19 de nov de 2010

Dilma e o Papa

Estamos há quase um mês da vitória de Dilma Rousseff. Vivemos meses turbulentos durante a campanha eleitoral. Nunca ninguém imaginou que os cristãos brasileiros se levantariam e imporiam - como todo o direito de cidadãos civis que têm - os seus valores morais e éticos a partir de suas convicções religiosas.

Na correria pelos votos, Dilma e Serra viraram cristãos da noite para o dia. Se duvidar, sabiam até rezar a Missa em Latim e no Antigo Ordum. Foram para Aparecida angariar votos, falaram sobre a importância religiosa no país, assinaram cartas reafirmando o apoio à  vida a pedido dos cristãos... Tudo - obviamente - para ganhar votos.

Enquanto faziam seus papéis de bons cristãos, nos bastidores a coisa era outra. Bispos eram ameaçados de morte; folhetos foram recolhidos; ameaças de desligamento com o Vaticano foram feitos; CNBB recuando; leigos tendo que sumir dos seus Estados, além de chegarmos ao ponto de o próprio Papa manifestar-se à Igreja Brasileira. Enquanto o partido petista ameaçava, o pmdbista fazia vistas grossas. Mas não houve problema. Os cristãos, se têm partido, é o de Cristo e Sua Igreja. Não dependemos de homens, e nem nele confiamos, pois sabemos que é maldito o homem que em outro confia.

Com a sua vitória, Dilma, em seu discurso, afirmou que zelará pelos direitos e manifestações religiosas. Mas também alegou que defenderá pelo direito reprodutivo da mulher. E nós não somos tolos. Sabemos bem o que é esse tal "direitos reprodutivos da mulher": é dar a ela carta-branca para fazer o que bem entende sem respeitar o direito à vida de quem ainda não pode se defender. É legalizar o aborto a jus de "Direitos Humanos" e "Saúde Pública". Não me lembro, em nenhum vídeo, em nenhuma entrevista, em que a Presidente Eleita tivesse dito que o aborto é dolorido à criança. Só fez menção à mulher. Uma pena.

Mas Dilma quer mostrar que é da liga da paz. Ela, que durante as eleições, quando o Papa se manifestou aos Bispos do Norte e Nordeste, disse que ele podia fazer isso, já que essa era a crença dele (e todo mundo achando também que era a dela, já que até em Missa estava indo) escreveu uma carta ao Papa, e esta será entregue ao  secretário da Santa Sé para Relações com os Estados, Dominique Mamberti, por Gilberto Carvalho. Nesta carta, Dilma  promete se dedicar, nos quatro anos de seu mandato, à erradicação da miséria e à redução da desigualdade social. Diz ainda que a sua intenção é fazer uma saudação ao Papa e garantir que as relações do próximo governo com a Igreja continuarão sendo as melhores possíveis"

Será? Não sei. Na carta ela não toca, em momento algum, sobre o tema aborto. Também não fala sobre Homofobia e afins. Apenas se importa com direitos sociais. Tá, eles são importantes, mas o homem não é só carne. É também espírito. Talvez isso não lhe pareça importante, mas é.

Temos ainda quatro anos para ver os resultados desta atitude. Com a implantação do PNDH3, saberemos que foi - mais uma vez - apenas uma estratégia política.

Rezemos.

2 comentários:

  1. Dilma,
    Você é o cumulo da hipocrisia.

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  2. Meu Deus, para onde caminhamos?
    Os tempos de martírio estão voltando e nem nos damos conta...

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