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11 de out. de 2012
* Nobel de Medicina reforça posição católica sobre células-tronco.
10:37:00
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Agência Ecclesia
O presidente emérito da
Academia Pontifícia para a Vida, órgão do Vaticano, Cardeal Elio
Sgreccia, disse nesta segunda-feira, 8, que
a atribuição do Nobel da Medicina 2012 a cientistas que reprogramaram
células maduras para se tornarem estaminais (células-tronco) reforça a
posição católica contra a destruição de embriões.“As células-tronco adultas deram por primeiro – e sempre mais significativamente – o seu resultado. Em relação às células-tronco embrionárias permanece, ao contrário, a grave prescrição ética, porque deve passar através do assassinato do embrião para se chegar à retirada dessas células.
Além disso, não se obteve ainda nenhum sucesso, enquanto se insiste,
por parte de muitos centros nacionais e internacionais, no financiamento
e investimento de dinheiro que poderia ser utilizado em lugares onde
esse poderia dar fruto.
Portanto, o emprego e o
aperfeiçoamento da aplicação das células-tronco adultas pluripotentes
que já demonstraram sua eficácia”, referiu à Rádio Vaticano o cardeal
Elio Sgreccia, especialista em bioética e presidente da Fundação “Ut
vitam habeant” (Para que tenham vida, em português).O prêmio Nobel de
Medicina 2012 foi atribuído conjuntamente a John B. Gurdon e Shinya
Yamanaka “pela descoberta de que as células maduras podem ser
reprogramadas para se tornarem pluripotentes”, anunciou o Comitê Nobel.
Segundo se explica no comunicado em que anuncia os nomes dos
laureados, o Instituto Karolinska decidiu distinguir dois cientistas que
descobriram que células maduras e especializadas podem ser
reprogramadas para se tornarem células estaminais, capazes de formarem
qualquer tecido do corpo.
“A sua descoberta revolucionou a nossa compreensão de como as células e os organismos se desenvolvem”, acrescenta a nota oficial.
O cardeal Sgreccia espera que esta distinção possa permitir um maior investimento no “aperfeiçoamento da aplicação das células estaminais adultas pluripotentes, que já demonstraram a sua validade”, em particular para a medicina regenerativa.
Estranha insistência ante o fracasso de um mito
Deve-se notar que não existe diferença qualitativa entre clonar um embrião com fins terapêuticos ou fazê-lo com fins reprodutivos, isto é, produzir um clone humano completo.(3) A revisão da literatura científica sobre as pesquisas com CTEH com fins terapêuticos mostra que os resultados têm sido repetidos fracassos. Isso se deve a várias razões.
A primeira é que elas provocam reação imunológica e conseqüente rejeição no corpo do paciente, devido a estar nelas contida toda a fórmula genética do embrião de onde foram extraídas, o qual era um ser humano distinto do paciente.
O segundo grande obstáculo é que elas têm uma forte tendência a produzir tumores cancerosos, ao invés de células sadias. “Na China, por exemplo, foi levada a cabo uma experiência com CTEH tomadas de ratos, que foram injetadas em determinada região do cérebro de um paciente que sofria do mal de Parkinson. Os resultados foram horríveis. As células embrionárias começaram a crescer descontroladamente e se transformaram num teratoma, um dos mais primitivos e malignos tumores que se conhecem.Na autópsia da vítima, encontraram-se pedaços de pelos, ossos e pele no lugar onde fora feita a injeção das CTEH”.(4)
Com relação à “clonagem terapêutica”, os resultados têm sido igualmente negativos. Um dos muitos inconvenientes desta técnica é apontado pela Dra. Alice Teixeira Ferreira, da Unifesp: “Na clonagem terapêutica se produzem embriões com o genoma do paciente, a fim de se obter células-tronco cujo transplante não seja rejeitado. Mas se a doença do paciente é genética, as células portarão o mesmo defeito”.(5)
* * * Reconhecimento de fracassos em investigação com células-tronco embrionárias
Dr. James Thomson WASHINGTON,
27-6-05 — Centenas de cientistas que apóiam a investigação de
células-tronco embrionárias se reúnem nesses dias na Califórnia, para
discutir o estado atual do controvertido campo de estudo. Na entrevista,
admitem que não progrediram muito e estão perdendo milhões, ao tratar
de aperfeiçoar seus polêmicos experimentos. Como informa LifeNews.com, o
Presidente da Celgene, Alan Lewis, declarou à Associated Press (AP) que
“muitas das tecnologias que mostramos ao público ainda não dão
resultado”. Por sua parte, James Thomson, o biólogo de Wisconsin que foi
o primeiro a isolar células-tronco embrionárias, também admite que seus
méritos foram exagerados. Thomson assinalou também que a tecnologia tem
ainda um longo caminho a percorrer, e admitiu que as células-tronco
embrionárias ainda não se utilizam em testes clínicos com seres humanos.
“Espero que existam algumas aplicações para esta tecnologia nos
transplantes, mas vão ser muito complicadas. Isto foi tão divulgado pela
imprensa, que as pessoas acreditam que o sucesso se alcançará logo”.
Segundo Thomson, as curas que possam provir deste tipo de células só
ocorreriam dentro de “10 ou 20 anos, contando a partir de agora”. (“Agência ACI”, 27-6-05).

Por Alice Teixeira Ferreira *
James Thomson relata que, frente aos resultados que obteve com células embrionárias (CE) de macaco, procurou reproduzi-los com CE humanas, que obteve de embriões humanos de clínicas de reprodução assistida. Como havia necessidade de matar embriões humanos para obter estas células e isto causaria má impressão no meio acadêmico e no público em geral, ele consultou um bioeticista. Queria saber o que fazer para conseguir publicar seu trabalho. O “bioeticista” utilitarista sugeriu que Thomson desse uma utilidade a tal experimento. Thomson propôs um objetivo “humanitário”: curar dibetes, doença de Parkinson e Alzheimer. Tratava-se de salvar vidas com o transplante das CE humanas. Fato que não ocorreu até hoje, pois as CE humanas transplantadas são rejeitadas por incompatibilidade imunológica ou dão tumores, os teratomas.
Quando começaram a sair os bons resultados com o autotransplante de células tronco adultas(CTAs) obtidas da medula óssea(MO) do próprio paciente, como foi o caso dos 14 pacientes enfartados, tirados da fila de transplante, tratados com CTAs extraídas de suas MO pelo Dr. Radovan Borojevic e Dr. Hans Doham, dos quais estão vivos 13 até hoje, começou-se a dizer que as CE eram melhores porque eram pluripotentes. As CEs poderiam se transformar em qualquer tecido, mas de acordo com McGuckin tal fato não foi demonstrado até hoje por problema metodológico: não existe uma tecnologia que permita distinguir todos os tipos de células do organismo humano.
No entanto, a possibilidade de curar doenças degenerativas com CE humanas foi aceita com entusiasmo, pois “parece que se gosta de estórias da carochinha”, de acordo com Dr. Weiss. Desta maneira se propagou entre médicos, alguns pesquisadores e entre não cientistas: os jornalistas e os políticos, a ideologia da cura com CE humanas.
As conseqüências da fé em tão falso paradigma foram:
1) Thomson e sua Universidade de Wiscosin(UW) conseguiram a patente da cultura das CEs humanas. Quando foi aproada a verba de 3 bilhões de dólares na Califórnia para se pesquisar as CEs humanas a UW exigiu que lhe fosse dado 25% deste valor.
2) Algumas firmas de biotecnologia resolveram apostar nas CEs humanas. Por exemplo a Geron Corpoaration que vendeu milhares de ações à comunidade judia de Nova York. Atualmente a StemGen e a Advanced Cell Technology estão tentando sobreviver, clonando animais e mesmo seres humanos.
3) Como se trata de eliminar embriões humanos as fundações abortistas como Rockfeller, Ford, McArthur vem financiando estes projetos de pesquisa que envolve a morte de embriões. Investe nas revistas Nature, Science e New England Journal of Medicine (NEJM), que continuamente publicam noticias e artigos falsos da Advanced Cell Technology e outras. Por exemplo, o caso escandaloso do coreano Hwang onde a NEJM não se retratou até hoje dos elogios que fez a estes trabalhos falsos.
4) A mídia anuncia os sucessos das pesquisas com CTAs referindo como CTs simplesmente, querendo que seja assumido que são CEs. Interessante que tem um deputado candidato a reeleição que afirma categoricamente a favor das pesquisas com CTs. Afinal também somos, mas não com as CEs humanas!
A mídia brasileira atualmente está muda relativo aos resultados com CTAs. Não divulgou que Jaenish conseguiu curar anemia falciforme em camundongos, com células iPSC, das quais retirou o oncogene c-Myc. Não deu noticia da visita de Dr. Paul Sanberg, autoridade mundial em CTAs. Tem 25 patentes de tratamento de doença de Parkinson e Alzheimer com autotransplante de CTAs de MO e com CTAs de sangue de cordão umbilical.
A falácia das CEs humanas terminou com os resultados do Dr. Shynia Yamanaka que conseguiu transformar células adultas da pele humana em células com características embrionárias, as iPSC. Os pesquisadores que estavam envolvidos com CEs humanas já mudaram para CTAs e iPSC. É o caso do próprio Thomson, de Wilmut e Jaenisch.
5) Com as pesquisas com CEs humanas, que para serem obtidas é necessário matar embriões humanos, foi retirado o status moral do embrião humano. Com isto a Igreja se viu na obrigação de defender esta pessoa humana no seu estado desenvolvimento em que se encontra mais vulnerável, mais indefesa. Esta posição firme levou os defensores de tais pesquisas com CEs humanas a questionarem fatos como o inicio da vida humana, com propostas absurdas e inverdades. Em resumo, desumanizaram o embrião humano. Passaram a atacar a Igreja com argumentos já usados pelos abortistas. Atacam a religião de um modo geral, pois agora não é só a Igreja que defende a dignidade do embrião humano, mas a religião e afirmam que existe um confronto entre ciência versus religião. O que não é verdade, mas é uma tentativa de desqualificar a defesa do embrião humano por qualquer credo.Usam de chavões, todos importados dos EUA, onde todo embate se iniciou:
1) Queremos salvar vidas.
2) Só com CEs humanas poderemos ter cura de doenças incuráveis.
3) Vamos ter de pagar royalties(quem não entende do assunto até acredita).
4) O SUS vai ter de pagar tratamento no exterior.
5) A Igreja é retrógrada, quer atrasar o desenvolvimento científico.
Tenho dito,
ROMA 20 de fevereiro de 2008 DOMUS AURELIA
*Formada em Medicina, pela Escola Paulista de Medicina, em 1967.
Doutora em Biologia Molecular pela Escola Paulista de Medicina em 1971.
Pós-Doutorado na Research Division of Cleveland Clinic Foundation, Cleveland, Ohio, Estados Unidos em 1972.
Livre Docente em Biofísica, pela Universidade Federal de São Paulo-EPM em 1996.
“A sua descoberta revolucionou a nossa compreensão de como as células e os organismos se desenvolvem”, acrescenta a nota oficial.
O cardeal Sgreccia espera que esta distinção possa permitir um maior investimento no “aperfeiçoamento da aplicação das células estaminais adultas pluripotentes, que já demonstraram a sua validade”, em particular para a medicina regenerativa.
Estranha insistência ante o fracasso de um mito
Deve-se notar que não existe diferença qualitativa entre clonar um embrião com fins terapêuticos ou fazê-lo com fins reprodutivos, isto é, produzir um clone humano completo.(3) A revisão da literatura científica sobre as pesquisas com CTEH com fins terapêuticos mostra que os resultados têm sido repetidos fracassos. Isso se deve a várias razões.
A primeira é que elas provocam reação imunológica e conseqüente rejeição no corpo do paciente, devido a estar nelas contida toda a fórmula genética do embrião de onde foram extraídas, o qual era um ser humano distinto do paciente.
O segundo grande obstáculo é que elas têm uma forte tendência a produzir tumores cancerosos, ao invés de células sadias. “Na China, por exemplo, foi levada a cabo uma experiência com CTEH tomadas de ratos, que foram injetadas em determinada região do cérebro de um paciente que sofria do mal de Parkinson. Os resultados foram horríveis. As células embrionárias começaram a crescer descontroladamente e se transformaram num teratoma, um dos mais primitivos e malignos tumores que se conhecem.Na autópsia da vítima, encontraram-se pedaços de pelos, ossos e pele no lugar onde fora feita a injeção das CTEH”.(4)
Com relação à “clonagem terapêutica”, os resultados têm sido igualmente negativos. Um dos muitos inconvenientes desta técnica é apontado pela Dra. Alice Teixeira Ferreira, da Unifesp: “Na clonagem terapêutica se produzem embriões com o genoma do paciente, a fim de se obter células-tronco cujo transplante não seja rejeitado. Mas se a doença do paciente é genética, as células portarão o mesmo defeito”.(5)
* * * Reconhecimento de fracassos em investigação com células-tronco embrionárias
Dr. James Thomson WASHINGTON,
27-6-05 — Centenas de cientistas que apóiam a investigação de
células-tronco embrionárias se reúnem nesses dias na Califórnia, para
discutir o estado atual do controvertido campo de estudo. Na entrevista,
admitem que não progrediram muito e estão perdendo milhões, ao tratar
de aperfeiçoar seus polêmicos experimentos. Como informa LifeNews.com, o
Presidente da Celgene, Alan Lewis, declarou à Associated Press (AP) que
“muitas das tecnologias que mostramos ao público ainda não dão
resultado”. Por sua parte, James Thomson, o biólogo de Wisconsin que foi
o primeiro a isolar células-tronco embrionárias, também admite que seus
méritos foram exagerados. Thomson assinalou também que a tecnologia tem
ainda um longo caminho a percorrer, e admitiu que as células-tronco
embrionárias ainda não se utilizam em testes clínicos com seres humanos.
“Espero que existam algumas aplicações para esta tecnologia nos
transplantes, mas vão ser muito complicadas. Isto foi tão divulgado pela
imprensa, que as pessoas acreditam que o sucesso se alcançará logo”.
Segundo Thomson, as curas que possam provir deste tipo de células só
ocorreriam dentro de “10 ou 20 anos, contando a partir de agora”. (“Agência ACI”, 27-6-05). Histórico da pesquisa com células embrionárias humanas

