2 de mar de 2012

Esclarecimentos sobre a importência e a beleza da vida sexual no casamento e a pró-criação


Informativo





O Programa Minha Família é assim apresentado por Márcia Corrêa e Diácono Nelsinho abordou na última terça, 28 de fevereiro, o tema Vida Sexual no Casamento e Transmissão da Vida.

A médica Ginecologista, Elizabeth Kipnam foi a convidada do programa para tirar dúvidas dos telespectadores e esclarecer algumas questões como o mistério e a beleza da sexualidade humana e a 'perfeição' do ato sexual entre um homem e uma mulher. Dra. Elizabeth é diretora do CIEB (Centro Interdisciplinar de Estudos em Bioética) do Hospital São Francisco, em Jacareí e Membro da Comissão de Bioética da CNBB.

Neste programa você vai descobrir a importância do jovem se conhecer (em sua sexualidade) antes do casamento e assitir a opinião da Igreja sobre o Dom da sexualidade no contexto Matrimonial por Pe. Wagner Ferreira.

No segundo bloco tem uma matéria com o depoimento de dois casais da Comunidade Canção Nova.


1º BLOCO




A Transmissão da Vida na forma como Deus a criou, se dá por esse sentido cristão da vida sexual no casamento. A Igreja tem muito a falar sobre sexo, porque a vida sexual dos casais está intimamente ligada ao mistério de Cristo e, consequentemente, ao mistério da salvação.


2º BLOCO




TV Canção Nova, um programa de vida

02/03/2012

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Fabiana Azambuja

Planejamento Natural Familiar: uma escolha por qualidade de vida

“Pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher. Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade” (Humane Vitae).

Gerar uma nova vida é uma alegria, mas também constante motivo de preocupação dos pais. Preocupada com os meios artificiais usados pelos casais na prevenção e programação da gestação, a Igreja recomenda métodos naturais que utilizam da própria natureza fisiológica do homem e da mulher para que o casal possa planejar a sua família. No entanto, os métodos naturais vão muito além da prevenção, eles contribuem para que a mulher tenha um melhor conhecimento de seu corpo e favorece a harmonia e o diálogo entre os casais.

Uma forma conhecida de regulação natural da natalidade é o Método de Ovulação Billings (MOB). Instrutora desse método há 8 anos, a missionária Fabiana Azambuja, mãe de 3 filhos (grávida do terceiro) explica as vantagens que essa prática traz para a mulher e os benefícios dela para a vida harmoniosa do casal.
cancaonova.com: Por que a Igreja Católica recomenda o uso do Método de Ovulação Billings para o planejamento familiar?


Fabiana Azambuja: Existe um documento que é importante citar quando se fala dos métodos naturais, que é a Encíclica do Papa Paulo VI, de 1974 (ainda muito atual), que se chama Humanae Vitae (em português “Da vida humana”). Nele, o Sumo Pontífice fala sobre a regulação da natalidade, porque a Igreja vê os casais livres e responsáveis com a criação. Nesse documento, a Igreja olha o homem de forma global, não vê a pessoa humana apenas fisiologicamente, mas também emocional e espiritualmente.

Nessa época, a Igreja reuniu cientistas, pessoas que entendem dessa área e casais para analisar a questão da regulação da natalidade. É aí que entra a história dos métodos naturais, porque eles são o melhor caminho, pois os casais vão se utilizar da própria fisiologia – sem interferência de nada artificial – para poder planejar a sua família levando em conta essa visão global do homem.

cancaonova.com: Por que muitos médicos não o recomendam?

Fabiana: Sou instrutora do MOB há 8 anos e nós temos um trabalho em conjunto com os médicos. Apresentamos os casais a eles, explicamos a proposta, sempre lembrando que o método é uma opção. Então, esses profissionais trabalham junto conosco, como os endocrinologistas e os nutricionistas, porque essa questão não é só ginecológica, mas também está ligada à alimentação e a uma disfunção hormonal. Temos um bom diálogo com alguns deles.

Quanto a outros médicos, eu acredito que a praticidade faz com que eles já indiquem o anticoncepcional, porque é muito mais prático. A questão da saúde pública... tudo isso interfere. Esse é um ponto. O segundo ponto, não posso esconder, é que existe um lado comercial. Por mais que seja barato incutir essa cultura contraceptiva, vai haver um rendimento por trás disso. Já no método natural, você não gasta nada; é uma proposta bem contracorrente. Alguns [médicos], eu acredito que fazem isso por falta de conhecimento da prática.

