Exorcismo

Padres Exorcistas explicam

Consagração a Virgem Maria

Escravidão a Santissima Virgem, Orações, Devoção

Formação para Jovens

Espiritualidade, sexualidade, diverção, oração

8 de abr. de 2010

O “SIM” DE MARIA












Meditando sobre o Dogma da Imaculada Conceição, fiquei com uma dúvida e gostaria de contar com sua ajuda para esclarecê-la: 1) Sempre acreditei que devemos ter adoração pela Ssma. Trindade e veneração pelos santos, pedindo sua intercessão junto a Deus e tendo sua vida como exemplo. 2) Sempre acreditei, também, que não existiria nenhuma hierarquia entre Nossa Senhora e os demais santos, pois todos foram pessoas humanas que colocaram voluntariamente suas vidas a serviço de Deus. 3) Mas, se Nossa Senhora nasceu pré-destinada a ser a Mãe de Deus e portanto imaculada, sem o pecado original, a sua adesão ao Plano de Salvação de Deus já não seria um fato consumado? Ela poderia dizer “não”, e outra virgem de Israel, da casa de Davi, ser escolhida em seu lugar, para cumprir as Escrituras?                                            (José Ailton Pereira Prince – Macaé/RJ.)

         Dos três tópicos que você colocou, parece que apenas o último exprime sua dúvida, mas acho importante comentar algo sobre os outros também.
         Sim, o culto que prestamos a Nossa Senhora e aos Santos é diferente do culto prestado a Deus. Somente a Deus adoramos como nosso Senhor, Criador e Salvador, única fonte de todo Bem e toda Graça. Os santos são venerados e invocados na medida em que isso favorece nossa comunhão com Deus e com toda a Igreja, cuja união é desejo de Deus (Jo 17, 21-23). Diz a Lumen Gentium, citada no Catecismo da Igreja Católica: “Veneramos a memória dos habitantes do céu não somente a título de exemplo; fazemo-lo ainda mais para corroborar a união de toda a Igreja no Espírito, pelo exercício da caridade fraterna. Pois assim como a comunhão entre os cristãos da terra nos aproxima de Cristo, da mesma forma o consórcio com os santos nos une a Cristo, do qual como de sua fonte e cabeça promana toda a graça e a vida do próprio Povo de Deus.” (nº 957)
         O Catecismo cita também São Policarpo, mártir do primeiro século: “Nós adoramos Cristo qual Filho de Deus. Quanto aos mártires, os amamos quais discípulos e imitadores do Senhor e, o que é justo, por causa de sua incomparável devoção pelo seu Rei e Mestre. Possamos também nós ser companheiros e condiscípulos seus.”
         São Policarpo de Esmirna foi discípulo direto dos apóstolos, e essa citação é um exemplo, entre outros, de que o culto aos santos já existia na Igreja primitiva. Não é uma “inovação” do Catolicismo Romano, como insinuam os protestantes. Ao contrário, foram estes que inovaram ao suprimir todas essas coisas.
         Não é tanto para você que digo isto, mas para aproveitar a oportunidade de dar resposta a outros questionamentos que tenho recebido, sobre as acusações que os protestantes nos fazem. Aliás, também a Bíblia recomenda o culto à memória dos santos, como por exemplo em Hebreus 13, 7 e Colossenses 1, 12.
         Quanto ao nº 2: existe, sim, uma “hierarquia” entre Nossa Senhora e os demais Santos, porque ela exerceu um papel especial e único na história da Salvação. Sua união com Deus foi mais perfeita do que a de qualquer outro ser humano, por ter ela formado em seu seio e dado à luz o próprio Deus. Assim, ela participou diretamente no Mistério da Redenção, e, por isso mesmo, foi preservada do pecado desde a concepção, gozando antecipadamente da redenção conquistada por Jesus, e participando, também antecipadamente, em corpo e alma, de sua glória no Céu. Nesses aspectos ela se distingue dos demais santos.
A glória de Maria, como a de todos os santos, decorre exclusivamente dos méritos de Cristo, mas foi este mesmo quem quis elevá-la a essa posição privilegiada, para o bem da Igreja, cuja maternidade lhe conferiu do alto da cruz (Jo 19, 26-27).
         Assim como no caso dos santos, também o culto que a Igreja presta a Maria, longe de tirar o valor da adoração exclusiva devida a Deus, antes a favorece, e por isso é válido e útil.
         Quanto ao consentimento (adesão) de Maria ao plano de Salvação (nº 3):  de fato, ela foi escolhida por Deus desde toda a eternidade, e já preparada desde a concepção para essa missão. Diz o Catecismo: “Para ser a Mãe do Salvador, Maria “foi enriquecida por Deus com dons dignos para tamanha função”. No momento da Anunciação o anjo Gabriel a saúda como “cheia de graça”. Efetivamente, para poder dar o assentimento livre da sua fé ao anúncio da sua vocação, era preciso que ela estivesse totalmente sob a moção da graça de Deus.” (nº 490).
         O “sim” de Maria, portanto, é fruto da graça de Deus que nela habitava, como de resto o são todos os atos de virtude praticados pelos santos ou por qualquer um de nós. “Sem mim, nada podeis fazer”, diz Jesus. Sempre que fazemos o bem, é pela graça de Deus que o fazemos.
         Mas isso não anula a nossa liberdade. Podemos dizer “não” à graça, se assim o desejarmos, e muitos o fazem. Maria era livre para dizer “não”. Mas Deus, que conhece tudo, naturalmente já sabia que ela diria “sim”, embora não a tenha forçado a isso. Por isso a escolheu entre todas as mulheres e a cercou de graças especiais. Se ela fosse dizer “não”, Ele não a teria escolhido.

        Margarida Hulshof

A IGREJA DOS APÓSTOLOS


















Eu pensava que não existisse nenhuma dúvida, mesmo por parte dos protestantes, de que a Igreja Católica de hoje é a mesma Igreja primitiva da época dos apóstolos. Mas ouvi um amigo presbiteriano dizer que não é. Essa declaração me espantou por ser completamente sem fundamento. Depois fiquei pensando se haveria, afinal, algum fato histórico que pudesse fundamentar essa dúvida deles. Pois, se nossa Igreja é a Igreja de Cristo, que justificativa podem ter os protestantes para não pertencer a ela? Existe realmente alguma dúvida, entre os exegetas protestantes sérios, em relação a isso?
                                                                                   (José Carlos Meira e Silva – Goiânia/GO.)

