3 de jun. de 2011

Don Aloísio Roque Oppermann: De que lado estão os legisladores?

As grandes esperanças que o mundo depositou na ONU, parece que evaporaram. Pelo menos em sua grande maioria. Isso de ser a garantidora da paz mundial, ou a nobre instituição do bem comum das nações, não passa de um pio desejo. Salvam-se algumas iniciativas para combater a fome no mundo, ou a busca pela eliminação das doenças. Mas em questão de Família, esse organismo é uma negação completa. Nele estão encastelados alguns dos seus maiores inimigos.

O nobilíssimo ideal da família monogâmica; o combate à infidelidade conjugal; a proteção ao nascituro; o estímulo ao compromisso perene de fidelidade conjugal; a educação dos filhos como tarefa familiar, encontrou antípodas poderosos em seus quadros. A família cristã, se reconhece saída das mãos do Criador. Sabe que o aparelho sexual masculino e o feminino se ajustam com grande perfeição anatômica. Sabe que a psicologia masculina e a feminina se completam como uma luva que protege a mão. O cristianismo atingiu o mais alto grau de compreensão da família, jamais alcançado na história. Ninguém mostrou melhor os ideais de proteção recíproca do casal. E jamais os filhos foram considerados tão preciosos.

Aonde o cristianismo quis levar a entender o sexo? Este representa umas das maiores energias no ser humano. Mas, canalizadas como as águas de um rio. Essa força converge para a vida matrimonial, onde um homem e uma mulher vivem a sua sexualidade, para mútuo apoio e para a educação dos filhos. “E Deus viu que tudo o que fizera era muito bom” ( Gen 1, 31). Como podemos ver as manobras contra a Família monogâmica, por parte da ONU? Pelo financiamento do feminismo exacerbado; por querer arrancar a educação dos filhos das mãos dos pais, e entregá-los às mãos do Estado ateu; pelo estímulo à “educação sexual” sem freios; pelo liberalização geral dos anticoncepcionais; pela restrição à liberdade religiosa; pelo estímulo à liberalização do aborto; pelo encorajamento a “outros tipos de Família”; ao encorajar sempre mais as leis que desfazem o casamento tradicional, e jamais para firmá-lo. Fujamos dessa avalanche que pretende levar a Família de roldão. E, cautela para certos legisladores nacionais, prontos a derramar sobre nós 130 leis anti-familiares. “A lei (de Deus) é boa para tudo o que se oponha à sã doutrina” (1 Tim 1, 10).

Dom Aloísio Roque Oppermann scj – Arcebispo de Uberaba, MG
Endereço eletrônico: domroqueopp@terra.com.br

Fonte: http://www.arquidiocesedeuberaba.org.br

2 comentários:

  1. Será que são as leis que mudam a sociedade ou, ao inverso, a sociedade que alterando-se, muda as leis?
    Tenho para mim, ainda, que a Igreja Católica está a colher os frutos de séculos e séculos de omissão na formação dos leigos (que sempre foram relegados a segundo plano da vida da Igreja) e da condescendência com os Poderes Civis estabelecidos (legítimos e ilegítimos) como forma de manutenção do seu Poder Temporal. Agora, aqueles que usaram e abusaram dessa condescendência, simplesmente estão a descartar a Igreja. Reclamar do quê? A Igreja, com seu silêncio, serviu para que as coisas se encaminhassem para o que é hoje. Com a secularização da sociedade, não serve mais. Agora, só resta a lamentação de quem se sente como objeto. E o choro do inocente útil. Mas, no caso da Igreja, não tão inocente assim.

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  2. Anônimo,

    A sociedade é como um "cavalo" domado pela classe falante. Sobretudo no Brasil.
    A revolução que esta promovendo a inversão de valores é fruto da filosofia que caminhou para um existencialismo que faz do homem o centro de tudo.
    As universidades se tornaram polo de ateísmo e de revolução imoral e como é delas que saem aqueles que falam é obvio que as mudanças aconteceram a curto prazo.

    Acredito que o anônimo esta errado quando critica a Igreja por não protagonizar o leigo antes do Concílio. E também é cegueira histórica olhar para a Igreja como cúmplice do Estado.

    O Clero sempre fez um bom trabalho na história, e há de se levar em consideração que este trabalho foi inspirado com o auxilio de muitos leigos preparados.
    A Igreja se relacionava com o Estado pela sua exclusividade religiosa, porém nunca abraçou princípios não religioso.
    É fato que quando falo de Igreja não levo em consideração alguns bispos e padres que realmente se venderam para o poder e o ter e por isso saíram da comunhão petrina.

    Anônimo,

    Se têm uma instituição que lutou e continua lutando pela moral no Ocidente é a Igreja. Como voçê vem me dizer que somos culpados pela situação que se encontra?

    Difícil de entender.

    Abraços!

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