31 de ago. de 2010

DOS MALES, O MENOR

Ao celebrar a missa de encerramento do nosso encontro diocesano no Dia do Catequista, o bispo aproveitou a homilia para alertar a assembléia sobre a importância de não votar em candidatos que defendem o aborto, dizendo: "Não vou citar o nome, mas vocês sabem muito bem a quem me refiro".
Durante o percurso de volta para a minha paróquia, porém, uma catequista questionou: "De quem será que o Bispo estava falando?" E ficou muito surpresa quando eu expliquei que qualquer integrante do PT é obrigado a defender o aborto, pois isso faz parte do programa do partido.
Então eu me dei conta de que muita gente, mesmo dentro da Igreja, ignora certas coisas cujo conhecimento seria essencial para um voto consciente, e de que, se passamos uma orientação genérica, sem dar nomes aos bois, grande parte dos destinatários ficará sem compreender o recado, como ocorreu com aquela catequista.
Penso que a Igreja tem, não apenas o direito, mas também o dever de usar de clareza ao alertar seus fiéis. É verdade que, enquanto instituição, ela não deve envolver-se na política, já que, por estar a serviço de toda a comunidade, não pode “tomar partido”. Mas uma coisa é militar na política, e outra coisa é posicionar-se a respeito daqueles que o fazem. Como cidadãos, também os representantes da Igreja têm o direito de defender os valores que professam, e de denunciar quem os ataca, sem precisar por isso sentir-se culpados, ainda que seja necessário citar nomes. Afinal, trata-se de alertar, não de impor. E trata-se de defender a verdade, o bem e a justiça, em nome do Evangelho, e não de interesses pessoais. O Concílio Vaticano II, ao mesmo tempo em que afirma que “a Igreja não está ligada a qualquer sistema político determinado”, reconhece que faz parte da sua missão “emitir juízo moral também sobre as realidades que dizem respeito à ordem política, quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas” (Gaudium et Spes nº 76).
Por isso, admiro aqueles que ousaram tomar posição, como o Bispo de Guarulhos, D. Luiz Gonzaga Bergonzini, autor do artigo “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, no qual exorta seus fiéis a não votarem em Dilma (www.diocesedeguarulhos.org.br, procurar em “Palavra do Pastor”). Ou o Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, presidente do Pró-Vida de Anápolis, autor de vários textos muito bem documentados sobre os compromissos contrários à vida, à fé e à moral, assumidos obrigatoriamente pelos membros do PT (www.providaanapolis.org.br). Sabemos que, em setembro de 2009, dois deputados (Luiz Bassuma e Henrique Afonso) foram expulsos do PT somente por manifestarem-se contra o aborto...
Sei que não temos nenhum candidato perfeito. Todos eles têm seus prós e contras, mais contras do que prós. Não há como dizer: “Neste sim, podemos confiar”. Por isso é que não adianta enumerar as qualidades de um utópico candidato ideal e colocar essa lista na mão dos fiéis, para que a Igreja cumpra o seu papel. É necessária uma atitude mais concreta...
Ora, o que sabemos com certeza é que Dilma não nos convém, que o PT não nos convém. E não somente por causa do aborto, mas de todo o conjunto de sua ideologia totalitarista de cunho marxista, que anula totalmente a liberdade individual em nome da coletividade. E a mais evidente prova da ilegitimidade de tal sistema é a sua necessidade de espezinhar os valores da fé e da família, de destruir tudo aquilo que confere dignidade à pessoa humana – ou seja, de matar a alma das pessoas. Um sistema que não pode conviver com Deus, não pode ser bom para os filhos de Deus.
Lembrei-me da advertência de Jesus: "Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma" (Mt 10,28). Como o atual governo tem simulado defender a vida do nosso corpo, não percebemos que ele nos vai roubando a vida da alma... e não damos ouvidos ao aviso de Jesus, preferindo fugir daqueles que matam apenas o corpo.
Às vezes, pode ser necessário sacrificar um pouco o corpo, para salvar a alma... que é mais importante. Porque a vida material a gente sempre pode garantir de alguma forma, nem que seja pela solidariedade dos irmãos, enquanto a nossa alma tiver vida... Mas, se perdermos a vida da alma, a do corpo se perde junto com ela. Como Jesus também avisou: "Temei, antes, aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno".
Ora, qual é a única forma de evitar que Dilma assuma o governo? Votando no candidato que tiver maior chance de concorrer com ela. Até o momento, esse candidato parece ser José Serra. Votar em um terceiro candidato que não tenha uma chance real, só irá favorecer Dilma, ao diminuir as chances do seu concorrente.
Sei, é claro, que ele não é o ideal. Mas, quando se trata de escolher entre dois males, só nos resta escolher o menor deles. Entre os dois tipos de “matadores”, ele se classificaria melhor entre aqueles que matam o corpo, mas, por outro lado, costumam respeitar mais a alma do povo, deixar em paz os princípios religiosos, a liberdade de professar a fé e as liberdades individuais em geral. Se não promovem os valores cristãos, ao menos não os perseguem tão declaradamente nem tão intensamente quanto o totalitarismo do PT, que quer garantir ao povo a vida material em troca da vida de sua alma.
Jesus já nos advertiu. Cabe a nós fazer a nossa escolha...

Margarida Hulshof

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