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7 de set de 2010

Música Rock: O que é? (Por Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.)

Por Dom Estêvão Bettencourt O.S.B.

Em síntese: O “Rock” não é apenas um ritmo musical, mas implica uma filosofia de vida e todo um mundo de paixões, que podem estar revolucionando a sociedade, com grande detrimento para a cultura, a ciência e a educação. Em conseqüência do cultivo do “rock”, têm-se verificado suicídios, instigados pela letra de certas canções, e a dificuldade do jovem para estudar e se formar num determinado ramo do saber e da profissionalização. Também se tem registrado a invocação de Satanás em certas peças de “Rock”, juntamente com incitação ao erotismo, ao homossexualismo e ao incesto ... É para desejar que pais e mestres procurem o diálogo com adolescentes e jovens, a fim de lhes mostrar que o seu descontentamento e revolta contra a sociedade não se resolvem pelo desencadeamento de impulsos passionais, mas pelo equacionamento racional dos problemas e a tentativa lógica de os solucionar.

Dois Festivais de “Rock” no Rio de Janeiro deram ocasião a que o público brasileiro presenciasse os espetáculos de luz e som e a afluência de dezenas de milhares de jovens provocados pela música “Rock”. Por que tanto atrai a juventude um ritmo tão frenético? Por que toma caráter tão ruidoso e teatral a exibição do “Rock”? – Há uma filosofia subjacente a tal ritmo, que vale a pena perscrutar para se entender melhor o fenômeno. É o que passamos a fazer nas páginas subseqüentes.

1. “Rock”: quando começou?

A música é canal de comunicação poderosa, capaz de influir profundamente nas atitudes, no estado de ânimo, nas emoções e no comportamento das pessoas e das massas. Tem também enorme força de atração, de modo a congregar indivíduos e formar grupos. Ora nos últimos decênios começou a propagar-se um tipo de música especialmente fascinante por seu caráter estridente, seus sons muito fortes, suas letras agressivas, seus cenários coloridos e luminosos, seus cantores pouco ou exoticamente vestidos... Tal é o que se chama “a música Rock”. Parece ter seu ponto de partida mais perceptível no ano de 1954, quando Sam Phillips descobriu o cantor Elvis Presley e o induziu a gravar o seu primeiro disco profissional: That’s All (Mamá). No mesmo ano Bill Halley e o grupo The Comets gravaram a canção Rock Around the Clock, que se tornou em 1955 o fio central da película “Semente de Maldade”, premiada pela grande aceitação do público.

Antes de 1954 houve, sim, lançamentos musicais que prepararam o surto do “Rock”; mas constavam apenas de som, tinham seu âmbito tão somente nos grupos urbanos de cor e não se propagavam para longe. A música “Rock”, a partir de 1954, se dirige especialmente aos jovens, sugerindo-lhes ou confirmando-lhes um estado de ânimo contestatário e rebelde; precisamente as primeiras expressões do “Rock” tinham as características da música negra, opondo-se assim aos cânones da música mais comum nos Estados Unidos. Desta maneira o “Rock” tornou-se o símbolo de uma juventude inquieta; na década de 60, o fenômeno Beatle intensificou o poder de influência e fascinação do “Rock”.

Vê-se, pois, que “Rock” não é apenas um ritmo musical; é algo de muito mais complexo: a muitos jovens sugere um modelo de vida, que afeta seu comportamento na família e na sociedade, influi sobre o seu rendimento escolar, sobre as suas concepções, sobre a sua concepção de sexualidade ...

Algumas estatísticas referem que, entre os 12 e 17 anos de idade, os adolescentes norte-americanos ouvem tal música durante 10.500 horas, tempo pouco menos longo do que o que passam no colégio. Mediante aparelhos de rádio, gravadores e discos ouvem as canções que querem, em qualquer momento e lugar, fugindo ao acompanhamento de pais e mestres.

