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23 de out. de 2011

CRIADOS PARA A ALEGRIA


I. A ANTÍFONA DE ENTRADA da Missa1 convida-nos à alegria e aponta-nos o caminho para encontrá-la: Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor. Recorrei ao Senhor e ao seu poder, buscai continuamente o seu rosto. Quando não procuramos a Deus, é impossível estarmos contentes. A tristeza nasce do egoísmo, da ânsia de compensações, do descuido das coisas de Deus e das dos nossos irmãos os homens..., em resumo, de estarmos preocupados apenas com as nossas coisas.

No entanto, o Senhor criou-nos para a alegria. Quanto mais para junto de Si nos chama, mais alegres nos quer. Já no Antigo Testamento se anuncia: Não temas, terra de Judá, exulta e alegra-te, porque o Senhor vai fazer grandes coisas [...]. E vós, filhos de Sião, exultai e alegrai-vos no Senhor, vosso Deus, porque Ele vos dá as chuvas no tempo oportuno e faz cair chuvas copiosas sobre vós, as chuvas do outono e as da primavera, como dantes2.

Para nós, cristãos, a alegria é uma verdadeira necessidade. Quando a alma está alegre, abre-se e ganha asas para voar para Deus e para exceder-se no serviço aos outros; um coração alegre está mais perto de Deus, dispõe-se a levar a cabo grandes tarefas e é estímulo para os seus irmãos. Por isso São Paulo repetia aos primeiros cristãos: Alegrai-vos incessantemente no Senhor; outra vez vos digo, alegrai-vos3. Por outro lado, no meio das grandes contradições que se abatiam sobre eles, a alegria era a sua fortaleza e o melhor meio de atraírem os outros à fé.

A tristeza não resulta das dificuldades ou sofrimentos mais ou menos graves, mas de se deixar de olhar para Jesus. São Tomás ensina que este mal da alma é um verdadeiro vício causado pelo desordenado amor de si próprio e é causa de muitos outros males4. É como uma planta que, atingida na raiz pela praga, só produz frutos amargos. A tristeza ocasiona muitas faltas de caridade.

“O que é preciso para conseguir a felicidade não é uma vida cômoda, mas um coração enamorado”5, pois a alegria é o primeiro efeito do amor, e a tristeza o fruto estéril do egoísmo, da falta de amor, numa palavra. “A tristeza move à ira e à contrariedade, e assim percebemos que, quando estamos tristes, facilmente nos incomodamos e nos irritamos por qualquer coisa; mais ainda: a tristeza enche o homem de suspeitas e de malícia, e algumas vezes perturba-o de tal maneira que parece que o deixa sem domínio próprio e fora de si”6.

A alma entristecida cai com facilidade no pecado e fica sem forças para o bem; caminha com certeza para a derrota. Assim como a traça corrói o vestido, e o caruncho a madeira, assim a tristeza prejudica o coração do homem7. Se alguma vez sentimos que esta doença da alma nos ronda ou já se introduziu em nós, examinemos onde está colocado o nosso coração.

“«Laetetur cor quaerentium Dominum» – Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor.

“– Luz, para que investigues os motivos da tua tristeza”8.

Como é difícil estar triste – mesmo no meio da dor, da pobreza, da doença... – quando de verdade se caminha com o olhar posto no Senhor e se é generoso naquilo que Ele nos pede nas diversas situações, algumas talvez humanamente difíceis! Como São Paulo, poderemos sempre dizer: Estou cheio de consolação, estou inundado de alegria no meio de todas as nossas tribulações9. Se na nossa vida realmente procuramos o Senhor, nada poderá tirar-nos a paz e a alegria. A dor purificará a alma e as próprias penas se converterão em gozo.

II. LAETETUR COR quaerentium Dominum..., alegre-se o coração dos que procuram o Senhor.

O Evangelho da Missa deste domingo10 convida à alegria, porque é um apelo ao amor. O mandamento do amor é ao mesmo tempo o da alegria, pois esta virtude “não é diferente da caridade, mas um certo ato e efeito seu”11. Por isso, um dos elementos mais claros para medirmos o grau da nossa união com Deus é verificarmos o nível de alegria e bom humor que pomos no cumprimento do dever, no trato com os outros, à hora de enfrentarmos a dor e as contrariedades.

Quando os fariseus se aproximaram de Jesus e lhe perguntaram qual era o principal mandamento da lei, Jesus respondeu-lhes:Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças. O segundo é semelhante a ele: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. É disto que precisamos: de procurar o rosto de Deus com tudo o que temos e somos, e de servir o nosso próximo, abrindo-nos a ele e esquecendo-nos de nós mesmos, fugindo da preocupação obsessiva pelo conforto, abandonando a nossa vaidade e orgulho, colocando o olhar longe de nós mesmos..., amando.

Muitos pensam que serão mais felizes quando possuírem mais coisas, quando forem mais admirados..., e se esquecem de que só necessitamos de “um coração enamorado”. E nenhum amor pode saciar o nosso coração – que foi feito por Deus para alcançar a sua plenitude nos bens eternos – se vier a faltar o Amor com maiúscula. Os outros amores limpos – se não forem limpos, não serão amor – só adquirem o seu verdadeiro sentido quando se procura o Senhor sobre todas as coisas. É por isso que nem o egoísta, nem o invejoso, nem quem tem colocada a sua alma nos bens da terra... podem saborear a alegria que Jesus prometeu aos seus discípulos12, porque não saberão amar, no sentido mais profundo e nobre da palavra. “Quando é perfeito, o amor tem esta força: leva-nos a esquecer o nosso próprio contentamento para contentar Aquele a quem amamos. E verdadeiramente é assim, porque, ainda que sejam grandíssimos os trabalhos, se nos afiguram doces quando percebemos que contentamos a Deus”13.

Senhor, minha rocha, meu refúgio, meu escudo, minha força de salvação, meu baluarte... Eu te amo, Senhor, Tu és a minha fortaleza14, rezamos ao Senhor com as palavras do Salmo responsorial. NEle encontramos a segurança e tudo aquilo de que precisamos, como também a alegria e a paz em qualquer situação. Por isso, não deixemos nunca de procurá-lo, diariamente, num trato pessoal e íntimo. A estabilidade da nossa alegria depende disso.

III. A ALEGRIA E A PAZ que bebemos nessa fonte inesgotável que é Cristo, temos de levá-las aos que Deus colocou mais perto de nós, isto é, aos nossos lares, que nunca devem ser tristes nem tenebrosos, nem tensos pelas incompreensões e egoísmos, mas “luminosos e alegres”15, como foi aquele em que Jesus viveu com Maria e José.

Quando se diz em linguagem figurada que esta ou aquela casa “parece um inferno”, vem-nos logo à mente um lar sem amor, sem alegria, sem Cristo. Um lar cristão deve ser alegre, porque nele está o Senhor que o preside, e porque ser discípulo seu significa, entre outras coisas, viver essas virtudes humanas e sobrenaturais a que está tão intimamente unida a alegria: generosidade, cordialidade, espírito de sacrifício, simpatia, empenho por tornar mais amável a vida de todos...

