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5 de fev de 2012

* Senador americano introduz projeto de lei para proteger liberdade de instituições católicas ameaçadas pelo projeto de Obama.


O senador republicano pela Flórida, Marco Rubo, introduziu um projeto de lei – Religious Freedom Restoration Act of 2012 (Restauração da Liberdade Religiosa de 2012, em inglês) – que tem como objetivo liberar as instituições de igrejas de pagar o cobrimento de serviços de contracepção e esterilização de seus empregados em seus planos de saúde, procedimentos que são considerados atentatórios à liberdade da Igreja Católica nos EUA.

No dia 20 de janeiro um mandato do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos – dependência do executivo - determinou que instituições como escolas, hospitais e organizações caritativas católicas são obrigadas a pagar por anticoncepcionais e anticoncepcionais-abortivos em seus planos de saúde e os seguros privados católicos são obrigados a oferecer anticoncepcionais e esterilizações para os trabalhadores.

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Para o senador norte-armericano, a nova lei viola “os direitos de consciência e a lbierdade religiosa de nosso povo”

Explicando os motivos que o levaram a realizar seu projeto de lei, o senador Rubio disse: “Sob este presidente [Obama]temos um governo que se tornou demasiado grande, demasiado caro e agora ainda mais dominador ao obrigar as entidades religiosas a abandonar suas crenças. Este é um projeto de lei de sentido comum, que simplesmente diz que o governo não pode obrigar as organizações religiosas a abandonar os princípios fundamentais de sua fé, porque o governo assim o diga“.

Apoiando o projeto do senador, pronunciou-se a diretora de bioética e política pública do Centro Católico Nacional de Bioética, Marie Hilliard. Segundo ela, exigir a outros participar e pagar pelo seguro destes medicamentos contraceptivos e abortivos e procedimentos “é uma violação sem precedentes da liberdade religiosa e de consciência e deve ser objeto de forte oposição. O Centro Nacional Católico de Bioética se une a todas as pessoas comprometidas com o princípio da liberdade, sobre o qual foi fundado este país, ao dar as boas-vindas a introdução da Lei de Restauração de Liberdade Religiosa de 2012″.

Em entrevista ao National Catholic Register, o presidente do Comitê Ad Hoc sobre Liberdade Religiosa da Conferência Episcopal Americana, Dom William Lori, também apoiou o projeto do senador, dando boas-vindas a ele. Conforme o prelado, se aprovado, ele fará frente “a ameaça causada pelo decreto do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Espero que ele encontre um amplo apoio bipartidário e que siga seu caminho até o escritório do presidente Obama”.

A não necessidade de uma nova lei

Por sua parte, um estudioso de direito, que escreve no National Review Online, sustenta que a nova norma federal já viola a atual Lei de Restauração de Liberdade Religiosa, e que por isso não vê necessidade de uma nova lei. “Mas talvez o projeto de lei do Senador Rubio ajudará a centrar a atenção no notavelmente hostil que é a administração Obama aos princípios básicos da liberdade religiosa”, disse..

O diretor do Projeto de Liberdade Religiosa do Centro Berkeley de Assuntos de Religião, Paz e Assuntos Mundiais, de Georgetown, Thomas Farr, reconheceu que são vários os estudiosos que compartilham a opinião de Whelan de que o a norma sobre contracepção e esterilização já viola a atual Lei de Restauração de Liberdade Religiosa. “Se estes pontos de vista são corretos, o assalto da administração Obama sobre o catolicismo e a consciência religiosa de milhões de estado-unidenses fracassará nos tribunais”, afirmou.

Com informações do National Catholic Register.


* Não existe contradição entre a TEORIA do Big Bang e a criação de Deus, afirma sacerdote “astrônomo” do Vaticano.

