6 de set de 2011

Orar como Jesus orou.



A oração de intercessão é o sustento do ser humano, não há duvida que a Divina Providência se manifeste na vida daqueles que clamam. “O Senhor não nos exortaria a pedir se ele não estivesse disposto a nos dar”, diz Santo Agostinho. A Palavra de Deus é direta ao nos exorta ao clamor, vejam o que Jesus Cristo nos diz no Evangelho de São Mateus 7 v. 7: “ Pedis e recebereis, buscais e achareis, bateis e abrir-se- vos - a”.
A intercessão já mudou a vida de inúmeras pessoas, os milagres de Deus são diários. Basta se colocar em oração diante do Bom Pastor para os sinais da providencia celeste começar a abrilhantar nossa existência conturbada e carente de benefícios.
O sábio Papa Bento XVI como é do conhecimento de muitos, esta nos catequizando todas as quartas-feiras sobre a oração. No dia 1 de Junho deste ano ele nos falou sobre a Oração de Intercessão, gostaria de aprofundar neste texto uma questão muito importante levantada pelo Santo Padre.
O Papa como Sucessor de São Pedro e representante supremo da Sagrada Tradição Católica criticou duramente a oração de intercessão antropocêntrica, aquela oração onde o intercessor eleva a suas falhas convicções a condição de Vontade de Deus. Intercessores que acabam criando um deus a sua imagem e semelhança que nada tem haver com Único e Verdadeiro Deus. O Papa nos afirmou na catequese: “ ...É essa uma tentação constante no caminho de fé: contornar o mistério divino construindo um deus compreensível, correspondente aos próprios esquemas, aos próprios projetos..”.
Não são poucas as pessoas que na oração de intercessão usa de um terrível e protestante determinismo em nome do Senhor, rebaixa Deus a condição de um garçom fiel e obediente que tudo dá, na hora que se quer e do jeito que se pensa. Isto é uma atitude errônea e precisa ser corrigida na vida de oração de muitos de nós. Não sejamos orgulhosos de nos condicionar a um permanente entendedor dos desígnios de Deus, a grande verdade é que somos pecadores, falhos e limitados. Portanto a melhor forma de se rezar é dizendo: “Fiat Voluntas Tua – Faça-se tua vontade”.
É incrível como a consciência da cruz e das sagradas virtudes fugiram de nossas orações. A moda é clamar por milagres, curas e prosperidades. Ótimo! Deus é Pai e zela pelos seus, graças a Deus contemplamos inúmeros milagres temporais diariamente nos noticiários católicos. Jesus quer curar, libertar e fazer prodígios e milagres na vida de muitos, porém não nos esqueçamos que Ele quer dá paciência, humildade, sabedoria, contrição dos pecados, arrependimento e muitas outras boas coisas. O Padre Paulo Ricardo tem muita razão em dizer que muitos intercessores católicos têm uma mentalidade gnóstica, pensam que pela oração Deus vai promover o paraíso aqui na terra. Isto não é verdade, este mundo é passageiro, é lugar de cruz, e nossa oração de intercessão deve ser antes de tudo um clamor pelas santas virtudes que nos dará a santa perseverança quando a doença, a pobreza, a humilhação, a perseguição e tantas outras coisas vierem e permanecerem para nossa santificação.
A verdade é esta: temos a triste tendência de manipular Deus, o que nos resta é vigiar, não tentemos minimizar Deus a um curandeiro revolucionário ou a um psicólogo de auto-ajuda. Deus é muito mais do que pensamos, cremos e vemos. Como ensina um sábio: “Tentar fazer Deus caber em nossa cabeça é criar um deus que não existe”.
Na história da revelação aconteceu algo que nos ensina muito; no contexto religioso de Abraão e Moisés os religiosos podiam ter o domínio sobre os seus deuses,o segredo era saber o nome da divindade, uma simples invocação do nome fazia com que as divindades estivessem à disposição de quem intercedia, isto era comum para todas as divindades daquele contexto politeísta e esta era também a mentalidade de Abrão. Porém Deus quando se revelou para Abrão não disse o seu nome. Por que Deus não revelou o seu nome para Abraão? Para ensinar o nosso Pai na Fé que Ele não é um Deus que se deixa ser manipulado. Já para Moisés Deus revelou o seu nome, mas veja como Deus se identificou: “ “Eu Sou Aquele que Sou”. O verbo Ser e Estar no hebraico são pronunciados da mesma forma, portanto Deus disse para Moisés: “ Eu Sou Aquele que Estou” , em outras palavras: “ Não queiram me manipular, não achem que são senhores de mim, Eu Estou sempre presente e julgo as coisas segundo os meus divinos preceitos”. Estas histórias nos mostram muito claramente que não devemos manipular Deus e suas vontades na oração, oremos como Jesus orou: "Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice,
não se faça, contudo, a minha vontade mas a tua”(São Lucas 22 v. 42)
Que a matéria de nossas orações de intercessão seja sempre a Vontade de Deus e não as nossas, termino com as palavras do Papa na catequese: “Com a oração, desejando o desejo de Deus, o intercessor entra sempre mais profundamente na consciência do Senhor”.


Salve Maria!
Bruno Cruz

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