            Compreendo a sua perplexidade. Também para mim é difícil entender a posição dos protestantes, ao menos quando são sérios e buscam realmente a verdade. Mas o fato é que, apesar das evidências, eles realmente não acreditam que nossa Igreja Católica de hoje seja aquela mesma que Jesus fundou. Segundo eles, a “Igreja primitiva” foi corrompida quando se “associou” ao império romano, com a conversão de Constantino por volta do ano 313.
A única explicação que encontro para esse fenômeno são os condicionamentos e “seleções” que nossa mente instintivamente elabora: a verdade nem sempre é tão fácil de ser percebida, por mais clara e límpida que seja. Nossos condicionamentos internos distorcem nossa percepção, fazendo-nos ver aquilo que queremos ver. E o que não falta aos protestantes são condicionamentos e doutrinações já inculcados desde o berço, de modo a arraigar neles essa atitude de prevenção e preconceito contra a Igreja Católica. De modo geral, eles não sentem necessidade de aprofundar o assunto, tão convictos estão de que não há o que discutir. E, quando confrontados com as evidências, recusam-se a admiti-las e mesmo a encará-las.
            Quando algum deles consegue romper essa barreira de preconceito e examinar a questão de forma imparcial, é quase certo que acabará por render-se à evidência da verdade, como tem acontecido muitas vezes. Isso, porém, não se faz sem duras lutas internas que nem todos têm a coragem de enfrentar, pois não é fácil renunciar à segurança do já conhecido, enfrentar o próprio preconceito e a oposição cerrada da comunidade e até da família, para arriscar-se na busca de algo novo, desafiador e inquietante. Muitos não suportam a pressão e preferem manter a consciência amortecida, o que é compreensível. Dos que aceitaram o risco, porém, nenhum se arrependeu, e todos se sentem plenamente recompensados. Recomendo-lhe vivamente a leitura do livro “Jornadas Espirituais”, da Editora Quadrante, que traz justamente o relato de várias dessas duras e corajosas jornadas rumo à verdade da fé Católica.
            Não existe nenhum fato histórico que justifique a convicção protestante de que a Igreja Católica não é a primitiva igreja dos apóstolos. A única justificativa é aquilo que você disse: “se eles aceitassem que é a mesma, não teriam motivos para ficar fora dela”. Por isso, são obrigados a “achar” que não é. E para isso, naturalmente, constroem teorias e interpretações históricas sobre bases falsas e visões distorcidas. Nenhuma de suas teorias resiste a uma análise serena e objetiva dos fatos e documentos.
            O estopim da reforma protestante foram alguns comportamentos inadequados por parte de alguns membros da Igreja. Depois, na esteira da ruptura consumada por Lutero, muitos acharam que a Igreja se tinha desviado da fé primitiva, e que, para recuperá-la, seria preciso romper com Roma. Tais pessoas não se consideravam propriamente fundadores de novas Igrejas, mas sim restauradores da Igreja primitiva, que se teria perdido.
            A intenção pode ter sido boa, mas a fundamentação era falha, porque baseada sobre um equívoco. Não é das atitudes individuais das pessoas que vem a credibilidade da Igreja, mas sim do magistério oficial centrado na autoridade do Papa, que define a reta doutrina. E o fato é que a doutrina da Igreja jamais ensinou os erros que a ela são atribuídos. Não havia nenhum motivo válido para contestar a autoridade do Papa, o que havia eram motivos humanos e políticos, como a rivalidade entre Roma e a Alemanha, e as correntes de pensamento daquela época, que, como reação ao absolutismo dos reis, tendiam a negar qualquer autoridade absoluta.
Só que a autoridade de Deus não pode ser comparada à autoridade dos homens, não pode deixar de ser absoluta. E é dela que decorre a autoridade do Papa, como ninguém pode negar a não ser de forma gratuita e sem fundamento, incorrendo em grave desobediência àquilo que Deus mesmo estabeleceu. Nenhum “reformador” tem como invocar autoridade maior para justificar sua posição, a não ser a própria convicção pessoal, que vale tanto quanto a de qualquer outra pessoa. E, se é assim, a nossa posição teria que valer pelo menos tanto quanto a deles...
            A autoridade que eles invocam é a da Bíblia, mas todos eles invocam a mesma Bíblia, e no entanto discordam entre si em muitos pontos. Também a Igreja Católica tem sua autoridade solidamente fundamentada na Bíblia, e no entanto eles não a reconhecem... o que mostra que a Bíblia, sozinha, não basta como garantia da Verdade, se cada um a interpreta como bem entende.
            Quem nega a autoridade da Igreja, portanto, acaba inevitavelmente caindo em contradições, erros e incoerências mais graves do que aquelas que dizem combater. Outro exemplo é o que se refere aos sacramentos, tão claramente instituídos por Jesus e vividos pela igreja primitiva, e no entanto esquecidos pelos protestantes (já que, por estarem desligados da sucessão apostólica, não possuem ministros autorizados para os sacramentos). Ou ainda a questão crucial da unidade de fé e de doutrina, tão exaustivamente recomendada por Jesus e pelos apóstolos, e, no entanto, também ignorada por eles. Mas eles simplesmente desconsideram esses pontos “difíceis”, recusam-se a examiná-los, preferindo centrar sua atenção em incompatibilidades fictícias, como a que insistem em ver entre o uso das imagens, o culto a Maria e aos santos ou a obediência ao Papa e a autoridade absoluta de Deus. Eles insistem em considerar como idolatria aquilo que, na verdade, são recursos deixados pelo próprio Deus para nos ajudar em nossa caminhada para Ele. Essas interpretações gratuitas e sem fundamento obscurecem o seu  entendimento, impedindo-os de enxergar a verdade.
            Resumindo: os protestantes não têm motivo algum para dizer que nossa Igreja não é a Igreja de Cristo. Mas imaginam que têm. E Deus permite tais coisas para nos provar e questionar, para manter-nos conscientes de nossa fragilidade e de nossos limites humanos, para que não sejamos tentados a confiar em nossas próprias obras ou capacidade. Vigiemos a nós mesmos e entreguemos a Deus aquilo que nos escapa, cientes de que “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus”.