fevereiro 4th, 2012

Fonte: Canção Nova

Ao apresentar na manhã desta sexta-feira, 3, no Vaticano, a mostra “História do outro mundo. O universo dentro e fora de nós”, o diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, padre José Gabriel Funes, explicou que, do ponto de vista eclesiástico, a teoria do “Big Bang não está em contradição com a fé” “Sabemos que Deus é criador, é um pai bom que tem um plano providencial para nós, que nós somos seus filhos, e que tudo o que possamos aprender racionalmente sobre a origem do universo não está em contradição com a mensagem religiosa da Bíblia”, indicou. A Teoria do Big Bang, também conhecida como a grande explosão, é a “melhor teoria que temos neste momento da criação do universo”, disse. De forma muito resumida, esta teoria, explica que provavelmente, a criação começou faz 14 milhões de anos com uma explosão colossal na que foram criados o espaço, o tempo, a energia e a matéria, assim, é como nasceram as galáxias, as estrelas e os planetas, os quais se encontram em contínua expansão. O padre Funes afirmou, que como astrônomo e católico compartilha esta justificação da criação do universo, apesar de que “há algumas perguntas sem resposta”. Além disso, o astrônomo explicou que os católicos “devem ver o cosmos como um dom de Deus”, e “admirar a beleza que há no universo”. “Essa beleza que vemos leva de algum modo à beleza do criador. E também graças a que Deus nos dotou que inteligência, de razão, podemos encontrar o logos, essa explicação racional que há no universo que nos permite fazer ciência também. Fala-nos também do logos criador de Deus”, destacou. Vida em outros planetas O sacerdote indicou, que embora não há prova alguma de vida inteligente no universo à parte da nossa, “não a podemos descartar”, porque estudos de astronomia mostram que existem cerca de 700 planetas que giram ao redor de outras estrelas. “Se no futuro, que me parece uma coisa bastante difícil, pudesse estabelecer-se que existe vida, e vida inteligente, não acredito que isto contradiga a mensagem religiosa da criação porque seriam também criaturas de Deus”, acrescentou.
Interesse da Igreja
O interesse oficial da Igreja pela astronomia se remonta ao século XVI e em 1891, o Papa León XIII decidiu criar oficialmente um Observatório Vaticano para mostrar que a Igreja não está contra o desenvolvimento científico, mas sim promove o desenvolvimento da ciência de qualidade. Ademais, existe o Observatório Vaticano, com sede em Castel Gandolfo, enquanto que o telescópio que se usa para a investigação, situa-se em Tucson, Estados Unidos. Exposição O padre Funes explicou que exporá a mostra de 10 de março a 1 de julho em Pisa, por ser a cidade em que nasceu Galileu Galilei – pai da astronomia moderna –, e onde o astrônomo propulsor do Observatório Vaticano, Cardeal Pietro Maffi, desenvolveu seu ministério. A exposição consiste em um percurso no tempo através de imagens, instrumentos de investigação, assim como minerais reais de Lua e Marte que conduzem o espectador a uma fascinante viagem desde a criação do universo e da matéria, até nosso mundo interior e os átomos que nos conformam. O Papa Bento XVI visitou no ano 2009 o Observatório Vaticano, situado na localidade de Castel Gandolfo. Naquela ocasião, sustentou em suas mãos um dos tesouros do observatório, um meteorito vindo de Marte

DOM HENRIQUE RESPONDE SOBRE O HOMOSSEXUALISMO


Entrevista concedida ao jornalista Romero Vieira Belo, de “O Jornal” pelo Cônego Henrique, hoje Bispo Dom Henrique, da diocese de Aracaju, Sergipe.

***

Baseada em quê a Igreja condena o homossexualismo?

Primeiro, é necessário distinguir homossexualidade e homossexuais.

A Igreja, fundada na Escritura, sempre ensinou que o plano de Deus para a sexualidade humana é a complementaridade homem-mulher: “Homem e mulher ele os criou!” A relação homoerótica não é de acordo com o plano de Deus. No entanto, a Igreja também ensina que nenhum de nós é mais aquele ser humano que Deus pensara desde o início: somos todos meio desfigurados pelo pecado do mundo; todos temos tendências que nos desfiguram. Ora, na visão cristã, o homoerotismo é uma deturpação do projeto de Deus para a sexualidade. No entanto, as pessoas homossexuais não têm culpa de terem essa tendência e devem ser tratadas com respeito e caridade. No entanto, jamais a Igreja poderá dizer que a relação homossexual é um ideal ou que tanto faz uma relação homo ou heterossexual. Realmente, a Escritura fecha essa possibilidade! Dizer o contrário seria ser fiel à onda atual, mas infiel ao Cristo e ao seu Evangelho.

Ao pregar que o sexo é só para procriação, a Igreja não se distancia da realidade, já que a sociedade hoje vê a relação sexual até como diversão?

A Igreja não prega isso!

O ato sexual é, primeiramente, uma celebração do amor entre um homem e uma mulher que se amam e se deram na construção de uma vida, “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-se e respeitando-se todos os dias” dessa vida comum… A procriação é somente a segunda finalidade do ato sexual, mas não é essencial.