Temos também de levar esta alegria serena, resultado de um trato diário com o Senhor, ao nosso lugar de trabalho, às relações com os clientes, aos que nos perguntam na rua que horas são ou que condução devem tomar para ir a tal bairro... São muitos os que se encontram tristes e inquietos e que precisam, antes de mais nada, de ver a alegria que o Senhor nos deixou para se porem também eles a caminho. Quantas pessoas não descobriram o caminho que conduz a Deus através da alegria cristã feita vida num companheiro de trabalho, num amigo...!

Esta felicidade cristã é também o estado de ânimo necessário para cumprirmos as nossas obrigações. E quanto mais elevadas forem, tanto mais deverá elevar-se a nossa alegria16; quanto maiores forem as nossas responsabilidades (pais, sacerdotes, superiores, professores...), tanto maior será também a obrigação de termos essa alegria para comunicá-la. O rosto do Senhor devia resplandecer sempre de alegria, e a sua paz manifestou-se mesmo na sua Paixão e Morte. Também nesses momentos quis dar-nos exemplo, para que o imitássemos se alguma vez o caminho da nossa vida se torna íngreme.

O recurso à nossa Mãe Santa Maria – Causa nostrae laetitiae, Causa da nossa alegria – permitir-nos-á encontrar facilmente o caminho da paz e da felicidade verdadeiras, se alguma vez o perdemos. Compreenderemos imediatamente que esse caminho que conduz à alegria é o mesmo que leva a Deus.

(1) Sl 104, 34; Antífona de entrada da Missa do trigésimo domingo do Tempo Comum, ciclo A; (2) Joel 2, 21-23; (3) Fil 4, 4; (4) cfr. São Tomás de Aquino,Suma teológica, II-II, q. 28, a. 4; (5) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Sulco, n. 795; (6) São Gregório Magno, Moralia, 1, 31, 31; (7) Prov 25, 20; (8) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Caminho, n. 666; (9) 2 Cor 7, 4; (10) Mt 22, 34-40; (11) São Tomás de Aquino, Suma teológica, II-II, q. 28, a. 3; (12) cfr. Jo 16, 22; (13) Santa Teresa, Fundações, 5, 10; (14) Sl 17, 2-4; 47; 51; Salmo responsorialda Missa do trigésimo domingo do Tempo Comum, ciclo A; (15) cfr. Bem-aventurado Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 22; (16) cfr. P. A. Reggio,Espíritu sobrenatural y buen humor, pág. 24.

