17 de out de 2010

Em carta a evangélicos, Dilma diz que “PNDH3 está sendo revisto”. Não é verdade! Ela não assume compromisso de vetar projeto sobre aborto


Dilma acabou assinando a sua “carta” de compromisso com os cristãos. O melhor é comentar trecho a trecho, como sempre.
Dirijo-me mais uma vez a vocês, com o carinho e o respeito que merecem os que sonham com um Brasil cada vez mais perto da premissa do Evangelho de desejar ao próximo o que queremos para nós mesmos. É com esta convicção que resolvi pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e boatos espalhados por meus adversários eleitorais. Para não permitir que prevaleça a mentira como arma em busca de votos, em nome da verdade quero reafirmar:
A defesa que Dilma fez da descriminação do aborto não é boato, é fato. Já que ela e seu partido decidiram tocar no assunto, é preciso deixar isso claro de novo. O governo, de que ela foi a grande comandante, atuou firmemente em favor da legalização da prática. Também é fato, não boato.
1. Defendo a convivência entre as diferentes religiões e a liberdade religiosa, assegurada pela Constituição Federal;
Ótimo! Dilma promete seguir a Constituição.
2. Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto;
A linguagem é um vírus. “Pessoalmente contra”, todo mundo é. Só faltava alguém ser favorável à morte dos fetos. A questão em debate é a descriminaçãoo ou não da prática. Pede a história que este comentário continue com um vídeo. Volto em seguida com a carta e com novas observações.

3. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.
É pouco. Se eleita, o governo terá ampla maioria no Congresso para votar o que quiser. Os petistas podem decidir pôr em prática as resoluções de seu 3º Congresso. A defesa da descriminação do aborto está lá, na página 82.
4. O PNDH3 é uma ampla carta de intenções, que incorporou itens do programa anterior. Está sendo revisto e, se eleita, não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família;
O governo já mudou o que achava que deveria mudar no PNDH3. Paulo Vannuchi, ministro dos Direitos Humanos, já avisou que, agora, fica tudo como está.  ASSIM, É MENTIRA QUE ELE ESTEJA SENDO REVISTO. Dilma não precisa “promover” nada. Basta que promovam por ela. O PNDH3 fazia a defesa explícita da legalização doa aborto, agora faz a defesa oblíqua: “Considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde”. Já que se trata de uma carta sobre religião, diria que é uma espécie de texto do capeta (é metáfora, tá, pessoal?), em que o mal se esconde no detalhe. Se o aborto é apenas um problema de saúde pública, então NÃO É UM PROBLEMA que diga respeito à vida do feto. Logo, tudo é possível.
O que Dilma quer dizer com “nenhuma iniciativa que afronte a família”? Ela não toca na união civil de homossexuais, por exemplo. Afronta a família ou não? Tem o mesmo peso do aborto? E a regulamentação — de fato, legalização — da prostituição?  Isso também continua no PNDH3. Observem que a candidata se compromete a não “promover”. Em nenhum momento, diz, por exemplo, que vai lutar contra a descriminação do aborto.
5. Com relação ao PLC 122, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente, será sancionado em meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil;
Mais uma vez, promete respeitar a Constituição. Que bom!
6. Se Deus quiser e o povo brasileiro me der, a oportunidade de presidir o País, pretendo editar leis e desenvolver programas que tenham a família como foco principal, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e tantos outros que resgatam a cidadania e a dignidade humana.
Aqui se confundem alhos com bugalhos. Até onde sei, ninguém contestou os programas sociais.
Com estes esclarecimentos, espero contar com vocês para deter a sórdida campanha de calúnias contra mim orquestrada. Não podemos permitir que a mentira se converta em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulos de manipular a fé e a religião tão respeitada por todos nós. Minha campanha é pela vida, pela paz, pela justiça social, pelo respeito, pela prosperidade e pela convivência entre todas as pessoas.
Dilma Rousseff
Perdendo votos, foi o PT quem inventou o tal “fator religioso”, enroscando-se, depois, na própria teia. Já andei lendo as reportagens sobre a carta de Dilma. Pelo visto, a mentirinha de que o PNDH3 está sendo revisto vai passar em brancas nuvens.



Por Reinaldo Azevedo

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