontro dos outros. Temos de vencer a tentação de nos limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos ter, de nosso e seguro: seria morrer a prazo, enquanto presença de Igreja no mundo, que aliás só pode ser missionária, no movimento expansivo do Espírito".

"Desde as suas origens, o povo cristão advertiu com clareza a importância de comunicar a Boa Nova de Jesus a quantos ainda não a conheciam. Nestes últimos anos, alterou-se o quadro antropológico, cultural, social e religioso da humanidade; hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência dos povos. O campo da missão ad gentes apresenta-se hoje notavelmente alargado e não definível apenas segundo considerações geográficas; realmente aguardam por nós não apenas os povos não-cristãos e as terras distantes, mas também os âmbitos sócio-culturais e sobretudo os corações que são os verdadeiros destinatários da actividade missionária do povo de Deus".

O Papa Bento sublinhou logo que efetivamente, os cristãos têm uma missão vital: "Sim! Somos chamados a servir a humanidade do nosso tempo, confiando unicamente em Jesus, deixando-nos iluminar pela sua Palavra: «Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça». Quanto tempo perdido, quanto trabalho adiado, por inadvertência deste ponto! Tudo se define a partir de Cristo, quanto à origem e à eficácia da missão: a missão recebemo-la sempre de Cristo, que nos deu a conhecer o que ouviu a seu Pai, e somos nela investidos por meio do Espírito na Igreja. Como a própria Igreja, obra de Cristo e do seu Espírito, trata-se de renovar a face da terra a partir de Deus, sempre e só de Deus!".

Finalmente o Santo Padre insistiu a levantar "levantai os olhos para Aquela que escolhestes como padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição. O Anjo da anunciação saudou Maria como «cheia de graça», significando com esta expressão que o seu coração e a sua vida estavam totalmente abertos a Deus e, por isso, completamente invadidos pela sua graça. Que Ela vos ajude a fazer de vós mesmos um «sim» livre e pleno à graça de Deus, para poderdes ser renovados e renovar a humanidade pela luz e a alegria do Espírito Santo".

Bento XVI subiu à varanda do edifício da Câmara Municipal do Porto, depois damissa a que presidiu na Avenida dos Aliados. Após agradecer o acolhimento “festivo e cordial” que lhe foi oferecido pela população da “Cidade da Virgem”, o Papa dirigiu uma menção especial às universidades do Porto, cujos estudantes expressaram a sua “gratidão e adesão ao magistério do Sucessor de Pedro”, assinala a nota divulgada pela agência Ecclesia.

“Teria acedido de boa vontade ao convite para prolongar a minha permanência na vossa cidade, mas não me é possível”, disse Bento XVI, que escolheu palavras afetuosas para se despedir do Porto: “Permiti, pois, que parta, abraçando-vos a todos carinhosamente em Cristo (…)”, disse o Santo Padre.

Leigos que não tenham vergonha de fé cristã em vida pública, pede o Papa Bento


.- Ao dirigir seu discurso aos Bispos de Portugal na Casa Nossa Senhora do Carmo em Fátima, o Papa Bento XVIalentou os pastores a formarem um laicado que não tenha vergonha de sua fé cristã, anunciando-a com liberdade na vida pública; e insistiu a promover e acompanhar os novos movimentos eclesiásticos que são um dom para a Igreja. O Santo Padre também os animou a trabalhar para que os sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e vivam com santidade seu ministério.

Depois de agradecer as palavras do Bispo de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, Dom Jorge Ferreira da Costa Urtiga, o Santo Padre animou os prelados a "oferecer a todos os fiéis uma iniciação cristã exigente e atractiva, comunicadora da integridade da fé e da espiritualidade radicada no Evangelho, formadora de agentes livres no meio da vida pública".

Bento XVI ressaltou logo a necessidade que têm os bispos de formar um laicado amadurecido, já que na esfera pública "não faltam crentes envergonhados que dão as mãos ao secularismo, construtor de barreiras à inspiração cristã. Entretanto, amados Irmãos, aqueles que lá defendem com coragem um pensamento católico vigoroso e fiel ao Magistério continuem a receber o vosso estímulo e palavra esclarecedora para, como leigos, viverem a liberdade cristã".

Diante desta tarefa e o desejo profundo de verdade que se constata nas pessoas atualmente, o Papa assinalou a necessidade de "inculcar em todos os agentes evangelizadores um verdadeiro ardor de santidade, cientes de que o resultado provém sobretudo da união com Cristo e da ação do seu Espírito".

O Papa recordou a necessidade de contar com cristãos que testemunhem com sua vida o encontro pessoal com Cristo, para que a fé católica se reintegre na sociedade como seu patrimônio comum e mais pessoas se sintam atraídas "à graça de Cristo dando testemunho d’Ele".

Bento XVI se referiu logo à primavera do Espírito Santo na Igreja com os movimentos eclesiásticos e as novas comunidades. "Graças aos carismas, a radicalidade do Evangelho, o conteúdo objetivo da fé, o fluxo vivo da sua tradição comunicam-se persuasivamente e são acolhidos como experiência pessoal, como adesão da liberdade ao evento presente de Cristo", afirmou.

São os bispos, continuou o Santo Padre que "devem garantir a eclesialidade dos movimentos. Os Pastores não são apenas pessoas que ocupam um cargo, mas eles próprios são carismáticos, são responsáveis pela abertura da Igreja à ação do Espírito Santo. Nós, Bispos, no sacramento, somos ungidos pelo Espírito Santo e, por conseguinte, o sacramento garante-nos também a abertura aos seus dons. Assim, por um lado, devemos sentir a responsabilidade de aceitar estes impulsos que são dons para a Igreja e lhe dão nova vitalidade, mas, por outro, devemos também ajudar os movimentos a encontrarem a estrada justa, com correções feitas com compreensão – aquela compreensão espiritual e humana que sabe unir guia, gratidão e uma certa abertura e disponibilidade para aceitar aprender".