22 de out. de 2011

A feminização da família


William O. Einwechter
O feminismo é um movimento radical. Como tal, ele atinge até as raízes do relacionamento entre homem e mulher, e busca alterar a estrutura social e institucional, que é percebida como conflitante com as ideias e objetivos do feminismo. Janet Richards declara que “O feminismo é em sua natureza radical... nós protestamos primeiramente contra as instituições sociais... se considerarmos o passado não há dúvida de que toda a estrutura social foi planejada para manter a mulher inteiramente sob a dominação do homem.”[1] Sendo uma ideologia radical, o objetivo do feminismo é a revolução. Gloria Steinem fala pelas feministas quando diz: “Pregamos uma revolução, não apenas uma reforma. É uma mudança mais profunda que qualquer outra.”[2] As feministas querem criar uma “nova sociedade” onde as condições restritivas sociais do passado sejam para sempre removidas.[3] Quão bem sucedidas as feministas foram em promover sua agenda de revolução social? Davidson diz: “Hoje, o feminismo é a ideologia de gênero da nossa sociedade. Desde as universidades até as escolas públicas, da mídia até as Forças Armadas, o feminismo decide as questões, determina os termos do debate, e intimida oponentes em potencial ao ponto de fazer com que todos fiquem em silêncio absoluto.”[4]
A instituição social que o feminismo tem mirado como uma das mais opressivas a mulher é a família tradicional. Por “família tradicional” queremos dizer a estrutura familiar desenvolvida na sociedade Ocidental, sob a influência direta do Cristianismo e a Bíblia. Na família tradicional, o homem é o cabeça do lar e o responsável por prover as coisas necessárias para o sustento da vida. A mulher é a “mantenedora do lar”, e sua principal responsabilidade é o cuidado com as crianças. A família tradicional assim definida é de acordo com o plano bíblico para o lar. As feministas odeiam a família que é padronizada de acordo com a Palavra de Deus porque é contrária a tudo que aceitam como verdade. Portanto, seu objetivo é a destruição total da família tradicional. A feminista Roxanne Deunbar disse claramente: “Em última análise, queremos destruir os três pilares da sociedade de classes e castas — a família, a propriedade privada, e o estado.”[5] As feministas buscam subverter a família tradicional, e no seu lugar almejam uma instituição social radicalmente diferente que seja moldada segundo o dogma feminista.
Quando consideramos a natureza radical do feminismo e da sua agenda para subverter a família que é estruturada segundo o modelo bíblico, seria sábio parar um pouco e refletir o quão bem sucedidas as feministas têm sido em remodelar a família de acordo com o seu próprio desígnio. O fato é que na sociedade ocidental o feminismo tem sido enormemente bem sucedido em destruir a família tradicional. A feminização da família já foi estabelecida! Por “feminização da família” queremos dizer o moldar da família de acordo com as crenças e objetivos do feminismo. Essa feminização ocorreu nos últimos trinta anos e com pouca oposição dos homens. Os homens sumiram amedrontados com as acusações feministas de sexismo, repressão, tirania e exploração, como um covarde fugiria diante de acusações de determinado inimigo em campo de batalha. Nada parece ter aterrorizado tanto os homens do que penetrantes e irados olhares e palavras das militantes feministas.
Agora, quando dizemos que a feminização da família já foi estabelecida, não queremos dizer que as feministas alcançaram totalmente seus objetivos em relação à família. Queremos dizer, no entanto, que uma revolução na vida da família por influência feminista e de acordo com a ideologia feminista já foi estabelecida na sociedade ocidental. Hoje, a instituição social da família está mais alinhada com a visão de Betty Friedan do que com os ensinamentos do apóstolo Paulo. Isso representa um triunfo (pelo menos parcial) da visão radical feminista de revolução social.
A feminização da família é observada em pelo menos seis áreas:
1. O casamento foi desestabilizado, e o divórcio está em crescimento.
A “demonização” feminista do casamento fez do divórcio algo “socialmente e psicologicamente aceitável, através da ideia de que é uma possível solução para uma instituição defeituosa e já em seu leito de morte.”[6] O ensinamento bíblico de que o casamento é uma instituição divina e pactual que une homem e mulher para o resto da vida através de um voto sagrado (Gen. 2:18-24; Mat. 19:3-9) foi repudiado pela sociedade moderna. O conceito bíblico foi substituído pela noção de que o casamento é uma mera instituição humana, e por isso imperfeita, e que o divórcio é uma forma aceitável de lidar com qualquer problema associado ao casamento.
2. A liderança masculina na família foi substituída por uma organização “igualitária” onde marido e esposa “compartilham” as responsabilidades da liderança na família.
A ideia bíblica de que o homem é o cabeça da família (1 Cor. 11:3-12; Ef. 5:22-23) e senhor do seu lar (1 Pe. 3:5-6) é considerada pelas feministas algo tirânico e bárbaro, um vestígio do homem primitivo e sua habilidade de dominar fisicamente sua parceira. Nos nossos dias, a esmagadora maioria de tanto de homens quanto mulheres zombam da noção de que a esposa deve se submeter à autoridade do marido.
3. O papel do homem como provedor foi rejeitado, e introduzido um novo modelo de responsabilidade econômica compartilhada.
A visão da nossa era é que a mulher não tem menor responsabilidade do que o homem no dever de prover as necessidades financeiras da família. As feministas creem que o ensinamento bíblico de que o homem é o provedor da família (1 Tim. 5:9) é parte de uma conspiração masculina para manter as mulheres sob seu domínio por meio de medidas que as tornem economicamente dependentes dos homens.
4. A mulher como uma dona do lar de tempo integral é zombada, e a mulher que trabalha fora buscando realização e independência é agora a norma cultural.
O mandamento bíblico para que a mulher seja “dona do lar” (Tito 2:4-5) ou é desconhecido ou ignorado. Pessoas com a mentalidade feminista consideram algo indigno que uma mulher fique em casa e limite suas atividades à esfera do lar e da família. Uma carreira profissional é considerada mais conveniente e significante para as esposas e mães de hoje.
5. A norma bíblica da mulher como cuidadora de suas crianças foi substituída pelo ideal feminista de uma mãe que trabalha fora e deixa seus filhos na creche para que ela possa cuidar de outros assuntos importantes.
A responsabilidade do papel da mãe é vista em termos muito diferentes do que no passado. O chamado bíblico para a mãe estar com suas crianças, amá-las, treiná-las, ensiná-las, e protegê-las (1 Tim. 2:15; 5:14) é rejeitado pela visão feminista de uma mulher que foi libertada de tais limitações sobre sua individualidade e realização própria.
6. A ideia de que uma família grande é uma “bênção” é rejeitada por uma noção de que uma família pequena de um ou dois filhos (e para alguns, nenhum filho) é muito melhor.
O conceito de “planejamento familiar” objetivando reduzir o número de crianças num lar é defendido por quase todos. O ensino bíblico de que uma família grande é sinal de bênçãos e da soberania de Deus (Salmo 127; 128) é ignorado por famílias modernas, até mesmo aquelas se proclamam como cristãs. A visão feminista que nós determinamos o número de crianças que nós teremos, e que nós somos soberanos sobre esse assunto é agora aceita sem questionamento. E é claro, essa suposta soberania humana sobre a vida e o nascimento leva à justificação do aborto, que é o maior controle de natalidade de todos.
Sim, a feminização da família foi estabelecida no Ocidente! O conceito cristão de família foi substituído pela ideia feminista de família: o divórcio fácil substituiu a visão pactual do casamento; o igualitarismo substituiu a liderança masculina; o homem e a mulher como provedores em parceria substituiu o homem como provedor; a esposa e mãe que trabalha fora do lar substituiu a mulher como dona do lar; a mãe como uma empregada profissional substituiu a mãe como cuidadora de suas crianças; “planejamento familiar” e “controle de natalidade” substituíram a grande família.
Dois fatores contribuíram significantemente para o sucesso do feminismo na subversão da estrutura e prática familiar que é baseada na Bíblia.
O primeiro fator é a covardia dos homens; sim, até mesmo homens cristãos. Até certo ponto é compreensível (mesmo assim vergonhoso) que homens não-cristãos se acovardassem diante das feministas e seus ataques contra eles e a família tradicional. Mas que homens cristãos, que têm a Palavra de Deus, igualmente tenham se rendido é realmente lamentável. Deus chamou o homens para defenderam a Sua verdade no mundo e viverem Seus preceitos. Mas uma olhada no lar evangélico cristão comum revelará que até mesmos eles foram em grande parte feminizados. Feministas radicais e anticristãs transformaram nossos lares, e os homens cristãos quase não fizeram objeção a isso, nem disputaram por esse santo território, que é o padrão familiar bíblico. Além disso, maridos e pais cristãos também demonstraram covardia ao serem incapazes de liderar e assumir a responsabilidade que Deus entregou a eles. Eles estiveram mais que dispostos a abrir mão da carga total de liderança e provisão para suas famílias; eles estiveram mais que alegres de compartilhar (ou despejar) essas cargas com (ou sobre) suas esposas. A família foi feminizada porque homens cristãos abandonaram seus postos.
O segundo fator é o silêncio e a passividade da igreja. A feminização da família ocorreu em boa parte porque a igreja na maior parte do tempo esteve em silêncio sobre a questão. A igreja não resistiu os ataques feministas com a espada da Palavra de Deus. Ao invés disso, e vergonhosamente, a igreja abandonou seu posto diante da investida feminista, e na verdade até absorveu várias ideias feministas. A igreja vem sendo cúmplice ao ensinar coisas como um casamento igualitário, “planejamento familiar”, e por apoiar a ideia de mulheres profissionais e mães trabalhando fora. Muito da culpa deve ser depositada aos pés de pastores e anciãos que ou foram enganados ou se acovardaram de pregar ou se posicionar pela verdade concernente à família como Deus a revelou na Sua Santa Palavra. Feministas tem sido bem sucedidas em alterar a família porque a igreja falhou em viver e ensinar a doutrina bíblica positiva sobre a família e não expôs, denunciou, e respondeu as mentiras das feministas.
Qual deve ser a nossa resposta como cristãos diante da feminização da família? Nossa resposta começa com o reconhecimento de que isso aconteceu. Negar o fato não nos fará bem algum. Então, devemos assumir a tarefa de “desfeminização” da família e da “recristianização” da família. Essa tarefa é o dever de cada família cristã individualmente; mas é principalmente o dever de maridos e pais cristãos que foram escolhidos por Deus como líderes de seu lar. Homens devem liderar através de preceitos e exemplos na erradicação de todos os aspectos da influência feminista da vida e estrutura de suas famílias, e a restaurar segundo o padrão bíblico. Homens devem ser homens e tomar sobre si a carga total da responsabilidade confiada a eles por Deus. Homens devem parar de se intimidar com a retórica feminista e devem promover a ordem de Deus em suas famílias sem receio.
A tarefa de reconstrução da família de acordo com a Palavra de Deus também faz necessário que a igreja ensine fielmente o que a Bíblia diz sobre a família, e em muitos casos, a alterarem a estrutura de suas igrejas e ministérios (que também foram feminizados) para fortalecerem a família em vez de miná-la. Faz-se necessário que pastores e anciãos respeitam a instituição pactual da família, e parem de entregar o senhorio de suas famílias, e parem de perseguir aqueles homens que buscam uma “desfeminização” das suas próprias famílias. Faz-se necessário que pastores e anciãos sejam um exemplo para o rebanho na “desfeminização” das suas próprias famílias. E faz-se necessário que professores e pregadores com a coragem e a convicção de João Knox e João Calvino exponham as mentiras venenosas do dogma feminista e declararem e defendam o padrão bíblico para a família desde o púlpito.
1. Citado por Michael Levin em Feminism and Freedom (Feminismo e Liberdade) (New Brunswick, 1988), p. 19.
2. Idem.
3. Idem.
4. Nicholas Davidson, “Prefácio,” em Gender Sanity (Sanidade de Gênero), ed. Nicholas Davidson (New York, 1989), p. vi.
5. Citado por Rita Kramer em “The Establishment of Feminism,” (Estabelecendo o Feminismo) Gender Sanity (Sanidade de Gênero), p. 12 (ênfase acrescentada).
6. Levin, Feminism and Freedom (Feminismo e Liberdade), p. 277.



