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19 de ago de 2014

O SENTIDO CRISTÃO DOS BENS

68.
O SENTIDO CRISTÃO DOS BENS
– Os bens da terra devem ordenar‑se para o fim sobrenatural do homem.
– A riqueza e os talentos pessoais devem estar a serviço do bem. Como é a pobreza de quem vive no meio do mundo e deve santificar‑se nos afazeres temporais.
– Desenvolver os talentos que o Senhor nos deu para o bem dos outros.
I. OS APÓSTOLOS VIRAM com pena como o jovem que não quis abandonar as suas riquezas para seguir o Mestre se retirava. Viram‑no partir com essa tristeza característica dos que não querem corresponder ao que Deus lhes pede.
Nesse clima, enquanto retomavam a caminhada, o Senhor disse‑lhes: É difícil a um rico entrar no reino dos céus. E acrescentou:Digo‑vos mais: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Os discípulos ficaram muito admirados1.
Quem põe o seu coração nos bens da terra torna‑se incapaz de encontrar o Senhor, porque o homem pode ter como fim a Deus, a quem alcança através das coisas materiais utilizadas como simples meios que são, ou escolher as riquezas como meta da sua vida, nas suas diversas manifestações de desejo de luxo, de comodidade, de possuir mais... O coração orienta‑se de acordo com um desses fins. Quem o tem repleto de bens materiais não pode amar a Deus: Não se pode servir a Deus e às riquezas2, ensinou o Senhor em outra ocasião.
O termo arameu original que o Senhor utilizou para referir‑se às riquezas foi Mammon, que “designa com irrisão um ídolo. Por que se trata de um ídolo? Por um duplo motivo. Em primeiro lugar, porque um ídolo é um substitutivo de Deus; trata‑se de escolher um ou outro [...]. Em segundo lugar, pelo seu conteúdo. Além do dinheiro, simples unidade monetária, o ídolo Mammon simboliza um instrumento da vontade de poder, um meio de posse do mundo, uma expressão da avidez de coisas e também uma distorção das relações dos homens entre si. O domínio que o ídolo exerce sobre o homem opõe‑se ao que é próprio da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, e portanto à sua relação com o Criador”3.
Quem concentra os seus desejos nas coisas da terra como se fossem um bem absoluto, comete uma espécie de idolatria4, corrompendo a sua alma como a corrompe com a impureza5, e, com freqüência, acaba por unir‑se aos “príncipes deste mundo”, que se levantam contra Deus e contra o seu Cristo6.
O amor desordenado pelos bens materiais, sejam poucos ou muitos, é um gravíssimo obstáculo para o seguimento de Cristo, como se observa no episódio do jovem rico e nas palavras duras e enérgicas com que o Senhor condena o mau uso das riquezas. Por isso, o cristão deve examinar com freqüência se está realmente desprendido das coisas da terra, se aprecia mais os bens da alma que os do corpo, se utiliza os seus bens para fazer o bem, se eles o aproximam ou antes o separam de Deus, se é austero nas suas necessidades pessoais, fugindo dos gastos supérfluos, dos caprichos, das falsas necessidades. Que pena se alguma vez não víssemos Jesus que passa ao nosso lado por termos o coração posto em coisas que em breve deveremos deixar! Coisas que valem tão pouco em comparação com as riquezas sem limites que Cristo dá aos que o seguem!
II. O CRISTÃO QUE VIVE no meio do mundo não deve esquecer, no entanto, que os bens materiais em si mesmos são bens que ele deve produzir em benefício da sua família e da sociedade, das boas obras que mantém com o seu esforço, e que lhe cabe santificar‑se com eles. Nada mais distante do verdadeiro espírito de pobreza laical que a atitude encolhida de quem vê com medo o mundo e as suas riquezas. O verdadeiro progresso e o desenvolvimento – também material – são bons e queridos por Deus. E o Senhor não pregou nunca nem a sujidade nem a miséria. Todos temos de lutar, na medida das nossas possibilidades, contra a pobreza, a miséria e qualquer situação de indigência que degrade o ser humano.
A pobreza do fiel cristão, que deve santificar‑se no meio das suas tarefas seculares, não depende de uma circunstância meramente exterior: de ter ou não ter bens materiais. É algo mais profundo que afeta o coração, o espírito do homem; consiste em ser humilde diante de Deus, em sentir‑se sempre necessitado diante dEle, em ser piedoso, em ter uma fé rendida que se manifesta nas obras e na vida.
Se se possuem essas virtudes e além disso abundância de bens, a atitude do cristão deve ser a do desprendimento, da caridade generosa. E quanto àquele que não possui bens materiais abundantes, nem por isso está justificado diante de Deus, se não se esforça por adquirir as virtudes que constituem a verdadeira pobreza. Na sua escassez, pode manifestar também a sua generosidade, o seu domínio sobre as coisas, e estar desprendido do pouquíssimo de que dispõe.