Margarida Hulshof
livro "A Noiva do Cordeiro"  Editora O Lutador

A JUVENTUDE CATÓLICA E OS SEUS CLAMORES















Por Pedro Ravazzano

Quantas vezes nós não ouvimos as mais absurdas argumentações para endossar o erro, o abuso e a irreverência na Igreja? Entretanto, sem dúvida alguma, um dos raciocínios comumente utilizados é a dita “modernização” para aproximar a fé aos jovens. Deve ser frisado, antes de qualquer coisa, que se a nossa crença vem de Deus, reflete, então, a Sua imutabilidade e eternidade – e, sendo assim, pensar numa adaptação que não seja do trabalho pastoral não é apenas uma falácia, mas uma heresia. Ademais, os jovens não passam de falsos pretextos usados para justificar a megalomania e desobediência de muitos religiosos que, de maneira mesquinha, preferem seguir teologias próprias a serem fiéis à Igreja. A juventude, na realidade, não aprecia e nem muito menos compactua com tais imprecisões. Os jovens preferem a mais sincera ortodoxia e honesta piedade.
Quem nunca assistiu, ou ouviu falar, de “Missa dos jovens”? Essa nomenclatura é totalmente inapropriada, não só porque a Missa é apenas uma, porque apenas um foi o Sacrifício, mas também porque o rito da Liturgia não permite tal flexibilidade, a ponto de serem criadas novas rubricas e normas baseadas em impressões pessoais acerca da celebração. Entretanto, o problema é mais profundo do que um simples nome. As tais “Missa dos jovens” se distanciam, e muito, da reverência ao Sacrifício.
A Missa é renovação do Sacrifício do Calvário; “A Eucaristia é, portanto, um sacrifício porque representa (toma presente) o Sacrifício da Cruz, porque dele é memorial e porque aplica seus frutos”, “O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício.” S.S João Paulo II disse, na encíclica Ecclesia de Eucharistia: “A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.(16) O que se repete é a celebração memorial, a « exposição memorial » (memorialis demonstratio),(17) de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se actualiza incessantemente no tempo. Portanto, a natureza sacrificial do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indireta ao sacrifício do Calvário (n. 12, itálicos do original)” Ademais, lembremos que o Concílio de Trento  declarou solenemente que o Sacrifício da Missa era o centro da Liturgia católica, em oposição aos ensinamentos heréticos de Martinho Lutero que diziam que a Missa era apenas um banquete de realidade simbólica - heterodoxia esta que, atualmente, deixou de ser exclusividade protestante e passou a ser defendida até mesmo entre católicos.
Muitos alegam que a Ressurreição também é renovada, e esse seria o motivo do regozijo meramente humano – bem diferente da santa alegria espiritual. Entretanto, enquanto a Paixão é, de fato, atualizada e presente sacramentalmente, a Ressurreição não passa de um recordação sem nenhuma realidade substancial presente, tanto é assim que nós “Anunciamos” a morte do Senhor e “Proclamamos” a Sua Ressurreição. O que isso representa? A morte de Cristo é renovada misticamente, atualizada na Missa em comunhão com o Calvário, se faz presente plenamente. Já a Ressurreição não ultrapassa a barreira temporal, não é atualizada na Celebração e lembrada apenas enquanto evento que se deu no tempo. Assim, podemos concluir que - ou as pessoas desconhecem o caráter sacrificial da Liturgia e por isso são permissivos aos abusos e corrupção - ou então, em franca desobediência ao que sempre foi crido pela Igreja e pelo povo Deus, sancionam, através de imprecisões teológicas e heresias, a lastimosa transformação do correto espírito litúrgico.
A Missa é Calvário e como Calvário nos pede uma espiritualidade específica - ou será que alguém tocaria bateria, guitarra e baixo sob os pés de Cristo? Para algo ser digno da Missa deve excluir tudo de profano, não porque seja apenas um capricho da Igreja, mas porque a Liturgia, sendo um pedaço no Céu na terra, deve servir como uma prévia do esplendor da morada celeste. Entretanto, quando profanamos a Liturgia, deixando que seja mundanizada, impedimos não a realidade sobrenatural da Missa, que sempre há quando existem celebrações válidas, mas diminuímos os efeitos de santidade causados no povo de Deus.
Os defensores das tais Missas jovens alegam, também, que estas celebrações aproximam a juventude da Igreja. Tal argumento não pode prosperar. A uma, porque a Liturgia não é ferramenta catequética, os que assistem e comungam são aqueles que entendem o que é celebrado no altar. A duas, porque estamos prestando um desserviço aos jovens. É justamente por amá-los que devemos nos esforçar para apresentar o esplendor da Missa, a sua realidade sacrificial e mística. Quando, pelo contrário, deformamos a Liturgia, mesmo com a melhor das intenções, estamos mostrando a nossa pequenez e egoísmo, já que impedimos a juventude de conhecer a sobrenaturalidade da Missa. Ora, nós amamos Cristo e justamente por amá-Lo queremos que os jovens O conheçam. Mas como apresentar os jovens a Cristo se nós somos os primeiros a deformar o Seu Sacrifício e ainda alegando que isso é para o seu bem? Vejam a óbvia contradição!  A nossa fidelidade aos ensinamentos de Nosso Senhor deve nos motivar, justamente, a anunciá-los por todos os cantos, sem modificações, sem opiniões pessoais, sem desonestidade - do contrário estaremos prestando um desserviço a Cristo e aos jovens, impedindo-os de experimentar Jesus em toda a Sua grandeza.
O Santo Padre nos esclarece essa questão quando da Jornada Mundial da Juventude. As Missas da JMJ em nada se aproximam da algazarra litúrgica tão comum nos dias de hoje. As celebrações se encontram submersas na mais sublime mística e sobrenaturalidade. Vale lembrar que estamos falando de um dos maiores eventos da Cristandade e que tem como público os jovens de todos os cantos do mundo. Se as tais “Missas jovens” gozassem de licitude seria a Jornada o momento adequado para a prática dessa mentalidade litúrgica, entretanto, o que presenciamos é justamente o contrário; sobriedade, sacralidade e solenidade.
Além de tudo isso, os defensores de tais celebrações alegam que os jovens não gostam de Missas bem celebradas. Primeiro que, com a atual realidade religiosa, eu realmente duvido que todos os garotos desse país tenham tido acesso a Celebrações decorosas. Em segundo lugar, nada, absolutamente nada, justifica a deformação do correto espírito litúrgico. Quer dizer que as preferências e gostos dos jovens estão acima da digna reverência ao mistério do altar? Então os desejos da juventude devem ser cumpridos imediatamente em detrimento não apenas do ensino da Igreja como da reverência ao Sacrifício? Que inversão total e completa! Entretanto, faço questão de frisar que é realmente difícil saber se os jovens de fato apreciam tais celebrações. Começa que não poucas são as Congregações que definham porque não conseguem renovar as suas fileiras e muitas delas são, justamente, as que insistem na defesa das “Missas jovens”. Será que não percebem que a difusão dessa espiritualidade relaxada, que eles consideram “jovem”, talvez seja o motivo da crítica situação em que vivem? Lançando mão de um jargão popular: é dar murro em ponta de faca. Chega a ser caricato, mas acima de tudo, triste, perceber que Ordens belíssimas murcham por dentro por falta de renovação e que, mui provavelmente, o motivo desse retrocesso seja a insistência numa mentalidade que pouco acende nos jovens o fervor religioso e o espírito devocional.
A Conferência Nacional de Vocações, nos EUA, encomendou uma pesquisa e descobriu que, atualmente, a esmagadora maioria dos vocacionados rumam para Congregações onde há piedade, fidelidade ao Magistério, uso do hábito, oração e vida comunitária. Além de sinalizar que os jovens chamados por Deus buscam a Tradição, a pesquisa mostrou que as ordens religiosas que se distanciam do carisma, rejeitam a própria história, adotam teologias imprecisas e tratam com descaso os ensinamentos da Igreja, estão atraindo cada vez menos vocações. Assim disse Irmã Maria Bendyna, diretora executivo do Centro para Pesquisa Aplicada no Apostolado da Universidade de Georgetown: "Eles [os jovens] são mais atraídos por um tradicional estilo de vida religiosa, onde há vida comunitária, oração comum, com Missas conventuais, Liturgia das Horas. Além disso, a fidelidade à Igreja seria importante para eles. Eles buscam comunidades inequívocas, cujos membros vestem hábito”. Entretanto, mesmo aqueles que não são verdadeiramente vocacionados, que se aproximam das Congregações apenas tocados pela beleza e pela piedade que exalam, são belíssimos exemplos de como o uso dos hábitos, os cantos, as Missas decorosas, santificam as almas, causam um bem tão sublime que faz com que jovens confundam devoção com vocação. Apenas nas mentes tresloucadas dos religiosos adeptos de teologias estranhas que tudo isso não passa de ornamentos desnecessários que atrapalham a fé do povo. A prova inconteste do erro de tais conclusões é que crescem as dioceses e congregações que primam pela ortodoxia e sacralidade e definham aquelas que ostentam orgulhosas a bandeira do modernismo mesmo quando o barco já se encontra quase naufragado em meio ao oceano.