Por Alice Teixeira Ferreira *
James Thomson relata que, frente aos resultados que obteve com células embrionárias (CE) de macaco, procurou reproduzi-los com CE humanas, que obteve de embriões humanos de clínicas de reprodução assistida. Como havia necessidade de matar embriões humanos para obter estas células e isto causaria má impressão no meio acadêmico e no público em geral, ele consultou um bioeticista. Queria saber o que fazer para conseguir publicar seu trabalho. O “bioeticista” utilitarista sugeriu que Thomson desse uma utilidade a tal experimento. Thomson propôs um objetivo “humanitário”: curar dibetes, doença de Parkinson e Alzheimer. Tratava-se de salvar vidas com o transplante das CE humanas. Fato que não ocorreu até hoje, pois as CE humanas transplantadas são rejeitadas por incompatibilidade imunológica ou dão tumores, os teratomas.
Quando começaram a sair os bons resultados com o autotransplante de células tronco adultas(CTAs) obtidas da medula óssea(MO) do próprio paciente, como foi o caso dos 14 pacientes enfartados, tirados da fila de transplante, tratados com CTAs extraídas de suas MO pelo Dr. Radovan Borojevic e Dr. Hans Doham, dos quais estão vivos 13 até hoje, começou-se a dizer que as CE eram melhores porque eram pluripotentes. As CEs poderiam se transformar em qualquer tecido, mas de acordo com McGuckin tal fato não foi demonstrado até hoje por problema metodológico: não existe uma tecnologia que permita distinguir todos os tipos de células do organismo humano.
No entanto, a possibilidade de curar doenças degenerativas com CE humanas foi aceita com entusiasmo, pois “parece que se gosta de estórias da carochinha”, de acordo com Dr. Weiss. Desta maneira se propagou entre médicos, alguns pesquisadores e entre não cientistas: os jornalistas e os políticos, a ideologia da cura com CE humanas.
As conseqüências da fé em tão falso paradigma foram:
1) Thomson e sua Universidade de Wiscosin(UW) conseguiram a patente da cultura das CEs humanas. Quando foi aproada a verba de 3 bilhões de dólares na Califórnia para se pesquisar as CEs humanas a UW exigiu que lhe fosse dado 25% deste valor.
2) Algumas firmas de biotecnologia resolveram apostar nas CEs humanas. Por exemplo a Geron Corpoaration que vendeu milhares de ações à comunidade judia de Nova York. Atualmente a StemGen e a Advanced Cell Technology estão tentando sobreviver, clonando animais e mesmo seres humanos.
3) Como se trata de eliminar embriões humanos as fundações abortistas como Rockfeller, Ford, McArthur vem financiando estes projetos de pesquisa que envolve a morte de embriões. Investe nas revistas Nature, Science e New England Journal of Medicine (NEJM), que continuamente publicam noticias e artigos falsos da Advanced Cell Technology e outras. Por exemplo, o caso escandaloso do coreano Hwang onde a NEJM não se retratou até hoje dos elogios que fez a estes trabalhos falsos.
4) A mídia anuncia os sucessos das pesquisas com CTAs referindo como CTs simplesmente, querendo que seja assumido que são CEs. Interessante que tem um deputado candidato a reeleição que afirma categoricamente a favor das pesquisas com CTs. Afinal também somos, mas não com as CEs humanas!
A mídia brasileira atualmente está muda relativo aos resultados com CTAs. Não divulgou que Jaenish conseguiu curar anemia falciforme em camundongos, com células iPSC, das quais retirou o oncogene c-Myc. Não deu noticia da visita de Dr. Paul Sanberg, autoridade mundial em CTAs. Tem 25 patentes de tratamento de doença de Parkinson e Alzheimer com autotransplante de CTAs de MO e com CTAs de sangue de cordão umbilical.
A falácia das CEs humanas terminou com os resultados do Dr. Shynia Yamanaka que conseguiu transformar células adultas da pele humana em células com características embrionárias, as iPSC. Os pesquisadores que estavam envolvidos com CEs humanas já mudaram para CTAs e iPSC. É o caso do próprio Thomson, de Wilmut e Jaenisch.
5) Com as pesquisas com CEs humanas, que para serem obtidas é necessário matar embriões humanos, foi retirado o status moral do embrião humano. Com isto a Igreja se viu na obrigação de defender esta pessoa humana no seu estado desenvolvimento em que se encontra mais vulnerável, mais indefesa. Esta posição firme levou os defensores de tais pesquisas com CEs humanas a questionarem fatos como o inicio da vida humana, com propostas absurdas e inverdades. Em resumo, desumanizaram o embrião humano. Passaram a atacar a Igreja com argumentos já usados pelos abortistas. Atacam a religião de um modo geral, pois agora não é só a Igreja que defende a dignidade do embrião humano, mas a religião e afirmam que existe um confronto entre ciência versus religião. O que não é verdade, mas é uma tentativa de desqualificar a defesa do embrião humano por qualquer credo.Usam de chavões, todos importados dos EUA, onde todo embate se iniciou:
1) Queremos salvar vidas.
2) Só com CEs humanas poderemos ter cura de doenças incuráveis.
3) Vamos ter de pagar royalties(quem não entende do assunto até acredita).
4) O SUS vai ter de pagar tratamento no exterior.
5) A Igreja é retrógrada, quer atrasar o desenvolvimento científico.
Tenho dito,
ROMA 20 de fevereiro de 2008 DOMUS AURELIA
*Formada em Medicina, pela Escola Paulista de Medicina, em 1967.
Doutora em Biologia Molecular pela Escola Paulista de Medicina em 1971.
Pós-Doutorado na Research Division of Cleveland Clinic Foundation, Cleveland, Ohio, Estados Unidos em 1972.
Livre Docente em Biofísica, pela Universidade Federal de São Paulo-EPM em 1996.
10 de out. de 2012
Vídeo Homilia do XXVIII Domingo do Tempo Comum Ano B
Neste Domingo meditaremos o Evangelho de Mc 10,17-30, Que nos apresenta um jovem decidido e desejoso de seguir Jesus, mas não compromeito com Jesus, porque está disoposto a seguí-lo até um certo ponto... Jesus o chama a dar um passo a mais.... Caso não abiri o vídeo clique no link:
http://pt.gloria.tv/?media=344629

Padre Juarez, da Arquidiocese de São Paulo mais uma vez TRAI A SANTA IGREJA, e as uniões homossexuais: “O último Código Canônico diz que a maior lei será sempre o amor”.
10:20:00
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Pusilanimidade e bom-mocismo a serviço da destruição do ensinamento católico sobre a sexualidade humana.