A FIGUEIRA ESTÉRIL



I. NAS VINHAS DA PALESTINA, costumavam-se plantar árvores junto com as cepas. E é num lugar desse tipo que Jesus situa a parábola do Evangelho da Missa de hoje1: Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi buscar fruto nela e não o encontrou. Isso já tinha acontecido anteriormente: plantada num lugar apropriado do terreno, rodeada de cuidados, a figueira, ano após ano, não dava figos. Então o dono mandou ao vinhateiro que a cortasse: Para que há de ocupar terreno em vão?

A figueira simboliza Israel2, que não soube corresponder aos cuidados que Javé, dono da vinha, lhe dispensava; representa também todo aquele que permanece improdutivo3 diante de Deus.

O Senhor colocou-nos no melhor lugar, onde podíamos dar mais frutos de acordo com as nossas condições e as graças recebidas, e, desde o momento da nossa concepção, fomos objeto dos maiores cuidados por parte do mais competente de todos os vinhateiros: deu-nos um Anjo da Guarda para que nos protegesse até o fim da vida, conferiu-nos – talvez poucos dias depois de termos nascido – a graça do Batismo, deu-se Ele próprio a cada um de nós em alimento na Sagrada Comunhão, ofereceu-nos uma formação cristã... São incontáveis as graças e favores que recebemos do Espírito Santo.

No entanto, é possível que o Senhor tenha motivos para queixar-se do pouco fruto, e talvez de um ou outro fruto amargo, que haja na nossa vida. É possível que a nossa situação pessoal tenha podido recordar vez por outra a triste parábola relatada pelo profeta Isaías:Cantarei ao meu amado o cântico dos seus amores pela sua vinha: O meu amado possuía uma vinha plantada numa colina fertilíssima. E cercou-a de uma sebe, e tirou dela as pedras, e plantou-a de cepas escolhidas. Edificou-lhe uma torre no meio e construiu nela um lagar; e esperava que desse boas uvas, mas só produziu agraços4, frutos amargos. Por que tão maus resultados, quando tinham sido tomados todos os cuidados para que desse bons frutos?

Apesar de tudo, Deus volta a tomar sucessivamente novos cuidados: é a paciência de Deus5 com a alma. Ele não desanima com as nossas faltas de correspondência, antes sabe esperar, pois conhece não só as nossas fraquezas, mas a capacidade que temos de fazer o bem. Nunca considera ninguém como perdido; confia em todos nós, ainda que nem sempre tenhamos correspondido às suas esperanças. Não nos disse Ele que não quebrará a cana rachada nem apagará a mecha que ainda fumega?6 As páginas do Evangelho são um contínuo testemunho dessa consoladora verdade: o Senhor trata-nos como à samaritana e a Zaqueu, procura-nos como o pastor em busca da ovelha perdida, acolhe-nos como o pai do filho pródigo...

II. SENHOR, DEIXA-A AINDA este ano, enquanto eu lhe cavo em volta e lhe lanço esterco, para ver se assim dá fruto... É Jesus quem intercede diante de Deus Pai por nós, que “somos como uma figueira plantada na vinha do Senhor”7. “Intercede o agricultor; intercede quando já o machado está levantado para cortar as raízes estéreis; intercede como Moisés diante de Deus... Mostrou-se mediador quem queria mostrar-se misericordioso”8, comenta Santo Agostinho. Senhor, deixa-a ainda este ano... Quantas vezes não se tem repetido esta mesma cena! Senhor, deixa-o ainda um ano...! “Saber que me amas tanto, meu Deus, e... não enlouqueci?!”9

Cada pessoa tem uma vocação particular, e toda a vida que não corresponde a esse desígnio divino perde-se. O Senhor espera correspondência a tantos desvelos, a tantas graças concedidas, embora nunca possa haver igualdade entre o que damos e o que recebemos, “pois o homem nunca pode amar a Deus tanto como Ele deve ser amado”10. Com a graça, podemos oferecer-lhe cada dia muitos frutos de amor: de caridade, de empenho apostólico, de trabalho bem feito...

Todas as noites, no nosso exame de consciência, temos de saber encontrar esses frutos pequenos em si mesmos, mas que o amor e o desejo de corresponder a tanta solicitude divina tornaram grandes. E quando partirmos deste mundo, “teremos que ter deixado impressa a nossa passagem, tornando a terra um pouco mais bela e o mundo um pouco melhor”11: uma família com mais paz, um trabalho que tenha significado um progresso para a sociedade, uns amigos fortalecidos na fé pela nossa amizade...

Vejamos na nossa oração: se tivéssemos que apresentar-nos agora diante do Senhor, estaríamos alegres, com as mãos cheias de frutos para oferecer ao nosso Pai-Deus? Pensemos no dia de ontem..., na última semana..., e vejamos se estamos repletos de boas obras feitas por amor a Deus, ou se, pelo contrário, uma certa dureza de coração ou o egoísmo de pensarmos excessivamente em nós impediu e impede que ofereçamos ao Senhor tudo aquilo que Ele espera de cada um de nós.

Sabemos muito bem que, quando não damos toda a glória a Deus, a existência converte-se num viver estéril. Tudo o que não se faz de olhos postos em Deus, perecerá. Aproveitemos hoje para fazer propósitos firmes: “Deus concede-nos talvez um ano mais para o servirmos. Não penses em cinco nem em dois. Pensa só neste: em um, no que começamos...”12, e que daqui a uns meses terminará.

III. NISTO É GLORIFICADO meu Pai, em que deis muito fruto e sejais meus discípulos13. Isto é o que Deus quer de todos: não aparência de frutos, mas realidades que permanecerão para além deste mundo: pessoas que conseguimos aproximar do sacramento da Penitência, horas de trabalho terminadas com profundidade profissional e pureza de intenção, pequenos sacrifícios durante as refeições – que manifestavam estarmos conscientes da presença de Deus e termos o corpo dominado por amor ao Senhor –, vitórias sobre os estados de ânimo, ordem nos livros, na casa, nos instrumentos de trabalho, empenho para que o cansaço de um dia intenso não influísse no ambiente, pequenos serviços aos que precisavam de ajuda... Não nos contentemos com as aparências; examinemos se as nossas obras – pelo amor que nelas colocamos e pela retidão de intenção – resistem ao olhar penetrante de Jesus. As minhas obras são fruto que corresponde às graças que recebo?: é a pergunta que poderíamos fazer na intimidade da nossa oração.