Um casal que já não possa ter filhos, pode e deve continuar tendo uma vida sexual ativa, e uma vida prazerosa, onde o amor é vivido como mistério de carinho, intimidade e sedução. Ao contrário do que muitos pensam, a Igreja não tem horror à sexualidade! Quem duvidar, compre um manual de moral católica e leia! O que a Igreja não pode é concordar com a banalização da sexualidade instaurada no mundo de hoje. Aliás, ninguém sério e que tenha um pouco de profundidade existencial pode concordar com isso que está aí…

Faz sentido, a essa altura, desestimular o uso da camisinha, expondo os jovens ao contágio da aids e outras DSTs?

A pergunta é simplista demais; é falaciosa.

Primeiro: o que a Igreja recrimina é um programa de educação sexual que se fundamenta simplesmente no “use camisinha”. Isso não é sério! No fundo, a mensagem termina sendo: “Chegou o Carnaval, chegou o Natal, chegou o São João, faça sexo! Tudo é permitido, desde que você use camisinha!” É o programa de banalização sexual do governo.

Ora, isso não é admissível! É preciso falar de sexo e dizer a essa juventude que sexo tem a ver com amor, com responsabilidade, com doação, com valores, com um projeto de vida! Nesse contexto é admissível falar de preservativo, pois nem todos são cristãos e nem todos são castos.

Em segundo lugar: para um cristão, o ideal continua sendo a castidade, isto é, a vida sexual somente no casamento. O sexo fora do casamento foi, é e continuará sendo pecado – esse é o ensinamento do Evangelho e nem a Igreja nem ninguém pode mudar isso! Um discípulo de Cristo que lhe queira ser fiel deve evitar relações fora do matrimônio, com ou sem camisinha.

Fora do casamento, usar camisinha ou não, não faz diferença nenhuma do ponto de vista da fé: é pecado do mesmo jeito. E aí, é melhor usar o famoso preservativo. Fora do casamento, ter relação com camisinha é pecado; ter sem camisinha é pecado e burrice…

A crise sacerdotal não poderia ser superada ou atenuada com o fim do celibato?

Primeiro, graças a Deus, o Brasil nunca teve tantos seminaristas como agora. Só no ano passado tivemos sete ordenações diaconais de uma só vez. Isso só ocorreu aqui em Maceió em 1941. Temos poucos padres porque no Brasil sempre foi assim. Agora é que estamos melhorando. Em segundo lugar, no Oriente, onde os padres católicos podem casar-se, há também crise de vocações. A questão não é de facilidades, mas fidelidade e amor a Jesus, que nos tornam capaz de dar a vida a ele e por ele!

Por que a Igreja defende tanto o celibato, se a Bíblia não contém nenhuma objeção ao casamento de padres?

Realmente, o celibato é apenas um conselho. No entanto, desde o princípio, a Igreja viu nele um valor, um sinal de que não temos aqui na terra morada permanente e também um sinal de entrega indivisa e total a Cristo e à sua missão. É bom recordar que o Cristo foi celibatário, São Paulo também o foi e o recomenda.

Já no Novo Testamento, os ministros ordenados podiam casar-se, mas, ficando viúvos, não poderiam se casar uma segunda vez: deviam ser esposos de uma só mulher. No entanto, a Igreja no Ocidente pode, um dia, mudar a obrigatoriedade do celibato. Como já disse, no Oriente, ele só é obrigatório para os Bispos…

A clonagem viola as leis da natureza, mesmo se o emprego da técnica ficar restrito a animais?

De modo algum. A clonagem de animais ou plantas, com fins científicos justificáveis, é perfeitamente aceitável. O que é imoral é a clonagem humana.

Em casos extremos, como os de crianças nascidas sem cérebro, deve-se recorrer à eutanásia?

Não. Não compete a nós decidir quem deve viver e morrer. Não somos Deus! Uma coisa é a morte como decorrência natural de uma condição deficiente de saúde e outra, bem diferente, é a morte provocada por antecipação em decorrência de convicções ideológicas. Para Hitler, os judeus deveriam morrer porque eram uma raça maligna, os deficientes mentais também. Agora, na Holanda, já se começa a assassinar recém-nascidos com doenças graves. É uma barbárie assassina! Ou a vida humana é sempre humana e deve ser preservada ou estamos abrindo as portas do inferno!