Padre Juarez em programa da TV Globo.
Na última quinta-feira, 4, o Padre Juarez
de Castro, Secretário-Geral do Vicariato da Comunicação da Arquidiocese
de São Paulo (leia atualização abaixo), conhecido por suas
participações em shows e programas, entre outros, da Rede Vida, TV
Século XXI e Gazeta, participou do quadro “Vai ter que rebolar” do
imoralíssimo programa “Amor e Sexo”, da Rede Globo. Em um dos quadros,
um ator convidado, Alexandre Borges, após rodar uma roleta de opções
(homossexual, transexual, travesti e etc.), teve que decidir como agiria
nas situações propostas, sendo, em seguida, avaliado por quatro
representantes de diferentes religiões (um monge budista, um babalorixá,
um padre católico e um pastor protestante).
Ao comando da apresentadora, o ator
encenou o papel de um homossexual “casado” com um homem há 12 anos,
afastado da prática religiosa, mas que ainda conservaria a fé (sic) e
que estava adotando um menino junto com seu parceiro. Ao chegar à idade
de 6 anos, o menino indaga ao pai adotivo se “Papai do Céu aprovava que
ele tivesse dois pais, e não um pai e uma mãe como todo mundo”, e recebe
a seguinte explicação do personagem: “Eu falaria para ele que a
realidade dele é essa — são dois homens, Deus aprovando ou não. E que
ele tem muito amor, que é uma união de dois homens que se gostam, que se
amam, e que era um sonho criá-lo, e que nunca se esqueça que esses dois
homens fizeram o papel de pai e mãe, mãe e pai, cada um no seu
instinto, cada um pedindo ajuda, pedindo conselhos, mas que a realidade
dele é essa, independente de religião”.
Então, o tema foi comentado e debatido
pelos quatro religiosos, que se posicionaram em relação ao tema de
adoção de crianças por pares homossexuais dando nota máxima à resposta
do ator.
Precedido do monge Lama Rinchen e do
pastor Marcos Amaral, que comentou que “apesar dos nossos dogmas, a
igreja não pode se fechar. Uma coisa é a nossa visão confessional e
outra coisa é a nossa visão existencial. Não podemos demonizar pessoas”,
Padre Juarez de Castro se pronunciou:
“Acho muito importante o que o reverendo falou e eu vou reiterar aqui o seguinte: na verdade, a Igreja propõe e propõe a partir da Bíblia que seja um homem e uma mulher, mas há uma realidade. A atitude dele é de não ser hipócrita para o seu filho. Já tem que ser muito hipócrita para a sociedade, porque a sociedade exige que a pessoa finja. E lembrar o seguinte: apesar de todas as leis que existem, com o direito canônico, eu acho muito bonito, o último código canônico diz que a maior lei será sempre o amor. O amor que ele tem para passar para os seus filhos será sempre o mais importante, embora a Igreja, a minha Igreja, a sua igreja, algumas igrejas vão ver sempre o casamento entre um homem e uma mulher e uma família de um homem e uma mulher, isso não pode tirar de maneira alguma a possibilidade dessa criança, dessa família (sic) ser feliz. Seja o que ele fez, vai explicar para o filho e vai fazer com que esse filho cresça no mundo sem intolerância, cresça no mundo onde ele possa aceitar as diferenças e cresça no mundo principalmente sendo amado para que ele possa amar as pessoas”.
Cremos que a própria participação de um
sacerdote que se preze em um programa de TV dessa categoria já seria, em
si, um escândalo para os fiéis e um aval à utilidade dos temas e
abordagens que ali se apresentam. Porém, espezinhar a verdade ensinada
pela Igreja Católica sobre a moral sexual, a castidade e o matrimônio,
em nome do politicamente correto, do bom-mocismo e de uma falsa
concepção do amor, no mínimo tem um nome: apostasia.
Reverendíssimo Padre Juarez de Castro, a
Igreja Católica sempre nos ensinou que as relações homossexuais
constituem pecado grave, e que este tem consequências eternas para a
alma se não for devidamente repelido, em espírito de profundo
arrependimento, antes da morte. Denunciar as uniões de pessoas do mesmo
sexo por serem intrinsecamente desordenadas e, portanto, pecado grave,
não significa hipocrisia, mas constitui, antes, o papel de um verdadeiro
sacerdote, de um padre que quer cuidar da sua própria alma e das almas
dos fiéis sob seus cuidados. A Fé Católica não se baseia “na realidade
da sociedade”, mas sim nos mandamentos da Lei de Deus, expressos na
Bíblia e na Tradição, e mais precisamente elucidados pelo Magistério da
Igreja.
É oportuníssimo, pois, recordar o parecer, de 2003, da Congregação para a Doutrina da Fé, chefiada então pelo Cardeal Joseph Ratzinger:
“É imperativo da consciência moral dar, em todas as ocasiões, testemunho da verdade moral integral, contra a qual se opõem tanto a aprovação das relações homossexuais como a injusta discriminação para com as pessoas homossexuais. São úteis, portanto, intervenções discretas e prudentes, cujo conteúdo poderia ser, por exemplo, o seguinte: desmascarar o uso instrumental ou ideológico que se possa fazer de dita tolerância; afirmar com clareza o carácter imoral desse tipo de união; advertir o Estado para a necessidade de conter o fenómeno dentro de limites que não ponham em perigo o tecido da moral pública e que, sobretudo, não exponham as jovens gerações a uma visão errada da sexualidade e do matrimónio, que os privaria das defesas necessárias e, ao mesmo tempo, contribuiria para difundir o próprio fenómeno. Àqueles que, em nome dessa tolerância, entendessem chegar à legitimação de específicos direitos para as pessoas homossexuais conviventes, há que lembrar que a tolerância do mal é muito diferente da aprovação ou legalização do mal. Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimónio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo [...] Como a experiência confirma, a falta da bipolaridade sexual cria obstáculos ao desenvolvimento normal das crianças eventualmente inseridas no interior dessas uniões. Falta-lhes, de facto, a experiência da maternidade ou paternidade. Inserir crianças nas uniões homossexuais através da adopção significa, na realidade, praticar a violência sobre essas crianças, no sentido que se aproveita do seu estado de fraqueza para introduzi-las em ambientes que não favorecem o seu pleno desenvolvimento humano. Não há dúvida que uma tal prática seria gravemente imoral“.
Por fim, fazemos um pedido a Dom Odilo
Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo: o senhor neste momento participa
do Sínodo dos Bispos que pretende implementar a “Nova Evangelização” nos
países outrora católicos. O dever primário dos bispos é vigiar a
difusão da Fé e da Moral íntegras; quando estas são vilipendiadas por um
sacerdote, particularmente quando todos o identificam como porta-voz
(ao menos oficioso — leia atualização abaixo) da Arquidiocese de São
Paulo, impõe-se ainda mais a necessidade de medidas sérias e urgentes.
Os fiéis clamam, Eminência: faça algo, tome alguma providência!
A participação do Padre Juarez no programa pode ser vista aqui. Pedimos a nossos leitores que contatem, respeitosamente, Dom Odilo por e-mail ou Twitter.
[Atualização - 9 de outubro de 2012, às 17:05] Com a falta de informação segura acerca do cargo supostamente ocupado pelo Padre Juarez (em alguns lugares — aqui e aqui — há a informação de que ele ocupa o cargo de Secretário Geral do Vicariato da Comunicação da Arquidiocese de São Paulo, mas não no site oficial da Arquidiocese), decidimos excluir esta informação até que haja confirmação.
8 de out. de 2012
Afinal, Porque a Igreja não aceita o casamento CIVIL homossexual?
09:37:00
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Na França, anuncia-se uma feroz batalha entre a Igreja Católica de um lado e o governo e as associações homossexuais de outro, acerca do casamento gay.
É hora de decifrar as intervenções quase cotidianas dos bispos. Onde a
história, a antropologia e o símbolo têm a sua importância.
Henri Tincq, publicada no sítio Slate.fr. Tradução é de Moisés Sbardelotto.
O projeto de lei para o casamento homossexual na França ainda não é oficialmente conhecido – a revista La Viepublicou o projeto preliminar que deverá ser apresentado ao Conselho de Ministros no dia 31 de outubro –, mas a Igreja Católica, à qual estão unidas as Igrejas protestantes, os consistórios judeus e o Conselho Geral do culto muçulmana, já faz sentir todo o seu peso na batalha.
Não passa um dia sem que um bispo adverta o legislador contra uma ruptura da prática tradicional de casamento, peça com força uma consulta nacional, ou até mesmo um referendo, alerte a opinião pública, como recentemente fez o cardealPhilippe Barbarin, arcebispo de Lyon, contra eventuais desvios: se surgem referências antropológicas fundamentais como o casamento entre um homem e uma mulher, outros “pedidos incríveis” serão apresentados, como a supressão da proibição do incesto ou da poligamia!
Tratar com desdém ou desprezo, como se faz em algumas partes, esses fortes posicionamentos dos bispos significa fechar os olhos. São posicionamentos que lembram a batalha sobre a escola dos anos 80 ou a dos PaCS [Pacto Civil de Solidariedade] dos anos 1990.
O projeto de lei para o casamento homossexual na França ainda não é oficialmente conhecido – a revista La Viepublicou o projeto preliminar que deverá ser apresentado ao Conselho de Ministros no dia 31 de outubro –, mas a Igreja Católica, à qual estão unidas as Igrejas protestantes, os consistórios judeus e o Conselho Geral do culto muçulmana, já faz sentir todo o seu peso na batalha.
Não passa um dia sem que um bispo adverta o legislador contra uma ruptura da prática tradicional de casamento, peça com força uma consulta nacional, ou até mesmo um referendo, alerte a opinião pública, como recentemente fez o cardealPhilippe Barbarin, arcebispo de Lyon, contra eventuais desvios: se surgem referências antropológicas fundamentais como o casamento entre um homem e uma mulher, outros “pedidos incríveis” serão apresentados, como a supressão da proibição do incesto ou da poligamia!
Tratar com desdém ou desprezo, como se faz em algumas partes, esses fortes posicionamentos dos bispos significa fechar os olhos. São posicionamentos que lembram a batalha sobre a escola dos anos 80 ou a dos PaCS [Pacto Civil de Solidariedade] dos anos 1990.
Não se pode ignorar a leitura que os “adversários” propõe a um projeto que corre o risco de modificar substancialmente as regras e o perfil da sociedade francesa.
Resumiremos a seguir os seus argumentos.
Mas, antes, é preciso pôr fim à retórica que culpa a Igreja de fazer apenas disputas de bar e que isola bispos nas sacristias. Que se ocupem exclusivamente do matrimônio religioso! Por que se envolvem no campo do casamento civil? É uma velha pendenga. “Cuide dos assuntos de vocês!”, já dizia aos bispos em 1973 no jornal Le Figaro o almirante Joybert, quando os bispos haviam criticado as armas nucleares franceses: “O assunto de vocês é ensinar a fé e difundir a caridade. Limitem-se a isso”.
Hoje, muitas vezes, são as mesmas pessoas que contestam o direito dos bispos de se expressar sobre o casamento homossexual e que aplaudem quando tomam posição em favor dos membros da comunidade Rom, dos imigrantes sem permissão de permanência ou os sem-teto.
A Igreja não tem complexos com relação ao mundo político, nem medo de se confrontar com ele. Ontem, ela estava imersa na batalha da escola; hoje, interpela os homens políticos, os médicos e os biólogos sobre os problemas da bioética, prega pela dignidade dos mais fracos e dos mais pobres. O bispo tem a ver com os debates da sociedade civil e da elite intelectual.
Guardião da fé, testemunha do evangelho, ele quer lembrar o que isso exige. Ele tem uma visão do ser humano, da sociedade e do viver juntos, sente-se responsável pela evolução das ideias, dos costumes, da decisão política. Mesmo tendo mudado nas formas, o “sagrado” não desapareceu com a secularização da nação. Ele faz parte das relações sociais, do patrimônio simbólico, da memória histórica.
Relações sociais, história, patrimônio simbólico: estamos no centro do debate sobre o casamento e sobre a homoparentalidade. Do ponto de vista dos religiosos citados, são três os problemas que estão na base desse debate:
Resumiremos a seguir os seus argumentos.
Mas, antes, é preciso pôr fim à retórica que culpa a Igreja de fazer apenas disputas de bar e que isola bispos nas sacristias. Que se ocupem exclusivamente do matrimônio religioso! Por que se envolvem no campo do casamento civil? É uma velha pendenga. “Cuide dos assuntos de vocês!”, já dizia aos bispos em 1973 no jornal Le Figaro o almirante Joybert, quando os bispos haviam criticado as armas nucleares franceses: “O assunto de vocês é ensinar a fé e difundir a caridade. Limitem-se a isso”.
Hoje, muitas vezes, são as mesmas pessoas que contestam o direito dos bispos de se expressar sobre o casamento homossexual e que aplaudem quando tomam posição em favor dos membros da comunidade Rom, dos imigrantes sem permissão de permanência ou os sem-teto.
A Igreja não tem complexos com relação ao mundo político, nem medo de se confrontar com ele. Ontem, ela estava imersa na batalha da escola; hoje, interpela os homens políticos, os médicos e os biólogos sobre os problemas da bioética, prega pela dignidade dos mais fracos e dos mais pobres. O bispo tem a ver com os debates da sociedade civil e da elite intelectual.
Guardião da fé, testemunha do evangelho, ele quer lembrar o que isso exige. Ele tem uma visão do ser humano, da sociedade e do viver juntos, sente-se responsável pela evolução das ideias, dos costumes, da decisão política. Mesmo tendo mudado nas formas, o “sagrado” não desapareceu com a secularização da nação. Ele faz parte das relações sociais, do patrimônio simbólico, da memória histórica.
Relações sociais, história, patrimônio simbólico: estamos no centro do debate sobre o casamento e sobre a homoparentalidade. Do ponto de vista dos religiosos citados, são três os problemas que estão na base desse debate:
- Até que ponto deve chegar o reconhecimento da homossexualidade?
- O casamento é um contrato amigável ou uma instituição estruturante?
- O princípio da igualdade autoriza todas as formas de vida comum?
Aqui estão as respostas que indicam a substância do veto católico.
1. A reivindicação em favor do casamento gay defende a vontade das pessoas homossexuais de serem reconhecidas plenamente na sociedade. A homossexualidade deve ser admitida como uma forma de sexualidade entre outras. Mas, para a Igreja, que condena a homossexualidade, mas diz respeitar as pessoas homossexuais, o problema é saber como e até que ponto essa “normalidade” homossexual pode ser exercida socialmente. A partir de que tipo de sexualidade a sociedade se organiza?
Todas as sociedades se organizaram em torno do casamento entre um homem e uma mulher, porque são os únicos que podem significar a alteridade sexual de que necessitam as relações sociais. Em outras palavras, todas as sociedades se fundaram sobre a diferença, estruturante, dos sexos. Pode-se arriscar, pergunta a Igreja, a renúncia a essa herança, a um sistema que levou séculos para ser elaborado e aperfeiçoado em favor de uma aliança entre um homem e uma mulher?
2. Sem dúvida, essa aliança está em perigo. O casal “sentimental” (como diz Tony Anatrella, psicanalista católico e bom conhecedor desses temas) – concubinato, famílias monoparentais, famílias de duas pessoas do mesmo sexo PaCS – se impõe com o tempo. E se impõe às custas do casal baseado em uma aliança entre um homem e uma mulher.
O casamento parece ser hoje um reconhecimento social de sentimentos, ao invés da expressão do compromisso irrevogável entre um homem e uma mulher. Nessas condições, qualquer um poderia se casar com qualquer um e pela duração que quiser. Alguém pode se designar como pai ou mãe de uma criança, dissociando a parentalidade da fertilidade do ato sexual.
A Igreja se preocupa com essa “desestruturação” do casamento, uma desestruturação que, segundo ela, a legalização do casamento homossexual vai ajudar a agravar.
1. A reivindicação em favor do casamento gay defende a vontade das pessoas homossexuais de serem reconhecidas plenamente na sociedade. A homossexualidade deve ser admitida como uma forma de sexualidade entre outras. Mas, para a Igreja, que condena a homossexualidade, mas diz respeitar as pessoas homossexuais, o problema é saber como e até que ponto essa “normalidade” homossexual pode ser exercida socialmente. A partir de que tipo de sexualidade a sociedade se organiza?
Todas as sociedades se organizaram em torno do casamento entre um homem e uma mulher, porque são os únicos que podem significar a alteridade sexual de que necessitam as relações sociais. Em outras palavras, todas as sociedades se fundaram sobre a diferença, estruturante, dos sexos. Pode-se arriscar, pergunta a Igreja, a renúncia a essa herança, a um sistema que levou séculos para ser elaborado e aperfeiçoado em favor de uma aliança entre um homem e uma mulher?
2. Sem dúvida, essa aliança está em perigo. O casal “sentimental” (como diz Tony Anatrella, psicanalista católico e bom conhecedor desses temas) – concubinato, famílias monoparentais, famílias de duas pessoas do mesmo sexo PaCS – se impõe com o tempo. E se impõe às custas do casal baseado em uma aliança entre um homem e uma mulher.
O casamento parece ser hoje um reconhecimento social de sentimentos, ao invés da expressão do compromisso irrevogável entre um homem e uma mulher. Nessas condições, qualquer um poderia se casar com qualquer um e pela duração que quiser. Alguém pode se designar como pai ou mãe de uma criança, dissociando a parentalidade da fertilidade do ato sexual.
A Igreja se preocupa com essa “desestruturação” do casamento, uma desestruturação que, segundo ela, a legalização do casamento homossexual vai ajudar a agravar.
Para
ela, a natureza do casamento não se reduz a um reconhecimento social
dos sentimentos. Não é um contrato amigável. É uma instituição
(sacralizada?) em que um homem e uma mulher inscrevem o seu projeto
conjugal, a sua intenção de procriar e de assegurar uma filiação, uma
continuidade familiar e uma relação entre as gerações. Duas pessoas do
mesmo sexo não correspondem a essas características objetivas do
casamento. A filiação e a intergeracionalidade se detêm diante da sua
“monossexualidade”.
3. Pode-se dizer que o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a homoparentalidade contribuem para a igualdade de direitos e para a luta contra toda discriminação. Mais uma vez, o argumento parece indiscutível. Mas, para a Igreja, o fato de sermos todos iguais perante a lei não significa que todas as situações de vida e de casal sejam iguais e se equivalham.
O princípio da igualdade – o casamento para todos – não pode abrir a porta para todas as demandas. Se for autorizado o casamento homossexual, pergunta um bispo como o cardeal Barbarin, como se proibirão, amanhã, modelos como as “uniões de mais pessoas”, o “poliamor”, a poligamia?
Da mesma forma, pode-se, em nome da igualdade, autorizar o casamento homossexual e proibir que os casais homossexuais tenham acesso à reprodução medicamente assistida?
Nem todas as uniões “afetivas” são da mesma natureza. E, de acordo com a Igreja, nem todas podem, ou devem, se inscrever no casamento: a história, a antropologia impõem que o casamento continue sendo um direito unicamente reservado aos casais compostos por um homem e uma mulher, pois corresponde desse modo à aliança dos sexos e porque não se pode instrumentalizar o casamento para “normalizar” a homossexualidade.
Para terminar, não há nada de discriminatório, segundo os católicos, em defender que o casamento, assim como a concepção e a adoção de crianças, só possa ser definido a partir de um homem e de uma mulher.
A Igreja acrescentará que a criança não é um direito. O seu direito e o seu interesse superior exigem que ela seja concebida, acolhida e educada por um homem e uma mulher, um pai e uma mãe, que vivem a sua sexualidade nessa coerência. Ela afirma que quer que se inicie um amplo debate nacional, contraditório, sobre esses três pontos. É um sonho imaginar que ela será ouvida?
3. Pode-se dizer que o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a homoparentalidade contribuem para a igualdade de direitos e para a luta contra toda discriminação. Mais uma vez, o argumento parece indiscutível. Mas, para a Igreja, o fato de sermos todos iguais perante a lei não significa que todas as situações de vida e de casal sejam iguais e se equivalham.
O princípio da igualdade – o casamento para todos – não pode abrir a porta para todas as demandas. Se for autorizado o casamento homossexual, pergunta um bispo como o cardeal Barbarin, como se proibirão, amanhã, modelos como as “uniões de mais pessoas”, o “poliamor”, a poligamia?
Da mesma forma, pode-se, em nome da igualdade, autorizar o casamento homossexual e proibir que os casais homossexuais tenham acesso à reprodução medicamente assistida?
Nem todas as uniões “afetivas” são da mesma natureza. E, de acordo com a Igreja, nem todas podem, ou devem, se inscrever no casamento: a história, a antropologia impõem que o casamento continue sendo um direito unicamente reservado aos casais compostos por um homem e uma mulher, pois corresponde desse modo à aliança dos sexos e porque não se pode instrumentalizar o casamento para “normalizar” a homossexualidade.
Para terminar, não há nada de discriminatório, segundo os católicos, em defender que o casamento, assim como a concepção e a adoção de crianças, só possa ser definido a partir de um homem e de uma mulher.
A Igreja acrescentará que a criança não é um direito. O seu direito e o seu interesse superior exigem que ela seja concebida, acolhida e educada por um homem e uma mulher, um pai e uma mãe, que vivem a sua sexualidade nessa coerência. Ela afirma que quer que se inicie um amplo debate nacional, contraditório, sobre esses três pontos. É um sonho imaginar que ela será ouvida?
4 de out. de 2012
É bom fazer promessas?
15:45:00
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As pessoas perguntam: O que a Igreja diz
sobre as promessas? A Igreja as aprova quando realizadas adequadamente.
Os santos faziam promessas. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz
que: “Em várias circunstâncias o cristão é convidado a fazer promessas a
Deus… Por devoção pessoal o cristão pode também prometer a Deus este ou
aquele ato, oração, esmola, peregrinação, etc. A fidelidade às
promessas feitas a Deus é uma manifestação do respeito devido à
majestade divina e do amor para com o Deus fiel” (CIC § 2101).
Há passagens bíblicas que contêm
promessas. Jacó faz uma promessa a Deus: “Jacó fez então este voto: “Se
Deus for comigo, se ele me guardar durante esta viagem que empreendi, e
me der pão para comer e roupa para vestir, e me fizer voltar em paz casa
paterna, então o Senhor será o meu Deus. Esta pedra da qual fiz uma
estela será uma casa de Deus, e pagarei o dízimo de tudo o que me
derdes” (Gn 28,20-22).Ana, a mãe do profeta
Samuel, fez um voto: “E fez um voto, dizendo: Senhor dos exércitos, se
vos dignardes olhar para a aflição de vossa serva, e vos lembrardes de
mim; se não vos esquecerdes de vossa escrava e lhe derdes um filho
varão, eu o consagrarei ao Senhor durante todos os dias de sua vida, e a
navalha não passará pela sua cabeça” (1Sm 1,11).
Alguns salmos exprimem os votos ou as
promessas dos orantes de Israel (Sl 65, 66, 116; Jn 2,3-9). “Se
oferecerdes ao Senhor alguma oferenda de combustão, holocausto ou
sacrifício, em cumprimento de um voto especial ou como oferta
espontânea…” (Nm 15,3).
“Se uma mulher fizer um voto ao Senhor ou
se impuser uma obrigação na casa de seu pai, durante a sua juventude,
os seus votos serão válidos, sejam eles quais forem. Se o pai tiver
conhecimento do voto ou da obrigação que se impôs a si mesma será
válida. Mas, se o pai os desaprovar, no dia em que deles tiver
conhecimento, todos os seus votos… ficarão sem valor algum. O Senhor
perdoar-lhe-á, porque seu pai se opôs” (Nm 30,4-6).
No entanto, havia a séria recomendação
para que se cumprisse o voto ou a promessa feita. “Mais vale não fazer
voto, que prometer e não ser fiel à promessa” (Ecl 5,4). São Paulo quis
submeter-se às obrigações do voto do nazireato: “Paulo permaneceu ali
(em Corinto) ainda algum tempo. Depois se despediu dos irmãos e navegou
para a Síria e com ele Priscila e Áquila. Antes, porém, cortara o cabelo
em Cêncris, porque terminara um voto” (At 18,18).
“Disseram os judeus a Paulo: “Temos aqui
quatro homens que fizeram um voto… Purificar-te com eles, e encarrega-te
das despesas para que possam mandar rapar a cabeça. Assim todos saberão
que são falsas as notícias a teu respeito, e que te comportas como
observante da Lei” (At 21, 23s). É certo que as promessas não obrigam
Deus a nos dar o que Ele não quer dar, pois sabe o que é melhor para
nós, mas estas podem obter do Senhor, muitas vezes através da
intercessão dos santos, graças de que necessitamos. Jesus mandou pedir e
com insistência.
As promessas nada têm de mágico ou de
mecânico, nem podem ser um “comércio” com Deus; pois não se destinam a
“dobrar a vontade do Senhor. Às vezes os fiéis prometem até coisas que
não conseguem cumprir por falta de condições físicas, psíquicas ou
financeiras, e ficam com medo de um castigo de Deus Pai. Pior ainda
quando alguém faz uma promessa para que outro a cumpra, sem o seu
consentimento. Os pais não devem fazer promessas para os filhos
cumprirem.
Ao determinar que nos daria as graças
necessárias nesta vida, o Todo-poderoso quis incluir no Seu desígnio a
nossa colaboração mediante a oração, o sacrifício, a caridade, etc. Deus
quer dar levando em conta as orações que Lhe fazemos. Sob esta ótica,
as promessas têm valor para Deus e para nós orantes, pois alimentam em
nós o fervor; estimulam nossa devoção; exercitam em nosso coração o amor
a Deus; e isso é valioso. Uma promessa bem feita pode nos abrir mais à
misericórdia do Senhor.
Quando não se puder cumprir uma promessa
feita a Deus, procure um sacerdote e peça-lhe que troque a matéria da
promessa. Essa solução está de acordo com os textos bíblicos que preveem
a possibilidade da mudança dos votos (ou promessas) por parte dos
sacerdotes: “Se aquele que fizer um voto não puder pagar a avaliação,
apresentará a pessoa diante do sacerdote e este fixá-la-á; o valor será
fixado pelo sacerdote de acordo com os meios de quem fizer voto” (Lv 27,
8; cf. Lv 27,13s.18.23).
Procure prometer práticas não somente
razoáveis, mas também úteis à santificação do próprio sujeito ou ao bem
do próximo. Quanto aos ex-votos (cabeças, braços, pernas… de cera), que
se oferecem em determinados santuários, diz Dom Estevão Bettencout que
“podem ter seu significado, pois contribuem para testemunhar a
misericórdia de Deus derramada sobre as pessoas agraciadas; assim
levarão o povo de Deus a glorificar o Senhor; mas é preciso que as
pessoas agraciadas saibam por que oferecem tais objetos de cera, e não o
façam por rotina ou de maneira inconsciente” (PR, Nº 262 – Ano 1982 –
Pág. 202).
Entre as melhores promessas estão as três
clássicas que o próprio Jesus propôs: a oração, a esmola e o jejum (cf.
Mt 6,1-18). A Santa Missa é o centro e o alimento por excelência da
vida cristã. A esmola “encobre uma multidão dos pecados” (cf. 1Pd 4,8;
Tg 5,20; Pr 10,12); o jejum e a mortificação purificam e libertam das
paixões o ser humano. Jesus disse que certos males só podem ser
eliminados pelo jejum e pela oração. Se a prática das promessas levar o
cristão ao exercício dessas boas obras, então é salutar. As promessas
nada têm a ver com as “obrigações” dos cultos afro-brasileiros, mas são
expressões do amor filial dos cristãos a Deus.
Mergulhar nas palavras da Igreja a partir da oração, exorta Bento XVI
09:37:00
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VATICANO, 03 Out. 12 / 02:08 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Papa Bento XVI assinalou esta manhã que ao participar da oração da liturgia fazendo nossa a linguagem da mãe Igreja, aprendendo a falar nela e para ela. (...) Isto, explicou o Pontífice, acontece de modo gradual, pouco a pouco. “Preciso mergulhar progressivamente nas palavras da Igreja, com a minha oração, com a minha vida, com o meu sofrimento, com a minha alegria, com o meu pensamento”, afirmou. “É um caminho que nos transforma", frisou ainda o Papa na sua catequese desta quarta-feira sobre a oração litúrgica.
Seguindo a síntese em português da alocução de hoje, o Papa disse que "orar é estar habitualmente na presença de Deus, viver a relação com Ele à semelhança das relações que temos com os nossos familiares e pessoas que nos são caras. Por meio da oração entramos numa relação viva de filhos de Deus com o Pai, por meio de Jesus Cristo, no Espírito Santo. Neste sentido, não podemos esquecer que a Igreja é o único lugar onde podemos encontrar a Cristo como Pessoa vivente, sobretudo nas celebrações litúrgicas". A liturgia, precisou Bento XVI "ao fazer presente e atual o Mistério pascal de Cristo, faz com que Deus entre na nossa realidade, permitindo-nos encontrá-Lo e, por assim dizer, tocá-lo".
O Papa recordou que a oração é na liturgia “aprendemos a fazer nossas as palavras que a Igreja dirige ao seu Senhor e Esposo, o que nos leva a compreender que a oração tem uma dimensão coletiva: não podemos nunca rezar a Deus de um modo individualista. Por isso a liturgia deve ser fiel às formas da Igreja Universal, não podendo ser modificada pelos indivíduos, sejam sacerdotes ou leigos, pois mesmo na celebração litúrgica da menor das comunidades, a Igreja inteira está presente".
Segundo a nota da Rádio Vaticano em português de hoje, o Papa respondeu à questão apresentada no início de sua catequese: Como aprender a rezar? E Respondeu: “Dirigindo-me a Deus como Pai, rezando com a Igreja, aceitando o dom de suas palavras que pouco a pouco se tornam familiares e adquirem sentido. O diálogo que Deus estabelece conosco inclui sempre o ‘com’; não se pode rezar a Deus de modo individualista porque não lhe falamos como indivíduos, mas como Igreja que reza; entramos na grande comunidade na qual o próprio Deus nos nutre”.
“Caros amigos, a Igreja torna-se visível de vários modos: na ação caritativa, nos projetos de missão, no apostolado pessoal que cada cristão deve realizar no próprio ambiente. No entanto, o lugar no qual a igreja é experimentada plenamente é na liturgia”, sublinhou o Papa Bento. “Por isso, quando nas reflexões sobre liturgia nós centramos a nossa atenção somente sobre como torná-la atraente, interessante, bonita, corremos o risco de esquecer o essencial: a liturgia se celebra por Deus e não por nós mesmos; é obra sua; é Ele o sujeito; e nós devemos nos abrir a Ele e nos deixar guiar por Ele e pelo seu Corpo que é a Igreja”, destacou.
“Peçamos ao Senhor para aprendermos a cada dia a viver a sagrada liturgia, especialmente a Celebração Eucarística, rezando no “nós” da Igreja, que dirige o seu olhar não para si mesma, mas para Deus, e nos sentindo parte da Igreja viva de todos os lugares e todos os tempos. Obrigado”, concluiu o Santo Padre.
3 de out. de 2012
As virtudes da Santíssima Virgem
01:34:00
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As virtudes da Santíssima Virgem

