Exorcismo

Padres Exorcistas explicam

Consagração a Virgem Maria

Escravidão a Santissima Virgem, Orações, Devoção

Formação para Jovens

Espiritualidade, sexualidade, diverção, oração

3 de abr. de 2012

Google+ lança video a favor da vida.


Cuba decreta feriado na Sexta-Feira Santa a pedido do Papa


Em resposta ao pedido realizado pelo Papa Bento XVI ao Presidente Raúl Castro, o governo cubano anunciou em uma breve mensagem publicada este sábado no diário oficial "Granma" que a próxima Sexta-feira Santa será declarada como feriado, porém assinalou que sua permanência no calendário oficial cubano ainda não é definitiva.

A nota oficial recorda que "durante o encontro sustentado no Palácio da Revolução, no último 27/03, com o Presidente do Conselho de Estado e do Governo, General de Exército Raúl Castro Ruz, o Supremo Pontífice da Igreja Católica expressou-lhe seu desejo de interromper atividades trabalhistas não indispensáveis nas sextas-feiras de Semana Santa, por motivo das comemorações religiosas que ocorrem pela paixão e morte de Jesus de Nazaré".

O comunicado revela logo que "momentos antes de sua partida, o Presidente Cubano expressou (ao Santo Padre) a vontade de que na próxima sexta-feira 6 de abril, com caráter excepcional, em consideração à Sua Santidade e ao feliz resultado desta transcendental visita nosso país, chegava-se a isso".

Entretanto, a mesma nota assinala que "se reservava aos órgãos superiores da Nação a determinação definitiva" do feriado. Embora na prática o Presidente Raúl Castro e o Conselho de ministros concentrem todo o poder em Cuba, em teoria o vértice do Partido Comunista cubano é quem toma as decisões deste tipo. Historicamente, entretanto, o Partido Comunista jamais discrepou como propostas de Fidel ou de Raúl Castro.

Uma decisão similar foi tomada pelo ex-presidente Fidel Castro ao reinstaurar "temporariamente" em 1997 a festa do Natal pouco antes da chegada do Papa João Paulo II à Ilha em janeiro de 1998. Por um breve pedido do Papa João Paulo, o feriado natalino foi estabelecido de forma permanente.
No Vaticano, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, assinalou que "o fato de que as autoridades cubanas tenham rapidamente acolhido o pedido do Santo Padre ao Presidente Raúl Castro, declarando a próxima Sexta-feira Santa um dia de feriado, é certamente um sinal muito positivo".

"A Santa Sé espera que isto anime à participação nas celebrações religiosas e na gozosas festividades pascais, e que a visita do Santo Padre siga trazendo os desejados frutos para o bem da Igreja e de todos os cubanos", acrescentou o Pe. Lombardi.

QUINTA-FEIRA SANTA MISSA COMEMORATIVA DA CEIA DO SENHOR


A ÚLTIMA CEIA

1° Primeira parte da última ceia

No dia dos ázimos, diz são Lucas (22), Jesus mandou a Pedro e João preparar a Páscoa. “Entrando na cidade, disse-lhes, encontrareis um homem a carregar água; segui-o até a casa a que se dirige, e falai ao pai de família; este vos mostrará uma grande sala mobiliada, preparai lá o que é necessário”. A Páscoa simboliza aqui a Eucaristia. A sala mobiliada é a alma em estado de graça, enriquecida de virtudes sobrenaturais e dos dons do Espírito Santo. Pedro e João representam a fé e o amor que devem dispor-nos a receber o Homem-Deus.
À tarde da quinta-feira santa, o Cordeiro pascal estava sobre a mesa do cenáculo onde se reuniram os discípulos com o divino Mestre. Esse cordeiro figurava a augusta Vítima da cruz e dos nossos altares. Ceava-se de pé, o bastão na mão, e os rins cingidos como para viagem. Ajuntavam-se ervas silvestres e amargas, e tudo era comido às pressas. Que nos indicam essas cerimônias? Primeiro, que a Eucaristia é o alimento do exílio e da viagem para o céu; depois, que para ela é necessário dispor-se pela castidade, mortificação dos sentidos e com uma santa avidez.
Pelo fim da refeição, o Salvador ergue-se da mesa, toma uma toalha com que se cinge, derrama água numa bacia e, de joelhos, diante dos apóstolos, lava-lhes os pés. Anjos do céu, que dizeis? Não teria sido favor excessivamente grande para os discípulos, se Jesus lhes permitisse que lhe lavassem os sagrados pés com suas lágrimas? Mas não! Ele mesmo quis prostrar-se aos pés dos seus servos, a fim de nos ensinar a humildade. Quis lavar-lhes os pés para nos mostrar a pureza interior exigida por seu divino Sacramento. A humildade e a pureza de coração são, de fato, duas disposições requeridas para alguém se unir a Jesus no banquete eucarístico.
Ó meu Redentor, mostrai a nossa miséria e a ternura da vossa caridade, a fim de que de Vós nos aproximemos com profunda humildade e uma confiança sem limites em Vossa bondade. Inspirai-nos a coragem de mortificar os nossos sentidos e más inclinações. Atraí para Vós todos os nossos afetos. Desejamos receber-vos com um coração embalsamado de fé, piedade e devoção, a fim de que a Comunhão sacramental produza em nós os mais preciosos e duráveis frutos.

2.° Instituição da Eucaristia

Depois de ter dado aos seus esse exemplo de humildade, lavando-lhes os pés, o divino Mestre pôs-se à mesa, e tomando o pão, benzeu-o e partiu-o, dizendo: “Isto é o meu corpo, que será entregue por vós”. Depois, tomando o cálice, disse: “Isto é o meu sangue, que será derramado por vós” (2 Cor 11, 24; Mt 26, 27). Essas expressões: “partiu-o, será entregue, derramado”, recordam-nos os sofrimentos do Homem-Deus; e, segundo o ensinamento da Igreja, a Eucaristia é uma recordação da paixão perpetuada entre nós.
Mas não é apenas uma recordação: é a realidade continuada de maneira incruenta. Como sacrifício, a Eucaristia renova a imolação do Calvário; como sacramento, aplica-nos os seus frutos. Sobre os altares Jesus é imolado pela espada misteriosa das palavras da consagração. O seu corpo quebra-se aparentemente na Santa Missa sob a forma do pão, e o seu sangue parece difundir-se sob as espécies do vinho. Assim se verifica a doutrina do Concílio de Trento: “No divino sacrifício oferece-se a mesma Vítima da cruz; Jesus Cristo é o mesmo sacrificador que, pelo ministério dos sacerdotes, se oferece a Deus em nossas igrejas como sobre o Calvário, com exceção apenas do modo”. Daí se evidencia que uma missa poderia resgatar o mundo da mesma forma como a paixão e a morte do Redentor.
Nos antigos sacrifícios, figuras do nosso, imolava-se a vítima e depois comia-lhe as carnes, tornando-se comensais de Deus. Da mesma forma, pela comunhão, participamos da imolação do altar, substancialmente a mesma do Calvário. Jesus dá-se a nós sob a forma de alimento; ora, uma vítima, para servir de alimento, deve primeiro ser imolada. Eis por que o Salvador só desce a nós depois de sacrificado sobre o altar; e consumidas as sagradas espécies, seu corpo cessa de nutrir as nossas almas, mas o seu espírito permanece em nós. A nós cabe o dever de submeter-nos a Ele para recebermos a vida, o impulso e a fecundidade. Ele traz-nos o fruto das suas dores; não esqueçamos; e em vez de procurarmos na comunhão doçuras sensíveis, procuremos tirar dela: 1.° A luz que nos mostra os defeitos a corrigir; 2.° A coragem de lutar constantemente para a humilhação do nosso orgulho e a conformidade da nossa vontade com o beneplácito divino.
Jesus-Hóstia, vítima do Calvário e dos nossos altares, lembrai-nos que, assistindo à Santa Missa e principalmente participando do banquete eucarístico, devemos considerar-Vos como um Deus crucificado e ressuscitado e, por isso, crucificai-nos convosco, morrendo para a vida sensual, natural e imperfeita, a fim de ressuscitarmos convosco por uma vida de fé, sacrifício e oração, a qual nos una estreita e eternamente convosco.