O tempo escoa-se, e temos de aproveitá-lo. Se São Lucas segue realmente uma ordem cronológica nos acontecimentos que narra, a parábola da figueira “foi dita imediatamente depois do problema proposto acerca do sangue dos galileus misturado por Pilatos com os sacrifícios, e acerca dos dezoito homens sobre os quais caiu a torre de Siloé (Lc 13, 4). Devia supor-se que esses homens eram especialmente pecadores, para merecerem tal sorte? O Senhor responde que não, e acrescenta: Mas se não fizerdes penitência, todos perecereis do mesmo modo.

“O que importa não é a morte do corpo, mas a disposição da alma que a recebe; e o pecador que, tendo-lhe sido dado tempo para arrepender-se, não faz uso dessa oportunidade, não se sai melhor do que se tivesse sido lançado repentinamente na eternidade, como aqueles homens”14.

Mas não podemos desanimar, porque, se “neste momento chega a parábola da figueira, que nos previne acerca de um limite para a longa paciência de Deus todo-poderoso, parece, no entanto, pelo que ouvimos do agricultor, que é possível intervir para suplicar que se prolongue o prazo da tolerância divina. Não resta dúvida de que isso é importante. Podem as nossas orações ser úteis para que o pecador alcance um prazo que lhe permita arrepender-se? Claro que podem”15.

E nós mesmos podemos interceder junto do Senhor para que se prolongue essa paciência divina com aquelas pessoas que talvez, com uma constância de anos, pretendemos que se aproximem de Jesus. “Portanto, não nos apressemos a cortar, mas deixemos crescer misericordiosamente, não aconteça que arranquemos a figueira que ainda pode dar fruto”16. Tenhamos paciência e procuremos servir-nos de todos os meios ao nosso alcance, humanos e sobrenaturais, no trabalho com essas pessoas que parecem tardar em empreender o caminho que leva a Jesus.

A nossa Mãe Santa Maria alcançar-nos-á, neste sábado de outubro em que tantas vezes recorremos a Ela, a graça abundante de que as nossas almas necessitam para dar mais fruto, e a que os nossos familiares e amigos também precisam para acelerarem o passo em direção ao seu Filho, que os espera.

(1) Lc 13, 6-9; (2) cfr. Os 9, 10; (3) cfr. Jer 8, 13; (4) Is 5, 1-3; (5) cfr. 2 Pe 3, 9; (6) Mt 12, 20; (7) Teofilacto, em Catena Aurea, vol. VI; (8) Santo Agostinho, Sermão 254, 3; (9) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Caminho, n. 425; (10) São Tomás de Aquino, Suma teológica, I-II, q. 6, a. 4; (11) Georges Chevrot, El evangelio al aire libre, Herder, Barcelona, 1961, pág. 169; (12) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 47; (13) Jo 15, 8; (14) Ronald A. Knox, Sermones pastorales, págs. 188-189; (15) ibid.; (16) São Gregório Nazianzeno, Oração 26, em Catena Aurea, vol. VI, pág. 135.

Fonte: http://www.hablarcondios.org/pt/meditacaodiaria.asp


21 de out. de 2011

Cardeal Zen em greve de fome diante dos abusos do governo chinês


HONG KONG, 21 Out. 11 / 01:55 pm (ACI/EWTN Noticias)

Desde a manhã de 19 de outubro, o Arcebispo Emérito de Hong Kong (China), Cardeal Joseph Zen Ze-kiun iniciou uma greve de fome devido a uma sentença da Corte Suprema que vulnera os direitos daIgreja sobre as escolas católicas.

A agência salesiana ANS informou que o Cardeal realiza a greve de três dias e três noites em frente à casa missionária dessa congregação, "Shau Kei Wan" de Hong Kong, expressando seu rechaço a uma decisão da Corte Suprema em matéria de educação.

Em 2004, o governo chinês ordenou que os colégios que recebem ajudas estatais fossem dirigidos por comitês independentes. A Igreja advertiu que tal medida contrariava seus direitos sobre as escolas católicas e apresentou um recurso que foi desprezado pela Corte Suprema de Hong Kong.

O Cardeal Zen advertiu que se finalmente a Igreja não puder ter o controle sobre suas instituições educativas, deverá renunciar por completo às mesmas, "que é provavelmente o que deseja a ditadura comunista", afirma a agência AICA.

A Emenda ao Regulamento sobre a instrução de 2004, implica introduzir na gestão dos institutos escolares um comitê organizativo que valorize o projeto das escolas, do qual participariam –além dos pais de família e os estudantes–, pessoas de fora da escola, comprometidos com o governo, correndo o risco de desviar a proposta educativa das escolas.

A lei oferece diversos benefícios, principalmente econômicos, às escolas que colocam em ato o regulamento, e segundo o governo permitirá uma maior transparência e uma melhor democracia.

Antes de iniciar a greve o Cardeal Zen Ze-kiun realizou uma conferência de imprensa dando os motivos de seu gesto. Depois de agradecer aos numerosos benfeitores que por muitos anos sustentaram a educação católica e de tantos missionários que ensinaram nelas o prelado declarou: "lamentamos que nossa reclamação não seja reconhecida. Dói-nos mas não nos desespera. Deus é o Senhor da história".

O cardeal Zen Ze-kiun, de 79 anos de idade e afetado por um distúrbio cardíaco, precisou que não obstante a greve de fome nestes três dias tomará líquidos e fará a comunhão diária. Trabalhadores da área de saúde permanecerão com o cardeal para monitorar suas condições.

ANS informou também que nos últimos dias em vários blogs informou-se maliciosamente sobre valores de doações recebidas pelo Cardeal Zen Ze-kiun nos últimos anos. Na conferência de imprensa o cardeal respondeu também precisando quais foram os fins aos que foram destinadas as contribuições.