Nota-se que, quanto mais o adolescente se quer tornar auto-suficiente, mais procura e encontra na música modelos alternativos referentes ao uso da sexualidade, do dinheiro, da roupa ... Os cantores mais em evidência vêm a ser autênticos mestres de filosofia de vida e de escala de valores. Particularmente influente é a música heavy metal (metal pesado), com seu ritmo fragoroso e as contorções grotescas e agressivas de seus intérpretes.

O “Rock” tornou-se tema habitual e quase obrigatório das conversas entre adolescentes nos Estados Unidos; nenhum quer passar pela “vergonha” de estar por fora; e, ao contrário, quanto mais alguém entende do assunto, tanto mais prestígio adquire. O prazer de compartilhar tais conversas e executar as mesmas canções torna-se a base de amizade e agrupamentos solidários, caracterizados por seus distintivos culturais, como são camisetas, trajes, posters, vocabulário e linguajar ...

2. Som, letra e gestos

Os cenários de “Rock” pretendem ser impressionantes, apresentando figuras um tanto extravagantes, que contribuem para se gravar melhor a música na memória do público. Foi feita a análise de duzentos videos musicais dos Estados Unidos, verificando-se que 57% recorriam a imagens de violência, e 75% ao erotismo. Principalmente os jovens são suscetíveis de influências, que são particularmente fortes quando se trata do heavy metal (metal pesado); um inquérito realizado entre toxicômanos revelou que 60% davam preferência ao heavy metal.

Nota-se também que, para evitar que os ouvintes se acostumem ao impressionismo, este tem que ser sempre renovado e intensificado, de modo que o “Rock” tende a ser cada vez mais violento e erotizante. Para ser sinal de descontentamento e rebelião, a música “Rock” é cada vez mais agressiva em relação aos costumes da sociedade clássica: incesto e homossexualismo são explicitamente transmitidos através de tais espetáculos. O texto de Ozzy Osborne Suicide Solution é clara instigação ao suicídio.

A música “Rock” é utilizada na propaganda comercial; assim Eric Clapton, Phil Collins e Steve Winwood fazem publicidade de determinada marca de cerveja; a canção Revolution dos Beatles serve para se venderem sapatos de tênis; Michael Jackson aparece dando a mão ao presidente Reagan.

Entre os temas do “Rock” cada vez mais agressivo, está também o Satanismo, a partir de 1970, com alusões explícitas a Satã, ao demônio, ao inferno, como se depreende dos exemplos seguintes:

Grupo IRON MAIDEN: disco “O número da Besta” (“Tochas acesas e cantos sagrados ... O ritual começou, a obra de Satã está feita”).

Grupo BLACK SABATH: disco “Nascido de novo” (“Olha este Príncipe do Mal combatendo por tua alma ...”). Disco “Céu e Inferno”.

Grupo HC-DC: Canções “O Inferno não é Lugar Ruim para aí estarmos”, “Autopista para o Inferno”.

Grupo OZZI OSBORNE: “Ladrando para a Luz” (“Agora ressurgi, Fazem falta Milagres para salvar aqueles que a Besta procura ... Encontram o seu céu vomitando a partir da boca do inferno”). Discos “Falando do Diabo”, “Diário de um Homem Mau”.

Grupo TWISTED SISTER: Canções “Arder no Inferno”, “A Besta”.

Grupo VENON: disco “Benvindo, Inferno” e canções como “Mil Dias em Sodoma”, “Em Aliança com Satã”, “Filhos de Satã”, “Vive como um Anjo, Morre como um Demônio”.

Grupo KISS: disco “Criaturas da Noite”, e canções como “Tock and Roll, inferno”.

Às vezes, a mensagem satânica só se percebe se gira ao inverso o disco. Assim, por exemplo, em Congratulations de Pink Floyd, se ouve: “Precisamente acabas de descobrir a mensagem secreta do Diabo, comunica-te com o Velho”. Em Fire on High de ELO se ouve: “Volta, Satã, volta, volta, volta!” Em Snow-Blind de Stix; “Mostra-te, Satã, manifesta-te em nossas vozes”. Em Stairway to Heaven de Led Zeppelin: “Quero ir ao Reino, quero ir ao inferno, ao Oeste da Terra plana, canto porque vivo com Satã”.