“Jesus, vinde, tenho os pés imundos. Fazei-vos servo meu. Derramai água na bacia; vinde, lavai-me os pés. Bem o sei, temerário é o que vos digo, mas temo a ameaça de vossas palavras: ‘Se não te lavar os pés, não terás parte comigo’. Lavai-me, portanto, os pés para que tenha parte convosco. Mas, que digo, lavai-me os pés? Pôde dizê-lo Pedro que necessitava de lavar só os pés, porque estava todo limpo. Eu, ao contrário, uma vez lavado, preciso daquele batismo do qual vós, ó Senhor, dizeis: ‘Quanto a mim, com outro batismo devo ser batizado” (Orígenes, Das orações dos primeiros cristãos, 63).

2 de abr. de 2012

A Cruz de Cristo, a quem incomoda?


512 anos após a Missa que oficializou a fundação do Brasil, o sagrado símbolo da Cruz é retirado do recinto de Tribunais: grave sintoma de irreligiosidade, contrário aos sentimentos e à tradição do nosso povo.

Frederico R. de Abranches Viotti

Era a manhã de uma sexta-feira quando o Filho de Deus passou por Jerusalém carregando o símbolo dos criminosos: a Cruz, sobre a qual morreria. O símbolo dos criminosos era ali levado pelo inocente, condenado pela covardia daquele juiz que preferiu lavar suas mãos e omitir-se ao invés de aplicar a justiça.

O sacrifício da Cruz é o ápice de toda a obra Redentora. Como uma nova estrela de Belém que guiou os Reis Magos até o Menino Jesus, a Cruz indica o caminho da salvação para a humanidade redimida, atraindo-a a fazer o bem e a evitar o mal. “Quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32).

Durante séculos, a Cruz foi vencendo o paganismo, aplacando as injustiças e formando a mentalidade dos homens e das instituições, que vieram a constituir, posteriormente, a realidade conhecida como o mundo ocidental e cristão. Em memória disso, no centro da Praça de São Pedro, no Vaticano, há um grande obelisco encimado pela Cruz de Cristo, representando o triunfo da Fé sobre o paganismo.

Era a misericórdia da Cruz substituindo as arenas romanas e a cólera guerreira dos bárbaros. O Império Romano desabou com a invasão dos bárbaros e se converteu pelo exemplo dos cristãos. Onde antes imperavam “deuses” criados à imagem dos defeitos humanos, entrava agora o Deus que ensinava a moral, elevando os homens a uma dignidade superior a seus defeitos, libertando-os do peso do pecado e introduzindo o autêntico conceito de justiça.

A Cruz, símbolo da Justiça

A justiça não era mais um capricho da Roma pagã — ou a aplicação fria de um princípio abstrato –, mas um ato de equidade que devia transparecer com bondade e sabedoria, resolvendo conflitos inerentes a toda vida em sociedade.

Na sociedade ocidental e cristã, a Cruz está no fundamento da Justiça. Foi nessa região do mundo que se desenvolveu o nosso sistema legal e jurisdicional, foi sob o influxo dos princípios cristãos que se buscou estabelecer o que é justo e legítimo e, em consequência, definir o que deve ser legal ou ilegal.

Ademais, a Cruz é uma lembrança constante de como a Justiça deve ter cuidado para não ser injusta. Assim como o supremo inocente, Nosso Senhor Jesus Cristo, foi condenado pelo supremo covarde, Pôncio Pilatos, deve o julgador estar atento para não cometer o mesmo absurdo.

Pôncio Pilatos teve medo daquela aparente maioria que pedia a morte do inocente. Em nome dessa maioria, ele sacrificou a verdade. A Justiça, sob o signo da Cruz, deve lembrar sempre que a busca da verdade — e não a busca do aplauso — é a obrigação primeira. Também por isso, está a Cruz presente nas salas de audiência e julgamento em nosso País, lembrando constantemente não apenas as obrigações do juiz para com a verdade, mas a origem e a finalidade da Justiça.

A quem, então, incomoda a Cruz?

Quando o governo federal lançou o novo Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), vários grupos católicos chamaram a atenção para a incompatibilidade desse plano com a moral católica. Em poucas palavras, se aplicado, o PNDH-3 levaria a uma verdadeira perseguição religiosa no Brasil.

Um dos itens previstos nesse PNDH era a retirada de crucifixos de repartições públicas e tribunais.

A Cruz incomoda o movimento de homossexuais. Desagradada pela presença do crucifixo no Tribunal do Rio Grande do Sul, certa Liga Brasileira de Lésbicas, entrou com “pedido” junto ao Conselho de Magistratura do Tribunal de Justiça do estado (TJ-RS) para que os crucifixos fossem retirados das salas daquele órgão do Poder Judiciário.

Segundo noticiado pela imprensa, o referido Conselho de Magistratura acatou esse pedido por unanimidade, ordenando a retirada dos crucifixos. O relator da matéria foi o desembargador Cláudio Baldino Maciel, que considerou necessário retirar os crucifixos das salas de julgamento por ser esse o “único caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de um Estado laico, devendo ser vedada a manutenção dos crucifixos e outros símbolos religiosos em ambientes públicos dos prédios”. Com isso, argumenta o desembargador, estaria se demonstrando que o Estado-juiz é equidistante de todos os valores.

Na realidade, o “Estado-juiz”, ao pretender retirar os crucifixos, está demonstrando abraçar outros valores, diversos daqueles que estão representados no Crucifixo.

Mas não é só isso. O Brasil é um Estado laico desde a proclamação da República, em 1889, ou seja, há 122 anos. Se a presença do crucifixo fosse contrária ao laicismo brasileiro, ele teria sido retirado em 1889, e não em 2012.

Mesmo sendo o Brasil um Estado laico, sua sociedade é profundamente religiosa. O Poder Judiciário, um dos três poderes do Estado, não existe meramente como uma abstração legal, mas existe dentro da realidade desse país que é o Brasil, dessa sociedade de brasileiros que vivem em nosso território. Um território descoberto por caravelas que aqui aportaram ostentando a Cruz de Cristo, tendo como primeiro ato oficial uma santa Missa, e em cujo céu figura, luminoso, o Cruzeiro do Sul. Um país que tem no Cristo Redentor um de seus mais conhecidos cartões-postais e cujas cidades adotaram não raramente nomes de santos.

Por essas e outras, a própria Constituição do Brasil começa pedindo a “proteção de Deus” em seu preâmbulo, deixando patente que o laicismo, como entendido em nosso País, não é contrário à religião e não pode ser usado como um instrumento a serviço da cristianofobia, isto é, dessa tendência, em ascensão em várias partes do mundo, de perseguir o cristianismo e seus adeptos.

Não estranha, nesse sentido, que os mesmos julgadores que decidiram retirar os símbolos cristãos, possam conviver pacificamente com os símbolos pagãos como a estátua da deusa Themis, ostensivamente colocada na fachada do Palácio de Justiça de Porto Alegre.

A decisão do Conselho de Magistratura do TJ-RS abre um perigoso precedente nessa matéria, indicando não apenas uma tentativa de reinterpretar o laicismo no Brasil, mas também criando um verdadeiro divórcio entre o Estado e a sociedade.

O Laicismo, uma nova religião?

Se não bastasse tudo isso, há um problema de fundo que fica evidenciado com a decisão de retirar crucifixos das salas de audiência do TJ-RS.

O laicismo agressor, no Brasil, sempre foi mitigado pela religiosidade da população, respeitando limites, sem interferir na esfera religiosa. Contudo, se a pretexto do laicismo o Estado passar a “regular” a prática religiosa (mesmo em prédios públicos), ele estará quebrando esses limites.

Em outros termos, retirar símbolos religiosos em nome do laicismo é o mesmo que dizer que cabe ao Estado decidir o que a sociedade pode ou não pode fazer em matéria de expressão religiosa. O laicismo acaba assim sendo perigosamente transformado em um valor religioso, numa religião oficial do Estado laico.

Religiosos e Juristas discordam da decisão do TJ-RS

O Conselho de Magistratura do TJ-RS não foi o primeiro a tratar dessa matéria. Dom Keller, bispo de Frederico Westphalen (RS), em nota pastoral, lembra que o Conselho Nacional de Justiça, em junho de 2007, analisou questão análoga e decidiu que a presença de crucifixos em dependências de qualquer órgão do judiciário “não viola, não agride, não discrimina e nem sequer perturba ou tolhe os direitos e a ação de qualquer tipo de pessoa”.

