22 de jun. de 2012

Com a oração contemplamos o plano de amor de Deus para os homens, afirma o Papa.




Durante a Audiência Geral do dia 20/06 , o Papa Bento XVI convidou os fiéis a praticarem a oração constante porque com ela nos abrimos à contemplação do grande mistério que é o plano de amor de Deus para a história humana e de cada pessoa.

Diante de cerca de 8.000 peregrinos reunidos na Sala Paulo VI, o Papa refletiu sobre o primeiro capítulo da Carta de São Paulo aos Efésios e "que começa com uma oração, que é um hino de bênção, uma expressão de gratidão e alegria".

Nesse sentido, o Papa indicou que é normal que o ser humano reze para pedir a ajuda de Deus. Para isso, assinalou, o Senhor nos ensinou o Pai Nosso com o qual nos mostra "as prioridades da nossa oração, limpa e purifica os nossos desejos e, assim, limpa e purifica o nosso coração.".

"Assim, por si mesmo, é normal que na oração peçamos alguma coisa, mas não deveria ser exclusivamente assim. Existe ainda motivo de agradecimento e devemos ser um pouco atentos para ver que de Deus recebemos tantas coisas boas: é tão bom para conosco que é conveniente, é necessário, dizer obrigado. E deve ser também uma oração de louvor", expressou.

Nesse sentido, em sua carta aos Efésios, São Paulo ‘bendiz Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, porque Nele nos fez “conhecer o mistério de sua bondade’. 

"“O mistério de sua vontade”. “Mysterion”, “Mistério”: um termo mencionado muitas vezes na Sagrada Escritura e na Liturgia. Não gostaria agora de abordar a filosofia, mas a linguagem comum indicada quando não se pode conhecer, uma realidade que não podemos afirmar com nossa própria inteligência", indicou o Papa.

“O hino que abre a Carta aos Efésios nos conduz pela mão em direção a um significado mais profundo deste termo da realidade que nos indica. Para os crentes, “mistério” não é tanto o desconhecido, mas antes a vontade misericordiosa de Deus, o seu designo de amor que em Jesus Cristo foi revelado plenamente e nos oferece a possibilidade de, “com todos os cristãos, compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto é, conhecer a caridade de Cristo” (Ef 3,18-19)”. 

«O “mistério desconhecido” de Deus é revelado, ele é que Deus nos ama e nos ama desde o início da eternidade», destacou Bento XVI.

O Papa indicou que “o apóstolo agradece e louva, mas reflete também sobre os motivos que impulsionam o homem a este louvor, a este agradecimento, apresentando os elementos fundamentais do plano divino e suas etapas".

"Antes de tudo, devemos bendizer Deus Pai, porque – assim escreve São Paulo – Ele “nos acolheu nele antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos”".

"São Paulo continua: Deus nos predestinou, nos elegeu para sermos “adotados como filhos seus por Jesus Cristo”, a sermos incorporados em seu Filho Unigênito. O apóstolo destaca a gratuidade deste maravilhoso desígnio de Deus sobre a humanidade. Deus nos escolhe não porque somos bons, mas porque Ele é bom", acrescentou.

Nesse sentido, o Papa explicou que "no cento da oração de benção, o Apóstolo explica o modo em que se realiza o plano de salvação do Pai em Cristo, em seu Filho amado. Escreve: “pelo seu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados segundo as riquezas de sua graça”. O sacrifício da cruz de Cristo é o evento único e irrepetível no qual o Pai mostrou de modo luminoso o seu amor por nós, não somente com palavras, mas de modo concreto", indicou.

"São Paulo convida a considerar o quanto é profundo o amor de Deus que transforma a história, que transformou sua própria vida, deixando de ser perseguidor de cristãos para ser Apóstolo incansável do Evangelho. Repitamos ainda mais uma vez as palavras tranquilizadoras da Carta aos Romanos: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?"”, animou o Papa.

Ao final de sua catequese, o Santo Padre disse que São Paulo fecha a bênção divina com uma referência ao Espírito Santo "que foi derramado em nossos corações”; o Paráclito – diz Paulo – “é o penhor da nossa herança, enquanto esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor da sua glória".

Bento XVI explicou: "A redenção ainda não foi concluída – o sabemos –, mas terá seu pleno cumprimento quando aqueles que Deus adquiriu forem totalmente salvos".

"Devemos aceitar que o caminho da redenção é também um caminho nosso, porque Deus quer criaturas livres, que digam livremente ‘sim’; mas é, sobretudo e primeiramente, um caminho Seu. Estamos em Suas mãos e agora é nossa liberdade andar sobre a estrada aberta por Ele”. 
“Andemos sobre esta estrada da redenção, juntos a Cristo e sintamos que a redenção se realizará", afirmou.

Fazendo um resumo, o Papa disse que a visão apresentada por São Paulo "nesta grande oração de benção nos conduziu a contemplar a ação das três Pessoas da Trindade: o Pai, que nos escolheu antes da criação do mundo, pensou em nós e nos criou; o Filho, que nos redimiu com o seu sangue, e o Espírito Santo, penhor de nossa redenção e glória futura".

"Na oração constante, no relacionamento cotidiano com Deus, aprendemos também nós, como São Paulo, a ver cada vez mais claramente os sinais deste projeto e desta ação: na beleza do Criador que tudo criou (cfr Ef 3,9), como canta São Francisco de Assis: “Louvado sejas, meu Senhor, com todas as Tuas criaturas", afirmou.

"Queridos amigos, quando a oração alimenta a nossa vida espiritual nós nos tornamos capazes de conservar aquilo que São Paulo chama de “mistério da fé” numa consciência pura (cfr 1 Tm 3,9). A oração, como modo de “habituar-se” a estar junto de Deus, gera homens e mulheres inspirados não pelo egoísmo, pelo desejo de possuir, pela sede de poder, mas pela gratuidade, pelo desejo de amar, pela sede de servir, inspirados, isto é, por Deus, e somente assim podem levar a luz à escuridão do mundo", acrescentou o Papa

“Gostaria de concluir esta Catequese com o epílogo da Carta aos Romanos. Com São Paulo, também nós rendemos glória a Deus porque disse-nos tudo sobre si em Jesus Cristo e dou-nos o Consolador, o Espírito de verdade”, finalizou o Santo Padre.

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