Então do que estamos falando, em concreto? De religiosos que realmente têm um sincero foco pastoral ou de religiosos que apenas tentam justificar a própria soberba teológica com argumentos pífios? Ora, se, de fato, houvesse esse sincero desejo de aproximar a fé dos jovens, de propiciar um ambiente religioso sadio que favorecesse o desenvolvimento de vocações,  seria muito mais natural e lógico defender estratégias constatadamente eficientes que, não por acaso,  sempre estão alicerçadas sobre os ensinamentos da Igreja. Entretanto, o posicionamento dos relativistas peca, justamente, nesse ponto. A banalização do sagrado, o combate ao espírito de piedade e devoção, apenas afastou os jovens do chamado religioso, tanto é assim que as Congregações, Ordens e Dioceses que comungam de tais absurdos vivem verdadeiras crises por falta de renovação. Do outro lado da moeda, os religiosos que buscam a fidelidade ao Magistério, que primam pela ortodoxia e contrição, conseguem conquistar muitos jovens católicos que, mesmo quando não têm vocação, são tocados pela forte reverência, humildade e sinceridade da fé. Em suma, a dita modernidade tão aclamada e usada para justificar todo o tipo de erro e desobediência, não passa, nesse caso, do herético e condenado modernismo, onde, a sua insistência por tais religiosos, é menos pelos jovens e mais pelo radicalismo que têm na defesa daquilo que consideram sensato e correto, mesmo quando se opõe aos ensinamentos da Igreja que eles dizem seguir.
Nesse ponto gostaria de fazer uma reflexão mais aprofundada a respeito do hábito eclesiástico, já que, querendo ou não, se encontra intimamente ligado à renovação vocacional, e vamos saber o motivo.
Muitas vezes os defensores da abolição do hábito eclesiástico argumentam dizendo que o importante, de fato, é o interior, a essência. Entretanto, essa falsa dialética entre o corpo e a  alma, exterior e interior, é estranha aos mais básicos ensinamentos cristãos; ao contrário, se assemelha às concepções heréticas tão comuns na Idade Média; cátaros, albigenses, gnósticos de todos os tipos etc. Negar a superioridade da alma é um erro que atinge pontos cruciais do cristianismo, assim como outra falácia de proporções grandiosas é menosprezar o corpo e o fato de constituir, juntamente com a alma, uma única substância. Exemplificando, a alma é o cavaleiro e o corpo é o cavalo; o cavaleiro sem seu cavalo é derrotado e o cavalo sem o cavaleiro é descontrolado. Dr. Plínio Corrêa de Oliveira esclarece a questão: “Está na ordem natural das coisas que o homem espelhe sua alma na fisionomia, na voz, na atitude, nos movimentos. E como o traje deve revestir o corpo humano, é natural que o homem se sirva também dele como elemento de expressão. Tanto mais quanto o traje a isto se presta eximiamente (...) a necessidade de expressão da alma é uma conseqüência imperiosa do instinto de sociabilidade. De onde, recusar ao homem esta possibilidade é, em si, falsear o próprio modo de ser da alma (...) os costumes sociais consagraram em todos os tempos e lugares certos trajes como característicos de profissões ou estado de vida, que exijam uma conformação de alma muito peculiar. E sempre se entendeu, com razão, que o traje profissional auxilia o homem a realizar inteiramente sua mentalidade. De um militar que tivesse antipatia à farda, de um juiz que tivesse ódio à toga, nada se auguraria de bom. (...) Dizer-se, pois, que o hábito não faz o monge, ou a farda não faz o herói, é e não é verdade. Com efeito, o homem não se torna monge, ou militar, autêntico só por adotar o traje próprio a tal estado. Mas o hábito monástico facilita ao homem de boa vontade tornar-se bom monge. E o mesmo se pode dizer da farda.”
Isto posto, devemos partir para a reflexão pretendida. O hábito eclesiástico, por ser um símbolo, tem um fim pedagógico. Claro que, infelizmente, muitos homens na atualidade vivem um verdadeiro analfabetismo simbólico, ou seja, incapacitados de reconhecer símbolos que refletem a riqueza e a genialidade do próprio ser humano. O Cristianismo, sem a menor dúvida, foi o maior promotor dessa via de evangelização; usou e abusou da beleza simbólica como ferramenta de catequização e conversão, já que a via pulchritudinis, juntamente com o simbolismo sacro, dialoga diretamente com a alma. A relevância simbólica do hábito é tão óbvia que até mesmo os adeptos da Teologia da Libertação, na década de 70, entendiam. Dentro dos conventos, mosteiros e paróquias o uso era proibido e visto como “reacionarismo”, entretanto, quando das passeatas, protestos e levantes os Sacerdotes, frades e monges faziam questão de ostentar suas batinas, hábitos dominicanos e vestes franciscanas. O hábito, como um sinal visível, engrandecia e destacava claramente as reivindicações feitas que, de certo, passariam desconhecidas se não houvesse um símbolo tão enfático da presença religiosa. A mesma realidade simbólica do hábito eclesiástico motivou o ódio dos comunistas na Europa Oriental. Quantos Sacerdotes, frades, freiras, monges, foram martirizados apenas por usar uma simples veste? O que, então, fundamentava a ira dos bolcheviques? Até mesmo os seguidores do marxismo genocida reconheciam que o hábito era um sinal claro da presença religiosa, justificando, assim, a violenta ojeriza. Durante as perseguições os homens e mulheres consagrados a Deus se recusavam a tirar seus hábitos por entender que seus efeitos e qualidades, como a constante recordação da consagração, combate aos efeitos da dessacralização social etc,  estavam além de um simples sentido indumentário; o hábito era o distintivo da presença dos soldados de Cristo!
Beato Antônio Chevrier, fundador do Instituto do Prado, escreveu no seu grande livro, “O Verdadeiro Discípulo” que "É necessário que se veja Jesus Cristo no nosso exterior, na nossa atitude, no nosso porte, na nossa palavra, nas nossas ações, nas nossas mãos, nos nossos pés, nos nossos olhos, na nossa cabeça, em todo o nosso ser, porque todo o nosso ser deve revelar Jesus Cristo e espalhar o poder das suas virtudes. O corpo é a expressão da alma. É pelo corpo que nós edificamos. É também pelo corpo que nós escandalizamos. Os fiéis não vêem a alma, só vêem o corpo." Além disso, comentou que“Devemos, pois, suprimir do nosso exterior todo o adorno inútil e ocupar-nos muito mais em adornar o homem interior que se não vê, do que em adornar o homem exterior que se vê. Devemos suprimir das nossas vestes tudo o que cheira a luxo, elegância etiqueta, finura, requinte, arranjo, limpeza excessiva, tais como roupa branca fina, engomada, colarinhos, punhos, sapatos de verniz, borlas etc...tudo o que agrada, é bonito, engraçado, amável, o que seduz o olhar.” Na mesma linha disse São Josemaría Escrivá; "Oxalá fossem tais o teu porte e a tua conversação que todos pudessem dizer, ao ver-te ou ouvir-te falar; "Este lê a vida de Jesus Cristo""  E tudo isso não é verdade? Quando o religioso se nega a usar o hábito ele sucumbe aos gostos mundanos, à moda, aos prazeres estéticos ligados ao pecado dos homens.
O exterior deve refletir o interior e, como já vimos, a dicotomia alma X corpo não é válida como argumento contrário ao hábito eclesiástico. Ademais, muitos afirmam que como o interior é, de fato, o mais importante, pouco importaria a exposição e externalização da fé através dos símbolos. Ora, tal mentalidade se encontra na contramão do cristianismo. Citarei apenas dois pontos basilares da Religião; as obras e a profissão de fé. Não é pela obra que a fé é confirmada? E o que seria a obra senão a concretização objetiva da nossa crença? E o Credo que rezamos? Não é, justamente, a vocalização, logo a exposição concreta, da nossa doutrina, da nossa fé interior? E por que fazemos? Porque a externalização é a maneira mais eficiente de confirmar aquilo que cremos.
De fato, nada valeria ter um exterior primoroso e internamente alimentar a discórdia e o pecado. Aquela máxima “o hábito não faz o monge” é realmente verdadeira, mas não podemos negar que mesmo não fazendo o religioso, o hábito ajuda. Como são tocantes as palavras de Mamãe Margarida ao seu filho, São João Bosco, quando da recepção da batina e da entrada no Seminário Maior: “não é o hábito que honra o teu estado, mas as virtudes que praticares. Se por desgraça chegares um dia a duvidar da tua vocação, ah! por caridade! não desonres a batina. Larga-a imediatamente. Prefiro ter como filho um pobre camponês a um padre negligente nos seus deveres!” A Venerável mãe do fundador dos Salesianos entendia que mesmo a batina não fazendo o Sacerdote, a sua simbologia representava a santidade que o Presbítero tinha que ostentar e transmitir aos homens e mulheres no mundo. O próprio Dom Bosco, ainda seminarista, numa caçada com os amigos no período de férias, se envergonhou muito quando depois do fim vitorioso da incursão percebeu que havia deixado a batina no pé de uma árvore. Claro que o grande santo italiano não estava enrubescido por conta de uma simples veste, mas sim por ter reconhecido que o hábito eclesiástico, sendo símbolo visível de sua consagração, deve ser reverenciado e exposto, servindo não apenas para dialogar com os outros, mas para sempre lembrar o caminho escolhido pelo religioso. O hábito é um constante vigiai!