Em sua nota pastoral, Dom Keller lamenta que o tribunal de Justiça tenha se dobrado “diante da pressão de um grupo determinado, ideologizado e raivoso, contrariando a opinião da grande maioria da população do Estado do Rio Grande do Sul”.

Também a Associação de Juristas Católicos discordou da decisão do Conselho de Magistratura do TJ-RS e enviou representação ao tribunal solicitando a reconsideração da medida.

Por sua vez — noticiou a “Folha de S. Paulo” –, “dois desembargadores declararam oposição à medida e anunciaram que não vão retirar o símbolo religioso de suas salas até que haja decisão definitiva sobre o caso. Um dos desembargadores que se opõem à decisão, Carlos Marchionatti, diz que o Conselho da Magistratura não é a instância adequada para tratar do assunto e que a separação entre Igreja e Estado não é absoluta no país. A maioria tem sentimento religioso, o hino nacional tem referência à divindade. Cristo, no âmbito do Judiciário, representa a Justiça”, diz. Em artigo, o ex-ministro da Justiça e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Paulo Brossard, criticou a medida como sinal de “tempos apocalípticos” (FSP, 17-3-12).

Conclusão

A interpretação do Conselho de Magistratura do TJ-RS parece ignorar a realidade brasileira ao defender uma espécie de “ação afirmativa” (um laicismoproativo), querendo obrigar a uma mudança profunda nas raízes religiosas e culturais da nação brasileira.

Esperemos que a reação da sociedade a essa medida seja suficientemente clara e firme para derrubá-la, pois a Cruz não é um incômodo, mas sim um farol lembrando a todos que devemos fazer o bem e, em particular aos juízes, que devem julgar segundo os princípios da Justiça.

Mas se, pelo contrário, prevalecer essa nova interpretação do laicismo no Brasil, não tardará aparecer quem proponha arrancar o Cristo Redentor do alto do Corcovado. Ou que sejam alterados os nomes das cidades como São Paulo, Santa Catarina, Santa Rita, São Pedro e tantos e tantos outros lugares deste nosso imenso Brasil, outrora também conhecido como Terra de Santa Cruz.


Fonte: IPCO

A liturgia da semana santa

Na Semana Santa a Igreja celebra os sagrados mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, encarnado para no martírio da Cruz e na vitória sobre a morte, dar a todos os homens a graça da salvação.

A Semana Santa começa com o Domingo de Ramos; e lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus. A Igreja recorda os louvores da multidão proclamando: “Hosana ao Filho de David. Bendito o que vem em nome do Senhor”. (Lc 19, 38 - MT 21, 9). Com este gesto manifestamos nossa fé
em Jesus Cristo, Rei e Senhor.

Na Quinta-feira Santa celebramos a Instituição da Eucaristia. Neste dia cada Bispo reúne o seu clero e celebra a Missa da renovação do sacerdócio, pois neste dia Jesus instituiu o Sacerdócio católico e a sagrada Eucaristia. É feita também a bênção dos sagrados óleos, com a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos (Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos). O motivo deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal. Na Igreja primitiva o Batismo, a Crisma e Primeira Eucaristia acontecia só na Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos:

Óleo do Crisma - Uma mistura de óleo e bálsamo, significando a plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar “o bom perfume de Cristo”. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma), Para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento do sacerdócio (Ordem). A cor que representa esse óleo é o branco ouro.

Óleo dos Catecúmenos - Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.

Óleo dos Enfermos - É usado no sacramento dos enfermos. Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa.

Instituição da Eucaristia e Cerimônia do Lava-pésCom a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde ou noite da quinta-feira santa, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e comemora a Última Ceia:

1 – Instituição da Sagrada Eucaristia, onde Jesus, na noite em que foi traído, ofereceu a Deus-Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos para que os tomassem, mandando-lhes também oferecer aos seus sucessores.

2 – Instituição do Sacerdócio – “Fazei isto em memória de mim”. Com essas palavras o Senhor instituiu o sacerdócio católico e deu-lhes poder para celebrar a Eucaristia.

3 - Durante a missa ocorre a cerimônia do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia, quando lavou os pés dos seus apóstolos. É um gesto de humildade e de santidade, um exemplo para os discípulos e para a toda a Igreja. “Eu vim para servir”.No final da Missa, faz-se a chamada Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento ao altar-mor da igreja para uma capela, onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda à noite. Após a Missa o altar é desnudado; ele é o símbolo do Cristo aniquilado, despojado, flagelado e morto por nossos pecados.

Sexta-feira SantaCelebra-se a Paixão e Morte de Jesus Cristo. Dia de silêncio, jejum e oração e de profundo respeito diante da morte do Senhor. Não se deve trabalhar, se divertir, etc. Às 15 horas, horário
em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: Liturgia da Palavra, Adoração da cruz e Comunhão eucarística. Não adoramos a cruz como um objeto de madeira, mas adoramos o Cristo pregado na Cruz. Depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.

Ofício das Trevas Em alguns lugares é realizado este Ofício. É um conjunto de leituras, lamentações, salmos e preces penitenciais. O nome surgiu por causa da forma que se utilizava antigamente para celebrar o ritual. A Igreja fica às escuras tendo somente um candelabro triangular, com velas acesas que se apagam aos poucos durante a cerimônia.



Sermão das Sete Palavras (facultativo)Lembra as sete últimas palavras de Jesus, no Calvário, antes de sua morte: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem…”, “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso”, “Mulher, eis aí o teu filho… Eis aí a tua Mãe”, “Tenho Sede!”, “Meus Deus, meus Deus, por que me abandonastes?”, “Tudo está consumado!”, “Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito!”. Neste dia, não se celebra a Santa Missa.

À noite as paróquias fazem encenações da Paixão de Jesus Cristo com o Sermão da Descida da Cruz e em seguida a Procissão do Enterro, levando o esquife com a imagem do Senhor morto.

Sábado Santo No Sábado Santo ou Sábado de Aleluia, a principal celebração é a “Vigília Pascal”. Inicia-se na noite do Sábado Santo em memória da noite santa da ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada “A mãe de todas as santas vigílias”, porque a Igreja mantém-se de vigília à espera da vitória do Senhor sobre a morte.

Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: 1 - a benção do fogo novo e do círio pascal; 2 - a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; 3 - a liturgia da Palavra, que é uma série de leituras sobre a história da Salvação; 4 - a renovação das promessas do Batismo e, por fim,5 - a liturgia Eucarística.

Domingo de PáscoaA palavra páscoa vem do hebreu Peseach e significa “passagem”. Era vivamente comemorada pelos judeus do Antigo Testamento. Condenado à morte na cruz e sepultado, Jesus ressuscitou três dias após, num domingo, logo depois da Páscoa judaica. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é, verdadeiramente, o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus na Sexta-Feira transforma-se em esperança e júbilo. É a partir deste momento que eles adquirem força para continuar anunciando a mensagem do Senhor. São celebradas missas festivas durante todo o domingo.

Prof Felipe de Aquino

1 de abr. de 2012

MANDE A CARTA AO STF CONTRA O ABORTO.

Tudo sobre anencefalia, quem sabe? O Prof. Dr. Rodolfo Acatauassu é autoridade no assunto e explica do que se trata, afinal, esta grave enfermidade. Uma coisa você já pode saber: o termo “anencefalia” induz a um erro que deve logo ser esclarecido. Anencefalia NÃO diz respeito à morte encefálica. Uma criança com anencefalia respira pois o centro respiratório está no tronco encefálico. Não existe cura, ainda, para a anencefalia, mas ela é apenas uma dentre muitas doenças congênitas letais.

Campanha: Cartas ao STF pela Vida dos bebês anencéfalos

* “Cartas ao STF pela Vida dos bebês anencéfalos”. Vamos nos envolver, irmãos!

“Quem não compreende um olhar, tampouco compreenderá uma longa explicação”(Mario Quintana)

No próximo dia 11 de abril de 2012, o Supremo Tribunal Federal julgará a ADPF (Ação de descumprimento de preceito fundamental) nº 54 e decidirá se o abortamento provocado ou não ser realizado nos casos dos bebês anencéfalos.

