4 de jan de 2012

Padre Zezinho: Missa não é opereta.



Opera é um teatro todo cantado. Opereta, um teatro declamado, falado e cantado. Pode haver danças no meio. É mais ou menos isso! Os detalhes eu deixo para os especialistas em artes cênicas. Missa é culto católico, com séculos de história, que não depende de lugar para acontecer, mas, em geral, acontece num templo. Não é nem nunca foi ópera ou opereta. Quem dela participa não é ator e nem o presidente da assembléia nem os cantores podem ser sua principal atração.

Mas são! E o são por conta de um fato: a maioria não estudou ou não respeita as orientações dos especialistas de uma ciência chamada “liturgia”. Liturgia deve ser o que impede que o altar vire palco, e o lado direito ou esquerdo dele vire coxia! Regula o culto de maneira que transpareça a catequese e a teologia daquele momento. Na hora em que o presidente daquele culto, ofuscado pelas luzes e pela fama local ou nacional, e algum cantor ou cantora deslumbrado com a sua chance de mostrar seu talento roubam a cena, temos mais uma exibição de opereta, num templo católico. Gestos, corridinhas, roupas lindas, música que estoura os ouvidos, o padre onipresente, inserções aqui e ali no script do que tratam como peça de arte, vinte músicas para uma missa, as canções duram 50 minutos e as palavras da missa 12 ou 15, o sermão do padre 25… E o povo que não pagou para assistir, é convidado a deixar sua contribuição no ofertório. Na semana que vem haverá outra exibição… Isto, nos cultos em que o altar vira palco e o celebrante que poderia, sim, ser alegre, comunicativo, acolhedor, resolve se o ator principal com alguns coadjuvantes chamados banda católica.

Nos outros cultos chamados de eucaristia e tratados como eucaristia a coisa é bem outra! Tem decoro, tem lógica, obedece-se ao conteúdo e aos textos daquele dia, as canções são verdadeiramente litúrgicas, os leitores sabem ler e não engasgam, os microfones não estouram, ninguém toca nem fala para ensurdecer, músicos não entram em competição, nenhum solista canta demais, cantores apenas lideram o povo, ninguém fica dedilhando cançõezinhas durante a consagração, como fundo para Jesus que faz o seu debut, as canções são ensaiadas e escolhidas de acordo com o tema da missa daquele dia, não se canta na hora da saudação de paz porque ninguém diz bom dia, ou como vai cantando… Tais coisas só acontecem nas operetas…

Nas missas sérias e com unção ninguém fica passando à frente ou atrás do altar, ministro não fica mexendo no altar enquanto o padre prega, padre não exagera nas vestes, não berra, não grita, não dá show de presença, tudo é feito com muita seriedade e decoro. O padre até se destaca pela seriedade. Celebra-se, dentro das nuances permitidas, o mesmo ato teológico com implicações sociais que se celebra no mundo inteiro. Todos aparecem e ninguém se destaca.

Mas receio ser inútil escrever sobre estas coisas, porque pouquíssimas bandas e pouquíssimos sacerdotes admitem que isso acontece com eles… E ai de quem disser que acontece! Mandam consultar o ibope sobre as novas missas transformadas em operetas, nas quais se privilegia mais canção do que os textos do dia. Perguntem se, depois daquele “somzão” e daquelas inserções com exorcismo, oração em línguas e outros adendos não aumentou a freqüência aos templos! É! Pois é!

Fonte: www.padrezezinhoscj.com


11 comentários:

  1. Concordo em partes! Acredito que a missa tem que ter uma boa pregação, e deve-se introduzir a pessoas ao sacrifício.
    Temos que evangelizar a juventude, as crianças e é preciso uma linguagem que os atinjam. Não podemos relativizar, dizendo que isso não é realidade. Vejo na minha cidade, a evasão para as seitas protestantes tem aumentado e muito.
    As missas conduzidas por Pe. adeptos da TL é espanta católicos, católicos este que não claro a maturidade da fé. Porém as missas animadas por ministérios de músicas da RCC tem sim conduzindo mais pessoas as missas, mas não vejo que ficam na superficialidade, com o tempo muitos entendem que o Centro é o sacrifício é a Eucaristia.

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  2. É, tem algumas verdades neste texto,mas vindo de quem vem, tenho receios de qual a sua intenção.

    Cuidado com o Padre Zezinho!