Temos experiências de médicos, com quem começamos a conversar, que também passaram a ser usuários do método. Na nossa linguagem, dizemos que é uma “conversão” deles. Atendendo a tantos casais que utilizam esse método, essa médica também passou a usá-lo.

cancaonova.com: Quais são os principais benefícios do Billings?

Fabiana: Esse método, primeiramente, faz com que a mulher tenha um autoconhecimento dela mesma. Ele não faz mal à saúde, não tem efeito colateral, não tem custo; portanto, serve para todas as classes sociais, principalmente, para aquelas que não têm poder aquisitivo e favorece a harmonia do casal.



cancaonova.com: Como as mulheres que vivem na correria do dia-a-dia podem aderir a ele, tendo em vista que esse método exige uma maior observação delas com relação ao seu corpo?

Fabiana: Há um ditado que diz que "A mulher consegue fazer 10 coisas ao mesmo tempo" e isso é verdade. Nós conseguimos trabalhar, cuidar dos filhos, do marido, ou seja, ficar "ligadas". A dificuldade mesmo é exercitar. Para qualquer mulher que você pergunte, ela pode estar na fila do banco e a menstruação dela descer; ela vai sentir que isso aconteceu, assim como ela sente que está com dor nas costas, dor de cabeça... Não é algo que está fora dela, mas dentro; só que ninguém nunca pergunta para ela: "Como você está se sentindo hoje?". Então, o trabalho da instrutora é, justamente, dar esse "clique" nela para que ela comece a se observar. Não é uma coisa de outro mundo; simplesmente ela nunca fez isso. Para saber que ela está menstruada, ninguém precisou dizer. A fertilidade é assim também, ela vai sentir, mas não está acostumada a se perguntar e a se sentir. É aí que entra o trabalho da instrução.

cancaonova.com: Ele deve ser utilizado apenas pelos casais já casados?

Fabiana: Na verdade, ele é utilizado desde a menarca – primeira menstruação –, até a pré-menopausa, quando a mulher fecha o seu ciclo de vida fértil. Mas a utilização dele é diferenciada, porque uma adolescente vai usá-lo para adquirir um autoconhecimento.

É muito bacana, porque os adolescentes ainda estão regulando os seus hormônios e, nessa fase, muitos pais erram, porque levam as filhas ao ginecologista e já há uma medicação para regular o ciclo. É um pecado isso, porque a adolescente ainda está em fase de ajuste. Então, quando ela começa a se observar, descobre a beleza do seu corpo, valoriza-se como mulher e essa valorização do corpo vai ser muito importante. Isso vai ajudá-la a ser melhor com as pessoas, a saber que, algumas vezes, o hormônio pode influenciar no humor, seja porque ela fica uma chata ou muito alegre, sensível. Enfim, isso ajuda também na vivência social dela.

Uma vez casado, dentro do matrimônio, o casal vai utilizar as regras para engravidar ou para espaçar a gravidez.

cancaonova.com: Qual deve ser o comportamento do casal durante o período fértil?

Fabiana: Uma das vantagens do Método Billings é o diálogo entre os casais, a harmonia. O casal vive um eterno enamoramento; é muito interessante. O sexo é muito importante na vida matrimonial evidentemente, mas ele é uma parte. Assim, quando alguns homens entendem a proposta, eles são os primeiros que a abraçam. Mas quando não a entendem, eles têm uma verdadeira aversão, porque existe aquela mentalidade de que sexo é todo dia, toda hora e "quanto mais, melhor"; "quanto mais, mais eu sou macho". Quando eles entendem a proposta, vivem uma reeducação sexual; vivem o sexo como uma entrega, uma doação a quem se ama. Dentro do casamento, você vive uma lua-de-mel, porque existem os dias férteis em que o casal quer espaçar, então não vai ter relação nesses dias, que é de 6 a 8 dias. Então, num ciclo de 28, 30 [dias], você tem cerca de 16 dias para ter relação. Aí, o casal vive um enamoramento. O que eles vão fazer? Vão conversar, vão namorar, ir ao cinema, jantar fora. O casal não fica na rotina e descobre que existem outras manifestações de amor além da sexual, da genital. O comportamento do casal deve ser o de se amar de outras formas e de forma responsável, já que eles não querem engravidar naquele momento.

cancaonova.com: Para que esse método funcione é importante a participação do marido?