O momento atual que enfrentamos é bastante delicado. É preciso que todas as pessoas de bem que são contrárias ao aborto se unam para demonstrar sua opinião aos Excelentíssimos Julgadores.

O aborto não pode ser visto como solução para a gestante é preciso que ela seja acolhida e acompanhada para amar seu filho independente de sua condição, seja ele doente ou não, com a garantia dos cabíveis cuidados paliativos, de modo a aliviar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida.

É no mínimo um contrassenso que, num Estado Democrático de Direito, recursos públicos sejam utilizados para matar seres humanos que se encontram numa situação de fragilidade. Isso afronta a dignidade da pessoa humana, princípio basilar da Constituição Federal.

Podemos fazer algo concreto!

Basta que você imprima a carta que elaboramos, preencha o espaço em branco com seu nome e envie-a para o endereço do Supremo Tribunal Federal através do correio (clique aqui para baixar a carta).

Destinatário: Supremo Tribunal Federal
Praça dos Três Poderes – Brasília – DF – CEP 70175-900

Ou, se preferir, pode enviar uma carta para cada gabinete dos 11 Ministros do STF que irão julgar esta ação (Clique aqui para obter a relação dos Ministros).

Não pense que a sua iniciativa não irá resolver o problema, pois o mal só triunfa quando as pessoas de bem nada fazem.

Veja!

http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/29353-a-anencefalia-em-nada-impede-o-amor-pelo-contrario

* Atualize-se sobre a REAL situação da aprovação do aborto no Brasil além dos casos previstos em lei.

abril 1st, 2012

Entrevista com Claudio Fontelles, Subprocurador- geral da República

Por Thácio Siqueira, Zenit.

Claudio Fontelles ,que foi Subprocurador-geral da República, grau mais alto da carreira, concedeu uma entrevista para esclarecer-nos um pouco mais a situação atual do projeto que prevê a legalização do Aborto no Brasil. Publicamos a seguir e entrevista:

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A comissão de juristas criada pelo Senado para elaborar o novo Código Penal aprovou no dia 09 de março deste ano um anteprojeto que prevê, entre outros pontos, a ampliação dos casos em que o aborto é legal. A aprovação constou de quase maioria absoluta dos juristas, menos 1 que se opôs. O senhor poderia explicar para os católicos brasileiros, o que é essa comissão e por qual motivo está composta por pessoas que pensam da mesma forma?

Claudio Fonteles: A comissão, instituída pela presidência do Senado da República, objetiva apresentar aos senadores a visão de segmentos profissionais vinculados à Justiça – membros do Ministério Público, magistrados, advogados, professores - sobre os vários temas presentes no Código Penal para a sua reformulação, extinção e apresentação de novas realidades, que necessitem ser normatizadas.

Realmente, constituir comissão em que os membros conduzam-se de maneira a consagrar pensamento uniforme, mormente no relevantíssimo tema alusivo à defesa da vida humana, grandemente controvertido na sociedade brasileira, não condiz com a própria vocação do Parlamento, manifestação límpida do regime democrático, justamente por comportar o amplo e plural debate.

Creio que isso possa vir a ser sanado se a presidência do Senado, tendo em mãos o trabalho conclusivo da comissão e publicando-o, abrir prazo razoável para que os vários segmentos da sociedade se pronunciem sobre o mesmo, enviando concretas e fundamentadas críticas, ao que deve se seguir a realização de audiências públicas em que os representantes de pontos de vista opostos sejam equanimemente representados.

Qual foi a importância dada a esse anteprojeto? Essa aprovação significa que ele só passa por uma das Casas do Congresso para a aprovação final?

Claudio Fonteles: A comissão simplesmente subsidia, como disse antes, o posicionamento dos senhores senadores. Seu trabalho – e aqui insisto como esclareci na resposta anterior - deve sofrer o crivo da sociedade civil e, depois, tudo encaminhado às comissões específicas do Senado; à deliberação plenária; enviada à Câmara Federal para exame, também, de suas comissões específicas; decisão plenária e envio ao exame da Presidência da República.

Segundo informou a Folha, em notícia daquele dia, pela proposta, não é crime a interrupção da gravidez até a 12ª semana quando, a partir de um pedido da gestante, o “médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições de arcar com a maternidade”.Inicialmente, a ideia da comissão era propor que essa autorização fosse apenas dos médicos, mas acabou estendida aos psicólogos. Qual é o seu juízo sobre essa proposta?

Claudio Fonteles: Sobre esse específico ponto, a proposta de inovação é completamente incorreta. Todo texto normativo deve primar pela objetividade a que a solução que objetive não se dilua na incerteza. Então, como se aferir que “a mulher não apresenta condições de arcar com a maternidade”? Eis situação carregada de imprecisão, marcada pela subjetividade e, o que também revela extrema precariedade, conferida a decisão a hum ( 1 ) só e solitário profissional.

Hoje, inclusive, novo ramo da medicina já se faz real: a medicina fetal, ou a terapia fetal, que surge, e se desenvolve em passos concretos, justamente a que se preserve a vida e a saúde do feto. Portanto, o que a isso há de se somar é o cuidado para com a gestante em toda a sua dimensão para que ela, justamente vivendo experiência, clara e concreta, de apoio, solidariedade, amor e amparo emocional, psicológico e material, por parte do Estado brasileiro e de associações privadas, una-se à vida que dela tanto necessita, ou doe essa vida a quem dela tanto queira. Devo, aqui, registrar o Programa-Cegonha, desenvolvido pelo governo da Presidenta Dilma, justamente a amparar a mulher e a vida do feto, no pré-natal, como diretriz governamental acertadíssima, digna de parceria, inclusive com os segmentos religiosos comprometidos com a defesa da vida.

Por que a discussão sobre os anencéfalos se encontra no STF?

Claudio Fonteles: A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde contratou o advogado Luiz Roberto Barroso que promoveu no Supremo Tribunal Federal a ação de decumprimento de preceito fundamental – ADPF nº 54 – para legitimar o aborto do feto anencéfalo.

O código Penal brasileiro ainda considera o aborto um crime, exceto no caso de estupro ou para salva a vida da mãe. O senhor considera que o Brasil está a ponto de tirar plenamente o aborto do código penal?

Claudio Fonteles: Não, considero que no estágio atual da sociedade brasileira, que se debate entre a formação de uma sociedade humanista, solidária, amorosa ou de uma sociedade egoista, utilitarista, pragmática, sendo essa última visão fortemente difundida pelo stablishment midiático das grandes corporações jornalísticas a impor a cultura do politicamente correto, é de se manter o quadro normativo como está, sem alterações no Código Penal na temática sobre o aborto.

Parece ser que esse tema foi repassado para Maio, para aprovação do Senado. O senhor poderia nos atualizar um pouco sobre o estado da situação? O que a comunidade católica pode fazer para ajudar nesse processo de decisão, para evitar que o aborto, a eutanásia e a questão dos anencéfalos sejam aprovados no Brasil?

Claudio Fonteles: A comunidade católica, de plano unida às demais irmãs, e irmãos, de outras confissões religiosas,e irmãs e irmãos não crentes, mas todos tendo em comum a defesa da mulher grávida e do feto devem em todos os quadrantes em que atuem, na comunidade brasileira, incessante, serena e fundamentadamente posicionar-se concretamente – debates, manifestações públicas ordeiras, passeatas, cobranças assíduas aos parlamentares – em prol da afirmação desse valor supremo, que é a vida.

Consagração a Nossa Senhora - Oração - Entrega e abandono - Vídeo Comentário da Mensagem de Medjugorje








Vídeo Comentário feito por Pe.Mateus Maria, FMDJ, sobre a Mensagem de Nossa Senhora Rainha da Paz, dada em Medjugorje, à vidente Marija, no dia 25/03/12:

“Queridos filhos! Também hoje, com alegria, desejo dar-lhes a minha bênção materna e convidá-los à oração. Que a oração se torne uma necessidade para vocês, a fim de que, todos os dias, cresçam mais em santidade. Trabalhem mais em sua conversão, porque vocês estão longe, filhinhos. Obrigada por terem respondido ao meu chamado".