O hábito, a batina, pesa, e pesa por ser um distintivo claro; quem vê um religioso vestido como deve se vestir sabe, de imediato, que se trata de um consagrado a Deus. Assim, este passa a ter a obrigação de se policiar com um zelo muito mais delicado, já que os olhos do mundo estão mirados sobre ele. Ou seja, o Sacerdote, o frade, a freira, que passam na rua, se tornam modelos não apenas de crente, mas de cidadão. Isso pesa, e muito! Por isso que alguns preferem guardar os hábitos nos armários e andar pelas calçadas sem a tensão de serem vistos, analisados e repreendidos pelo povo que, com razão, espera dos religiosos atitudes santas e legais.
Outras falácias usadas na defesa do não uso do hábito eclesiástico sequer se sustentam. Alguns dizem que afasta o povo da Igreja, quando, não ironicamente, as paróquias mais submersas no próprio relativismo são as que mais se esvaziam em contraste com os locais onde os religiosos primam pela piedade e contrição. Ademais, mesmo que afastasse, não seria justificativa para desobedecer a uma norma canônica. Vale frisar que o uso do hábito eclesiástico é regulado pela Santa Sé que, obviamente, indica e estimula a sua utilização. Ora, o Vaticano obrigaria ao uso apenas por um fetichismo visual, uma estética vazia, ou haveria um sentido muito mais profundo por detrás das vestes? “Aquila non capit muscas.” A Igreja não se preocupa com ninharias, como disse Dr. Plínio Corrêa de Oliveira. Roma, como manancial da fé cristã, reconhece que o hábito eclesiástico é um símbolo que externaliza a realidade consagrada dos homens e mulheres que se entregam a Deus, é um testemunho silencioso num mundo onde as palavras são cada vez mais rápidas. Não é uma contradição óbvia que enquanto oorbe se laiciza, se perde no ateísmo, na imoralidade, os religiosos, justamente quando mais é necessário, escondem os símbolos, guardam as bandeiras de Cristo e jogam de lado a farda da luta?
De todo o modo, o que o hábito eclesiástico tem a ver com os jovens? Pois bem, a já citada pesquisa da Conferência Nacional de Vocações, nos EUA, mostrou aquilo que, empiricamente, todos já sabiam; os jovens se aproximam das Congregações e Ordens onde o uso do hábito é estimulado e freqüente. Por quê? Primeiramente pelo fato de o hábito ser um distintivo claro e óbvio de fé. Da mesma forma, porque, hoje em dia, a demonização da veste eclesiástica – que tenta vender a imagem de que os padres que ostentam a batina são homens de moral duvidosa que apenas a usam para esconder um interior decadente - é motivada e influenciada por opositores que vão além das vestes, combatendo, igualmente, a sobriedade litúrgica, a doutrina, relativizam o ecumenismo etc. Ou seja, o uso do hábito tomou maiores proporções porque se tornou um selo de qualidade, ou seja, quem sabe da sua importância e relevância mui provavelmente defende a piedade e fidelidade; o hábito se transformou num distintivo religioso para o mundo e num distintivo de ortodoxia dentro da Igreja. Na mesma linha, quase sempre os opositores a ele também incidem nas mais absurdas heresias e abusos.
Os jovens, como qualquer fiel, procuram Deus e Seu esplendor. Ora, quantas vezes o Senhor Se encontra ofuscado dentro de um discurso assistencialista, de cunho político, que apenas maquia e menospreza a real caridade cristã? Cristo é mais facilmente encontrado nos atos de piedade e contrição que refletem a sincera e entregue fé dos homens e mulheres consagrados. Quando o jovem tem o chamado religioso, quer ser religioso de fato, com tudo aquilo que tem direito e representa a sua congração a Deus, afinal, para trabalhar com assistência social ou se passar por psicólogo, ninguém precisa fazer votos, basta seguir a carreia profissional. Por isso que, não por menos, as Congregações perdidas no relativismo sofrem com a falta de vocações, problema que só é resolvido quando vão atrás de jovens dentro das comunidades pobres, acenando a eles com a possibilidade de instrução.
O jovem chamado ao carisma dominicano, por exemplo, quer ser dominicano, se vestir como dominicano, seguir a regra dominicana, se espelhar nos santos dominicanos, agir como um dominicano, ser um filho de São Domingos. Ora, quem em sã consciência pensa: “Eu quero ser dominicano, mas não vou seguir a regra, não quero usar o hábito, não pretendo rezar como pedem as Constituições, não vou ler a vida do Fundador e sequer serei fiel ao carisma.” Isso é vocação? Óbvio que não, é deformação, por isso que estas anomalias surgem dentro dos conventos, mosteiros e casas religiosas, e não no período de florescimento do chamado que, ao contrário, é um momento extremamente belo e tocante.
Um jovem chamado por Deus para um carisma religioso tem o mesmo chamado que um jovem de décadas e séculos anteriores, isso porque se o carisma foi dado pelo Senhor reflete a Sua eternidade e imutabilidade, daí que permaneça o mesmo. O que difere, obviamente, é a ação pastoral, por isso a importância de acompanhar os tempos, já que, infelizmente, ao longo dos anos o mundo sucumbe ao pecado, sendo necessário, em consequência, novas estratégias e métodos de evangelização. Entretanto, e é bom destacar, acreditar que a mudança dos tempos pede também uma transformação na crença é incidir “na síntese de todas as heresias”; o modernismo. Afinal, se a doutrina muda com os tempos, então Deus também muda, já que a doutrina vem de Deus. Mas Deus não muda, é  imutável; logo se a doutrina muda ela não vem de Deus, mas sim dos homens. Ou seja, afirmar que a crença deve ser modificada com os tempos é dizer que ela é relativa e escrava do mundo, ou seja, rebaixamos a crença e não elevamos os homens.
O mundo seria muito mais santo se os religiosos fossem fiéis aos ensinamentos da Igreja! A pesquisa de vocações veio confirmar aquilo que a Mater et Magistra sempre soube e sempre ensinou, mostrando, agora em estatísticas, que a fidelidade, piedade e ortodoxia tão pedidas pelo Magistério realmente são eficientes “mercadologicamente”, ou seja, angariam jovens e conquistam moças e rapazes, entretanto, esse sucesso dos hábitos, das Missas bem celebradas, das orações, não reflete uma estética vazia e uma beleza sem sentido, ao contrário, a eficiência religiosa-vocacional se ergue sobre a realidade sobrenatural que tudo isso expressa, daí que os jovens se sintam tocados.
A saída para a tão divulgada “crise de vocações” é clara. A receita contra esse mal perpassa, obrigatoriamente, pela união espiritual e prática com a Igreja e seu Magistério, afinal espelha a própria voz de Cristo e o Depósito da Fé por Ele deixado. Muitas são as Congregações que não sabem o que é ter o número de vocacionados reduzido e que, bem diferente da realidade pintada pela mídia, ainda têm filas de espera por falta de espaço físico para novos postulantes. Também nos é conhecida histórias de conventos, mosteiros e casas religiosas que através da ação de um superior piedoso mudaram radicalmente de postura, execrando erros e desobediências, refletindo, assim, no aumento de vocações e interessados. Atualmente, e não por acaso, os movimentos, institutos, congregações, prelazias, que mais crescem são aqueles que estão unidos aos mais sinceros clamores da Igreja e do mundo, que buscam a evangelização concreta e a difusão da fé cristã em todo o orbe.
Nesse momento é impossível não se lembrar da intervenção de Hilaire Belloc; “Os velhos ainda podem se lembrar da rebelião desconfortável contra a tradição, mas os jovens só percebem por si mesmos quão pouco foi deixado para se rebelarem, e muitos temem que, antes de morrerem, o corpo da tradição terá desaparecido.” Os jovens, sem a menor dúvida, são hoje os maiores defensores da Igreja, da Tradição, do Magistério. Tamanho “reacionarismo” escandaliza os senhores de cabelos brancos que, justamente, no passado, se levantaram em combate a tudo isso, contra aquilo que consideravam ultrapassado. Hoje, a juventude mostra que ser jovem e ser do século XXI não é negar os mais preciosos legados de Cristo perpetuados dentro da Igreja por Ele instituída. Os religiosos que, no tempo pretérito, abraçaram com fervor teologias imprecisas, hoje se assustam quando vêem que os jovens guerreiam e lutam contra o que defenderam. A juventude católica quer apenas ter o direito e a liberdade de ser... católica!