Imaginem quando se decidir matar crianças pobres porque não darão lucro ao sistema ou matar velhinhos porque dão prejuízo à previdência! É este o pecado original do homem: querer ser o seu Deus, querer decidir de modo contrário a Deus o que é bem e o que é mal… Sempre terminamos quebrando a cara!

Para a Igreja, quando começa a vida?

No momento da concepção.

A Igreja teria como definir a vida, do ponto de vista material?

Essa é uma discussão que envolve também cientistas e filósofos. Um erro grave da sociedade atual é achar que a ciência sabe tudo e pode tudo. Definir o que é a vida nunca será tarefa somente da ciência enquanto técnica, mas também da religião e da filosofia. No caso da vida humana, ela é aquela situação que nos constitui como um ser que possui um dinamismo vital autônomo e um patrimônio genético próprio. É uma definição bem precária, essa que estou dando, mas que serve bem para ilustrar por que não se pode brincar com a vida humana, mesmo no ventre materno: o embrião é já uma vida autônoma, não é um órgão da mãe; e já tem suas características genéticas próprias.

O uso de células-tronco pode salvar vidas, curar enfermos. Por que a Igreja é contra?

A pergunta não reflete a realidade. A Igreja é a favor da pesquisa com células-tronco e aplaude tais pesquisas. Ela é contra a pesquisa com células-tronco de embriões humanos, porque os mata. Os embriões já são seres humanos! Assassinar seres humanos é imoral, é crime sempre e em qualquer fase da existência.

Salvar vidas de uns matando outros é imoral! Eu posso dar minha vida por outra pessoa, mas ninguém pode me matar, tirar minha vida contra minha vontade, para salvar outro alguém! A experiência com células-tronco embrionárias é a vitória da razão assassina, da razão atéia, da razão imoral!

Como reagiria a comunidade católica se o papa fosse curado com o uso de células-tronco?

Com o uso de células-tronco adultas, ficaríamos muito contentes e agradecidos a Deus pelo bom uso que o homem faz de sua inteligência. Com o uso de células-tronco embrionárias, seria inaceitável. Não se pode querer ser feliz a qualquer preço! O fim não justifica os meios! O Papa é um homem de princípios, uma verdadeira testemunha do Evangelho da vida!

A Igreja mantém sua posição contrária ao aborto, mesmo em casos de estupro?

Sim. É muito fácil resolver o problema matando o mais fraco.

Sabemos que a experiência de estupro é traumática. Mas, isso não justifica moralmente matar a criança. A atitude correta seria ajudar a mãe a ter seu filhinho e, se ela não quer criá-lo, providenciar imediatamente uma adoção.

A Igreja parece se opor aos avanços da ciência. Deus impôs limites ao homem? Isso está escrito em algum trecho da Bíblia?

De modo algum a Igreja se opõe à ciência. Esta é uma percepção totalmente equivocada! O que a Igreja defende é que a pesquisa científica seja regida por critérios éticos. Aliás, vários cientistas atuais gritam por isso! Sugiro a leitura do site www.nep.org.br: é de cientistas preocupados com a ética na pesquisa científica.

Nem tudo que é tecnicamente possível é moralmente aceitável. Seria aceitável eticamente a bomba atômica? É aceitável escolher uma criança programando até os mínimos detalhes de seus caracteres físicos? É eticamente aceitável uma bomba que mate, mas não destrua nada de material? Quem impõe limites à tecnologia? Com quais critérios? A ciência e a tecnologia são neutras ou, ao invés, servem também a interesses econômicos e ideológicos? São questões seríssimas! A Escritura toda – não é só um trecho não! – insiste que o homem deve ser feliz, deve usar sua inteligência, mas sem cair na ilusão de ser senhor do bem e do mal, de ser Deus! O homem deve usar plenamente sua razão, mas uma razão que seja aberta ao Mistério de Deus

João Paulo II reconheceu que a Igreja errou ao perseguir cientistas como Galileu Galilei. Ao se contrapor à evolução científica atual, no futuro a Igreja não poderá ter que pedir perdão de novo?

A Igreja não se contrapõe à evolução científica; vê-la como algo essencialmente positivo. Ela simplesmente grita por critérios éticos para a ciência. É o que chamamos de filosofia das ciências ou epistemologia. A ONU, recentemente, fez a mesma coisa quando limitou a possibilidade de clonagem humana. Isso não é ser contra a ciência. A Igreja também não pretende impor a visão cristã de ciência; deseja somente uma discussão séria, que dê origem a uma ética civil sobre esses temas. No caso de Galileu a Igreja errou porque quis negar o resultado de uma pesquisa científica. Desde então, não fez mais isso. Repito: a questão agora não é técnico-científica; é moral! É uma falácia monumental misturar as duas coisas. É como perguntar qual é a cor de uma janela e alguém responder que a janela é grande!