Julgam os peritos no assunto que os roqueiros dão muito mais importância ao ritmo e ao aparato sonoro e colorido do “Rock” do que à letra das respectivas canções; a veemência das letras, mesmo daquelas que invocam Satã, não têm valor para os roqueiros senão na medida em que constituem protesto contra a ordem estabelecida, e ruptura com as gerações anteriores, tidas como fracassadas. Uma pesquisa feita entre estudantes da Califórnia deu a ver que poucos davam atenção ao significado da letra de suas canções; 37% eram incapazes de identificar o tema (sexo, violência, droga, Satã ...) de suas canções preferidas.

3. Efeitos Negativos

É certo que a música “Rock” exprime e alimenta forte contestação de adolescentes e jovens contra pais e mestres.

Os casos de suicídio têm-se repetido. Em 1990 nos Estados Unidos, no Tribunal de Nevada, foi realizado um julgamento que moveu a opinião pública norte-americana: os pais dos jovens Raymond Belknap e James Vance acusavam o conjunto britânico Judas Priest e a firma discográfica CBS Records de ser responsáveis pelo suicídio de seus filhos mediante a mensagem subliminar Do it, Do it ... (Faze-o, faze-o ...) contida nas canções “melhor és tu, melhor que eu” e “mais além do Reino da Morte”.

O Cardeal John O’Connor, Arcebispo de Nova Iorque, chamava a atenção, também em 1990, para “a violência instigada diabolicamente” por alguns autores de “Rock”. Assinalava que a música heavy metal pode levar alguns jovens a práticas satânicas. E criticava, em particular, a canção Suicide Solution de Ozzi Osborne, cuja letra diz entre outras coisas: “O suicídio é o único caminho. Sabes tu de que é que se trata realmente?”

O “Rock” tem repercussão sobre a educação e a aprendizagem escolar dos jovens. De um lado, verifica-se que dificulta o raciocínio e acostuma o adolescente a usar dos sentidos da visão e da audição, que excitam a fantasia; provoca as paixões ou a excitação sexual, a anarquia, os impulsos subconscientes e inconscientes do indivíduo. Quando o jovem se desintoxica da sua paixão pelo “Rock”, tem geralmente seu gosto e suas tendências prejudicadas ou viciadas; estão surdos e cegos para os valores da cultura humanística, propensos à futilidade e superficialidade.

De outro lado, verifica-se que a escolha de “Rock” por parte de um jovem está relacionada com seu rendimento escolar. Um estudo realizado entre adolescentes suecos de 11 a 15 anos deu o seguinte: os alunos que conseguem boas notas na escola, mesmo os de classes menos aquinhoadas, preferem um tipo de música mais tradicional e se interessam menos pela música punk e o “Rock”; tendem a identificar-se com os valores que eles aprendem na escola. Ao contrário, os estudantes de escasso rendimento escolar tendem a revoltar-se contra as instituições da sociedade; freqüentemente então recorrem à música “Rock” como antídoto contra os fracassos escolares!

É, sem dúvida, importante para os pais e educadores, no Brasil tomar consciência de que o “Rock” não é apenas uma melodia musical, mas implica toda uma filosofia de vida e todo um mundo de paixões, que podem estar revolucionando a sociedade, com grave detrimento para a cultura, a ciência e a civilização. É, pois, para desejar que pais e mestres procurem o diálogo com adolescentes e jovens, a fim de lhes mostrar que seu descontentamento e revolta contra a sociedade não se resolvem pelo desencadeamento de impulsos passionais, mas pelo equacionamento racional dos problemas e a tentativa lógica de os solucionar.

Fonte: Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”, D. Estevão Bettencourt, osb. Nº 349 – Ano 1991 – Pág. 284. In: http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=ESTEVAO&id=deb0073