30 de mar. de 2012

O escândalo da cruz


O escândalo da cruz

Dom Fernando Arêas Rifan*

Na antiguidade, a cruz, por ser um instrumento de condenação à morte, era um sinal de maldição (Gl 3,13). Depois que Jesus morreu nela por nós, a Cruz se tornou um sinal de honra e bênção. A partir de então, sob diversas formas, a Cruz é colocada na coroa dos reis, nas medalhas, condecorações, no alto das Igrejas, nas montanhas que circundam as cidades para abençoá-las, na campa dos falecidos, nas caravelas, nas bandeiras, etc.

Após as dez grandes perseguições romanas aos primeiros cristãos, o Imperador Constantino, antes da batalha contra Maxêncio, teve uma visão da Cruz com a inscrição: “com este sinal vencerás!”. Constantino mandou então colocar o sinal da Cruz em todos os estandartes e escudos romanos, venceu a batalha da ponte Mílvio (312) e deu liberdade aos cristãos, pondo fim às perseguições. A estação de trem em Roma, próximo ao local desta batalha, se chama exatamente “Lábaro”. A inscrição de Constantino, com o cristograma e a cruz, recebeu o nome de “lábaro de Constantino”. Desde então tem sido interpretado por todo o mundo como um símbolo de cristandade.

Interessante que em nosso Hino Nacional se faz menção do lábaro e da cruz (na constelação do Cruzeiro do Sul) nele estampado: “lábaro que ostentas estrelado … em teu formoso céu risonho e límpido a imagem do cruzeiro resplandece”. Neste hino, o poeta também quis dizer que o Brasil é como um sonho intenso e, já que em nosso céu a Cruz de Cristo resplandece, no cruzeiro, desta Cruz desce um raio vívido de amor e de esperança, que ilumina o Brasil, terra de Santa Cruz.

São Paulo Apóstolo fala que o resumo da sua pregação, o cristianismo, era Cristo crucificado: “Nós proclamamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1 Cor 1, 23). Ele se refere ao “escândalo da Cruz” (Gl 5, 11), porque, realmente, muitos dela se escandalizavam. E não só. Muitos a odiavam: “Há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo” (Fl 3, 18). O ódio à cruz, o incômodo pela cruz, o escândalo da cruz, referem-se à Cristo. É Ele que incomoda, é sua doutrina, é sua lembrança que incomoda. É por isso que os atuais “inimigos da cruz de Cristo” não querem vê-la.

Ademais, a presença de crucifixos nas salas de julgamento dos Tribunais, conforme explica o jurista ex-ministro do STF, Paulo Brossard, é para lembrar “alguém que foi acusado, processado, julgado, condenado e executado, enfim, justiçado até sua crucificação, com ofensa às regras legais históricas, e, por fim, ainda vítima da pusilanimidade de Pilatos, que, tendo consciência da inocência do perseguido, preferiu lavar as mãos e, com isso passar à história… O crucifixo está nos tribunais não porque Jesus fosse uma divindade, mas porque foi vítima da maior das falsidades de justiça pervertida… Pilatos ficou na história como o protótipo do juiz covarde…” (Zero Hora, 12/3/2012). Sendo assim, por lembrar Jesus e sua doutrina e a ignomínia do pecado e da injustiça, a cruz realmente incomoda! Ao diabo e a muitos também.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria

Fonte: http://diasimdiatambem.com/

Sexualidade - Pornografia - Masturbação - Vícios Sexuais - Vídeo Comentário da Mensagem de Medjugorje de 18/03/2012


Na mensagem do dia 18/03/2012, Nossa Senhora de Medjugorje nos fala sobre a luta que devemos travar contra o espírito impuro que quer nos destruir. Vemos como é comum hoje tantos jovens ficarem viciados na pornografia, na promiscuidade, na masturbação... a ponto de perderem a prórpria liberdade, e se tornarem escravos do pecado e das situações de pecado.. Convido todos a meditarem esta mensagem com video...Caso não abrir clique: http://pt.gloria.tv/?media=272076

29 de mar. de 2012

Harry Potter: o sinistro e diabólico anti-conto de fadas



Um mundo de horrores, dominado pela magia, está sendo proposto em escala universal a dezenas de milhões de leitores de Harry Potter — uma antevisão do inferno. Principais vítimas dessa leitura: as crianças e jovens.


Frankfurt — Em fins do ano passado deu-se no mundo inteiro um dos mais espetaculares lançamentos de uma obra literária para crianças e jovens. Trata-se da edição do quarto livro da série Harry Potter. A obra, com nada menos que 767 páginas, intitulada Harry Potter e o cálice de fogo, da autora escocesa Joanne Rowling1, despertou um interesse estrondoso, criando mesmo aquilo que se chamou de “pottermania”.

Só na Alemanha esgotaram-se em tempo recorde centenas de milhares de exemplares da obra. Em Frankfurt, mas também em outras grandes cidades, já de madrugada, enfrentando o frio cortante do inverno incipiente, filas enormes de leitores formavam-se junto às portas das livrarias, ansiosos por serem os primeiros a ter em mãos o “precioso” livro…

Imensa foi a orquestração mediática em torno dessa obra destinada ao público infanto-juvenil: tema tratado praticamente por todos os jornais, revistas e televisões, os quais por sua vez atiçaram a curiosidade geral.

A autora, cujos quatro livros tornaram-se best-sellers com uma tiragem superior a 100 milhões de exemplares em todo o mundo, perfila-se hoje entre os escritores mais lidos do mundo. Um mês depois do apoteótico lançamento do quarto volume de Harry Potter, Rowling recebia da Universidade de Exeter o título de Doctor honoris causa em filologia. Sucesso vertiginoso, quando se considera que há apenas sete anos ela chegava a Londres, divorciada de um jornalista português, com uma filha de um ano, uma mala cheia de manuscritos e sem um centavo no bolso. Hoje, Joanne Rowling vai ganhando prêmios de literatura um após outro. E já é a terceira mulher mais rica da Inglaterra.

Na origem dessa meteórica ascensão encontra-se, sem dúvida, a propaganda torrencial da mídia. Porém, o apoio publicitário não explica tudo. Parte importante no sucesso da escritora escocesa advém, infelizmente, da apetência de numerosos leitores por um mundo tenebroso, oculto e misterioso, que se desvela ao longo das peripécias de Harry Potter e seus amigos. Tal apetência também parece explicar o extraordinário sucesso de bilheteria alcançado nos Estados Unidos pelo filme Shrek, produzido no estúdio do cineasta Spielberg, que apresenta um gigante ogro monstruoso. Apesar de repelente, Shrek vem atraindo legiões de espectadores!

Adeus ao mundo maravilhoso das fábulas e contos de fada

A literatura infantil dos últimos séculos caracterizava-se por alimentar nos jovens leitores a apetência do maravilhoso, incrementar nas almas o senso de contradição entre o bem e o mal, despertar o horror pelo hediondo e o amor pelo sublime. Mostrar ainda que, apesar de todos os sofrimentos, de todos os reveses desta vida, de todas as armadilhas preparadas pelos maus contra os bons, a felicidade alcançável nesta terra é a que resulta da prática da virtude, da perseverança nas vias do bem; é esta sempre a melhor opção. Candura, inocência, desejo de um mundo fabuloso — uma espécie de pré-figura do Céu — que venha ao encontro das mais puras e elevadas aspirações do coração.

Por outro lado, o mundo dos maus, com sua fealdade, seu hediondo, suas trevas e traições, seus ódios e invejas, tudo isso lembrava o horror da “societas scelerum” (sociedade dos celerados), que é o inferno. E assim elevava-se para as crianças um grande ideal de vida: amar o bem e odiar o mal, praticar a virtude e execrar o vício, abrir-se ao sublime e, nesta ascensão de perfeição em perfeição, de maravilhoso em maravilhoso, ao fim desta invisível escada de Jacó, encontrar a Deus, supremo Bem, infinita Perfeição.

Deste modo, sem mencionar sequer uma frase do Catecismo, eram os contos de fada um possante instrumento para preparar as jovens almas a abraçarem o bem e rejeitarem o mal, em suma, a amar a Deus e odiar o demônio.