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  3. Texto fantástico, não posso deixar de mencionar uma parafernália tecnológica com telão, data-show e companhia limitada, que roubam cada ato com a inserção de imagens bonitas...
    O que se passou durante a Eucaristia, um quantidade imensurável de imagens... Quando é claro que na missa de 7º dia não se coloca um videozinho para homenagear o falecido!
    Mas quando mostramos a posição da CNBB com relação a isso... somos tachados e ditos mentirosos!

    O amor de Deus e a paz de Maria!

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  4. infelizmente a pouco tempo atrás o PADRE ZEZINHO até estava negando a DOUTRINA DO PURGATORIO, e infelizmente seus LIVROS TEM ARTIGOS DE ARREPIAR OS CABELOS DE QUEM É FIEL AO SAGRADO MAGISTERIO DA IGREJA,
    http://www.veritatis.com.br/article/5331

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  5. e irmão se alguém quiser ver o texto que o padre zezinho nega o purgatorio está aqui

    http://www.veritatis.com.br/article/5331

    e o purgatorio é um dogma de fé da nossa igreja veja aqui

    http://www.rainhadosapostolos.com/search?q=purgatorio&x=0&y=0#

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  6. Não concordo com tudo que o Padre Zezinho disse
    e dirá. A SCJ não tem sido escola de bons teologos. Porém este texto é muito bom.

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  7. Ademir,

    O padre tem que rezar a Missa de acordo com o missal.
    O resto é supérfluo.

    E temos de fazer isso por amor a Cristo, e não negá-la por medo de crescimento protestante; Jesus mesmo disse: eu vim fazer a vontade do MEU PAI. Façamos nós, também, a mesma coisa.

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  8. Conheço o Pe. Zezinho desde os anos 70,quando junto com outros jovens fundamos o Grupo JOCA - Juventude Organizada Com Amor, em Brasília. Desde então acompanho sua trajetória de textos, cantos e orações, que eu reputo com a mais rica, madura e equilibrada dentre os demais consagrados que se dedicam a evangelizar no campo midiático, a qual vem enriquecendo por demais a caminhada de nossa amada (e às vezes odiada)Igreja. Há tempos Pe. Zezinho vem alertando acerca do devido respeito à liturgia católica, instituto universal e importante elemento de identidade da própria Igreja. Portanto, antes de sopesar palavras, convém, com humildade, reconhecer e reparar os exageros e personalismos cometidos, mesmo que com reta intenção. Afinal, Pe. Zezinho sabe o que fala e todos somos testemunhas da veracidade de suas palavras. Paz, Bem e Vida pra todos. José Maria (Zeca)

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  9. O Padre Zezinho no Programa que faz na TV Século XXI disse ser da teologia da Libertação e desde então quase não o ouço ou leio, mas o que ele propõe aqui é o básico... quase feijão com arroz...
    Vocês se lembram: Leia o preto e faça o vermelho!

    Só isso!

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  10. Pe. Zezinho, sou seu fã, mas penso que o sr é o único padre que tem desejo de dividir a igreja com críticas pesadas nas pastorais e movimentos.
    Pai que não acolhe o filho não serve pra ser pai. Ou igreja avança, ou voltaremos para a Missa em latim,onde ninguém entende nada, inclusive o padre. A unidade é o maior sinal de Deus entre nós.Faz anos que o sr com suas críticas destrutivas, está fazendo divisão no ceio da igreja, será que Jesus faria o mesmo?
    Termino com palavras de um reitor de uma faculdade de teologia, discípulo de Leonardo Boff:
    "A RCC é o único movimento que faz as pessoas pedirem perdão de verdade na hora da Missa".
    Pe. Zezinho, ame a igreja como o sr mesmo diz: Com suas diferenças. Nós RCC te amamos como pai.

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  11. O padre pra mim é um pai.
    Pe. Zezinho é muitíssimo inteligente, mas tem horas que penso que ele está perdendo o seu papel de pai com esses comentários que não edificam. Todos esses padres que ele criticou, têm bispos, o que os bispos dizem? Uma vez Pe. Zezinho veio aqui em minha cidade, através de fontes, sob que ele não quis descer do altar para dar a comunhão ao povo, e que só daria palestras para grupos a partir de 500 pessoas. E aí, alguém reclamou? Que eu saiba não. Acho muito pouco esses comentários que dividem. Liturgia é tudo aquilo que faz o povo se voltar pra Deus dentro de uma igreja, assim eu penso.

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