Por que o comando da Igreja católica se mantém indiferente ao avanço das seitas evangélicas?

A Igreja não se mantém indiferente não. Apenas não ficamos paranóicos com isso. O problema é complexo. Estamos atravessando uma fase de transição cultural fortíssima: nada mais é certo, nada mais é duradouro, joga-se fora com a maior facilidade os valores dos antepassados, não se está preocupado com a verdade, mas em como conseguir se dar bem e se sentir bem imediatamente. É nesse contexto que se explica o crescimento das várias denominações vindas do protestantismo.

É interessante observar que os católicos realmente praticantes não deixam a sua fé. O problema é que o Brasil tem católicos “de nome” demais e católicos verdadeiros de menos… Isso também se deve a erros no processo de evangelização. Nunca foi uma boa coisa batizar massivamente, sem uma preparação acurada. Particularmente, eu prefiro poucos que se digam católicos, mas que o sejam de fato. Aí sim, seremos sal e luz, como Cristo espera de nós, membros da sua Igreja!

A família tradicional está se decompondo? Há como salvá-la?

Sim, está. A família hoje é um pequeno núcleo de um homem, uma mulher e duas ou três crianças, meio perdidos num mundo que o pressiona por todos os lados. É triste, porque não há esperança para a família – nem para nenhuma sociedade sadia – sem espírito de renúncia, sem ideais, sem a capacidade de ser feliz na felicidade dos outros. Os valores da sociedade moderna – que absolutiza o sucesso o bem-estar e o lucro -, privam os filhos da presença dos pais, sobretudo da mãe e deixam a educação por conta dos meios de comunicação e da escola, que já não educa, mas simplesmente transmite conhecimentos. Ou se muda o paradigma de sociedade e de valores, ou as conseqüências serão muito ruins.

Quem achar que estou sendo negativo, olhe um pouquinho em volta e veja o que está acontecendo com nossos jovens e crianças, que educação estão tendo, que valores estão assimilando… É assustador… A salvação da família está na redescoberta de alguns valores fundamentais, como a convivência, o diálogo, a sobriedade de vida, a solidariedade e, não por último, a prática religiosa, o lugar de Deus na nossa vida…

E o casamento? É instituição ultrapassada?

Para o mundo atual, sim. Para os cristãos, jamais! O problema é que a liberdade descompromissada e o “faça-você-mesmo” que tem substituído os valores cristãos, não realizam as pessoas. É uma falsa liberdade, porque motivada por um egocentrismo de dar pena. Não se encontrará a realização, a plena humanização por um caminho como esse… Os cristãos são convidados a testemunhar os valores do Evangelho também na vida familiar, matrimonial e sexual. Mas, isso só é possível quando a gente descobre o Cristo de verdade. Caso contrário, as exigências do Evangelho não passarão de moralismo castrador.

A liberação da mulher é um avanço ou um retrocesso social?

Um avanço. No entanto, se sob o manto dessa liberdade coloca-se a libertinagem sexual, o falta de tempo para estar com os filhos e a masculinização das mulheres, aí não há avanço, mas distorção. A Igreja defende que a mulher possa ganhar o mesmo que os homens tendo, no entanto, o direito de ter mais tempo com seus filhos. Sua presença junto a eles é indispensável. Muitas feministas dirão que isso é ideologia machista. Não é verdade! É apenas respeito pelas diferenças.

A igual dignidade do homem e da mulher exige tratamento diferenciado, exatamente porque os dois são diferentes – e tal diferença não é só produto cultural, mas é também biológica e psicológica, inclusive na educação dos filhos. O resto é pura ideologia, essa coisa insossa, chata e hipócrita chamada “politicamente correto”.

O catolicismo precisa mudar, se abrir, para acompanhar as transformações que marcam os tempos hodiernos?

O catolicismo não deve se preocupar em “acompanhar as transformações”, mas em ser fiel ao Evangelho.