RAVAZZANO, Pedro. Apostolado Veritatis Splendor: A JUVENTUDE CATÓLICA E OS SEUS CLAMORES. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5985. Desde 26/11/2009.



7 de abr. de 2010

A IGREJA DURANTE A TORMENTA
























SEXTO ARTIGO Agosto de 1885 (Pe. Emmanuel) 
A IGREJA DURANTE A TORMENTA

São Gregório Magno, em seus luminosos comentários de Jó, penetra profundamente em toda a história da Igreja, visivelmente animado do mesmo espírito profético espalhado nas Escrituras.
Ele contempla a Igreja, no fim dos tempos, sob a figura de Jó humilhado e sofredor, exposto às insinuações pérfidas de sua mulher e às críticas amargas de seus amigos; Jó, diante de quem, outrora, os anciãos se levantavam e os príncipes faziam silêncio!
A Igreja, disse muitas vezes o grande Papa, no fim de sua peregrinação terrestre, será privada de todo poder temporal; procurarão tirar-lhe todo ponto de apoio sobre a terra.
Vai mais longe ainda, declara que ela será despojada do próprio brilho que provém dos dons sobrenaturais.

"O poder dos milagres, diz ele, será retirado, a graça das curas arrebatada, a profecia desaparecerá, o dom de uma grande abstinência será diminuído, os ensinamentos da doutrina se calarão, os prodígios milagrosos cessarão. Isto não quer dizer que não haverá mais nada disso; mas todos esses sinais não brilharão abertamente, sob mil formas como nos primeiros tempos. Será mesmo a ocasião de um maravilhoso discernimento. Neste estado de humilhação da Igreja, crescerá a recompensa dos bons que se prenderão a ela, tendo em vista somente os bens celestes; quando aos maus, não vendo mais na Igreja nenhum atrativo temporal, não terão nada a fingir, se mostrarão tais como são". (Mor. 1, XXXV)
Que palavra terrível: os ensinamentos da doutrina se calarão! São Gregório proclama em outro lugar que a Igreja prefere morrer a se calar. Então ela falará: mas seu ensinamento será entravado, sua voz encoberta; muitos dos que deveriam gritar sobre os telhados não ousarão fazê-lo com medo dos homens.
E será a ocasião de um grande discernimento.
São Gregório insiste muitas vezes sobre as três categorias de pessoas que há na Igreja: os hipócritas ou os falsos cristãos, os fracos e os fortes. Ora, nesses momentos de angústia os hipócritas levantarão a máscara e manifestarão sua apostasia secreta; os fracos, coitados, perecerão em grande número e o coração da Igreja sangrará por eles; enfim, muitos dos fortes, confiantes em sua próprias forças, cairão como as estrelas do céu.
A despeito de todas estas tristezas pungentes, a Igreja nem perderá a coragem nem a confiança. Ela será sustentada pela promessa do Salvador, consignada nas Escrituras de que esses dias serão abreviados por causa dos eleitos.
Sabendo que apesar de tudo os eleitos serão salvos, a Igreja se empenhará, no meio da mais atroz tormenta, na salvação das almas com uma infatigável energia.

II
Apesar do horrível escândalo desses tempos de perdição, não se deve pensar que os fracos estarão necessariamente perdidos. A via da salvação continuará aberta e a salvação possível para todos. A Igreja terá meios de preservação proporcionados ao tamanho do perigo. E entre os pequenos, somente os que deixarem as asas de sua mãe cairão nas garras do gavião.
Quais serão esses meios de preservação? As Escrituras não nos deixam sem indicação sobre o assunto; podemos, sem temeridade, formular algumas conjecturas.
A Igreja se lembrará do aviso dado por Nosso Senhor para os tempos da tomada de Jerusalém e aplicável, com o consentimento dos intérpretes, à última perseguição.
"Quando virdes a abominação da desolação, predita pelo profeta Daniel, de pé nos lugares santos (aquele que lê, compreenda!), então aqueles que estão na Judéia fujam para as montanhas... Rogai para que vossa fuga não seja no inverno, nem em dia de sábado! Pois haverá grande tribulação, tal como nunca houve desde a origem do mundo e que não haverá jamais. E se esses dias não fossem abreviados ninguém se salvaria; mas eles serão abreviados por causa dos eleitos" (Mt 24, 15, 23).
De acordo com estas instruções do Salvador, a Igreja porá os pequenos rebanhos em segurança pela fuga; providenciará retiros inacessíveis, já que a terra estará cruzada e varada pelos meios de comunicação. É preciso responder que Deus proverá, ele próprio, à segurança dos fugitivos. São João nos deixa entrever esta ação da Providência.
No capítulo XII do Apocalipse, ele nos apresenta uma mulher vestida de sol e coroada de estrelas: é a Igreja. Esta mulher sofre as dores do parto; pois a Igreja dá à luz os eleitos de Deus entre grandes sofrimentos. Diante dela está um grande dragão ruivo, imagem do diabo e de suas contínuas armadilhas. Mas a mulher foge para o deserto, para um lugar preparado pelo próprio Deus, e lá ela é alimentada durante 1.260 dias (Ap 5, 6). Estes 1.260 dias, que fazem três anos e meio, indicam o tempo da perseguição do Anticristo, como está manifestado em outras passagens do Apocalipse. Então, durante esse tempo, a Igreja, na pessoa dos fracos, fugirá para a solidão; e Deus se incumbirá de mantê-la escondida e a alimentará.
No fim do mesmo capítulo estão os detalhes desta fuga. São dadas à mulher duas grandes asas de águia, para a transportar para o deserto. O dragão tenta persegui-la, sua goela vomita um rio de água contra ela. Mas a terra vem socorrer a mulher e absorve o rio. Estas palavras enigmáticas designam alguma grande maravilha que Deus fará aparecer em favor de sua Igreja; a raiva do dragão expiará a seus pés.

No entanto, enquanto os fracos rezam em segurança numa misteriosa solidão, os fortes e os valentes se engajarão numa luta terrível na presença do mundo inteiro, com o dragão desencadeado.




6 de abr. de 2010

Cristo Fundou Uma Só Igreja



















Se Nosso Senhor edificou uma só Igreja, como se explica a existência, atualmente, de tantas igrejas, com variadas denominações? Está certo o ditado popular que diz que todo caminho vai a Deus?                                                  (Arcy Lopes Estrella – São Gonçalo/RJ.)