O Sagrado Magistério da Santa Igreja, no Concílio Vaticano II, apontou a Santíssima Virgem como MODELO DE VIRTUDES. O Concílio afirmou que os fiéis “continuam ainda a esforçar-se por crescer na santidade, vencendo o pecado; por isso levantam os olhos para Maria que refulge diante de toda a comunidade dos eleitos como modelo de virtudes.” (LG 65)
Na mesma, Santa Afonso de Ligório, doutor da Santa Igreja, afirma que a Santíssima Virgem é modelo não de algumas, mas de TODAS as virtudes: “Poucas particularidades registram os evangelistas, quando falam das virtudes de Maria. Entretanto, chamando-a “cheia de graças” nos fazem saber, bem claramente, que ela teve todas as virtudes em grau heróico. De modo que, diz. S. Tomás, enquanto os demais santos sobressaiam, cada um em alguma virtude particular, foi a Bem-aventurada Virgem extraordinária em todas e de todas nos foi dada como modelo.” (“Glórias de Maria”, Tratado 3)
O Catecismo da Igreja Católica se refere à perfeição da vida da Santíssima Virgem que afirma que “Maria permaneceu também pura de todo pecado pessoal ao longo da vida.” (Catecismo da Igreja Católica, 493) Ou seja: preservada do pecado original em vista dos méritos de Nosso Senhor Jesus para poder gerá-lo em Seu Ventre Imaculado (Catecismo da Igreja Católica, 490-493), Ela passou a vida inteira sem cometer um único pecado! Nela inexistia a concupiscência, ou seja, a tendência que todos temos para fazer o mal e que é consequência do pecado original (Catecismo da Igreja Católica, 415). Porém, permanecia Nela a liberdade de praticar o bem ou mal. Cabe lembrar que Lúcifer, Adão e Eva não possuíam a concupiscência, e mesmo assim pecaram; a Santíssima Virgem, não!
Se a Santíssima Virgem é para nós modelo da perfeição a qual Nosso Senhor nos chama, cabe a nós Imitá-la em suas virtudes, dentro do nosso estado de vida. Santo Afonso de Ligório fala na “imitação de suas virtudes”, como “o maior obséquio que lhe podemos ofertar.” (“Glórias de Maria”, Tratado 3, introdução)
Neste pequeno estudo, é apresentada uma compilação do que a Santa Igreja crê à respeito das principais virtudes da Santíssima Virgem, com base nas palavras do Concílio Vaticano II, de Santo Afonso Maria de Ligório, de São Luis Maria Montfort, do saudoso Papa João Paulo II, do saudoso Papa Paulo VI e de Pe. Raniero Cantalamessa (pregador da Casa Pontifícia).
• Modelo de Fé
“Maria, durante a pregação de seu Filho, recolheu as palavras com que Ele, exaltando o reino acima das razões e vínculos de carne e do sangue, proclamou bem-aventurados os que ouvem e observam a Palavra de Deus (Mc 3,35; Lc 11,27-28), como Ela fazia fielmente (Lc 2,19 e 51). Assim, também a bem-aventurada Virgem avançou no caminho da fé, e conservou fielmente a união com seu Filho até a cruz.” (Concílio Vaticano II – Lumen Gentium 58)