Da Condessa de Ségur a Rowling: uma queda vertiginosa

Esse alto valor pedagógico dos contos infantis representou, na Alemanha do século XVI, uma poderosa arma da Contra-Reforma católica no combate à obra destrutiva da pseudo-reforma luterana. E no século XIX os irmãos Grimm tornaram-se famosos por sua obra de compilar e difundir os contos de fada, que até então em grande parte circulavam de boca em boca.

Concomitantemente, na França os escritos da Condessa de Ségur — que aliás não eram contos de fadas — exerceram influência igualmente benéfica na formação de sucessivas gerações. Fazendo com que o enredo e os personagens de seus livros tratassem de espinhosos problemas da vida diária do pequeno mundo infantil, numa linguagem atraente, leve, elevada e nobre, ela convidava implicitamente seus jovens leitores a tomarem um perfil moral, cujas notas tônicas eram a honestidade, a lealdade, a nobreza de caráter, a cortesia no trato, a elevação de espírito, a inocência em suma. Talvez muitos leitores se recordarão ainda de O albergue do anjo da guarda, O general Durakine,Os dois bobinhos, As memórias de um asno, para citar apenas alguns de seus livros mais famosos.



O mundo hediondo do demônio

Ora, nada dos elementos de formação do caráter, que abundavam na antiga literatura infanto-juvenil, encontramos na série de Harry Potter. O que nela se encontra é bem exatamente o contrário. É a iniciação no mundo do preternatural, da bruxaria e da magia, dos seres hediondos e repelentes. A série de Harry Potter revela-se assim uma possante preparação das almas e das mentes para inicialmente tomar como natural um mundo anticristão, e depois abrir-se a um mundo de horror e trevas, que configura o reino do demônio. Reino este almejado pela Revolução gnóstica e igualitária que há séculos vem minando a Civilização Cristã, como descreve o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em sua obra-mestra Revolução e Contra-Revolução4.

Aliás, a própria Joanne Rowling confessa implicitamente este caráter anticristão de sua obra ao afirmar a importância que atribui ao elemento“magia”. Numa entrevista concedida na cidade de Tüginben, Rowling afirmou sem rebuços: “As crianças necessitam da magia, porque elas mesmas são muito fracas” .

O enredo

A série de Harry Potter comportará sete volumes, quatro dos quais já publicados. No primeiro, Harry Potter e a Pedra Filosofal , pode-se ler como Harry, órfão de um ano de idade, é adotado por tios que o desprezam por ser um bruxinho e o tratam com brutalidade. Contam-lhe que seus pais morreram num acidente de carro. Porém, quando completa 11 anos, fica sabendo que, de fato, seus pais não morreram num desastre, mas assassinados por um bruxo maléfico, Lord Voldemort. Harry só escapou da morte graças ao sacrifício de sua mãe, que o protegeu com seu corpo. Restou-lhe, porém, impressa na testa uma cicatriz em forma de raio, a qual lhe provoca dores cruciantes sempre que Lord Voldemort está em seu encalço. Convidado a freqüentar a Escola de Feitiçaria de Hogwarts, torna-se amigo de Rony e Hermione, dois bruxinhos de mesma idade, e com eles experimenta toda espécie de aventuras.

Tais aventuras, que ocorrem ao longo dos sucessivos anos letivos na Escola de Bruxaria de Hogwarts, vão crescendo gradualmente em suspense. Tanto o segundo volume, Harry Potter e a Câmara dos Segredos, quanto o terceiro, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, têm seu ponto alto em enfrentamentos de Potter com seu antagonista Voldemort. No quarto volume, Harry Potter e o Cálice de Fogo, a fantasia das peripécias não encontra limites e o grau de preternatural demoníaco vai se acentuando cada vez mais, culminando na cena da reencarnação de Lord Voldemort.

Numa ação horripilante, durante a noite e num cemitério, o bruxo maléfico — que estava reduzido a uma espécie de esquálido e hediondo ser fetal, de olhos vermelhos e pele escamosa — readquire seu corpo inteiro a partir de um elixir. Os ingredientes deste são ossos retirados do túmulo de seu pai, de carne da mão (decepada no momento) de Rabo de Verme, o único servo que lhe restara, e o sangue retirado das veias de Harry Potter, que, amarrado numa pedra sepulcral, assiste impotente à cena, enquanto a cobra Nagini, igualmente servidora e companheira inseparável de Voldemort, arrasta-se célere em torno do sepulcro.

A luta entre o mal … e o mal

Potter surge ao longo da obra — toda ela túmida de preternatural e de cenas horripilantes, onde seres hediondos aparecem a cada instante — como um menino eleito. Sim, porque não se trata de um menino como os outros. É um aprendiz de feiticeiro, mas bonzinho. Com seus amigos, igualmente bruxinhos, vai à escola (de bruxaria, bem entendido) , participa de jogos, escreve cartas a seus conhecidos, sofrendo porém, continuamente, insídias e ataques pérfidos de bruxos das trevas, oscomedores da morte, comandados por Lord Voldemort.

Assim se apresenta na obra a perspectiva da suposta luta entre o “bem e o mal”, por onde Potter e seus amigos seriam bruxos do bem. Os bruxos do mal são violentos e odientos; os do bem, o mais das vezes, benévolos e pacíficos. Sim, porque às vezes Harry se deixa levar pelo ódio. Em relação ao professor Snape, um de seus piores inimigos, “ele imagina como as coisas mais terríveis poderiam atingi-lo… Se ele pelo menos soubesse como funciona a maldição Cruciatus, … esmagaria Snape no chão, como esta aranha, e o faria debater-se” .

Ademais, trata-se aqui de bruxos bons, que convivem em harmonia plena com toda espécie de horrores e monstruosidades. Um exemplo: Lupin, um dos professores preferidos de Potter, mestre de “Proteção contra Artes Mágicas”, acaba se revelando lobisomem, e por isso é obrigado a abandonar a escola. Para grande pesar de Potter…

Confusão entre a noção de bem e de mal

Esse é um dos aspectos mais graves e deletérios da obra de J. Rowling: a relativização do conceito de bem e mal. Com efeito, a luta entre um e outro se desenvolve: a) não no plano dos princípios da moral, mas no da violência/não-violência; b) num mundo sem Deus, diferente daquele onde vivem os trouxas, homens profanos à bruxaria, ou seja, os cristãos.

Por outro lado, a despretensão e a coragem, a simplicidade e a intrepidez de Potter, um menino desvalido e perseguido à outrance por um bruxo maléfico e poderoso, ademais do enredo cheio de surpresas e de momentos de grande suspense, são uma isca poderosa que prende o leitor jovem e encadeia-o na leitura de textos absolutamente repugnantes, introduzindo-o e adaptando-lhe a mente ao mundo da bruxaria e da magia. É o mundo no qual existe uma reversibilidade contínua entre o bem e o mal, o belo e o horrendo. Ora, essa reversibilidade não é outra coisa senão a doutrina gnóstica em estado puro, doutrina essa reiteradamente condenada pela Igreja Católica desde os primórdios do Cristia nismo.


A exigüidade deste artigo não permite longas e exaustivas citações. Porém, alguns trechos tirados dos quatro volumes de Harry Potter talvez possam transmitir uma idéia do teor da obra e de seu caráter pernicioso, sobretudo pa ra as crianças11.

Os “dementadores”: esvaziadores de mentes

Do cárcere escapara um prisioneiro tido como assassino implacável. Sirius Black, o delinqüente foragido, estaria à procura de Potter para matá-lo. Preocupado com a segurança deste, o diretor da Escola de Bruxaria de Hogwarts manda vir os temíveis guardas da prisão de bruxos de Azkaban, os assim chamados dementadores, para que vigiem o castelo. O pequeno bruxo toma contato com um dos guardas numa viagem de trem, quando se dirigia à escola para o início do ano letivo:

Encontrava-se de pé junto à porta, iluminada pelas chamas bruxuleantes que vinham das mãos de Lupin, uma figura envolta num manto e que chegava até o teto. Sua face estava totalmente escondida sob o capuz. Os olhos de Harry voltaram-se para o alto, e o que ele viu fez seu estômago revirar. Havia uma mão saindo da capa, e ela brilhava, cinzenta, gosmenta e escalavrada, como algo morto que tivesse apodrecido na água. … E a coisa envolta pelo capuz, qualquer que ela fosse, respirou longa e matraqueadamente, como se estivesse tentando sorver algo mais do que o ar ambiente. Um frio intenso envolveu a todos. Harry sentiu a respiração presa em seu peito. O frio lhe atravessava a pele, estava dentro de seu peito, dentro de seu próprio coração” .

