14 de nov de 2011

Dom Henrique Soares: Pensamentos do caminho


O final do ano se aproxima: do ano litúrgico e do ano civil.

Mais uma vez, a Liturgia nos desafia: recorda-nos que a vida passa, que nossa existência é breve e preciosa demais para ser vivida de modo leviano, em vão.

É preciso viver com seriedade, é necessário fazer de nossa corrida neste mundo uma semente de eternidade!

Pense bem, meu, Leitor, porque eu mesmo não consigo deixar de pensar nisso: onde ancorar a vida, onde sustentá-la, para que não se esfarele, não cais no nada, na insignificância?

O que realmente importa na minha existência? O que a faz ter um sentido, ter um valor, não ser uma ilusão tola e fugaz?

Seria o que eu construo? Mas, isto se acaba...

E o que eu amo, as pessoas com as quais vou construindo a existência? Ah, elas são, certamente, um dom, uma graça! Mas, também elas se vão, passam; e, além do mais, elas são elas e eu sou eu: eu não posso entrar no coração delas, como elas tampouco podem penetrar no meu íntimo. E continuo só, continuo procurando, continuo a procura de onde ancorar o barco da minha vida nesse mar de fugacidade e ilusão que é a existência...

Em Cristo! Sim, naquele que é o Princípio e o Fim; naquele através de quem e para quem eu existo; naquele que é o pão da minha vida, o poço que faz jorrar a água bendita que sacia todas as minhas sedes; aquele que me garante ser minha ressurreição e minha vida; que me provou amar-me tanto a ponto de dar a vida por mim.

Nele a existência ganha sentido, o caminho aponta para um destino, os dias da vida têm gosto de eternidade. Assim, que para mim, viver tem sentido somente se é viver em Jesus e para Jesus, Deus que nos veio visitar.

Não sei de outro Sentido, de outra Causa, de outra Razão para existir e viver com toda seriedade, serenidade e responsabilidade que o ser gente nos impõe! Sinto isso, como um instinto irrefreável: a vida é solene demais, importante demais, sagrada demais para ser gasta com banalidades. Vivo e sei que vivo; vivo, gosto de viver e sei que caminho para a morte! Não posso brincar com isso: não perderei tempo, não desperdiçarei talentos, não pararei em tolices... Como dizia o grande São João da Cruz:

Buscando meus amores

Irei por esses montes e ribeiras;

Não colherei as flores,

Não temerei as feras

E passarei os fortes e as fronteiras...

Isso! Não me interessa colher flores: quero o jardim todo de uma existência plena! Não devo temer feras ou deter-me ante fronteiras: é o Infinito o meu destino, é o Eterno a minha pátria, é Aquele a quem Jesus chamava de Pai o meu Descanso e a minha Festa perene!

Menos que isso não quero; menos que isso não me satisfaz! Amor muito a vida para contentar-me com pouco! Porque quero o céu tenho que ser responsável na terra; porque não me contento com menos que a glória, tenho que levar muito a sério este tempo chamado história!

Que Deus me ajude – e a você, Leitor amigo – para que chegue ao Destino, para que não esqueça o Fim, para que não perca de vista o Porquê e o Para quê de tudo e da vida!


Fonte: http://costa_hs.blog.uol.com.br/

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