“A bem-aventurada Virgem, assim como é Mãe do amor e da esperança, também é Mãe da fé. (…) O dano que Eva com sua incredulidade causou, Maria o reparou com sua fé. (…) Dando Maria seu consentimento à Encarnação do Verbo, abriu aos homens o paraíso por sua fé. (…) Por causa desta fé, proclamou-a Isabel bem-aventurada: E bem-aventurada tu, que creste, porque se cumprirão as coisas que da parte do Senhor te foram ditas” (Lc 1,45). Porque abriu seu coração à fé em Cristo, é Maria mais bem-aventurada do que por haver trazido no seio o corpo de Jesus Cristo. (…) Maria ficou firme na sua jamais abalada fé na divindade de Cristo. (…) Assim Maria – conclui S. Alberto Magno – exercitou a fé por excelência; enquanto até os discípulos vacilaram em dúvidas, ela afugentou toda e qualquer dúvida. (…) Exorta-nos S. Agostinho a vermos as coisas com olhos cristãos, isto é, à luz da fé. S. Teresa dizia que todos os pecados nasceu da falta de fé.” (Santo Afonso de Ligório, em “Glórias de Maria”, Tratado 3, IV)
“Maria precedeu-nos na via da fé: crendo na mensagem do anjo, Ela é a primeira a acolher, e de modo perfeito, o Mistério da Encarnação.” (Papa João Paulo II, em sua catequese de 25/11/1995)

“Também Maria fez uma pergunta ao anjo: “Como será isso, se não conheço nenhum homem?” (Lc 1,34), mas com uma atitude bem diferente da atitude de Zacarias. Ela não pede uma explicação para entender, mas para saber como executar o plano de Deus. Quer saber como deve portar-se, como deve fazer, pois ainda não conhece homem. Desta maneira, ela nos mostra que, em alguns casos, não é lícito querer entender a todo custo a vontade de Deus, ou o porquê de algumas situações aparentemente absurdas; é porém lícito pedir a Deus a luz e a ajuda para cumprir essa vontade. (…) O Concílio Vaticano II fez-nos um grande Dom ao afirmar que também Maria caminhou pela fé, aliás, “avançou em peregrinação de fé”, isto é, cresceu e aperfeiçoou-se nela. (…) A fé, juntamente com sua irmã, a esperança, é a única coisa que não começa com Cristo, mas com a Igreja, e por isso, com Maria, que é seu primeiro membro na ordem do tempo e da importância. O Novo Testamento nunca atribui a Jesus a fé (…). A fé é um relacionamento entre Deus e o homem, como de pessoa para pessoa; mas Jesus é Deus e homem na mesma pessoa; como poderia, pois, haver nele a fé? Ele é a pessoa mesma do Verbo que não pode relacionar-se com o Pai, através da fé, porque se relaciona com ele através da natureza, sendo “Deus e Deus, luz da luz.” (Pe. Raniero Cantalamessa, em “Maria, um espelho para Igreja”, p. 33-41)
• Modelo de esperança
“Da fé nasce a esperança. (…) Possuindo Maria a virtude da fé por excelência, teve também, por excelência, a virtude da esperança. (…) Não confiava nem nas criaturas, nem nos próprios merecimentos, mas só contava com a graça divina, na qual estava toda sua confiança. (…) Mostrou, de fato, a Santíssima Virgem quanto lhe era grande essa confiança em Deus, primeiramente ao ver a perplexidade de S. José, seu esposo, que, ignorando a misteriosa maternidade de sua esposa, pensava em deixá-la. (…) Provou ainda sua confiança em Deus quando, próxima ao parto, se viu em Belém, expulsa até da hospedaria dos pobres, e reduzida a dar à luz numa estrebaria. (…) Igual confiança mostrou também na Providência quando S. José a avisou de que era necessário fugir para o Egito. Ainda na mesma noite, partiu para a longa e penosa viagem a um país desconhecido, sem provisões, sem dinheiro e sem outro acompanhamento serão do Menino Jesus e de seu pobre esposo. (…) Melhor ainda demonstrou, porém, sua confiança, quando pediu ao Filho o milagre do vinho em favor dos esposos de Caná.” (Santo Afonso de Ligório, em “Glórias de Maria”, tratado 3, V)