Jesus esteve muito perto dos pobres, dos doentes, dos que passavam necessidade, mas entre os mais chegados à sua pessoa não faltaram pessoas de fortuna mais ou menos considerável. As mulheres que o sustentavam com os seus bens eram pessoas de posses. Alguns dos Apóstolos, como Mateus ou os filhos de Zebedeu, tinham alguns meios econômicos. José de Arimatéia, que é mencionado expressamente como discípulo do Senhor, era um homem rico7; ele e Nicodemos tiveram o privilégio de receber o Corpo morto de Jesus8, para cujo sepultamento este último trouxe uma grande quantidade de aromas (umas cem libras, mais de trinta quilos!). A família de Betânia, pela qual Jesus nutria uma especial amizade, era, provavelmente, de bom nível social, pois foram muitos os judeus que acudiram à sua casa quando da morte de Lázaro. O Senhor faz‑se convidar por Zaqueu, que o recebe em sua casa, e admite‑o entre os seus seguidores9. As próprias roupas de Jesus eram de bom preço, pois vestia uma túnica inconsútil, orlada...
“Os bens da terra não são maus; pervertem‑se quando o homem os erige como ídolos e se prostra diante deles; enobrecem‑se quando os convertemos em instrumentos a serviço do bem, numa tarefa cristã de justiça e de caridade. Não podemos correr atrás dos bens materiais como quem vai à busca de um tesouro; o nosso tesouro [...] é Cristo, e nEle se devem concentrar todos os nossos amores [...]”10. Ele é o verdadeiro valor que define toda a nossa vida. Temos de imitá‑lo nas nossas circunstâncias pessoais. E nunca devemos dar por subentendido que já estamos desprendidos dos bens, porque a tendência de todo o homem, de toda a mulher, é fabricar os seus próprios ídolos, criar “necessidades desnecessárias”, sem tomar em consideração que “o homem, ao usá‑las, não deve ter as coisas que possui legitimamente como exclusivamente suas, mas também como comuns, no sentido de que não são proveitosas apenas para ele, mas também para os outros”11.
Examinemos hoje a retidão com que usamos os bens e se temos o coração posto no Senhor, desapegado do muito ou do pouco que possuímos, tendo em conta que “um sinal claro de desprendimento é não considerar – de verdade – coisa alguma como própria”12.
III. DEVEMOS DESENVOLVER sem medo, sem falsa modéstia nem timidez, todos os talentos que o Senhor nos deu; pôr em ação todas as nossas energias para que a sociedade progrida e seja cada vez mais humana, e se dêem as condições necessárias para que todos os homens tenham uma vida digna, própria dos filhos de Deus. Temos de aprender a dar do que é nosso, a fomentar e a ajudar instituições e fundações que elevem e redimam o homem da sua falta de cultura ou das suas condições menos humanas. Temos de procurar, na medida das nossas forças e sempre com o nosso exemplo, que deixem de existir essas desigualdades e diferenças sociais que bradam ao céu: por um lado, pessoas que lutam diariamente por sobreviver; por outro, desperdícios e esbanjamentos escandalosos que ofendem a criatura e o Criador.
São muitas as dificuldades que se levantam a quem se dispõe a viver o ideal da pobreza cristã: dificuldades internas – no nosso coração, em que subsistem as raízes do egoísmo, da posse desordenada e da ostentação – e externas – as de um ambiente lançado desenfreadamente na busca dos bens de consumo. Este ambiente externo, que traz às costas uma forte carga de sensualidade, “é o «caldo de cultura» propício para que proliferem os desvios morais de todos os tipos: o erotismo, a exaltação do prazer cultivado por si mesmo, a degradação pelo abuso das bebidas alcoólicas e das drogas, etc. É evidente que tais excessos surgem como conseqüência da profunda insatisfação que o homem experimenta quando se afasta de Deus [...]. O resultado salta à vista: homens e mulheres – incontáveis já – desprovidos de ideais, sem critério nem sentido claro das coisas da vida”13, que se levantam contra o Senhor e contra o seu Cristo.
O fim do cristão nesta vida não pode ser enriquecer‑se, acumular bens, possuir tanto quanto puder. Isso levaria ao maior empobrecimento da sua pessoa. A temperança na posse e no uso dos bens dá ao cristão uma maturidade humana e sobrenatural que lhe permite seguir Cristo de perto e realizar um grande apostolado neste mundo. É necessário oferecer à sociedade um exemplo firme de austeridade que a tire da cegueira em que pode encontrar‑se e lhe sirva de apoio para arrepiar caminho. Comecemos nós mesmos por ser desses homens heróicos – basta um punhado deles – que “põem em desprezar as riquezas o mesmo empenho que os homens põem em possuí‑las14.
A Virgem, que soube viver como ninguém esta virtude da pobreza, ajudar‑nos‑á hoje a formular um propósito bem concreto, que talvez consista em corrigir detalhes, ou talvez nos leve generosamente a rever toda a nossa vida, de alto a baixo, para imitarmos verdadeiramente o Senhor, que, sendo rico, se fez pobre15.