Bento XVI exortou logo a desenvolver a paternidade espiritual com os sacerdotes também através da “autoridade como serviço ao crescimento dos outros".

"Não se trata de voltar ao passado nem de um mero regresso às origens, mas de uma recuperação do fervor das origens, da alegria do início da experiência cristã, fazendo-se acompanhar por Cristo como os «discípulos de Emaús» no dia de Páscoa, deixando que a sua palavra aqueça o coração (...). Só assim é que o fogo da sua caridade será bastante ardente para impelir cada fiel cristão a tornar-se dispensador de luz e vida na Igreja e entre os homens".

O Papa também pediu aos bispos que colaborem com outros países lusófonos em suas necessidades, especialmente na luta contra a pobreza, e ressaltou que "continue bem vivo no país o vosso testemunho de profetas de justiça e da paz, defensores dos direitos inalienáveis da pessoa, juntando a vossa voz à dos mais débeis".

"Enquanto vos confio a Nossa Senhora de Fátima, pedindo-Lhe que vos sustente maternalmente nos desafios em que estais empenhados, para serdes promotores de uma cultura e de uma espiritualidade de caridade e de paz, de esperança e de justiça, de fé e de serviço, de coração vos concedo, extensiva aos vossos familiares e comunidades diocesanas, a minha Bênção Apostólica", concluiu o Papa.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, depois de sua saudação a Bento XVI, entregou um presente dos bispos portugueses: um conjunto de 20 aquarelas do pintor Avelino Leite, representando os mistérios do Rosário

13 de mai. de 2010

Ajoelhado, Bento XVI ora diante de túmulos de pastorinhos de Fátima



13.05.2010 - FÁTIMA - O papa Bento XVI visitou nesta quinta-feira o túmulo dos três pastorinhos da cidade portuguesa de Fátima, que testemunharam as aparições de Nossa Senhora em 1917.
O Pontífice orou ajoelhado diante dos túmulos, que ficam no interior da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, logo após presidir uma missa na esplanada do Santuário de Fátima, a qual foi assistida por meio milhão de fiéis. Os três pastorinhos são os irmãos Jacinta (1910-1920) e Francisco Marto (1908-1919), beatificados há exatamente dez anos pelo papa João Paulo II, e a prima deles, Lúcia de Jesus (1907-2005), conhecida como Irmã Lúcia do Coração Imaculado. Ela foi beatificada em 13 de fevereiro de 2008, no terceiro aniversário de sua morte.
Iniciada na última terça-feira e prevista para terminar amanhã, a viagem apostólica de Bento XVI a Portugal tem como objetivo principal a celebração dos dez anos de beatificação de Jacinta e Francisco e dos 93 anos da primeira vez que a Virgem apareceu para as crianças, em 13 de maio de 1917.
Durante a missa na esplanada, o Pontífice destacou que "se ilude quem pensa que a missão profética de Fátima está concluída". O Pontífice ainda contou que viajou ao local "como peregrino", já que "esta é a 'casa' que Maria escolheu para falar conosco nos tempos modernos".
Fieis do mundo inteiro compareceram à cidade portuguesa para acompanhar a celebração presidida pelo Papa. Alguns peregrinos percorreram 60, 80 ou 100 quilômetros a pé no "Caminho de Fátima", enquanto muitos espanhóis, poloneses, italianos, franceses, americanos e chineses assistiram à solenidade.
Também hoje o Vaticano relembra os 29 anos do atentado cometido na Praça de São Pedro contra o papa João Paulo II pelo turco Mehmet Ali Agca, o qual recentemente tentou obter um visto de entrada em Portugal para se reunir com Bento XVI.
A visita apostólica a Portugal foi iniciada na terça-feira e terminará amanhã. A viagem inclui passagens por Lisboa, Fátima e Porto, além de celebrações e reuniões com autoridades políticas e religiosas locais.
Fonte: UOL noticias

Dando-nos Jesus, Maria é a verdadeira fonte da esperança afirma o Papa Bento XVI


.- Logo depois da bênção dos doentes com o Santíssimo Sacramento e depois de um intenso momento de adoração eucarística depois da multitudinária Missa que presidiu na esplanada do Santuário da Virgem de Fátima, o Papa Bento XVI saudou os presentes em francês, inglês, alemão, italiano, espanhol, polonês e português.

Logo, em português, o Santo Padre disse: "Queridos peregrinos de língua portuguesa, sob o olhar materno de Nossa Senhora de Fátima, saúdo a todos vós que aqui viestes dos vários países lusófonos à procura de conforto e de esperança. Dando-nos Jesus, Maria é a verdadeira fonte da esperança. A Ela vos entrego e acompanho com a minha Bênção.".

As palavras do Papa foram respondidas com vivas e cantos dos fiéis de diversas línguas, de maneira especial com o tradicional grito de "Bento!" seguido de aplausos, na reação mais alegre da manhã.

O bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, em afirmações reunidas pela agência Ecclesia do episcopado português, declarou-se convencido de que “a Igreja, e não só em Portugal, está mais forte” com o “banho de alegria, confiança e acolhimento” proporcionado pela missa desta Quinta-feira, em Fátima.

A opinião é partilhada pelo primeiro responsável da diocese de Aveiro, D. António Francisco dos Santos: “Creio que ninguém duvida que a Igreja ficou mais forte depois da celebração. A presença desta multidão revela-nos que ela está atuante no meio do mundo”.