            É verdade que Jesus Cristo fundou uma única Igreja, que São Paulo compara a um corpo: o corpo de Cristo, que é um só, embora tenha muitos e diferentes membros, que exercem diferentes funções. O que importa é que, mesmo exercendo funções diferentes, todos os membros trabalhem em harmonia e se mantenham unidos num único corpo, sob o comando de uma só Cabeça, que é Cristo.
            Acontece que Cristo, a Cabeça invisível, quis fazer-se representar na terra por uma cabeça visível, conforme atestam diversas passagens do Evangelho, especialmente Mt 16,13-19, que estabelece o primado de Pedro. Essa “cabeça visível” se faz presente, hoje, na pessoa do Papa, que é quem mantém a unidade da Igreja.
            Houve, porém, na história do cristianismo, alguns momentos em que a procedência divina da autoridade do Papa foi contestada, dando origem às duas principais divisões dentro da Igreja: primeiro o cisma do Oriente, consumado em 1054,  e depois a Reforma Protestante, consumada em 1521. No primeiro caso, os motivos foram principalmente políticos, sendo a ruptura causada por uma “disputa de poder” entre a divisão ocidental e a oriental do Império Romano, e portanto também entre as respectivas lideranças eclesiais, que, na época, estavam intimamente ligadas ao poder político. A rivalidade política é que motivou a divergência doutrinária, por si só insignificante, e que poderia ter sido facilmente resolvida com boa vontade e diálogo, mas em vez disso foi usada como pretexto para a ruptura. Tratava-se de um conceito teológico a respeito da natureza exata da relação existente entre as três pessoas da Trindade. Hoje, o que dificulta o restabelecimento da unidade entre o Oriente e o Ocidente são principalmente as diferenças culturais, bastante acentuadas. Mas existem, também no oriente, algumas comunidades fiéis a Roma, embora conservem os ritos litúrgicos orientais.
            No caso da Reforma Protestante, o monge agostiniano Martinho Lutero foi quem deu início à rebeldia contra a autoridade do Papa, por causa da atitude de alguns membros da Igreja, que não lhe pareciam conformes à sã doutrina. Julgando, erradamente, que tais atitudes estavam necessariamente ligadas à autoridade central da Igreja, ele acreditou ser necessário romper com essa autoridade, para poder recuperar a integridade da fé apostólica original. Também aqui a rebeldia foi favorecida pelo pano de fundo político e cultural, havendo igualmente razões pessoais, por trás dos motivos religiosos que, oficialmente, foram a causa da ruptura.
            Para os reformadores (que logo se multiplicaram, encorajados pela iniciativa de Lutero), a ruptura era a única solução possível para salvar a Igreja. Eles não tinham inicialmente a intenção de fundar outras igrejas, mas sim de reformar (restaurar) a Igreja de Cristo. Continuaram entendendo que a Igreja é uma só e que sua Cabeça é Cristo, mas passaram a negar que Cristo tenha desejado fazer-se representar, na terra, por uma autoridade visível. Eles pretendem seguir diretamente o comando de Cristo, sem nenhum intermediário humano, e para isso tomam por base o conteúdo das Escrituras Sagradas, que, para eles, são a única fonte autorizada da Palavra e da vontade de Deus. Todos aqueles que buscam seguir Jesus Cristo a partir das Escrituras, constituem, para eles, “a única Igreja”. As diversas tendências e denominações não lhes importam muito, já que, em seu modo de ver, o fator de unidade está no fato, comum a todos, de ter Cristo como cabeça e a Bíblia como guia.
            Só que eles se esquecem de levar em consideração as contradições que decorrem dessa posição. Por exemplo, se a cabeça continua sendo uma só e a Palavra de Deus também, o corpo deveria continuar trabalhando em harmonia e mantendo a unidade de doutrina. Mas não é isso o que acontece. A Palavra é a mesma, mas cada um deles interpreta essa palavra de maneira diferente, segundo seus critérios e preferências pessoais, freqüentemente contraditórios. E, em nome dessa “liberdade”, alguns dedicam especial empenho em forjar mil interpretações diferentes para todas as passagens bíblicas que fundamentam a doutrina católica, negando tudo o que a Bíblia diz sobre a Eucaristia, sobre a Confissão, sobre o Primado de Pedro, etc. Por um lado pregam a liberdade de interpretação, mas por outro lado recusam-se a aceitar como válida a interpretação da Igreja Católica... assim como se recusam a considerar a Igreja Católica como um membro legítimo do corpo de Cristo. Para a maioria deles, todos os outros grupos têm direito ao seu lugar nesse Corpo, com exceção da nossa Igreja. Somos renegados pelo “crime” de continuar fiéis à nossa identidade e conscientes de ser a única Igreja fundada por Cristo.
            Se tantas divergências doutrinárias acontecem, sem que ninguém tenha o direito de apontar o caminho certo em meio às múltiplas tendências, é porque já não se obedece ao comando de uma única Cabeça. Em vez disso, todos querem ser cabeça, cada um quer uma igreja ao seu modo. Isso é um sintoma claro da inconveniência de semelhante posição, pois o corpo daí resultante torna-se um corpo monstruoso, feito só de cabeças, onde já não há comando, e portanto não há harmonia, nem unidade. Tal situação está claramente em desacordo com o desejo de unidade expresso por Cristo e tantas vezes enfatizado pelos apóstolos, e, portanto, contradiz a própria Bíblia à qual eles dizem dar valor absoluto.
            A Igreja Católica foi a única que manteve, ao longo de toda a sua história, a unidade de doutrina. É claro que houve e continua havendo divergências, desvios e mal-entendidos, mas é justamente aí que se revela a importância de uma autoridade central, que separe o joio do trigo e o essencial do acidental, estabelecendo a orientação oficial da Igreja. Em sua doutrina oficial, a Igreja Católica nunca compactuou com o erro e foi sempre plenamente fiel aos ensinamentos de Cristo. O erro dos reformadores foi confundir alguns membros doentes com a própria cabeça, e querer curar o corpo desligando-se da cabeça. Eles se esqueceram de que a Igreja, sendo uma instituição divina, constitui uma realidade maior do que o conjunto das atitudes individuais dos seus membros. As pessoas da Igreja são falíveis, mas a Igreja em si é infalível, porque sustentada pelo Espírito Santo. As pessoas da Igreja são pecadoras, mas a Igreja é santa, porque Cristo a santificou com seu sacrifício perpétuo, do qual a Igreja Católica continua sendo a fiel portadora, em obediência ao próprio Cristo (Lc 22,19c). Duvidar da santidade e da autoridade da Igreja é duvidar do poder e da promessa de Cristo...
            Esquecendo esse caráter único da Igreja fundada sobre Pedro, os reformadores acreditam que qualquer pessoa pode ser “igreja”, mesmo sem estar ligada à cabeça visível instituída por Cristo. Ao mesmo tempo em que negam a autoridade do Papa para definir a vontade de Deus, reivindicam igual autoridade para discernir por si próprios essa mesma vontade. Contestam como inválida a autoridade suprema de nossa Igreja, e no entanto cada um deles se considera investido da mesma autoridade, o que é contraditório.
            Se cada um só tem autoridade sobre si próprio, então já não há corpo, não há unidade, não há função para a Cabeça. Não há um corpo orgânico e harmônico, onde cada membro tem sua função mas todos se completam, e sim apenas “cabeças” dispersas, ligadas entre si como uma colcha de retalhos. E acontece que Jesus não prometeu o Espírito Santo apenas a cada pessoa individualmente (como defendem os reformados), mas também à Igreja, enquanto instituição (Mt 16,18). Em âmbito pessoal, a iluminação do Espírito é particular e individual. Mas, no âmbito eclesial (que também foi previsto por Cristo), a assistência do Espírito se dirige à comunidade como um todo, visando garantir sua unidade, organicidade e fidelidade ao Evangelho. Essa foi a função de governo, de pastoreio, atribuída a Pedro e seus sucessores, e que não anula a orientação individual, mas a completa e dirige. Sem uma “cabeça” no comando, não há verdadeira comunidade, não há Igreja.
Uma igreja sem cabeça visível é uma igreja sem identidade... e por isso as igrejas da
Reforma se subdividem tão facilmente. Essa “crise de identidade” é visível principalmente nos grupos mais recentes, que mostram grande dificuldade na hora de apresentar-se, de dizer quem são. Dificilmente um evangélico revela o nome da igreja a que pertence, ao menos quando se dirige aos católicos, talvez por não possuir um significativo senso de pertença. Parece ser indiferente, para eles, freqüentar este ou aquele grupo, dentro da “malha” protestante ou evangélica. Mas não deixam de reclamar quando fazemos confusão entre os diversos grupos...
O que explica a existência de tantas igrejas, portanto, é o orgulho humano, a pretensão de possuir a verdade fora da obediência e da submissão, da qual o próprio Jesus quis dar o exemplo, submetendo-se à vontade do Pai. Sem a submissão humilde à autoridade instituída por Cristo, ninguém chega à verdade, porque “os caminhos de Deus não são os nossos caminhos”. Os caminhos de Deus passam necessariamente pela obediência, mesmo contrariando a razão e a lógica, como se pode verificar na vida de todos os grandes santos. É a Deus que compete abrir os caminhos, não a nós. E ele o faz, quase sempre, contrariando nossos planos e convicções pessoais, por mais bem intencionados e corretos que estes possam ser.
Foi aqui que Lutero errou... não tanto em seus princípios, mas sim ao recusar submeter-se, porque, com isso, cometeu o pecado de julgar-se mais sábio do que a Igreja, e, portanto, mais sábio do que o Espírito Santo. Em vez de oferecer simplesmente a contribuição que lhe cabia enquanto membro do corpo, quis impor a sua opinião. Os problemas ou erros por ele detectados, como os de todos os tempos, acabaram por ser resolvidos do jeito e na hora de Deus, sem precisar para isso destruir a harmonia do corpo. A Igreja Católica continua firme, e talvez seja isso que os reformadores não conseguem aceitar... Lutero, e os que vieram depois dele, foram como marinheiros que, vendo o seu barco avariado, ao invés de unir esforços para consertá-lo, preferem abandoná-lo para salvar suas vidas, levando o que consideram mais importante da carga, acreditando que o barco irá naufragar e que caberá a eles dar continuidade à missão. Só que o barco não naufragou, o que não deixa de tornar meio sem sentido a sua “missão paralela”... Talvez seja por isso que, hoje, muitos tentam afundar o barco da Igreja, já que, por orgulho, não admitem voltar para bordo dele. O barco continuará sempre “avariado”, é verdade, porque Deus faz questão de deixar em evidência a fragilidade humana, para mostrar que a obra e o mérito são dele, não nossos. Mas, por isso mesmo, esse barco nunca irá afundar, e tolos são aqueles que apenas olham as “avarias”, em vez de admirar e agradecer a misericórdia de Deus que sustenta e conduz o barco que ele mesmo escolheu e enviou.
Quanto aos “caminhos que levam a Deus”: Cristo se declarou, ele mesmo, “o Caminho, a Verdade e a Vida”, e disse que “ninguém chega ao Pai, senão por ele”. Não há caminho para Deus fora de Cristo.
Não nos cabe, porém, julgar quem é que está com Cristo e quem não está. Se Deus nos coloca na Igreja, temos a responsabilidade de buscar Cristo nela, e de difundir essa boa-nova que a nós foi confiada. Mas Deus não pedirá contas a ninguém daquilo que não lhe foi confiado. Ele olha os corações, a sinceridade das intenções, a prática das virtudes do amor, do perdão, da humildade e da simplicidade. Quem tiver o coração puro e bom, e buscar a verdade com sinceridade, sem preconceitos e sem orgulho, estará com Cristo, onde quer que esteja. Cabe-nos viver e dar testemunho daquilo em que acreditamos, além de examinar-nos sempre quanto aos caminhos que buscamos: se procuramos, de preferência, as alternativas mais fáceis para justificar nosso comodismo, ou se abandonamos o caminho quando ele contraria nossos gostos pessoais, então não estamos no caminho de Cristo, pois este passa pela cruz e pela obediência.
Vigiemos a nós mesmos, e ofereçamos aos irmãos a ajuda que nos for possível, mas evitemos sempre julgar. O julgamento pertence a Deus, e o caminho de Cristo passa também pelo perdão e pela misericórdia.