Dilma faz uso perfeito do 'dilmês' no Jornal Nacional

Dilma faz uso perfeito do 'dilmês' no Jornal Nacional

Presidente-candidata abusou de frases longas e rodeios e se esquivou dos temas mais espinhosos – em alguns casos, simplesmente porque não respondeu

Presidente Dilma Rousseff é entrevistada no Jornal Nacional
DILMÊS APLICADO – A presidente-candidata Dilma Rousseff em entrevista ao Jornal Nacional: rodeios e respostas confusas (Reprodução/TV Globo)
Em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, nesta segunda-feira, a presidente-candidata Dilma Rousseff lançou mão do mais puro dilmês: frases longas e confusas, engatadas umas nas outras. Por mais de uma vez, ela insistiu em concluir suas longas explanações: "Só um pouquinho, Bonner", dizia. Dilma ultrapassou em quase 50 segundos o tempo de 15 minutos destinado a ela. Mas desta vez o dilmês pode ter jogado a seu favor. Numa sala do Palácio da Alvorada, e não nos estúdios da Rede Globo, os entrevistadores — além de Bonner, Patricia Poeta — só conseguiram lhe fazer quatro perguntas. Se da entrevista não resultou nenhum slogan de campanha, ela tampouco será lembrada por uma frase negativa, com o reconhecimento de um erro ou malfeito. Diante das interpelações mais duras, Dilma se escondeu atrás de sua barragem de frases. 
Na primeira pergunta, William Bonner tratou dos muitos escândalos do governo petista e perguntou se era difícil escolher pessoas honestas para preencher os cargos do governo. A presidente não respondeu diretamente: optou por tratar das instâncias de combate à corrupção. "Nós fomos o governo que mais estruturou os mecanismos de combate à corrupção, a irregularidades e malfeitos", disse ela, que também minimizou os escândalos. "Nem todas as denúncias de escândalo resultaram em realmente a constatação que a pessoa tinha de ser punida e seria condenada".
A petista também se escudou convenientemente no cargo e foi evasiva quando o apoio do PT aos mensaleiros condenados por currupção pelo Supremo Tribunal Federal foi colocado em pauta: "Eu não vou tomar nenhma posição que me coloque em confronto, conflito, ou aceitando ou não (sic). Eu respeito a decisão da Suprema Corte brasileira. Isso não é uma questão subjetiva".

Em seguida, Dilma afirmou que a troca de César Borges por Paulo Sérgio Passos no Ministério dos Transportes – uma exigência do PR, envolvido em casos de corrupção na própria pasta, para apoiar a reeleição da petista – foi feita com base na integridade do nome indicado pela sigla. "Os partidos podem fazer exigências. Mas eu só aceito quando considero que ambos são pessoas íntegras e não só integras, são competentes", afirmou.

Quando o assunto foi economia, a estratégia foi a mesma: William Bonner perguntou se o governo não havia errado em nenhum momento na reação à crise internacional. A resposta foi o discurso-padrão apresentado pela presidente nos últimos meses: "Nós enfrentamos a crise pela primeira vez no Brasil não desempregando, não arronchando salário, não aumentando tributos e sem demitir", disse ela.
Em um dos poucos momentos significativos da entrevista, a presidente acabou admitindo que a saúde não está em padrões minimamente razoáveis: "Não acho", disse ela, antes de desandar a falar sobre o Mais Médicos, uma das bandeiras de sua campanha.