Fabiana: É importante que ele queira viver essa experiência, porque, na verdade, quem se observa é a mulher. O marido é uma “ajuda adequada” (cf. Gênesis 2,18). Há casos em que a mulher esquece de anotar [o ciclo], e quem anota é o marido à noite. Eles vão ter que conversar sobre esse assunto. Toda mulher quer, no final do dia, que o marido pergunte: “Como foi o seu dia?”. Nós achamos isso o máximo, mas para eles isso não faz a menor diferença. No entanto, para a relação sexual ele vai ter de perguntar. Olha que notícia maravilhosa! E ela vai responder: "Hoje eu estou seca, hoje eu estou molhada; ou seja, hoje estou fértil ou infértil". Os homens aprendem muito rápido, mas precisam aceitar. Isso é o legal, porque, os outros métodos artificiais colocam o jugo sobre um ou sobre outro. "Se é a mulher quem está tomando um anticoncepcional, ela que se vire". E fica uma coisa fria, pois eles têm relação na hora em que querem. Se é o homem quem faz vasectomia, está sobre ele [o jugo]. Não é fácil tomar a decisão de não mais procriar, porque isso é algo que está intrínseco ao homem e à mulher. Eles foram criados para colaborar com Deus na criação. Já o método natural é do casal.

cancaonova.com: Durante a amamentação, a mulher deve continuar utilizando-o?

Fabiana: Exatamente. Na amamentação, geralmente, a mulher acabou de ter um filho e o casal quer espaçar a próxima gravidez; outros não, querem ter um atrás do outro. Mas para o casal que quer esperar alguns anos para engravidar de novo, ela [esposa] vai continuar usando o método como usava antes de engravidar.

cancaonova.com: Como orientar a população mais carente em relação a esse planejamento natural tendo em vista que ela têm menor acesso às informações?

Fabiana: O planejamento natural da família precisa ser mais divulgado, porque ele é eficaz em todas as camadas da sociedade. Existem, inclusive, mulheres analfabetas que praticam o método. Elas não precisam saber ler para fazê-lo, apenas se observar e pintar as cores [do quadro].

Atendi um casal e a mulher me disse que sabia como estava, então ela pegava uma folha seca para ilustrar quando estava infértil e, quando não punha nada, é porque ela estava fértil. É muito simples o método, mas é preciso que ele seja divulgado pelos meios de comunicação e precisam existir cada vez mais órgãos como o CENPLAFAN (Centro de Planejamento Familiar Natural), que é responsável por esse trabalho no Brasil. É preciso gerenciar mais instrutores capacitados para ajudar as pessoas; utilizando também os Postos de Saúde para que essa proposta chegue até elas.

cancaonova.com: Como você aprendeu a usar o Método Billings e como se tornou instrutora dele?

Fabiana: Eu tive uma "conversão" com o método, porque eu tinha 23 anos quando comecei a namorar o meu esposo. Ele já conhecia o método e falou dele para mim. A princípio eu pensei: "Nossa, mas tem que planejar?". Na minha cabeça, eu não tinha que planejar, porque ia ter quantos filhos Deus me desse. Então, havia um pouco de resistência no meu coração. Mas uma pessoa da comunidade [Canção Nova] foi fazer um curso para instrutores em Araras (SP), em 1998, e me chamou. Lá fui eu, mas para questionar tudo. Na sexta-feira em que eu cheguei ao encontro, tive uma cura espiritual, porque a minha mãe foi mãe solteira. Então, eu não fui planejada pelos meus pais. Quando eu cheguei lá [no encontro], não conseguia dormir e pedi para essa pessoa que foi comigo rezar por mim. Na oração veio essa questão do meu pai e da minha mãe com relação à minha gestação. O ponto que foi nevrálgico na minha aceitação ao método foi a responsabilidade, porque, como não houve responsabilidade deles [os pais], eu não queria planejar. A partir disso, eu fui a todas as palestras, entendi a proposta do método e comecei a trabalhá-lo na Canção Nova; primeiramente comigo, fazendo o autoconhecimento da minha fertilidade e também participando de outros cursos.



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