Margarida Hulshof
livro "A Noiva do Cordeiro"  Editora O Lutador

Pedofilia e Igreja


By Pe. Faus on April 4, 2010

Transcrevemos  a seguir uma notícia de Zenit. org, que pode ser de interesse para os católicos que acompanham - rezando e oferecendo a Deus o seu sofrimento - a campanha sistemática de difamação e calúnia contra a Igreja e o Papa:
“Sacerdotes, coragem! Nós precisamos de vocês. Confiamos em vocês. Confiamos nossos filhos a vocês”, indica uma mensagem que leigos de várias nacionalidades estão enviando aos sacerdotes e divulgando através das redes sociais da internet.
A iniciativa foi lançada na Terça-feira Santa pela associação E-Cristians [cf. www.e-cristians.net] para combater “a campanha real e muito evidente” que busca apresentar “o Papa e os sacerdotes com algo que não são”, explicou à ZENIT o presidente da associação, Josep Miró i Ardèvol.
Os idealizadores da iniciativa acreditam que “se cada leigo se mostrasse um pouco ativo, a ação teria um efeito multiplicador”, e esperam que “uma onda de confiança em nossos sacerdotes e no Papa preencha o mundo”.
“Existe uma campanha que pretende apresentar como corriqueiros fatos que são absolutamente excepcionais, manipulando e distorcendo informações”, indica uma das mensagens de apoio, que já começaram a circular na Internet.
“Pensamos que este seja o momento de nós leigos manifestarmos nossa opinião, aquilo que pensamos, e a confiança que depositamos (no clero)”, explicou Miró.
“Acreditamos que esta campanha possa incidir sobre alguns sacerdotes, que se encontram inesperadamente acusados de conluio para a pratica de um crime – e de um crime muito grave”
Miró explicou que nos EUA, país com o maior número de denúncias contra sacerdotes e onde já se observa uma “transgressão da presunção da inocência”, ocorreu uma média inferior a oito casos de denúncia por ano – número que tem diminuído ao longo dos últimos anos.
“Isto num país de 300 milhões de habitantes, no qual há, apenas nas escolas católicas, cerca de 2,5 milhões de crianças”, continuou.
“Na Alemanha, 99,96% dos crimes de abuso são cometidos por leigos”, acrescentou Miró. “Mas não vi nenhum jornal mencionar esta porcentagem”.
“Ninguém tentou associar à imagem do professor uma conduta pedófila”, observou, dizendo que não se trata de um problema específico do clero.
Neste sentido, Miró referiu-se a um estudo realizado ainda em 1945 na Espanha, segundo o qual 25% das meninas e 10% dos meninos sofriam abusos por parte de seus professores.
O presidente da E-Cristians, membro do Pontifício Conselho para os Leigos, considera que a campanha difamatória do clero tenha origem principalmente em países anglo-saxões.
A este propósito, destacou como “dois veículos de comunicação particularmente importantes a BBC do Reino Unido e o New Yoork Times nos EUA”: “são os dois veículos que há anos se dedicam a atacar a Igreja, embora não sejam os únicos”.

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