“Esteve junto da cruz “em esperança”. (…) Partilhou com o Filho não só da morte, mas também a esperança da ressurreição. (…) No Calvário ela não é só “Mãe das Dores”, mas também “Mãe da esperança”, “Mater Spei”, como o invoca a Igreja num de seus hinos. (…) Se Isaac era figura de Cristo, Abraão que o leva para imolar é figura de Deus Pai no Céu, e de Maria na terra. São Paulo afirma que, nessa oportunidade, Abraão “acreditou esperando contra toda esperança” (Rm 4,18). O mesmo deve-se dizer, com maior razão, de Maria junto da cruz: ela acreditou esperando contra toda esperança. Esperar contra toda esperança significa: “sem ter nenhum motivo de esperança, numa situação humanamente de total desesperança e em total contraste com a promessa, continuar esperando unicamente por causa da palavra de esperança por Deus.” (Pe. Raniero Cantalamessa, em “Maria, um espelho para Igreja”; p.99-100)
• Modelo de amor a Deus
“Quanto mais um coração é puro e vazio de si mesmo, tanto mais cheio é de caridade para com Deus. Assim Maria, sendo sumamente humildade e vazia de si, foi cheio divino amor e nesse amor excedeu a todos os anjos e homens (…). Com razão, a chama S. Francisco de Sales Rainha do Amor. (…) Deu o Senhor aos homens o preceito: “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração.” (Mt 22,37) (…) Na opinião de S. Alberto Magno, semelhante preceito, por ninguém cumprido com perfeição, de certo modo teria sido indecoroso ao Senhor, que o decretou, se não houvesse existido sua santa Mãe que o cumpriu perfeitamente. (…) Quem como ela cumpriu o preceito de amar a Deus de todo o coração? Tão intenso era-lhe o incêndio de amor divino, que não restava lugar para menor imperfeição. (…) Até os serafins, exclama Ricardo, podiam descer do céu para aprender no coração de Maria a maneira de se amar a Deus. (…) Sobre isso apóia-se o pensamento de S. Bernardino de Sena, de que Maria nunca foi tentada pelo inferno. Eis suas palavras: assim como de um intenso fogo fogem as moscas, assim do coração de Maria, fogueira de caridade, eram expulsos os demônios, de modo que nem tentavam aproximar-se dele. Lemos o mesmo pensamento em Ricardo, de S. Vítor: Os príncipes das trevas de tal maneira temiam a Virgem Santíssima, que nem ousavam chegar-se para tentá-la, porque as chamas de sua caridade os afugentavam. Maria revelou a S. Brígida que no mundo nunca teve outro pensamento, outra desejo, outra alegria, senão Deus. (…) Maria não vivia repetindo atos de amor, à maneira dos santos; mas, por singular privilégio lhe foi a vida um ato único e contínuo de amor de Deus. (…) Maria não tem maior desejo, do que ver amado seu dileto Filho, que é Deus.” (Santo Afonso de Ligório, em “Glórias de Maria”, Tratado 3, cap. II)


• Modelo de amor ao próximo

“O amor para com Deus e para com o próximo nos é imposto pelo mesmo preceito. (…) Como nunca houve, nem haverá quem ame a Deus mais do que Maria, tão pouco nunca houve, nem haverá quem mais do que ela ame ao próximo. (…) Passou Maria uma vida tão cheia de caridade que socorria aos necessitados, ainda quando não lhe pediam solícito auxílio. Assim o fez, por exemplo, nas bodas de Caná. (…) Mais brilhante prova dessa grande caridade não nos pôde dar, do que oferecendo seu Filho à morte pela nossa salvação. Tanto amou o mundo, que para salvá-lo, entregou a morte Jesus. (…) Não diminuiu esse amor de Maria para conosco, agora que nos céus se encontra.” (Santo Afonso de Ligório, em “Glórias de Maria”, Tratado 3, cap. III)
• Modelo de obediência
“Quando da embaixada de S. Gabriel não quis tomar outro nome senão o de escrava. “Eis aqui a escrava do Senhor.” Como efeito, testemunha S. Tomás de Vilanova, essa fiel escrava do Senhor nunca a contrariou, nem por ações, nem por pensamentos. Obedeceu sempre e em tudo a divina vontade, completamente despida de toda vontade própria. (…) Por sua obediência, reparou Maria o dano causado pela desobediência de Eva. (…) A obediência de Maria foi muito mais perfeita que a de todos os santos. (…) Todos os homens sendo inclinados ao mal por causa do pecado original, sentem dificuldades na prática do bem. Mas tal não se deu com a Santíssima Virgem. Isenta da culpa original, nada tinha que a impedisse de obedecer a Deus. (…) Maria demonstrou sobretudo sua heróica obediência à divina vontade, quando ofereceu o Filho à morte. Na grandeza de sua constância, dizem o Vulgato Idelfonso e S. Antonino, estaria disposta a crucificá-lo, se houvessem faltado os algozes. (…) À exclamação da mulher que o interrompia com as palavras: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos que te amamentaram”, respondeu o Salvador: “Antes, bem aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em obra (Lc 11,27-28) Maria era mais bem-aventurada por sua obediência a Deus, do que por motivo de sua dignidade como Mãe do Senhor.” (Santo Afonso de Ligório, em “Glórias de Maria”, Tratado 3, cap. VIII)

“É Maria chamada com razão Rainha dos Mártires, visto Ter suportado o maior martírio que se possa padecer depois das dores do Filho. (…) Para ser mártir é suficiente sofrer uma dor capaz de dar a morte, ainda em que realidade não se venha morrer. (…) Para a glória do martírio, segundo Tomás, basta que uma pessoa leva a obediência ao ponto de oferecer-se à morte. (…) Vemos por aí que Maria não só foi verdadeiramente mártir, mas que seu martírio excedeu a todos os outros por sua duração. Pois que foi sua vida, senão um longo e lento martírio? (…) A intensidade de seu sofrimento tão aniquiladora foi, que, dividida por todos os homens, bastaria para fazê-los morrer todos, repentinamente. (…) Por ocasião do grande sacrifício do Cordeiro Imaculado, que morria por nós na cruz, poderíamos ter visto dois altares: um no Calvário, no corpo de Jesus, outro no Coração de Maria. Enquanto que o Filho sacrificava seu corpo pela morte, Maria sacrificava sua alma pela compaixão. (…) Quanto mais os santos mártires amavam, pois, a Jesus, menos sentiam os tormentos e a morte. Bastava-lhes a lembrança dos sofrimentos de um Deus crucificado para consolá-lo. Podiam, porém, nossa Mãe dolorosa achar consolo no amor a sei Filho e na lembrança dos seus sofrimentos? Não; justamente esse padecimento era todo o motivo da sua maior dor.” (“Glória de Maria”, Tratado 2, cap.I) “Nas palavras de Simeão, reconhece Maria os pormenores da Paixão de Jesus. (…) efetivamente, como foi relevado a Sta. Tereza, a bendita Mãe sabia dos sacrifícios que seu Filho devia fazer da vida para a salvação do mundo. Mas naquele momento, de um modo mais particular e distinto, conheceu as penas e a cruel morte, reservadas a seu pobre Filho no futuro. (…) Recebeu como suma paz a profecia sobre a morte do Filho, e continuou a sofrer sempre em paz. Mas, vendo sempre diante dos olhos aquele amável Filho, que dor padeceria então continuamente! (…) Maria revelou a S. Brigida não ter vivido um momento na terra em que não fosse dilacerada por essa dor. Sempre que via meu Filho, disse a Virgem, sempre que o vestia, que lhe olhava as mãozinhas e os pés, abismava-se novamente minha alma no sofrimento, porque me lembrava da Paixão que o guardava. (…) Apoiando-se numa revelação de S. Brígida, diz Padre Engelgrave, jesuíta, que a aflita Mãe sabia de todos os pormenores das penas preparadas a seu Filho. (…) A Virgem não cessava de oferecer à Divina Justiça a vida do Filho pela nossa salvação (…). Por aí vemos o quanto cooperava pelos seus sofrimentos para fazer-nos nascer para a vida da graça.” (Santo Afonso de Ligório, em “Glórias de Maria”, Tratado 2, cap.II)

“Há duas maneiras, aqui na terra, de alguém pertencer a outro ou depender de sua autoridade. São a simples servidão e a escravidão, donde a diferença que estabelecemos entre servo e escravo. (…) Há três espécies de escravidão: por natureza, por constrangimento e por livre vontade. Por natureza, todas as criaturas são escravas de Deus. (…) Os demônios e os réprobos são escravos por constrangimento; e os juntos e os santos são por livre e expontânea vontade. A escravidão voluntária é a mais perfeita, a maios gloriosa aos de Deus, que olha o coração, que pede o coração e quem é chamado o Deus do coração ou da vontade amorosa, porque, por esta escravidão, escolhe-se sobre todas as coisas, a Deus e seu serviço, ainda quando não o obriga a natureza. (…) Conforme o exemplo do próprio Jesus Cristo, que, por nosso amor, tou a forma de escravo, e da Santíssima Virgem, que se declarou escrava do Senhor (Lc 1,38) O apóstolo honra-se várias vezes em suas epístolas com o título de “servi christi”. A Sagrada Escritura chama muitas vezes os cristãos de “servi Christi”, e esta palavra “servus”, conforme observação acertada de um grande homem, significava, outrora, apenas escravo, pois não existiam servos como os de hoje.” (São Luis Montfort, em “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, 69-72)

“Ao proclamar-se “Escrava do Senhor”, deseja empenhar-se em realizar pessoalmente, de modo perfeito, o serviço que Deus espera de todo Seu povo.” (Papa João Paulo II, em sua Catequese de 07/09/1996)
• Modelo de pobreza
“Com a herança de seus pais, teria ela podido viver folgadamente, como prova S. Pedro Canísio. Preferiu ela no entanto ser pobre, muito pouco reservando para si e o mais distribuindo em esmolas ao templo e aos pobres. Afirmam muitos autores que a Virgem fez voto de pobreza. (…) Não ofertou cordeiro, que era o presente dos ricos, imposto pelo Levítico, mas as duas rolas ou pombas, oferta dos pobres 8Lc 2,24). O que possuía – disse a Virgem Santíssima a S. Brígida – dei-o aos pobres: só guardei o indispensável para vestir e comer. (…) Por amor a pobreza, também não recusou desposar um pobre carpinteiro, qual foi S. José; sustentou-se por isso com o trabalho de suas mãos, fiando ou cosendo. (…) Os bens deste mundo não valiam para Nossa Senhora mais do que cisco. Em suma, ela viveu sempre pobre e pobre morreu. Pois não se sabe que por sua morte deixasse outra coisa, senão duas pobres vestes a duas mulheres que a tinham assistido durante a vida, como referem Nicéforo e Metafrasto.” (Santo Afonso de Ligório, em “Glórias de Maria”, Tratado 3, cap. VII)
• Modelo de castidade

“Ela, com razão, é chamada Virgem das virgens, lemos em S. Alberto; e isso porque sem conselho, nem exemplo de outros, foi a primeira a oferecer sua virgindade a Deus, dando-lhe assim as outras virgens que a imitaram. (…) Maria com sua só presença insinuava a todos pensamentos e afetos de pureza. Isso só confirma as palavras de S. Tomás: A beleza da Santíssima Virgem despertava em quantos a viam o amor à pureza. S. Jerônimo é do parecer que S. José conversou a virgindade pela companhia de Maria. (…) A Santíssima Virgem era tão amante dessa virtude que para conservá-la, estaria pronta a renunciar a dignidade de Mãe de Deus.” (Santo Afonso de Ligório, em “Glórias de Maria”, Tratado 3, cap. VI)
• Modelo de humildade