Ou Penitência ou... Purgatório


(PADRE ALEXANDRINO MONTEIRO, S. J. )
I. Acerbidade das penas do Purgatório
Ouvindo Santo Agostinho alguns de seu tempo dizer que, se escapassem do inferno, do Purgatório não tinham tanto medo, encheu-se de zelo e lhes fez ver o grande erro em que estavam, pois as penas do Purgatório superam tudo o que há de mais penoso neste mundo.
E com razão, porque o fogo que atormenta as almas do Purgatório é o mesmo que o fogo que atormenta os condenados no inferno, somente com exceção da eternidade. E assim é que a Santa Igreja não duvida chamar às penas do Purgatório penas infernais [na Liturgia dos defuntos]. O fogo do Purgatório é aceso por um sopro infernal, e é tão ativo que não se chama simplesmente fogo, mas espírito de fogo (Is 4, 4), e derreteria num instante um monte de bronze, mais facilmente que uma de nossas fornalhas devoraria uma palha seca.
Tem ainda este fogo, além da atividade natural, uma potência superior, que lhe dá Deus, para servir de instrumento ao Seu furor: .....................(Is 15, 41).
Porém, diz o Senhor pelo profeta Zacarias, que Ele mesmo, mais que o fogo, purgará e limpará a alma eleita, ativando com Seu hálito as suas chamas: ............... (Zac 3, 9).
E qual não será o tormento das almas benditas naquele cárcere por meses e anos! Podemos fazer dele uma [longínqua] idéia, considerando que:
a) A alma, assim como é mais nobre que o corpo, é também mais capaz de sentir vivamente, seja a alegria, seja o sofrimento;
b) A alma unida ao corpo, se sente dor, sente-a temperada pelo mesmo corpo, e como que dividida entre ambos, servindo-lhe o corpo de escudo e anteparo da dor. Mas no Purgatório, estando longe do corpo, recebe diretamente sobre si toda a força da dor;
c) A alma unida ao corpo, se sofre no pé ou na mão ferida, não sofre na cabeça ou noutros membros sãos; mas no Purgatório, sendo indivisível e estando separada do corpo, é toda atingida pelas chamas.
Além do fogo, é a alma, no Purgatório, atormentada por si mesma, pensando:
a) Por quão ligeiras faltas está penando: por uma palavra inútil, por um olhar curioso, por uma intenção menos reta, que tão facilmente pudera evitar;
b) Que, podendo durante a vida tão facilmente descontar a pena merecida por suas faltas com praticar algumas ações meritórias, não o fez;
c) Que, deixando na terra filhos, amigos e herdeiros, que a deviam aliviar naquelas chamas, não o fazem, e só pensam em desfrutar dos bens que lhes deixou (Sl 30, 13). Com quanta razão se lamentará de não ter descontado os seus pecados, dando esmolas, e empregando em obras de caridade os bens que Deus lhe deu e que aumentou com tantos suores?
Sobre tudo isto, acresce o maior tormento do Purgatório, que é a privação da visão de Deus.
São João Crisóstomo disse (Hom. 24 in c. 7 Mat.) que o inferno do inferno é estar o condenado privado para sempre da visão de Deus. Assim também se pode dizer que o Purgatório do Purgatório é estar uma alma por muito tempo longe da visão de Deus. As almas são, pois, atormentadas por dois verdadeiros e profundíssimos sentimentos: desejo e amor.
O maior tormento de uma alma do Purgatório é desejar ir para Deus, e não poder. Esta pena é tanto maior, quanto maior é o conhecimento que lá a alma tem de Deus, pois, separada do corpo, conhece mais claramente a suma bondade de Deus, e se sente movida com maior força a ir para Ele, como a pedra para o seu centro.
Por isso, as suas maiores ânsias, no Purgatório, são suspiros pela visão beatífica, de que já sente a aproximação, mas que ainda não pode desfrutar. Clama ela, como o cego do Evangelho (Lc 18,
41): 'Senhor, que eu veja' essa luz da glória; que meus olhos desfrutem já da presença divina! Para chegar mais depressa à visão de Deus, esta alma preferiria que se lhe duplicasse o tormento do fogo, contanto que findasse o tormento do desejo de ver a Deus.
Conta-se [por exemplo] de Rutília que, sabendo que seu filho fõra condenado ao desterro para terras longínquas, se desterrou também, para não padecer, longe dele, o tormento da saudade.
Mas muito maior que o desejo, é o tormento do amor.
Três são os amores que atormentam as almas do Purgatório:
a) O amor natural, pelo qual a alma, por uma inclinação inata, é atraída para Deus como a Seu Criador, seu Princípio e último Fim, com maior ímpeto que a pedra propende para o centro da terra ou a chama para o ar;
b) O amor sobrenatural, pelo qual, [sob a ação da Graça,] é a alma vivíssimamente atraída para Deus como seu sumo, único e eterno Bem;
c) O amor de ardentíssima caridade, por saber que é esposa do divino Cordeiro, Jesus Cristo, destinada ao Reino Celestial, e, no entanto, vê que seu Esposo Divino lhe fecha a porta, e que seu amor é assim frustado.
A todos estes tormentos se deve juntar a duração das penas, por meses, por anos e, talvez, até o fim do mundo.
Quanto se amedronta e aterra um malfeitor, ao ouvir a sentença de ficar por algum tempo encerrado num cárcere escuro ou de por três anos trabalhar nos porões das galés! Quanto se lamenta um enfermo a quem se avisa de que terá de sofrer por um quarto de hora uma dolorosíssima operação! E a quem não de gelar o sangue ao pensar que, por seus pecados, há de estar sepultado nas chamas do Purgatório por anos inteiros, e talvez até o dia do Juízo Final?!
Santo Agostinho diz que, no Purgatório, um dia é como mil anos (In Ps 37).
Assim é que a esperança e o desejo de ver a Deus, e de passar de um excessivo tormento a uma indizível alegria, fará parecer uma hora mais longa que um século.
Conta Santo Antonino que um enfermo havia muito tempo que sofria horríveis dores. Apareceu-lhe o seu Anjo da Guarda e lhe propôs, por ordem de Deus, que escolhesse: ou sofrer aquelas dores por mais um ano, ou passar meia hora no Purgatório. O enfermo respondeu que preferiria estar meia hora no Purgatório, pois assim acabava mais depressa de sofrer. Pouco depois expirou, e o Anjo foi visitá-lo no Purgatório. Ao ver o Anjo, a pobre alma começou a soltar gemidos inconsoláveis, dizendo-lhe que a tinha enganado, pois, tendo-lhe assegurado que estaria ali só meia hora, já eram passados vinte anos que estava lá penando. Vinte anos? - replicou o Anjo - não passaram mais que poucos minutos de tua morte, e teu cadáver ainda está quente sobre o leito!
Tanto é verdade que as penas do Purgatório, em certo modo, - sapiunt naturam aeternitatis -, têm um sabor de eternidade, por parecer à imaginação do padecente que uma hora é como um século.
II. Dificuldade em evitar o Purgatório
Um mal qualquer, por maior que seja, se facilmente se pode evitar, não é grande mal; mas um mal grande, que dificilmente se pode evitar, torna-se extremo.
Tal é o Purgatório; pois, como atesta o cardeal e Doutor da Igreja São Roberto Belarmino (De amis. grat., c. 13), até dos homens mais santos e perfeitos, pouquíssimos são os que vão direto ao Paraíso.
O mesmo Santo, estando próximo à morte, recebeu a visita do Geral da Companhia de Jesus, que, sabendo como era santíssima a vida de Belarmino, lhe disse que todos tinham firme esperança de que, depois da morte, ele voaria logo para o Céu. - 'Mas não a tenho eu, disse o Santo; eu não tenho essa esperança'.
Santa Teresa d'Ávila conta que, sendo-lhe revelado o estado de muitas almas na outra vida, só de três sabia que tivessem ido para o Céu sem passar pelo Purgatório [e uma destas almas era ninguém menos que um São Pedro de Alcântara].
Nem isto nos deve maravilhar. São Bernardo diz (Decl. sup. Ecce nos) que, assim como não há obra boa, por mais pequena que seja, que Deus não remunere largamente, assim não há mal, por mais ligeiro que seja, que Deus não castigue severamente. Ora, sendo a alma mais justa e santa sujeita a muitas imperfeições, naturalmente está exposta a ir pagar por elas no Purgatório.