Já com o tempo estourado, Dilma ainda tentou pegar carona na comoção que tomou o país com a morte do candidato do PSB, Eduardo Campos, cuja frase final no Jornal Nacional – "Não vamos desistir do Brasil" –virou lema do PSB. "Eu acredito no Brasil", disse Dilma, que foi interrompida uma última vez enquanto tentava pedir votos aos eleitores.
 

Arcebispo de Mosul: “Perdi minha Diocese para o Islã – Vocês no Ocidente também serão vítimas dos muçulmanos”.


Arcebispo de Mosul: “Perdi minha Diocese para o Islã – Vocês no Ocidente também serão vítimas dos muçulmanos”.

Igreja Ortodoxa Armênia em Raqqa, Síria, atualmente escritório do ISIS.
Nossos sofrimentos de hoje são o prelúdio daqueles que vocês, europeus e cristãos ocidentais, também sofrerão no futuro próximo. Perdi minha diocese. O local físico do meu apostolado foi ocupado por radicais islâmicos que nos querem convertidos ou mortos. Porém, minha comunidade ainda está viva. 
Por favor, tentem nos compreender. Aqui os seus princípios liberais e democráticos não valem coisa alguma. Vocês devem considerar novamente a nossa realidade no Oriente Médio, porque vocês estão acolhendo em seus países um número cada vez maior de muçulmanos. Vocês também estão em perigo. Vocês devem tomar decisões fortes e corajosas, mesmo ao custo de contradizer os seus princípios. Vocês pensam que todos os homens são iguais, mas isso não é verdade: o Islã não diz que todos os homens são iguais. Os seus valores não são os deles. Se vocês não compreenderem essa realidade o suficiente, vocês se tornarão as vítimas do inimigo que acolheram em sua casa.
Dom Amel Nona
Arquieparca Católico Caldeu de Mosul, atualmente exilado em Erbil
14 de agosto de 2014

18 de ago de 2014

Para conhecer e amar a Igreja católica.