“Sem humildade, não há virtude que possa existir numa alma. (…) Assim como Maria em todas as virtudes foi a primeira e mais perfeita discípula de Jesus Cristo, o foi também na humildade. Por ela mereceu ser exaltada sobre todas as criaturas. (…) Embora se visse mais enriquecida de graças que os outros todos, nunca ela se julgou acima de que quer que fosse. Ao contrário, teve sempre modesta opinião de si mesma. (…) O humilde conceito de si mesma foi o encanto com que Maria prendeu o coração de Deus. Não podia, é claro, a Santíssima Virgem julgar-se uma pecadora. Pois na frase de S. Tereza, a humildade é a verdade, e Maria tinha consciência de nunca ter ofendido a Deus. Não é também que deixasse de confessar a preferência com que Deus lhe concedera maiores favores do que as demais criaturas. Para humilhar-se ainda mais, reconhece o coração do humildade as singulares dádivas do Senhor. A nítida compreensão da infinita grandeza e dignidade de Deus, porém, aprofundava na Virgem o conhecimento da própria pequenez. (…) Vendo-se uma mendiga revestida de custosas vestes, que lhe foram dadas, não se envaidece, mas antes se humilha ao contemplá-las diante de seu benfeitor. Justamente essa presença fá-la recordar sua pobreza. Assim a Virgem quanto mais enriquecida se via, mais se humilhava, Lembrava-se, sem cessar, de que tudo aquilo era dom de Deus. (…) Também é efeito da humildade ocultar os dons celestes. Nem a S. José quis a Senhora revelar a graça se haver tornado Mãe de Deus. (…) O humilde recusa os louvores referindo-os todos a Deus. (…) E foi outro talvez seu procedimento quando Isabel a chamou de bendita entre todas as mulheres e de Mãe do Senhor? Imediatamente Maria atribui toda a glória a deus respondendo no seu humildade cântico: Minha alma engrandece ao Senhor. Vale como se dissesse: Isabel, tu me louvas, porém eu louvo ao Senhor, a quem unicamente é devida toda a honra. (…) É próprio do humildade prestar serviços. Maria não se negou a servir Isabel durante três meses. (…) O humilde gosta de uma vida retirada e despercebida. Maria procedeu de modo semelhante (…) quando seu Filho pregava numa casa e ela lhe desejava falar. Não se animou a entrar (Mt 12,46). Ficou de fora e não confiou o prestígio de mãe, mas evitou de interromper a pregação do Filho; não entrou por isso na casa onde ele falava. (…) Quis ela tomar o último lugar, quando estava no cenáculo com os apóstolos. (…) S. Lucas – na opinião de um autor – os nomeou a todos e por último a Virgem, segundo o lugar que ocupava. (…) Os humildes amam finalmente os desprezos. Eis por que não se lê que Maria aparecesse em Jerusalém Domingo de Ramos, quando seu Filho foi recebido com tanta pompa pelo povo. Mas, por ocasião da morte de Jesus, não receou comparecer em público no Calvário, aceitando assim a desonra de se dar a conhecer por mãe de um sentenciado, que ia sofrer a morte de um criminoso.” (“Glória de Maria”, Tratado 3, cap.I) “Ciente pela Sagrada Escritura de que Deus devia nascer de uma virgem, para salvar o mundo (…) desejava alcançar a vinda do Messias, na esperança de ser a serva daquela feliz Virgem, que merecesse ser sua mãe. (…) Enquanto Maria em sua humildade nem se julgava digna de ser a serva da Divina Mãe, foi ela mesma a eleita para essa sublime dignidade. (…) Ao ser saudada pelo anjo (…), a esta saudação cheia de louvores, que responde? Nada; não respondeu, mas pensando na saudação, perturbou-se. (…) Essa perturbação foi causada unicamente por sua humildade, que absolutamente não podia compreender semelhantes louvores. (…) Houvesse o anjo declarado que era a maior pecadora do mundo, e não teria a Virgem se admirado tanto; mas ouvindo aqueles louvores tão sublimes, se perturbou.” (Santo Afonso de Ligório, em “Glórias de Maria”, Tratado 1, cap.3 e 4)
“Tão profunda era sua humildade, que, para ela, o atrativo mais poderoso, mais constante era esconder-se de si mesma e de toda criatura, para ser conhecida somente de Deus. Para atender aos pedidos que ela lhe fez de escondê-la, empobrecê-la e humilhá-la, Deus providenciou para que oculta ela permanecesse em seu nascimento, em sua vida, em seus mistérios, em sua ressurreição e assunção, passando despercebida aos olhos de quase toda criatura humana. Seus próprios parentes não a conheciam; e os anjos perguntavam muitas vezes uns aos outros: Quem é esta? (Cant 3,6; 8,5) Pois que o Altíssimo lhe escondia; ou, se algo lhes desvendava a respeito, muito mais, infinitamente, lhes ocultava. Deus Pai consentiu que jamais em sua vida ela fizesse algum milagre, pelo menos um milagre visível e retumbante, conquanto lhe tivesse outorgado o poder de fazê-los. Deus Filho consentiu que ela não falasse, se bem que lhe houvesse comunicado com sabedoria divina. Deus Espírito Santo consentiu que os apóstolos e evangelistas a ela mal se referissem, e apenas no que fosse necessário para manifestar Jesus Cristo. E, no entanto, ela era a Esposa do Espírito Santo. (…) Ela se ocultou neste mundo e, por sua humildade profunda, se colocou abaixo do pó, obtendo de Deus, dos apóstolos e evangelistas não ser quase mencionada.” (São Luis Monfort, em “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, 2-50)
• Modelo de paciência

“Deu-nos ele (Deus) a Virgem Maria para exemplo de todas as virtudes, principalmente a para modelo de paciência. (…) Tal como entre espinhos viça a rosa, viveu assim entre padecimento contínuos a Mãe de Jesus. Só a compaixão com as penas do Redentor foi bastante para torná-la mártir da paciência. Daí a palavra de S. Bernardino de Sena: A crucificada concebeu o Crucificado. (…) A cerca de espinhos guarda a vinha, e assim Deus circunda de tribulações a seus servos, para que não se apeguem à terra. De modo que a paciência nos livra do pecado e do inferno. (…) Todos os adultos que se salvam devem ser mártires, ou pelo sangue ou pela paciência.” (Santo Afonso de Ligório, em “Glórias de Maria”, Tratado 3, cap. IX)