Se por um lado não quer Deus que nada impuro entre no Céu, por outro não escapa a Seus olhos a mais ligeira mancha, que nós, muitas vezes, nem chegamos a descobrir. Por isso diz a Escritura que até nos Anjos encontra Deus que repreender (Job 4, 18), e que os mesmos céus não são puros na Sua presença (Job 15, 15), e que até nas obras dos justos encontra que emendar (Sl 74, 3).
O santo Jó, conhecendo esta minuciosa Justiça de Deus, temia que as suas ações, ainda as mais santas, não Lhe fossem plenamente agradáveis (Job 9, 28).
Oh! Como são terríveis os juízos de Deus, e como são diversos dos d'Ele os juízos dos homens! O homem não vê senão o que aparece por fora; Deus, porém, penetra o coração (1 Rs 16, 7).
O padre Baltasar Álvarez, da Companhia de Jesus, confessor de Santa Teresa d'Ávila, era, por testemunho de sua Santa penitente, um dos homens mais santos e piedosos de seu tempo. Um dia, ele pediu ao Senhor que lhe revelasse quais eram as suas obras que mais O agradavam. Deus Nosso Senhor ouviu a sua oração, e fez-lhe ver as suas obras no símbolo de um cacho de uvas, em que umas eram verdes, outras amargas, e só duas ou três estavam maduras, e estas ainda não de todo doces ao paladar. 'Tais são, disse-lhe o Senhor, as tuas ações; delas só duas ou três são boas, e mesmo nestas, se examinarem com rigor, não lhes faltará que repreender'.
Daqui se vê como é severa a Justiça Divina em julgar as ações dos homens, e como é difícil, ao morrer, estar um alma tão purificada, que não fique nada por que satisfazer no Purgatório.
Não faltam exemplos na vida dos Santos que confirmam esta doutrina.
Na vida de São Severino se conta que, enquanto um clérigo passava um rio, apareceu-lhe um sacerdote e, tomando-lhe a mão, a queimou toda, dizendo: Isto sofro no Purgatório por não rezar as Horas canônicas com atenção.
De São Martinho escreve São Gregório Turinense que, orando no sepulcro de sua irmã e recomendando-se a ela como a santa, de repente ela lhe apareceu, vestida do hábito de penitente, com o rosto triste e pálido, e lhe disse que ainda estava no Purgatório, por ter penteado o cabelo na Sexta-Feira Santa, não se lembrando que era o dia da Paixão do Senhor.
A irmã de São Pedro Damião, como ela mesma revelou a uma santa alma, foi condenada a penar dezoito dias no Purgatório, por ter, de sua cela, ouvido curiosamente os cantos e músicas que entoavam debaixo da janela.
São Severino, Arcebispo de Colônia, foi condenado a um gravíssimo Purgatório, por ter recitado as Horas canônicas sem a devida distinção de tempos, apesar de serem muitos os negócios de seu palácio, que parece o desculpariam.
Entremos agora dentro de nós mesmos, e tiremos a conseqüência, que tirou também Santo Antonino depois de contar a seus religiosos semelhantes exemplos: 'Tema, pois, cada um de vós, cometer pecados veniais e não se purificar deles nesta vida'.
Se Deus é tão severo em punir no Purgatório as menores faltas, e se é tão difícil, mesmo para as almas mais perfeitas, evitá-lo, como é que me atrevo a acumular pecados veniais em minha vida, sem fazer penitência deles?... E se aqui me parece insuportável uma pequena agulha, que será sofrer aquele fogo atrocíssimo?... Por que não procuro depurar as minhas ações de toda impureza, e fazer penitência pelos pecados cometidos?... Andemos sempre alumiados pelas chamas do Purgatório, para evitarmos, com a perfeição de nossas obras, cair naqueles horríveis tormentos (Is 40, 11).
III. Como devemos evitar o Purgatório
É verdade de Fé que ninguém entra no Céu sem estar de todo purificado (Apoc 21, 17), e sem primeiro ter satisfeito todas as suas dívidas à divina Justiça (Mt 5, 26). Deste modo, ou havemos de punir em nós mesmos, nesta vida, os nossos pecados, ou então Deus se encarregará de os castigar depois da nossa morte. Não há como escapar, diz Santo Agostinho (Conc. 1 in Ps 58).
Quem, na vida, não apaga os pecados com as lágrimas da penitência, depois da morte se purificará deles com as chamas do Purgatório. Ora, não é melhor lavar os pecados com água do que com fogo?
Na vida, com um dia de penitência, e até com uma hora, podemos satisfazer por nossos pecados o que no Purgatório nem por um ano expiaríamos. Ora, não é melhor padecer por um pouco, neste mundo, que padecer no outro por longo tempo, que pode ser até o dia do Juízo?
Ajuntemos que a penitência feita em vida é meritória, e depois da morte nada merece. Ainda que penemos por mil anos no Purgatório, não adquiriremos um novo grau de graça, nem um novo grau de glória no Céu.
E não é mais sensato sofrer pouco e por pouco tempo, e com mérito, do que sofrer muito e por muito tempo, e sem mérito nenhum?
Finalmente, a Divina Justiça fica mais satisfeita com a penitência, ainda que pequena, feita nesta vida, do que com a pena, ainda que maior, tolerada depois da morte; porque a primeira é um sacrifício voluntário e uma pena tomada espontaneamente, ou espontaneamente aceita, ao passo que a segunda é um sacrifício forçado, e uma pena tolerada por necessidade e contra vontade.
Por todas estas razões se vê claramente quanto importa descontar, nesta vida, as penas que devemos a Deus por nossos pecados, pela enorme vantagem de nos livrarmos, desta maneira, dos males do Purgatório.
Frutos
Consideremos os frutos que devemos tirar desta doutrina, para nos resolvermos a evitar o Purgatório, usando de todos os meios que a isto nos possam ajudar.
O primeiro é fazermos agora, por nós mesmos, penitência dos nossos pecados, e praticar boas obras o mais que pudermos, e não pôr a nossa esperança em sufrágios futuros. E isto devemos fazer sem demora, antes que sejamos assaltados por algum acidente (Gál 6, 10).
O segundo é pôr todo o cuidado em ganhar as santas indulgências, com as quais satisfaremos por nossos pecados com a satisfação e méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O terceiro, finalmente, é usar de piedade com as almas do Purgatório, ajudando-as com os nossos sufrágios, obras e orações, porque Deus disporá que aquela caridade que usamos com os outros seja também usada conosco (Mt 7, 2). Depois essas almas, quando estiverem no Céu, serão gratíssimas para conosco, obtendo-nos muitas graças de Deus. Feliz de quem salvou uma alma do Purgatório com seus sufrágios, porque terá diante de Deus quem interceda por ele, quando também estiver penando naquele lugar.
Conta Bernardino de Bustis que morreu um pai, e com seus bens deixou um filho riquíssimo. Este ingrato filho não pensou mais em quem tanto o tinha beneficiado, pois nunca mandou sufragar a alma de seu pai, que ardia no Purgatório. Ora, que aconteceu? Ainda que os seus capitais fossem avultadíssimos, contudo estava sempre em penúria. Contínuas tempestades lhe destruíam as plantações, males imprevistos dizimavam-lhe os rebanhos, incêndios e desastres arruinavam-lhe a casa. Já os pleitos, já o fisco, já os inimigos o obrigavam a gastos desmedidos. Um dia, encontrando-se com um servo de Deus, pediu-lhe que o recomendasse em suas orações. Fê-lo o santo varão, a quem foi revelado que aquele filho ingrato não podia desfrutar dos bens herdados, porque tinha o pai no Purgatório, que o amaldiçoava, e as suas maldições eram aceitas da Divina Justiça pela sua perversa ingratidão.
Façamos bem aos nossos defuntos, que o mesmo farão conosco (Ecli 12, 2).
Imaginemos que Jesus Cristo diz a cada um de nós a respeito dos nossos defuntos, o que disse a respeito de Lázaro: 'Desatai-o e deixai-o ir' (Jo 11, 44).
(Padre Alexandrino Monteiro S. J., Exercícios de Santo Inácio de Loyola, II Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1959, páginas 80-90).