Claro que a Igreja tem sempre o dever de ser atenta ao melhor modo de se comunicar com a humanidade em cada época e cultura. O Concílio Vaticano II, na década de 60, fez isso, preparando a Igreja para o mundo atual. Mas, isso não quer dizer que a Igreja deva ou possa trair a Verdade do Evangelho ou esconder as exigências morais que Cristo coloca para os seus discípulos. Como dizia a Bem-aventurada Teresa de Calcutá, “nós não somos chamados a fazer sucesso, mas a ser fiéis!” A Igreja, como um organismo vivificado pelo Espírito Santo, estará sempre mudando para ser fiel à sua missão. Mas, sua referência não são as modas do momento, mas unicamente o Cristo, e Cristo crucificado e ressuscitado!

Com tudo que a ciência ensina e pratica atualmente, faz sentido ensinar na missa que Deus fez o homem do barro?

Quem pensa que a Igreja ensina que os primeiros onze capítulos do Gênesis são para ser tomados ao pé da letra, está totalmente enganado. A Igreja não ensina isso e nenhum padre diz isso no sermão! Afirmar que Deus criou o homem do barro é dizer que, por nós mesmos, somos pó e ao pó voltaremos – todos nós.É uma pena que muitos vejam a Igreja como uma coisa totalmente boba, tão distante daquilo que ela realmente é! É interessante: desde os anos cinqüenta, com o Papa Pio XII, que a Igreja insiste que as narrativas do Gênesis não são uma reportagem histórica ou científica, mas uma narrativa simbólica, como as parábolas de Jesus. Já tive oportunidade de fazer palestra sobre isso para o Curso de Letras da UFAL.

Foi uma experiência interessante: abordar a questão dos gêneros literários na Escritura… A Igreja tem intelectuais profundos, filósofos muito sérios e teólogos brilhantes. Não somos um exército de tolos… Há muitos cientistas que são cristãos e há muitos padres e religiosos que se dedicam às ciências… Muitas vezes, as pessoas têm uma visão totalmente infantil do que a Igreja crê, ensina, vive e celebra… Aí não é a Igreja, mas uma triste e ridícula caricatura dela!

Será possível que o cristianismo, daqui a alguns milênios, venha a perder sua essência histórica e transformar-se em algo como uma lenda?

Isso aconteceria se, para agradar o mundo, a Igreja entrasse na onda. Mas, não ocorrerá. Cristo prometeu que, na força do seu Espírito Santo, estará sempre com sua Igreja. Ela já enfrentou as perseguições do Império Romano, a tragédia das invasões bárbaras, as lutas contra os tiranos do Sacro Império e dos monarcas absolutos, déspotas esclarecidos ou não. A Igreja já enfrentou o cativeiro dos papas em Avinhão durante quase setenta anos; sobreviveu à terrível experiência da dilaceração com a Reforma protestante, suportou dez péssimos papas consecutivos na época do Renascimento; já enfrentou a crítica do racionalismo, do iluminismo e do humanismo ateu do século XIX; sobreviveu à perseguição terrível dos regimes pagãos do século XX: o fascismo, o marxismo e o nazismo. Agora luta contra novos gigantes: a secularização, o consumismo, o ateísmo prático, a onda anti-cristã dos meios de comunicação de massa… E vencerá, mais uma vez. Ela perderá sempre mais poder político, poder de barganha, prestígio e até número de fiéis. Mas, isso, ela nunca deveria ter tido; a sua força não consiste nisso. Sua glória, sua força, seu arrimo é unicamente Cristo, loucura, escândalo e fraqueza para o mundo, sabedoria e poder de Deus para os que crêem… “As portas do inferno não prevalecerão” – a promessa do Senhor a Pedro continua de pé!

Estudo Bíblico de Jo 5,1-9b A Cura do paralítico em MP3


Estudo Bíblçico Ministrado pelo Pe. Mateus Maria, aos jovens e seminaristas no Mosteiro Menino Jesus, no dia 4/2/12...

JO 5,1 Algum tempo depois era festa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 2 Há em Jerusalém  junto a Ovelheira, uma piscina que na língua do país chama-se O Fosso, com cinco pórticos; 3 neles jazia uma multidão os enfermos: cegos, paralíticos e secos. 
5 Havia um homem ali que estava há trinta e oito anos com sua enfermidade. A este, vendo-o Jesus deitado e notando que estava há muito tempo disse:
- Queres ficar são?
7Respondeu-lhe o enfermo:
- Senhor, não tenho um homem que, quando se agita a água, me jogue na piscina; enquanto chego, outro desce antes de mim. 
8 diz-lhe Jesus,  - Levanta-te, toma a tua cama e põe-te a andar. 9 E imediatamente o homem ficou são, tomou a sua cama e se pôs a andar.