• Modelo de oração
A Divina Mãe foi, abaixo de Jesus, a mais perfeita na oração, de quantos tem existido e hão de existir. (…) Para melhor se entregar à oração, quis encerrar-se no retiro do tempo sendo ainda menina de três anos. Aí, além das horas destinadas a esse santos exercício, erguia-se te noite e ia orar antes o altar do templo, como revelou a S. Isabel de Turíngia. Segundo Odilon de Cluni, visitava mais tarde os lugares do nascimento, da Paixão e do sepultamento de Cristo, para meditar continuamente nas dores do seu Filho. A Santíssima Virgem rezava também completamente recolhida e livra de qualquer distração ou afeto desordenado. (…) Maria só saia de casa para visitar o templo. (…) Pelo amor à oração e ao retiro, estava sempre atenta em fugir ao trato com o mundo.” (Santo Afonso de Ligório, em “Glória de Maria”, Tratado 3, cap.X)
• Modelo de adoradora
“Maria não podia deixar de estar presente nas celebrações eucarísticas, no meio dos fiéis da primeira geração cristã. (…) Maria é Mulher Eucarística na totalidade de sua vida. A Igreja, vendo em Maria seu modelo, é chamada a imitá-la também em sua relação com este mistério santíssimo. (…) O olhar extasiado de Maria, quando contemplava o rosto de Cristo recém-nascido e o estreitava em seus braços, não é porventura o modelo inatingível de amor a que se devem inspirar todas as nossas comunhões eucarísticas? (…) Impossível imaginar os sentimentos de Maria aos ouvir dos lábios de Pedro, João, Tiago e restantes apóstolos as palavras da Última Ceia: “Isto é Meu Corpo que vai ser entregue por vós.” (Lc 22,19) Aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais, era o mesmo corpo concebido no seu ventre! (…) “Maria viveu a dimensão sacrifical da Eucaristia”. (Papa João Paulo II, em Ecclesia de Eucharistia, 53-56).
“Maria é modelo, sobretudo, daquele culto que consiste em fazer da própria vida uma oferenda a Deus.” (Papa Paulo VI, em “O culto à Virgem Maria”, 21)
SANTA MARIA, ROGAI POR NÓS…
2 de out. de 2012
“A fobia da liberdade” e a censura.
16:18:00
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SOBERBO!
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Por Reinaldo Azevedo
Os seguidores de Maomé e os “racialistas” recriam a censura no Brasil, com participação da Justiça Ou: O fato de um filme ser um lixo não dá a ninguém o direito de matar ou de impor aos outros a sua vontade.
Tenho 51 anos. Integrei a jovem geração que lutou por liberdade de pensamento e expressão. E que a conquistou, junto com os mais velhos, que se dedicaram à luta institucional.
Aqui, abro parênteses para uma pequena digressão. Depois retorno ao leito do rio. Dia desses, Lula sugeriu que o regime democrático é uma conquista do PT. Uma ova! Tivesse o sistema político seguido a sua orientação, o Regime Militar teria elegido (e não “eleito” nesse caso…) Paulo Maluf, hoje um aliado dos petistas (era premonição?), presidente da República.
Tivesse o sistema político seguido a sua orientação, a Constituição de 1988 teria ficado sob a sombra da ilegitimidade, já que os petistas se negaram a participar da sessão de homologação da Carta. E muitos foram os outros boicotes do partido à ordem legal.
A Lei de Anistia, fundamental para a transição para a democracia, nada deveu ao petismo — o partido só seria fundado em 1980.
Tampouco tem qualquer vínculo com o movimento sindical do ABC. Ao contrário até: a pauta do lulismo, até ali, tinha pouquíssimo apelo de natureza institucional. O desejo de liberdade que a muitos movia, só vim saber depois, só poderia ser garantido por uma sociedade democrática, de mercado e laica.
O que me levou, aliás, aos 15 anos, a me ligar a um grupo de esquerda foi justamente não me conformar com a possibilidade de que um estado onipresente dissesse o que eu poderia ou não fazer. O vocabulário era outro. Falávamos então “o sistema”. Éramos contra “o sistema”. É claro que, se era liberdade o que eu queria, a esquerda não era o caminho, como descobri depois. Mas, já escrevi, não me arrependo dos meus impulsos de então nem do meu equívoco. É evidente que a ditadura tinha de acabar.
Trinta e seis anos depois, pego-me aqui a noticiar que a Justiça determinou que o Google, a pedido da União Nacional Islâmica (UNI), retire do Youtube, no Brasil, qualquer trailer do filme “Inocência Islâmica”. Não vi esse troço nem tentarei. O que li a respeito já me basta. É um lixo! Suponho que a UNI, para pedir a censura, o tenha visto. E agora pretende impor ao conjunto dos brasileiros — como, parece, boa parte dos islâmicos querem impor ao mundo — os seus valores e a sua leitura da realidade. A síntese é a seguinte: a UNI já viu o filme por nós todos e decidiu que não temos o direito de formular o nosso próprio juízo — inclusive constatar que é um lixo.
O Departamento Nacional de Censura, durante a ditadura militar, fazia rigorosamente isto: via antes os filmes. Se julgasse que eles poderiam trazer qualquer ameaça à ordem interna ou à índole pacífica do nosso povo, proibia. Nos tempos mais severos, os autores poderiam ser perseguidos.
O valor da democracia é outro. As maiores conquistas da humanidade se deram num ambiente de liberdade, de livre exame dos fatos e da história. Por mais odioso ou errado — no sentido de que possa estar em desacordo com os fatos — que seja um pensamento, é na liberdade de apontar o erro que reside a nossa grande qualidade. Se há mesmo, no tal filme, discriminação de uma religião e incitamento ao preconceito, práticas vetadas pela nossa Constituição, é preciso que se proceda a um exame objetivo do caso em questão.
A Constituição aboliu — e isso nos custou bastante — a censura prévia. A UNI não pode ter a pretensão, não numa democracia, de decidir ela própria, com o concurso de juízes brasileiros, o que podemos ou não ver. E isso vale, obviamente, para qualquer religião.
Duas das novelas que estão no ar, na Globo, ridicularizam impiedosamente personagens católicos — avançando para a caricatura grotesca. Carminha, a Megera de “Avenida Brasil”, diz-se uma católica fervorosa. Tem uma ONG, que administra em parceria com um padre idiota e comilão, só para roubar dinheiro de Tufão, o Cornão. Em público, exibe seus dotes de carola, persignando-se, fazendo tábula rasa de valores que são caros a milhões de pessoas. É evidente que essa história acaba tendo uma moral: o católico fervoroso é sempre um santarrão do pau oco, alguém que, no escurinho, pratica o contrário da fé que prodigaliza.
Em Gabriela, um padre afrescalhado, que gosta de virar os olhinhos quando fala, é só um contínuo idiota dos coronéis: nega-se a casar Gabriela porque já vivia com o noivo, mas celebra o casamento de um assassino confesso. As beatas que vivem ao redor do altar são exemplos notáveis de hipocrisia, vigarice moral e parvoíce. Sim, como católico, confesso, ofendem-me as duas reduções grosseiras da religião. Não é a crítica em si, não — eu sou apaixonado, por exemplo, por “O Vermelho e O Negro”, de Stendhal —, mas a simplificação rasteira. Mas vou fazer o quê? Os católicos farão o quê?
Podem protestar, fazer abaixo-assinados, mandar cartinhas à emissora, essas coisas muito próprias das democracias. E só! Não se concebe que, vendo ofendidos seus valores ou sua igreja, saiam por aí a botar fogo no mundo, a matar pessoas, a impor aos não católicos a sua visão de mundo.
Lembram-se da campanha antiaborto em 2010
Não precisamos ir muito longe, não. Recuemos modestos dois anos. Este país — e a maior parte de sua imprensa — assistiu calado a uma clara agressão à liberdade religiosa e à liberdade de expressão quando foram apreendidos panfletos impressos por católicos pregando a seus fiéis que não votassem em candidatos favoráveis ao aborto. O PT recorreu à Justiça, e o TSE determinou que a Polícia Federal os recolhesse. Pessoas foram detidas por portar o papel. O texto não citava o PT. O texto não citava Dilma. O texto tratava apenas de valores. Fazia uma recomendação pacífica — VOTO!!! — a seus fiéis. Nada mais do que isso.
A imprensa assistiu calada àquele absurdo e, em muitos aspectos, até estimulou a decisão, na medida em que passou a considerar a expressão de uma opinião de uma parcela da Igreja uma interferência indevida no processo eleitoral. Como se a manifestação de religiosos trouxesse, em si mesma, o mal. A questão alcançou 2012. E de maneira dramática. Antes mesmo que o PSDB ensaiasse os seus primeiros passos eleitorais, o “jornalismo independente” arrancou do partido uma espécie de promessa de que jamais se tocaria nesse assunto — ou no kit gay. Esses setores do jornalismo só se esqueceram de combinar com Celso Russomanno e com a Igreja Universal. Mas não vou tomar o atalho. Volto ao meu leito.
Uma carta de uma página — pacífica, respeitosa, decente — foi tratada como manifestação do obscurantismo, das trevas, da religiosidade tacanha.
Agora, a censura imposta pelos islâmicos — mundo afora, na pancadaria; entre nós, com o auxílio da Justiça — é recebida sob um silêncio reverencial, com medo. São os setores que adoram odiar os cristãos, que não ameaçam ninguém, mas que reconhecem aos muçulmanos uma espécie de “direito natural” de impor mundo afora os seus valores e as suas crenças. A ironia perversa é que, no dia em que a Justiça brasileira volta a aplicar a censura prévia, a presidente brasileira, na ONU (ver posts abaixo), acusou a existência de “islamofobia” no Ocidente, como se os crentes dessa religião estivessem impedidos de exercer livremente as suas convicções.
Imaginem, reitero, se católicos tivessem tentando impor quaisquer limites ao catolicismo vigarista da Carminha ou à moral torta e saltitante do padre de “Gabriela”. Ainda que tivessem se manifestado apenas por intermédio de um texto, ouviríamos a gritaria: “Censura!”. Uma ação judicial, então, não teria chance de prosperar — e é bom que assim seja. Os católicos têm de aprender a defender os seus valores sem esperar que o estado ou os meios de comunicação façam isso por eles. Até porque o que está realmente em curso no Ocidente e, desde sempre, em vários países islâmicos é outra fobia: a “Cristofobia”, que é título de um dos capítulos de “O País dos Petralhas II – O inimigo agora é o mesmo”.
Já escrevi posts aqui tratando de suas situações curiosas. O New York Times publicou um anúncio conclamando as pessoas a abandonar o catolicismo, apontando as suas mazelas. Uma leitora teve uma ideia: fez peça idêntica, mas convidando fiéis a abandonar o islamismo. O anúncio foi recusado. Mark Thompson, então chefão da BBC, admitiu no começo deste ano que a rede jamais zombaria de Maomé como zombava de Cristo e explicou as razões: os muçulmanos consideram isso uma ofensa. Já os cristãos não se importavam muito. Entendo. No mês passado, Thompson mudou de continente e foi ser CEO do New York Times. Pelo visto, o jornal continuará a publicar anúncios incitando católicos a abandonar a sua religião e continuará a não publicar os que conclamam os islâmicos a fazer o mesmo. Pelo visto, quem tem o argumento da força a utiliza como força do argumento.
Não, não vi o filme e não vou ver. Aliás, o mundo o teria ignorado não tivesse sido ele transformado numa causa pelo radicalismo islâmico, que agora faz a sua pauta chegar ao Brasil.
Uma entrevistado presidente do Egito
No domingo, o New York Times, aquele de que Thompson é agora o chefão, publicou uma entrevista com o presidente do Egito, Mohamed Mursi, um dos líderes da Irmandade Muçulmana. Mais do que apoiado, ele tem incentivado manifestações de protesto contra o tal filme. Para provar a sua notável compreensão sobre o mundo moderno, afirmou esta maravilha:
“Se você quer avaliar as ações do povo egípcio segundo o padrão cultural alemão, chinês ou americano, então não há o que fazer. Quando os egípcios decidem alguma coisa, provavelmente isso não é apropriado para os Estados Unidos. Quando os americanos decidem alguma coisa, isso, evidentemente, não é apropriado para o Egito”.
Certo! Os povos têm, segundo ele, sua identidade, suas necessidades, sua visão de mundo. Isso não pode servir de pretexto, claro!, para que tiranias sanguinolentas se imponham ao arrepio de qualquer ordem internacional, mas é fato que um povo não pode dizer ao outro o que fazer. Ora, no Ocidente — nos Estados Unidos e nos demais países compreendidos sob essa designação —, a liberdade de expressão, de pensamento e de crítica é um valor, um fundamento. Que se note: não é a crítica aos muçulmanos ou a ironia com Maomé que têm ser protegidos, mas a possibilidade de expressar um ponto de vista. Se os egípcios podem e devem viver sob seus valores, por que seria diferente nas democracias ocidentais? O New York Times não lhe fez essa pergunta. Vai ver era para não ofender o entrevistado.
O mal está entre nós
O mal da censura está entre nós. Por incrível que possa parecer, por mais estúpido que isso se nos afigure, Monteiro Lobato, um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos — e era mesmo, acreditem! —, estará sob julgamento no STF. Terminou sem acordo ontem uma reunião entre o Ministério da Educação e representantes de um tal Instituto Advocacia Racial e Ambiental (Iara), que quer impedir a distribuição do livro “Caçadas de Pedrinho” em escolas públicas. O Iara submeteu a obra a um tribunal racial e exige que se acrescente a ela um adendo apontando os trechos considerados racistas.
Em 2010, depois de denúncia da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, o Conselho Nacional de Educação (CNE) determinou o banimento do livro das escolas. O MEC pediu reconsideração, e o veto foi anulado. A Iara impetrou um mandado de segurança em nome do, calculem!, técnico em gestão educacional Antônio Gomes Neto. No dia 11, o ministro Luiz Fux convocou uma audiência entre as partes, mas não houve acordo. A matéria agora deve ser analisada pelo plenário.
Adami já deixou claro que só aceita um resultado. Promete recorrer a “cortes internacionais” — como se a elas o STF fosse subordinado — caso não consiga o seu intento. Animado com a sua compulsão para censor, já pôs outro livro de Lobato na mira: “Negrinha”, que reúne 22 contos do autor. O Iara protocolou na manhã desta terça uma ação administrativa na Controladoria Geral da União (CGU) questionando a distribuição da obra em escolas públicas.
Vamos ver
Meu primeiro livro, “Contra o Consenso”, traz um pequeno ensaio sobre Monteiro Lobato. Noto ali o óbvio (embora o tema do meu texto seja outro): Lobato não é, com efeito, uma referência para o debate racial, nos termos em que as pessoas civilizadas entendem hoje a questão. Era um homem com todas as deformações do seu tempo — como todos nós. Por isso existem os professores. Por isso existem as escolas. Aliás, quem dera Lobato fosse hoje um autor trabalhado em sala de aula! Não é, com ou sem distribuição de livros pelo MEC. Seu vocabulário, mesmo na obra infantil, se tornou dramaticamente distante da indigência de nossas escolas. Que Lobato o quê! Hoje o que se leva à sala de aula, não raro, são as referências do que Paulo Freire (Deus meu!) chamava “educando”: RAP e funk! Trinta e dois por cento dos nossos universitários não são plenamente alfabetizados. Quatro por cento são analfabetos. O Jeca Tatu de Lobato era só um coitado! Os nossos Jecas estão no poder.
Imaginem se a Itália ousaria acrescentar à Divina Comédia, de Dante, uma advertência, chamando a atenção para o caráter anti-islâmico e antissemita da obra — porque há passagens que permitem essa leitura. Ou se a Inglaterra faria o mesmo com peças de Shakespeare, proibindo Otelo (o escuro incontido) ou “O Mercador de Veneza” (por antissemitismo). Ou se os EUA acrescentariam um “cuidado” por causa das inclinações fascistas de Ezra Pound! Ou se Portugal deveria censurar Alexandre Herculano em razão de “Eurico, o Presbítero”, para não mexer com susceptibilidades da Espanha (que apanha na obra) e dos muçulmanos.
O que é a educação numa sociedade livre senão a aquisição do pensamento científico e a formação do espírito crítico e de convicções no confronto livre de ideias? A ser como querem esses do tal Iara, toda obra deveria estar sempre em constante reescritura para adaptá-la aos valores contemporâneos. Não posso imaginar delírio totalitário maior do que esse — porque isso significaria, de fato, o fim da história.
Encerrando
Volto aos meus 15 anos, ao meu inconformismo com o “sistema”, o tal que ousava dizer o que eu podia ou não fazer, o que eu podia ou não ler, o que eu podia ou não pensar. Ao alcance do braço, em razão da disposição da estante em que estão estes livros, pego aqui “Trotski – Escritos Sobre Sindicato”. É uma publicação de outubro de 1978. Foi impresso antes ainda do fim do AI-5, que foi extinto no dia 13 daquele mês. Duas prateleiras abaixo, “Gramsci e o Bloco Histórico”, da Editora Paz e Terra. Ano de publicação: 1977 — na vigência ainda da ditadura, com todos os seus instrumentos.
Em 2012, os “novos iluminados”, agora divididos em corporações do ofício do pensamento, resolvem impor a censura prévia ao país e tirar livros de circulação. Tudo em nome da democracia! É a fobia da liberdade!