Atriz Susan Saradon chamou de “nazi” (Nazista) o Papa Bento XVI.


A declaração de Susan Sarandon durante o festival de cinema, em Nova Iorque, está a gerar uma onda de críticas por parte de grupos de católicos e de judeus, com a Liga Anti-Difamação a exigir da atriz um pedido de desculpas. A bomba foi largada durante uma entrevista, no último sábado, com o ator Bob Balaban, quando a também ativista dos Direitos Humanos – Sarandon, criada numa família Católica Romana, é ainda embaixadora da Boa Vontade da UNICEF desde 1999 – revelou ter enviado ao Papa uma cópia do livro que deu origem ao filme de 1995 “Dead Man Walking”, onde contracena com Sean Penn e que lhe valeu um óscar. Bob Balaban questionou então a que Papa se referia Susan Sarandon. A resposta não podia ser mais polémica: “Ao último [João Paulo II]. Não a este nazi que temos agora”, refere o diário nova-iorquino Newsday.

O calibre da resposta originou mesmo um gentil reparo de Balaban, mas isso não evitou que Sarandon repetisse a acusação. Contactado para comentar as declarações da atriz, o seu agente não está a responder aos telefonemas dos jornalistas, de acordo com as agências de notícias. Entretanto, a Liga Católica para os Direitos Civis e Religiosos já lamentou a “ignorância intencional” de Sarandon. A Liga Anti-Difamação – de luta contra o antissemitismo – pede à atriz que se desculpe perante a comunidade católica: “Sarandon pode ter tido os seus problemas com a Igreja Católica, mas isso não é desculpa para andar com analogias sobre o nazismo. Essas são palavras de ódio, de vingança, que apenas logram apequenar a verdade da história e o significado do Holocausto”.


Cardeal Cañizares explica impulso do Papa à renovação da liturgia


Vaticano, 20 Out. 11 / 01:43 pm (ACI)

O Prefeito para a Congregação do Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Antonio Cañizares Llovera, explicou desde Roma que o recente Motu proprio "Quaerit Semper" era necessário para aprofundar na celebração litúrgica iniciada com o Concílio do Vaticano II.

O Papa Bento XVI assinou no último 27 de setembro o novo Motu proprio "Quaerit Semper" com o qual modificou a Constituição Apostólica Pastor Bonus e transfere algumas competências da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos ao novo Escritório para os procedimentos de dispensa domatrimônio rato e não consumado e as causas de nulidade da sagrada ordenação constituída no Tribunal da Rota Romana.

Em uma entrevista concedida ao grupo ACI no dia 14 de outubro, o Cardeal Cañizares assinalou que com este documento "trata-se de aprofundar na verdadeira renovação do Concílio do Vaticano II tal como expressa a Constituição Sacrosanctum Concilium".

O dicastério se dedicará a partir de agora com maior intensidade à renovação litúrgica para impulsionar um novo movimento litúrgico conforme ao Vaticano II, e isto "levará, entre outras coisas por exemplo à constituição dentro deste dicastério de uma comissão para a arte e a música em relação com a liturgia".

O Cardeal assinalou que esta mudança "deve afetar (os católicos em geral) porque a liturgia está na base de toda a vida cristã, é a fonte e o cume de toda a vida cristã, e conseguintemente deverá estar marcada e configurada pela liturgia".

"Será uma vida muito mais teologal, uma vida mais de comunhão com Cristo, e mais de comunhão na Igreja, uma vida mais conforme à ação do Espírito em nós, e isso pois verdadeiramente chegará a todos", acrescentou.

O Cardeal Cañizares explicou ao grupo ACI, que "se cantamos bem, se participamos bem, se celebramos conforme àquilo que corresponde à verdade da liturgia pois todo isso levará uma repercussão muito grande e o povo cristão verá como é revitalizado em toda sua existência".

Finalmente, a autoridade vaticana afirmou que sua congregação "está para difundir o verdadeiro sentido da liturgia, para que se viva da liturgia tal como ela é em sua própria natureza".

"Não se trata de formas, mas de entrar verdadeiramente naquilo que acontece na celebração litúrgica", concluiu.

20 de out. de 2011

Encontro de Jovens em são paulo com Anderson 22 e 23 outubro

Encontro do Ministério Jovem da Arquidiocese de São Paulo.

O Ministério Jovem da Arquidiocese de São Paulo te convida para um final de semana com muita oração e formação.

Venha nos conhecer e fazer parte dessa família e conhecer os planos de Deus para toda juventude.

Presença: Anderson Luis dos Reis (formador do ministerio jovem da arquidiocese de sp)

Inscrições no Local: R$ 10,00 (Incluso almoço)

Hélida (Coord. Arq. do MJ): 8021-8281

helida_mj@hotmail.com

Não deixe essa graça passar!!!

Mais informações:

Data: 22 e 23 /10/2011

Local: Paróquia Santo Antônio do Pari

Endereço: Praça Padre Bento S/N - Pari

Horário: 8h às 17h

Hélida (Coord. Arq. do MJ): 8021-8281

helida_mj@hotmail.com