''Não há mais que uma centena de pessoas nos Estados Unidos que odeiam a Igreja Católica. Há milhões, no entanto, que odeiam o que erroneamente acreditam ser a Igreja Católica – e isto é, claramente, algo bem diferente.
Estes milhões dificilmente podem ser culpados por odiar católicos porque católicos ‘adoram imagens’; porque católicos ‘põem a Virgem Maria no mesmo nível que Deus’ por que eles falam que ‘indulgência é uma permissão para cometer pecado’; porque o Papa ‘é um fascista’; porque a ‘Igreja é uma defensora do capitalismo’.
Se a Igreja ensinasse ou acreditasse em qualquer uma dessas coisas ela deveria ser odiada, mas o fato é que a Igreja não acredita nem ensina nenhuma delas.Segue então que o ódio de milhões é direcionando contra o erro e não contra a verdade.Aliás, se nós católicos acreditássemos em todas as inverdades e mentiras que contam sobre a Igreja, nós provavelmente a odiaríamos mil vezes mais do que eles a odeiam.
Se eu não fosse um católico e estivesse buscando a verdadeira Igreja no mundo de hoje, eu iria procurar por aquela Igreja que não se dá bem com o mundo. Em outras palavras, eu procuraria pela Igreja que o mundo odeia.Minha razão para fazer isso seria que se Cristo estivesse em alguma das igrejas do mundo de hoje, Ele deveria ainda ser odiado como Ele foi odiado quando estava na terra em carne.
Se você deseja encontrar Cristo hoje, então encontre a Igreja que não se dá bem com o mundo. Procure pela Igreja que é odiado pelo mundo, assim como Cristo foi odiado pelo mundo. Procure pela Igreja que é acusada de estar atrasada no tempo, como Nosso Senhor foi acusado de ser um ignorante e de nunca ter aprendido.
Procure pela Igreja que os homens zombam por ser socialmente inferior, do mesmo modo que eles zombaram de Nosso Senhor por Ele ser de Nazaré.
Procure pela Igreja que é acusada de possuir o demônio, como Nosso Senhor foi acusado de estar possuído por Belzebu, o Príncipe dos demônios.
Procure pela Igreja que, em ocasiões de fanatismo,os homens dizem que deve ser destruída em nome Deus, do mesmo modo que os homens crucificaram Cristo pensando estar fazendo um serviço a Deus.
Procure pela Igreja que o mundo rejeita porque alega ser infalível, como Pitalos rejeitou Cristo porque Ele chamou a si mesmo de Verdade.
Procure pela Igreja que é rejeitada pelo mundo como Nosso Senhor foi rejeitado pelos homens.
Procure pela Igreja que, no meio de uma confusão de opiniões contrárias, possui membros que a amam como amam a Cristo, e que respeita sua voz como respeita a voz do seu Fundador, e sua suspeita irá crescer de que se a Igreja é tão impopular com o espírito desse mundo,é porque não é desse mundo, é do outro mundo.
E desde que é do outro mundo é infinitamente amada e infinitamente odiada como foi o próprio Cristo.
Mas apenas o que é divino pode ser infinitamente
odiado e infinitamente amado. Então a Igreja é Divina. Assim, se o ódio sobre a Igreja é fundado em crenças errôneas, segue que a necessidade básica do momento é instrução.
Amor depende de conhecimento, uma vez que não podemos aspirar nem desejar o desconhecido.
Nosso grande país é repleto daquilo que podemos chamar Cristãos marginais, isto é, aqueles que vivem à margem da religião e que são descendentes de pais Cristãos, mas que agora são Cristãos apenas no nome. Eles retém alguns dos ideais cristãos apenas por indolência ou por força do hábito; eles sabiam a gloriosa história do Cristianismo apenas através de certas formas retiradas dela, mas que se casaram com o espírito dos tempos e estão agora morrendo com ele. Sobre o Catolicismo e seus sacramentos, seu perdão, sua graça, sua certitude e sua paz, eles nada sabem exceto alguns preconceitos herdados. E ainda assim, eles são boas pessoas que querem fazer a coisa certa, mas que não têm uma filosofia definida sobre isso. Eles educam seus filhos longe da religião, mas ainda ressentem o compromisso moral de seus filhos. Eles ficam com raiva se você os dissesse que não são Cristãos, mas ainda assim eles não acreditam que Cristo é Deus. Eles ressentem-se aos serem chamados de pagãos e ainda assim eles nunca tomam um conhecimento prático da existência de Deus. Há apenas uma coisa sobre a qual eles estão certos:  de que as coisas não estão certas do modo como estão.
E é esta única certeza que os tornam o que pode ser chamado de grandes ‘potenciais’, já que eles estão prontos para serem puxados para uma de duas direções. Em um curto espaço de tempo eles devem escolher um lado; eles devem ou se unirem a Cristo ou se espalharem; eles devem estar com Ele ou contra Ele; eles devem estar na Cruz como outros Cristos ou abaixo dela, como outros executores. Para qual direção esses Cristãos marginais irão?
A resposta depende daqueles que têm fé. Como as multidões que seguiam Nosso Senhor pelo deserto, esses cristãos são ovelhas sem pastor. Eles estão esperando para ser guiados junto com as ovelhas ou com a cabras. Apenas uma coisa é certa: sendo humanos e possuindo coração, eles querem mais que luta de classes e economia, eles querem Vida, eles querem Verdade e eles querem Amor. Em uma palavra, eles querem a Cristo.