Os “dementadores” esvaziam a mente de seus vigiados. Daí o nome. O pavor que o “dementador” de Azkaban incutiu foi de tal modo intenso, que Harry caiu desmaiado. É como se tivesse contemplado um demônio.

De fato, um demônio e sua ação não seriam descritos de modo diferente. Lupin, o lobisomem, explica a seus alunos que os “dementadores”“estão entre as criaturas mais malignas que vagam pela terra. Infestam os lugares mais escuros e imundos, se comprazem com a decomposição e o desespero, tiram a paz, a esperança e a felicidade do ar à sua volta. Até os trouxas sentem sua presença, embora não possam vê-los. … Se puder, o dementador se alimentará de você o tempo suficiente para transformá-lo em algo semelhante a ele, um ser sem alma e pérfido”.

O padrinho de Harry

Harry descobre por fim que Sirius Black não estava à sua procura para lhe fazer mal. Pelo contrário, é seu padrinho e fora um dos melhores amigos de seu pai. Assim Rowling traça o perfil de Sirius Black — um bruxo que, quando necessário, toma a forma de um imenso cachorro —, com o qual Potter deseja doravante morar:

Uma massa de cabelos imundos e emplastrados lhe caía até a altura dos cotovelos. Se os olhos não estivessem brilhando do fundo das escuras covas oculares, ele bem que poderia ser tomado por um cadáver. A pele ensebada estava de tal modo esticada sobre os ossos de sua face, que esta parecia uma caveira. Um sorriso irônico fazia aparecer-lhe os dentes amarelados. Era Sirius Black” .

Harry e o diálogo com as serpentes

Um dos animais que mais horroriza o homem é a serpente. Foi sob a forma deste réptil que o demônio tentou Eva. E desde a queda original a cobra simboliza o maligno. Por isso mesmo, a representação da serpente encontra-se em todos os ritos satânicos. Porém, quando se trata de Potter, o aspecto tenebroso do trato com as cobras como que desaparece. E vem apresentado pela autora como uma qualidade a mais de Harry, ofidioglota à maneira de Lord Voldemort, o bruxo das trevas que domina a “língua das cobras” e com elas conversa. O que faz de Harry um bruxo muito especial. Seus colegas o interpelam a respeito:

“— Um ofidioglota! — disse Rony. — Você é capaz de falar com as cobras!

Eu sei. Quero dizer, é a segunda vez que faço isso. Uma vez no zoológico eu açulei, por acaso, uma jibóia contra o meu primo Dudley, uma longa história… ela estava me contando que nunca tinha estado no Brasil, e eu meio que a soltei sem querer”.

Universo de coisas asquerosas: plantas purulentas…

O asqueroso — e não mais a contínua procura do bonum, verum, pulchrum (bom, verdadeiro, belo), que deve ser o objeto de uma sólida educação — está igualmente presente nas aulas a que Harry assiste em Hogwarts.

A professora Sprout, “uma bruxinha atarracada que usava um chapéu remendado sobre os cabelos soltos, que geralmente tinha uma grande quantidade de terra nas roupas, e cujas unhas fariam tia Petúnia desmaiar”, mostra “aos alunos as plantas mais horríveis que Harry jamais houvera visto. De fato, elas se pareciam menos com plantas do que com gigantescos caramujos que se elevavam verticalmente do solo, contorcendo-se e dobrando-se. Em suas hastes traziam pústulas grandes e brilhantes, cheias de uma substância líquida.

— ‘Essas plantas são os Bubotubler, disse-lhes vivamente a professora Sprout. ‘Elas devem ser espremidas. Aí vocês podem recolher o pus…

— ‘O quê?’, perguntou Seamus Finnigan com nojo.

— ‘O pus, Finnigan, o pus’, respondeu a professora Sprout, ‘e ele é altamente valioso, portanto não o joguem fora. É preciso recolhê-lo’.

Espremer os Bubotubler foi uma tarefa asquerosa, mas que produzia de certo modo contentamento. De cada uma das pústulas, que espremiam, corria uma grande quantidade de líquido verde-amarelo, que recendia fortemente a gasolina…” 17.

… Rony e as lesmas

O nojento está presente ao longo de toda a obra. Rony, o grande amigo de Harry, lança um feitiço contra um colega que o odeia. Porém, sua varinha de condão bate-lhe no corpo e o efeito volta-se contra ele. E passa a vomitar ininterruptamente vermes:

Rony abriu a boca para falar, mas não saiu nada. Em vez disso, soltou um poderoso arroto e várias lesmas caíram de sua boca para o colo. O time da Sonserina ficou paralisado de tanto rir. … Draco caíra de quatro, dando murros no chão. Os alunos da Grifinória agrupavam-se em torno de Rony, que não parava de arrotar lesmas enormes” .

Banquete na masmorra: macabro aliado ao nojento

Em Harry Potter o repugnante não encontra barreiras nem limites. Assim Harry descreve um banquete para o qual ele e seus amigos haviam sido convidados. Na descrição do banquete, que se realiza nas masmorras do castelo de Hogwarts, nota-se novamente a mistura do belo com o hediondo, quando a autora se refere por exemplo aos peixes podres servidos em travessas de prata:

A masmorra continha centenas de pessoas esbranquiçadas e translúcidas, a maioria deslizando por uma pista de dança, valsando ao som medonho de trinta serrotes musicais, tocados por uma orquestra reunida em cima de uma plataforma drapeada de negro. … Parecia que estavam entrando numa câmara frigorífica. … Passaram por um grupo de freiras soturnas, um homem vestido de trapos que usava correntes e o Frade Gordo, o alegre fantasma da Lufa-Lufa, que conversava com um cavalheiro que tinha uma flecha espetada na testa. Harry não se surpreendeu ao ver que os outros fantasmas se distanciavam do Barão Sangrento, um fantasma da Sonserina, muito magro, de olhos arregalados e coberto de manchas de sangue prateado. … Do lado oposto da masmorra havia uma longa mesa, também coberta de veludo negro. Aproximaram-se pressurosos, mas no instante seguinte pararam de chofre, horrorizados. O cheiro era bem desagradável. Grandes peixes podres estavam dispostos em belas travessas de pratas; bolos carbonizados arrumados em salvas; havia uma grande terrina de picadinho de miúdos de carneiro cheio de vermes… e o orgulho do buffet, um enorme bolo cinzento em forma de sepultura, com os dizeres em glacê de asfalto” .

Um “fogo agradável” e uma língua imensa e gosmenta de serpente

Com a permissão de seus parentes trouxas, Potter deve passar parte de suas férias em casa de uma família de bruxos, seus amigos. Esses chegam através da lareira. Na saída, um dos colegas de Harry deixa cair de propósito uma bala enfeitiçada, logo engolida por seu primo trouxa, o guloso Dudley. Aqui, ao nojento une-se o horror. A língua do menino cresce e incha, a ponto de ficar como uma imensa serpente píton gosmenta.

“ ‘Até logo’, disse Harry, e colocou os pés nas chamas verdes. Eram agradáveis e transmitiam uma sensação de um sopro quente. Neste momento, porém, ouviu-se um horrível som de engasgo, e a tia Petúnia começou a gritar. Harry voltou-se. Dudley … estava ajoelhado junto à mesa de café, engasgado com uma coisa comprida, avermelhada e gosmenta que lhe saía da boca. Harry viu logo que esta coisa gosmenta era a língua de Dudley” .

Os diabretes da Cornualha: espírito diabólico de destruição

Em meio a toda espécie de seres estranhos que aparecem ao longo dos quatro volumes já editados, como os animagi (homens que se transformam em animais), os hipogrifos (seres meio cavalo, meio águia), as aranhas do tamanho de cavalos e árvores que chicoteiam etc., entram em cena também diabretes. Uma maneira eufemística de falar do demônio.