É para esses milhões que acreditam em coisas erradas contadas sobre a Igreja e para esses Cristãos marginais que esse pequeno livro é destinado. Não para provar que eles estão ‘errados’, nem para provar que nós estamos ‘certos’, mas sim para apresentar a verdade de modo que a verdade possa crescer através da graça de Deus. Quando homens estão famintos, ninguém precisa dizer-lhes para evitar venenos, nem para comer porque há vitaminas nesse alimento. O que alguém precisa fazer é ir a eles e dizer-lhes que estão famintos e dar-lhes o pão, e a partir daí as leis da natureza cuidará do resto. Este livro de ‘Respostas de rádio’ com 1588 questões e respostas aparece como uma missão similar. Seu principal desafio não é humilhar os errados, nem glorificar a Igreja Católica como intelectual e autoprobante, mas apresentar a verdade de uma maneira calma e clara, de modo que, pela graça de Deus, almas possam vir para o abençoado abraço de Cristo.
Não é o único ponto do livro provar que a Igreja Católica é a única igreja existente  capaz de satisfazer a alma completamente, mas também mostrar que é a única Igreja que nos dias de hoje que pode remontar seu passado ao tempo de Cristo. A História é bastante precisa nesse ponto, e é curioso quantas mentes não percebem essa obviedade.
 Portanto, quando vocês, os leitores de ‘Radio Replies’ no século XX, desejarem saber sobre Cristo, sobre Sua Igreja primitiva e sobre Seus mistérios, nós pedimos a vocês que não apenas partam para os registros escritos, mas para a Igreja viva que começa com o próprio Cristo. E  Esta Igreja, este Corpo Místico, que está viva todos esses séculos que é a base de nossa fé e, para nós católicos, Ela fala assim:
 ‘’Eu vivo com Cristo. Eu vi Sua Mãe e eu sei que era uma Virgem, e a mais amável e pura de todas as mulheres do céu ou da terra; Eu vi Cristo na Cesaréia quando, após mudar o nome de Simão para Pedro, Ele disse a este que este era a pedra sobre a qual sua Igreja seria construída e que duraria até o fim do mundo.Eu vi Cristo pregado numa cruz e eu O vi ressuscistar de seu túmulo, Eu vi Maria Madalena correr para os Seus pés; eu vi os anjos vestidos de branco ao lado da grande pedra; eu estava na sala do Cenáculo quando Tomé duvidou e pôs seus dedos nas Suas mãos; Eu estava nas Oliveiras quando Ele ascendeu aos céus e prometeu enviar Seu Espírito aos apóstolos para fazer neles a fundação do Seu novo Corpo Místico na terra. Eu estava no apedrejamento de Estevão e vi Saulo segurar as vestes daqueles que o mataram, e, mais tarde, eu escutei Saulo como Paulo, pregando o Cristo e Sua crucificação. Eu testemunhei a decapitação de Pedro e de Paulo em Roma, e com meus próprios olhos vi dezenas de milhares de mártires tingindo de vermelho as areias com seu próprio sangue, em vez de negar a fé que receberam de Pedro e de Paulo.
Eu estava viva quando Bonifácio foi enviado para a Alemanha, quando Agostinho de Cantuária foi enviado para Inglaterra, Cirilo e Metódio para as Pólis e Patrício para a Irlanda. No início do século nove eu lembro Carlos Magno coroado como rei em assuntos temporais assim como o sucessor de Pedro é reconhecido como supremo em assuntos espirituais. No século treze eu vi grandes pedras clamando em tributo a mim e explodindo em Catedrais Góticas; nas sombras dessas mesmas paredes eu vi imensas catedrais do pensamento surgirem na prosa de Aquino e Boaventura e na poesia de Dante.
No século dezesseis eu vi meus filhos amaciados pelo espírito do mundo deixar a casa do Pai e reformar a fé em vez de reformar a disciplina, o que os traria de volta ao meu abraço; no último século e no começo deste eu escutei o mundo falar que não me aceitaria porque eu estava atrás no tempo. Eu não estou atrás no tempo, eu estou nos seus bastidores. Eu adaptei-me em toda forma de governo que o mundo conheceu; vivi com Césares e reis, tiranos e ditadores, parlamentares e presidentes, monarquias e repúblicas. Eu dei boas-vindas a cada avanço da ciência, e se não fosse por mim os grandes registros do mundo pagão não teriam sido preservados. É verdade que eu não mudei minha doutrina, mas isso é porque a doutrina não é minha mas Daquele que Me enviou. Eu mudei minhas vestimentas que pertencem ao tempo, mas não o meu espírito, que pertence à eternidade. No curso da minha longa vida eu vi tantas novas ideias se tornando velhas, que eu sei que cantarei um réquiem para as ideias modernas de hoje, como eu cantei para as ideias modernas do século passado.
 Eu celebrei o 1900° aniversário da morte do meu Redentor e ainda assim eu não sou mais velha agora do que antes, porque meu Espírito é Eterno, e o Eterno nunca envelhece. Eu sou o  Personagem permanente dos séculos. Eu sou a contemporânea de todas as civilizações. Eu nunca estou fora de data, porque sou sem data; nunca fora de tempo, porque sou atemporal. Eu tenho quatro grandes marcas: sou Una, porque tenho a mesma Alma que tinha no início; eu sou Santa, porque essa Alma é o Espírito de Santidade; eu sou Católica, porque esse Espírito permeia todas as células vivas do meu corpo; eu sou Apostólica, porque minha origem é a mesma que vem de Nazaré, Galileia e Jerusalém. Eu irei crescer fraca quando meus membros se tornarem ricos e cessarem de orar, mas eu nunca irei morrer. Eu irei ser perseguida como eu sou perseguida agora no México e na Rússia; Eu irei ser crucificada como eu fui no Calvário, mas eu irei me erguer novamente, e finalmente quando o tempo não existir mais e eu tiver crescido toda minha estatura, então eu serei erguida aos céus como esposa da minha Cabeça, Cristo, onde as núpcias celestiais serão celebradas, e Deus será tudo em tudo, porque Seu Espírito é amor e amor é o paraíso’’
Traduzido gentilmente por João Marcos