Assim, Lockhart, professor de Proteção contra Artes Mágicas, traz um dia para a sala de aula diabretes de cor azul-elétrico, diabolicamente astutos, de vinte centímetros de altura:

Foi um pandemônio. Os diabretes disparavam em todas as direções como foguetes. Dois deles agarraram Neville pelas orelhas e o ergueram no ar. Vários outros voaram direto pelas janelas, fazendo cair uma chuva de estilhaços de vidro. Os demais se puseram a destruir a sala de aula com mais eficiência do que um rinoceronte desembestado. Agarraram tinteiros e salpicaram a sala de tinta, picaram livros e papéis, arrancaram quadros das paredes, viraram a cesta de lixo, pegaram as mochilas e os livros e os atiraram contra as vidraças quebradas; em poucos minutos, metade da classe estava abrigada embaixo das carteiras, e Neville pendurado no teto pelo lustre de ferro” .

Se a autora quisesse preparar seus jovens leitores para uma real aparição do demônio, poderia perfeitamente ter escrito o que escreveu.

Antítese entre antecâmara do inferno e pré-figura do Céu

Tal é o mundo de horrores proposto — com base numa gigantesca máquina de propaganda mediática — a dezenas de milhões de leitores de Harry Potter nos cinco continentes da Terra. Um mundo dominado pela magia, habitado por seres que parecem brotados de uma mente alucinada, no qual, por assim dizer, todos os sentidos são agredidos pelo monstruoso, de modo tal que já se vai tendo uma antevisão e um antegosto do que possa ser o inferno.

Os grossos volumes de Harry Potter procuram de modo sutil incutir no leitor a idéia de que o mundo real é invisível e mágico, no qual vivem os bruxos. Aí é que as coisas de fato importantes se decidem. A sociedade dos trouxas, dos homens comuns, constituiria um mundo de segunda classe, estúpido, sem graça, banal.

A obra da escritora Joanne Rowling toma assim um caráter de iniciação nos mistérios da feitiçaria, da magia e do ocultismo, enquanto porta de acesso a este novo mundo anticristão, que não é outra coisa senão uma pré-figura do reino do demônio.

Objetar-se-á que o reino de bruxos e feiticeiras desvendado em Harry Potter não passa de mera fantasia de literatura infanto-juvenil. Sem dúvida. Mas também é indubitável que tal fantasia prepara — e de modo possante — as almas para um estado de coisas que se encontra bem exatamente nos antípodas do Reino de Maria previsto por Nossa Senhora em Fátima. E anelado por grandes santos como São Luís Grignion de Montfort e eminentes pensadores católicos como o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Sim, do Reino de Maria, futuro ápice da Cristandade, quando Nossa Senhora reinará sobre os corações, fazendo da sociedade humana uma antecâmara do Céu.

Notas

1. Título original inglês: Harry Potter and the Goblet of Fire. As citações deste volume no presente artigo foram extraídas da edição alemã Harry Potter und der Feuerkelch, Carlsen, Hamburg, 2000.

2. Ver por exemplo: “O Estado de S. Paulo”, 23-6-2001, Caderno 2.

3. Engana-se rotundamente quem pensar que a leitura de Harry Potter atrai somente crianças e jovens. De fato, pessoas de todas as idades estão lendo essa obra. Norbert Blum, ex-Ministro do Trabalho da Alemanha e membro do CDU, referindo-se ao sucesso da série, declarou: “Depois que devorei os três primeiros volumes, não estou de modo algum surpreso com o seu sucesso. Pois esses livros são todos eles um exercício em matéria de assombro. E o assombro é o veículo que transporta as fábulas” (Stern, Hamburg, 41/2000)

4. “Diário das Leis”, São Paulo, 2a. edição, 1982

5. “Frankfurter Rundschau”, 20-11-2000.

6. Título original: Harry Potter and the Philosopher´s Stone

7. Títulos originais respectivamente: Harry Potter and the Chamber of Secrets, Harry Potter and the Prisoner of Azkaban.

8. Cfr. Harry Potter und der Feuerkelch, pp. 667 ss.

9. No currículo escolar das escolas secundárias constam matérias como História, Geografia, Inglês, Matemática, Física etc. Porém, na Escola de Bruxaria de Hogwarts os jovens alunos cursam disciplinas tais como Ciência das Ervas, Criação de Seres Mágicos, Predições, Aritmântica, História da Feitiçaria, Aula de Transformação (em outros seres), Parsel, ou a habilidade de falar com cobras, Curso de Poções Mágicas (o qual se revela uma verdadeira “tortura”: “As aulas de Poções Mágicas eram sempre uma experiência horrível, porém agora transformaram-se numa verdadeira tortura. Estar durante uma hora e meia trancado num calabouço com o professor Snape…” idem, p. 310).

10. Idem, p. 314.

11. O crítico literário de fama internacional Harold Bloom, professor da Universidade de Yale, considera que Potter não é aconselhável para quem esteja interessado em literatura, e muito menos para crianças: “O livro é uma massa de clichês que não pode fazer nenhum bem às crianças. Tudo isso começou por causa de Stephen King, que é um autor horrível. Ele escreveu uma resenha dizendo que os leitores de Harry Potter, com 12, 13 anos, estariam prontos para ler os livros dele aos 16 ou 17. E esta é exatamente a verdade” (“Jornal do Brasil”, 3/2/2001). Stephen King escreve livros de horror pesado. Tanto seus livros quanto os de Rowling estariam desde há muito no Index Librorum Prohibitorum do antigo Santo Ofício (hoje Congregação para a Doutrina da Fé), caso ele ainda estivesse vigente.

12. Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, Bloomsberry, London, 1999, pp. 93-94

13. Idem, p. 203

14. Idem, p. 365

15. Harry Potter e a Câmara Secreta, Rocco, Rio de Janeiro, 2000, p. 168

16. Idem, p. 181

17. Harry Potter und der Feuerkelch, pp. 404-405.

18. Harry Potter e a Câmara Secreta, p. 100

19. Idem, pp. 116-117)

20. Harry Potter und der Feuerkelch, pp. 53-54

21. Harry Potter e a Câmara Secreta, pp. 91-92


Maravilhoso, o real e o horrendo na literatura infantil

Plinio Corrêa de Oliveira

As histórias, todos o sabem, são os primeiros contatos das crianças com a vida. Através delas, a inteligência infantil transpõe os limites do ambiente doméstico e apreende as noções iniciais sobre a sociedade humana, com as inúmeras diferenciações que comporta, as atrações que oferece, os deveres que impõe, as decepções que traz, e o jogo complicado das paixões nos altos e baixos desta grande luta que é a existência. “Militia est vita hominis super terram” [A vida do homem sobre a terra é uma luta], diz a Sagrada Escritura (Job 7,1). “Militia”, sim, em que uns lutam por seus interesses pessoais, legítimos ou ilegítimos, e outros lutam contra o mundo, contra o demônio, contra a carne, para a maior glória de Deus.

Daí haver importância essencial, para uma civilização católica, em proporcionar às crianças uma literatura profundamente e sadiamente religiosa. Não falamos apenas do curso de Catecismo e História Sagrada, que deve ser o centro de tudo, mas de histórias que fossem como que o comentário, o prolongamento, a aplicação do que a Religião ensina.

Isto, em termos de boa doutrina, é o normal. Quanto é evidente, porém, que a caudal da literatura infantil moderna está longe disto!

Desejando tratar hoje da literatura infantil nesta seção, que não é de crítica literária, fazemo-lo analisando algumas destas ilustrações.

Antes de tudo, uma composição de Walt Disney. É a Cinderela, que vai com seu Príncipe rumo ao castelo encantado. É o maravilhoso na literatura infantil.

Haveria restrições a fazer. Em princípio, o que se oferece à criança deve tender a amadurecê-la, sob pena de não ser inteiramente sadio. Alguma coisa no cocheiro, no lacaio, na estrutura do morro e dos edifícios dá idéia de coisa feita não só para crianças, mas por crianças. E isto se nota, embora menos claramente, nos outros elementos da cena.

Mas, feita esta reserva, como não elogiar o gosto, a delicadeza, a variedade desta composição? O maravilhoso, indispensável nos horizontes infantis como meio de apurar o senso artístico, elevar o espírito, abrir o descortinio, estimular sadiamente a imaginação, está aqui expresso com um tato e um gosto notáveis.

(Extraído da Revista Catolicismo )


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